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<journal-title>Revista da Abralin</journal-title>
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<publisher-name>Associação Brasileira de Linguística</publisher-name>
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        <article-title>UM POSICIONAMENTO FEMININO NA SOCIEDADE MATO-GROSSENSE DO SÉCULO XVIII: UM ESTUDO FILOLÓGICO</article-title>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="13/06/2017" />
      <volume>16</volume>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-65e586782ca8904b57c8b1ff27bb6107">No século XVIII, a tradição da escrita feminina é muito escassa, principalmente com respeito aos documentos manuscritos não literários. O presente trabalho tem por objetivo o estudo filológico de uma carta manuscrita, datada de 29 de março de 1789, produzida por uma mulher em Cuiabá, Lucrecia de Morais Siqueira, viúva, enviada ao Governador Capitão-general da Capitania de Mato Grosso e Vila Real do Senhor Bom Senhor Jesus de Cuiabá, Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, testemunho pertencente ao acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso – IHGMT. A partir das edições fac-similar e semidiplomática, foram tratados aspectos filológicos, históricos, sociais e culturais sugeridos no manuscrito, tendo como suporte teórico a filologia e a Crítica Textual, conforme Spina (1977), Cambraia (2005), Santiago-Almeida (2000), e histórica, de acordo com Holanda (2011) e Siqueira (1990), dentre outros. Esta é uma atividade desenvolvida como parte do projeto de pesquisa “Para a História do Português Brasileiro – Mato Grosso – PHPB-MT”.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="_paragraph-2">
          <italic id="italic-1">In the eighteenth century, the female writing tradition was very scarce, mostly regarding to documents and non-literary manuscripts. This work consists on philological study of a hand written letter made by a woman in Cuiabá, Lucrecia de Morais Siqueira, widow, dated on </italic>
          <italic id="italic-2">March 29th, 1789, sent to the Governor Capitan-General of Captancy of Mato Grosso and Vila Real do Bom Senhor Jesus de Cuiabá, Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e </italic>
          <italic id="italic-3">Cáceres, the selected document is belonging to the collection of Historical and Geographical </italic>
          <italic id="italic-4">Institute of MatoGrosso-IHGMT. Build on the fasimile and semidiplomatic build on the </italic>
          <italic id="italic-5">fac-similar and semi-diplomatic editions aspects philological, historical, social and cultural were treated suggested in the manuscript, having as a theoretical support this study the </italic>
          <italic id="italic-6">Philology and the Textual criticism, according Spina (1977), Cambraia (2005), Holanda </italic>
          <italic id="italic-7">(2011), Siqueira (1990), among others. This is an activity developed as part of a research </italic>
          <italic id="italic-8">Project of a post graduate program in Language Studies, of Languages Institution, of </italic>
          <italic id="italic-9">Federal University of Mato Grosso-PPGEL/IL/UFMT, “ To a History of Brazilian </italic>
          <italic id="italic-10">Portuguese-PHPB-MT.<italic id="italic-11"/></italic>
        </p>
      </abstract>
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        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-7d88d042c56a7e194c9e099466f0203b">Phiology</italic>
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          <italic id="italic-835996b5fd9b30d3d7a0e2a4335e37e0">Adjective function</italic>
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          <italic id="italic-d7d1d04427368c684cbb8fc8d29e225c">Transcendent function</italic>
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    <sec id="heading-db9bc647bee65b0dfd85742864ad6037">
      <title>Introdução<xref id="xref-5672fdb24ebf395a3ccb6c293be96ffe" ref-type="fn" rid="footnote-a1e2719fc30eaacd24a72875c03ae461">1</xref> <xref id="xref-7719772a54ddc347e7648700b8225a35" ref-type="fn" rid="footnote-6e04852d27f5083b99108c876e82aef3">2</xref> <xref id="xref-5381eb6308ab224aef374295af03549a" ref-type="fn" rid="footnote-00f3117c1c8541416a046c46ee9be38f">3</xref></title>
      <p id="paragraph-1">No período Neolítico, também denominado Idade da Pedra Polida, enquanto os homens se dedicavam à caça, à pesca e a outras atividades, as mulheres eram responsáveis pelas atividades agrícolas. Embora a humanidade tenha evoluído, com a invenção da escrita, dentre outros avanços, as mulheres permaneceram na mesma situação, passando a se responsabilizar pelos afazeres domésticos e filhos, sempre subservientes aos seus maridos.</p>
      <p id="paragraph-2">O Iluminismo propiciou o surgimento de uma nova sociedade, a ascensão da burguesia, permitindo à mulher ocidental, uma melhor e maior participação social. O acesso à instrução era-lhes permitido, desde que continuassem sob o jugo masculino. Sua emancipação ocorria apenas fora do casamento, sendo que “a filha e a viúva têm as mesmas capacidades que o homem, mas em se casando, a mulher cai sob a tutela e a <italic id="italic-48e331d65854a9408eede1392d85e4fd">mainbournie </italic>(tipo de tutela) do marido”(BEAUVOIR, 1949: 133).</p>
      <p id="paragraph-3">No Brasil, não foi diferente. Desde o período colonial, era exigido das mulheres o recato, a docilidade e a submissão impostos pela sociedade patriarcal brasileira, em que o casamento, a administração da casa e a educação dos filhos constituíam seu maior dever, além, claro, da submissão total ao marido.</p>
      <p id="paragraph-4">Embora a mulher pudesse ter sido até considerada leitora assídua de obras literárias no século XVIII, no Brasil, sua participação na tradição escrita ao longo da história é muito escassa. No caso de Mato Grosso, a produção literária ou não literária feminina encontrada nos acervos públicos mato-grossenses.</p>
      <p id="paragraph-5">O estudo do manuscrito que será aqui trabalhado, pertencente ao acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso – IHGMT, compreende a edição semidiplomática, a partir da qual serão descritos aspectos paleográficos, sociais e históricos, insere-se na linha de pesquisa História e Descrição do Português do Programa de Pós-Graduação de Mato Grosso PPGEL/IL/UFMT, além de ser atividade desenvolvida como parte do projeto de pesquisa “Para a história do português brasileiro – Mato Grosso – PHPB-MT”.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-1">
      <title>1. A Filologia</title>
      <p id="paragraph-1b9cadd039cc7708a12b5979f8e547ef">O texto é a essência e a razão de ser do labor filológico, conforme Spina (1977: 75). Cambraia (2005: 18) emprega o termo filologia como o estudo global do texto, de maneira a explorá-lo exaustiva e conjuntamente nos mais diversos aspectos linguístico, literário, crítico-textual, sócio- histórico, dentre outros, contribuindo para a preservação e manutenção do patrimônio cultural e escrito de um povo, tornando-o acessível a aos mais diversos tipos de leitores, através dos vários tipos de edição.</p>
      <p id="paragraph-757092bebfa8bf77c045fd84f01618b8">As edições podem ser classificadas em conformidade com o grau de mediação do editor no texto editado, conforme Cambraia (2005: 90), para quem o grau zero equivale à edição fac-similar, alterando-se tão somente a condição de manuscrito para digitado, além, é claro, do papel. Já na edição semidiplomática, além da transformação de manuscrito para texto digitado, e o papel, apenas são desdobradas as abreviaturas, mantendo-se todos os demais aspectos do texto como no original, o que representa um grau médio de intervenção no texto.</p>
      <sec id="heading-bce88ec100348a38ab05b5f29910f662">
        <title>1.1 Critérios para transcrição</title>
        <p id="paragraph-8">Para a edição semidiplomática, aqui adotada, serão utilizados, com algumas adaptações, os critérios estabelecidos no <italic id="italic-ad6e0e2b95276ccd4caf748e554f3078">II Seminário para a </italic><italic id="italic-8d64a63e6fa779c9abba14744360552d">História do Português Brasileiro, </italic>realizado no período de 10 a 15 de maio de1998, em Campos do Jordão, São Paulo. São eles:</p>
        <fig id="figure-panel-e3f051ed5a8f4a4ff5e764865e50d8d4">
          <label>Figure 1</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-31a272b519c40e9924d3d3489dcd4df6">4 (1) indica o número da linha no manuscrito</p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-49df84adce99c7772c9c599201fc0910" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="1.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-1cfdbbbf5515a1899f77bec197e6544c">Edição fac-similar Ms1 Fólio 1r</p>
        <fig id="figure-panel-d2810c8deb0ad166918350eb68ecf884">
          <label>Figure 2</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-d74425297dd150089eab3fe68a933ab2" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-5224022e80a67b72cbf3a762175dfc39" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="2.jpg" />
        </fig>
        <table-wrap id="table-figure-0c974ae0af38a34b25197500989a45f7">
          <label>Table 1</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-570e1c2f40405ed5910535f8f9fc7314" />
          </caption>
          <table id="table-bc162462289e6fc931602d2b8620d162">
            <tbody>
              <tr id="table-row-56907f7f4d20c0f7fd84f233c2788df0">
                <td id="table-cell-91c2dfe3610ad0f36e7c5e6d2b07bf4e" colspan="2">
                  <bold id="bold-582269f31d691dc86535636278f2a416"> Transcrição </bold>
                </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-7edc2c2cb446fc13ec79055934f2038c">
                <td id="table-cell-30f9c135919b41583a5d8eedcee624c4"> IDENTIFICAÇÃO </td>
                <td id="table-cell-f8190422714e0c58cded14e93c4b6601"> Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso – IHGMT </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-14f6c4a0f1b5cb46e718701f59c77d66">
                <td id="table-cell-59736867c23eba206d75d4b772d29d9a"> ASSUNTO </td>
                <td id="table-cell-6973729502afd5ff7736d1592bc9b853"> Carta manuscrita por Lucrecia de Morais Siqueira ao Governador e Capitão-general Luis de Albuquerque de   Melo Pereira e Cáceres, solicitando   a libertação da prisão de seu sobrinho, Padre Francisco Xavier dos Guimarães e Costa. </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-7f5ad5a972e6a7e20ed2a4b67e63d51d">
                <td id="table-cell-72b444e410da335cced7629cfc326346"> LOCAL </td>
                <td id="table-cell-0e45d91b54df1b273b00705de7318e4d"> Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-aff5d7d9041804701e1c707c57a26c1e">
                <td id="table-cell-bf2b3de5b1081d4c19e9762d95eaf4c9"> DATA </td>
                <td id="table-cell-b489c393c423b0cd96fcd30aa89073f5"> 29 de março de 1789 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-c7d9126a5e0344b049e5b8c8a1ed91c4">
                <td id="table-cell-12333aa4a91be02acb8d8a456c815817"> ASSINATURA </td>
                <td id="table-cell-a08c36663bc26f478d2139f23a2ef4ff"> Autógrafo </td>
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
        <p id="paragraph-87ff2b2b706dc5916f11ed7f85648d8c">Fólio 1r</p>
        <p id="paragraph-8e106b4520f8e08a90d6e4935723c4b0">[R<italic id="italic-8e87ae32ef39e3f6a53155797e4e12b8">espondido</italic>] Ill<italic id="italic-1cd656d000fc40229ca0f2d9a6fb2548">ustrissi</italic>mo e Ex<italic id="italic-719540f0d5c4941e584e0e84b126c17f">cellentissi</italic>mo S<italic id="italic-98779fc0d30ef30b9f132026aab82a37">e</italic>n<italic id="italic-284c92d11cad9cdefce3840d3d775bc8">ho</italic>r Saõtaõ fortes as razoeñs, que me encitaraõ aestaaccaõ, que naõ Só medevo prometer no felisexitodoque passo aimploraraV<italic id="italic-243583229f16aabaabc65a6dbf4e09f1">ossa</italic>Ex<italic id="italic-d04210be1da7fa8315a302b9c4f2b6a8">cellenci</italic>a</p>
        <p id="paragraph-1f46e43812e573d959e10e20b5381529">05 Como aoperdaõdomeuattrevimento. Com aauzencia demeu Sobrinho OPadre Fran<italic id="italic-14673faead8bd32f7c2c6bdf73fdfc52">cis</italic>co X<italic id="italic-59e94e4e0278cd1afd36ae10a6cff400">avi</italic>er dos Guima raeñs Brito, e Costa, metenho visto reduzi da amayorindigencia, que sepodeimagi</p>
        <p id="paragraph-7">10 nar, pois athé nova mente sejulgou Contra mim huma demanda em que mefoinecessa rio intregar os proprios Escravos, ficando intregueatanta necessidade, epobreza de quanta V<italic id="italic-0882442e51fc69f0ca278c19f37623f7">ossa</italic>Ex<italic id="italic-eb3b3d12d56b503ed5f7dd35a305aa2d">cellenci</italic>anaõdeixarãdesecompade</p>
        <p id="paragraph-9">15 çer como benigno: eu Conheço,. Ex<italic id="italic-12">cellentissi</italic>mo S<italic id="italic-13">e</italic>n<italic id="italic-14">ho</italic>r o q<italic id="italic-15">uan</italic>to sefes indigno daAtençaõdeV<italic id="italic-16">ossa</italic>Ex<italic id="italic-17">cellenci</italic>a oSobre dito meu sobrinho emdeszobede cer ao chamam<italic id="italic-18">en</italic>to deV<italic id="italic-19">ossa</italic>Ex<italic id="italic-20">cellenci</italic>a, porem sirvaõ=. lhe de Castigo tantas, e taõ grandes enfer</p>
        <p id="paragraph-11">20 midades, que tem sensivelm<italic id="italic-21">en</italic>te suportado, e quando naõ seja isto bastante aencitar, emoveraV<italic id="italic-22">ossa</italic>Ex<italic id="italic-23">cellenci</italic>aaquelhepremita Licença</p>
        <p id="paragraph-0d8bb40bf941587724d748c79b7ec397">Edição fac-similar Ms1– Fólio 1v</p>
        <fig id="figure-panel-a01f40ec38db310b2bb40debfadeec00">
          <label>Figure 3</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-4d897da56c5c502f982271f7ccfadcd1" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-75a83c3817b1490030f97ed3ff810ef2" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="3.jpg" />
        </fig>
        <p id="paragraph-2fd1c05d78680dd098d7f55a9a906dd1">Fólio 1v</p>
        <p id="paragraph-69e76abb21eb86bb7c9243be2f060c9f">do Seu regresso aesta Villa, sirva deobjecto da Begnigna Piedade deV<italic id="italic-3c4462203aeb7d8fc362f81e2bd5b18b">ossa</italic>Ex<italic id="italic-c1f0e26d8ad1bcf8b06352b4548c79c4">cellenci</italic>aaexssesiva pobre</p>
        <p id="paragraph-3c1dd169ff8777eff53c051b1284d842">25 za em que se acha humadesemparada Vi uva, quesó conserva para Lenetivodetan topadeçeramemoriadeq<italic id="italic-e816321ac20aae6b7281c0d45551e193">uan</italic>tos tem tornado fe licesaBenigni<italic id="italic-01f9b6422a43a72c152c6b316f627274">dad</italic>edeV<italic id="italic-963434648782ea51924587380733cdc7">ossa</italic>Ex<italic id="italic-f580c1227f4b15fca6a414824e08eb4e">cellenci</italic>aequeobteraõ as mi nhas Vozes aquela atençaõ que mereçeraõaque=</p>
        <p id="paragraph-6">30 lles na respeitavelprezençadeV<italic id="italic-f44c8ed193a8fd321cc6bec1ae075b6e">ossa</italic>Ex<italic id="italic-022ef068b750bdaddb84e61a975f0b1d">cellenci</italic>a Por taõ excessivo favor derigerei ao Ceodearia mente mi nhas suplicas tanto enteressadasnaFelis, enNeçessariaConcervaçaõdeV<italic id="italic-02679e800fe447a06074cb2d431f2a81">ossa</italic>Ex<italic id="italic-c04520d92c1f521d0b83a9040d3903db">cellenci</italic>a; como p<italic id="italic-2d7f74a26293eae2a326bf03860f43a5">ar</italic>a</p>
        <p id="paragraph-caba198046679c494ddf2db872608be8">35 augmento das felecid<italic id="italic-f1fcf33af1ad94e7ade98519eb57ffce">ad</italic>estemporaes, que V<italic id="italic-8adf7f900b8b4cd732e4de3c4b152595">ossa </italic>Ex<italic id="italic-be70c6fd3b6298fa1cabcbd885d4cdb9">cellenci</italic>a mais appetece, e dezeja. Deos G<italic id="italic-94abca13df0a6238af4d0108b3aaa99f">uard</italic>e aV<italic id="italic-b64ace48c66a09794dd0fdc39093c93d">ossa</italic>Ex<italic id="italic-6f0b0736c2ddd3e8f194174fb8e61038">cellenci</italic>a Cuiabá <underline id="underline-1">29</underline>, de Março d<underline id="underline-2">e1789 </underline>Ill<italic id="italic-7a8e19a03a1b325d5627286743672043">ustrissim</italic>o e Ex<italic id="italic-8148a067970053769a63c5357e4f33f7">cellentissi</italic>moS<italic id="italic-ee0fb40634daa672e268fe86b9f1dcb7">enhor</italic>DeV<italic id="italic-973939865cfd899c51bd186b3b325c01">ossa</italic>Ex<italic id="italic-8dfd9ff4a0a6da32f66836462bfc817b">cellenci</italic>a LuisdeAlbuq<italic id="italic-54815a7152897bc3bda9aab05b4dd8f2">uerque</italic>Attenta Veneradora eCr<italic id="italic-24">iad</italic>a</p>
        <p id="paragraph-1e0e19b9f58096d41fd08ff593b0836b">40 deMelo Per<italic id="italic-25">eir</italic>a eCa Ceres &lt;LucreciadeMorais Siq<italic id="italic-26">uei</italic>ra&gt;</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-264367bf8f045e479aaade3864b381bb">
      <title>2. Aspectos da função adjetiva</title>
      <p id="paragraph-e510c7abc0efaa950e509c4aabcb9f44">O <italic id="italic-815fbda7687af43c2050c8e83f80dd92">corpus </italic>em estudo pertence ao gênero discursivo, epistolar, documento manuscrito particular, não-diplomático, certamente atendendo aos critérios padronizados para o endereçamento a Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, quarto Governador Capitão- general da Capitania de Mato Grosso e da Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, autoridade de alto escalão da coroa portuguesa (SIQUEIRA, 2002: 53).</p>
      <p id="paragraph-7a9d3a8ded0282998fd6cda71fc7768d">A carta foi escrita e assinada por Lucrecia de Morais e Siqueira, na Vila Real do Bom Senhor Jesus de Cuiabá, foi endereçada ao quarto Governador da Capitania de Mato Grosso e Cuiabá, Capitão-general Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, nomeado por Carta Régia de 3 de julho de 1771, que tomou posse em 13 de dezembro de 1772, tendo permanecido na administração da Capitania por 17 anos.</p>
      <p id="paragraph-2fb72134e9ebc6b3d3e0f32f3726e047">A propósito, observe-se o excerto a seguir:</p>
      <fig id="figure-panel-c327b3cb1052c57779e990b2d2366395">
        <label>Figure 4</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-92e48d0486211642a874c5a4fe453245" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-fa6fd5fcebc48811810fdecea3aa9053" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="4.jpg" />
      </fig>
      <p id="paragraph-46eece21fc2e12d1db38047f204b3178">Cuiabá <underline id="underline-ec2cddd9fa0375489d24db87e7026f73">29</underline>, de Março d<underline id="underline-fc052df38e8e576c60fc04a510fdd8dd">e1789</underline></p>
      <p id="paragraph-9e85caa471a222ddf8666330c39a675b">Ill<italic id="italic-322fd210bd2351ab39d46de0933f5723">ustrissim</italic>o e Ex<italic id="italic-38645f59d16405fcb4df88125c7a6ef6">cellentissi</italic>mo S<italic id="italic-94e4b86ff288c976caf07a14d1a5d5d8">enhor</italic>DeV<italic id="italic-184208707a26014ce9967d6cebf7cee8">ossa</italic>Ex<italic id="italic-54b7f01a441dd214310b5cb003e0799a">cellenci</italic>a LuisdeAlbuq<italic id="italic-bf93258ab8bb032602da898e2441d981">uerque</italic>Attenta Veneradora eCr<italic id="italic-5dcccaf6b29c0055f7215efe852606ea">iad</italic>a</p>
      <p id="paragraph-4e48dea91e2ee09bb6f33c239a81a4f5">40 deMelo Per<italic id="italic-41860e5217a89b4c7a3f5d1daf9ca099">eir</italic>a eCa Ceres &lt;LucreciadeMorais Siq<italic id="italic-76936756d58bd7ac3b628a117b0dc1d4">uei</italic>ra&gt; (37-40)</p>
      <p id="paragraph-f7773e3d0aef8a788c4205fba57b0d25">A mulher na sociedade patriarcal e escravocrata brasileira do período colonial deveria ser marcada pelo recato, docilidade e submissão, comportamento imposto pela sociedade, em que o casamento, a administração da casa, a educação dos filhos e a submissão ao marido era o seu maior dever.</p>
      <p id="paragraph-2d10019bd69e9c31df9cc4d088cca290">Com grau de instrução limitado, em geral, o máximo que conseguia fazer era o registro do seu cotidiano, em diários, receitas, cartas, dentre outros. Já os documentos públicos com assuntos políticos e financeiros eram reservados aos homens.</p>
      <p id="paragraph-256f40f2d3b8d9ba61380e871000a942">Lucrecia de Morais e Siqueira não era uma “simples” mulher. Por ser a idealizadora e escritora do documento em estudo, nota-se que pertencia a elite cuiabana, conforme assevera Mesquita (1978:112):</p>
      <p id="paragraph-b53155089fe4997c88b2cdd1bf383793">[...] que a belleza da cuyabana de outras eras suggeriu. Renome de belleza deixou D. Lucrecia, mulher do licenciado Joseph Duarte do Rego, a terceira filha de Antonio de Moraes Navarro, morta fulminada por um raio, já velha, na sua casa (que é o sobradinho onde funcciona hoje a Colletoria federal), e cuja vida fornece matéria a curioso estudo, que, rastreando episódios que a cercam, daria uma novella ao gosto da época. [...]</p>
      <p id="paragraph-49aea95437a6bb42a780cbc37d19ab23">A biografia da autora revela a árvore genealógica parcial seguinte:</p>
      <fig id="figure-panel-339964a62e181dfa42dda756a1f2f8ac">
        <label>Figure 5</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-42846f7d55ab1007b7d0f4fa31c0070a" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-f69f2dad6c99e1bab20ed621676df627" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="5.png" />
      </fig>
    </sec>
    <sec id="heading-25669c88381ca3b1c1abc30364f1270e">
      <title>3. Aspectos da função transcendente</title>
      <p id="paragraph-8990f4cee7357ab95c936e852b1d44cc">Spina (1977: 77) denomina função transcendente da Filologia o momento em que o autor pode trabalhar seu lado ensaístico, com a abordagem de características socioculturais e históricos do manuscrito, não se concentrando nele, mas nos aspectos de toda natureza por ele sugeridos.</p>
      <p id="paragraph-09c640d58a7adf64fe78fde3d38c1b78">A autora, no primeiro parágrafo de sua carta, para não causar estranhamento diante de seu pedido, explicita os motivos do seu “attrevimento”, solicitando que não fosse mal interpretada, o que pode ser interpretado como indício característico de uma mulher pertencente à elite da sociedade e que recebeu instrução, como leitura e escrita, como se pode ver no excerto a seguir:</p>
      <fig id="figure-panel-6a92775b7da3a8df381a896e11a4ad92">
        <label>Figure 6</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-1e27af48c1919cdbad31337725ec51f4" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-20aea7e375caaecbc6cd5e65924e86f1" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="6.jpg" />
      </fig>
      <p id="paragraph-0c8016ae911d39ffa2b597fcd7632329">Saõtaõ fortes as razoeñs, que me encitaraõ aestaaccaõ, que naõ Só me devo prometer no felisexito do que passo a implorar aV<italic id="italic-de8b96e2ff55eb0371152ff7926b1deb">ossa</italic>Ex<italic id="italic-243e4b091be6d3c01913a3e38bac7832">cellenci</italic>a</p>
      <p id="paragraph-0b2e42b3e0485688b792dc710a63a2e0">05 Como aoperdaõdomeuattrevimento. (02-05)</p>
      <p id="paragraph-44ef069ea7172c70bcb62b08ad7fce22"> A seguir, a autora assim se expressa:</p>
      <fig id="figure-panel-ace4d6599951249ab7dd7a3afec2f51d">
        <label>Figure 7</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-71a48da0eaf1c1a87a6d16daee16baf0" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-69e1d6c607c4cf42144402562733cbc3" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="7.jpg" />
      </fig>
      <p id="paragraph-ae64643bb3a633294d7b95b7e1e6913d">Com aauzencia</p>
      <p id="paragraph-457145d1416f64d69d399e19132a13f0">demeu Sobrinho OPadre Fran<italic id="italic-a962d7d4bdb22c1f3b29a172fb98a9ab">cis</italic>co X<italic id="italic-c080ceafa3658c9f9b2307a5920e2cad">avi</italic>er dos Guima raeñs Brito, e Costa, metenho visto reduzi da amayorindigencia, que sepodeimagi</p>
      <p id="paragraph-dc6f0b09933baf6830a6812e8ec0c725">10 nar, pois athé nova mente sejulgou Contra mim huma demanda em que mefoinecessa rio intregar os proprios Escravos, ficando intregueatanta necessidade, epobreza de quanta V<italic id="italic-37284b02cf30741e13b0e352bbac67a5">ossa</italic>Ex<italic id="italic-7b1e5ddc8248f068dd26002601437e5c">cellenci</italic>anaõdeixarãdesecompade</p>
      <p id="paragraph-55005d1dada58f82cee4f26b8f8a98a9">15 çer como benigno: eu Conheço,. Ex<italic id="italic-33fb57f745660ce1974405cb5554dc42">cellentissi</italic>mo S<italic id="italic-d0644a2f0e6e8c587fa98089d55cb449">e</italic>n<italic id="italic-b31f4416394ef076fb66d33ead093aa1">ho</italic>r (06-15)</p>
      <p id="paragraph-0d1473713677c25940b65b4562beb87c">Nele, Lucrecia referiu-se à sua solidão, clausura, em razão da ausência de seu sobrinho, o Padre Francisco Xavier dos Guimaraes Brito e Costa, e ainda reclamou de sua situação financeira, “necessidade” e “pobreza”, diante de um processo judicial, “demanda”, pelo qual foi obrigada a entregar boa parte de seus recursos e patrimônio, dentre eles os seus “próprios Escravos”.</p>
      <p id="paragraph-27eb0c9f6fd2eccdad276aeffc229ca6">Observe-se o texto a seguir:</p>
      <fig id="figure-panel-25e508d4533abbe4432ce419aeb23c87">
        <label>Figure 8</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-c58894941451960191d5cf78a059ca47" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-91f450c709aa18d7fb8b051714d7323d" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="8.jpg" />
      </fig>
      <p id="paragraph-dbc2d75a319135364e50f0892e4ea9f5">oSobre dito meu sobrinho emdeszobede cer ao chamamento deVossaExcellencia, porem sirvaõ=.</p>
      <p id="paragraph-b3821d2cc198ea44be206eb500e08a3d">20 lhe de Castigo tantas, e taõ grandes enfer midades, que tem sensivelmente suportado, e quando naõ seja isto bastante aencitar, emoveraVossaExcellenciaaquelhepremita Licença (18-23)</p>
      <p id="paragraph-c1e81c34d58699ca0c7748fd69bc5ece">Aqui, dá notícia de que seu sobrinho foi preso por desobediência às ordens do então Governador e Capitão-general, Luiz de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, referindo-se às suas condições de saúde na prisão, “castigo”, solicitando, para tanto, a concessão de sua liberdade, “Licença”.</p>
      <p id="paragraph-40688fcdffb8dbfc9eb95370000ca39d">Os <italic id="italic-1ca8e876c8e708cebab61fceb66b9328">Annaes do Senado da Camara do Cuyabá </italic>(2007: 131), no ano de 1782, referem-se ao referido padre como tendo sido ordenado no Rio de Janeiro, designado a retornar e servir à sua terra natal, Capitania de Mato Grosso, local em que sua família e amigos viviam. Em 1786, a pedido do Governador Luiz de Albuquerque, o reverendo vigário da comarca, Dr. Manoel Bruno Pina, designou o padre Francisco Xavier para o posto de capelão das demarcações.</p>
      <p id="paragraph-ea60dd1954412683616a202ba6f5b3fb">A caminho dessa missão, o padre Francisco Xavier, acompanhado do padre Francisco Pinto Guedes, este com a incumbência de render o capitão do Real Forte do Príncipe da Beira, esquivaram-se de barco na noite de 2 de outubro, desacatando as ordens recebidas. Por isso, foram designadas diligências para o aprisionamento de ambos (ANNAES, 2007: 142).</p>
      <fig id="figure-panel-ae03cd98eb0c055a0add8e4bd176d190">
        <label>Figure 9</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-a9d698b6215806e3cfdbe1a4b472376f" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-732865ae0aaad46c8e9b34b770eb726d" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="9.jpg" />
      </fig>
      <p id="paragraph-d9c639919ce42857ee6e18aaebb77b29">do seu regresso aesta Villa, sirva deobjecto</p>
      <p id="paragraph-b3759bd1452972da3d987d8036141d93">25 da Begnigna Piedade deV<italic id="italic-560e5bf6a8b1bb4f873423184f7426cd">ossa</italic>Ex<italic id="italic-192b17f95a57c84ecef28c4249a3464d">cellenci</italic>aaexssesiva pobre za em que se acha humadesemparada Vi uva, quesó conserva para Lenetivodetan topadeçeramemoriadeq<italic id="italic-4619ec4b51c29b55da067853c166ab93">uan</italic>tos tem tornado fe licesaBenigni<italic id="italic-9d1c3b4ca3ed743c7ab853c1b6a4f43a">dad</italic>edeVossaExcellenciaequeobteraõ as mi</p>
      <p id="paragraph-33672f0c6cc0626266aa66a0857797cc">30 nhas Vozes aquela atençaõ que mereceraõaque= lles na respeitavelprezençadeV<italic id="italic-364b47e8720d1b4bc40e29cee5600ca9">ossa</italic>Ex<italic id="italic-a6c28294edc8843d9f8ed59730f3dfed">cellenci</italic>a (24-31)</p>
      <p id="paragraph-e2534204e69f968f62ab7879472adb06">No pedido de clemência, a autora informou que se encontrava viúva e muito pobre, sendo a viuvez interpretada à época como sinal de insegurança e desproteção. Ela assim se expressou, certamente no intuito de que tal condição pudesse despertar a compaixão do Governador e Capitão-general.</p>
      <p id="paragraph-93112f3d13a2aee869f0107f7fe87505">Lucrecia teve um único filho, João Pedro de Morais Baptista, que foi estudar fora e nunca mais retornou para casa. Em sua solidão, sem perder a altivez, sem a companhia do filho e sem o sobrinho, veio a falecer recostada à cadeira de balanço, quando foi atingida por um raio.</p>
      <fig id="figure-panel-e71743287fc58d236b17f82d5f0f338e">
        <label>Figure 10</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-ed16a968c4761bbfea0490ca32377940" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-ef548ad1d7ebffb65e552664498a027b" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="10.jpg" />
      </fig>
      <p id="paragraph-75476a64022b631eb211ac536dbc11b4">O sobradinho de Dona Lucrecia, conhecido como o “sobradinho do saboeiro” (MESQUITA, 1946: 118), está localizado no centro histórico de Cuiabá, na antiga Rua de Baixo, atualmente calçadão da Rua Galdino Pimentel (IPDU, 2010: 8), tendo abrigado a Coletoria Federal.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-75fc774ab3a82d6dc09decda067910d8">
      <title>Considerações finais</title>
      <p id="paragraph-5c9e20347156e2b1ff5b03e2fcfbd9ac">Lucrecia de Morais e Siqueira, mulher da elite cuiabana em meados do século XVIII, tornou-se viúva cedo e herdou dívidas do esposo. Talvez por sua condição social, aliada ao seu provável grau de instrução, tenha se atrevido a escrever uma carta e solicitar da autoridade máxima da Capitania de Mato Grosso, o Governador e Capitão-general, a libertação de seu sobrinho. Embora não tenha tido sucesso nessa empreitada, seu posicionamento diante de uma sociedade patriarcal e conservadora, como a mato-grossense de então, transpôs seu tempo, atitudeque certamente a distinguiu da maioria das mulheres de sua época.</p>
      <p id="paragraph-22d62527a957d82b90c51dc631320fc8">Nesse estudo, as edições fac-similar e semidiplomática possibilitam a leitura do texto para o trabalho paleográfico e a análise de alguns aspectos das funções adjetiva e transcendente da filologia.’</p>
      <p id="paragraph-be2475435cfceb79b5e0ee72e292654a">Importante ressaltar que o estudo filológico propicia a investigação e análise por meio e além do texto escrito. Dentre as funções da filologia, a função transcendente ainda é pouco estudada, todavia necessária para compreensão de aspectos que delineiam uma época dada, uma cultura, como neste estudo. É inegável sua contribuição para revelar e promover o patrimôniohistórico e cultural, como fonte de pesquisas futuras para as mais diversas áreas do saber, sobretudo a língua portuguesa.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-e8e100ce69a70fffcd232e3b1fdb1bf7">
      <title>Referências</title>
      <p id="paragraph-e092fdb3ff3282089eab707eeb6639f5"><bold id="bold-1">Annaes do Sennado da Camara do Cuyabá: 1719-1830</bold>. Cuiabá-MT: Entrelinhas/APMT, 2007.</p>
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      <p id="paragraph-a0a0d65e3a73e36a42a3067cbf36d633">Recebido em 10/10/2016 e aceito em 06/12/2016</p>
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      <fn id="footnote-a1e2719fc30eaacd24a72875c03ae461">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-77d992ae6debffb51ff6951043240ef9">Mestrando do PPGEL/IL/UFMT</p>
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      <fn id="footnote-6e04852d27f5083b99108c876e82aef3">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-eea3ab071ccde2d599ce21e4d0c6a15f">Doutoranda do PPGEL/IL/UFMT</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-00f3117c1c8541416a046c46ee9be38f">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-363022c9837bae5695db525c48527cf6">Docente do Programa de PPGEL/IL/UFMT</p>
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