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<journal-title>Revista da Abralin</journal-title>
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        <article-title>Expressões manuais e não manuais da Libras sob o olhar de pesquisadores  da UFPR</article-title>
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      <issue-title>Resenhas Abralin ao Vivo</issue-title>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-3">A mesa redonda intitulada <italic id="italic-1">Aspectos fonético-fonológicos da Libras</italic> apresentada no evento Abralin ao Vivo contou com a participação de André Nogueira Xavier, Thiago Steven dos Santos e Elisane Conceição Alecrim. A mesa deu um panorama dos estudos que estão sendo desenvolvidos sobre articuladores manuais e não manuais no Programa de Pós Graduação em Letras da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Em vista disso, os apresentadores abordaram tópicos de interesse da fonética-fonologia a partir de dados da Libras. Mostrou-se que, do ponto de vista articulatório, predominam expressões não manuais lexicais produzidas por mais de um articulador (nas partes inferiores da face) e sem mudanças em sua configuração durante a realização do sinal. Discutiu-se, também, a respeito da variação dos recursos manuais e não manuais utilizados para expressão de intensidade em Libras e sobre a variação do parâmetro configuração de mão que persiste em diferentes modelos teóricos.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-01ddd8c7286e4d48ba028144da13e94c">The roundtable entitled <italic id="italic-1090c0638d49557197e7fb9c06b915bb">Phonetic-phonological aspects of Libras</italic> was presented at the Abralin ao Vivo by André Nogueira Xavier, Thiago Steven dos Santos and Elisane Conceição Alecrim. The panel gave an overview of the studies that are being developed on manual and non-manual articulators in the Postgraduate Program in Letters at the Federal University of Paraná (UFPR). In view of this, the speakers addressed topics of interest in phonetics-phonology based on Libras data. It was shown that, from an articulatory point of view, lexical non-manual expressions predominantly produced by more than one articulator (lower parts of the face) and without changes in their configurations during the signal articulation. It was also discussed the variation in the hand configuration parameter based on different theoretical models.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">Expressões não manuais</kwd>
        <kwd content-type="">Intensidade</kwd>
        <kwd content-type="">Configuração de mão</kwd>
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    <sec id="heading-79e4d4387473d10b38aff632a025a59c">
      <title>Texto</title>
      <p id="paragraph-17a8c64c4c207ab4cf40f5104990200a">A consideração de que a comunicação em Libras ocorre apenas com base no alfabeto manual (datilológico) até pode ser presente na crença social (GESSER, 2009<xref id="xref-e06693d7c7881b26ea9a9c5a14e51cd7" ref-type="bibr" rid="book-ref-32661accf7cb50a641b4aab12c99fd8d">[1]</xref>). Entretanto, não é para os pesquisadores, André Nogueira Xavier, Thiago Steven dos Santos e Elisane Conceição Alecrim, que compuseram a mesa redonda <italic id="italic-20ce8095706b03cb7a485bb2ec45c967">Aspectos fonético-fonológicos da Libras</italic><xref id="xref-5e831260007a085dd1531a361856f36c" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-7db469295c672a27e76c93740d0c8943">[2]</xref> apresentada na plataforma on-line no evento Abralin Ao Vivo, no dia 24 de julho de 2020, pois estes partiram do nível linguístico fonético-fonológico para tecer suas considerações a respeito dos itens lexicais que compõem a Libras. Os três apresentadores são vinculados ao Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal do Paraná (UFPR), sendo que o primeiro é orientador dos dois últimos e todos fizeram suas falas em Libras e foram, simultaneamente, interpretados para a Língua Portuguesa oral por profissionais<xref id="xref-3aad1b907d1d3b537e73997ac2072a94" ref-type="fn" rid="footnote-5f3b86ae857d7a6b76bc017756e3abed">1</xref> da mesma instituição. </p>
      <p id="paragraph-2">A respeito dessa composição destaque-se que a mesa manteve o mesmo padrão de cientificidade demonstrado nas demais que envolveram discussões sobre fonética e fonologia de línguas orais que foram apresentadas no evento, com a distinção de que nesta houve a participação de pós-graduandos. Em que pese, tal feito além de dar visibilidade para pesquisadores iniciantes, incentiva o compartilhamento do estudo em suas diferentes fases.</p>
      <p id="paragraph-3">André Nogueira Xavier foi o primeiro a apresentar e começou dizendo que as expressões faciais e corporais (movimentos da cabeça, das diferentes partes da face, dos ombros e do torso) são tratadas em línguas de sinais como expressões não manuais (doravante ENM), as quais podem ser do tipo afetivas e/ou linguísticas/gramaticais. Ainda na introdução, demarcou as diferenças conceituais que recobrem essa categorização para os pesquisadores de línguas de sinais americana e britânica: Baker-Schenk (1983<xref id="xref-b5a81b3e72a65f8c112f2a29a0940f82" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-93485ad25a3cbe01deb6afeb2ef9de56">[3]</xref>), Crasborn (2006<xref id="xref-477c4f371f7ef05d22b5d9bf51ebf723" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-4982b921d4eb2eec037a44543e0e25ff">[4]</xref>) e Pfau e Quer (2010<xref id="xref-0760e65195011ef215101eb1cfa43402" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-616a8b90b798ec2716df649552f7af84">[5]</xref>). E, dando prosseguimento à fala assumiu Brennan (1992<xref id="xref-5bf26e65560f9f2cf2db475685e91c13" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-250db9f1587da424ad92ff48f6ed04eb">[6]</xref>) como principal autor para a discussão do papel das ENM na realização de itens lexicais da Libras. Nesse ponto, esclareceu a possibilidade de as ENM demarcarem contrastes lexicais (que ocorrem quando todos os parâmetros de um sinal são iguais e a distinção da ENM acarreta em alteração de significado, como no caso de OCUPADO e NÃO-PODER), constituírem diferentes tipos de sinais (manuais, não manuais e multimodais/multicanais) e apresentarem propriedades distintas (haver ou não relação semântica entre a ENM e o sinal, serem estáveis ou dinâmicas, serem acompanhadas da oralização da palavra ou de parte dela e marcarem domínios sintáticos, se realizadas nas partes altas da face, e léxico, se realizadas nas partes baixas da face). Ademais, por meio de pesquisa realizada em 2014<xref id="xref-036b1fe6eb2a65a817b90b9da1d6b5d1" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-bac06a57cd4414fadf00abb50c747513">[7]</xref> com Barbosa, o palestrante notou a participação das ENM também na variação fonológica (como ocorre com o sinal de EUA que pode ser realizado com a bochecha inflada ou não). </p>
      <p id="paragraph-4">Esse quadro teórico motivou o desenvolvimento de três pesquisas realizadas por Xavier, as quais tomaram dados extraídos de dicionários (de Capovilla e Raphael (2001<xref id="xref-6a0b66ccd36fbf6f2bf1beaa031482d2" ref-type="bibr" rid="book-ref-6c1b5fe47e22cc5ed0417390750153f2">[8]</xref>) e Acessibilidade Brasil<xref id="xref-88ec79ce074ffdfd5ba6e45cacfae850" ref-type="fn" rid="footnote-c700b0eb2202130f3747b75a786b8045">2</xref>) e que foram trazidas à mesa. Na primeira delas, em 2006<xref id="xref-61d60cf6f5b3840ad81a8626bbca44a1" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-e1ac30a808dcbb3995f580369f8767b9">[11]</xref>, o palestrante olhou para 368 sinais (dentre os 2.274 selecionados) que apresentavam descrição das ENM e, interessado na tipologia dos sinais da Libras, constatou que a maioria predominante são sinais manuais (83,50%), que apenas 0,20% são sinais não manuais e que 16,30% são reservados àqueles sinais considerados multicanais. O segundo estudo apresentado foi o desenvolvido em 2019<xref id="xref-693144c7b55559197f1ac4c8c80ec6b6" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-5aff231a1bfd46f8fbe1574243c5d30e">[10]</xref>, no qual, por meio da reanálise de 368 sinais multicanais, anteriormente analisados, no Software Access, Xavier pôde verificar uma baixa ocorrência de contrastividade lexical (apenas três casos), recorrência de descrições de ENM para diferentes sinais, sendo que dentre essas seis são mais frequentes, estando, entre essas, a expressão negativa na primeira posição. Constatou também que 93% das ENM têm relação semântica com os sinais (como, por exemplo, no caso do sinal de DORMIR para o qual se usa a ENM de olhos cerrados) e que há ações bucais que coocorrem com os sinais nos casos de boca aberta, bochechas infladas e sugadas. O apresentador mencionou ainda que nesta pesquisa ele observou uma incidência maior do uso de mais de um articulador não-manual na realização de ENM lexicais em Libras e que 76% desses articuladores são realizados na parte inferior da face. Por fim, a última pesquisa apresentada foi realizada em coautoria com Gritzenko (2019<xref id="xref-a23f0f99431373dc2fbefc451bb85f1f" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-a5e365a13a28d7a3291398657d403eee">[9]</xref>) e nesta os achados foram contrastados com os de Xavier (2019<xref id="xref-971e932bfab05d2f88249ac58f17afe0" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-5aff231a1bfd46f8fbe1574243c5d30e">[10]</xref>). Além da confirmação de algumas evidências, neste estudo os autores demonstraram que há ENM que são articuladas sem mudança em sua configuração e que são, portanto, estáveis (tais como para as expressões negativas e de testa franzida). </p>
      <p id="paragraph-5">Avançando a discussão sobre análise lexical dos sinais da Libras, o mestrando Thiago Steven dos Santos tomou o turno para apresentar sua pesquisa de mestrado a qual trata sobre os recursos empregados na Libras para marcação de intensidade. Thiago adotou Wilbur, Malaia e Shay (2012<xref id="xref-e1d4dab5ec681384fcdb77ae13b23325" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-58f0d29cf165dc1fcb8b0072a168e0b2">[12]</xref>) e Fuks (2016<xref id="xref-b582f38bd8cba30077fda4a20dd4c3d6" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-5c403411fb0e33be8e95bd11f6a3c1cd">[13]</xref>) para o seu referencial teórico. Explicou que os primeiros trabalham com intensidade na língua de sinais americana e que defendem que na realização desta, há a ocorrência de mudanças manuais (principalmente, relacionadas ao movimento do sinal) e não manuais (relacionadas à tensão, franzimento da face e inclinação da cabeça). Mencionou ainda que Fuks, que é pesquisadora da língua de sinais israelense, afirma que nesta língua a intensidade é marcada apenas por mudanças manuais. Adotou também Xavier (2014<xref id="xref-a5d30b0d744b4a89d688440245803ece" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-edc0d64f712849dd325be8e690d23bc1">[14]</xref>) para o qual a duplicação de mãos marca intensidade em Libras (para alguns sinais). O apresentador explicou a metodologia que usou para coleta, seleção, exclusão, transcrição e tratamento dos dados de sete sinais: CHUVA, EXPERIÊNCIA, NÃO-SABER, FÁCIL, ALÍVIO, VONTADE, SOFRER. No que tange à análise qualitativa, o apresentador mencionou que seus dados se assentaram aos pressupostos de Wilbur, Malaia e Shay (2012<xref id="xref-95c9a1bf9216bf4f0df06cc9669f59fd" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-58f0d29cf165dc1fcb8b0072a168e0b2">[12]</xref>) já que identificou articuladores não-manuais (57% da amostra foi de sobrancelhas franzidas) e manuais (alongamento do movimento, duração da sinalização e alongamento da suspensão) presentes na realização da forma intensificada dos referidos sinais. </p>
      <p id="paragraph-6">A última parte da mesa foi conduzida pela mestranda Elisane Conceição Alecrim que deu destaque ao parâmetro articulatório configuração de mão (doravante CM) na consideração das variações fonético-fonológicas dos dados da Libras. Para tanto, Elisane lançou mão de três diferentes sistemas de notação, a saber: de Stokoe (1960<xref id="xref-42e954356e5d2e0444637eae7655c997" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-dc61eadbac3d6de8983baf746489df49">[15]</xref>), de Liddell e Johnson (1989<xref id="xref-73d415c9e2b5603f2f41d98b4656d4e7" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-eb86f5b4a5fcb27f97a6c8c379e49027">[16]</xref>), de Johnson e Liddell (2011 e 2012<xref id="xref-72b942b5bd764a45f44db59a86eee82a" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-a63aac6681f4ca553dad6ebeba5758cf">[17]</xref>) e considerou sinais produzidos com as seguintes CM: </p>
      <fig id="figure-panel-b440a2c9f57c96ef3cc5a10566af733a">
        <label>Figure 1</label>
        <caption>
          <title>Imagem das CM apresentadas na mesa</title>
          <p id="paragraph-15ab7a2e6940a6b4c361a7c152b9f92c">Fonte: slides da apresentadora</p>
        </caption>
        <graphic id="graphic-46de7f254e92cface74819d1dbebf657" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="1.JPG" />
      </fig>
      <p id="paragraph-10">O sistema de notação de Willian Stokoe (1960<xref id="xref-9a12c52cab24f796f51a250c9342357f" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-dc61eadbac3d6de8983baf746489df49">[15]</xref>), disse a apresentadora, caracteriza-se por ser de caráter fonológico e propõe 19 símbolos para as CM da língua americana de sinais e portanto, trata-se de uma representação global que ignora diferenças não distintivas. A primeira imagem seria transcrita como B e a segunda como 5 nesse sistema.</p>
      <p id="paragraph-11">O sistema de Liddell e Johnson (1989<xref id="xref-3db155e3a6af6c2c9e95b8d3687dc4ed" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-eb86f5b4a5fcb27f97a6c8c379e49027">[16]</xref>) organiza as CM em três conjuntos de traços articulatórios: configuração dos dedos, configuração do polegar e envolvimento do antebraço. A apresentadora esclareceu que segundo esse sistema as transcrições seriam Bu e 4u para a primeira e segunda imagem, respectivamente.</p>
      <p id="paragraph-12">O sistema de Johnson e Liddell (2011 e 2012<xref id="xref-921e9c972ba65b18cae79ebad5aaba23" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-a63aac6681f4ca553dad6ebeba5758cf">[17]</xref>) é fonético e a caracterização dos articuladores é com base na anatomia da mão. Na notação, usa-se numeração para os dedos, especificação da superfície e faz-se menção aos graus de flexão dos dedos. As CM da primeira e da segunda imagem seriam transcritas, nesse sistema de notação, conforme são apresentadas a seguir:</p>
      <fig id="figure-panel-cb81ac57ce7a31b9e79abd885a5ae165">
        <label>Figure 2</label>
        <caption>
          <title>Imagens das transcrições das CM apresentadas na Figura 1, segundo o sistema de Johnson e Liddell (2011 e 2012<xref id="xref-59d8e299315708c1613c7eda9c90170d" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-a63aac6681f4ca553dad6ebeba5758cf">[17]</xref>)</title>
          <p id="paragraph-9ca64e6b0f48214e1bfcd3b773c83350">Fonte: slides da apresentadora</p>
        </caption>
        <graphic id="graphic-be4db69a3776dc50a69f337b86a81e9a" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="2.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-16">Após mencionar a metodologia da pesquisa, a pesquisadora passou à apresentação dos resultados encontrados na análise de 26 sinais e mencionou que:</p>
      <p id="paragraph-17" />
      <list list-type="bullet" id="list-8d61138e10fdf25f067fa70971a036ae">
        <list-item>
          <p>seguindo o modelo de Stokoe (1960<xref id="xref-4a17ee707140377a95ad9938e81a9a47" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-dc61eadbac3d6de8983baf746489df49">[15]</xref>), a frequência de uso da CM da primeira imagem é muito maior do que da segunda, mas que todos os 12 sujeitos fizeram uso das duas variações. O sinal de LÍNGUA-DE-SINAIS foi realizado apenas com a CM da segunda imagem e o de TARDE com a da primeira; </p>
        </list-item>
      </list>
      <p id="paragraph-19" />
      <list list-type="bullet" id="list-ec66e531df6c04106cf8ec7bb1ae4abb">
        <list-item>
          <p>houve variantes identificadas em relação ao conjunto de traços articulatórios propostos no sistema de Liddell e Johnson (1989<xref id="xref-e8ed0da876201eaa884d3d94cdb9906f" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-eb86f5b4a5fcb27f97a6c8c379e49027">[16]</xref>), sendo sete para a primeira imagem e dois para a segunda. Percebeu-se alta incidência de variação (seis) na realização de um mesmo sujeito. O sinal de ANDAR foi o que mais apresentou variação inter-sujeitos;</p>
        </list-item>
      </list>
      <p id="paragraph-21" />
      <list list-type="bullet" id="list-218755470d9b65c3f66566d924140b8b">
        <list-item>
          <p>mesmo seguindo os parâmetros do sistema de Johnson e Liddell (2011 e 2012<xref id="xref-bbc4927632c2148892cc56ee0c450a38" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-a63aac6681f4ca553dad6ebeba5758cf">[17]</xref>), a notação evidenciou variação para o sinal de LÍNGUA-DE-SINAIS no que se refere à mão dominante e não dominante. O sinal de TARDE mesmo sendo monomanual apresentou variação fonética. </p>
        </list-item>
      </list>
      <p id="paragraph-23" />
      <p id="paragraph-25">Abordando tais questões, essa mesa - com representatividade da UFPR - coloca-se como referência com relação aos estudos descritivos, uma vez que acrescenta conhecimento novo à área. Obviamente que, por questão de tempo, as apresentações não alcançaram a profundidade devida passando muito rapidamente em pontos importantes mas, de qualquer forma, conseguiram articular construtos de duas grandes áreas – a fonética e a fonologia – na análise de dados da Libras, assim, colaboraram com o desfazimento do mito mencionado por Gesser (2009) com relação aos itens lexicais do idioma. </p>
      <p id="paragraph-26">Além da originalidade temática, a mesa também se destaca pela apresentação do rigor metodológico das pesquisas que conduzem e isso supera as falhas técnicas, a falta de interação com os participantes ou a falha na linearidade que, porventura, tenham havido. Pelo estilo conciso, objetivo e simples que o conteúdo foi abordado, a recomendação é que essa mesa sirva como introdução aos estudantes dos cursos de Letras Libras, de pós-graduação (Linguística das Línguas de Sinais) e profissionais em formação continuada. </p>
      <p id="paragraph-27" />
    </sec>
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        <p id="paragraph-96626d196a42be1afeb59321a63d7c3e">Tradutores e Intérpretes de Libras/Língua Portuguesa Priscila Simões e Peterson Simões </p>
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