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<journal-title>Revista da Abralin</journal-title>
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<publisher-name>Associação Brasileira de Linguística</publisher-name>
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      <article-id pub-id-type="doi">10.25189/RABRALIN.V19I1.1578</article-id>
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          <subject content-type="Tipo de contríbuo">Revisão da Literatura</subject>
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        <article-title><italic id="italic-1">Footing </italic>e TRP</article-title>
        <subtitle>A arquitetura informal do  C-ORAL-Brasil I sob uma ótica socio(inter)acional</subtitle>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="13/01/2021" />
      <volume>19</volume>
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      <issue-title>Publicação contínua 2020</issue-title>
      <elocation-id>10.25189/RABRALIN.V19I1.1578</elocation-id>
      <history>
        <date date-type="accepted" iso-8601-date="17/10/2020" />
        <date date-type="received" iso-8601-date="13/07/2020" />
      </history>
      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">Este artigo contempla o aspecto dinâmico que orienta e organiza as relações interpessoais em eventos microecológicos que Goffman (1979) chamou de <italic id="italic-20bc9947f6b67765462da920ab56702e">footing</italic> e considera, também, o momento exato da alternância de turno que linguistas como Sacks, Schegloff e Jefferson (1974; 2003), Marcuschi (2003) e Couper-Kuhlen e Selting (2018) chamam de TRP (Lugar de Relevância para a Transição). O objetivo é verificar em dois arquivos de fala espontânea do C-ORAL-BRASIL I, “bfamcv02” e “bfamcv05”, se o TRP das TCUs (Unidades de Construção de Turno) constituídas nas falas em interação provoca mudanças de <italic id="italic-2">footing. </italic>Para alcançar este objetivo, elaborou-se uma interface entre a prosódia, Hirst e Di Cristo (1998), Bolinger (1986), Halliday (1967), Robert D. Ladd (2008 [1996]), Gumperz (1988) e Selting, (1995), e as perspectivas teóricas que melhor explicam a estruturação de uma interação falada: a Análise da Conversa, a Linguística Interacional e a Sociolinguística Interacional, Sacks, Schegloff e Jefferson (1974; 2003), Marcuschi (1988; 2003; 2008), Couper-Kuhlen e Selting (2018), Goffman (1972; 1974; 1798; 1981), Gumperz (1982; 1989) e Tannen e Wallat (1987). As análises foram realizadas, portanto, a partir de aspectos sociointeracionais e suprassegmentais e os resultados apontaram que o TRP verificado nas TCUs elaboradas nas duas situações comunicativas escolhidas para este artigo provoca mudanças de <italic id="italic-3">footing</italic>. </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-1e95fa27304bd76eaa5aa2fc577fbe43">This article contemplates the dynamic aspect that guides and organizes interpersonal relationships in microecological events that Goffman (1979) called footing and considers the exact moment of shift alternation that linguists like Sacks, Schegloff and Jefferson (1974; 2003), Marcuschi (2003) and Couper-Kuhlen and Selting (2018) call it TRP (Place of Relevance for Transition). The objective is to verify in two spontaneous speech files of C-ORAL-BRASIL I, “bfamcv02” and “bfamcv05”, whether the RPT of the TCUs (Shift Construction Units) constituted in the speeches in interaction causes footing changes. To achieve this goal, an interface was developed between prosody, Hirst e Di Cristo (1998), Bolinger (1986), Halliday (1967), Robert D. Ladd (2008 [1996]), Gumperz (1988) and Selting (1995), and the theoretical perspectives that best explain the structuring of a spoken interaction: Conversation Analysis, Interactional Linguistics and Interactional Sociolinguistics, Sacks, Schegloff and Jefferson (1974; 2003), Marcuschi (1988; 2003; 2008), Couper-Kuhlen and Selting (2018), Goffman (1972; 1974; 1798; 198), Gumperz (1982; 1989) and Tannen e Wallat (1987). Therefore, the analyses were performed based on socio-interactional and suprasegmental aspects and the results showed that the RPT verified in the TCUs elaborated in the two communicative situations chosen for this article causes footing changes. </p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-095f380f91840b56b213eaa5eb792a70">Footing</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">TRP</kwd>
        <kwd content-type="">C-ORAL-BRASIL I</kwd>
        <kwd content-type="">PRAAT</kwd>
        <kwd content-type="">Prosódia</kwd>
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    <sec id="heading-355edb55d050a1a141b14234af95a8df">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-2">Schegloff (1972), Goffman (1974<xref id="xref-3824b2bba8c2c3f12b8dc2e65cd26470" ref-type="bibr" rid="book-ref-e3f51400667597c3f4ec536495ec43c5">[1]</xref>), Gumperz (1989) e Marcuschi (2003<xref id="xref-f59c0fba0c140de06ff389151aee61f6" ref-type="bibr" rid="book-ref-6b16dd8790675e2e44066a6ecdfd7947">[2]</xref>) preconizam que uma conversa em interação é uma atividade de fala e se realiza através dos “pares adjacentes”.<xref id="xref-cb4b91d5ea82fa93a4a0bcfae918c485" ref-type="fn" rid="footnote-85bf3d79dab7c3783646b3ca440efd2a">1</xref> Além disso, eles ainda afirmam que no decorrer de qualquer interação falada os interactantes constantemente alternam turnos e mudam o ritmo de suas conversas. A este aspecto dinâmico que orienta e organiza as relações interpessoais no momento exato das interações face a face Goffman (1979) chama de <italic id="italic-337072cc9cb5cf8228d6d89f4e293ed2">footing</italic>,<xref id="xref-b05b022ceb4c42abf999d6f9478d77df" ref-type="fn" rid="footnote-683708bfc589c313580e66536ae0fac1">2</xref> que, dependendo da situação comunicativa, constitui as metamensagens que podem ser acompanhadas de outros recursos como expressão facial, gestos, entonação etc., para indicar implicitamente as instruções de como e em qual momento da conversa ocorre um ponto de conclusão para uma possível alternância de turno. A este ponto de conclusão dá-se o nome de Lugar Relevante para a Transição,<xref id="xref-9e03170557a753c817c9cc9e3e9724f3" ref-type="fn" rid="footnote-db1e56342b5abdaaf03834eee205524f">3</xref> (doravante TRP) que, de acordo com Sacks, Schegloff e Jefferson (1974; 2003) e Couper-Kuhlen e Selting (2018), é o exato momento da conversa no qual o turno é distribuído e ocorre, geralmente, no final de uma Unidade de Construção de Turno<xref id="xref-9930129ba25a94268cba958737faafc8" ref-type="fn" rid="footnote-a4495edb2d3b2314c0230d4b959c1029">4</xref> (doravante TCU), através de um componente de alocação de turno. <bold id="bold-1"/></p>
      <p id="paragraph-3">Estudos empíricos sobre <italic id="italic-ea7ee252b0fe31f4b800bd7ce1b71c70">footing </italic>e TCUs sempre foram preferencialmente realizados a partir de dados audiovisuais, pois, de acordo com Brait (1993<xref id="xref-292e97b1479ecffae531f7ff496df058" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-7108dc951d67826e580f8b85e35f0ec1">[3]</xref>), ao se estabelecer uma relação da linguagem com os propósitos comunicativos dos interlocutores de um evento social: </p>
      <p id="paragraph-4" />
      <disp-quote id="block-quote-613a152ba88ba412e45a140358f5f5b0">
        <p id="paragraph-f042fecc0e2d30b40524266c51dcf6d4">(...) não apenas o que está dito, o que está explícito, mas também as formas dessa maneira de dizer que, juntamente com outros recursos, tais como entoação, gestualidade, expressão facial etc., permitem uma leitura dos pressupostos, dos elementos que mesmo estando implícitos se revelam e mostram a interação como um jogo de subjetividades, um jogo de representações em que o conhecimento se dá através de um processo de negociações, de trocas, de normas partilhadas, de concessões. (BRAIT, 1993, p.194<xref id="xref-47c7bc70081e629904734fa86c5793c3" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-7108dc951d67826e580f8b85e35f0ec1">[3]</xref>).</p>
      </disp-quote>
      <p id="paragraph-bb3b66880c073e6d8cd28133731e8c23" />
      <p id="paragraph-7">Porém, neste artigo serão utilizados arquivos de áudio de fala espontânea gravados em situações comunicativas distintas para reconhecer as mudanças de <italic id="italic-4">footing </italic>provocadas no TRP das TCUs elaboradas ao longo de duas situações comunicativas escolhidas a partir de marcadores verbais lexicalizados como, por exemplo, ‘quê (<italic id="italic-5">what</italic>)’<italic id="italic-6"> </italic>e de parâmetros acústicos de F<sub id="subscript-1">0</sub> (frequência fundamental) e intensidade, pois, de acordo com Gumperz (1982<xref id="xref-061e57cacdd31568ffaa047ce72bf5b2" ref-type="bibr" rid="book-ref-7799d593718477862990cdf753323647">[4]</xref>): </p>
      <p id="paragraph-8" />
      <disp-quote id="block-quote-71286a7a4d9268a3ce7997004dfaa1ac">
        <p id="paragraph-af133e39a872da83a79de60dd7a774f2">“[…] Prosódia aqui inclui (a) variações de níveis tonais sobre sílabas individuais e suas combinações em contornos, (b) mudanças na sonoridade, (c) ênfase, um traço perceptível geralmente contendo variações na altura, sonoridade e duração, (d) outras variações na duração da vogal, (e) frases incluindo enunciados interrompidos por pausas, acelerações e desacelerações e, sobretudo, (e) na mudança do registro”. (GUMPERZ 1982<xref id="xref-32396ba3ad10a260001d19346ffd4d00" ref-type="bibr" rid="book-ref-7799d593718477862990cdf753323647">[4]</xref>, p. 100, tradução nossa).<xref id="xref-691885a984e92acad9c77e655b182596" ref-type="fn" rid="footnote-940c7892eba9b8efdc7fdaab40fe85e3">5</xref></p>
      </disp-quote>
      <p id="paragraph-88fd6a7abccfd4fc9f2e54000c834bef" />
      <p id="paragraph-12">Com os objetivos específicos de identificar, descrever e analisar a alternância contextualmente organizada entre os papéis de falante e ouvinte denominada troca de turno e o objetivo central de verificar se numa troca de turno o TRP das TCUs constituídas ao longo das interações provoca mudanças de <italic id="italic-7">footing, </italic>selecionei dois arquivos apresentados pelo <italic id="italic-8">corpus</italic> C-ORAL-BRASIL I<xref id="xref-c1bbca65e53489284e9b4c1d4e046f69" ref-type="fn" rid="footnote-27267be9fa2319756879f48e21b14002">6</xref> classificados como textos orais, informais, de tipologia conversacional e caráter familiar/privado. Nestes arquivos mensurei os parâmetros acústicos de F<sub id="subscript-2">0</sub> e intensidade de algumas TCUs através da ferramenta PRAAT, Boersma e Weenink (1992), para observar como são estabelecidas as relações estruturais e linguísticas na organização da conversa numa alternância de turno (troca de falantes) e a ligação interna das TCUs constitutivas de cada turno. Os arquivos são: “bfamcv02”, um bate-papo que trata de questões relacionadas ao casamento de uma das filhas dos interactantes e o arquivo “bfamcv05”, um texto caracterizado por fala em movimento que mostra uma partida de jogo de várzea, popularmente conhecida como “pelada”. </p>
      <p id="paragraph-13">O C-ORAL-BRASIL I é um banco de dados orais de referência do português brasileiro (doravante PB) composto por registros de fala espontânea com anotações de fronteiras prosódicas em situações comunicativas distintas da diatopia mineira de falantes que residem na cidade de Belo Horizonte. Este banco de dados foi organizado por Raso e Mello (2012<xref id="xref-34679bde397d073ff226303f39d2d94c" ref-type="bibr" rid="book-ref-726b84ef250611b4ec0a7b47cde9d3e0">[5]</xref>) e desenvolvido em 2007-2008 pelo Núcleo de Estudos em Linguagem, Cognição e Cultura (NELC) e pelo Laboratório de Estudos Empíricos e Experimentos de Linguagem (LEEL) da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).</p>
      <p id="paragraph-14">Como fundamentação teórica para a realização deste artigo elabora-se uma interface entre a prosódia, aqui representada por Hirst e Di Cristo (1998<xref id="xref-0b1375bd7eddf72e50a7dc5865c2b62e" ref-type="bibr" rid="book-ref-35f54c216ef60f826f20b1f65db2eac6">[6]</xref>), Bolinger (1986<xref id="xref-5b93a553fab8e885af6ae76c1e21d61a" ref-type="bibr" rid="book-ref-53121468fc4b3e19bcb62f3aa13ec619">[7]</xref>), Halliday (1967<xref id="xref-508d4d6ec64988ef67dfc9ee63f7d4e3" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-d45e02724c6e7326018d8d1fc509591c">[8]</xref>), Robert D. Ladd (1996<xref id="xref-b30377d91a470cf4eaa4332c058f6768" ref-type="bibr" rid="book-ref-1152dc053d1aebc4b1a761c13251351e">[9]</xref>), Gumperz (1988<xref id="xref-dbf1f58c3e8c77ead871180409e4c6ba" ref-type="bibr" rid="book-ref-7799d593718477862990cdf753323647">[4]</xref>) e Selting (1995) e as perspectivas teóricas que melhor explicam a estruturação de uma interação falada, a saber: a Análise da Conversa, doravante (AC), aqui representada por Sacks, Schegloff e Jefferson (1974; 2003<xref id="xref-2ca91a5ff227bdc610eea746b28ddb66" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-81daaf495ce46936319f1690ee78a376">[10]</xref>) e Marcuschi (1988<xref id="xref-3f08a8ad00bd465a3994fc6e7f294f69" ref-type="bibr" rid="book-ref-f6940200d0d417fe0e05502f42dc5d29">[11]</xref>; 2003<xref id="xref-41fd26505cee164466294a8c5b6d3567" ref-type="bibr" rid="book-ref-6b16dd8790675e2e44066a6ecdfd7947">[2]</xref>; 2008<xref id="xref-96e6ea3783bd0358eef7d5b0e4f96128" ref-type="bibr" rid="book-ref-6c78fadfaa28fc50c2fe488b44aa5686">[12]</xref>), a Linguística Interacional, doravante (LI), representada nesta proposta pelas pesquisas realizadas por Couper-Kuhlen e Selting (2018<xref id="xref-7fa33c0cc77614826b7ef8e95618f20f" ref-type="bibr" rid="book-ref-fce42ff75ed12ef03b175ebd514d3f1b">[13]</xref>) e a Sociolinguística Interacional,<xref id="xref-5c88950e66591cb88f08ea1c17d955dc" ref-type="fn" rid="footnote-b69be6466302cff89ff4b72dddbed47e">7</xref> doravante (SI), aqui representada por Goffman (1972; 1974; 1798; 1981<xref id="xref-94e78098a05b047f6d82964d68c2bd37" ref-type="bibr" rid="book-ref-e3f51400667597c3f4ec536495ec43c5 chapter-ref-a3b2e091375220abf94efc8a60268b9c">[1,14]</xref>), Gumperz (1982; 1989<xref id="xref-8d06ac117af82bf8a22447b36becd675" ref-type="bibr" rid="book-ref-7799d593718477862990cdf753323647">[4]</xref>) e Tannen e Wallat (1987<xref id="xref-f28f2b853e3ead4579974fc8ad2c85ed" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-231f6444726df0e711aa031a8bf8904a">[15]</xref>).</p>
      <p id="paragraph-15">Ao examinar a coparticipação de todos os integrantes das situações comunicativas apresentadas nos dois arquivos do C-ORAL-BRASIL I escolhidos para as análises, procurei observar o comportamento interacional dos interactantes com base nos seguintes aspectos: (i) a realização das alternâncias de turno, (ii) as medidas dos parâmetros acústicos de F<sub id="subscript-3">0 </sub>e intensidade<sub id="subscript-4">, </sub>(iii) as TCUs e o TRP das falas em interação, (iv) os papéis sociais e interacionais realizados pelos participantes dos dois eventos comunicativos. </p>
      <p id="paragraph-16">A relevância deste estudo justifica-se pela possibilidade de se investigar em <italic id="italic-9">corpus de </italic>textos orais<italic id="italic-10"> </italic>a organização estrutural e discursiva que ocorre nas trocas de turno de eventos comunicativos. O banco de dados utilizado para este estudo nos fornece registros de fala em interação que, segundo Coseriu (1980<xref id="xref-1a5d04184fb21e9ebfa92937ca298152" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-de9bc6a02520e7337d5db979eb4f712c">[16]</xref>), sincronicamente seguem estratégias que são ativa ou passivamente negociadas a partir de diferentes níveis de uso da linguagem: nível sintópico (dialeto mineiro), nível sintrático (a conversa das três irmãs e a conversa dos jogadores de futebol) e nível sinfásico (a expressividade das diferentes situações comunicativas apresentadas). Posto isto, podemos vislumbrar pesquisas futuras utilizando o C-ORAL-BRASIL I para discutir a dimensão temporal da fala em interação pensada numa escala de sequencialidade de turnos.</p>
      <p id="paragraph-17">Logo na introdução, salientei a riqueza de discussões que este estudo pode fomentar, em seguida, apresento as abordagens que melhor descrevem a interação falada e logo após descrevo a metodologia para a realização do estudo. Na sequência, faço a análise e a discussão dos dados sob uma ótica socio(inter)acional e prosódica e finalizo com algumas considerações. </p>
      <p id="paragraph-18" />
      <sec id="heading-3d38a56dc4db6ae19f2ad410f225be81">
        <title>1. Interfaces: Análise da Conversa, Linguística Interacional e Sociolinguística Interacional</title>
        <p id="paragraph-05743644b8901997ba2d296b0bfb203b" />
        <p id="paragraph-6675e61e7ab2ac6dd10e5b57de30a1c3">Introduzida por Schegloff (1972<xref id="xref-8f3b875299cd7336912bd1075b342f59" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-c9f641af581feb8e5080ac28159e0855">[17]</xref>), a AC preocupa-se em estudar o aspecto paradigmático das estruturas linguísticas que podem ser negociadas de acordo com as formas de interação e surge, segundo Marcuschi (2003<xref id="xref-20ac834d183f14b403ce1297ed8b26a1" ref-type="bibr" rid="book-ref-6b16dd8790675e2e44066a6ecdfd7947">[2]</xref>), como uma tentativa de responder às seguintes questões: Como as pessoas se entendem ao conversar? Como elas reconhecem o diálogo? Como sabem se estão dialogando coordenada e cooperativamente? Como elas utilizam os conhecimentos linguísticos que possuem para entender e interpretar a conversa em interação? Como reagem às ambiguidades surgidas ao longo da conversação? E, principalmente, como alternam contextualmente e organizadamente seus papéis de falante e ouvinte em eventos comunicativos? </p>
        <p id="paragraph-2b536c653a9c30119478f5fe2f0dc36c">Com estudos iniciados nas décadas de 60 e 70, a AC manifesta-se no Brasil sob o título de <italic id="italic-7707e5399bd78b35bd5d975c1a4b4605">Análise da Conversação</italic> ligada à vertente da Linguística Textual. Porém, recentemente, surge uma vertente sociológica norte-americana, a ACE, que utiliza o termo <italic id="italic-7c6054c19188f5142c5f37478862ff65">Análise da Conversa</italic> para se referir aos estudos sobre interação falada observando os aspectos sociais e interacionais de indivíduos que participam de eventos comunicativos. Neste artigo, seguirei a vertente de Marcuschi, porém utilizarei o termo <italic id="italic-e73e0de6d8d389d8a44fc56b68ac50da">Análise da Conversa</italic> por entender que o termo “conversa” tem um significado mais homogêneo quando tratamos de interações realizadas face a face entre duas ou mais pessoas.</p>
        <p id="paragraph-b1a544d09bea5495f4652ce046126662">Marcuschi (2003<xref id="xref-664d60bf5ad7b51e7455d932ac3e059e" ref-type="bibr" rid="book-ref-6b16dd8790675e2e44066a6ecdfd7947">[2]</xref>) ao analisar as características organizacionais da fala em interação assegura que os processos conversacionais que fazem parte das nossas práticas cotidianas seriam “uma interação verbal centrada, que se desenvolve durante o tempo em que dois ou mais interlocutores dirigem sua atenção visual e cognitiva para uma tarefa comum”. Sacks, Schegloff e Jefferson (2003<xref id="xref-07c9de03ed14327805a09d2a2a3b3179" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-81daaf495ce46936319f1690ee78a376">[10]</xref>) afirmam que para que ocorra uma conversa é necessário que haja uma dinamicidade enunciativa entre pelo menos dois falantes e que tenha uma sequência de ações coordenadas de alternância de turnos executadas num espaço de tempo adequado ao envolvimento comunicativo. Estes autores pautaram-se nas considerações de Levinson (2007<xref id="xref-3f46d818cf10763f12a695c5eff586e2" ref-type="bibr" rid="book-ref-37f6557a0f24c7f82d38b59adb8d6255">[18]</xref>), que entende que os estudos da AC são regidos por princípios analítico- metodológicos. Estes princípios determinam que a conversa não seja pautada em pressupostos teóricos e julgamentos intuitivos, que busque padrões que se repetem em variadas situações comunicativas, que enfatize as inferências realizadas pelos falantes em contextos naturais e que verifique como são geradas as sequências nos atos conversacionais. Partindo dessas premissas, a conversa no contexto deste artigo baseia-se no delineamento feito por Marcuschi (1988<xref id="xref-43e1ad37cd9cfd1b9d4bb8a3346c5ab4" ref-type="bibr" rid="book-ref-f6940200d0d417fe0e05502f42dc5d29">[11]</xref>): </p>
        <disp-quote id="block-quote-6a7303cfb1d03b7cd83ba634b91c2e43">
          <p id="paragraph-0c742b11f4fd9571d91ebe3ec3a44e1c">Como numa conversação várias pessoas agem (ao mesmo tempo ou sequencialmente), trata-se também de uma sequência de ações inter-relacionadas que, de algum modo, devem formar um todo coerente para que sejam compreensíveis. Evidentemente, uma conversação deve preencher uma série de condições cognitivas, contextuais, sociais e linguísticas para que se dê uma interação bem-sucedida.</p>
        </disp-quote>
        <p id="paragraph-df0daadfca785688d9464854f0e3c671">Para demonstrar que as sequências de ações organizadas de alternância de turnos são fundamentais para a conversa, Sacks, Schegloff e Jefferson (1974) descreveram o sistema de tomada de turnos a partir dois elementos: as Unidades de Construção de Turno - TCU e os Lugares Relevantes para a Transição do Turno – TRP. Sacks, Shegloff e Jefferson, um ano antes da morte de Sacks, publicaram em 1974 o artigo <italic id="italic-31f6f3a190b15e397f13583eb45847b6">A simplest systematics for the organization of turn-taking for conversation</italic> como uma primeira tentativa de definição das TCUs. Este clássico texto da AC apresenta dois importantes componentes e uma Regra Geral: (a) Componente de Construção de Turno, (b) Componente de Alocação de Turnos e (c) Regras que fornecem uma ordem para aplicabilidade das técnicas de alocação de turnos. São elas: </p>
        <disp-quote id="block-quote-6e849b1403cbed8084aaf49c3e9919bf">
          <p id="paragraph-09dbbf4849b4c8942a9ad46281cbd20e">(1) A troca de falante se repete, ou pelo menos ocorre,</p>
          <p id="paragraph-5f9cd1543dc5243a1d3776cbdfcf68be">(2) Na grande maioria dos casos, fala um de cada vez,</p>
          <p id="paragraph-fc5060c932912badbbb4940016fe70bb">(3) Ocorrências de mais de um falante por vez são comuns, mas breves,</p>
          <p id="paragraph-6bde72d819e72546948b074b8252d6eb">(4) Transições (de um turno para o próximo) sem intervalos e sem sobreposições são comuns. </p>
          <p id="paragraph-5">(5) A ordem dos turnos não é fixa, mas variável,</p>
          <p id="paragraph-6">(6) O tamanho dos turnos não é fixo, mas variável,</p>
          <p id="paragraph-cef3eeb09d36c897ff9605babb1cc4a3">(7) A extensão da conversa não é previamente especificada, </p>
          <p id="paragraph-d42d2b6dda80a26a7a614ca9470eb434">(8) O que cada um diz não é previamente especificado,</p>
          <p id="paragraph-9">(9) A distribuição relativa dos turnos não é previamente especificada, </p>
          <p id="paragraph-10">(10) O número de participantes pode variar,</p>
          <p id="paragraph-11">(11) A fala pode ser continua ou descontínua,</p>
          <p id="paragraph-54603da97bf50aebde329b754b1317b9">(12) Técnicas de alocação de turno são usadas,</p>
          <p id="paragraph-c54ba776d1875e145f11a846af255b3f">(13) Várias unidades de construção de turno são empregadas para a produção da fala que ocupa um turno, por exemplo, os turnos podem ser projetadamente a ‘extensão de uma palavra’ ou podem ter a extensão de uma sentença (cf. § 4.13).</p>
          <p id="paragraph-00b415b28e94d3753157e01848b835fb">(14) Mecanismos de reparo existem para lidar com erros e violações da tomada de turnos. (SACKS; SCHEGLOFF; JEFFERSON, 2003, p. 18-48<xref id="xref-794aa46e3d5fb50acb882e7edb965e8a" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-81daaf495ce46936319f1690ee78a376">[10]</xref>).</p>
        </disp-quote>
        <p id="paragraph-9644ffada1226b50ef37ba91edc9262b" />
        <p id="paragraph-553156b5df5fa4df30039f984624c947">Nas palavras de Sacks, Schegloff e Jefferson (1974, p. 16),</p>
        <disp-quote id="block-quote-06c62e33ec472bc9dbe44975ea0f4b80">
          <p id="paragraph-cb96f67cc9fbc39f22b680fa58c7017c">há vários tipos de unidades com as quais um falante pode começar a construir um turno. Os tipos de unidade para o inglês incluem construções do tipo sentenciais, clausais, sintagmáticas e lexicais. As ocorrências de tipos de unidades assim utilizadas permitem uma projeção do tipo de unidade em andamento, e, grosso modo, o quanto faltará para que uma ocorrência daquele tipo seja completada.</p>
        </disp-quote>
        <p id="paragraph-fa9ebfbec868ccc2b0c6a71a176ab33b">No entanto, a definição de TRP e TCU proposta pelos autores não esclarece quais são os critérios linguísticos envolvidos no funcionamento do sistema de trocas de turnos, ou seja, se os critérios são pautados em níveis sentenciais, clausais, sintagmáticos ou lexicais, e o critério mais mencionado pelos autores é baseado no princípio de projetabilidade. </p>
        <p id="paragraph-04afb5066651f6f2a87d406777a9ac0f">De acordo com Ribeiro e Garcez (2013, p. 113<xref id="xref-84406849214c39df16bee3c97623cf59" ref-type="bibr" rid="book-ref-56c39e35a19cd9c473a5e222181b4554">[19]</xref>), a projeção dos participantes de uma interação face-a-face “pode ser mantida através de um trecho de comportamento que pode ser mais longo ou mais curto do que uma simples frase gramatical” e que este traço de comportamento “deve ser considerado um <italic id="italic-9a72c8233d1b97fac232a8b55df308a7">continuum</italic> que vai das mais evidentes mudanças de posicionamento às mais sutis alterações de tom que se possa perceber.”. Neste sentido, uma construção sintática frasal, por exemplo, passa a não ser tão importante, ou seja, a relevância do enunciado dependerá, também, do comportamento interacional e de tudo o que está implícito na frase. </p>
        <p id="paragraph-cd5ce95b48440b65d0726651f1335484">Segundo Goffman (1974, p. 496-599<xref id="xref-aa462c9ac90058eda0d7b302c6629e4b" ref-type="bibr" rid="book-ref-e3f51400667597c3f4ec536495ec43c5">[1]</xref>), ao conceituar <italic id="italic-84ab603db2d345dd525374114b670c6b">footing,</italic> ou seja, o dinamismo dos enquadres, numa construção frasal <italic id="italic-856f015eb1a3a97d4e7aac14e126dc2a">“</italic>estão implícitos segmentos prosódicos, não segmentos sintáticos”, ou seja, um enunciado, geralmente, utiliza um segmento prosódico para direcionar a estruturação sintática de sentenças e inclusive servir como guia da interpretação. Pautando-se em outros pesquisadores como Selting (1996; 2000<xref id="xref-4d70a6624218e12d6239619d9aa24320" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-05cd3c06887a2b0fffada91e0b14c560">[20]</xref>), Ford, Fox e Thompson (1996<xref id="xref-b7f2d525f7bec287b7e6602d67de6cc6" ref-type="bibr" rid="book-ref-6137bd31337021b77f1fdb144d4937ba">[21]</xref>), Levinson (2007<xref id="xref-9bb9113f395630cf0377015786ce93a5" ref-type="bibr" rid="book-ref-37f6557a0f24c7f82d38b59adb8d6255">[18]</xref>) e Schegloff (2007<xref id="xref-ccb48422b04bf4c9b6ed78e517b9e9a0" ref-type="bibr" rid="book-ref-3822d355497f8afa036cfc76b7fff529">[22]</xref>) observa-se, por conseguinte, que fatores extralinguísticos, não linguísticos, contextuais, situacionais e prosódicos também estão envolvidos nos processos de projeção e finalizações de turno e que a sintaxe isoladamente não consegue esclarecer quais são as estratégias predominantes que ocorrem nas trocas de turno.</p>
        <p id="paragraph-e9a74020a0d44f7b7cd8919c4346172d">Assim como Marcuschi (2003<xref id="xref-23793f47d4839dffb65073456c3a271f" ref-type="bibr" rid="book-ref-6b16dd8790675e2e44066a6ecdfd7947">[2]</xref>) e Sacks, Schegloff e Jefferson (2003<xref id="xref-29013d3a9af59f1f64e4b2e0b4d64ce4" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-81daaf495ce46936319f1690ee78a376">[10]</xref>), Elizabeth Couper-Kuhlen e Margaret Selting, em uma série de artigos, concebem a linguagem falada em seu habitat natural, ou seja, na interação social, Selting (2000) e Selting e Couper-Kuhlen (2001; 2001). Inicialmente conhecida como AC, surge, então, a LI, uma teoria que observou que as estruturas linguísticas tinham uma importância primordial para conduzir a fala-em-interação. Representada nesta proposta pelas pesquisas realizadas por Couper-Kuhlen e Selting (2018<xref id="xref-3c1238b32329016bc4ccd9878c7171a6" ref-type="bibr" rid="book-ref-fce42ff75ed12ef03b175ebd514d3f1b">[13]</xref>), a LI se volta para as questões que envolvem diretamente as pistas sintáticas, as pistas prosódicas e a organização de turnos, de reparos e sequências, ou seja, a LI apoiou-se nas pesquisas realizadas pela AC para fazer uma análise linguística de fala-em-interação mais detalhada.</p>
        <p id="paragraph-7179dcc5da84e910a4090516b7bb2a53">Em síntese, os analistas da conversa estão interessados principalmente em entender como a interação funciona. Já os linguistas interacionais, em consonância, têm um grande interesse na linguagem, porque eles acreditam que ações e sequências são complementadas e tornadas interpretáveis pelo sistemático uso de recursos linguísticos.<xref id="xref-425009097274fd056877c28109fad22b" ref-type="fn" rid="footnote-bc08aa576ad72fd9d09e91012963a51c">8</xref></p>
        <p id="paragraph-dfea36a7074e1912e224576ac4d8f2e0">O aspecto paradigmático das estruturas linguísticas é também descrito pela SI a partir de pesquisas realizadas pelos estudiosos da fala em interação. Interessados em estudar a linguagem em contextos sociais específicos alguns pesquisadores como Goffman (1972; 1974; 1798; 1981<xref id="xref-cf1caed33bd2adfcaa84271f07ee527b" ref-type="bibr" rid="book-ref-e3f51400667597c3f4ec536495ec43c5 chapter-ref-a3b2e091375220abf94efc8a60268b9c">[1,14]</xref>), Gumperz (1982<xref id="xref-3fa33c2b8c3d3263017813d327bea7b4" ref-type="bibr" rid="book-ref-7799d593718477862990cdf753323647">[4]</xref>) e Gumperz e Hymes (1972; 1986) enfatizam as características das relações interacionais a partir dos princípios dialógicos de comunicação. Estes princípios, de acordo com estes teóricos, permitem observar a linguagem como um fenômeno microecológico que implica a ideia de sistemas, leis e regras comunicacionais desenvolvidas pelos indivíduos dentro do ambiente interacional. Neste dialogismo, entende-se que a situação comunicativa deve ser engendrada de tal maneira que todos os interactantes consigam entender o que está acontecendo naquele contexto no qual a interação está se desenvolvendo.</p>
        <p id="paragraph-ed9afcbe6f14f6f66fe9349a1913e489">De acordo com Marcuschi (2003, p. 16<xref id="xref-f95f6828bf24622e980406e76f0b62d7" ref-type="bibr" rid="book-ref-6b16dd8790675e2e44066a6ecdfd7947">[2]</xref>), "para produzir e sustentar uma conversação, duas pessoas devem partilhar um mínimo de conhecimentos comuns. Entre eles estão a aptidão linguística, o envolvimento cultural e o domínio de situações sociais". Assim, toda fala em interação deve sempre estar situada em alguma circunstância comunicativa na qual todos os interactantes alcancem o significado do que foi dito e feito, em outras palavras, todos devem compreender “o que está acontecendo aqui e agora” (RIBEIRO E GARCEZ, 2013, p. 107<xref id="xref-96506fa648f87e3933d1de10cdac3f4a" ref-type="bibr" rid="book-ref-56c39e35a19cd9c473a5e222181b4554">[19]</xref>).</p>
        <p id="paragraph-d0c0212e95e45204a4c5030b4eda9187">A partir de um estudo voltado para a compreensão do discurso oral e da análise da fala em interação, encontramos o conceito de “enquadre”. Iniciado por Bateson (1972) e desenvolvido por Goffman (1974<xref id="xref-5ab7856f31868ce35f38e2b0febdcfc1" ref-type="bibr" rid="book-ref-e3f51400667597c3f4ec536495ec43c5">[1]</xref>) no seu extenso estudo intitulado <italic id="italic-40f1c43f9827cdca9241c32d794c17dc">Frame Analysis</italic>,<italic id="italic-d18612ca5f3adae9b0d9e2a2d62cf0e5"> </italic>o enquadre é um princípio organizacional que orienta os acontecimentos de uma situação comunicativa. Neste estudo, Goffman (2013 [1974], p. 107<xref id="xref-46e48369ed13fcf4e174b0a1577c0009" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-a3b2e091375220abf94efc8a60268b9c">[14]</xref>) afirma que “o enquadre situa a metamensagem contida em todo o enunciado sinalizando o que dizemos ou fazemos ou como interpretamos o que é dito e feito”, e que “em qualquer encontro face a face os participantes estão permanentemente propondo ou mantendo enquadres”. Tannen e Wallat (1987<xref id="xref-7f1ac4b7ecb576129c2c86688ae8da34" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-231f6444726df0e711aa031a8bf8904a">[15]</xref>), ao revisar alguns termos análogos a “enquadre” como esquema, protótipo, atividade de fala, módulo, modelo, <italic id="italic-45267a78d51593723a4cd75356fdcfe6">script, </italic>entre outros, utilizados de forma variada na literatura de áreas como Linguística, Inteligência Artificial, Antropologia e Psicologia, sugerem que a definição de todos os termos elencados pode ser concebida através da noção de “estrutura de expectativa”. </p>
        <p id="paragraph-80409d637bc38d4ca26abbf9a387de1d">Ribeiro e Garcez (2013<xref id="xref-3b3cc14f08bc00df5e7aa6351e4fd63f" ref-type="bibr" rid="book-ref-56c39e35a19cd9c473a5e222181b4554">[19]</xref>) propõem, então, a ampliação da definição dada por Tannen e Wallat (1987<xref id="xref-1d2eee784dccad186690e7b4379b4cc7" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-231f6444726df0e711aa031a8bf8904a">[15]</xref>) sobre “enquadre” e sugerem o estudo desse conceito sob um ponto de vista antropológico/sociológico. Surge, então, duas categorias para definir o termo “enquadre”: enquadres interativos, caracterizados pelos trabalhos do sociólogo Frake (1969<xref id="xref-c9df4a0e53d10dea787e0e11bc4ac7bc" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-c4a4012c99fe6f1e620b56c69d16442c">[23]</xref>), do sociólogo Goffman (1974<xref id="xref-a294c8cb044e3e1bfa97644adb35f8f4" ref-type="bibr" rid="book-ref-e3f51400667597c3f4ec536495ec43c5">[1]</xref>) e dos pesquisadores da linguística antropológica Gumperz (1982<xref id="xref-0ad91ddeb1fd0bd0b87d7953e15183c2" ref-type="bibr" rid="book-ref-7799d593718477862990cdf753323647">[4]</xref>) e Hymes (1974b<xref id="xref-422ae05c7ddcda736e414dbe791da29e" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-e1697d175be6517e8d34aa792797881a">[24]</xref>) que entendem enquadres interativos como uma interpretação feita pelos interactantes de tudo o que ocorre numa interação. A outra categoria é a de esquemas de conhecimento, representada na área de Inteligência Artificial por Minsky (1975<xref id="xref-4c7eee194dfa77078e2bf2b0b7cc1b2d" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-c863572f6065480db2974862c49516fe">[25]</xref>) e Schank &amp; Abelson (1977<xref id="xref-0f33705df62480baf945a70ccc5cdc31" ref-type="bibr" rid="book-ref-200c08e527eacc5881357e9a08c0f209">[26]</xref>), pelo psicólogo cognitivista Rumelhart (1975<xref id="xref-54e3fffc584dbd2e25715ee8768c7ca7" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-01ac79940474d171075639aac93d41d3">[27]</xref>) e pelos semanticistas Chafe (1977<xref id="xref-52a4193e970d2fcccb8d1d9490182cbd" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-15e1512744c94c76ed56394dcbdd4a1a">[28]</xref>) e Filmore (1975<xref id="xref-cbaded632f08638fc6ed3da9b11aea05" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-29baad03028017a95ea9a87330b1a08e">[29]</xref>) que entendem esquemas de conhecimento como expectativas de experiências anteriores que auxiliam na interpretação de um enunciado. </p>
        <p id="paragraph-b2b444755943c8999221db26b24b087f">A relação entre enquadres interativos e esquemas de conhecimento será discutida neste artigo para demonstrar que numa troca de turno as mudanças de <italic id="italic-9656209cee460e7bf24b94df2f56fa66">footing</italic> provocadas TRP das TCUs são conduzidas por estruturas de expectativas utilizadas pelos interactantes para reforçar e dar sentido ao que dizem.</p>
        <p id="paragraph-e984b7578964cdb327f1d6b8c854ee6d">Numa interação face a face em um evento social observa-se a existência de uma estrutura de envolvimento entre os participantes fundamentada nas pressuposições e condutas estabelecidas entre os interlocutores ao longo da interação. Esse envolvimento comunicativo pode ser considerado como uma dinamicidade enunciativa que, de acordo (MARCUSCHI, 2003, p. 7<xref id="xref-309e0fd207d284e5d6459ce2d3d012ac" ref-type="bibr" rid="book-ref-6b16dd8790675e2e44066a6ecdfd7947">[2]</xref>), “parte de dados empíricos em situações reais”. Essa dinamicidade enunciativa envolve algumas marcas estruturais que são utilizadas pelos indivíduos para a compreender tudo o que está sendo dito e feito numa situação comunicativa. É exatamente neste contexto que o discurso se realiza. </p>
        <p id="paragraph-8216fda16214001955df536e9fe31aa2">Para caracterizar a dinamicidade enunciativa realizada pelos participantes de situações comunicativas, Goffman (1981a), a partir dos trabalhos de James (1950<xref id="xref-37976c2b45c60d6084c4bf044196ac62" ref-type="bibr" rid="book-ref-3dd7ae6336b9a868a00645496b5b1058">[30]</xref>) e Schutz (1962<xref id="xref-4d8081ff6f309560261ee7d31eae57e7" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-fd4ee828815a2f389552b1e192aa5028">[31]</xref>), bem como nos trabalhos seminais de alguns filósofos da linguagem como Austin (1963<xref id="xref-a25f71391fda8842e4c1b294c9620b63" ref-type="bibr" rid="book-ref-4aec4879e023f94d7e2e9ebb3a10342c">[32]</xref>) e Wittgenstein (1922<xref id="xref-9c2b530a06833f2a7413bf3156582977" ref-type="bibr" rid="book-ref-e7fb08648ee4a9e3cfd4ba97744de155">[33]</xref>) vai mais além: amplia seus estudos sobre “enquadre” passando à definição de <italic id="italic-29506104d310db4fbb7bbf414ed0766a">footing </italic>como “uma mudança no alinhamento que assumimos para nós mesmos e para os outros presentes, expressa na forma na qual conduzimos a produção ou a recepção e uma elocução”, (GOFFMAN, 1982a, pg. 128). Esta mudança no alinhamento é uma característica inerente à fala que orienta e organiza as relações interpessoais no momento exato da interação. </p>
        <p id="paragraph-43c0de80df882cea07b51b1f91c96c59">Para alguns pesquisadores o estudo dos aspectos dinâmicos dos “enquadres” realizado por Goffman (1982a) são conceitos que conseguem definir, de maneira objetiva, a complexidade do comportamento interacional dos participantes de um evento social. Autores como Du Bois (2007<xref id="xref-967b6c554b0d1f0db3bd447a89fded38" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-e62759765bb386392c5ed8a213a20c97">[34]</xref>), por exemplo, consideram que os falantes interagem com outros falantes e que esses também podem ter seus posicionamentos (posturas). Para Du Bois (2007<xref id="xref-3f4e8a604fd2ed1d0761b7feb8f38ba3" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-e62759765bb386392c5ed8a213a20c97">[34]</xref>) a postura de um falante irá alinhar-se ou não à postura do seu interlocutor. Para Du Bois E Kärkkäinen (2012, p. 438<xref id="xref-3f4e84ddcdfff1da36b0d43c650d59f8" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-4cbbb71e109920b01f1f6eb95cf5be49">[35]</xref>) “não há um momento em conversação no qual não seja importante que nos posicionemos frente a outra pessoa”. </p>
        <p id="paragraph-46dfca8724a343072ab63e3f79c8be90">Os estudiosos da interação falada, ao dedicarem-se às análises microecológicas, fizeram com que os analistas do discurso concebessem a linguagem enquanto prática social. Além disso, Goffman (1979, p. 1-29), ao direcionar sua grande contribuição teórica ao estudo do <italic id="italic-ff274dbace773473626542ec08c14f89">footing,</italic> salienta que “a mudança de <italic id="italic-2e016d002df55a9dfccf0643ce17616c">footing</italic> está comumente vinculada à linguagem”, ou, seja, o discurso passou a ser entendido como uma construção social e cultural realizada a partir de estratégias discursivas performatizadas pelos participantes de eventos de fala em interação. </p>
        <p id="paragraph-13c3d386e1e34ce8c81d3f2b42fc1f93" />
      </sec>
      <sec id="heading-1f74d55e89c7b1c86042f2d59ec1071d">
        <title>2. Prosódia</title>
        <p id="paragraph-ee79525db58e2ed34e0bff93793e6c9f" />
        <p id="paragraph-3dbce8217a5a23d1832a7bb12c7ad534">De acordo com Selting (1995, p. 1),</p>
        <p id="paragraph-1c2f36bcb5c8c6035e47f7781c697878" />
        <disp-quote id="block-quote-d3cd1d4334f429cd45ccd4c051288510">
          <p id="paragraph-1541a336d01133e26e042f1fb5b30e4d">prosódia é um termo superordenado compreendendo os aspectos suprassegmentais da fala que resultam da interação dos parâmetros acústicos frequência fundamental (F<sub id="subscript-0564f329e439f0faf7df1e798f0e7db1">0</sub>), intensidade e duração no nível da sílaba ou em domínios mais amplos. Inclui fenômenos auditivos, como entonação, ou seja, a configuração entonacional da fala no decorrer do tempo, volume, extensão, pausa, bem como fenômenos de fala mais complexos, relacionados à velocidade/tempo e ao ritmo.</p>
        </disp-quote>
        <p id="paragraph-a3edcf12f1749377ed997f8edb86ec48">Alguns autores partiram de uma visão ampla em relação ao conceito de entonação e associaram-na aos traços melódicos representados pela F<sub id="subscript-6c6fff7a280b5369614df0565df2e82f">0</sub> que, coadunados a outros traços suprassegmentais, tais como intensidade e duração, comporiam a prosódia. </p>
        <p id="paragraph-a579eb772196a4c52527d1b25aea58ef">Sabe-se que na área da prosódia existe uma discussão em relação à definição do termo entonação: para uns entonação é a variação de <italic id="italic-19f64a0204ba3e7841b231f28b1ba190">pitch</italic>, ou seja, variação de tons mais altos ou mais baixos ao longo do enunciado, outros afirmam que a entoação deve ser entendida não só como variações de tons, mas também como atuação de outros parâmetros acústicos tais como a intensidade e a duração. Diante de tais observações, neste artigo optaremos pela proposta de Bolinger (1986<xref id="xref-6f7834a845d77425e03d544951afd73d" ref-type="bibr" rid="book-ref-53121468fc4b3e19bcb62f3aa13ec619">[7]</xref>), Hirst e Di Cristo (1998<xref id="xref-52ba32a2c1ab158e8b0d391cb5afc018" ref-type="bibr" rid="book-ref-35f54c216ef60f826f20b1f65db2eac6">[6]</xref>), Robert D. Ladd (1996<xref id="xref-76249e80c643cc3d2ecb08a6a3a45b6e" ref-type="bibr" rid="book-ref-1152dc053d1aebc4b1a761c13251351e">[9]</xref>), Gumperz (1988) e Selting (1995) que entendem que a entonação se manifesta a partir de funções entonacionais e defendem que a entonação compreende os aspectos suprassegmentais da fala a partir de correlatos acústicos de Frequência Fundamental (F<sub id="subscript-16d304eafb906738602c0be697e58650">0</sub>), intensidade e duração. </p>
        <p id="paragraph-1d69fe6990f4d34fdc5db8db94656a4a">Selting (1996a) mostra ainda como a prosódia pode ajudar na interpretação discursiva ao afirmar que</p>
        <p id="paragraph-6e1c4d349c940ade578a6cbfba611256" />
        <disp-quote id="block-quote-16439e5c72758488b2faeff082a14721">
          <p id="paragraph-76aa0b820c8b770ff49c560bdb888abb">a sintaxe é usada como um recurso para uma projeção mais abrangente (...) enquanto essa projeção sintática é contextualizada localmente por meio da prosódia. As unidades sintáticas e prosódicas são descritas como esquemas flexíveis que fazem com que os participantes se adaptem às exigências da situação”. (SELTING, 1996a, apud COUPER-KUHLEN; SELTING, 2018<xref id="xref-c8d000af70e157946e835407577fc5ca" ref-type="bibr" rid="book-ref-fce42ff75ed12ef03b175ebd514d3f1b">[13]</xref>, p. 47-48, tradução nossa).<xref id="xref-9ec679355bad2cc7243b88ecdfcecb3c" ref-type="fn" rid="footnote-452ad44e92c8ac60bfb29f30392306ea">9</xref></p>
        </disp-quote>
        <p id="paragraph-ad055d10f784295defb4ac2465a85d7d" />
        <p id="paragraph-37b67b68175f12ffa78e9959279f18b9">Assim como Gumperz (1988), Hirst e Di Cristo (1998<xref id="xref-f259ebdb961a3388ad9f20195618b71c" ref-type="bibr" rid="book-ref-35f54c216ef60f826f20b1f65db2eac6">[6]</xref>) afirmam que o termo entoação diz respeito a um nível físico e que é representado pela F<sub id="subscript-686b40d8fbe17d4fabd071cb14397c58">0 </sub>e consideraram ainda que a prosódia, juntamente com as pistas de contextualização, pode sinalizar os nossos propósitos comunicativos ou inferir os propósitos comunicativos de nossos interlocutores. Estes autores, além de considerarem a entonação como parte da prosódia, pautaram-se nas considerações de Gumperz (1982a<xref id="xref-cfb67a0b7df3023153313fe4b182a78b" ref-type="bibr" rid="book-ref-7799d593718477862990cdf753323647">[4]</xref>) e admitiram que as pistas prosódicas dependem do contexto do discurso e da experiência anterior do ouvinte. </p>
        <p id="paragraph-229975e48ec85207ee8c853ec920fe4b">Hirst (1988<xref id="xref-4ecd964e6d6553e4678d9fda306203ca" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-f7fd3b4d8eba9ca4d3cd7020891da782">[36]</xref>) afirma que a entonação possui características universais porque pode ser percebida nas enunciações de todo falante e possui também características específicas por ser capaz de reconhecer ativa ou passivamente diferentes níveis de uso da linguagem, sejam eles sintópico, sintrático ou sinfásico Coseriu (1980<xref id="xref-bf0920907f3d69caf95a7cc03ddff59e" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-de9bc6a02520e7337d5db979eb4f712c">[16]</xref>). </p>
        <p id="paragraph-1db79159d8568b79a31e5d974a89ba30">Bolinger (1986<xref id="xref-98863a56518eb6fab8ccd62f1d766f0b" ref-type="bibr" rid="book-ref-53121468fc4b3e19bcb62f3aa13ec619">[7]</xref>) assim como Robert D. Ladd (1996<xref id="xref-8745226fe9b277cadf73915627464658" ref-type="bibr" rid="book-ref-1152dc053d1aebc4b1a761c13251351e">[9]</xref>), entre outros, destacam o caráter icônico da entonação priorizando a função pragmática (ex. asserção <italic id="italic-492ad204fb5c65679f19e0e20bbfc58b">versus </italic>pergunta), a função sintática (fraseamento prosódico), a função discursiva (troca de turno, marcadores conversacionais), a função expressiva (atitudes e emoções) e as funções discursivas, voltando a sua atenção para qualquer tipo de gesto ou ato comunicativo que permita um aprofundamento de análises prosódicas. </p>
        <p id="paragraph-1a4f7789e2c23b9e36319cb156e7ab8c">Segundo Bolinger (1986<xref id="xref-9ec7e351335d69d397a8c93c69f75226" ref-type="bibr" rid="book-ref-53121468fc4b3e19bcb62f3aa13ec619">[7]</xref>) a prosódia pode também estabelecer uma interação direta com o nível semântico. Na frase, “<bold id="bold-6ba114eef80b7a8fc734ea09c8b85e69"><italic id="italic-0d6cde09a623eb94191f26921ed6b454">v</italic></bold><bold id="bold-2"><italic id="italic-b2ee0c22c84eb3fd7140744d42ef2da9">ery, very tasty</italic></bold>”,<bold id="bold-3"> </bold>por exemplo, para enfatizar o sabor a F<sub id="subscript-239195fc680b826d63d2b2f858b77ceb">0</sub> é geralmente reduzida. Ao descrever um tempo muito longo, geralmente ocorre o alongamento da segunda palavra “<italic id="italic-880ee54957ece616c519c06b577117be"><bold id="bold-4">long</bold></italic>”<italic id="italic-e8a137c51e2b12cfe01a37dea1c7c958"> </italic>da frase “<italic id="italic-e3726394a5bc425c323b37aac552d673"><bold id="bold-5">a long, long time</bold></italic>”<italic id="italic-b3c640fcaae5ab5127aba0296aebc9ed">.</italic><bold id="bold-6"> </bold>Além disso, segundo Bolinger (1986<xref id="xref-041a35bbb0bc419fc6d9ede818e693b0" ref-type="bibr" rid="book-ref-53121468fc4b3e19bcb62f3aa13ec619">[7]</xref>), os dois casos podem vir acompanhados de uma linguagem corporal como gestos, olhares etc., que reiteram o caráter icônico da entonação. De acordo com o autor, para todas estas situações comunicativas, a partir de três funções fundamentais - formação de acento tonal<xref id="xref-b1fb0587471f956b4af863f5bb7ca85e" ref-type="fn" rid="footnote-04effb72fdde9c4d52273129d3529468">10</xref>, formação de contornos entonacionais e formação de fronteiras prosódicas – pode-se compreender a estrutura de qualquer discurso constituído no decorrer da fala-em-interação. </p>
        <p id="paragraph-3403e49aa7d247681de37bb8cffdef5e">Em dissertação intitulada <italic id="italic-b112d93d9be6fddedfccbdfda22b8b33">As Práticas Discursivas de Marília Gabriela em Entrevistas com Atores Considerados Galãs da Televisão Brasileira</italic> pautei-me nos conceitos apresentados por Hirst e Di Cristo (1998<xref id="xref-f924f22fd7e28cb20bf18e25a01765c8" ref-type="bibr" rid="book-ref-35f54c216ef60f826f20b1f65db2eac6">[6]</xref>), que compreendem a entonação como parte da prosódia e admitem que a entoação é utilizada para sinalizar traços melódicos, considerados pistas prosódicas, utilizadas para sinalizar os nossos propósitos comunicativos ou inferir os propósitos comunicativos de nossos interlocutores e que estes traços podem ser percebidos nas enunciações de todo falante. </p>
        <p id="paragraph-d2e65bd3a43f27a3906ed2ae45053bbb">Nessa pesquisa analisei os aspectos da construção discursiva e os propósitos comunicativos de Marília Gabriela<xref id="xref-8439a55b7e63a81580ed43c67398f4dc" ref-type="fn" rid="footnote-d8df98e326d8ecdbf334a7140fe72578">11</xref> diante de três entrevistados diferentes e mensurei, através do software PRAAT, as variações prosódicas de F<sub id="subscript-60332bccdc4297cec96fad22bc0e2441">0</sub> (frequência fundamental) e duração<xref id="xref-b4507bd1222d4c50d23e7ee0ec0e482b" ref-type="fn" rid="footnote-7098aab818e67ca1952e75d4aa4d4068">12</xref> de alguns trechos destas entrevistas enfatizando a alternância dos turnos e as formas de como o discurso se estruturou no decorrer das interações. </p>
        <p id="paragraph-fa7873d35a3975089d9e02b9fd93a960">Nas três entrevistas observei que houve um aumento de F<sub id="subscript-c0f830d1a3a676d8386508b448b9ae1b">0 </sub>e alguns alongamentos silábicos em vários enunciados. Na entrevista A, por exemplo, ao enunciar “<italic id="italic-b266e0b821186de3ab04a57d6de7d47f"><bold id="bold-7">Eu conheço geminia::nas</bold></italic>”, Marília Gabriela utilizou um alongamento da vogal tônica <bold id="bold-8">a::</bold> que teve uma duração de 0,415s, e uma F<sub id="subscript-bc7e4626e4f2fc3ac205490593e046f6">0 </sub>que chegou a alcançar 199 Hz indicando mudanças de <italic id="italic-0548f76e6ea6785f8845fbf9edca9431">footing </italic>a partir das estruturas de expectativas dos esquemas de conhecimento que ela possuía a respeito de Reynaldo Gianecchini. Na entrevista B, no enunciado <italic id="italic-e1cf87e629a34a407b47b2f03437d631">“<bold id="bold-9">E quando NÃO::?</bold>”</italic> observei que ocorreu uma elevação de F<sub id="subscript-5">0</sub> que inicia com 162 Hz e finalizada com 305 Hz. O advérbio de negação “<bold id="bold-10"><italic id="italic-7efc36e2f46c676b13d28d335d95abe8">NÃO</italic></bold>” mostrou um alongamento silábico que apresentou um valor de 0,445s bem mais longo em relação às outras sílabas produzidas neste enunciado, evidenciando a realização de uma pista de contextualização (inferência) e uma mudança de <italic id="italic-db68e1943bb162fc16f90ff72ce14149">footing </italic>realizada por Marília Gabriela. </p>
        <p id="paragraph-ed9040365936760320075309df55696a">Na entrevista C, ao enunciar: “<bold id="bold-11">(.<italic id="italic-13">h)o que eu tô perguntan::do é</italic></bold>”, observei que a F<sub id="subscript-6">0</sub> inicial do enunciado apresentou-se bastante alta, na faixa de 280 Hz com final de 136 Hz. Notei também um alongamento na palavra “<bold id="bold-12"><italic id="italic-14">perguntan::do</italic></bold>”, de 0,176s em média, bem maior em relação ao alongamento do enunciado anterior – “<bold id="bold-13"><italic id="italic-15">o que eu tô</italic></bold>” – que teve uma duração média de 0,100s e do enunciado posterior - <italic id="italic-16">“<bold id="bold-14">é</bold>”</italic> – que teve uma duração de 0,104s. Estas variações de F<sub id="subscript-7">0</sub> e duração observadas no enunciado “<bold id="bold-15">(.<italic id="italic-17">h)o que eu tô perguntan::do é</italic></bold>” representaram a mudança de <italic id="italic-18">footing</italic> feita pela entrevistadora no momento em que ela especificou o que na verdade ela gostaria de saber. </p>
        <p id="paragraph-94b9cbc7bf55cbf4f8e0f7ce27078490">Nesta pesquisa concluí que os elementos prosódicos de F<sub id="subscript-8">0</sub> e duração observados nos pares adjacentes ocorridos nas três entrevistas podem ser considerados propriedades idiossincráticas que, além de caracterizar o estilo comunicativo da entrevistadora Marília Gabriela, foram utilizadas como estratégias discursivas escolhidas durante a conversação para que se estabelecesse uma correspondência das expectativas dos interlocutores que se preparam para este tipo de encontro social.</p>
        <p id="paragraph-0c60d34851f39f8f784cd401de59a0ea">Barbosa (2013<xref id="xref-aa9ced544f308088c8fd752719e16b99" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a981f5f496855a45a8d8c143bff119d7">[37]</xref>), em dissertação intitulada <italic id="italic-19">Sobreposição de Fala em Diálogos: Um Estudo Fonético-Acústico</italic>, pautando-se nos estudos realizados por Schegloff (1998<xref id="xref-83fd3f4e336a391deddd39219ebf4252" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-c9f641af581feb8e5080ac28159e0855">[17]</xref>), French e Local (1983<xref id="xref-ae35e00987173e5083e9a9657dfd53c8" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-425bda463292bc1f49dbffb8bf27e8ad">[38]</xref>), Jefferson (1989<xref id="xref-4248212bc69ddf2c33d2532afc5a08f1" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-b4d05187bf8f66bc48ed97f0606e6175">[39]</xref>) e Wells e Macfarlane (1998<xref id="xref-4daed6cd7bb9c521dbc8e306df29cb2b" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-5a9bfc402d1ea95d7d1cdad5c9e25075">[40]</xref>) também analisou sintática e semanticamente os correlatos acústicos de duração, F<sub id="subscript-9">0</sub> e entoação de falas naturais que pudessem encontrar um padrão de pistas acústicas e estratégias discursivas que os falantes utilizam durante uma interação dialógica. Nesta pesquisa, ao realizar uma análise fonético-acústica de um corpus composto por três diálogos de falas gravados de maneira semi-espontâneas com seis sujeitos falantes nativos do PB, Barbosa (2013<xref id="xref-06b9bc80f4a1d0b33ac720ef60ae061d" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a981f5f496855a45a8d8c143bff119d7">[37]</xref>) observou que uma sobreposição de fala é definida pela fonética, pelo o foco informacional e pela adequação sintática da língua. Barbosa (2013, p. 103<xref id="xref-5365a5f6c9f634ec1f5a72c3f47d31fe" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-a981f5f496855a45a8d8c143bff119d7">[37]</xref>) concluiu que</p>
        <p id="paragraph-2a155e5141035f0306adb4094440cd5e" />
        <disp-quote id="block-quote-74f86317bc4393802690a09ce99abe23">
          <p id="paragraph-b95976afdd3bfb83c4a99b9dc0a4a1e0">(...) alguns tipos de marcadores de discurso (Mas, então, né) identificam ao interlocutor um momento de LTR juntamente ao aumento da intensidade do parâmetro fonético de Fo e muitas vezes até mesmo do padrão melódico entoado pelo falante, (2) No entanto, não há um padrão que defina o aumento de Fo como um aspecto fonético sistemático para a tomada de turno, visto que houve dados em que isto não aconteceu. Portanto, nos levando a concluir que existe sim uma variação de parâmetros prosódicos durante a sobreposição de fala que impede apontar um único recurso para a solução do conflito nos casos em que há tomada de turno. </p>
        </disp-quote>
        <p id="paragraph-0576836a959686b2f97fe74e15aa049c">É interessante destacar que os resultados das duas dissertações de Mestrado citadas anteriormente concluíram que ocorrem variações de parâmetros prosódicos durante as sobreposições de fala e que recursos discursivos, como pistas de contextualização, <italic id="italic-b5b70afe74dc22c63f7bca7b1d65e5dc">footing</italic>, esquemas e conhecimento e enquadres interativos, são utilizados para a realização de alternância de turnos. </p>
        <p id="paragraph-e16a45fcafbf64c21a6d42308b79f791" />
      </sec>
      <sec id="heading-0daae2309e52123bd95c28c8a3c347c5">
        <title>3. Método</title>
        <p id="paragraph-5ff424f302a8dfb42332abb22739063c">Para este estudo, selecionei dois arquivos<xref id="xref-7b06bcac1b6deafb8b9ac91733f1ce97" ref-type="fn" rid="footnote-3aa00804f3aa7935690666c590e65ece">13</xref> do C-ORAL-BRASIL I classificados como informais, de tipologia conversacional e caráter familiar/privado. O primeiro arquivo, “bfamcv02”, foi gravado com apenas 1 microfone omnidirecional (capta o som de todas as direções), o segundo arquivo, “bfamcv05”, apresenta o áudio de um evento comunicativo em movimento, gravado com 4 microfones monodirecionais. </p>
        <p id="paragraph-4d12450909cf3eb6912050e7918adc77">A partir da segmentação dos enunciados em grupos prosódicos, o segundo passo foi realizar uma análise acústica através do PRAAT, Boersma e Weenink (1992), para observar e mensurar a média de F<sub id="subscript-75790e698b82a2066ad6be641c8a30dc">0 </sub>e a intensidade, utilizando como critério a seleção de uma palavra específica das TCUs que foi projetada potencialmente com acento tonal como mecanismo para a tomada do turno, ou seja, o critério é a oitiva das proeminências prosódicas dentro do enunciado. Saliento que, segundo (SACKS, SCHEGLOFF, JEFFERSON, 2003, p. 15<xref id="xref-bb8c5727bae20511d4cb985369eee2eb" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-81daaf495ce46936319f1690ee78a376">[10]</xref>), “várias ‘unidades de construção de turnos’ são empregadas, por exemplo, os turnos podem ser projetadamente a ‘extensão de uma palavra’ ou podem ter a extensão de uma sentença (cf. § 4.13).”. Os aspectos prosódicos foram embasados principalmente nas pesquisas desenvolvidas por Bolinger (1986<xref id="xref-8c07d2be70610973b5d35254a712368b" ref-type="bibr" rid="book-ref-53121468fc4b3e19bcb62f3aa13ec619">[7]</xref>), Robert D. Ladd (1996<xref id="xref-913910baf49933f5ab154a2afc8a8e47" ref-type="bibr" rid="book-ref-1152dc053d1aebc4b1a761c13251351e">[9]</xref>) e Gumperz (1988) quando me refiro às funções discursivas e atitudinais da entonação. </p>
        <p id="paragraph-d2f1f226b43b5c9a9f11262872bf608d">Quando foram atendidas todas as condições descritas, associei os princípios sociointeracionais aos aspectos discursivos e atitudinais da entonação para observar a construção enunciativa realizada pelos participantes destas diferentes situações comunicativas, considerando o comportamento dos interactantes a partir dos seguintes aspectos : (i) realização das alternâncias de turno, (ii) as medidas dos parâmetros acústicos de F<sub id="subscript-a26d6ab58c35561224f095e458e061ba">0 </sub>e intensidade<sub id="subscript-168e7b261bcfefecc3ab9dd519fe3a3b">, </sub>(iii) as TCUs e o TRP das falas em interação, (iv) os papéis sociais e interacionais realizados pelos participantes dos dois eventos comunicativos. </p>
        <p id="paragraph-e9627108e254cb1c3e633c7ab34b8e26" />
      </sec>
      <sec id="heading-183df519c2aa76e2d6f415a7b6d11089">
        <title>4. As análises</title>
        <p id="paragraph-3109b842a097e50e35b1ecca7aafd008" />
        <sec id="heading-1f722540a79dd3e5c5d5909d397084df">
          <title>4.1 Arquivo de áudio “bfamcv02” – Formato: rtf – Microfone: omnidirecional não oculto Metadados: C-ORAL-BRASIL I – Duração: 07min51s de uma conversa informal, de caráter familiar/privado. </title>
          <p id="paragraph-ae18bb353c43f1c196ba8cc63daf679e" />
          <p id="paragraph-22ece3a2182a79f22c9f18446d83db67">O arquivo “bfamcv02” é um tipo de evento social de bate-papo informal. Este arquivo apresenta uma comunicação face a face entre três irmãs localizadas na mesma unidade de espaço e tempo com percepção e interação multimodal recíproca direta. São elas: (RUT) Ruth, professora aposentada e residente da cidade de Belo Horizonte/MG, (TER) Terezinha, dona de casa, residente da cidade de Belo Horizonte/MG, (JAE), Jael, professora aposentada e mora também em Belo Horizonte/MG. A conversa foi realizada no dia 03 de julho de 2008, no lanche da tarde, na sala de jantar da casa de uma das participantes, e tratava de questões relacionadas ao casamento da filha de (TER). </p>
          <p id="paragraph-b57db5762cefa19f007810ab102ab38f">O Trecho (1) escolhido para as análises teve início aos 64s e final aos 85s. Este trecho foi transcrito no C-ORAL-BRASIL I em formato Childes-Clan, Macwhinney (2000) e posteriormente implementado para a anotação prosódica, Moneglia e Cresti (1997). Os enunciados foram segmentados em unidades tonais. </p>
          <p id="paragraph-3eb75485ed3a00957e4ac484d8df207a">Vamos observar neste trecho o comportamento interacional de (RUT), uma das três interactantes. </p>
          <p id="paragraph-ff6e494dba9f0fea8a4674324071b261" />
          <p id="paragraph-9da7d7bf79b13c1a35974ac192077ce0">
            <bold id="bold-66469fc8cf77bf82019715269b4da67c">Trecho (1)</bold>
          </p>
          <p id="paragraph-2d102bf72188b484d068acfe66b89c51">*<bold id="bold-ca28c087106af5b3d342ee382344f66e">RUT: [66] se bem que ea tem o Anderson / né //$</bold></p>
          <p id="paragraph-f0f1c93742b29bc964eec2e400385338">
            <bold id="bold-74aba87176f4cf1d7f963bf6f40f2725">*RUT: [67] e a [/2] e o meninim / né //$</bold>
          </p>
          <p id="paragraph-011e603c55f2077dfa7fbf7443eeecb3">*TER: [68] é //$</p>
          <p id="paragraph-6685cd95a765af5b234af2443f668867">*RUT: [69] e o xxx //$</p>
          <p id="paragraph-34c3339af24359e251dfcaf475e36c51">*TER: [70] conta ocê / Rute //$</p>
          <p id="paragraph-f5d9a229905afd0cff0bc5670ebea274">*TER: [71] mas ea tem quarenta-e tantos //$</p>
          <p id="paragraph-38f9dd078105ff5082cbb30d5bf3dd6e">*TER: [72] sei o tanto não //$</p>
          <p id="paragraph-364be7b846974a2f07eb7e84e2db2d85">*RUT: <bold id="bold-45d0a573000e35e00d2642d9ae977df4">[73] &lt;pelo&gt; amor de Deus //$</bold></p>
          <p id="paragraph-24acfae6bc06c1249494806b7710a17c">*TER: [74] &lt;hein&gt; //$</p>
          <p id="paragraph-4eeef7a259b89a0e4a92c6266ffc41d8"> *RUT: <bold id="bold-86f1a4d23212d1d11906f76d8d7ae6b0">[75] n</bold><bold id="bold-a3ff80527a94718250fba223d2c26337">ũ</bold><bold id="bold-91166f6c28368aa70c11da09bf743298"> me convida pa ser Epa [/1] madrinha não / hein//$</bold></p>
          <p id="paragraph-a4404ed7908ff0a9e35948666f1815ec">*TER: [76] &lt;não&gt; //$</p>
          <p id="paragraph-19" />
          <p id="paragraph-20">Na Figura 1 podemos observar que no início do trecho, linhas 66 e 67 as TCUs &lt;<bold id="bold-359c59cb78dd9394b67f68f94de30891">se bem que ea tem o Anderson / né //$</bold>, <bold id="bold-93b3d01ce64f832fcee4968ab9c9bdf5">a [/2] e o meninim / né //$ </bold>&gt;<bold id="bold-cb483006a7fee1bdf1ffbb9104da970c"> </bold>foram construídas a partir de um movimento ascendente na região pré-nuclear do contorno entonacional característico de sentenças declarativas que, de acordo Bolinger (1984<xref id="xref-b2bc4463b3e9eae024dd713e9437af37" ref-type="bibr" rid="book-ref-53121468fc4b3e19bcb62f3aa13ec619">[7]</xref>), são marcadas por este movimento de F<sub id="subscript-8490d2291e3252d7ed399f3924571b4c">0 </sub>e por um movimento entonacional descendente no final da sentença. </p>
          <fig id="figure-panel-9153ba1e4959ac93afd1b9643517289e">
            <label>Figure 1</label>
            <caption>
              <title>FIGURA 1 – Onda sonora e curva de F<sub id="subscript-b2a092d688bec19b9fbab6baa4552cc0">0</sub> e intensidade das TCUs das linhas 66, 67 do trecho (1) do Arquivo “bfamcv02” do C-ORAL-BRASIL I .</title>
              <p id="paragraph-3a8991fefb895b205fdd4fd82e8dccb5">Fonte: elaborado pela autora</p>
            </caption>
            <graphic id="graphic-daf596f248e052a13d91d996b84c867d" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="Figura 1.png" />
          </fig>
          <p id="paragraph-f9cd1da7f0dc1f00a8354ff8c4fd7b75">Pelo espectograma mostrado na Figura 2 pode-se perceber que o momento propício da alternância de turno, ou seja, o TRP, ocorreu na fronteira entre a TCU final de (TER), linha 72, e início da TCU de (RUT), linha 73, ao enunciar <bold id="bold-05e78aa8e775eeb45ff6a37a987ee99b">&lt;pelo&gt; amor de Deus&gt;</bold>. </p>
          <fig id="figure-panel-af8d89cfe465c1cbfef250ecf19db4e8">
            <label>Figure 2</label>
            <caption>
              <title>FIGURA 2 – Onda sonora, espectrograma e curva de F<sub id="subscript-8e35bf1159c3e3a833d4e134217b8b06">0</sub> e intensidade da TCUs da linha 72, 73 e 74 do Trecho (1) do Arquivo “bfamcv02” do C-ORAL-BRASIL I .</title>
              <p id="paragraph-1a9fcb979afeb70fa32fa817b80c2463">Fonte: elaborado pela autora</p>
            </caption>
            <graphic id="graphic-ee57897f11f25f8383cd67e41c815be1" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="Figura 2.png" />
          </fig>
          <p id="paragraph-70f503c32fac108b9df5ca7e3d702ea5"><bold id="bold-a44d8cdb535fb9c5fd796257b8d45f47"/><bold id="bold-7cd3f9cc2e7d1118d4c451c2342da445"/>A Figura 3 mostra que a o enunciado de (RUT) &lt;<bold id="bold-b87baf6918223733fbe29d26d7f059fa">pelo amor de Deus //$</bold>&gt;, linha 73,<bold id="bold-244a9631b639f01a15df8cba01ee2d4c"> </bold>marca a fronteira prosódica e o TRP. Além disso, pode-se afirmar que a sílaba tônica da palavra &lt;<bold id="bold-d262651851d9067c23a577396722fdb8">pelo</bold>&gt;<bold id="bold-abf60dd725670cb573abbbf454afa211"> </bold>foi enunciada com maior proeminência, ou seja, houve um aumento de F<sub id="subscript-4e7fd49304dce5e8d965268f540ceff7">0</sub> chegando a uma F<sub id="subscript-fb2c644924209efeb27abd9c2c072543">0 </sub>de 379,9 Hz e uma intensidade de 76,24 dB. Já a postônica “<bold id="bold-ec9d24ec5f57720ca46674f9a8883009">lo</bold>” da palavra &lt;<bold id="bold-342662bd926181de5a4c0ba6a90277ec">pelo</bold>&gt;<bold id="bold-0f144219b2cc37e4bd757237ebea8f20"> </bold>teve a vogal<bold id="bold-e92fef9c6e146bc763a263b439c0e572"> </bold>final apagada, ou seja, a vogal inicial da palavra ‘amor’ foi transferida para a postônica da palavra anterior. Este fenômeno chama-se sândi vocálico, que, segundo Cagliary (2015, p.2<xref id="xref-044a1b8042437004631b3154592dd9aa" ref-type="bibr" rid="book-ref-2313404b33082c4883bdca3888d3c993">[41]</xref>), “consiste em transformação de estruturas silábicas, neste contexto, causadas, em geral, pela queda de vogais ou pela formação de ditongos ou mesmo pela ocorrência peculiar de certos sons”. </p>
          <fig id="figure-panel-60e79f047f3486d5ba5c9ced8fbd9b4f">
            <label>Figure 3</label>
            <caption>
              <title>FIGURA 3 – Onda sonora, espectograma e curva de F<sub id="subscript-a5ac79a5b6c87373790a5d965475924d">0</sub> e intensidade da TCU da linha 73 do Trecho (1) do Arquivo “bfamcv02” do C-ORAL-BRASIL I .</title>
              <p id="paragraph-f14d42ba8c6301a590a3ac4dd00241fd">Fonte: elaborado pela autora</p>
            </caption>
            <graphic id="graphic-ca7f0d985d10c5e0941e9f379d8b0d29" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="Figura 3.png" />
          </fig>
          <p id="paragraph-21c5a9bca799d5b42671860716ddd604">Hallyday (1967<xref id="xref-818bd25b4caead3685d56d8e45d84a61" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-d45e02724c6e7326018d8d1fc509591c">[8]</xref>) chamou de foco informacional<xref id="xref-1d59fec4acaa93c2097f33e7a753f2e3" ref-type="fn" rid="footnote-daf2c23af855535da196eeb13728518f">14</xref> uma ou mais TCUs que recebem uma maior proeminência<xref id="xref-f5b37f66eae260931633cde294e80fe5" ref-type="fn" rid="footnote-7dede0a66f81452f6ef694882163b770">15</xref> na palavra, na sílaba ou na sentença podendo trazer uma informação ainda não compartilhada e trazer algo novo ao contexto interacional. Corroborando, Leite (2009, p.36<xref id="xref-d9cdbb40dd9be8f62d7821474dac1b2f" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-1b39864a932830210ad9f17c3c92bc8d">[42]</xref>) afirma que “o foco informacional, por sua vez, relaciona-se, da mesma forma, à estrutura e diz respeito à parte da sentença que constitui informação nova, geralmente captada por uma pergunta ou pelo contexto informacional prévios”. </p>
          <p id="paragraph-a39158f5d2290deeaddebfdf7c383331">Nas Figuras 4, 5 e 6 o PRAAT mostra que na linha 75 a TCU &lt;<bold id="bold-b3269d85e81ce9e52a39ab0dc22ccbb7">n</bold><bold id="bold-e67de3299f92c7de0b8f085fb80813a6">ũ me convida pa ser Epa [/1] madrinha não / hein //$</bold>&gt;<bold id="bold-cf038e15511de0a8f5736863f752e56e"> </bold>também foi construída a partir de um movimento ascendente na região pré-nuclear do contorno entonacional que caracteriza sentenças declarativas marcadas por movimento entonacional descendente no final da sentença, Bolinger (1984). Este enunciado apresenta um foco informacional que, no caso, seria a recusa de (RUT) em ser madrinha do casamento da filha de (TER) e, para enfatizar a recusa, (RUT) utilizou um contorno entonacional marcado por um movimento de F<sub id="subscript-4e46287b75429bade37cb13feca42f64">0</sub> na sílaba tônica da palavra “<bold id="bold-40777804657e19fcc2617399069c578d">convida</bold>”,<bold id="bold-16"> </bold>imprimindo uma F<sub id="subscript-c7d6680e0133880df5f0df978d0ca5d5">0 </sub>de 323,3 Hz e uma intensidade de 64,78 dB. Observa-se que apenas a F<sub id="subscript-f7dcb379dcd0739945e56f99cf9e53f1">0</sub> da tônica foi superior à da sílaba pretônica ‘<bold id="bold-17">con’ </bold>que teve uma F<sub id="subscript-4c8a7913d97dde3e1d37864443061d3b">0 </sub>de 276,9 Hz e uma intensidade menor de 68,33 dB. A postônica atingiu uma F<sub id="subscript-10">0</sub> de 379,7 Hz e uma intensidade de 59,39 dB. </p>
          <fig id="figure-panel-5fd8c5f37215cdc2a562eeb955a98b72">
            <label>Figure 4</label>
            <caption>
              <title>FIGURA 4 – Onda sonora e curva de F<sub id="subscript-11">0</sub> e intensidade da sílaba ‘<bold id="bold-18">vi’ da palavra ‘convida</bold>’ da TCU da linha 75 do Trecho (1) do Arquivo “bfamcv02” do C-ORAL-BRASIL I .</title>
              <p id="paragraph-08d15ffca196f823c7549ab4929aa543">Fonte: elaborado pela autora</p>
            </caption>
            <graphic id="graphic-6f2e534afd5a0d6908601c21732d64a9" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="Figura 4.png" />
          </fig>
          <fig id="figure-panel-012ff1fb9fc55f1b2b07d4f24879dfd9">
            <label>Figure 5</label>
            <caption>
              <title>FIGURA 5 – Onda sonora e curva de F<sub id="subscript-12">0 </sub>e intensidade da pretônica ‘<bold id="bold-19">con’ da palavra ‘convida</bold>’ da TCU da linha 75 do Trecho (1) do Arquivo “bfamcv02” do C-ORAL-BRASIL I .</title>
              <p id="paragraph-55d4e2efaede3f3be944f8fee009c28c">Fonte: elaborado pela autora</p>
            </caption>
            <graphic id="graphic-7732f9aff52289d506528cc1ed879530" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="Figura 5.png" />
          </fig>
          <fig id="figure-panel-a14016a93464d8dba1579e09b650b255">
            <label>Figure 6</label>
            <caption>
              <title>FIGURA 6 – Onda sonora e curva de F<sub id="subscript-13">0</sub> e intensidade da postônica ‘<bold id="bold-20">da’ da palavra ‘convida</bold>’ da TCU da linha 75 do Trecho (1) do Arquivo “bfamcv02” do C-ORAL-BRASIL I .</title>
              <p id="paragraph-3e0629b75f04570496690c1096baa32e">Fonte: elaborado pela autora</p>
            </caption>
            <graphic id="graphic-83bbc5188352962951760e98c6fbcc6f" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="Figura 6.png" />
          </fig>
          <p id="paragraph-39b8ab198145e92b65bce93efed6f787">Considerando o parentesco das interactantes, na TCU produzida por (RUT) na linha 75, &lt;<bold id="bold-21">n</bold><bold id="bold-22">ũ me convida pa ser Epa [/1] madrinha não / hein //$</bold>&gt;,<bold id="bold-23"> </bold>percebe-se uma inferência realizada por ela ao se recusar a ser madrinha de casamento da filha de (TER). Essa inferência pode confirmar a relação existente entre os enquadres interativos e esquemas de conhecimento que (RUT) possui a respeito da sua irmã (TER) e a respeito do casamento da sua sobrinha. </p>
          <p id="paragraph-946b02fb289b59c5d49aadd18c472cd4">A partir do áudio e das análises realizadas no PRAAT, observa-se também que ao enunciar <bold id="bold-24">&lt;pelo amor de Deus</bold>, <bold id="bold-25">n</bold><bold id="bold-26">ũ me convida pa ser Epa [/1] madrinha não / hein //$</bold>&gt;, (RUT) determinou seu posicionamento, sua postura e, ao mesmo tempo, negociou esse alinhamento para esclarecer que não aceitaria um possível convite para ser madrinha de casamento, realizando uma mudança de <italic id="italic-8d8053fb1a094925f76e4dbb16b41bce">footing</italic>, termo usado por Goffman (1979), para demonstrar como as relações interpessoais são engendradas em eventos de fala-em-interação. </p>
          <p id="paragraph-21">Salientamos que as estruturas inesperadas na melodia dos enunciados de (RUT) são propriedades idiossincráticas que foram por ela utilizadas para reforçar sua recusa em ser madrinha de casamento da filha de (TER). Além disso, o comportamento linguístico de (RUT) pode ser explicado também a partir de uma observação realizada por Hirst e Di Cristo (1998<xref id="xref-c5d4aeef6bffb5039dbc92af0b31e975" ref-type="bibr" rid="book-ref-35f54c216ef60f826f20b1f65db2eac6">[6]</xref>), que admitem que a prosódia possui traços melódicos, considerados pistas acústicas utilizadas para sinalizar os nossos propósitos comunicativos ou inferir os propósitos comunicativos de nossos interlocutores. Além disso, Couper-Kuhlen e Selting (2018, p.36<xref id="xref-e92bc02590c3b206097062d9d18ef716" ref-type="bibr" rid="book-ref-fce42ff75ed12ef03b175ebd514d3f1b">[13]</xref>) afirmam que “b<italic id="italic-33a297d547739b1fa4012370e30920d3">ut even syntax and intonation, or prosody and phonetics more generally, do not suffice to fully capture all the relevant ingredients of a TCU</italic>”, ou seja, ações e sequências também são complementadas e tornadas interpretáveis pelo sistemático uso de recursos linguísticos incorporados a uma grande variedade de práticas linguísticas multimodais simultâneas como volume de voz, gestos, olhar, reparo, sequenciação etc. Vale salientar que os recursos visuais estão fora do escopo deste trabalho.</p>
          <p id="paragraph-6615ea6129a938ecf907bb9e5f23b385" />
        </sec>
        <sec id="heading-24b765f697fd7c68a4f04371194c8cb2">
          <title>4.2 Arquivo de áudio “bfamcv05” – Formato: rtf – Microfone: quatro microfones de encaixe não ocultos – Metadados: C-ORAL-BRASIL I – Duração: 10min32s de uma conversa informal, de caráter familiar/privado. </title>
          <p id="paragraph-3712af078a8ef5168ed639c4bf92c348" />
          <p id="paragraph-0ecac967edd0c263a6408e4f409dad9c">São seis os participantes deste evento comunicativo: (CAR) Carlos, professor, da cidade de Inhapim / MG e trabalha como administrador regional de partidos políticos, ele mora em Betim / MG há vinte anos, (CEL) Celsinho, lojista, da cidade de Passatempo / MG, mora em Betim MG há dezessete anos, (JOS), José, piloto e mora em Juiz de Fora / MG, (MAR), Marcelo, oficial do programa “Bolsa Família”, da cidade de Betim / MG, além de dois intervenientes, um desconhecido e (REN) Renata, professora de português e pós-graduanda, que mora na cidade de Betim/MG. </p>
          <p id="paragraph-667a262e4308dcf049c4686ab5b21c01">O evento sociocomunicativo que vamos analisar retrata uma partida de futebol.<xref id="xref-b4635e44859922f248b73c2efd1d98f5" ref-type="fn" rid="footnote-3ea4fee0bfc385249d01649217c40d71">16</xref> As variedades sociolinguísticas podem ser conferidas a partir desses dados sintópico, sintrático, sinfásico, Coseriu (1980<xref id="xref-61b44fdf1b28e70a5f07bcb99d52fa8a" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-de9bc6a02520e7337d5db979eb4f712c">[16]</xref>) indicados para este tipo de desporto, uma vez que esta modalidade esportiva é realizada há muito tempo nas mais variadas regiões do planeta e pelos mais variados tipos de participantes. Partidas de futebol podem ser consideradas uma atividade sociointeracional que, muitas vezes, utiliza a língua falada para orientar os jogadores, mas que também pode ser exercida por pessoas que possuem deficiência auditiva. </p>
          <p id="paragraph-f2fbfec70151142272425cdced4ba536">De acordo com Mello (2014, p. 46), “a relação com o contexto situacional é fortemente influenciada pela presença ou ausência de movimento que, por sua vez, condiciona, em grande medida, a estruturação da fala”. Neste sentido, o arquivo “bfamcv05” foi escolhido porque apresenta o áudio de uma situação comunicativa gravada em movimento. Trata-se de uma partida de futebol de várzea formada por quatro jogadores que ocorreu no dia 11 de agosto de 2009. Os times foram formados por 4 jogadores: José (JOS) e Carlos (CAR) X Marcelo (MAR) e Celso (CEL). </p>
          <p id="paragraph-9cfc97f6fa9e5ad8cdb66a5c87609610">Salientamos que o arquivo “bfamcv05” foi gravado com 4 microfones monodirecionais e o software Winpitch, Martin (2005), evidencia os marcadores conversacionais suprassegmentais dos quatro jogadores. </p>
          <p id="paragraph-bedfe9bdca7aa68993314ca21e13bff2">O Trecho (2) que se segue foi escolhido para as análises e tem início aos 152s e final aos 166s. Para este artigo, analisaremos apenas os marcadores utilizados nas falas de (JOS) e (MAR).</p>
          <p id="paragraph-bbe0d6075f758215090c2d8a0ace891f">
            <bold id="bold-29a352b8f295e645f184dddad8ab078b">Trecho (2) </bold>
          </p>
          <p id="paragraph-a71aeaad96520afaaa61be8ed1933ac7">*MAR: [121] bateu fora / uai //$ </p>
          <p id="paragraph-2b08aaeb06ed036ff1278e4c925d697a">*MAR: [122] não //$ </p>
          <p id="paragraph-26997e3f2e9e307516a18238e950295d">*CEL: [123] não //$ </p>
          <p id="paragraph-5c2c094cba680e645a2b6f71770c75c9">*JOS: [124] uai / saiu //$ </p>
          <p id="paragraph-582d6c57704a866e14e68f0cdf977a8c">*<bold id="bold-64ee5f7134e331ea2dfe9e19ceba0b89">MAR: [125] <ext-link id="external-link-1">ai bosta //$</ext-link></bold> </p>
          <p id="paragraph-cc2895f94bffac2fdb760fa7e90ba63a">
            <bold id="bold-20a81e3aacc2200a289bac853aae34ac">*MAR: [126] ocê quebra meu +$</bold>
          </p>
          <p id="paragraph-ca917444ace54f130450f2c76e97a128">*<bold id="bold-c5f5214972d369301aac3f4b98500cb9">MAR: [127] &lt;Nossa Senhora / cê quebrou minha&gt; [/1] meu +$</bold> </p>
          <p id="paragraph-0728fea6540b32c898f2893a7014972c">
            <bold id="bold-a94646b44381fc3e9165576fc684f031">*JOS: [128] &lt;quê&gt; //$</bold>
          </p>
          <p id="paragraph-90392288489b9abebbf57e3614185312">
            <bold id="bold-b84bfa87c31bb444ec5428e943d8bbe6">*JOS: [129] &lt;nem encostei&gt; n' ocê / varão //$</bold>
          </p>
          <p id="paragraph-19cdc832308597010462c5115d8fbb5a">
            <bold id="bold-bc71f0fff2139a1ffa1cc39b8448be40">*MAR: [130] Nosso Pai //$</bold>
          </p>
          <p id="paragraph-f47038e44a78e0103e1a149ec3c7ea01">*CAR: [131] ô varão / desculpa //$ </p>
          <p id="paragraph-7c440b1bb5f542e25ba9a99919ff788d">*MAR: [132] &lt;ai&gt; //$</p>
          <p id="paragraph-4d53fb7c6fbe2c82ddae0008fc2720dd"> *JOS: [133] &lt;tá valendo&gt; / sô //$ </p>
          <p id="paragraph-779abf0f080ec97e2a4fc933f0fbbb27">*MAR: [134] volta //$ </p>
          <p id="paragraph-f5ebd4ca8888e0ea8035cd573b11a680" />
          <p id="paragraph-71ca92f9a45a9b6564af1f0686ccf9ba">As TCUs selecionadas para as análises revelam trocas de turno realizadas através de pares adjacentes que mostram mudanças de <italic id="italic-da2e18d44f8d9a3d2b3f57e64549048e">footing </italic>marcadas por contornos entonacionais ascendentes evidenciados em falas sobrepostas quando um dos jogadores se contunde. Verifica-se que, apesar de várias contusões e interrupções, os jogadores sempre voltam ao mesmo “enquadre” dando continuidade à partida de futebol e marcando, inclusive, vários gols. </p>
          <p id="paragraph-19dbd44e93bbee0af1ed661f6a5e7d6a">O Trecho (2) mostra que ao longo da partida de futebol (MAR) e (CEL) estavam disputando a bola com (JOS) e (CAR). Observa-se que, numa jogada dividida, o jogador (JOS) atingiu acidentalmente o jogador do time adversário (MAR), que expressou uma forte dor ao enunciar nas linhas 125 e 126 &lt;<bold id="bold-9989eaee8d8dba93b5be4668f1c84c8c">ai bosta //$</bold>, <bold id="bold-6f9457354e2ec884a1220b09a59875b2">ocê quebra meu +$</bold>&gt;. Neste cenário pode-se afirmar que foi exatamente esta contusão que determinou a mudança de <italic id="italic-e1222a3d319ce353c2988a55bf6249f6">footing</italic> de (MAR), pois, até então, seu posicionamento era de um jogador que estava disputando uma bola dividida. Bolinger (1986<xref id="xref-abb5d065ef3fae32a7bacea394501d18" ref-type="bibr" rid="book-ref-53121468fc4b3e19bcb62f3aa13ec619">[7]</xref>) assim como Robert D. Ladd (1996<xref id="xref-25eb6bb930f1ea55e1c2f494418a73cd" ref-type="bibr" rid="book-ref-1152dc053d1aebc4b1a761c13251351e">[9]</xref>), destacam o caráter icônico da entonação priorizando algumas funções como a função expressiva (atitudes e emoções), entre outras, que pode se manifestar através da expressão facial ou da linguagem corporal. Além disso, Bolinger (1986<xref id="xref-db2f853408512086a2a1e0ae60e4f9df" ref-type="bibr" rid="book-ref-53121468fc4b3e19bcb62f3aa13ec619">[7]</xref>) ainda afirma que quando uma sílaba, uma palavra ou uma sentença carrega um grau maior de emotividade ocorre um aumento de<italic id="italic-925578b276eb8fc10b58ca7fa15e5e6e"> </italic>F<sub id="subscript-d3bdd97be21a9dbdad7492fe45a44185">0</sub> que geralmente caracteriza palavras ou expressões utilizadas para manifestar fortes emoções como raiva, dor, surpresa ou incredulidade. O espectograma apresentado na Figura 7 mostra o aumento de<italic id="italic-eb9ef3ba0171905daf3d7abce9a2d7a8"> </italic>F<sub id="subscript-a5d1cce9a9d67c45adf00845d39074d6">0</sub> na sentença &lt;<bold id="bold-7b107509f238338a3037b712993a49ce">ai bosta //$</bold>&gt;<bold id="bold-0825f34def7e0bb70866ccb9a4df31d4"> </bold>que chegou a alcançar uma F<sub id="subscript-c4ee1d6a5af52d59daf453a68c7bc1cb">0 </sub>de 270,8 Hz e uma intensidade de 76,52 dB. </p>
          <fig id="figure-panel-a8cf7b570795a6de41fa0bf5a7f32073">
            <label>Figure 7</label>
            <caption>
              <title>FIGURA 7 – Onda sonora, espectograma e curva de F<sub id="subscript-3c458cdbcdcfac006a762f832c2b2eec">0</sub> e intensidade da TCU das linhas 125 e 126 do Trecho (2) do Arquivo “bfamcv05” do C-ORAL-BRASIL I .</title>
              <p id="paragraph-30bb83b408caf16161216fd8da6c142d">Fonte: elaborado pela autora</p>
            </caption>
            <graphic id="graphic-8f1836a672e2c132bd29b1097e6beaf2" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="FIgura 7.png" />
          </fig>
          <p id="paragraph-e99d7fed70b066c17739035c459d7797">Nas linhas 127, 128 e 129 observa-se falas sobrepostas que traduzem as regras que fornecem uma ordem para aplicabilidade das técnicas de alocação de turnos. São elas: (3) Ocorrências de mais de um falante por vez são comuns, mas breves, (6) o tamanho dos turnos não é fixo, mas variável, (7) a extensão da conversa não é previamente especificada e (8) o que cada um diz não é previamente especificado (SACKS; SCHEGLOFF; JEFFERSON, 2003<xref id="xref-4bb8ec4c3a81a38d7c25e0816ddb6596" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-81daaf495ce46936319f1690ee78a376">[10]</xref>). </p>
          <p id="paragraph-020223adb734520e5190dc79b19e7116">A Figura 8 mostra as curvas entonacionais das sobreposições realizadas pelos interactantes quando (MAR) enuncia &lt;<bold id="bold-4e97bc3720bd917140212900b0b97cfd">Nossa Senhora / cê quebrou minha&gt; [/1] meu +$</bold>&gt;<bold id="bold-9c226eabcb0223cdd0dd846a2b9c3ac1"> </bold>no mesmo instante em que (JOS), até então, evolvido com a jogada, enuncia &lt;<bold id="bold-847db39c6bd2d1ce41e61c607c741a58">quê //$</bold>, <bold id="bold-df831126ddbc6785b52f907b4ed0c219">nem encostei&gt; n' ocê / varão //$</bold>&gt;.</p>
          <fig id="figure-panel-a70d8a2e97308520a7791d781d76d1c8">
            <label>Figure 8</label>
            <caption>
              <title>FIGURA 8 – Onda sonora, espectograma e curva de F<sub id="subscript-d8c88b5e7e23f67e22208e3aff59a445">0</sub> e intensidade da TCU das linhas 127 e 128 e 129 do Trecho (2) do Arquivo “bfamcv05” do C-ORAL-BRASIL I .</title>
              <p id="paragraph-c33c61ec62ba236a88a6a75221555923">Fonte: elaborado pela autora</p>
            </caption>
            <graphic id="graphic-0794a3d1953bc3d73574e47fd64f5f5a" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="Figura 8.png" />
          </fig>
          <p id="paragraph-8deffe0984625e43b06b0ed7ee00db20">No Trecho (2) nota-se, também, que (JOS), até então, evolvido com a jogada, alterou o contorno entonacional nos enunciados das linhas 128 e 129, <bold id="bold-626e0d7683c5df52f004ac9ee1d8dcdb">&lt;quê&gt;</bold>,<bold id="bold-ab143f29221e2ecee95062de05bd90c7"> &lt;nem encostei&gt; n' ocê / varão //$</bold>&gt;<bold id="bold-f38680e0ec671c61a37edba96e50357d"> </bold>para sobrepor a fala de (MAR), manifestando uma surpresa por não acreditar que havia contundido seu adversário. De acordo com Schegloff <italic id="italic-e6f445ec33c0316a68901e35e7eec412">et al. </italic>(2003, p. 43), a expressão “quê” (<italic id="italic-0e78f79fbd3af52a7b4f293a53dbf66a">what</italic>) pode ser considerada “o começo de uma construção sentencial ou clausal ou sintagmática feita não através da sintaxe, mas da entonação”. Neste cenário, a Figura 9 mostra que a expressão &lt;<bold id="bold-f680d0f2bbfe6e37c581680db788f3bb">quê //$</bold>&gt;, que chegou a alcançar uma F<sub id="subscript-c52b3b7617258f7df7f67edc4062d2eb">0</sub> de 273,3 Hz e uma intensidade de 76,76 dB, é uma fronteira prosódica que, além de também marcar o aumento de F<sub id="subscript-1c2674afaf1ae2eaa956141464d809f7">0</sub> e o TRP, revela uma mudança de <italic id="italic-e1549ad9e090976b0332ecd2af69af57">footing </italic>realizada a partir de uma estrutura de expectativa que envolve um enquadre interativo e um esquema de conhecimento manifestado por (JOS) na tentativa de responder à pergunta: “o que está acontecendo aqui e agora?”. </p>
          <fig id="figure-panel-1991e7709cbf79456be88ef383e19c5a">
            <label>Figure 9</label>
            <caption>
              <title>FIGURA 9 – Onda sonora, espectograma e curva de F<sub id="subscript-8b0124ab950700cb3d21afa958a41057">0</sub> e intensidade da TCU das linhas 128 e 129 do Trecho (2) do Arquivo “bfamcv05” do C-ORAL-BRASIL I .</title>
              <p id="paragraph-b250be077d2ae77cbee702bb09c36de8">Fonte: elaborado pela autora</p>
            </caption>
            <graphic id="graphic-f0b28cb67332c0fe706583e57125a71b" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="Figura 9.png" />
          </fig>
          <p id="paragraph-a0407603a2cd3b58bcf886fda3539bd6">Assim como a TCU observada na linha 75 do Trecho (1) do arquivo “bfamcv02”, quando (RUT) enunciou &lt;<bold id="bold-3778f922948660132bebab14b96f7a56">n</bold><bold id="bold-3bd2f42fcfbb8aacd4c014b3106cd412">ũ me convida pa ser Epa [/1] madrinha não / hein //$</bold>&gt;, a TCU da linha 129 <bold id="bold-ed56e92670ff37748756470e2c0fdbe9">&lt;nem encostei&gt; n' ocê / varão //$</bold>&gt;<bold id="bold-ceb09652f79f0db5be3c878f61764f07"> </bold>também foi construída a partir de um movimento ascendente na região pré-nuclear do contorno entonacional característico de sentenças declarativas marcadas por movimento entonacional descendente na região pré-nuclear do contorno melódico, Bolinger (1984). </p>
          <p id="paragraph-878570d070878a1ff1329b338ac97ba4">Podemos afirmar que as TCUs construídas nas linhas 128 e 129 apresentaram uma sequencialidade defendida pela regra (13) “várias unidades de construção de turno são empregadas para a produção da fala que ocupa um turno” (SCHEGLOFF <italic id="italic-56d9d4e7f42bec3c6d331b226a6f5fbb">et al, </italic>2003, p. 40). Essa sequencialidade é um recurso analítico da AC que, segundo Couper-Kuhlen e Selting (2018, p. 328<xref id="xref-cce49885070729fec2ade9ef5ad79835" ref-type="bibr" rid="book-ref-fce42ff75ed12ef03b175ebd514d3f1b">[13]</xref>) “<italic id="italic-ad561b60eec2298a5431d616a3c9d2f7">they are typically organized around a base adjacency pair, the one whose actions underlie the sequence as a whole</italic>”. </p>
          <p id="paragraph-05df0a2b88ae2ef3db0456440e658ae4">As análises foram realizadas a partir de aspectos sociointeracionais e suprassegmentais e os resultados apontaram que o TRP verificado nas TCUs elaboradas nas duas situações comunicativas escolhidas para este artigo provoca mudanças de <italic id="italic-03b679665ff8616a7c38c7581f83dd15">footing</italic>.</p>
          <p id="paragraph-4b828076bbddf3d5a56dc281c568af0e" />
        </sec>
      </sec>
      <sec id="heading-f399a29b5773bf9602d94f43584202bd">
        <title>5. Conclusão </title>
        <p id="paragraph-e2340ac2465333370a90b5ac6e88db89">Destaco que os fragmentos analisados mostraram a estreita relação existente entre a AC e a LI e a SI, uma vez que, ilustraram justamente as ações e as sequências que foram complementadas e tornadas interpretáveis pelo sistemático uso de recursos linguísticos, além de explicitar a “simultaneidade de falas” (MARCUSCHI, 2003, p. 23<xref id="xref-d9ed9b83b3a9dbcddc6c0f95092ff561" ref-type="bibr" rid="book-ref-6b16dd8790675e2e44066a6ecdfd7947">[2]</xref>), e obedecer à algumas técnicas de alocação de turno apresentadas por Sacks, Schegloff e Jefferson (2003<xref id="xref-160076ceb99911b37e2500784b7b5575" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-81daaf495ce46936319f1690ee78a376">[10]</xref>). </p>
        <p id="paragraph-b8c28b90f9b2023a8b684e6e0f96c8e2">Pautando-me nas considerações de alguns pesquisadores, entre eles Couper-Kuhlen e Selting (2018<xref id="xref-ad6ad7c9be7ebf6433d4c8f4ff3f579b" ref-type="bibr" rid="book-ref-fce42ff75ed12ef03b175ebd514d3f1b">[13]</xref>), Goffman (1972; 1974; 1798; 1981), Gumperz (1982; 1989), Tannen e Wallat, (1987<xref id="xref-b245f9b9141d114537be1f6e4266cf46" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-231f6444726df0e711aa031a8bf8904a">[15]</xref>), Hirst e Di Cristo (1998<xref id="xref-878f7c6189d1961956e766ff339d97a1" ref-type="bibr" rid="book-ref-35f54c216ef60f826f20b1f65db2eac6">[6]</xref>), Bolinger (1986<xref id="xref-29ba314e1358d4bf4128fe5f83b27240" ref-type="bibr" rid="book-ref-53121468fc4b3e19bcb62f3aa13ec619">[7]</xref>), Halliday (1967<xref id="xref-f99458f8c959a7182af982057571f066" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-d45e02724c6e7326018d8d1fc509591c">[8]</xref>) e Robert D. Ladd (1996<xref id="xref-04a8d0240e820d15032d54961d47fddf" ref-type="bibr" rid="book-ref-1152dc053d1aebc4b1a761c13251351e">[9]</xref>) pude também constatar que as estratégias utilizadas pelos interactantes das duas situações comunicativas promoveram a alternância contextualmente organizada entre os papéis de falante e ouvinte, assegurando a sequencialidade da interação e o desenvolvimento dos tópicos discursivos, dos fatores extralinguísticos, não linguísticos, contextuais, situacionais e prosódicos envolvidos nos processos de projeção, finalização de turno e TRP. Isto corrobora a afirmação de Goffman (1974<xref id="xref-7817cb8b7774743674c33847dd6ff541" ref-type="bibr" rid="book-ref-e3f51400667597c3f4ec536495ec43c5">[1]</xref>) quando declara que uma sentença utiliza um segmento prosódico para direcionar a sua estruturação sintática e, inclusive, para servir como guia da interpretação. </p>
        <p id="paragraph-5a4a0387f41a61a895a9421e24b113bc">Estes resultados podem ser verificados no Trecho (1), por exemplo, que mostra que o momento propício da alternância de turno, ou seja, o TRP, ocorreu na TCU da linha 73, <bold id="bold-e527dbfe632d150cd50e437aac58a437">&lt;pelo amor de Deus</bold>&gt;, quando (RUT) aumentou a F<sub id="subscript-83ab4d6dc2721cdb1f2f147faaf3f074">0 </sub>e a intensidade para sobrepor a fala de (TER) e, em seguida, enunciar na linha 75 &lt;<bold id="bold-fe84e00084331bd339ac553922062d6b">n</bold><bold id="bold-2e66dc4122d498418067ef89b5abb0a4">ũ me convida pa ser Epa [/1] madrinha não / hein //$</bold>&gt;, determinando seu posicionamento, sua postura e, ao mesmo tempo, negociando esse alinhamento para esclarecer que não aceitaria um possível convite para ser madrinha de casamento. Já no Trecho (2), o TRP e a mudança de <italic id="italic-31fbdddb4253d1fd542399b241546944">footing </italic>ocorreram quando (JOS) revelou uma atitude de surpresa ou incredulidade ao enunciar &lt;<bold id="bold-349ce508a7238d989d78575cf3d7c849">quê //$</bold>&gt; na linha 128. Na sequência, (JOS) também alterou seu comportamento linguístico ao elevar F<sub id="subscript-b7f0a14baea954c1e363b5da5a5a8bf2">0 </sub>e a intensidade para sobrepor a fala do seu adversário e negar a investida ao enunciar na linha 128 e 129 &lt;<bold id="bold-f249c8c63b6198c365b9331ecb51b62e">nem encostei&gt; n' ocê / varão //$</bold>&gt;. </p>
        <p id="paragraph-ce5cfd0e32bfcff52cd99bb56eec77ab">Além disso, tanto no trecho (1) quanto no Trecho (2) encontramos sentenças declarativas que, por padrão, são construídas a partir de um movimento ascendente na região pré-nuclear do contorno entonacional marcadas por movimento entonacional descendente no final da sentença, Bolinger (1984). As análises mostraram ainda que algumas TCUs apresentaram informações ainda não compartilhadas que, de acordo com Hallyday (1967<xref id="xref-b30dd21c0aaa9f41f51bf2a5241586a9" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-d45e02724c6e7326018d8d1fc509591c">[8]</xref>), trazem algo novo ao contexto interacional. No Trecho (1) o foco informacional foi a recusa de (RUT) em ser madrinha de casamento da filha de (TER) e no Trecho (2) a contusão sofrida por (MAR). Salientamos que o correlato prosódico do foco informacional do PB analisado nesta pesquisa é o aumento de <italic id="italic-f1c9fbdb6c094fa3629f524dbd7e233f">pitch</italic> observado nos TRPs das TCUs analisadas. </p>
        <p id="paragraph-9458e5a7005a3806774b19fea8cda7fa">Considerando o objetivo proposto neste artigo, os resultados apontaram que os TRPs, verificados nas TCUs elaboradas pelas duas situações comunicativas escolhidas para este estudo, foram marcados por variações prosódicas mensuradas a partir da F<sub id="subscript-0b0ef591df0d193e070d9bac6b422207">0 </sub>e intensidade e<sub id="subscript-4b6cf71be622a69943e3d0aab764626f"> </sub>provocaram mudanças de <italic id="italic-b38b6b8d5a5191fc7c4aea65d8ea6bc7">footing</italic> realizadas, na maioria dos enunciados, através de funções discursivas, expressivas e atitudinais que geralmente são construídas a partir de aumento de F<sub id="subscript-dbb3e7e9625cee463b327a0c81dc0a6a">0 </sub>e intensidade. </p>
        <p id="paragraph-f4fc25eb155189461a7775978b2831e9">Neste artigo limitei-me à uma proposta de investigação de apenas dois arquivos do <italic id="italic-b45a600ab7566c5bf0f50bdbf62cbdd6">corpus</italic>. Devido a esse fato, os resultados deste estudo são de natureza preliminar. O C-ORAL-BRASIL I possui 139 textos com 21h08min52s de gravação de fala espontânea e um total de 208.130 palavras, essa arquitetura possibilita uma ampliação deste estudo, seja a nível prosódico ou sociointeracional, pois as interações são diversificadas e favorecem a investigação de vários fenômenos linguísticos. </p>
      </sec>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-85bf3d79dab7c3783646b3ca440efd2a">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-fdbcfe661166d08c8d96b0b4d166b2d6">Par adjacente (ou par conversacional) é uma sequência de dois turnos que coocorrem e servem para a organização local da conversação”. (MARCUSCHI 2003, p. 35<xref id="xref-e8c8b389c64b59f9b45eed49ed8d316e" ref-type="bibr" rid="book-ref-6b16dd8790675e2e44066a6ecdfd7947">[2]</xref>) </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-683708bfc589c313580e66536ae0fac1">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-98b4685424cd610568b3d94d01a5a70a"><ext-link id="external-link-f353be183dd9b25798a6bca230819bf9" xlink:href="#_ftnref2"/> “Uma mudança no alinhamento que assumimos para nós mesmos e para os outros presentes, expressa na forma em que conduzimos a produção ou a recepção e uma elocução”. (GOFFMAN, 1982a, p. 128). </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-db1e56342b5abdaaf03834eee205524f">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-6e4184539b5e4d057500c5a5b01a3e8b">Em inglês, <italic id="italic-11">Transition-Relevance Place</italic> ou TRP;</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-a4495edb2d3b2314c0230d4b959c1029">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-fcee9f0d2ea9b8ac51e776bb80534894">Em inglês, <italic id="italic-12">Turn-Constructional</italic> Unit ou TCU. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-940c7892eba9b8efdc7fdaab40fe85e3">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-a53bb5a8438ee34fa2fbb15bfa122352">No original: [...] Prosody' here includes: (a) intonation, i.e., pitch levels on individual syllables and their combination into contours; b) changes in loudness; (c) stress, aperceptual feature generally comprising variations in pitch, loudness and duration; (d) other variations in vowel length; (e) phrasing, including utterance chunking by pausing, accelerations and decelerations within and across utterance chunks; and (f) overall shifts in speech register (GUMPERZ, 1982 p. 100<xref id="xref-9ed62eb315547bdd29350b0c7e4a78c9" ref-type="bibr" rid="book-ref-7799d593718477862990cdf753323647">[4]</xref>). </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-27267be9fa2319756879f48e21b14002">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-73461f4572a3a8151125e43ab0d64cba">Informações completas sobre o corpus encontram-se em <ext-link id="external-link-17" xlink:href="http://www.c-oral-brasil.org">www.c-oral-brasil.org</ext-link>. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-b69be6466302cff89ff4b72dddbed47e">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-4ffd56c28e29c4426db7e430a3d0b794">Coletânea composta de traduções de textos publicados originalmente entre 1960 e 1980 por pesquisadores nas áreas de Antropologia, Linguística e Sociologia, organizada em 2013 por Branca Telles Ribeiro e Pedro M. Garcez. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-bc08aa576ad72fd9d09e91012963a51c">
        <label>8</label>
        <p id="paragraph-08457982aeaec2c3d1555eaaa30483d2"> Saliento que a complexidade dos fundamentos da AC e da LI não cabem por completo em um artigo, devendo, portanto, ser abastecido de leituras complementares para um maior aprofundamento. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-452ad44e92c8ac60bfb29f30392306ea">
        <label>9</label>
        <p id="paragraph-cae6320340a00586e5143b1451f95cce">No original: “Syntax is used as a resource for more far-reaching projection (Shegloff's macro projection; see above), while this syntactic projection is locally contextualized through prosody. Syntactic and prosodic units are described as flexible schemata that participants adapt to the exigencies of the situation”. (SELTING, 1996a, p. 384). </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-04effb72fdde9c4d52273129d3529468">
        <label>10</label>
        <p id="paragraph-09b72a86942d8bf2f6ebc009d8ef876c">Bolinger (1958) utiliza o termo accent para nomear três tipos de tons , A, B e C, pois para o autor o que importa é descrever o tom acentuado, que ele chama de pitch accent (acento tonal). </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-d8df98e326d8ecdbf334a7140fe72578">
        <label>11</label>
        <p id="paragraph-11ccecf6819fec504cc4ab870d3c5dcf">“Apresentou o programa temático TV Mulher pela Rede Globo na década de setenta e foi mediadora de debates entre candidatos à presidência da República pelo canal Bandeirantes de Televisão no fim dos anos oitenta, até se estabelecer no telejornalismo como entrevistadora de programa com estilo cara-a-cara.” (GONÇALVES, 2015, p. 17<xref id="xref-b9499fef8dec595a419540bb2d04113e" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-186ffdffc55389e6ec0e997d6c36e501">[43]</xref>). </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-7098aab818e67ca1952e75d4aa4d4068">
        <label>12</label>
        <p id="paragraph-8f284e17f81b409a0f1e107da18f0c8b">Minha dissertação contempla valores dos parâmetros acústicos de F0, intensidade e duração. Porém, neste artigo, os valores de duração não foram utilizados por entender que apenas os parâmetros de F0 e intensidade seriam suficientes para investigar se o TRP das TCUs constituídas nas falas em interação provoca mudanças de <italic id="italic-20">footing</italic>. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-3aa00804f3aa7935690666c590e65ece">
        <label>13</label>
        <p id="paragraph-cbb8d8010fbd71d196730b777dcb247c">O C-ORAL-BRASIL I possui um recurso multimídia apresentado em arquivos de três formatos: Arquivo "wav" (som); Arquivo "rtf" (texto); Arquivo "xml" (alinhamento texto-som). A utilização deste corpus deve ser realizada a partir da extração dos arquivos multimídia em uma pasta do seu computador e, para abrir o alinhamento texto-som, é necessário instalar o software WINPITCH (MARTIN, 2005) e o arquivo de extensão "xml" através do menu Alignment file. Os áudios serão carregados simultaneamente. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-daf2c23af855535da196eeb13728518f">
        <label>14</label>
        <p id="paragraph-ce9cf4c710c5f4e213ffeab82c8c4c4a"> Existem dois tipos de foco informacional: o foco amplo e o foco estreito. Os dados apresentados referem-se ao foco amplo. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-7dede0a66f81452f6ef694882163b770">
        <label>15</label>
        <p id="paragraph-c29a282137819ecddbd90fdbb01ee031">O correlato prosódico do foco informacional no PB analisado nesta pesquisa é o aumento de F<sub id="subscript-14">0</sub> observado nos TRPs das TCUs analisadas. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-3ea4fee0bfc385249d01649217c40d71">
        <label>16</label>
        <p id="paragraph-acd1d8a8deab93887500f8ce0462032b"> Partida de futebol é uma modalidade desportiva que pode ter como participantes indivíduos do gênero masculino ou feminino, com idade que pode variar de 6 a 50 anos, de qualquer classe social e de qualquer região do Brasil ou de outros países. Existe atualmente uma grande variedade desta prática esportiva que se denominam futebol de salão, futebol de várzea, futebol de areia, futebol de pântano, entre outras. </p>
      </fn>
    </fn-group>
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      <ref id="book-ref-4aec4879e023f94d7e2e9ebb3a10342c">
        <element-citation publication-type="book">
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          <year>1963</year>
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            <italic id="italic-8fa6d78223cdd607cc11009d0bf720e8">Sense and Sensibilia</italic>
          </source>
        </element-citation>
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      <ref id="thesis-ref-a981f5f496855a45a8d8c143bff119d7">
        <element-citation publication-type="thesis">
          <year>Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) – UNICAMP, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2013</year>
          <person-group person-group-type="author">
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            <italic id="italic-967d98872129c17c1884c3b37d9880b0">Sobreposição de fala em diálogos: um estudo fonético-acústico</italic>
          </article-title>
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          <year>1986</year>
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            <italic id="italic-d5b93fb9fe03e2f301ac04a32283023a">Intonation end its parts</italic>
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            <italic id="italic-f5ea5a0f9c27bcff72885b2118e42441">Análise fonológica: introdução à teoria e à prática</italic>
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