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        <article-title>A proposta de um ensino de gramática em três eixos</article-title>
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      <issue-title>Resenhas Abralin ao Vivo</issue-title>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-3">Neste texto, apresentamos uma resenha da conferência <italic id="italic-1">Ensino de gramática em três eixos: uma questão de ciência, cidadania e respeito linguístico</italic> proferida por Silvia Rodrigues Vieira e moderada por Isabel Monguilhott no dia 16 de julho de 2020 no evento Abralin Ao Vivo – <italic id="italic-2">Linguists Online</italic>. De modo panorâmico, Vieira discute sobre ensino de gramática e apresenta sua proposta de um ensino em três eixos (<bold id="bold-1">atividade reflexiva</bold> – <bold id="bold-2">produção de sentidos –</bold> <bold id="bold-3">normas/variedades)</bold>, associando-os a questões relativas à <bold id="bold-4">ciência</bold>, à <bold id="bold-5">cidadania</bold> e ao <bold id="bold-6">respeito linguístico</bold> (VIEIRIA, 2017a; VIEIRA, 2017b). A conferencista i) traça um breve panorama do ensino de gramática à luz das repercussões dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs); ii) explicita sua proposta de ensino de gramática em três eixos; e iii) apresenta resultados de pesquisas produtivas sobre ensino de gramática.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-01ddd8c7286e4d48ba028144da13e94c">In this text, we present a review of the conference <italic id="italic-4fb033346ed8378be515a6cc2e181541">The teaching of grammar in three axes: a matter of science, citizenship, and linguistic respect</italic> delivered by Silvia Rodrigues Vieira and mediated by Isabel Monguilhott on July 16<sup id="superscript-1">th</sup>, 2020 at Abralin Ao Vivo – Linguists Online event. Overall, Vieira discusses the teaching of grammar and presents her proposal for a teaching in three axes (<bold id="bold-bdf5d8523283375f9ea305cd97ef34ff">reflective activity</bold> – <bold id="bold-10a3fdde17492b42ed1ab87d27f073f5">conveying meaning</bold> - <bold id="bold-5aac3e5126388c752a621effc0d492bd">norms/varieties</bold>), associating them to issues related to <bold id="bold-d63fc055a40eda341dcac1ea0ad1eed1">science</bold>, <bold id="bold-4698ae5698de326c23df8ca6b78631f8">citizenship</bold>, and to <bold id="bold-1bc12ae77a27bd06b54d74fd34b8abdb">linguistic respect</bold> (VIEIRA, 2017a; VIEIRA, 2017b). The lecturer i) makes an overview of the teaching of grammar under the repercussions of the National Curriculum Parameters (PCNs); ii) makes her proposal for the teaching of grammar in three axes explicit; and iii) presents results of productive research on the teaching of grammar.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">Ensino de gramática</kwd>
        <kwd content-type="">Ensino de gramática em três eixos</kwd>
        <kwd content-type="">Propostas pedagógicas</kwd>
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    <sec id="heading-79e4d4387473d10b38aff632a025a59c">
      <title>Texto</title>
      <p id="paragraph-17a8c64c4c207ab4cf40f5104990200a">Tratar de ensino de gramática não é tarefa fácil. A questão já é vista como objeto de pensamento há muito tempo, mas se mostra incipiente no que diz respeito a resolutividades. Atualmente, a discussão não é <bold id="bold-505d9b38b22a56a671985e1ce5837498">se</bold> devemos ensinar gramática; as questões em aberto são <bold id="bold-972bef387df782dd00649bdf3fcf7cb1">como</bold>, <bold id="bold-4b6d1525a7da1e3acb30779b2c165b22">por quê</bold> e <bold id="bold-1b97cf4f21418953660d5973e80fca39">para quê</bold> ensinar gramática (cf. FREITAG, 2017<xref id="xref-4fb202e47e09c3b444fb662b86e2dcc0" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-d0bd68bf3726fc106752aa4d5a2c370f">[1]</xref>).</p>
      <p id="paragraph-2">Frente estes desafios, destacamos a proposta de um ensino de gramática em três eixos da professora Silvia Rodrigues Vieira, que propõe um trabalho com gramática que integre <bold id="bold-4c508d5704088619d2d9bd90fc55aa7b">atividade reflexiva</bold>, <bold id="bold-8ebcd73cfa854b2635b74a9f90e60034">produção de sentidos</bold> e considere os fenômenos linguísticos como manifestação de <bold id="bold-7">normas/variedades</bold> nos contínuos fala/escrita e de monitoramento estilístico. A proposta é abordada na conferência <italic id="italic-d682ba3cbc1b4c8c838c5fd9934dea90">Ensino de gramática em três eixos: uma questão de ciência, cidadania e respeito linguístico</italic> proferida por Vieira<xref id="xref-d8d3422b86a3577a45e62a6d9b98355c" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-7db469295c672a27e76c93740d0c8943">[2]</xref> e moderada por Isabel Monguilhott no dia 16 de julho de 2020 no evento Abralin Ao Vivo – <italic id="italic-3a118cc91cedc7b4c83e183dc4972a28">Linguists Online</italic>.</p>
      <p id="paragraph-3">Silvia Rodrigues Vieira é professora associada do Departamento de Letras Vernáculas da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e atua nos Programas de Pós-graduação em Letras Vernáculas e no Mestrado Profissional em Letras na UFRJ. A pesquisadora tem se dedicado à Sociolinguística, sobretudo no que se refere à descrição de variedades do Português. Vieira é referência em todo o Brasil no estudo do ensino de gramática, com obras como <italic id="italic-3">Gramática, variação e ensino: diagnose e propostas pedagógicas </italic>(VIEIRA, 2017a<xref id="xref-e34465231b42d9fe05d20d693aa2a879" ref-type="bibr" rid="book-ref-c3be6920bb7fe29873b1261738a9788b">[3]</xref>)<italic id="italic-4"> </italic>e <italic id="italic-5">Variação, gêneros textuais e ensino de Português: da norma culta à norma-padrão </italic>(VIEIRA, 2019<xref id="xref-ee8a567fb8194bca13a25ef086e4f821" ref-type="bibr" rid="book-ref-4d37b5d9133350e2e72c99a6ea16390d">[4]</xref>).<italic id="italic-6"/></p>
      <p id="paragraph-4">Em sua fala no Abralin Ao Vivo – <italic id="italic-7">Linguists Online</italic>, que resenhamos aqui, Vieira discute, de modo panorâmico, sobre o ensino de gramática e apresenta sua proposta de um ensino em três eixos, associando-os a questões relativas à <bold id="bold-8">ciência</bold>, à <bold id="bold-9">cidadania</bold> e ao <bold id="bold-10">respeito linguístico</bold>, como faz menção o título de sua conferência. A professora i) traça um breve panorama do ensino de gramática à luz das repercussões dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs); ii) explicita sua proposta de ensino de gramática em três eixos, enfatizando questões conceituais relativas às noções de norma; e iii) apresenta resultados de pesquisas produtivas sobre ensino de gramática.</p>
      <p id="paragraph-5">A partir da publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), houve uma mudança de paradigmas no ensino de gramática – pelo menos teoricamente - ocasionando a substituição de um modelo de ensino tradicional – supostamente ineficiente, que pressupôs uma transposição didática baseada nas evidências da Linguística contemporânea.</p>
      <p id="paragraph-6">Os documentos oficiais, fundamentados nestas descobertas, direcionam o ensino a partir de uma abordagem sociointeracionista da língua. Deste prisma, o objeto de ensino privilegiado é o texto; o componente linguístico-gramatical, por sua vez, assume caráter instrumental. Vieira esclarece que os documentos oficiais reconhecem a legitimidade da variação linguística e assumem compromisso com o ensino da norma culta. Assim, as orientações oficiais preconizam um modelo de ensino baseado no tripé <bold id="bold-11">uso</bold> – <bold id="bold-12">reflexão</bold> – <bold id="bold-13">uso</bold>, envolvendo atividades linguísticas, epilinguísticas e metalinguísticas.</p>
      <p id="paragraph-7">Apesar destes avanços nas orientações oficiais, a conferencista destaca que não houve a proposição e aplicação efetiva de um quadro alternativo ao ensino tradicional. Acerca disso, a pesquisadora aponta problemas e desafios de três naturezas que refletem a falta de amadurecimento científico acerca do ensino de gramática: i) inconsistências teóricas e descritivas tanto em relação à norma e à gramática quanto à descrição sociolinguística de fenômenos linguísticos; ii) delimitação do objeto de trabalho, sempre observado em oposição a outro, como excludente – ou é texto ou é frase; e iii) metodologias de ensino baseadas em experiências pessoais, sem comprovação científica.</p>
      <p id="paragraph-8">Dito isso, Vieira (2017a; 2017b<xref id="xref-2021f7ad6ebcfcc80a857f2f38bd6cc7" ref-type="bibr" rid="book-ref-c3be6920bb7fe29873b1261738a9788b chapter-ref-7e89c47e84efb0ca8e5ec7d638f9f0bc">[3,5]</xref>) propõe um ensino de gramática em três eixos que se pretende conciliador e cientificamente fundamentado. Em sua fala, a conferencista materializa didaticamente sua proposta na figura do “banquinho do ensino de língua” (<xref id="xref-59728a9211a3d5df5be661b6cc07047a" ref-type="fig" rid="figure-panel-4ca5447dcc932036f589b81a453d0123">Figure 1</xref>), o qual reportamos aqui por considerá-lo exemplar à proposta:</p>
      <fig id="figure-panel-4ca5447dcc932036f589b81a453d0123">
        <label>Figure 1</label>
        <caption>
          <title>Banquinho do ensino de língua</title>
          <p id="paragraph-ecb20fc695f4247f2fbb7c2b1901ff8b" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-1b0e34fcaf2043fb9ac8e8220e3d31ff" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="1.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-12">A estrutura do banquinho é representativa da proposta do ensino de gramática em três eixos de Vieira. Os pilares do ensino de gramática são as três propriedades inerentes às línguas, quais sejam: <bold id="bold-14">sistematicidade</bold>, <bold id="bold-15">interatividade</bold> e <bold id="bold-16">heterogeneidade</bold>; que precisam ser tratadas de igual modo nas práticas pedagógicas, garantindo “a firmeza do banquinho”. Assim, o ensino de gramática centrado nos três eixos deve conjugá-las, conciliando contribuições dos diversos quadros teóricos relativos às três propriedades linguísticas.</p>
      <p id="paragraph-13">Vieira (2017a, p. 85-86<xref id="xref-5480d3d9c8d7f3f456bc334a76b7e896" ref-type="bibr" rid="book-ref-c3be6920bb7fe29873b1261738a9788b">[3]</xref>) defende que o ensino de língua deve trabalhar com gramática</p>
      <p id="paragraph-14" />
      <p id="paragraph-15">i) considerando o funcionamento de recursos linguísticos em diferentes níveis (fonético-fonológico, morfológico, sintático, semântico-discursivo);</p>
      <p id="paragraph-16">ii) permitindo o acesso às práticas de leitura e de produção de textos orais e escritos, de modo a fazer o aluno reconhecer e utilizar os recursos linguísticos como elementos fundamentais à produção de sentidos; e, ainda,</p>
      <p id="paragraph-17">iii) propiciando condições para que o aluno tenha acesso a variedades de prestígio na sociedade, segundo os contínuos de variação (BORTONI-RICARDO, 2005), que configuram uma pluralidade de normas de uso sem desmerecer outras variedades apresentadas pelo aluno e/ou nos diversos materiais usados.</p>
      <p id="paragraph-18" />
      <p id="paragraph-19">Vieira argumenta, ainda, que a relação entre os três eixos deve ser de complementaridade; mas, salienta que o eixo <bold id="bold-17">gramática e atividade reflexiva</bold> deve ser transversal aos demais eixos, como ilustra o esquema da <xref id="xref-230966f19743931c2c15fd3ced0198ca" ref-type="fig" rid="figure-panel-350cb6401fcb5ee8ea57433185be5535">Figure 2</xref>, abaixo.</p>
      <fig id="figure-panel-350cb6401fcb5ee8ea57433185be5535">
        <label>Figure 2</label>
        <caption>
          <title>Três eixos para o ensino de gramática.</title>
          <p id="paragraph-b33c365d9896f89d5116bbd725027193" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-ec9fb133e46b289f42832ab3bd75559e" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="2.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-23">O ensino de gramática proposto integra aspectos formais, relativos à sistematicidade da língua, envolvendo atividades de metacognição; à produção de sentidos, tanto no âmbito da leitura quanto no que diz respeito à produção textual; considerando a análise dos fenômenos linguísticos como manifestação de normas/variedades nos contínuos fala/escrita e de monitoramento estilístico.</p>
      <p id="paragraph-24">Assim, vista como uma proposta conciliadora, o ensino de gramática em três eixos: i) parte do conhecimento gramatical inerente ao falante para a reflexão e sistematização dos objetos teóricos e de usos, num processo contínuo de retroalimentação; ii) considera as contribuições dos diversos quadros teóricos; e iii) defende que os objetos teóricos e de uso devem se basear em estudos científicos de descrição. Diante disso, a professora propõe, em alternativa à proposta de ensino de língua preconizado pelos PCNs, o seguinte esquema metodológico:</p>
      <fig id="figure-panel-ae52397e5a456a2835457d4055548572">
        <label>Figure 3</label>
        <caption>
          <title>Esquema metodológico proposto por Vieira para o ensino de gramática.</title>
          <p id="paragraph-d2f5077581bebb6d423ebadd782bec39" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-0edac21a351cdb3bf55810f1b05eeb11" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="3.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-28">De forma complementar à discussão, Vieira problematiza a confusão terminológica e conceitual que afeta a questão da norma de referência, como também discutiu Faraco (BASES, 2020<xref id="xref-ad8089632982978853d5ec0c50d6dcaa" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-1d813e5aaffa92831a3239e6e2d0ad08">[6]</xref>). A conferencista salienta que é preciso investir numa norma de referência baseada nos usos cultos, fundamentada em pesquisas descritivas e considerando o contínuo fala-escrita-monitoração, de modo que os instrumentos normativos reflitam estes usos.</p>
      <p id="paragraph-29">No terceiro momento de sua fala, Vieira apresenta brevemente propostas pedagógicas desenvolvidas à luz dos três eixos para o ensino de gramática (cf. VIEIRA, 2017<xref id="xref-516408faa408418173bc073305ddaf4c" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-7e89c47e84efb0ca8e5ec7d638f9f0bc">[5]</xref>). A professora enfatiza as propostas desenvolvidas no âmbito do Mestrado Profissional em rede em Letras (Profletras). O programa, na área de língua portuguesa, é dirigido a docentes do Ensino Fundamental da rede estadual e é voltado ao desenvolvimento de um produto pedagógico, que integra trabalhos descritivos, práticas pedagógicas e a testagem de sua efetividade e replicabilidade (FREITAG, 2017a<xref id="xref-ea5d809a3092cfa71a2b4e8d42f07a56" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-d0bd68bf3726fc106752aa4d5a2c370f">[1]</xref>). Vieira evidencia a produtividade da disciplina <italic id="italic-8">Gramática, variação e ensino</italic>. Como aponta Freitag (2017b<xref id="xref-78fc4017bffd5e218344b3aa6cc7e6eb" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-7d221f88741d1e6dc9869ea95339a961">[7]</xref>), é através dela que o professor de língua passa por um processo de desconstrução dos “dogmas” em relação a <italic id="italic-9">como, se deve, para quê </italic>e o<italic id="italic-10"> por quê</italic> ensinar gramática, contrariando a concepção de língua estática e de gramática imutável.</p>
      <p id="paragraph-30">Dentre as propostas pedagógicas citadas pela conferencista, destacamos aqui o trabalho de Paes e Freitag (2020<xref id="xref-e29bb75201fc0e8388f54d3e00c586a5" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-74b2d0dfe27b0d4bcc7ef83b3cd2be81">[8]</xref>), desenvolvido no bojo do Profletras, como exemplar à abordagem do ensino de gramática em três eixos. Paes e Freitag (2020<xref id="xref-e736f37b9818e7cb7c9053718252d46e" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-74b2d0dfe27b0d4bcc7ef83b3cd2be81">[8]</xref>) desenvolveram um produto pedagógico para o trabalho com a expressão de segunda pessoa discursiva intitulado “Balança das Relações Sociais”. O desenvolvimento do objeto pedagógico passou por um rigoroso procedimento metodológico para testar sua funcionalidade, envolvendo um estudo piloto, com diagnose em produções textuais e entrevistas; aplicação do produto e testagem de sua efetividade a partir de questionários aos alunos (cf. PAES; FREITAG, 2020<xref id="xref-4681ca2c2f0965da6df289a0c70e437f" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-74b2d0dfe27b0d4bcc7ef83b3cd2be81">[8]</xref>). O produto pedagógico articula os três eixos de modo exemplar ao trabalhar com as formas linguísticas de segunda pessoa e as diferenças sociais constitutivas destas marcas linguísticas, considerando a produção de sentidos nas diversas situações sociocomunicativas.</p>
      <p id="paragraph-31">Frente propostas pedagógicas como essa, é sensível que o ensino de gramática precisa ser visto enquanto objeto científico. A partir disso é possível desenvolver práticas metodológicas, de pesquisa e de ensino; e investigar sobre ensino de gramática, a fim de validar, com rigor científico, o êxito das propostas pedagógicas desenvolvidas. Neste cenário, destacamos a figura do professor-pesquisador, agente responsável por desenvolver e experimentar metodologias de ensino cientificamente fundamentadas no contexto prático da sala de aula.</p>
      <p id="paragraph-32">Vieira encerra sua fala panorâmica explicitando a importância do ensino de gramática a partir de três eixos e de se pesquisar <bold id="bold-18">sobre</bold> o ensino de gramática, relacionando os três eixos do ensino às questões que intitulam sua conferência. Assim, é preciso ensinar gramática e pesquisar ensino de gramática i) por uma questão de <bold id="bold-19">ciência</bold>, a partir do desenvolvimento do raciocínio científico do aluno (eixo 1); por uma questão de <bold id="bold-20">cidadania</bold>, para que todo cidadão tenha acesso consciente às práticas de letramento significativas (leitura e produção textual) (eixo 2); e por uma questão de <bold id="bold-21">respeito linguístico</bold>, para a promoção de variantes linguísticas, tornando o aluno capaz de reconhecê-las e/ou produzi-las conforme suas necessidades sociocomunicativas (eixo 3).</p>
    </sec>
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