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<journal-title>Revista da Abralin</journal-title>
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        <article-title>A influência do tecnodiscurso nas análises em linguística</article-title>
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      <issue-title>Resenhas Abralin ao Vivo</issue-title>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-3">Nesta mesa, a proposta da analista do discurso Marie-Anne Paveau é apresentada pelos professores Roberto Baronas, Ana Carolina Vilela-Ardenghi e Júlia Lourenço Costa, participantes da equipe de tradução do dicionário <italic id="italic-1">Análise do Discurso Digital: dicionário das formas e das práticas</italic>, o qual ainda está em fase de revisão técnica. O professor Baronas inicia destacando os percursos de contato com a teoria proposta por Marie-Anne Paveau; em seguida a professora Ana Carolina discute questões sobre pré-discursos e sua relação com a moral; novamente Baronas toma a palavra e apresenta as características do tecnodiscurso, posteriormente passa a palavra à professora Júlia, que faz algumas considerações acerca do militantismo digital por meio da análise de textos nativos digitais. A mesa é, então, finalizada com a mediação, pela professora Mariana de Barros, das perguntas feitas aos membros da mesa pelo <italic id="italic-2">chat</italic>.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Résumé</title>
        <p id="paragraph-dd1efacd5da10a89418a60b62e85746a">Sur ce tableau, la proposition de l'analyste de discours Marie-Anne Paveau est présentée par les professeurs Roberto Baronas, Ana Carolina Vilela-Ardenghi et Júlia Lourenço Costa, participants à l'équipe de traduction du dictionnaire Digital Discourse Analysis: dictionnaire des formes et pratiques, le qui est en cours d'examen technique. Le professeur Baronas commence par mettre en évidence les voies de contact avec la théorie proposée par Marie-Anne Paveau; puis la professeur Ana Carolina discute des questions sur les pré-discours et leur relation avec la morale; Baronas prend à nouveau la parole et présente les caractéristiques du technodiscours, puis conclut la présentation de la théorie avec le professeur Júlia, qui fait quelques réflexions sur le militantisme numérique à travers l'analyse de textes natifs numériques. Le tableau se termine par la médiation, par la professeure Mariana de Barros, des questions posées aux membres de ce table au <italic id="italic-d2182c9529d4ccb843943827ac63446b">chat</italic>.</p>
      </abstract>
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        <kwd content-type="">Análise do discurso digital</kwd>
        <kwd content-type="">Pré-discursos</kwd>
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    <sec id="heading-79e4d4387473d10b38aff632a025a59c">
      <title>Texto</title>
      <p id="paragraph-cac6670f37671c3b4de3f6076635f505">A mesa-redonda<xref id="xref-566d8cc510c6c8b0d40a250a820f49a5" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-7db469295c672a27e76c93740d0c8943">[1]</xref> resenhada foi transmitida em formato <italic id="italic-602f64e88b1a495041858ab86b7a0e79">on-line</italic> pela Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN), no dia 05 de julho de 2020, e conta com a mediação da professora Mariana de Barros e com a apresentação dos professores Roberto Baronas, Ana Carolina Vilela-Ardenghi e Júlia Lourenço Costa acerca dos estudos da autora Marie-Anne Paveau, uma analista do discurso francesa, sobre os discursos nativos digitais, os quais são de suma relevância para os usos atuais da linguagem em ambiente virtual.</p>
      <p id="paragraph-2">A apresentação dos participantes da mesa é feita pela mediadora, professora Mariana de Barros, a qual explica a divisão da exposição feita pelos professores, a saber: o professor Baronas inicia destacando os percursos de contato com a teoria proposta por Marie-Anne Paveau; em seguida a professora Ana Carolina discute questões sobre pré-discursos e sua relação com a moral; novamente Baronas toma a palavra e apresenta as características do tecnodiscurso, para então finalizar a apresentação da teoria com a professora Júlia, que faz algumas considerações acerca do tecnodiscurso no militantismo digital por meio da análise de textos nativos digitais.</p>
      <p id="paragraph-3">O professor Baronas discorre acerca dos primeiros contatos com a autora em questão e aponta o início desse diálogo em 2008, com o texto <italic id="italic-ee86ac7cbba815faaf86fb41d679574b">Palavras Anteriores: os pré-discursos entre a memória e a cognição</italic><xref id="xref-b5efc5c91c2e268e165c2917f4899240" ref-type="bibr" rid="book-ref-bb41528e264ad37fd1604d4d92f72eb0">[2]</xref>, em que Paveau destaca um aspecto que não figura com costume nas reflexões de analistas do discurso, a cognição. O professor ainda destaca que o pré-construído é uma das formas de manifestação dos pré-discursos. Em 2013, apresentado ao livro <italic id="italic-3">Os pré-discursos: sentido, memória e cognição </italic>por Sírio Possenti, Baronas e outros pesquisadores se debruçaram sobre discussões levantadas nessa obra. Em 2016, Possenti apresenta ao grupo de estudos que coordena (FEsTA) mais uma obra de Marie-Anne Paveau<xref id="xref-b82e7ab6ad700601f01272848489e05f" ref-type="bibr" rid="book-ref-c2f9355a48db5f7b10e2dfbb3e8a54f1">[3]</xref>, <italic id="italic-5">Linguagem e moral: uma ética das virtudes discursivas</italic>, a qual também foi alvo de inúmeros debates. Mais recentemente, o grupo tem debatido acerca da obra <italic id="italic-6">Análise do Discurso Digital: dicionário das formas e das práticas</italic><xref id="xref-ebc5485e9c5405cddd0eaeb4a3d2c53f" ref-type="bibr" rid="book-ref-9ec560dc0953b50bc04bfa22d41b7087">[4]</xref>, a qual está em fase de tradução com publicação prevista para o ano de 2020.</p>
      <p id="paragraph-4">Em seguida, a professora Ana Carolina discorre acerca dos conceitos de pré-discurso e, também, sobre a relação entre linguagem e moral, base epistemológica que constitui os pensamentos da pesquisadora francesa. Em sua fala, Ana Carolina destaca o empreendimento de Paveau em relação a dotar a Análise do Discurso de uma dimensão cognitiva, segundo ela, bastante frutífera. Paveau entende cognição como “os processos de construção de conhecimentos e sua configuração no discurso a partir de dados recebidos pelos sentidos, pela memória e pelas relações sociais” (2013, p. 9<xref id="xref-ae9c5f592b4afb3210abcda090fc5142" ref-type="bibr" rid="book-ref-bb41528e264ad37fd1604d4d92f72eb0">[2]</xref>), aproximando-se da ideia de cognição sociocultural, isto é, não se resume a processos exclusivamente mentais. É a partir de uma aproximação com estudos cognitivos que a autora desenvolve o conceito de anterioridades discursivas ou pré-discurso, a saber: “um conjunto de quadros pré-discursivos coletivos (saberes, crenças, práticas), que dão instruções para a produção e a interpretação do sentido do discurso” (2013, p. 130<xref id="xref-005856dbd8fc2ff9ae93017e45beaa93" ref-type="bibr" rid="book-ref-bb41528e264ad37fd1604d4d92f72eb0">[2]</xref>). É válido ressaltar, ainda, que, apesar de entender os pré-discursos como fatores que antecedem a materialização discursiva e que a orientam, a pesquisadora não os entende como extralinguísticos.</p>
      <p id="paragraph-5">Após exemplificar os quadros pré-discursivos e a sua interferência no que diz respeito à construção de sentidos, a professora Ana Carolina discorre sobre a relação linguagem e moral, um outro empreendimento ao qual Paveau se dedica, momento em que busca responder perguntas como “O que pode ser entendido como ofensivo ou não em determinada comunidade de fala?”. A virtude dos enunciados é, então, foco de sua discussão e diz respeito ao compromisso do falante em se ajustar à situação e a seu interlocutor, considerando seus valores e crenças, proposta que considera, também, o fator cognição. A noção de virtude dos enunciados possui algumas propriedades constitutivas, a saber: a) a existência – reações morais ao discurso –, b) a disposição reflexiva – discursos como resultado de ajustes a agentes-falantes – e c) a plasticidade axiológica – valores negociáveis, atualizáveis. Então, é possível observar a continuidade dessas reflexões, uma vez que o entendimento de ética e moral dos enunciados produzidos está intimamente relacionado com os pré-discursos, isto é, com a memória e a cognição. Há, então, um lugar à agentividade do sujeito, colocando-o como clivado e não mais apenas como sobredeterminado.</p>
      <p id="paragraph-6">Novamente com a palavra, o professor Baronas discorre acerca da noção de tecnodiscurso conforme Paveau. Com uma profusão cada vez mais corrente dos discursos nativos digitais, os quais a autora intitula tecnodiscursos, ela propõe uma reflexão, especificamente em seu dicionário, acerca de conceitos os quais, calcados na análise do discurso de orientação francesa, nos fazem repensar questões teórico-metodológicas de análises feitas dos discursos nativos de redes sociais, por exemplo. A influência do aparato técnico na produção e compreensão desses tecnodiscursos é ponto principal para repensar algumas características próprias desses ambientes, como a clicabilidade, e como esses traços particulares (linguageiros e técnicos) impactam grande parte das análises até então feitas, segundo a autora, o que ela chama de análises logocêntricas, em que a internet é usada <italic id="italic-7">para</italic> corpus, não <italic id="italic-8">como</italic> corpus. Essa distinção destaca e critica a prática corrente de retirada de enunciados do seu contexto nativo digital; diante disso, a autora propõe não mais considerar a máquina como um componente externo à linguagem, como feito nas tradicionais abordagens logo e antropocêntricas, mas sob uma perspectiva ecológica, a qual integra produções linguageiras a determinações técnicas.</p>
      <p id="paragraph-7">Com o intuito de chamar a atenção para características particulares dos tecnodiscursos e de como elas interferem na construção de sentidos, Paveau descreve seis traços: 1. A composição (a possibilidade de integração de diversas semioses); 2. A deslinearização (possibilidades clicáveis que direcionam o leitor para outros textos, em outras páginas); 3. A ampliação (os enunciados são, em alguns casos, atualizados por meio de comentários); 4. A relacionacionalidade (menções com @ e hashtags que ligam textos entre si); 5. A investigabilidade (os discursos são rastreáveis, por exemplo, por meio de sites de busca) e 6. A imprevisibilidade. Todas essas características são exemplificadas e explicadas pelo professor por meio da análise de alguns textos nativos digitais com a temática Marielle Franco.</p>
      <p id="paragraph-8">Para finalizar, a professora Júlia Costa apresenta inquietações sobre enunciador digital, discussões mais recentes da pesquisadora Marie-Anne Paveau. Sua fala na mesa se pauta no verbete dualismo digital e parte da polarização entre real e virtual. A pesquisadora francesa questiona essa divisão e propõe uma visão integralista entre homem e máquina, em que os discursos são coconstruídos juntamente com as determinações técnicas. A enunciação é, nessa proposta, questionada, uma vez que a identidade única do <italic id="italic-9">eu </italic>e<italic id="italic-10"> </italic>as noções de tempo e espaço são modificadas no universo digital, o que tem implicações no uso da linguagem. Sendo assim, a noção de enunciador é, para Paveau, ampliada, pois a pesquisadora considera as dimensões individual e coletiva, corroborando a ideia de ampliação característica dos tecnodiscursos, por exemplo, por meio dos comentários ou da escrita colaborativa online, como pode ocorrer com o uso da ferramenta Google Docs. Júlia segue sua exposição ilustrando o que discutiu teoricamente ao analisar algumas manifestações digitais, momento em que exemplifica como as noções de <italic id="italic-11">eu </italic>enunciador, de lugar, de espaço da enunciação são ampliadas em uma manifestação realizada em diversas redes sociais, como Twitter e Facebook, e, ainda, na janela de casa, por meio da participação em um panelaço.</p>
      <p id="paragraph-9">Por último, a mediadora Mariana de Barros seleciona algumas perguntas acerca das apresentações, as quais são respondidas ou comentadas pelos debatedores. As perguntas ajudam a esclarecer o caráter instigador da proposta de Marie-Anne Paveau e seus impactos nas análises dos discursos digitais.</p>
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          <article-title>ANÁLISE do Discurso Digital proposta por Marie-Anne Paveau: dos pré-discursos aos tecnodiscursos. Conferência apresentada por Roberto Leiser Baronas, Ana Carolina Vilela-Ardenghi, Júlia Lourenço Costa [s.l., s.n], 2020. 1 vídeo (2h 14min 10s). Publicado pelo canal da Associação Brasileira de Linguística</article-title>
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          <source><italic id="italic-e897d1f7ce6ba848b313894fe58b079e">Os pré-discursos: </italic>sentido, memória e cognição</source>
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