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<journal-title>Revista da Abralin</journal-title>
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<publisher-name>Associação Brasileira de Linguística</publisher-name>
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        <article-title>ESTUDO SEMÂNTICO-LEXICAL EM CÁCERES- MT: VESTÍGIOS DE MANUTENÇÃO DO PORTUGUÊS ESCRITO EM MATO GROSSO</article-title>
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      <volume>16</volume>
      <issue>3</issue>
      <fpage>151</fpage>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-8c03b6773501e54f7e56f9a6afd0e31d">O presente texto objetiva-se realizar um estudo semântico-lexical de nove unidades lexicais extraídas de um manuscrito datado de 1800 e testadas in loco no município de Cáceres, Mato Grosso. Para isso, lançou mão também de um cotejo lexical em obras lexicográficas que abrangem o século XVIII ao XXI. A análise semântico-lexical evidenciou a manutenção do português escrito na então Capitania de Mato Grosso em 1800 e um equilíbrio dinâmico com a atualização semântica dos usos lexicais que refletem a circulação e a evolução do léxico.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="_paragraph-2">
          <italic id="italic-1">This paper aims to carry out a lexical-semantic study of nine extracted lexical units of a manuscript dated 1800 and tested in loco of the municipality of Cáceres, State of Mato </italic>
          <italic id="italic-2">Grosso. For this, also made use of a carry out a lexicographical comparison including general dictionaries from the 18th to 21th centuries. The lexical-semantic analysis showed maintenance of Portuguese written of</italic>
          <italic id="italic-3" />
          <italic id="italic-4">the Mato Grosso Captainship then Mato Grosso in </italic>
          <italic id="italic-5">1800 and a dynamic equilibrium </italic>
          <italic id="italic-6">with the semantics of lexical update uses that reflect the </italic>
          <italic id="italic-7">movement and evolution of the lexicon.<italic id="italic-8"/></italic>
        </p>
      </abstract>
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        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-6e498c6629d64df417f31e09310be917">Manuscripts</italic>
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          <italic id="italic-53fac613b208c0b11195bf81eb916c10">Lexicon</italic>
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          <italic id="italic-30b7495dee8d75241697cca2d1d77661">Oral corpus</italic>
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          <italic id="italic-927a2dfcf1a31112cf051ae5aa0a81ea">Lexical-semantic study</italic>
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          <italic id="italic-2802d48712782921bc5add2d50d3ece2">Maintenance</italic>
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    <sec id="heading-1">
      <title>Introdução<xref id="xref-2023e569326c9651921eb58248e0bd66" ref-type="fn" rid="footnote-2943890dc77102c86b1685f474c49a55">1</xref></title>
      <p id="paragraph-2">Guimarães Rosa (1994: 996), nos diz que “a língua é um rastro de velhos mistérios”, e em busca desses mistérios, de modo a contribuir para a reconstrução histórica e descrição do português em Mato Grosso, e por extensão, no Brasil, destacam-se no presente texto, como hipótese de manutenção do português escrito na então Capitania de Mato Grosso, no final do século XVIII, nove unidades lexicais extraídas de um manuscrito e testadas <italic id="italic-3cc6f1dfd3cb20ccb72aa0d489a064cc">in loco</italic>. O objetivo é evidenciar, à luz de uma análise semântico-lexical, os ecos pretéritos da língua portuguesa, especificamente do léxico, na variedade portuguesa falada em Cáceres nos dias atuais.</p>
      <p id="paragraph-3">A proposta diretriz que conduziu a pesquisa<xref id="xref-88e8117c0548a54421b6d901a4a8104b" ref-type="fn" rid="footnote-21b0060a571a3be082daaea02d37327a">2</xref> consistiu em testar um <italic id="italic-4e1b2e4e3adb3fe9dd287090a003ee85">corpus </italic>de língua escrita, unidades lexicais extraídas do manuscrito <italic id="italic-095925f3538c11fec5dd5b6b08de2aa9">Memoria sobre o plano de guerra offensiva e deffensiva da Capitania de Mato Grosso </italic>(<italic id="italic-7976e82ca6d7b05652bc23fedae6b919">Memoria</italic>), datado de 31 de janeiro de 1800, em um <italic id="italic-a60e40cfc6913e3624a75dc6d6350aca">corpus </italic>atual de língua oral, entrevistas resultantes de pesquisa de campo realizada no município de Cáceres, Mato Grosso, no âmbito semântico-lexical, bem como realizar um cotejo lexical em obras lexicográficas que abrangem o século XVIII ao XXI.</p>
      <p id="paragraph-4">Além de trazer para o presente elementos da história social mato- grossense no final do século XVIII, o manuscrito em estudo representa parte da memória linguística daquela Capitania, importante para o conhecimento do estágio atual da língua portuguesa falada no município de Cáceres, MT, Brasil. Santiago-Almeida (2013: 27) observa que as memórias, cultural e linguística, a partir de um olhar cuidadoso, “podem possibilitar a (re)interpretação de conceitos e preconceitos que são, às vezes, ditados como dogmas ou verdades absolutas”.</p>
      <p id="paragraph-a56c36f1ec2f53b2f98171effff2a1f4">Nesse sentido, nossa reflexão concentra-se no nível lexical, nível que nos possibilita, de maneira mais imediata, a percepção de que a língua condensa as experiências de um dado povo, levando-nos, para além do linguístico, ao nível cultural. O léxico, por sua vez, é compreendido neste trabalho como o “conjunto abstrato das unidades lexicais da língua” (BIDERMAN, 1999: 88) e “constitui uma forma de registrar o conhecimento do universo” (BIDERMAN, 2001: 13).</p>
      <p id="paragraph-89d1b02b6de6e6bfea99dda200cc231a">Assim, a partir de uma abordagem semântico-lexical do léxico oitocentista do manuscrito <italic id="italic-e534a68b29b3b6a7b47aa2c7df46c912">Memoria</italic>, e em circulação em terras cacerenses desde essa época, conforme nos induz a história social subjacente no manuscrito e do próprio município em estudo, observamos uma memória semântico-lexical que permanece no sistema lexical, provavelmente devido às condições socioculturais, principalmente em regiões interioranas.</p>
      <p id="paragraph-be9a1e5900f37e8c1d6f23de867023e5">De acordo com Cunha (1986), em <italic id="italic-8d50ab56f3120791672d601bf86b9088">Conservação e inovação do português </italic><italic id="italic-5887cd57522a9760cf4f89e90eb9cd1a">do Brasil, </italic>as condições socioculturais em que se desenvolveu a língua portuguesa no Brasil, principalmente em regiões interioranas, foram mais propícias à conservação ou manutenção do que à renovação de suas formas. Isso devido ao fato de ter</p>
      <p id="paragraph-6">[...] vivido mais de trezentos anos sem contato duradouro com outros povos, sem imprensa, sem núcleos culturais de importância, e com pouquíssimas escolas, o Brasil foi alcançando nesse vasto período algumas das etapas que conseqüentemente levam os povos aos estados lingüísticos paralisantes. Esse imobilismo cultural e, conseqüentemente, idiomático é ainda muito sensível nas regiões interioranas, onde continuam a existir populações marginalizadas dos próprios acontecimentos históricos. (CUNHA, 1986: 202-203).</p>
      <p id="paragraph-b76f3ebca2bd5989515129590b365882">Levando-se em conta essa situação linguística descrita por Cunha (1986), no caso de Mato Grosso, as condições socioculturais não eram diferentes daquelas evidenciadas por esse autor, no momento em que oficialmente iniciou a colonização da referida região no início do século XVIII a partir da chegada dos bandeirantes paulistas em busca, em primeiro lugar, de índios que eram vendidos como mão-de-obra escrava e, posteriormente, do ouro.</p>
      <p id="paragraph-e644eab6ff9a7aca9b15683e7e2f4a65">O significativo aumento na população de Mato Grosso, devido à descoberta do ouro no início do século XVIII, de acordo com Siqueira (2002), provocou a vinda de pessoas de todas as partes do Brasil, todavia, não se sustentando, pois à medida em que ocorreu o enfraquecimento das minas auríferas, o povo foi se dispersando, ocasionando uma certa estagnação, intensificando assim uma condição semelhante a descrita por Cunha (1986).</p>
      <p id="paragraph-70b3124f58a55039ced17f5bbd9aa6af">No que diz respeito à base linguística mato-grossense, foi constituída, em princípio, pela língua portuguesa levada pelos bandeirantes paulistas colonizadores; pela língua portuguesa introduzida pelos sertanistas migrantes; pelas línguas indígenas locais, pertencentes a troncos etnolinguísticos diferentes; pelas línguas trazidas pelos africanos; e pelas variedades existentes nas regiões fronteiriças.</p>
      <p id="paragraph-f9c39a0121ec6f38dc542cb4ffe7206c">Ainda sobre a questão da conservação ou manutenção de traços antigos da língua portuguesa, é significativo recorrermos aos resultados de observações feitas cientificamente em pesquisas de campo por Santiago-Almeida (2000, 2013) no português da baixada cuiabana. Ao estudar fenômenos do sistema sonoro do português, esse autor constata que o “imobilismo cultural” mencionado por Cunha (1986: 203), ainda é favorável para que se encontre nos dias atuais, em regiões do interior brasileiro, como no falar cuiabano, “algumas realizações fonéticas pertencentes a estágios antigos da língua portuguesa – do arcaico ao século XVIII, quase todos comuns também no português popular falado no Brasil” (SANTIAGO-ALMEIDA, 2013: 19).</p>
      <p id="paragraph-9ac3f86629251c9531d3d8a870e51ea5">Diante das realizações fonéticas encontradas, Santiago-Almeida (2013: 27) ratifica que elas “não podem ser tratadas como processos surgidos exclusivamente em terras brasileiras por conta da sua história social: contexto em que indígenas e africanos falavam o português, introduzindo nele realizações sonoras, lexicais e sintáticas supostamente nunca ditas e ouvidas ou escritas e lidas antes”. Essa ratificação remete à ideia simplória e carregada de (pré)conceito que considera negros e índios e seus descendentes como responsáveis pelas variedades ocorridas no português brasileiro.</p>
      <p id="paragraph-46442e42e82aeab60077b2cd437660ca">No caso da proposta deste texto, o estudo ocorre em torno do léxico, nível linguístico que armazena as experiências humanas sociais e culturais, e considerado um patrimônio de uma dada comunidade linguística ao longo de sua história, constituindo-se um tesouro cultural. E como tal, possibilita-nos a observar a leitura que uma comunidade realiza de seu contexto e a manutenção de parte da sua memória sócio-cultural e linguístico-cultural, além de permitir o registro e a documentação da diversidade lexical do português falado em Cáceres, Mato Grosso, e, por extensão, no português brasileiro.</p>
      <p id="paragraph-c1809395c34096d30390d7e6edee0413">Sobre o aspecto singular do léxico em expandir-se, alterar-se e, às vezes, contrair-se, Biderman (1978: 139) faz a seguinte afirmação:</p>
      <p id="paragraph-7b6861ad95eba5ffbce67183fe5f3a30">As mudanças sociais e culturais acarretam alterações nos usos vocabulares; daí resulta que unidades ou setores completos do Léxico podem ser marginalizados, entrar em desuso e vir a desaparecer. Inversamente, porém, podem ser ressuscitados termos que voltam à circulação, geralmente com novas conotações. Enfim, novos vocábulos já existentes, surgem para enriquecer o Léxico.</p>
      <p id="paragraph-8bdfd2cebee6acc004fb07f77fa14ec5">Pode-se inferir que o léxico de uma língua é um dos componentes linguísticos mais afetados pela característica fundamental da linguagem humana, a variação. A mudança traduz-se basicamente, no caso do léxico, ao desuso de unidades lexicais, e à criação de novas designações ou à atribuição de novos semas para palavras já existentes, os neologismos, configurando-se como inovação e enriquecimento do léxico da língua. </p>
    </sec>
    <sec id="heading-9c1bb5b87307593b583785e2247b2ad3">
      <title>1. Reflexões analíticas</title>
      <p id="paragraph-7b9254edc256bfd83cd68a65ef01f960">Os <italic id="italic-dc70bc89caa50addb122fe3ac975327a">corpora </italic>analíticos foram distribuídos em quadros individuais que, por sua vez, estão constituídos com a unidade lexical em análise; a ilustração contextual da definição da unidade lexical por meio de abonação no manuscrito <italic id="italic-5683c9de726c295202c75647d6c57471">Memoria; </italic>o registro da acepção buscada; o contexto de utilização das unidades lexicais conhecidas por cada informante e a análise semântico-lexical.</p>
      <p id="paragraph-5">Também fizemos um cotejo lexicográfico abrangendo dicionários gerais dos séculos XVIII ao XXI, para verificarmos o registro da unidade lexical e das acepções apresentadas nos <italic id="italic-0e17d5bbc44ce42d512b9868be7be0e4">corpora </italic>escrito e oral, a saber: <italic id="italic-8e33b8b9911d18f2fd4e51f3b933d5d1">Vocabulario Portuguez e Latino </italic>(1712 - 1728), de Raphael Bluteau; <italic id="italic-b1a6601710f8a30d3399c662254e03b1">Diccionario da Lingua Portugueza </italic>(1813, 2. ed.), de Antonio de Moraes Silva; <italic id="italic-2a78ffc524b45c97199da43fa29cca05">Grande diccionario portuguez ou thesouro da lingua portuguesa </italic>(1871 - 1873), de Frei Domingos Vieira; <italic id="italic-d607c463295cf2aaf244b048fe9936eb">Grande e novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa </italic>(1957, 3. ed.), de Laudelino Freire; <italic id="italic-9866391b63dc8001e7ad6b9397165443">Novo Dicionário da Língua Portuguesa </italic>(1975, 1. ed.), de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira; <italic id="italic-9">Dicionário Houaiss eletrônico da língua portuguesa </italic>(2009), de Antônio Houaiss.</p>
      <p id="paragraph-36e065082242efc9814a84c3868fc8d7">Ao consultar os dicionários já mencionados, tivemos o objetivo de verificar se a unidade lexical encontra-se registrada, sobretudo, com o mesmo valor semântico da acepção do <italic id="italic-10">corpus </italic>escrito e/ou com o valor do <italic id="italic-11">corpus </italic>oral, possibilitando apreender o desenvolvimento polissêmico da unidade. Além de outras informações relevantes que contribuíram para a realização da análise semântico-lexical;</p>
      <p id="paragraph-e3499befef54c825044a96a854a72e54">Antes de apresentar os <italic id="italic-58057c4343011eb4b3aa0d3bfd55fa53">corpora </italic>analíticos, vislumbraremos a seguir as unidades lexicais em estudo neste texto e os critérios elaborados e utilizados para classificá-las enquanto categoria <italic id="italic-b74ece775d0ff16e14f05f81019a5517">manutenção, </italic>dividida em duas subcategorias, a saber:</p>
      <table-wrap id="table-figure-3869180277f0f597d6a749e9b628b2ea">
        <label>Table 1</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-2924fb824ca6c67adede63d0c9e7642f" />
        </caption>
        <table id="table-974c91d63dd5530269be1676d83351b9">
          <tbody>
            <tr id="table-row-c6523faeb294cad5c2822faefd49c98e">
              <td id="table-cell-882885243dc01fda882c852265c72f0a"> Categorias </td>
              <td id="table-cell-205a3b979b809c34fe9f7863ff57567f"> Critérios </td>
              <td id="table-cell-979ac069a86d2cdeca24a301ecb9816a"> Unidade lexical </td>
              <td id="table-cell-db3fd5f4611f08fe7cbd6154e23368ac"> Total </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-060529bcd6831c9ceaa37e322eb8ddbe">
              <td id="table-cell-ba005bf0a07b13812a98cc68d2c04ec7"> 1 Manutenção </td>
              <td id="table-cell-9b0dbf49a1b5a6e754deda689f73f6cc" />
              <td id="table-cell-6f72d7a19cf6375bba270692c61bb5bb"> Substantivo </td>
              <td id="table-cell-88ceacd5495212db086c6f6705fec627" />
            </tr>
            <tr id="table-row-b63d9cba7147630d4bfc72bca0271aee">
              <td id="table-cell-57d597f5aa2ab798e471df4c636cb088"> 1.1 Manutenção semântico-lexical </td>
              <td id="table-cell-2308ba4cdc016110c670396d03188c1d"> informante conhece a forma e acepção buscada </td>
              <td id="table-cell-5def51ddadbb556ee89675ef8e76f51b"> embaraço </td>
              <td id="table-cell-b06c4ef65689e05fb9ad2f32264100c9"> 01 </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-f03f0e1ca5405ed5ddd641c4a69ad91c">
              <td id="table-cell-00b8fa68213a7a44f77a24498b3929d1"> 1.2 Manutenção da forma e desuso semântico </td>
              <td id="table-cell-ddf19391cb86ed72eda3f4856fcbe9e3"> informante conhece apenas a forma e usa-a com acepção diferente da buscada </td>
              <td id="table-cell-febcbc5c41a2da7f86a0cd7b274b563c"> alma; corrupção; cultura; faculdade; gastador; padrasto; rebate; sítio </td>
              <td id="table-cell-362b592c975742a2506b13def8fa8239"> 08 </td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-0916fe3f2fe164624a7b6963a03c10d8">Assim, seguem as unidades lexicais e a análise semântico-lexical:</p>
      <table-wrap id="table-figure-01c477cbd3c135640f1048b5a7ab35a6">
        <label>Table 2</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-b346fc28f19b0ea8171bad28fe43cb49" />
        </caption>
        <table id="table-839f13727dc4992ad8a12f826471906a">
          <tbody>
            <tr id="table-row-05d38a141702bc4153f0d31c31c31d2c">
              <td id="table-cell-2d15add2bedaf10b32e5be9bf8835963" colspan="2"> embaraço (5); embaraços (5)<xref id="xref-dc455c3835032639e9923df540021411" ref-type="table-fn" rid="footnote-03d12a20ad7aa4d359887be409982c1e">?</xref></td>
            </tr>
            <tr id="table-row-32e9978bdcb086f58465a2322a6656bf">
              <td id="table-cell-5da465d59e4bd0aed91d4e017b8efc49"> Acepção da unidade lexical por meio de abonação </td>
              <td id="table-cell-2f62da1d75654acd305333d40811047b"> “[...] naõ havendo ainda opozitivo| conhecimento das difficuldades, e embaraços| que pode offerecer a   navegaçaõ do Tapajoz, e| os trajetos de terra para os ditos   lugares” (ANDRADE; SANTIAGO-ALMEIDA; BARONAS, 2012: 343<xref id="xref-5934f29e256a2ad20606c2d75132c9cd" ref-type="table-fn" rid="footnote-ce1b05f901ef5f1201d03c9df25c4a58">?</xref>, grifo nosso). </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-2825288785fdbf4906c0440f3b59d289">
              <td id="table-cell-4161c4f4fa1563369e25f220733d4eb0"> Acepção buscada </td>
              <td id="table-cell-57d479e66e01c3ad88ecb59b5d361716"> complicação, obstáculo </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-805ff7de61018852a5c1b692a6f035bc">
              <td id="table-cell-22ee54efca72930ca386b3ef084cab8e"> Acepção(ões) conhecida(s) pelos informantes </td>
              <td id="table-cell-05ba2cc0a9b99401e1fef6a6c991cd9a"> F1-H-EP<xref id="xref-c4581f77d9df31b6ee98591ce2263809" ref-type="table-fn" rid="footnote-ae5dda84520713e80411235d84fb0647">?</xref>: Embaraço já. Falo. Quando eu vou, por exemplo quando a gente vai pesca   num rio embaraça a linha fala embaraço, enrolou.F1-M-EP:   Não sei o que é isso não. Pra mim a pessoa tá fudidoF1-H-EF:   Só ouvi falar, o pessoal falar, mas nunca usei. Embaraçado é quando embaraçava algum fio, uma corda, essas coisas, a turma falava.F1-M-EF: Embaraço de uma bagunça, aquele embaraço. Eu uso.F1-H-EM: Não uso, mas já ouvi. De uma coisa está embaraçada, camiseta está embaraçada.F1-M-EM:   Vem de algo embaraçoso. Às vezes uso para o que não ta certo, confundido.F1-H-ES: Embaraço já ouvi falar também. Não uso. Se fala pra mim embaraço é uma coisa que tá   bagunçado... isso que eu entendo.F1-M-ES: Embaraço já ouvi no sentido do verbo embaraçar, de confuso. Não não uso.F2-H-EP: Todos nós falamos. Uma coisa que você   teve e não deu muito certo, embaraçou, embaraçado com o que fiz, aconteceu.F2-M-EP:   Difícil eu usar ela. Eu penso que ela é muito embaraçada, está com a vida embaraçada, complicada.F2-H-EF: Conheço. Tipo quando está embaraçado alguma coisa, bagunçado. Igual quando a gente vai pescar ás vezes a linha enrola, daí a linha embaraçou   tudo que. Uso nesse sentido.F2-M-EF: Bom... ouvi eu já ouvi, mas não sei o que é. Não uso. F2-H-EM: Embaraço eu vou definir no português, porque se você fosse uma espanhola e perguntar para mim, eu ia definir com outro sentido. Mas embaraço pra mim que é uma coisa meia amarrada, meia peiada, meia enrolada, meia complicada. Uso.F2-M-EM: Conheço, não uso. Embaraço é mais assim... é um novelo de linha está embaraçado, está embaraço. Enrolado.F2-H-ES: Conheço. A pessoa está embaraçada, tá com um problema e não sabe como resolver. Eu uso.F2-M-ES: Embaraço eu já ouvi bastante, esse até eu utilizo, estou meio embaraçada nesse assunto, não consigo desliar. Minha mãe tecia, ela falava: desembaraça essa linha aqui. Também nesse sentido. Eu uso até hoje.</td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
        <table-wrap-foot>
          <fn-group>
            <fn id="footnote-03d12a20ad7aa4d359887be409982c1e">
              <label>*</label>
              <p id="paragraph-add783b997868ad4ec1dbd08f48c3f10">Cada unidade lexical, em análise, é apresentada da seguinte forma: lematizada, grafada em negrito e minúsculo, a sua frequência total em parênteses, as suas variantes, e a frequência parcial destas entre parênteses.</p>
            </fn>
            <fn id="footnote-ce1b05f901ef5f1201d03c9df25c4a58">
              <label>†</label>
              <p id="paragraph-3258133e6f554f676c6862c4b5e4e4a1">Os excertos do manuscrito Memoria que estão transcritos neste trabalho seguem os critérios da edição semidiplomática e estabelecidos no livro de Andrade, Santiago-Almeida e Baronas (2012). E mais, a barra vertical (|) indica mudança de linha do manuscrito e a barra vertical dupla (||) indica mudança de fólio no manuscrito. No que diz respeito à localização do excerto transportado do manuscrito Memoria para este trabalho, apresentamos apenas a página em que se encontra o excerto em Andrade, Santiago-Almeida e Baronas (2012).</p>
            </fn>
            <fn id="footnote-ae5dda84520713e80411235d84fb0647">
              <label>‡</label>
              <p id="paragraph-323cceb37f6ce18b2f3f155f1c331135">O significado da sigla utilizada consiste em: <bold id="bold-1">F1 </bold>- faixa etária 1 (entre 18 e 30 anos); <bold id="bold-2">F2 </bold>- faixa etária 2 (entre 50 e 65 anos); <bold id="bold-3">H </bold>- homem; <bold id="bold-4">M </bold>- mulher; <bold id="bold-5">EP </bold>- ensino primário; <bold id="bold-6">EM </bold>- ensino médio; <bold id="bold-7">ES </bold>- ensino superior.</p>
            </fn>
          </fn-group>
        </table-wrap-foot>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-f1e13d41b29a99b7acd768c0a632fe7a">Compreende-se que a unidade lexical <italic id="italic-8303178e8c570430090c7cc07dabc9a0">embaraço </italic>é utilizada no manuscrito com o sentido de complicação, obstáculo para se referir à complexidade subjacente na ação que teria que realizar em vias fluvial e terrestre.</p>
      <p id="paragraph-33ede444275e18b265fbabaa637ae4bc">No que tange à ocorrência de <italic id="italic-7d523f802da574b23972611c5885c682">embaraço </italic>no <italic id="italic-247a5b430647984f27e7f46b9a697fce">corpus </italic>oral, verifica-se que foi reconhecida por quinze informantes, sendo que nove informantes declararam conhecer e usá-la (F1-H-EP, F1-M-EF, F1-M-EM, F2-H-EP, F2-M-EP, F2-H-EF, F2-H-EM, F2-H-ES, F2-M-ES); seis disseram conhecer mas não a usam (F1-H-EF, F1-H-EM, F1-H-ES, F1-M-ES, F2-M-EF, F2-M-EM); e apenas um informante, F1-M-EP, disse não conhecer a unidade.</p>
      <p id="paragraph-b7f66a23fbde06c129e924a83ae5fa02">Em relação à acepção buscada, dentre os que disseram conhecer a unidade lexical <italic id="italic-1db96886dfff59332ce203dc87f4d60d">embaraço</italic>, apenas o informante F2-M-EF não soube informar o seu sentido, os demais informantes contextualizam o uso da unidade, relacionando-a à questão de bagunça; confusão; algo que não deu certo; complicação, obstáculo de uma situação e/ou objeto, a partir do seu universo social e cultura, concernente à atividade de pesca, prática essa ainda muito comum na vida cotidiana do cacerense, tanto da faixa etária 1 quanto da faixa etária 2, conforme explícito no contexto de fala do informante F1-H-EP, por exemplo: ‘Quando eu vou, por exemplo quando a gente vai pesca num rio embaraça a linha fala embaraço, enrolou’; bem como à questão da atividade de tecer fios, por exemplo: F2-M-EM: ‘Embaraço é mais assim... é um novelo de linha está embaraçado, está embaraço. Enrolado’; F2-M-ES: ‘Embaraço eu já ouvi bastante, esse até eu utilizo, estou meio embaraçada nesse assunto, não consigo desliar. Minha mãe tecia, ela falava: desembaraça essa linha aqui’ O cotejo de <italic id="italic-4be848f91877b2a4937d33a4b04ac75b">embaraç</italic>o nas obras lexicográficas consultadas, por sua vez, demonstra o registro de <italic id="italic-bddf45d2a3626404182dc9b55e30cb69">embaraço </italic>com a mesma acepção documentada no <italic id="italic-91c8498cc8854692ca8b16e5eddfbb2d">corpus </italic>escrito, ‘complicação, obstáculo’, e apresentada no contexto de uso dos informantes.</p>
      <p id="paragraph-cb567058091e873d22a1de1b69d4f1a9">Nota-se, então, que o sentido de embaraço enquanto ‘qualquer fato ou coisa que dificulta ou impede, conforme acepção apresentada por Houaiss, é recuperado em todos os outros sentidos atribuídos pelos informantes e, por isso, há indicação de um quadro de <bold id="bold-b5ebdf7ace2ed7ed4a89c5a9f319d8ed">manutenção semântico-lexical </bold>da unidade lexical <bold id="bold-38f0a1b3227a43930bab21ed3bcd20cc"><italic id="italic-08f03fe66577888a82ccb74957308e15">embaraço</italic></bold>.</p>
      <table-wrap id="table-figure-d72fccd95f878dba03a47f256adab468">
        <label>Table 3</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-02abdffda691e12a5338f12fe42f187a" />
        </caption>
        <table id="table-5e7008f8d39146f18c7a693c423090a7">
          <tbody>
            <tr id="table-row-f1032f807f604a5e98dce3ebe308aa05">
              <td id="table-cell-fdd4a58a4dd29234449a00b0678eaeec" colspan="2"> alma (12); almas (12) </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-f21103e03ea05b1d8e7e2b97874906d0">
              <td id="table-cell-ffe0cadf8c9d441a848abc25f8e08618"> Acepção da unidade lexical por meio de abonação </td>
              <td id="table-cell-33243da05fc0606c1a37e576e0415c70"> “A Populaçaõ da Capitania de Matto Grosso| anda por vinte e quatro mil almas; dezoito mil,| com curta diferença, na Villa do Cuiaba, e seus|| adjacentes Arraiaes, e seis mil similhantemente | em Villa Bella, Capital deste Governo General,| e comparando esta populaçaõ com huma que te= nho do anno de 1787, entaõ mais   diminuta, rezulta|Escravos de ambos os Sexos..... 11:664. Mulheres de todas as idades.............. 6:088.Velhos de sincoenta annos para cima.. 884.Rapazes de 1 ate 15 annos................... 2:616.Homens de 16 ate 50 annos.................2:748.Soma.......................................................... 24:000. (ANDRADE; SANTIAGO-ALMEIDA; BARONAS, 2012: 151-153, grifo nosso). </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-418676ce9d9132eeef527780cd7bdec2">
              <td id="table-cell-c80bb4d19d7bb1964ba8c7ec6625e05f"> Acepção buscada </td>
              <td id="table-cell-492f09bb8b15f9ac841e3565286ea0b0"> Habitante </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-cfea464c4b2e5fa57d0396e2f2e541d9">
              <td id="table-cell-582f64b57573a2fbdea5216a2578317f"> Acepção(ões) conhecida(s) pelos informantes </td>
              <td id="table-cell-f57699c1c4795105348d858d3b6fdf08"> F1-H-EP: Não conhece.F1-M-EP: Já ouvi falar mas não uso. Alma do tipo alma da gente assim, sentido alma da gente mesmo.F1-H-EF:   Conheço. Não uso. Alma que conheço é no sentido de quando a pessoa morre fica aquela alma.F1-M-EF:   Uso quando eu preciso. Assim quando é um falecido, há uma alma, descansou a alma em paz.F1-H-EM:   Conheço. Uso não muito, mas sim. No sentido da pessoa, do que ela é, se ela é uma pessoa de alma boa ou ruim. F1-M-EM: Não uso muito. Normalmente quando se refere à alma das pessoas que já faleceu muito   tempo. Minha família todo   dia de finado acostuma ir no cemitério fazer aquela oração, ai fala que tem que tá indo rezar pras almas, daí refere a essas pessoas mortas de alma que precisam de oração.F1-H-ES:   Uso só em conversa mesmo, em igreja, para proteger   a parte espiritual, essas coisas... mas se falar em outro sentido dá também de um   nome de uma pessoa, nome próprio.F1-M-ES: Conheço e uso. No sentido mais religioso mesmo, de algo que está além da vida, do corpo.F2-H-EP: Alma, mais ou menos eu conheço. Alma... uso... eu tenho alma. Estou   de alma lavada, alma no sentido de espírito.F2-M-EP: Conheço e uso. Conversando com uma pessoa, eu falo... essa pessoa não tem alma, não   tem sentimento. Eu uso ela assim, ainda ontem eu falei assim. F2-H-EF:   Conheço e uso. É igual a pessoa fala, é minha alma, dentro de mim tem ela. F2-M-EF:   Hoje não uso porque aquele tempo falava uma alma perdida, talvez escutava algum barulho assim falava... deve ser alguma alma perdida. F2-H-EM: Alma... olha sinceramente não sei definir direito, mas conheço. Pelo que eu vejo falar, alma é uma... não sei se é como um espírito, é isso mesmo que a gente tem? Uso nesse sentido, é uma coisa que a gente não vê mas existe.F2-M-EM: Conheço. Uso pouco. Tipo assim... uma pessoa morreu, vai pro céu, a alma dele foi pro céu.F2-H-ES: Conheço. Uso. Alma a gente usa mais na questão quando está falando da religião, que a gente usa muito... de alma... acho que é nesse sentido... alma, espírito. F2-M-ES: Conheço. Uso. Alma pra nós, eu sou católica né, tudo envolvia desde a época dos meus pais que hoje são falecidos, desde eu pequena que entendo, hoje é a missa em função das almas, almas do purgatório. Inclusive hoje é 16 de julho, dia de nossa Senhora do Carmo. Minha mãe era devota de nossa senhora do Carmo, ela falava que era ela quem protege as almas do purgatório. Você está entendendo? Fui criada nesse sentido, alma perdida, pena no mundo porque morreu e devia.</td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-4409d802be383c8fcc0bdc3746190e4f">Na ilustração contextual da definição da unidade lexical <italic id="italic-7cd419b3c832339917fa1c27c832e77c">alma</italic>, por meio de abonação no manuscrito <italic id="italic-936067390d443dee4e454dbd7fb73ede">Memoria</italic>, pode-se inferir que ela se refere aos indivíduos considerados como habitantes da Capitania de Mato Grosso. Dessa forma, a acepção atribuída à <italic id="italic-c42467ee81fc43d15315a03dbf94e602">alma </italic>no documento está associada aos deveres inerentes à condição de habitante. A unidade <italic id="italic-c9333dbfd9c19175351bfc6571d95b7c">alma </italic>com o sentido de “habitante” não foi reconhecida por nenhum informante. A maioria dos informantes (seis da faixa etária 1 e oito da faixa etária 2) reconheceu a unidade lexical com o sentido de espírito. Apenas o informante F1-H-EM conhece e usa <italic id="italic-1797616c7a6b6591786ba0a59c474330">alma </italic>“no sentido da pessoa, do que ela é, se ela é uma pessoa de alma boa ou ruim”, ou seja, como natureza moral de uma pessoa; e o informante F1-H-ES que além de conhecer o sentido de <italic id="italic-7a9718f8f3f34064cd10e622879d9f3c">alma </italic>como espírito, declarou que “se falar em outro sentido dá também de um nome de uma pessoa, nome próprio”.</p>
      <p id="paragraph-33805a1d70a459b896d1f3475cb48906">Em relação ao registro da acepção investigada e das acepções proferidas pelos informantes nos dicionários pesquisados, exceto a como nome próprio, as demais acepções foram registradas por Bluteau (1712-1728), Morais Silva (1813), Vieira (1871-1874), Freire (1957), Ferreira (1975) e Houaiss (2009). Exceto um informante (F1-H-EP) disse não conhecer a unidade alma, os demais informantes, doze disseram conhecer e usá-la (F1-M-EF, F1-H-EM, F1-M-EM, F1-H-ES, F1-M-ES, F2-H-EP, F2-M-EP, F2-H-EF, F2-H-EM, F2-M-EM, F2-H-ES, F2-M-ES), enquanto três declararam conhecer mas não a usam (F1-M-EP, F1-H-EF, F2-M-EF).</p>
      <p id="paragraph-dc3c12fd2b2d580fd50b595c78d375ae">Levando em consideração a não ocorrência da acepção investigada nas respostas dos informantes, a unidade lexical alma, no contexto de fala do cacerense, revela um caso de <bold id="bold-68010c574b396a5a63699107261be15a">manutenção da forma e desuso semântico</bold>.</p>
      <table-wrap id="table-figure-ca87845147d8fccba010a435210b0f36">
        <label>Table 4</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-7ac4a41c36a224805b1ddb3e6802c892" />
        </caption>
        <table id="table-a11887c7c36d84822e611e51ffede919">
          <tbody>
            <tr id="table-row-9d37f859bcae547a4d4b92edf430cde3">
              <td id="table-cell-5d8215cc6f523d567c17fc3f08f8ed61" colspan="2"> corrupção (1); corrupçaõ (1) </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-748a359fe081aad1187167904bb2c7b2">
              <td id="table-cell-20d32948963cef2eda5a3de08763d01b"> Acepção da unidade lexical por meio de abonação </td>
              <td id="table-cell-e00f160d403e74915400a209a3192c81"> “A   Provincia de Moxos, he por nimiamente| calida, e humida, sugeita a febres intermitentes, e   podres, e á molestia chamada corrupçaõ, do=| enças que os Espanhoes de Santa Cruz, Cocha=| bamba, e Chuquisaca, raras vezes padecem e| naõ sabem curar, e naquellas Missoens fa=| zem sobre elles mortaes estragos. Estes homens| costumados ás sadias, e ainda nevadas Serras| dos Andes, tem o maior horror ás perigosas mo=| lestias da Provincia de Moxos, que sepulta| muitos delles. Os Portuguezes pelo contr=|   rario, naõ só estaõ costumados a estas enfermida=| des que annualmente sofrem em Matto Grosso;| mas as sabem curar, e com as mesmas   sexoes| quando naõ saõ grandes trabalhaõ; o que he| já huma vantagem decedida a favor dos Portuguezes”. (ANDRADE, SANTIAGO-ALMEIDA, BARONAS, 2012: 193, grifo nosso). </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-1c53a8a7d3a422a80e09067279970e42">
              <td id="table-cell-036568b1280cc06a76b3279cf803b846"> Acepção buscada </td>
              <td id="table-cell-29ead588dee9cb8dd4b60e38567d07ad"> tipo de patologia </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-40a7dda6faa064da60696c2a5a59a010">
              <td id="table-cell-27696f6a0f263ca06492f36dcae8b1d1"> Acepção(ões) conhecida(s) pelos informantes </td>
              <td id="table-cell-edc545c1cba162fb72e462cf3ca5852e"> F1-H-EP: Corrupção, nunca ouvi fala não. F1-M-EP: Corrupção tipo desses eleitor. Corrupção uso   sim. Tipo uma pessoa querendo ah tipo comprar uma pessoa uma coisa que eles não podem fazer e fazem... roubar, comprar as pessoa pra ter o que eles tem, hoje em dia eles compram, roubam.F1-H-EF: Eu já ouvi falar dessa palavra. Eu não uso não. Corrupção é mais é política, essas coisas, o pessoal fala na televisão. F1-M-EF:   Quem não conhece né. Com certeza uso quando é preciso. Nas eleições quando bate de porta em porta já começa a corrupção.F1-H-EM: Conheço. Sentido político, na maioria das vezes. Uso normalmente quando uma pessoa é líder de uma coisa e ela não está fazendo corretamente, ela é corrupta né.F1-M-EM: Conheço muito. Uso direto. Quando a gente   conversa, direto na faculdade agente trabalha com texto, artigo, referente à corrupção   para você ler, debater em sala de aula, direto tem. A corrupção na política, nos dias atuais.F1-H-ES: Corrupção eu já ouvi falar... assisti jornal. Assim de falar muito assim eu não uso, só em conversas quando tem assunto de política. Corrupção no caso pra é... uma coisa não legal, contra a lei, a jurisdição.F1-M-ES: Conheço. Uso. No sentido de mais de política, de   você deixar ser corrompido. F2-H-EP: Corrupção sim, quase todo mundo usa. Lá no congresso está cheio disso aí.F2-M-EP: Essa é difícil. Não uso, mas já ouvi só.F2-H-EF: Conheço. Eu não uso. Isso é mais na política né.F2-M-EF: Corrupção... é esses que vive roubando né, vereador que entra pra ganhar e depois não faz nada. Não porque a gente quase que não usa. Não uso, só escuto.F2-H-EM: Eu acho que é... eu uso, eu acho que corrupção é da família de pegar, fazer coisa ilícita, pegar coisas que não é dele, é um crime meio institucionalizado, que as pessoas pegam aproveitando do cargo, da condição que ela tem, ela usa aquilo ali, é um crime, não é correto.F2-M-EM: Corrupção conheço. Não uso. Mas vejo muito na televisão. Mais é pros governantes, né, os políticos.F2-H-ES: Uso muito... muito... demais em sala de aula. No sentido de roubo, passar o outro pra trás, levar vantagem... corrupção... pegar dinheiro de outros, de bem público, dinheiro público.F2-M-ES: Essa é atual né. Antigamente eu não tinha conhecimento de corrupção, porque eu venho de uma família rural e no rural esses termos não se via, e a gora parece que está no auge a corrupção virou hoje. Hoje eu uso, mas não uso tanto como ouço muito. E compreendo no sentido de alguém que trapaceia, alguém que rouba, que faz esquemas, políticos principalmente.</td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-4bf83b83c7ea79d5aaf7fd7c1f38319b">Os informantes cacerenses ao serem indagados sobre a unidade <italic id="italic-34e300cc1df8c54c7efad8ad70ec85f1">corrupção</italic>, verifica-se que quase todos reconheceram-na, com exceção do informante da faixa etária 1, homem, ensino primário incompleto - F1-H-EP. Em relação à acepção buscada, ‘tipo de patologia’, apenas a informante da faixa etária 2, mulher, ensino primário incompleto - F2-M-EP, não soube responder o sentido da unidade. Os demais catorze informantes reconheceram a unidade com acepção diferente da apresentada no manuscrito <italic id="italic-229a6f7f002c8dd012ee574e1db08dc2">Memoria</italic>. A unidade encontra-se registrada em todas as obras lexicográficas estudadas. Observa-se que apenas a obra de Freire (1957) registra a acepção em estudo, ‘tipo de patologia’, conforme encontrada no manuscrito, e a de Houaiss (2009) que faz remissão ao sentido de corrompimento do corpo, a saber: “deterioração, decomposição física de algo”. No que diz respeito ao valor semântico da acepção atribuída pela maioria dos informantes cacerenses, referente ao ‘ato de corromper algo considerado moral, legal’, encontra-se registrado em todas as obras. Observa-se ainda o registro de <italic id="italic-0b8bb53e13d111b5f1edb0b8773ccfc8">corrupção </italic>e <italic id="italic-e271fdf45ba70492d9ed3390cebd44cc">corrução </italic>nas obras de Freire, Ferreira, século XX, e na de Houaiss, século XXI, como variantes sinônimas.</p>
      <p id="paragraph-4c2c2f4bbca4894f759e172abaf4b2f8">Diante dos dados analisados, <italic id="italic-e6e7d7b7f92335341332a989c9f0a56f">corrupção </italic>é uma unidade comum no vocabulário dos informantes cacerenses, de uma maneira geral, assim como nas obras lexicográficas de língua portuguesa pesquisadas. Dessa forma, o contexto de uso dos informantes cacerenses sugere a <bold id="bold-a1d60d9f4b8a854a3d50fc74ad5b6a62">manutenção da forma e desuso semântico </bold>da acepção investigada. A manutenção da forma da unidade com o sentido corromper e seus desdobramentos polissêmicos ilustra uma transferência do valor semântico do rompimento da ordem do biológico para o das leis, da moralidade.</p>
      <table-wrap id="table-figure-4454623aaf806f4b15ecdb6aa7f14969">
        <label>Table 5</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-fb46550e3071227f24a4b33a27028ea7" />
        </caption>
        <table id="table-8bca784b5c27fa22c0126077e70e56bf">
          <tbody>
            <tr id="table-row-2777816696f3f033c645d08ba8bc553c">
              <td id="table-cell-902f7dad019a032ff4a980fda8bd00d3" colspan="2"> cultura (9) </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-01b11f14acf940ac1b33689e83ec04ac">
              <td id="table-cell-fbf7ca1af4f48281f2ed9ffd9e9923dc"> Acepção da unidade lexical   por meio de abonação </td>
              <td id="table-cell-ac6aaf6f007911d6c83af96eed2d83e2"> “A Provincia de Chiquitos he sau=| davel; tem Gado Vacum e Cavallar, bel=| las terras para cultura, sendo os Indios| que a povoaõ menos habeis do que os| de Moxos” (ANDRADE; SANTIAGO-ALMEIDA; BARONAS, 2012: 81, grifo nosso). </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-c33be36431b1b06e72c595e5da530ae7">
              <td id="table-cell-e8c2c913604feaf93151afd5a24c23ef"> Acepção buscada </td>
              <td id="table-cell-7d19f1bfb887c8d1d19b42f2d16d3b80"> cultivo; plantação </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-038438420f0d471fe310313381caf599">
              <td id="table-cell-8aa466dbc1b2dfc8c6a3f24b511a0d46"> Acepção(ões) conhecida(s) pelos informantes </td>
              <td id="table-cell-e08df25a4f1fbed2655710d8b3a1195d"> F1-H-EP: Não conhece.F1-M-EP: Cultura eu conheço como negócio de trabalho, né, cultura de desenho, cultura pra mim é   assim, nunca liguei pra esse negócio tal de cultura não. Eu uso.F1-H-EF: Conheço. Cultura eu não uso não. Eu já esqueci o nome desse negócio ai, como se usa ela.F1-M-EF:   Cultura nossa. Uso em casa mesmo quando faz uma comida é cultura nossa.F1-H-EM: Conheço. No sentido de olhar alguém, como ela é, do que ela gosta de fazer, a cultura dela.F1-M-EM: Conheço. Uso. Cultura assim desde aqui da cidade, agente tem uma cultura   como o cururu, não sei se você já ouviu falar. A cultura de Mato Grosso, as comidas regionais também vem da cultura, carne com arroz e banana é cultura mato-grossense.F1-H-ES: Uso bastante nas aulas de artes. Cultura são... falo sempre pros meus alunos são sempre vestígios de antepassado... sempre tem um costume, e vai passando de geração pra geração.F1-M-ES: Uso. Cultura assim no sentido de ... como que vou explicar o sentido de cultura... eu conheço ela no sentido assim de aprendizado, costume, tanto costume familiar e também cultura no sentido da sociedade tem. No sentido de plantação já ouvi mas não uso nesse sentido.F2-H-EP: Cultura, isso aí é moderno, né. Cultura... aqui estou procurando cultura, voltei a estudar. Eu uso.F2-M-EP: Conheço, mas não uso, muito difícil.F2-H-EF: Conheço muito. Cultura de tudo, cultura de Cáceres.F2-M-EF: Cultura é... cultura é pra quem mora no sítio é cultura, cultura... um lugar de cultura, prantio. Não uso, hoje acabou. F2-H-EM: Cultura eu uso, não sei se uso certo, mas cultura eu acredito que é conhecimento, é pessoa que... são conhecimento não só do momento, é conhecimento desde mais pra trás, por exempro, vamos supor que nós temos aqui em MT a cultura do cantar cururu, é uma cultura que ela vem de geração a geração. Está acabando, mas ela sempre teve.F2-M-EM: Conheço. Às vezes uso. Cultura é cultura de um povo, cultura é conhecimentoF2-H-ES: Cultura... educação... conheço, uso. Na cultura de um povo, do dia a dia. No sentido de plantação já ouvi... já... já, mas não uso nesse sentido.F2-M-ES: Agora cultura eu ouço, já ouvi, acho interessante. Cultura pra mim é uma ... é algo que você carrega desde o seu antepassado e você adquiriu de berço e você leva adiante. Isso é cultura, é assim um conhecimento muito forte que contribui para formação do indivíduo, seja pro coletivo, a cultura é uma contribuição, é um legado. No sentido de plantação já, meu pai já trabalhou com a cultura, meu marido hoje meche um pouco com isso. Nesse sentido eu uso pouco, mas ele fala: a cultura tá boa, a cultura não sei de quê produziu, por viver em meio rural que meche mais nisso aí, isso é muito comum.</td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-972c4ffec51d95e4a4dba33a9d1f5408">Analisando o contexto de uso, verifica-se que quase todos os informantes empregam a unidade <italic id="italic-d249749fbfd566d5ef0fc82980d1dcea">cultura </italic>no seu cotidiano, com diversos sentidos de manifestação, a saber: trabalho; desenho; comida regional; dança cururu; artes; costume que é transmitido de ‘geração a geração’; costume familiar e da sociedade; plantação; erudição; cultura local; plantio; conhecimento; educação; cultura de um povo, do dia a dia; ‘algo que você carrega desde o seu antepassado e você adquiriu de berço e você leva adiante. Isso é cultura, é assim um conhecimento muito forte que contribui para formação do indivíduo, seja pro coletivo, a cultura é uma contribuição, é um legado’. Com exceção do informante F1-H-EP que declarou não conhecer a unidade e os informantes F2-M-EP e F1-H-EF que não souberam dizer o sentido dela. Nota-se que apenas três informantes F1-M-ES, F2-M-EF, F2-M-ES empregam a unidade cultura no sentido de ‘cultivo, plantação’, evidenciando, assim, o sentido documentado no corpus escrito. Os outros 12 informantes empregaram a unidade com outro significado, bem como F1-M-ES e F2-M- ES que também utilizaram a acepção em estudo. Os lexicógrafos registram, dentre diversas designações, a acepção em estudo e utilizada por três informantes, e as manifestadas pela maioria dos informantes. A realidade linguística acerca de <italic id="italic-e2fe0a2c92f403fe878b5b7dcfab185d">cultura </italic>entre os informantes cacerenses apresenta indícios de <bold id="bold-6e8a5f63871aa563eb9dd5fc630dfe8a">manutenção da forma e desuso semântico.</bold></p>
      <table-wrap id="table-figure-05a493d0f2bc9f17e0948f8c0ff54b8d">
        <label>Table 6</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-4d665e07110b0314312c119fc11fbac3" />
        </caption>
        <table id="table-ced49af25ac008f1c83cb49dbb96c40b">
          <tbody>
            <tr id="table-row-8eee0cd65e301b3613d4d49d3ef0a6af">
              <td id="table-cell-9e8696341ad7129546bef09a324ba2f4" colspan="2"> faculdade (2); faculdade (1); faculdades (1) </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-1cddc17e6d1f15404a746fa99b2a0e92">
              <td id="table-cell-75786c2f7e5943f0c30ec18c64d17265"> Acepção da unidade lexical por meio   de abonação </td>
              <td id="table-cell-1c06046de363eacfeaefa179ae592b40"> “As   Minas do Coxipó taõ proximas da Vil=| la do Cuiabá, contem segundo o conceito geral| hum grande Thezouro: Sendo naõ menos ricas| e   incomparavelmente mais amplas, as   do alto| Paraguai, cujos lemites, e extensaõ ainda se| naõ conhecem. A faculdade de extrahir as| riquezas destas ate agora vedadas minas, cujo| indeterminado ambito póde comprehender [...]” (ANDRADE; SANTIAGO-ALMEIDA; BARONAS, 2012: 333, grifo nosso). </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-73b1addfe2dadd625d870172312aa795">
              <td id="table-cell-a70d7854ff7490cd5b39d416d8d57059"> Acepção buscada </td>
              <td id="table-cell-951a414fff04e943c68cc44a938664be"> direito, permissão </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-94d103e7038430f23e03a89e0f852493">
              <td id="table-cell-184583d229a58a9fa822ea42dbe30846"> Acepção(ões) conhecida(s) pelos informantes </td>
              <td id="table-cell-a37536948d7a1edf86466e061085183c"> F1-H-EP: Já vi fala também. Faculdade... falo né quando a gente vê a faculdade a gente fala a lá a faculdade.
F1-M-EP: Faculdade   pra mim é uma pessoa que   termina os estudo pra fazer faculdade pra ser alguém. Eh uso.
F1-H-EF: Faculdade eu uso. Quando você está terminando os estudos, vai fazer uma faculdade.
F1-M-EF: Faculdade sim. Eu sempre falo pros meus filhos, tem que estudar, fazer uma faculdade, ser alguém na vida.
F1-H-EM: Conheço. Sentido de escola, pós escola.
F1-M-EM: Faculdade sim, direto. Uso. Faculdade existe   em tudo para   mim. Eu morava no sítio até os meus 13 anos, concrui o ensino fundamental lá, e   vim pra cá. Meus pais falo assim,   não como eles só têm o ensino fundamental, ele disse: não, vou dar a chance para vocês de irem, concruirem o ensino médio e entrarem na faculdade.
F1-H-ES: Faculdade já. Uso só quando falo pros alunos vem fala de curso pra mim, faculdade é universidade   relacionada a ensino.
F1-M-ES: Faculdade conheço. Conhecimento, no sentido de saber e também já usei no sentido de ser facultativo.
F2-H-EP: Faculdade sim. Faculdade é onde tem ensino superior. 
F2-M-EP: Conheço assim das pessoas falarem. Uso assim para minha menina: viu tem que estudar, para chegar lá, fazer uma faculdade. Eu uso assim, nesse sentido.
F2-H-EF: Conheço. Igual se Deus quiser eu consigo chegar nela.
F2-M-EF: Faculdade... será que eu já vi... a escola, faculdade né. É que minha filha fez faculdade de matemática, ela dá aula.
F2-H-EM: Eu conheço ela em dois sentidos. A faculdade onde é ensino, uma universidade, e tem a faculdade mental, fulano não está com suas faculdades corretas. E tem a faculdade de aprendizagem.
F2-M-EM: Uso um pouco né. É quando a pessoa presta o vestibular e vai fazer a faculdade.
F2-H-ES: Faculdade, fazer uma faculdade hoje, estudar, chegar numa universidade... mas era usado antigamente como faculdade mentais...ah a pessoa não está na sua faculdade mental boa. Mas hoje só uso no sentido de estudo.
F2-M-ES: Faculdade eu vejo em dois sentidos. A faculdade o local onde você faculta os estudos e outra é a faculdade mental. Ah a gente vê esse termo sempre em: ele não tava em sua sadia faculdade mental, quer dizer, estava meio ruim da mente e faculdade local de ensino. Eu uso mais a faculdade de estudo.</td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-4a742488c8f14352add67c2cbc5dc78f">Analisando o contexto de uso da unidade lexical <italic id="italic-25a1e3403e7c91830d41bbfcd563c564">faculdade </italic>na fala dos informantes, observa-se ser bastante produtiva, tendo em vista que todos os informantes da pesquisa reconheceram-na e produziram sentidos correspondentes a ‘estabelecimento de ensino’. Além desse sentido, quatro informantes também utilizaram a unidade com a acepção de ‘facultativo’, ‘faculdade mental’. A acepção em estudo ‘direito, permissão’, por sua vez, não foi utilizada por nenhum informante. Entre as diversas acepções registradas pelos lexicógrafos, encontram-se a acepção em estudo e as utilizadas pelos informantes.</p>
      <p id="paragraph-21ec8768b438575d5ef41ba6cc9a651e">Dessa forma, a frequência de uso entre os informantes de faculdade revela a <bold id="bold-18c986ca702c499cac87ebcc2a7ede07">manutenção da forma e desuso semântico</bold>. A produtividade em torno da unidade, como ‘estabelecimento de ensino’, evidencia que, como Cáceres tornou-se um polo universitário, a partir da existência da Universidade do Estado de Mato Grosso há 35 anos no município, bem como do Instituto Federal de Mato Grosso, e de instituições de ensino superior privadas; <italic id="italic-453fc3c816084b29433f4529199566d0">faculdade </italic>é uma unidade lexical de grande circulação entre os habitantes por vislumbrar uma perspectiva de melhoria na vida deles e de seus, por exemplo: F1-M-EF: “Eu sempre falo pros meus filhos, tem que estudar, fazer uma faculdade, ser alguém na vida”; F1-M-EM: “Faculdade existe em tudo para mim. Eu morava no sítio até os meus 13 anos, concrui o ensino fundamental lá, e vim pra cá. Meus pais falo assim, não como eles só têm o ensino fundamental, ele disse: não, vou dar a chance para vocês de irem, concruirem o ensino médio e entrarem na faculdade".</p>
      <table-wrap id="table-figure-63b8b306c710a6c019e2dffad2910edf">
        <label>Table 7</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-29889bb8e6c4da35d7d5758cea5ebcd5" />
        </caption>
        <table id="table-02cab76955fa64045c0b842365c3cdc1">
          <tbody>
            <tr id="table-row-84054e4f4c3ab35493291d1a2a1f68c7">
              <td id="table-cell-72676dec3ef3aaa5df4fd6e0e25aed17" colspan="2"> gastador (2); gastadores (2) </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-17d8aaa01cf267a6700aa469933a0e6a">
              <td id="table-cell-62ab1fff92f774b3d5df8d94b0ad1c9e"> Acepção   da unidade lexical por meio de abonação </td>
              <td id="table-cell-705d95b1c6377a26b5d6ee7c21dea214"> “As   duas Provincias Espanholas de| Chiquitos,   e Moxos habitadas por quarenta| e quatro mil Indios, naõ saõ as que   com suas| proprias forças nos haõ de fazer a guerra;| podendo-se conciderar como huns depositos| em que os Espanhoes achaõ Cavalgadu=| ras, Gados,   Mantimentos, Gastadores, Re=|| meiros,   e pode ser alguns soldados” (ANDRADE; SANTIAGO-ALMEIDA; BARONAS, 2012: 175-177, grifo nosso). </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-08b58e1cd5e9850eb0c8b9a079cf880b">
              <td id="table-cell-e857092c12eb7fe42fd789f4dd50b0f1"> Acepção buscada </td>
              <td id="table-cell-bf45b1e8fb54e5cb0076825d4800c32d"> roçador de mato </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-2fffadd9f329c3da105779dbb6766fcb">
              <td id="table-cell-de3060feaad438facb9e0f06a54a6a6b"> Acepção(ões) conhecida(s) pelos informantes </td>
              <td id="table-cell-108ab906dd885f6b44009256fe1484a6"> F1-H-EP: Não conhece.
F1-M-EP: É gastar... pessoa consumista que consome muito... que gasta muito... isso ai é comigo mesmo.
F1-H-EF: A gente usa quando a pessoa gasta demais.
F1-M-EF: Conheço. Uso. Sentido de gastar... fora do controle.
F1-H-EM: Uso no sentido da pessoa gastar o dinheiro dela, alguma coisa assim. 
F1-M-EM: Uma pessoa compulsiva que gasta muito, não tem pranejamento. Eu era assim, graças a Deus agora parei.
F1-H-ES: Assim não sou de usar mas eu porque eu ficava lá no bar do meu avô e sempre falava, ouvia a conversa pessoa que gasta, gasta de mais, compra, paga. F1-M-ES: Conheço no sentido de gastar muito. Quase não uso.
F2-H-EP: Gastador vem de gastar, pessoa que gasta muito, que não tem limite, gasta acima daquilo. Eu uso.
F2-M-EP: Pessoa que gasta muito, às vezes nem sabe com que. Uso.
F2-H-EF: Conheço. Não eu uso. Igual carro, esse carro é gastador, moto.
F2-M-EF: Gastador... não é uma pessoa que gasta muito. Sempre a gente usa pra fala... para que não seja tão gastador assim.
F2-H-EM: Gastador eu acho que é uma pessoa que gasta muito, que não controla as coisas direito, não vai gastando as coisas direitos, não sei.
F2-M-EM: Uso às vezes. Quando a pessoa gasta de mais né.
F2-H-ES: Gastador sim... quem gasta muito. Uso.
F2-M-ES: Minha mãe sempre falava que era de gastar, quem gasta, não sabe segurar, pega um dinheirinho e vai e gasta. Inclusive eu, minha mãe me enquadrava.</td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-50a0daad3b5433e96401a147a470a82c">Dentre os dezesseis informantes da pesquisa, apenas um (F1-H-EP) não reconheceu a unidade lexical. Os demais informantes, todos confirmaram conhecer e usá-la com a acepção de ‘o que gasta excessivamente; consumista’. Os lexicógrafos pesquisados, com exceção de Ferreira (1975), registram a acepção buscada. No que tange ao sentido atribuído à unidade pelos informantes, ‘o que gasta excessivamente; consumista’, há registro em todas as obras lexicográficas.</p>
      <p id="paragraph-cfe196e826b57735d3eead1d98e07efd">Considerando a alta produtividade na fala dos informantes, quase 100%, de reconhecimento e uso da unidade com acepção diferente da acepção documentada no <italic id="italic-fbf76b89daabe75dd5e1b8058f36a10a">corpus </italic>escrito, porém registrada em obra lexicográfica desde o século XVIII, conforme registro presente em Bluteau, infere-se que gastador seja um caso de <bold id="bold-76cead858d8ea0a100c7a9fa56242012">manutenção da forma e desuso semântico </bold>da acepção buscada.</p>
      <table-wrap id="table-figure-3cb6a9594c44b743b6aba192bef1e405">
        <label>Table 8</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-a0d7242f151acfa451cc65397199221c" />
        </caption>
        <table id="table-327e55ffa13d6db48a3fb9d3b85aabc8">
          <tbody>
            <tr id="table-row-b3e43aa763a8bbefd8e4a38da4498c0e">
              <td id="table-cell-7cdbb9f9011891cb03f84ec20e1ac4cc" colspan="2"> padrasto (1) </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-39586ac07df65d1c8ead37d982c83a58">
              <td id="table-cell-32abc2e3c9ac677aaa17643fd59320ab"> Acepção da unidade lexical por meio de abonação </td>
              <td id="table-cell-51199d81ccd1c43dab3ea6b475550e4b"> “Coimbra por ser hum posto isulado,| e hum monte alto, e agudo, formado naõ| só por pedras   seixozas, derramadas varia=|   mente sobre hum solido Montuozo de pe=| dra calcaria, na maior parte pelo menos| taõ cortado a prumo, como as   Serras do Cu=| rumbá, povoado por densa Mattaria ate| o seu cume que lhe fica a Padrasto, mas| naõ   temivel, pois facilmente se   defende| o seu accesso” (ANDRADE; SANTIAGO-ALMEIDA; BARONAS, 2012: 257, grifo nosso). </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-7f173e66ac235137459008a143b372ad">
              <td id="table-cell-e8864667930d78fd88711d62e5675207"> Acepção buscada </td>
              <td id="table-cell-2e15588163470799ca639dd4dc4e10f4"> lugar alto; monte </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-a145e83bd1702626caa7e58e09a95600">
              <td id="table-cell-f80fb444c114f37532918d4769a3e5b5"> Acepção(ões) conhecida(s) pelos informantes </td>
              <td id="table-cell-9502563c497b7f34b3efbcaa1f946768"> F1-H-EP: Padrasto já. Uso. Não soube responder o sentido.
F1-M-EP: Padrasto eu uso como... madrasta que eu uso.
F1-H-EF: Conheço porque eu sou padrasto. Para mim é uma pessoa   que cria os filhos dos outro, é chamado de padrasto.
F1-M-EF: De vez em quando uso em certas ocasião. Quando cria um filho de outro pai, quando a mãe casa com um homem que não é o pai dos filhos, é o padrasto. F1-H-EM: Conheço. Sentido de segundo pai da pessoa.
F1-M-EM: Como se fosse pai de criação que a gente usa. Eu uso.
F1-H-ES: Padrasto já. Marido da minha mãe, um pai   meio torto.
F1-M-ES: Uso até padrasto. No sentido de pai de criação.
F2-H-EP: Padrasto é o segundo pai. A gente usa muito.
F2-M-EP: Também não uso, mas conheço. É a pessoa que mora com a mãe do filho. F2-H-EF: Eu mesmo tenho um padrasto. Meu pai faleceu já tem tempo.
F2-M-EF: Padrasto é as pessoas que não vive com o pai legítimo, vive com o padrasto. Esse a gente usa.
F2-H-EM: Padrasto acho que é eu já fui e ainda sou, padrasto é filho da minha esposa, não, eu que sou padrasto do filho da minha esposa. Eu uso essa palavra.
F2-M-EM: Conheço. Não uso. Padrasto serve pra pai.
F2-H-ES: Usamos como substituição do pai, a mãe casou e já tinha um filho, esse marido dela será o padrasto dessa criança. F2-M-ES: Padrasto é bem conhecido, eu uso. Mas não gosto porque sou madrasta e não gosto que fala. Eu já ouvi muito, mas não gosto.</td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-0349891d7cb7dbfe12cae0a5db299bda">Dos dezesseis informantes, todos reconheceram a unidade lexical <italic id="italic-1fd24ac795550c46654d882205b343a2">padrasto, </italic>porém com a acepção diferente da buscada. Apenas um informante (F1-H- EP) declarou conhecer e usá-la, mas não soube contextualizar o uso. E dois (F2-M-EM, F2-M-EP) reconheceram a unidade, mas disseram não a usar. As obras lexicográficas pesquisadas apresentam acepção igual a em estudo, ‘lugar alto, monte’, e a acepção vislumbrada no contexto de utilização do informante da pesquisa, ‘indivíduo que ocupa o lugar de pai em relação aos filhos que sua mulher teve de relacionamento anterior’; exceto a do século XXI, de Houaiss, que registra apenas a acepção dada pelos informantes. <italic id="italic-0339031ae8ee3225097ba43990a2ad1b">Padrasto </italic>com o sentido de ‘lugar alto, monte’, não se encontra na linguagem dos informantes cacerenses, dessa forma, supõe tratar-se de uma unidade com manutenção da forma e desuso semântico. As obras lexicográficas atestam o desuso da acepção em estudo quando há o seu registro só até o século XX.</p>
      <p id="paragraph-4be1dcb908d695feac2dedd8d0ea39ff">Verifica-se ainda, no contexto de uso, que os informantes revelam, pelo léxico, aspectos sobre a vida social que os circundam no dia a dia, a saber, F1- H-EF: “Conheço porque eu sou padrasto”; F1-H-ES: “Padrasto já. Marido da minha mãe, um pai meio torto”; F2-H-EM: “Padrasto acho que é eu já fui e ainda sou, padrasto é filho da minha esposa, não, eu que sou padrasto do filho da minha esposa” Além disso, mantém-se o significado do século XIII, conforme atesta Houaiss ao datar a unidade <italic id="italic-edafb57c48c38103d54c82c9a1cb6dbe">padrasto </italic>e a acepção atribuida pelos informantes: “padrasto. Datação: sXIII. homem em relação aos filhos anteriores da mulher com quem passa a constituir sociedade conjugal”.</p>
      <table-wrap id="table-figure-fd8811c7c8e811d8fa19b0ce5879bda5">
        <label>Table 9</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-79722880fbb1f1af7d42f1a8895f9f90" />
        </caption>
        <table id="table-350cd24e3dbb50a39762dc9f8188dde3">
          <tbody>
            <tr id="table-row-22a39a8a12959865b9cbc02c9e477aa6">
              <td id="table-cell-bc10e369000b2212cb764326a440a2d4" colspan="2"> rebate (1); rebates (1) </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-9333a34ae6ba2aac899cf06e95f253c4">
              <td id="table-cell-cf7bc11e438ae6047e6e009cd88e365f"> Acepção da unidade lexical por meio de abonação </td>
              <td id="table-cell-b047f4734585e136b8550e494092bcff"> “Os signaes a maneira dos Indios, consistem| em fogos; e como as largas campanhas do| Paraguai estaõ   diariamente ardendo, seriaõ| estes signaes sempre equivocos, e huns reba=| tes falsos, e ainda que fossem praticaveis|   de Coimbra ate Albuquerque seriaõ repetidis=| simos os lugares em que se acendessem [...]” (ANDRADE; SANTIAGO-ALMEIDA; BARONAS, 2012, p. 263, grifo nosso). </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-4c20257eef265eb90f49b49c25224ef7">
              <td id="table-cell-fb3025867c7b7b7fabb039c3c6ef368d"> Acepção buscada </td>
              <td id="table-cell-8a3e3926c8feab606dfced4c0ae10722"> anúncio, aviso, sinal </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-ceb8966641bc53d2900f57c650730e61">
              <td id="table-cell-4c20801b5cdb4311fb91c84eb055ab72"> Acepção(ões) conhecida(s) pelos informantes </td>
              <td id="table-cell-5d0a3d9bbed33b9bb8dc47c0b5031201"> F1-H-EP: Rebate já. Assim quando a gente vai ta trabalhando por exemplo de oleiro a gente vai amassar o barro pra fazer ele a gente fala rebater ele, tirar dum lugar e rebater em outro lugar.
F1-M-EP: Talvez eu conheça como outra palavra. Já vi já anúncio essas coisas, mas rebate não.
F1-H-EF: Rebate já ouvi falar, quando rebate um trem. Eu usava, mas hoje eu parei com isso. Rebater uma bola, quando a gente era criança a gente falava.
F1-M-EF: Rebate... quando é um jogo de empurra, rebate. Uso de vez em quando uso, de rebater alguma coisa.
F1-H-EM: Conheço no sentido de quando você taca uma coisa em uma pessoa e ela rebate, tipo taca de volta.
F1-M-EM: Rebate... assim eu já ouvi, acho que vem algo de rebater. Uso às vezes.
F1-H-ES: Não conhece.
F1-M-ES: Não conhece. 
F2-H-EP: Rebate já ouvi muito, mas to meio perdido no significado. É igualzinho o pessoal que fala uma coisa a pessoa rebate. Rebateu uma questão, uso.
F2-M-EP: É de gado né. Pra mim que é assim... rebate de gado, vou fazer um rebate de gado, não é? Já ouvi assim, mas não uso.
F2-H-EF: Já ouvi, mas não lembro do sentido.
F2-M-EF: Rebate eu já ouvi fala... arguém que... meu marido mesmo chegava e dizia deixa eu tomar um golinho para rebater a canseira. Não uso.
F2-H-EM: Rebate eu acho que é rebater, é tentar evitar alguma coisa, que está vindo e você tem que sair fora. Eu uso essa palavra.
F2-M-EM: Já ouvi. Não, não uso. Mais em jogo, discurso.
F2-H-ES: Rebater, retrucar, responder. Uso.
F2-M-ES: Já usei, mas hoje não. Rebater... um começar a discutir e você fala um termo e eu falo outro, rebatendo, tipo discutindo, dando resposta.</td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-d75f28026f8f8b791515b5536a35b090">Observa-se que, no contexto de abonação no manuscrito, <italic id="italic-daa5474e3ff25ebe757f7d3e8a20e8fa">rebate </italic>é mobilizado para caracterizar um tipo de sinal de caráter enganoso realizado pelos índios, e, apesar de todos os dicionários pesquisados apresentarem a locução <italic id="italic-01a7732b81e42a6b9fd30872c5226ad9">rebate </italic><italic id="italic-ae4fb4fb8235517e074a74d33bd65b70">falso</italic>, realizou-se a pesquisa de campo somente com a unidade simples rebate. Isso por entender que o sentido produzido em torno da unidade, no documento em estudo, não é resultado de uma integração semântica entre as unidades <italic id="italic-436190e8b84770137f317de58edcda86">rebate </italic>e <italic id="italic-0b2daa44caed287c1e3bf23b870175d8">falso</italic>, não prejudicando, então, a decomposição realizada entre as unidades. A partir dessa conjuntura, os informantes cacerenses foram indagados somente a respeito da unidade <italic id="italic-ceb69fc206e7a6519a19d80bcbb97f44">rebate</italic>.</p>
      <p id="paragraph-42390c743d975efeb32aaec9417d0c36">De acordo com o contexto de uso da unidade lexical <italic id="italic-02797b62bd2ef55433c227032bd77784">rebate</italic>, observamos que sete informantes (F1-H-EP, F1-M-EF, F1-H-EM, F1-M-EM, F2-H- EP, F2-H-EM, F2-H-ES) reconheceram e usam-na; cinco informantes (F1- H-EF, F2-M-EP, F2-M-EF, F2-M-EM, F2-M-ES) disseram conhecer mas não a usam; três (F1-M-EP, F1-H-ES, F1-M-ES) não a reconheceram; e um informante (F2-H-EF) reconheceu-a mas não soube responder sobre o seu sentido.</p>
      <p id="paragraph-181b2e8ca27115b3a02b4c38f3c95497"><italic id="italic-88826d13247553d801f6e6fbb36aa342">Rebate </italic>apresenta-se bastante produtiva na fala dos entrevistados, mas com o sentido que remete aos desdobramentos semânticos do verbo <italic id="italic-4119dcc957437102219e0d8a551d206f">rebater</italic>, a saber, “contestar”, “retrucar”, “rebate de gado”, “combater”, “deter”. Nota-se que os entrevistados depreendem o sentido de <italic id="italic-544ec2dad6b923a8f28d7218bfcf58a2">rebate </italic>inserindo-o em um contexto a partir do universo deles, a saber, “Assim quando a gente vai ta trabalhando por exemplo de oleiro a gente vai amassar o barro pra fazer ele a gente fala rebater ele, tirar dum lugar e rebater em outro lugar” (F1-H-EP); “Pra mim que é assim... rebate de gado, vou fazer um rebate de gado, não é? Já ouvi assim, mas não uso” (F2-M-EP); “meu marido mesmo chegava e dizia deixa eu tomar um golinho para rebater a canseira” (F2-M-EF); “Rebater... um começar a discutir e você fala um termo e eu falo outro, rebatendo, tipo discutindo, dando resposta” (F2-M-ES).</p>
      <p id="paragraph-36d2d9fa9f7df336c1bf01ab539b6b96">Em relação ao registro de <italic id="italic-28787214834b73af885e0e0453313fb3">rebate </italic>nas obras lexicográficas pesquisadas, constata- se o registro dela em todas as obras com a acepção buscada. No entanto, apenas os dicionários de Freire (1957), Ferreira (1975) e Houaiss (2009) evidenciam as mesmas acepções em uso pelos informantes que remetem ao verbo ‘rebater’.</p>
      <p id="paragraph-ed0f6884db3a4d2620ba61a8f1d540d6">Nota-se, então, que a unidade lexical <italic id="italic-13fb136c41ab64f3b26b928fe121ed9a">rebat</italic>e no sentido de “sinal de alarme, anúncio, aviso” presente no corpus escrito deste trabalho encontra-se em desuso. O que mantém em uso nas falas dos informantes cacerenses é a forma lexical rebate com outro sentido. Assim, presume-se que seja um caso de <bold id="bold-013b4ef9b401407f57087f6fd9c5a45e">manutenção da forma e desuso semântico.</bold></p>
      <table-wrap id="table-figure-88160617c7dc92ad3edd99d68a4461f4">
        <label>Table 10</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-99bebf51237bc6d1356279837bd05c05" />
        </caption>
        <table id="table-507a96a9da7253b52380813c2298a268">
          <tbody>
            <tr id="table-row-aced0f81ab192f6c4906529be46cde49">
              <td id="table-cell-d98581c6b2ca54f3e767a70d0cef29ac" colspan="2"> sítio (2); sitios (2) </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-864975301c6deca2a4c5d035e4acd6c9">
              <td id="table-cell-6224536a0e47ee3d59b44ae53e9001c7"> Acepção da unidade lexical por meio de abonação </td>
              <td id="table-cell-fde60b4c1e6be946763dcbd38f750422"> “[...]   expondo-se| as contingencias de hum duvidozo successo,| de que o ameaça a natural fortaleza do Paiz,| o respeita, perde soldados que a guerra   con=| some, nas molestias,   deserçoens, sitios, e pe=| quenos   Combates, vendo-se muitas vezes obri=| gado a abandonar o mesmo Paiz, que devas=| tou, temendo finalmente o dividir se, por que| neste cazo pode ser batido   com iguaes, e naõ| afadigadas tropas” (ANDRADE; SANTIAGO- ALMEIDA; BARONAS, 2012: 173, grifo nosso). </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-c7e3fc4466fe5d9fd491447d077988be">
              <td id="table-cell-b3fa0e609886b9c47728116943d28442"> Acepção buscada </td>
              <td id="table-cell-fd87cce5a3be16e9e6c68f08e8954fa8"> perseguição </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-d3327e1e760a800dfa141f94b6ca4ea0">
              <td id="table-cell-c9b26a2bf0690caf511d50f205cad238"> Acepção(ões) conhecida(s) pelos informantes </td>
              <td id="table-cell-c0213b433a5e5b5fe37a8870c6f6d016"> F1-H-EP: Falo né... eu vou lá naquele sítio... sítio   fazenda não é,   sítio é um sítio pequeno, quando é grande é uma fazenda.
F1-M-EP: Sítio pra mim é uma fazendinha pequena... não é uma fazenda mas é uma   coisa pequena, imitando uma fazenda   só que ela é menor. Vejo uma fazenda pequena pra mim é sítio ou chácara.
F1-H-EF: Quando quer ir pra algum lugar fora da cidade, trabalhar no sítio.
F1-M-EF: Essa aí é conhecida. Uso. Igual meu sogro tem sítio, direto nós estamos indo para o sítio passar o dia.
F1-H-EM: Um lugar rural.
F1-M-EM:   Vem de fazenda, de chácara. Uso.
F1-H-ES: Sítio é... pra falar relacionado a campo, mato, vida de fazendeiro, uma fazenda pequena.
F1-M-ES:   Uso, meu pai mesmo tem, no sentido de pequena propriedade.
F2-H-EP:   Sítio...se for o que estou pensando sim. Tem sítio que o pessoal mora, tem estado de sítio.
F2-M-EP: Ainda essa semana usei com meu netinho para tentar ensinar: o sítio da   minha vó vai lá... ela mora no sítio. No sentido de fazenda.
F2-H-EF: Sítio já porque eu morei no sítio. Para nós era muita   fartura, tudo que nós queria assim de legume, frutas essas coisas a gente tinha.
F2-M-EF:   Sítio é onde eu sempre... meu pai tinha um sítio que a gente nasceu e criou lá... ( ) nasceu, criou, trabalhando lá.
F2-H-EM: Sítio eu conheço também com dois sentidos. Tem o sítio como uma   chácara, onde a pessoa compra um pedaço   de terra que não é uma fazenda, não é uma cidade, mas é um lugar. E tem o sítio do Estado que é quando tá com algum problema no país, decreta   estado sítio no município, no país.
F2-M-EM: Às vezes eu uso. Sítio é...a pessoa que mora na zona rural.
F2-H-ES: Sítio a gente conhece como um sítio, eu tenho uma pequena propriedade, onde eu tiro a minha alimentação, o meu dia a dia.
F2-M-ES: Sítio é o lugar que situa alguém, moradia na zona rural e que pra nós morarmos no sítio, é um local rural mas não é uma fazenda porque o espaço é pequeno.</td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-01c2cf6c2546fccac3309ad62a063d0f">A acepção buscada, ‘perseguição’, só é registrada por Houaiss <bold id="bold-560cad87194c30ae58c1a5d8164f5eb4">(2009)</bold>: <bold id="bold-732581407600b418876dc54da29e67b2">1sítio </bold>Datação: sXV. 2 lugar, local; 4 qualquer pequena área específica de um país, região ou cidade; localidade, aldeia, povoação; 5 Regionalismo: Brasil. pequena propriedade agrícola; fazendola, chácara. <bold id="bold-d0bb188a095e241f47dd08a9c39de50e">2sítio. </bold><italic id="italic-c9332b588926ae1625628c719ef96bc2">Datação: 1720. 1 ato ou efeito de sitiar; assédio, cerco; 2 Derivação: sentido figurado. insistência impertinente; assédio, perseguição</italic>.</p>
      <p id="paragraph-99ef5a119f80ce997f3cc0bf9fd30fde">Nota-se que ao apresentar duas entradas para o verbete sítio, Houaiss classifica-o como homonímia. A primeira entrada refere-se à acepção emitida pelos informantes e considerada a mais antiga na língua potuguesa, século XV. A segunda entrada traz a datação de 1720 e a rubrica ‘derivação: sentido figurado’ para descrever a acepção 'perseguição’. A acepção emitida pelos informantes, por sua vez, consta registrada em todos os dicionários pesquisados.</p>
      <p id="paragraph-c39d14ba422acd452b1419cdc6a36ebb">Todos os informantes da pesquisa reconheceram a unidade lexical <italic id="italic-e2067c5acfd9e2067641046d785b99ce">sítio </italic>e usam-na com o sentido de ‘pequena propriedade rural’, e vislumbraram indícios do contexto rural ainda muito presente na vida do cacerense, seja porque já moraram, frequentam, usufruem do que é produzido no espaço do sítio ou trabalham nele.</p>
      <p id="paragraph-ced20a9910bdddbc606d16c674cc3442">Tais dados apontam para um quadro de <bold id="bold-70acdb325d15abd395ba6e1ab0f2b4b8">manutenção da forma e desuso</bold> <bold id="bold-b54a82fb42121e12be7c3416f107515d">semântico.</bold></p>
      <p id="paragraph-87c93dc96c5702d094a9dd96feb95dd6">Diante dos dados apresentados acerca de cada categoria mobilizada, verifica-se que <italic id="italic-da31d8a27941aba25677a30f83a06efc">embaraço </italic>foi a única unidade lexical em que o contexto de uso da maioria dos falantes cacerenses apresenta indícios de que conhece a forma e acepção buscada, configurando como <bold id="bold-6a6438c5049587ec9a09c0869b4e02e3">manutenção </bold><bold id="bold-031d790032b15dbac513f16bce79adaa">semântico-lexical</bold>. E isso ocorre com a atualização de sentido da unidade a partir da experiência de vida, cotidiano dos informantes, remetendo à ‘complicação’.</p>
      <p id="paragraph-179349aa80b3ed2f679c924f4b9ecf60">Entre as oito unidades lexicais (<italic id="italic-3c15ba3a989d2ef12adceda555b7c7da">alma; corrupção; cultura; faculdade; gastador; padrasto; rebate; sítio</italic>) categorizadas como <bold id="bold-2f316045a6c5ff3a1e45dab291c19c88">manutenção da </bold><bold id="bold-55e0cf44cf6c5b148a73c40e7896c25d">forma e desuso semântico, </bold>estão os casos em que a forma permanece no contexto de uso dos falantes, no entanto, com acepção diferente da buscada. A realidade semântico-lexical apresentada pelos informantes vem ao encontro da observação feita por Biderman (1998a: 11), quando diz que “os conceitos, ou significados, são modos de ordenar os dados sensoriais da experiência”, ou seja, os falantes estão não só conservando como reorganizando esses dados de acordo com a necessidade e as mudanças sociais e culturais que os circundam nos dias atuais.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-2d3b29046d15388165241f2586deadcb">
      <title>Conclusão</title>
      <p id="paragraph-1334a148f1366d319686fa8acc321368">Para além de evidenciar os ecos pretéritos da língua portuguesa, especificamente do léxico, em usos atuais em Cáceres, Mato Grosso, mobilizados em um <italic id="italic-9ac0ffbd1d1da1d45dde8ae9f424f473">corpus </italic>de língua escrita, unidades lexicais extraídas do manuscrito <italic id="italic-3c7ca3c937e92587c28b635a4b82f6f0">Memoria sobre o plano de guerra offensiva e deffensiva da Capitania de </italic><italic id="italic-d96326ecdb93ac9f44be6dd0a7dce07e">Mato Grosso </italic>(<italic id="italic-3418a0175efb7b16e44fe92d94e3bff1">Memoria</italic>), datado de 31 de janeiro de 1800, um <italic id="italic-4a5ab07a14dc1f84c89d04909b6db657">corpus </italic>atual de língua oral, entrevistas resultantes de pesquisa de campo realizada no município de Cáceres, Mato Grosso, no âmbito semântico-lexical, bem como em um cotejo lexical em obras lexicográficas que abrangem o século XVIII ao XXI, a análise semântico-lexical vislumbrou um equilíbrio dinâmico entre a manutenção de unidades que já integravam o léxico geral da língua portuguesa no final do século XVIII e a atualização semântica dos usos lexicais que refletem a circulação e a evolução do léxico, sobretudo na reutilização de unidades lexicais com inserção e extensão de significados, demonstrando o caráter polissêmico da língua que caracteriza o enriquecimento do léxico e a condição essencial da sua existência (ULLMANN, 1964-1973).</p>
      <p id="paragraph-901e2b93e879cf97637493f7b44b85e3">De acordo com Fiorin (2014: 93), a relação manutenção e inovação manifesta tradições e modernidade, por considerar que a língua “é o instrumento mais sensível para registrar a história de um povo, mas também para captar, com muita precisão, os índices de mudança presentes numa determinada sociedade. Assim, a língua é o objeto em que uma sociedade inscreve tradição e modernidade”.</p>
      <p id="paragraph-408c579b2143aa7d2a6c5b495ca1e3ef">A memória semântico-lexical que permanece no sistema lexical atual é, provavelmente, devido às condições sócioculturais principalmente em regiões interioranas. Conforme dados apresentados por Mendes (2009), até 1970, dos 86.552 habitantes de Cáceres, 69.421 deles residiam na zona rural. E ao comporarmos com o censo apresentado pelo IBGE (2010), de que o município de Cáceres possui 87.942 habitantes, sendo 11.374 residentes na zona rural e 76.568 na urbana, verifica-se que o município vivenciou entre os seus 237 anos, a contar da data de sua criação oficial - 1778, pelo menos 192 anos de predomínio da população na área rural.</p>
      <p id="paragraph-ad3fa7c9c8d3e89ac416c30f937251e2">Dessa forma, evidenciamos a estreita relação entre o léxico presente no contexto de uso dos cacerenses com os aspectos sociais e históricos do município de Cáceres, sobretudo, no que diz respeito ao retardamento do “patriarcalismo urbano” (CUNHA, 1986), bem como do Estado de Mato Grosso, conforme apresentado pelo IBGE (2000) que traz a distribuição da população desse Estado nos Censos Demográficos de 1950/2000. Tais fatores, então, são favoráveis à recorrência do léxico oitocentista no contexto de fala do cacerense.</p>
      <p id="paragraph-d763aec2a7b82b294fa2afafc88edb38">Os resultados obtidos revelam, assim, que a manutenção é um processo inerente à língua e não uma ameaça à sua continuidade. E mais, é possível, no plano linguístico, conviver a manutenção de uma língua portuguesa escrita em Mato Grosso, ao final do século XVIII, e a inovação, em usos atuais em Cáceres, como sinal evidente da vitalidade da língua, contribuindo à ampliação do léxico para atender às inovações do mundo, isto é, à evolução e necessidade da comunidade.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-66395811db35548d863d37a6610ef717">
      <title>Referências</title>
      <p id="paragraph-1">ANDRADE, Elias Alves de; SANTIAGO-ALMEIDA, Manoel Mourivaldo; BARONAS, Roberto Leiser. <bold id="bold-2451eb10fcc02e06dbb5075fec1c1cc7">Plano de guerra da Capitania de Matto Grosso</bold>: janeiro de 1800. 1 e 2 ed. Cuiabá: EdUFMT, 2012.</p>
      <p id="paragraph-4a35158ac76ca41c642295ff9ab0304c">BIDERMAN, Maria Tereza. <bold id="bold-972d41254c022755148878b807dde742">Teoria lingüística: </bold>lingüística quantitativa e computacional. Rio de janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1978.</p>
      <p id="paragraph-8000555a4ba261899117704570e5842f"><underline id="underline-1"> _____</underline>. <bold id="bold-b743f73c389c2ec0e809d969799ac269">As</bold><bold id="bold-c71a0c33cb0f1aa104af55b517d231fd"> </bold><bold id="bold-8074d888cb3afaa8f16917d6228dbad4">ciências</bold><bold id="bold-26e9f7424ba86e0eaef430e45bf739de"> </bold><bold id="bold-26e41da065f391491d5754d16b2f0892">do</bold><bold id="bold-8"> </bold><bold id="bold-9">léxico</bold>. In: OLIVEIRA, Ana Maria Pinto Pires de; ISQUERDO, Aparecida Negri (Orgs.). <bold id="bold-10">As ciências do léxico: </bold>lexicologia, lexicografia e terminologia. Campo Grande: Ed. UFMS, 1998, p. 11-20.</p>
      <p id="paragraph-a1e4a09868acd9ab9cd380202fe340ce"><underline id="underline-2"> _____</underline>. <bold id="bold-11">Conceito lingüístico de palavra</bold>. In: BASÍLIO, Margarida (Org.). <bold id="bold-12">A delimitação de unidades lexicais. </bold>Rio de Janeiro: Grypho, 1999, p. 81-97.</p>
      <p id="paragraph-edee8d4045bdd3a8c5e0448970634500">_____<underline id="underline-3"> </underline>. O<bold id="bold-13">s dicionários na contemporaneidade: </bold>arquiteturas, métodos e técnicas. In: OLIVEIRA, Ana Maria Pinto Pires de; ISQUERDO, Aparecida Negri. (Orgs.). <bold id="bold-14">As ciências do léxico: </bold>lexicologia, lexicografia, terminologia. Campo Grande: Edufms, 2001. p.131-144.</p>
      <p id="paragraph-7">BLUTEAU, Raphael. <bold id="bold-15">Vocabulario português &amp; latino: </bold>aulico, anatomico, architectonicco... Coimbra: Collegio das Artes da Companhia de Jesus, 1712-1728. 8v. Disponível em: <ext-link id="external-link-6e8cddb15c35782af0b70f4222bd14fd" xlink:href="http://www.brasiliana.usp.br/">&lt;http://ww</ext-link>w<ext-link id="external-link-2" xlink:href="http://www.brasiliana.usp.br/">.brasiliana.usp.br/</ext-link> dicionario/edicao/1&gt;.</p>
      <p id="paragraph-9">CUNHA, Celso Ferreira da. <bold id="bold-16">Conservação e inovação no português do </bold><bold id="bold-17">Brasil</bold>. <bold id="bold-18">O Eixo e a Roda </bold>5. p. 199-230, 1986. Disponível em: &lt;http:// <ext-link id="external-link-3" xlink:href="http://www.letras.ufmg.br/poslit/08_publicacoes_txt/CELSOCUNHA.pdf">www.letras.ufmg.br/poslit/08_publicacoes_txt/CELSOCUNHA.pdf</ext-link>&gt;. Acesso em: set. 2014.</p>
      <p id="paragraph-11">FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. <bold id="bold-19">Novo dicionário da língua </bold><bold id="bold-20">portuguesa. </bold>Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1975.</p>
      <p id="paragraph-4d9b3985ad45d2cb9c7ecd1bff04f49b">FIORIN, José Luiz. Língua, modernidade e tradição. Revista usp <bold id="bold-1f83e629e53817d0ee0153b7673db7ad">Diversitas </bold><italic id="italic-25a44cef8315b9afa2b02b0cc550765c">- </italic>núcleo de estudo das diversidades, intolerâncias e conflitos. FFLCH/USP n. 2 Mar-Set/ 2014. Disponível em: &lt;http://www.revistas.usp.br/diversitas/article/viewFile/113869/111730&gt;.</p>
      <p id="paragraph-8a51b5a065ce292924e7013d4a4a2543">FREIRE, Laudelino. <bold id="bold-0ed6fc1d300dc357beb9f30d9a5c180f">Grande e novíssimo Dicionário da Língua Portuguesa</bold><italic id="italic-3b86ef8c56d1966c59a8874a2fe42ea6">. </italic>3. ed. Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1957. 5 vol.</p>
      <p id="paragraph-688f782a255effef3d87fb0111f97335">HOUAISS, Antonio. <bold id="bold-7e1684424ba0e196b1827d97456c7ad7">Dicionário Houaiss eletrônico da língua portuguesa</bold>. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. 1 CD-ROM.</p>
      <p id="paragraph-aa15948ae523d17853490ec366ed9016">INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA 2000. <bold id="bold-f715c265d1198e818f450714a1a1614b">Sinopse preliminar do censo demográfico 2000</bold>. Volume 7. Disponível em: <ext-link id="external-link-f07a6cadd7987d38d60f5f2104d2dca9" xlink:href="http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/">&lt;http://ww</ext-link>w<ext-link id="external-link-f62ecd21e3fc6439fe5b250ece445da6" xlink:href="http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/">.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/</ext-link>sinopse_preliminar/Censo2000sinopse.pdf&gt;. Acesso em: 16 mar. 2014.</p>
      <p id="paragraph-b1bdcd76adddfd6b0b7b3da499613868">_____<underline id="underline-5ef3ebe5f8b0c8eb0d09e4f66d56b6a3"> </underline>. <bold id="bold-9f7af9be0c645b9cd8236bd0e7feab15">2010</bold>. Disponível em: <ext-link id="external-link-701948df564920c25f454f75a7398901" xlink:href="http://www.cidades.ibge.gov.br/">&lt;http://ww</ext-link>w<ext-link id="external-link-4" xlink:href="http://www.cidades.ibge.gov.br/">.cidades.ibge.gov.br&gt;.</ext-link> Acesso em: 15 mar. 2014.</p>
      <p id="paragraph-12">MENDES, Natalino Ferreira. <bold id="bold-8df7efc196950bf4fba6981cfe028a54">História de Cáceres: </bold>história da administração municipal. 2. ed. revisão e atualização pelo autor. Cáceres, MT: editora UNEMAT, 2009.</p>
      <p id="paragraph-14">MORAIS SILVA, Antonio de. <bold id="bold-6f4310f2aaa1405c43d5c6492a12b961">Diccionario da lingua portugueza</bold>. 1.<bold id="bold-99f2e05b98f3e9a3fb645ab1631090a6"> </bold>ed. Lisboa: Typographia Lacerdina, 1813. Disponível em: &lt; http: //<ext-link id="external-link-5" xlink:href="http://www.brasiliana.usp.br/en/dicionario/edicao/2">www.brasiliana.usp.br/en/dicionario/edicao/2</ext-link>&gt;.</p>
      <p id="paragraph-17">ROSA, João Guimarães. <bold id="bold-ed3fea77d2e87d29c8d922fb03f6c15c">Ficção completa. </bold>Rio de Janeiro: Nova Aguilar, v. II. 1994.</p>
      <p id="paragraph-ca4a08457c50a6cbdf3b7ea95e128307">SANTIAGO-ALMEIDA, Manoel Mourivaldo. <bold id="bold-e251dcf78092bcba5022015300796221">Aspectos fonológicos do português falado na Baixada Cuiabana: </bold>traços de língua antiga preservados no Brasil. 2000. Tese (Doutorado em Filologia e Língua Portuguesa) - Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo. 2000.</p>
      <p id="paragraph-363093f9d8fc23cd435530a644f1a90d"><underline id="underline-6502ccdb22c4b5fabd5abfcc1677c79e"> _____</underline>. Desde antes do português brasileiro. <bold id="bold-ad03d83eaa0f68c8b2e08ffd66dcfa8f">Revista de Letras Norte@mentos Estudos Linguísticos</bold>, Sinop, v. 6, n. 12, p. 16-30, jul./dez. 2013. p. 16-30.</p>
      <p id="paragraph-7b13590723d73ed8cc6efa451c67757a">ULLMANN, Stephen. <bold id="bold-0c0cdb151f61a89b88fb1430923e2370">Semântica: </bold>uma introdução à ciência do significado. (Tradução: J. A. Osório Mateus). Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1973.</p>
      <p id="paragraph-c28e58894e53748c280f1957e015a689">VIEIRA, Frei Domingos. <bold id="bold-6d7db51427948fe7ef2ea9a23b39904e">Grande diccionario portuguez ou thesouro </bold><bold id="bold-a75b286f714dea9233ad3ce7e8cccfcd">da lingua portuguesa. </bold>Porto: Ernesto Chardron e Bartholomeu H. de Moraes, 1871-1873. 5. vol.</p>
      <p id="paragraph-218ddddff4afc82082f7f53e9b0ae912" />
      <p id="paragraph-c86b7a48abf4c8632b56f210b485c03b">Recebido em 10/10/2016 e aceito em 06/12/2016</p>
    </sec>
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  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-2943890dc77102c86b1685f474c49a55">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-3d365779b23b4729477675f33d0de5c2">Professora de Língua Portuguesa na Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Campus de Tangará da Serra - MT. E-mail: <ext-link id="external-link-1" xlink:href="mailto:milena@unemat.br">milena@unemat.br</ext-link></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-21b0060a571a3be082daaea02d37327a">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-5db07e7d00d577e9da9c65c7c1f9d986">Os dados apresentados neste texto fazem parte da tese de doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Filologia e Língua Portuguesa da Universidade de São Paulo, cuja defesa se deu em 05 de março de 2016, sob o fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT) e orientação do professor Manoel Mourivaldo Santiago Almeida.</p>
      </fn>
    </fn-group>
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