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<journal-title>Revista da Abralin</journal-title>
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<publisher-name>Associação Brasileira de Linguística</publisher-name>
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        <article-title>CONEXÃO LÉXICO-CUTURAL DE ALGUNS MANUSCRITOS SETENTECISTAS PERTENCENTES AOS ANNAES DO SENNADO DA CAMARA DO CUYABÁ - 1719-1830</article-title>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="13/06/2017" />
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      <issue>3</issue>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-ab44a1b2c041706070e3a9cb0ba70f2f">O presente trabalho constitui-se de um estudo léxico-cultural de cinco lexias de excertos de alguns manuscritos dos Annaes do Sennado da Camara do Cuyabá de 1719-1830, pertencentes ao Arquivo Público de Mato Grosso - APMT. Os Annaes do Sennado da Camara do Cuyabá, são compostos por cento e noventa e oito fólios, ou seja, cento e noventa e oito folhas, recto (frente e verso em que são narrados os fatos socio-históricos, políticos, jurídicos, religiosos e econômicos do início da colonização de Vila Real do Senhor Bom Jesus do Cuiabá, hoje, Cuiabá. Acrescenta-se à análise, breves comentários sobre o processo da sinonímia das lexias escolhidas, observando o contexto que essas estão inseridas. Para o embasamento teórico do estudo da sinonímia são citados Cançado (2012) e Ilari e Giraldi (1994); para as concepções sobre cultura são citados Geertz (1973) e Laraia (1986); para a justificativa da conexão léxico-cultural são citados Biderman (1998), Carvalho (2009), Fiorin (2003) e Santiago-Almeida (2007). Como o corpus tem um caráter filológico, pois evidencia manuscritos de mais de dois séculos de existência, serão utilizadas as edições semidiplomática, para a transcrição dos excertos dos manuscritos seguindo os critérios de Megale e Toledo (2005) e a edição fac-similar, para que o leitor tenha uma maior compreensão e legitimidade das informações. Para finalizar, breves comentários sobre as descrições dos semas das lexias embasados em Bluteau (1728), Silva (1789) e Houaiss (2009) et al. Esse artigo é uma atividade desenvolvida como parte do projeto de Pesquisa de Pós-Graduação em Estudos de Linguagem, do Instituto de Linguagens, da Universidade Federal de Mato Grosso – PPGEL/IL/UFMT e para a “História do Português Brasileiro – PHPB/ MT”.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="_paragraph-2">
          <italic id="italic-1">This work consists of</italic>
          <italic id="italic-2" />
          <italic id="italic-3">a lexicalcultural study</italic>
          <italic id="italic-4" />
          <italic id="italic-5">of</italic>
          <italic id="italic-6" />
          <italic id="italic-7">five lexias of</italic>
          <italic id="italic-8" />
          <italic id="italic-9">some manuscripts belonging </italic>
          <italic id="italic-10">to Annaes do Sennado da Camara do Cuyabá from 1713 to 1830, belonging to a Public </italic>
          <italic id="italic-11">Archive of Mato Grosso, APMT. Annaes do Sennado da Camara do Cuyabá, are </italic>
          <italic id="italic-12">composed by one hundred ninety eight pages, front page and back page and it is stated the social, historical, political, juridical, religious and economical facts since the beginning of </italic>
          <italic id="italic-13">colonization of Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Adding to this analysis brief </italic>
          <italic id="italic-14">remarks about the veracity of synonymies and their usage, by observing the context in which they are used. For the theoretical studies of synonymies are quoted Cançado () (2012) and </italic>
          <italic id="italic-15">Ilari e Giraldi (1994); for the cultural concepts are quoted Geertz (1973) and Laraia (1986); to the connection of lexicalcultural study are quoted Biderman (1998), Carvalho (2009), Fiorin (2003) and Santiago-Almeida (2007). As the corpus has a philological </italic>
          <italic id="italic-16">character because it brings out manuscripts of</italic>
          <italic id="italic-17" />
          <italic id="italic-18">more than two centuries of</italic>
          <italic id="italic-19" />
          <italic id="italic-20">existence, it will be mentioned the semidiplomatic edition to the transcription of the manuscripts excerpts following the criteria in Megale e Toledo (2005), as well the fac-similar edition in order to the reader has a great understanding and legitimacy of the information .To conclude, brief </italic>
          <italic id="italic-21">remarks about the descriptions of the meaning of these lexias in Bluteau (1728), Silva </italic>
          <italic id="italic-22">(1789) and Houaiss (2009) et al. This article is an activity developed as part of a research </italic>
          <italic id="italic-23">project of a post graduate program in Language Studies, of Languages Institution, of </italic>
          <italic id="italic-24">Federal University of Mato Grosso, PPGEL/IF/UFMT and as a part of a “History </italic>
          <italic id="italic-25">of Brazilian Portuguese – PHPB-MT”.<italic id="italic-26"/></italic>
        </p>
      </abstract>
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        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-88712d3e3312ed155b865317a1eec801">Culture</italic>
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          <italic id="italic-61267ef1f3694fd2023ca59f380119a7">Philology</italic>
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          <italic id="italic-ce0ce03366f8a5934bd41602b661fcaf">Lexicon</italic>
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          <italic id="italic-c72eca5b9b1233fcd7a38ad00c6f14e8">Semidiplomatic Edition and Synonym</italic>
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    <sec id="heading-1">
      <title>Introdução</title>
    </sec>
    <sec id="heading-c382b912a9fd00dc7f9f60c8ad30aa39">
      <title>1. Informação sobre o corpus e procedimentos metodológicos</title>
      <p id="paragraph-4">O corpus desse artigo é composto por alguns excertos dos manuscritos pertencentes aos Annaes do Sennado da Camara do Cuyabá de 1719-1830 e estão cuidadosamente mantidos no Arquivo Público de Mato Grosso-APMT.</p>
      <p id="paragraph-5">A finalidade do trabalho com esse corpus é estabelecer uma conexão entre o léxico e a cultura explicada através de cinco lexias inclusas nos manuscritos e ao mesmo tempo instigar o leitor a repensar o processo de significação das palavras, entendendo a forma que elas foram empregadas na construção do sentido no contexto dos documentos.</p>
      <p id="paragraph-6">Os relatos presentes nos múltiplos documentos e informações oficiais dos Annaes do Sennado da Camara do Cuyabá, ressaltam as ocorrências no cotidiano do lugar, com relatos sobre a política, economia, história, cultura e religião, desde o início da colonização de Cuiabá, firmando-se como um preito à história de um povo.</p>
      <p id="paragraph-7">Os Annaes do Sennado da Camara do Cuyabá são compostos por cento e noventa e oito fólios, ou seja, folhas, recto (frente) e verso, visto que os documentos sofreram várias mutilações, supressões de fólios e linhas, afinal, são duzentos e vinte e um anos de história resgatada.</p>
      <p id="paragraph-8">O corpus será apresentado através da edição fac-similar, ou seja, a digitalização da imagem do manuscrito, para que o leitor possa observá- lo como nos originais.</p>
      <p id="paragraph-9">Como procedimento metodológico optou-se pela descrição semântica das lexias, ou seja, a descrição do significado de cada item lexical encontrado no dicionário, relacionando-o com a produção de sentido no contexto do manuscrito. Além disso, optou-se também em apresentar breves comentários acerca da sinonímia.</p>
      <p id="paragraph-63ec76398e1323483fc4a81c29f4c70c">Para que o leitor tenha uma melhor compreensão da ortografia da época, optou-se em transcrever os excertos dos manuscritos utilizando a edição semidiplomática, cuja função é a facilitação da leitura dos manuscritos com os desdobramentos das abreviações.</p>
      <p id="paragraph-2">Para a edição semidiplomática do corpus optou-se em seguir as normas de Megale e Toledo (2005), preservando as características essenciais da obra, como a ortografia, a pontuação, a acentuação, a fronteira vocabular, possibilitando ao leitor um entendimento da escrita do português da época, como descrito no original.</p>
      <p id="paragraph-3">Para essa edição foram respeitados os seguintes critérios:</p>
      <p id="paragraph-6bd7324eb0a0a30d2a61d4748e1cf383">a) A ortografia será mantida como no original;</p>
      <p id="paragraph-9bc13642e449ff137d8583e3efe18883">b) A pontuação será mantida como no original;</p>
      <p id="paragraph-112bec7ad5b2281a8a56483f62d4fae5">c) Os diacríticos serão mantidos como no original;</p>
      <p id="paragraph-49d7cdd65adbc5ac93292dae91ad0515">d) As abreviaturas serão desdobradas e marcadas em itálico;</p>
      <p id="paragraph-76f6f505418e1579844c213b4d595c5b">e) A transcrição estará entre diples simples como assim &lt;&gt;;</p>
      <p id="paragraph-10">f) A fronteira vocabular será mantida;</p>
      <p id="paragraph-11">g) O número dos fólios será indicado entre parênteses e “v”. será a abreviação para verso.</p>
      <p id="paragraph-12">h) As lexias serão sublinhadas na cor vermelha nos excertos dos manuscritos.</p>
      <p id="paragraph-13">i) A localização do número da folha do documento estará entre parênteses ao lado direito, abaixo de cada excerto.</p>
      <p id="paragraph-15">Para o estudo lexical, foi escolhida a classe gramatical do substantivo, pelo fato de caracterizar-se como “base designadora” conforme Castilho (2012) e essa classe gramatical é segundo Biderman (1978) “categorizada de modo especial dentro do léxico de uma língua”. Segundo Houaiss (2009) o léxico é o repertório de palavras existentes em uma determina língua.</p>
      <p id="paragraph-7344056d7613c28b85e3d86349f76689">A análise dos itens lexicais, tomados como lexias, a partir da denominação atribuída por Pottier (1974), o substantivo, será realizada através da descrição dos semas, ou seja, uma análise semântica, levando em consideração o contexto em que as mesmas estão inseridas.</p>
      <sec id="heading-ccd9c7cd58ea23d9a03457fec26785fb">
        <title>1.1 Breve histórico dos Annaes do Sennado da Camara do Cuyabá</title>
        <p id="paragraph-71ccad0841805b64472ed7928d33cb31">A produção dos Annaes do Sennado da Camara do Cuyabá foi uma imposição do governo colonial às Câmaras Municipais, tidas como menor unidade administrativa, judiciária, fazendária e política, atendendo aos preceitos da Real Provisão, de 20 de julho de 1782. Foram produzidos por vereadores eleitos a partir de 1786, como atividade formal da Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá. Assim, as câmaras, eram segundo Oliveira ()(1996) tidas como “cabeça de governo”, pois conforme Vidgal (1998) os homens eleitos para as câmaras gozavam o direito de serem tratados como nobres, pois ocupavam cargos de juiz ordinário, vereador e procurador.</p>
        <p id="paragraph-958b1865a58c1d7cf558f6373a3388a4"> A elevação das minas do Cuyabá à condição de Villa Real do Senhor Bom Jesus do Cuyabá é um fato que confirma a importância do documento, encontrado no fólio 11 v.(verso) dos Annaes do Sennado da Camara do Cuyabá. O excerto a seguir é um exemplo do relato do fato.</p>
        <fig id="figure-panel-0f468916720a9c8360d447aefd8952a9">
          <label>Figure 1</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-2ac79aa3043444865d544052459f5c3b">&lt;pag. 20 até 34 &gt;</p>
            <p id="paragraph-112b6fa1936203172a28215e9cf6f1dc">&lt;Tomando anossa historia, eanno de 1726 Conque estavamos em 15 de Novembro chegou a Esta Villa oGeneral Rodrigo Cezar Como Consta e de hua Provizam Real Registada no L<italic id="italic-4b92eba6d7b5c0a6b454e13e1fb05597">ivro </italic>2º do Reg<italic id="italic-12b7713a2ea6069cfb7c63245426245b">isto </italic>des te Senado a f.23, trousse Consigo huma grande frota &gt; decanoas fizeraõ-se lhes festas Como o tempo eLugar. permitiaõ, esSeguio Logo esta Povoaçam em Villa Com o titulo.de Villa Real doSenhor Bom Jesus do Cuya= bá.&gt;</p>
          </caption>
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      </sec>
      <sec id="heading-28a5dd8cb100778eecd3ac13cc43a9fd">
        <title>1.2 Estrutura temporal da narrativa dos Annaes</title>
        <p id="paragraph-fdfa233b741f6f3b59b001718010a4b7">A narrativa dos Annaes do Sennado da Camara do Cuyabá é, até 1765, realizada com pelo menos quatro participações: José Barbosa de Sá, advogado licenciado pela coroa portuguesa, Pedro Taques de Almeida Paes Leme, vereador, Joaquim da Costa Siqueira, segundo vereador, e Diogo de Toledo Lara Ordonhes, ouvidor.</p>
        <p id="paragraph-23bc20403ddfda578bd4461835ce200b">A narrativa de Joaquim da Costa Siqueira, realizada no segundo semestre de 1786, referente aos anos de 1719-1786, foi compilada com alterações significativas, da obra intitulada Relação das Povoações do Cuiabá e Mato Grosso., de José Barbosa de Sá, de 1719 a 1765 . A partir de 1765, Siqueira narrou os fatos que presenciou.</p>
        <p id="paragraph-bb5c8c1dce2e32593facb0ba44fefec5">Para que o leitor entenda com maior exatidão a estrutura temporal da narrativa dos manuscritos, pode-se dividir em três momentos: o primeiro, de 1718 a 1786, o segundo, de 1787 a 1817 e o terceiro, 1821, 1827 e 1831. É relevante explicar que os itens lexicais escolhidos para a análise pertencem aos fólios da narrativa do primeiro momento.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-2">
      <title>2. Análise da conexão-léxico cultural dos Annaes</title>
      <p id="paragraph-96ed982c73826c16d67643a0b490aed3">Partindo do primeiro momento da narrativa dos Annaes do Sennado da Camara do Cuyabá, 1718- 1786, as lexias (substantivos) serão apresentadas individualmente, e localizadas nos Annaes com o número do fólio, folha, como já citado, para que o leitor tenha uma melhor compreensão e veracidade das informações.</p>
      <p id="paragraph-a8a208df46ef0d2d2d7e27ad6ef9bea1">Antes de estabelecer a conexão léxico-cultural, é instigante fazer um convite ao leitor à leitura de algumas concepções sobre cultura, para que depois possa perceber a conexão léxico-cultural.</p>
      <p id="paragraph-658caa746661bddb3ed499f75dc6bc6c">O conceito de cultura é vasto e muito se tem pensado sobre ele. As concepções sobre cultura a seguir, refletem a diversidade de opiniões sobre o tema.</p>
      <p id="paragraph-4eea5861104da630dd58c6c68c62ad9d">De acordo com Geertz (1973) a cultura é identificada como um sistema de signos passíveis a interpretação e ainda esclarece que:</p>
      <p id="paragraph-21925fd01dad8eb1a3e9b084f75078b7">a cultura não é um poder, algo ao qual podem ser atribuídos casualmente os acontecimentos sociais, os comportamentos, as instituições ou os processos; ela é um contexto, algo de dentro do qual eles (os símbolos) podem ser descritos de forma inteligível - isto é, descritos com densidade.</p>
      <p id="paragraph-2e49be6fe6706ba7f9b562d77c4a6a09">O mesmo autor ainda afirma que:</p>
      <p id="paragraph-5d006263ff3a28c3a3491bfb4025e26f">o conceito de cultura que defendo, (...) é essencialmente semiótico. Acreditando como Max Weber, que o homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu, assumo a cultura como sendo essas teias e sua análise; portanto, não como uma ciência experimental em busca de leis, mas como uma ciência interpretativa, à procura do significado.</p>
      <p id="paragraph-14">Seguindo o raciocínio de Geertz, quando se estuda a concepção de cultura, o que se percebe é que ela não é concebida como fatos de forma isolada, mas sim, como um conjunto de fatos vividos e transmitidos por aqueles que se enquadram nos significados.</p>
      <p id="paragraph-5b3a244ee80393e9d9b06147fdf446dc">Já Laraia (1986) ressalta que alguns antropólogos concordam que “culturas são sistemas de comportamento que servem para adaptar as comunidades humanas aos seus embasamentos biológicos(...)”.</p>
      <p id="paragraph-951889ddf370082943a70ac66ef905a2">Com a intenção de justificar a conexão do léxico com a cultura, cita-se Abbade ()(2011) que afirma que a lexicologia enquanto ciência do léxico estuda as suas diversas relações com os outros sistemas da língua, relacionando-se com a fonologia, a sintaxe, a morfologia e em particular a semântica. Ainda estuda a formação das palavras, criação delas e estatística lexical.</p>
      <p id="paragraph-0aa2ac807141ae5b843dc2d92a189909">Seguindo o raciocínio, Fiorin (2003) concorda que “não existe cultura sem língua”. Sendo o léxico o estudo da palavra, Biderman (1998) diz que:</p>
      <p id="paragraph-919df22aa185ad0d43dbf4da4f3a0fd5">a palavra assume assim nos mitos de cada cultura uma força transcendental; nela deitam raízes os entes e os acontecimentos.(...) a palavra tende a constituir uma realidade dotada de poder.</p>
      <p id="paragraph-bd791e405bcfd1981eb47eed453e9841">Consequentemente ainda afirma que:</p>
      <p id="paragraph-162bdefbcc0870ef488fe965cf8b84d2">todo sistema linguístico manifesta, tanto no seu léxico como na sua gramática, uma classificação e uma ordenação dos dados da realidade que são típicas dessa língua e da cultura com que ela se conjuga.</p>
      <p id="paragraph-affc48c2a90c4e87890bcff7b4a71bfe">Para Dubois e Dubois (1971) assim como o mundo está em constante mudança, sendo as palavras refletoras desse mundo, elas estão em constante mudanças também. Isso é exemplificado na afirmação:</p>
      <p id="paragraph-c6a94401184f1096967c7a010e077b0a">como a vida nunca para, como tudo está em constante mudança, nossas palavras são sempre necessárias para expressar as mudanças que estão ocorrendo(...).</p>
      <p id="paragraph-5957cb5e2e210327004e0e34d6aa0115">Carvalho (2009) complementa afirmando que “o acervo lexical, nomeando o mundo exterior, reflete a cultura da sociedade `a qual serve de meio de expressão”. Dessa forma, se o léxico denomina o mundo exterior, é possível afirmar que ele pode ser o elemento da língua que mais se aproxima da realidade extralinguística, pois expressa a cultura e a interação humana.</p>
      <p id="paragraph-50e80f01c7a7715f9eb44de4778ed80f">Segundo Santiago-Almeida (2007) é:</p>
      <p id="paragraph-8027c2bd4089e7fdb460b200016ea64f">[...] através de textos manuscritos e impressos de natureza variada, podemos trazer, para o presente, elementos da nossa história social em determinado momento do passado e, no seu interior, rememorar nosso itinerário cultural e linguístico.</p>
      <p id="paragraph-cb2cb07958eff88507ae83504934f195">Os diferentes itens lexicais, tomados como lexias, a partir da denominação de Pottier (1974) para análise são: &lt;conserva&gt; (fl.9 v), &lt;malocas&gt; (fl.13), &lt;chusma&gt; (fl.18), &lt;monsam&gt; (fl.19) e &lt;frota&gt; (fl.12). Percebe-se através da análise como essas diferentes lexias, com significados distintos, constroem o mesmo sentido dentro do contexto dos manuscritos.</p>
      <p id="paragraph-d03d9478373e99e23c0a2dc62b33b42c">Para um melhor entendimento da análise léxico-cultural proposta aqui, as lexias serão apresentadas na seguinte ordem: a) nome da lexia; b)excerto do manuscrito com a indicação do número do fólio entre parênteses e com a lexia sublinha em vermelho; c) transcrição semidiplomática dos excertos; d) descrição dos significados das léxicas nos dicionários. Observa-se que na descrição do significado das lexias, a ortografia será mantida como indicada no dicionário.</p>
      <sec id="heading-a2a74f5ffc678da57d7768206525540c">
        <title>2.1 Análise das lexias</title>
        <sec id="heading-9332a77b241c940c8d8e2ecd8623540c">
          <title>2.1.1 Item Lexical: &lt;Conserva&gt;</title>
          <fig id="figure-panel-dc4507abd6eb7582347a9453b9a23515">
            <label>Figure 2</label>
            <caption>
              <p id="paragraph-bd26e7ac40ed114b046903a576807398">(fl.9 v)</p>
              <p id="paragraph-3fc17864a28e009cb26e0ab4583ca59a">&lt;Testemunharaõ esta marcial t tragedia os que vi=</p>
              <p id="paragraph-7e3158ef0b9373f897dfcabc45bb2e81">nhaõ na Conserva que heraõ brancos, pretos, e Indios, postos...&gt; (fl.9 v)</p>
            </caption>
            <graphic id="graphic-4e60e0e274fe8dfc9c90567d59e0db0b" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="2.jpg" />
          </fig>
          <p id="heading-fd1f92450796c077c61a97a09f3cd096">Descrição do significado no dicionário Bluteau(1728): Conserva. (Termo para Navegantes) Companhia de nàos . Separou a tormenta tres navios, que andavão de conserva.</p>
        </sec>
        <sec id="heading-d2e3860b444dd1d41ff77fc20e73de9a">
          <title>2.1.2 Item Lexical: &lt;Malocas&gt;</title>
          <fig id="figure-panel-719db6c2a3414cc6f44340461108fc73">
            <label>Figure 3</label>
            <caption>
              <p id="paragraph-325d7586440939ce5ffddb03f07c8cbd">(fl.13)</p>
              <p id="paragraph-edadbe1c1e5d0a40d4ccd68429b026b5">&lt;Partio este anno bastante gente para Povoado pelo mes deAbril, adonde forão e emdiverssas malocas .maisde.&gt; ( fl.13)</p>
            </caption>
            <graphic id="graphic-2318884d36e98b6169579bc0f1e5d4a2" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="3.jpg" />
          </fig>
          <p id="paragraph-e0147ae4653c179edc3debe4190a0263">Descrição do significado no dicionário Houaiss (2009) de Maloca: aldeia indígena; grande choca us. como habitação por várias famílias índias, esp. Sul-americanas; casa muito pobre, rústica, choupana; esconderijo de pessoas (marginais, mercadoria roubada); gado que, quando das vaquejadas, os vaqueiros reúnem e conduzem para os currais; grande quantidade de peixes.</p>
        </sec>
        <sec id="heading-f66edc839430ab7590006905a84fccec">
          <title>2.1.3 Item Lexical: &lt;Chusma&gt;</title>
          <fig id="figure-panel-9e9f2197de719cb4a02cc396f7ae8820">
            <label>Figure 4</label>
            <caption>
              <p id="paragraph-4def144a501fbfc52c3db8432aa957ae">(fl.18)</p>
              <p id="paragraph-ebb6abaedb6cba6450d72b15dfab2b4c">&lt;.Onde habita oGentio Aicurú abaixo da bocaina do Paragoay; ahi lhes Sahio em huma manham o Paya= goa em grande chusma digo chusma de canoas, que...&gt;(fl.18)</p>
            </caption>
            <graphic id="graphic-18ac362f2859d64da3ceab7841c8ad9b" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="4.jpg" />
          </fig>
          <p id="paragraph-57eb83c93e83269833e91a01beb54c83">Descrição do significado no dicionário SILVA (1789): Chusma, sf. A gente de serviços nos navios, voluntaria, ou forçada.</p>
        </sec>
        <sec id="heading-ad2386f8b574b8a46f9e27c9ceace127">
          <title>2.1.4 Item Lexical: &lt;Monsam&gt;</title>
          <fig id="figure-panel-b38e1e57a8fbbf86fd52555b8b93a931">
            <label>Figure 5</label>
            <caption>
              <p id="paragraph-7f140eca2b1e10c6cdafa8cb93feec59">(fl.9 v)</p>
              <p id="paragraph-8b779d3cd4ee920601434c0ed5cad8da">&lt;... para Povoado foi nella o RegenteIoaõ Antunes Maciel dei- xando emseo Lugar Gaspar de Godois Moreira vindo nomesmo anno monssam . dePovoado..&gt;(fl.9v)</p>
            </caption>
            <graphic id="graphic-af1c1e84c27fa0ac88e2b3157e0391d7" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="5.jpg" />
          </fig>
          <p id="heading-bebf13a20258fba82d38f8f4d18fca3f">Descrição do significado no dicionário Bluteau (1728): Monção, ou Monsão. Villa de Portugal na comarca de Viana, junto às ribeiras do Minho, He povoação muito antiga. O seu primeiro nome foi Obobriga, tomado Del Rey Brigo, seu fundador. Depois de arruinda, seus segundos fundadores, povoadores dessa ribeira os Gregos, llhe chamàrão de Orozion, que (segundo alguns) é o mesmo que Monsam.</p>
        </sec>
        <sec id="heading-1b29038c3b0507907cd4838c83c1973b">
          <title>2.1.5 Item Lexical: &lt;Frota&gt;</title>
          <fig id="figure-panel-e97afbf967649f5f99c05dc28eaba57d">
            <label>Figure 6</label>
            <caption>
              <p id="paragraph-1585c0f13fd32d32ad01e77a263bde79">(fl.11v)</p>
              <p id="paragraph-764acc0dbc63c6f1e72ea85e946d2e9e">&lt;... de 1726, Conque estavamos em 15 de Novembro chegou a Esta Villa oGeneral Rodrigo CezarComo Consta de huma Provizam Real Registada no L.º 2º do Reg<italic id="italic-26d09f55910455d1d03b3aebb538eb46">isto </italic>des te Senado a.af<italic id="italic-620d08e9635cdcf7f48fe088fdc62d41">o</italic>lh<italic id="italic-61c1a7d8188e6baf836ae18bc53cac60">a</italic>23, trousse Consigo huma grande frota ...&gt; (fl.11v)</p>
              <p id="paragraph-74ce7b690bdd898bf00fdfe6cf78996a" />
            </caption>
            <graphic id="graphic-06865884e2f37f9cb12f7a9109f5bfd8" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="6.jpg" />
          </fig>
          <p id="heading-c2bb7e8b7ff5666f7efc766cb163b2bb">Significado no dicionário Bluteau (1728): Frota. Derivase do Francez Flotte, com differença, que entre eles he Armada, e entre nós Frota he um ajuntamento de navios mercantís, que andam de conserva.</p>
        </sec>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-6d99cb6c414c3072a897c81c5cb607bd">
      <title>2.2 Construção do sentido</title>
      <p id="paragraph-67c5f4069480a63914cd3ee69a0cc88c">A definição de sinonímia ainda gera discussão atualmente. Cançado (2012) ressalta que para haver sinonímia não basta haver só identidade de significado, mas precisa-se levar em conta o sentido. Nessa perspectiva, Ilari e Giraldi (1994) esclarecem que foi desenvolvido o seguinte teste sobre a sinonímia: “Duas palavras são sinônimas sempre que podem ser substituídas no contexto de qualquer frase sem que a frase passe de falsa a verdadeira, ou vice-versa.” Sendo assim, entendemos que é difícil pensar em sinonímia sem pensar no contexto em que a palavra está inserida.</p>
      <p id="paragraph-99cb08fe2ce0ea25727c74dfe1fe60b4">Os diferentes itens lexicais escolhidos para análise são: &lt;conserva&gt; (fl.9v), &lt;malocas&gt; (fl.13), &lt;chusma&gt; (fl.18), &lt;monsam&gt; (fl.9), &lt;frota&gt; (fl.11v), quando inseridos em diferentes contextos, não produzirão o mesmo sentido. Nos Annaes do Sennado da Camara do Cuyabá, esses diferentes itens referem-se ao mesmo sentido. Essas diferentes lexias no texto do manuscrito, constroem de maneira extraordinária o sentido da palavra grupo.</p>
      <p id="paragraph-a3b165326353a6c1422827c4677a4853">Ao ler nos manuscritos o excerto &lt;Testemunharaõ esta marcial tragedia os que vinhaõ na conserva que heraõ brancos, pretos, e Indios, postos...&gt; (fl.9 v), consegue-se compreender pelo contexto, que &lt;conserva&gt; quer expressar o sentido da palavra grupo. Assim ocorre com os outros itens lexicais escolhidos. Observem esse excerto &lt;do Paragoay; ahi lhesSahioem huma manham o Payagoa em grande chusma digo chusma de canoas, que...&gt; (fl.18). A lexia &lt;chusma&gt; também foi empregada no sentido de grupo, pois &lt;chusma de canoas&gt; sugere a interpretação de muitas canoas ou um agrupamento de canoas. Ao ler a descrição semântica, o significado dessa lexia no dicionário, já citado, entende-se que chusma é o termo para designar os agentes de serviços nos navios, entre eles, os marinheiros. No exemplo citado, chusma de canoas, assim como marinheiros é um grupo de agentes que prestam trabalhos nos navios, chusma de canoas muito provavelmente entendida no contexto, sugere que seja um grupo de muitas canoas. É essencial compreender a importância de estudar os manuscritos dos séculos passados, para entender a riqueza não só socio-histórica, mas também como as lexias eram empregadas para construir o sentido da palavra grupo nos manuscritos.</p>
      <p id="paragraph-a4fd392b9378f1e252316615f2860702">Nesse excerto &lt;...para Povoado foi nella o Regente Ioaõ Antunes Maciel deixando emseo Lugar Gaspar de Godois Moreira vindo nomesmo anno monssam de Povoado...&gt; (fl.9). A lexia &lt;&gt;&lt;monssam&gt; aliada com &lt;de Povoado&gt;, expressa o sentido de um grande grupo de pessoas que estavam juntas, pois como a história, as monções eram formadas por três, quatro até seis mil pessoas que vinham juntas divididas em várias canoas, deixando mulheres, filhos a procura de ouro. Sendo assim, um importante relato para a compreensão da história da colonização de Cuiabá.</p>
      <p id="paragraph-dd9622e064af71b52119a33d0a15dd0d">A lexia &lt;maloca&gt;, também relembra a ideia de grupo. “Maloca” lembra o indígena, um elemento primordial nos relatos da história dessa colonização, pois nomeia a morada dos indígenas. Maloca, abriga um grupo de indígenas, pois eles não vivem isolados, mas agrupados. Assim, quando se lê &lt;Partio este anno bastante gente para Povoado pelo mes deAbril, adonde forão em diverssas malocas . maisde..&gt; (fl.13), entende- se que malocas no manuscrito sugere o sentido de grupos formados por milhares de pessoas. É relevante observar como os relatos da época construíam ricamente o sentido de grupo nos textos dos manuscritos, utilizando-se de diferentes itens lexicais para um fim específico: sentido de grupo.</p>
      <p id="paragraph-575f8bc4f8ba935146d6d99741532f10">A lexia &lt;frota&gt; (fl.12) exemplificada no excerto do manuscrito &lt;...de 1726, Conque estavamos em 15 de Novembro chegou a Esta Villa oGeneral Rodrigo Cezar, Como Consta de huma Provizam Real Registada no L.º 2º do Reg<italic id="italic-fc6287a083c84c95fb8cd8b891ae1629">isto </italic>deste Senado af<italic id="italic-a67f61777544a46621fcc49025f30e94">o</italic>lh<italic id="italic-ea7eb5ca00452df24612729934096d31">a </italic>trousse Consigo huma grande frota ...&gt; (fl.12).</p>
      <p id="paragraph-56d776eaa866b8a97769052f74c1fdb7">“&lt; grande frota&gt;”, uma das definições segundo Bluteau (1728) para a lexia frota é um “ajuntamento de navios mercantis”. Na frase citada como exemplo do manuscrito, provavelmente a lexia frota, constrói o sentido de grupo de pessoas ou canoas no contexto.</p>
      <p id="paragraph-45e67b28e577e190667bce2ceb8f9320">É essencial observar que se essas lexias fossem introduzidas em outros contextos, provavelmente não só indicariam o sentido da palavra grupo, mas poderiam construir outros sentidos em outros contextos. Elas são itens lexicais específicos, mas que no contexto dos relatos do manuscrito produzem o mesmo sentido, mas não se pode afirmar que por produzirem o mesmo sentido possam ser consideradas sinonímias. Elas possuem o mesmo sentido, mas não o mesmo significado.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-2439e940b25a10a7719a4629bec883d7">
      <title>Conclusão</title>
      <p id="paragraph-78a3fda94826b54bde805a88ffce590f">Pela observação do aspecto léxico-cultural exemplificado através das lexias do corpus, é imprescindível destacar a importância dos estudos filológicos para o estudo do léxico da língua portuguesa no Brasil. É através deste estudo que-futuros pesquisadores ampliarão o conhecimento do léxico da língua portuguesa brasileira dos tempos remotos e ainda conhecerão um dos mais importantes documentos para a história de Cuiabá perpetuando principalmente o aspecto sociocultural, compreendendo que a cultura constrói-se a partir dos sentidos que são atribuídos pela sociedade, através das práticas sociais e do modo como as pessoas percebem o mundo.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-e2a406944a2297717f28cd53401db3cb">
      <title>Referências</title>
      <p id="paragraph-62de90cc4d77763ca5d2fe2398099944">ANNAES DO SENNADO DA CAMARA DO CUYABA: 1719-1830. [Transcrição e organização Yumiko Takamoto Susiki]. Cuiabá, MT: Entrelinhas; Arquivo Público de Mato Grosso, 2007.</p>
      <p id="paragraph-18613c74d178c64138f1dce2042179ef">ABBADE, C. M. S. <bold id="bold-1">A Lexicologia e a Teoria dos Campos Lexicais. </bold>Anais do XV Congresso Nacional de Linguística e Filologia. Rio de Janeiro. 2011. nº5, v. XV, p.1332-1343.</p>
      <p id="paragraph-0ff693070b4babb317ae9ff3836f7db9">BIDERMAN, M. T. C. <bold id="bold-2">Teoria Linguística: </bold>linguística quantitativa e computacional. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1978. p.200.</p>
      <p id="paragraph-709900b197d2d8688aaa119ca1736fd5"><underline id="underline-1"> _____</underline>. <bold id="bold-3">Dimensões da palavra</bold>. Filologia e Linguística Portuguesa, n. 2. São Paulo: Humanitas, 1998.</p>
      <p id="paragraph-314bacd6eeac4b7fef8eba17f40b4a37">BLUTEAU, R. <bold id="bold-4">Vocabulario </bold><bold id="bold-5">portuguez &amp; latino. </bold>Coimbra: Collegio das Artes da Companhia de Jesus, 1712-1728.</p>
      <p id="paragraph-3142723890ac902b509cf90f759cc503">CANÇADO, M. <bold id="bold-6">O Manual de Semântica: </bold>noções básicas e exercícios. São Paulo: Contexto, 2012.</p>
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      <p id="paragraph-f4db9ac4be0f17d618dce86d644847a6">CASTILHO, A. T. <bold id="bold-14db01a5d709088f0d9b2ef48af2420a">Nova gramática do português brasileiro</bold>. São Paulo: Contexto, 2012. p.453.</p>
      <p id="paragraph-0e6ce1661446dfd6c70df57e7d6ef7f1">DUBOIS, C. <bold id="bold-c67727809a8b3da8c831291a20f0aa0f">Introduction</bold><bold id="bold-adf90a8a09b5cf445a2a18e811dc45e5"> </bold><bold id="bold-ef9e7c34291cef54eb6aab81aef20888">à la Lexicographie: </bold>le dictionnaire. Paris: Livrairie Larousse, 1971.</p>
      <p id="paragraph-1dfdc0cb12c34252bc753f02320c391e">FIORIN, J. L. <bold id="bold-ea33a8f281671f90a8a0d7454c4322ed">Entrevista</bold>. In XAVIER, A. C.; CORTEZ, S. (Orgs.) Conversas com linguistas: virtudes e controvérsias da linguística. São Paulo: Parábola, 2003. p. 71-76</p>
      <p id="paragraph-ecdc96ccb7a3c2a53983901d854eed52">GEERTZ, C. <bold id="bold-bf5347b7d24e7e9442913da4303b09cd">A interpretação das Culturas</bold>. Rio de Janeiro: Zahar, 1973.</p>
      <p id="paragraph-0739312aa31513bd96b29e8c0e0d5897">HOUAISS, A; VILLAR, M. S. <bold id="bold-eed4ce4ed6eee9c4597244379775b365">Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. </bold>Instituto Antônio Houaiss de Lexicografia e Banco de Dados da Língua Portuguesa S/C Ltda. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009.</p>
      <p id="paragraph-ad6ed1dbd292ac54ad0768ba99834bfb">ILARI, R.; GERALDI, J. W. <bold id="bold-8">Semântica</bold>. 6.ed. São Paulo: Ática, 1994.</p>
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      <p id="paragraph-6179708cfafa1e1890be60e4adcc15b9">SANTIAGO-ALMEIDA, M. M. <bold id="bold-1060f2304a0071c7c6112d2c1f0ca8eb">Fontes manuscritas e impressas: </bold>reflexos da nossa base cultural e linguística. In: DIAS, Marieta Prata de Lima (org.) Língua e Literatura: discurso pedagógico. São Paulo: Ensino Profissional, 2007.</p>
      <p id="paragraph-afaf0c17b1b61cde2a11aeba19721705">SILVA, A. M. <bold id="bold-be0159320600455f5c7e5af7a66d7e7c">Diccionario da língua portugueza</bold>. Lisboa: Typographia Lacerdina, 1789-1813.</p>
      <p id="paragraph-4761c00f454eef3687dadd0d27715c2a">VIDIGAL, L. <bold id="bold-e2c0b1aad6a24deac003bcdb4e77c0e7">No microcosmo português: </bold>uma aproximação comparativa à anatomia das oligarquias camarárias no fim do antigo regime político (1730-1830) in O município no mundo português. Seminário Internacional. Funchal: 1998.</p>
      <p id="paragraph-9a3de9febb50ee8941c408bd2d5323a8" />
      <p id="paragraph-04806fd03ed4bdfeb8a0bc576ce5ef30">Recebido em 10/10/2016 e aceito em 06/12/2016</p>
    </sec>
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