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<journal-title>Revista da Abralin</journal-title>
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<publisher-name>Associação Brasileira de Linguística</publisher-name>
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      <article-id pub-id-type="doi">10.25189/RABRALIN.V19I2.1551</article-id>
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          <subject content-type="Tipo de contribuo">Resenha</subject>
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        <article-title>Fonologia do português: quando duas variedades divergem</article-title>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="05/08/2020" />
      <volume>19</volume>
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      <issue-title>Resenhas Abralin ao Vivo</issue-title>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-3">Vigário apresenta diferenças fonológicas entre o português brasileiro (PB) e o europeu (PE) na forma de dez tópicos relacionados a processos nos níveis lexical e pós-lexical. De modo geral, a autora mostra que o português europeu apresenta processos produtivos nos níveis mais altos da hierarquia prosódica, e não em constituintes menores, como o segmento ou a sílaba. Por esse motivo, temos um grande número de reduções vocálicas em posições átonas, por exemplo. Enquanto isso, os processos do português brasileiro ocupam-se, em geral, com os níveis mais baixos da hierarquia, os quais são puramente fonológicos. Exemplos são o preenchimento de posições vazias para boa-formação silábica ou o menor número de reduções vocálicas em relação ao PE. Embora as duas variedades apresentem semelhanças em relação à fonologia lexical, em níveis mais precoces, elas exibem perfis fonológicos distintos em relação à fonologia pós-lexical.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-01ddd8c7286e4d48ba028144da13e94c">Vigário presents phonological differences between Brazilian (BP) and European Portuguese (EP) through ten topics related to processes in the lexical and post-lexical levels. In general, the author shows that European Portuguese presents productive processes in the higher levels of the prosodic hierarchy, and not in the lower constituents, as the segment or the syllable. For this reason, we have a great number of vowel reductions in unstressed positions, for example. Meanwhile, the processes in Brazilian Portuguese apply, in general, in the lower levels of the hierarchy, which are purely phonological. As examples we can mention the filling of empty positions due to syllabic well-formedness or the smallest number of vowel reductions in relation to EP. Although both varieties present similarities in relation to the lexical phonology, in earlier levels, they exhibit distinct phonological profiles in relation to the post-lexical phonology.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">Fonologia</kwd>
        <kwd content-type="">Português brasileiro</kwd>
        <kwd content-type="">Português europeu</kwd>
      </kwd-group>
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    <sec id="heading-79e4d4387473d10b38aff632a025a59c">
      <title>Texto</title>
      <p id="paragraph-17a8c64c4c207ab4cf40f5104990200a">Como parte da série Abralin ao vivo – <italic id="italic-b19a23b0fcb171cfbee61209ba42d019">Linguists online</italic>, Marina Vigário – professora da Universidade de Lisboa/Portugal – profere a conferência <italic id="italic-2">Diferenças fonológicas entre as variedades brasileira e europeia do português: revisão, discussão e implicações</italic><xref id="xref-b9972fdc743b5a395ffa32e937d9d431" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-7db469295c672a27e76c93740d0c8943">[1]</xref>, mediada pelo professor Luiz Carlos Schwindt (UFRGS) no dia 26 de junho de 2020.</p>
      <p id="paragraph-2">Vigário aborda de forma clara e sucinta diferenças fonético-fonológicas entre o português europeu (PE) e o português brasileiro (PB) com base no comportamento de dez processos distintos e traz implicações das diferenças apontadas para a configuração fonológica das duas variedades. De modo geral, a ideia central da autora consiste em mostrar que o PE tende a ser produtivo em níveis mais altos da hierarquia prosódica, enquanto o PB apresenta mais processos para satisfazer condições de constituintes prosódicos mais baixos.</p>
      <p id="paragraph-3">Como ponto de partida, Vigário assume a existência de (i) processos lexicais, os quais podem fazer referência à informação morfológica e são obrigatórios, e (ii) processos pós-lexicais, que dependem unicamente de informação fonológica e têm aplicação opcional. Assume também pressupostos da Geometria de Traços, da Fonologia Métrica, da Fonologia Autossegmental e da Fonologia Entoacional.</p>
      <p id="paragraph-4">A autora inicia sua análise admitindo que o sistema vocálico subjacente é o mesmo nas duas variedades: /i, e, ε, a, ɔ, o, u/. A superfície é que se distingue, principalmente em relação ao vocalismo átono. No PB, a saliência da vogal tônica é menos evidente, pelo fato de a língua apresentar menos reduções vocálicas em posições átonas e, como consequência, menos graus de contrastes no sistema. O PE, pelo contrário, tende a reduzir ou apagar as vogais átonas com maior frequência, o que causa uma maior saliência da vogal tônica e, portanto, do acento lexical.</p>
      <p id="paragraph-5">Em relação às diferentes propostas existentes para a atribuição de acento primário<xref id="xref-51b044ab9478873540b1755426892de3" ref-type="fn" rid="footnote-56512f70bb59142d835b2ad47e9dbb6a">1</xref>, Vigário assume que as duas variedades podem ser explicadas por sistemas distintos. A autora mostra que, no PB, parecem ser preponderantes princípios fonológicos e rítmicos, enquanto o PE apresenta evidências mais fortes para a explicação de base morfológica, o que a conferencista chama de “morfologização do acento”. Apesar de a maior parte das análises concordar sobre a influência da morfologia na análise de verbos, um ponto de forte de discordância entre muitos autores está relacionado ao tratamento conjunto ou separado de verbos e não verbos no que diz respeito ao acento. Nesse sentido, a conclusão de Vigário nos leva a acreditar na adequação de uma proposta unificada para o PE, mas separada para o PB.</p>
      <p id="paragraph-6">O papel de fatores prosódicos ou morfológicos atuantes sobre o acento primário nas duas variedades pode mostrar também diferentes padrões de acento secundário. O acento secundário em PB apresenta um padrão binário bastante consistente à esquerda do acento primário; o ritmo ternário surge, na maioria das vezes, quando o número de sílabas pretônicas é ímpar. No PE, por outro lado, estudos experimentais mostram que o acento secundário ocorre tipicamente na primeira sílaba da palavra prosódica, podendo incluir o clítico (ex. <italic id="italic-3">em famìliaridáde</italic> / <italic id="italic-4">èm familiaridáde</italic>) (CASTELO, 2006<xref id="xref-457912c89c88c54de86b551bc02d78bd" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-0c34e6474ec16d9517e383f2ee01fcac">[2]</xref>). </p>
      <p id="paragraph-7">Em relação à manifestação das proeminências na estrutura entoacional, Vigário afirma que, em PB, temos um acento tonal por palavra, e, por vezes, até mais de um acento, a depender do tamanho da palavra, como em <italic id="italic-5">catalogadora</italic> (VIGÁRIO; FERNANDES-SVARTMAN, 2010<xref id="xref-bc11c9f012c801cca5920c74d70ef7bb" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-8fcec2f4b821380f58e629bfd311c6ea">[3]</xref>). O PE não apresenta tantos acentos tonais e tem uma linha entoacional mais reta, com menos alternâncias entre tons altos e tons baixos. As oscilações, portanto, não marcam palavras, mas posições extremas de IP.</p>
      <p id="paragraph-8">Ambas as variedades de português analisadas apresentam ritmo misto, mas de modos distintos. Segundo Vigário, associadas às propriedades silábicas, o PB apresenta propriedades de tipo moraico, enquanto o PE apresenta ritmo acentual. Essa distinção pode ser bem representada por dados de percepção: falantes de português europeu são capazes de discriminar e identificar as duas variedades ao escutarem dados manipulados e deslexicalizados, os quais apresentam apenas as propriedades rítmicas do contínuo sonoro (FROTA; MARTINS; VIGÁRIO, 2002<xref id="xref-dd338753e779ad0f37e4c72e1ba24504" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-2f053b9809f94311e057cf3810c11f49">[4]</xref>).</p>
      <p id="paragraph-9">O princípio básico de organização silábica é similar nas duas variedades; a forma de preenchê-la, contudo, também é distinta. O PB tende a preencher <italic id="italic-6">slots </italic>vazios para a obtenção de boa-formação silábica (ex. <italic id="italic-7">pneu</italic> → <italic id="italic-8">p[</italic><italic id="italic-9">ɪ]neu</italic>). Como evidência adicional à trazida pela conferencista, acrescentamos, ainda, que a obediência a princípios silábicos em PB permite o apagamento de vogais mediais em algumas palavras proparoxítonas (ex. <italic id="italic-10">fósf[o]ro</italic> ~<italic id="italic-11"> fósfro</italic>), já que o reagrupamento dos segmentos mantém o padrão paroxítono. O PE geralmente não preenche esses mesmos espaços e, como já comentado, permite apagamentos que não causam reorganização dos segmentos (ex. <italic id="italic-12">m[i]nistro </italic>→ <italic id="italic-13">mnistro</italic>). Quando o <italic id="italic-14">slot </italic>vazio de alguma sílaba é preenchido em PE, isso pode ser explicado como um requerimento de constituintes mais altos na hierarquia prosódica, e não da sílaba.</p>
      <p id="paragraph-10">Ainda em relação à produtividade na fonologia de níveis mais baixos da hierarquia, o PB apresenta muitas evidências para o tratamento do pé métrico, como os abaixamentos datílico (ex. <italic id="italic-15">esquel[e]to</italic> → <italic id="italic-16">esquel[</italic><italic id="italic-17">ε]tico</italic>) e espondaico (ex. <italic id="italic-18">d[o]ce</italic> → <italic id="italic-19">d[</italic><italic id="italic-20">ɔ]cil</italic>), os acentos rítmicos e o fenômeno de truncamento (ex. <italic id="italic-21">neurose </italic>→ <italic id="italic-22">neura</italic>). No PE, não há evidências tão claras e robustas para esse domínio. Por outro lado, o PE apresenta evidências de diversos tipos para o domínio da palavra prosódica, incluindo o truncamento (ex. <italic id="italic-23">telemóvel</italic> → <italic id="italic-24">móvel</italic>). No PB, a evidência relacionada ao contraste entre formas tônicas e átonas é menor do que em PE e a distinção entre clíticos e palavras prosódicas é menos clara.</p>
      <p id="paragraph-11">Em relação à resolução de antagonismos acentuais, o PB pode apresentar deslocamento ou apagamento (ex. <italic id="italic-25">redatór-chefe</italic> → <italic id="italic-26">rèdator-chefe</italic>) – os mesmos processos que acontecem na frase fonológica (ex. <italic id="italic-27">café quente</italic> → <italic id="italic-28">càfe quente</italic>), o que mostra que os princípios rítmicos são mais valorizados do que o acento de palavra. No PE, há mais preservação do acento principal em sua posição original, comprovando a hipótese de maior morfologização do acento.</p>
      <p id="paragraph-12">Por fim, o último tópico abordado é o da ressilabificação. A autora mostra que o PB parece não ter um domínio de aplicação tão claro para aplicação do fenômeno. Na variedade europeia, a ressilabificação marca fronteiras de IP.</p>
      <p id="paragraph-13">A fim de sintetizar a fala da conferencista, elaboramos um quadro geral comparativo entre as características das duas variedades apresentadas.</p>
      <table-wrap id="table-figure-bf34cf85249bba7d9bee45e01512a2fd">
        <label>Table 1</label>
        <caption>
          <title>Síntese das diferenças fonético-fonológicas entre as variedades brasileira e europeia</title>
          <p id="paragraph-c88cf3f6e6f765baf1c0d53f077e03f3">da autora (2020)</p>
        </caption>
        <table id="table-5b042b53f931e79e7a9c50ca198714e7">
          <tbody>
            <tr id="table-row-01a024fe929398d7ec18fdf7845a52eb">
              <td id="table-cell-47e34b2c215f8da7d43827d6729a9efe"> Processos </td>
              <td id="table-cell-63f0f704868ff4d2dc5e5adc57a8e4f7"> Português   brasileiro </td>
              <td id="table-cell-502407230098a2b30c9eb659e18f169c"> Português   europeu </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-4b420505ba85d1e4351f1140eb873fb3">
              <td id="table-cell-bc86c28a5271cf2d9fe1a7244b2bf828"> 1.   Sistema vocálico </td>
              <td id="table-cell-75e6a9ec1071c22e2bc93c3c9d12fe8d"> menos reduções </td>
              <td id="table-cell-09f2ba046799fed929d1a7edb7c28c1f"> mais   reduções </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-2673f41b90f75d062ab06954608877d5">
              <td id="table-cell-55279bf1d4f0f243b3450fc38e87890e"> 2.   Acento primário </td>
              <td id="table-cell-affffd11384700beca7afc9895f791cb"> explicação   fonológica/mista </td>
              <td id="table-cell-3eab49f276ebe3afd649ee713ccf3bcf"> explicação   morfológica </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-f7b681db4ae17555041179f3dde95f3b">
              <td id="table-cell-66b85aa42b1455f680a8cf450be20f47"> 3.   Acento secundário </td>
              <td id="table-cell-4d9c0d264ed5feef5d573decdb131a27"> mais   regular e frequente </td>
              <td id="table-cell-d7491f1ae8b6be5f3cf3783b9daceb68"> menos   frequente </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-fae06fd99b3a0c38ddb95cb276b1eb67">
              <td id="table-cell-24c5712262fccf3279ce451f570daebc"> 4.   Acento tonal </td>
              <td id="table-cell-20648ada7f63d2ad489df32fa68325bb"> relacionado   à palavra </td>
              <td id="table-cell-8a43e60567fa341221ae30bbf9175526"> relacionado   ao IP </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-5f4cdac03dc97edba96eac3778e008f5">
              <td id="table-cell-31c23b16333ea0fda27d222c14e471be"> 5.   Ritmo </td>
              <td id="table-cell-e154729495d3e3142f1f561ef71a0a1f"> misto:   silábico/moraico </td>
              <td id="table-cell-d2b495174628020bc3f951509b7c5923"> misto:   silábico/acentual </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-1a76adafcb1baf73366626def7af8955">
              <td id="table-cell-576b82db0c64a7632329a3aac02550a0"> 6.   Sílaba </td>
              <td id="table-cell-f86bc844931127a790d1b000979ff35b"> menos   violações de boa-formação </td>
              <td id="table-cell-dc3766556ea8e713f9b3d2769de1f1c6"> mais   violações de boa-formação </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-4d9fee524f0619098c1185f86512945f">
              <td id="table-cell-037a5c75af38c4068e8401a37dc69a8a"> 7. Pé   métrico </td>
              <td id="table-cell-c9074c31cae05708fb7b019880eda3eb"> muitas   evidências </td>
              <td id="table-cell-7b7ec97aee9a2e50fe1dd59311442cf3"> poucas   evidências </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-0923c67188a5614e974f727d5b5c2129">
              <td id="table-cell-86a61ec6947961dcbd1b89b55785b26b"> 8. PWd   e clíticos </td>
              <td id="table-cell-6aab69e213d689e8bfc35afacc09c6b8"> menor   número de evidências e menor distinção entre palavras e clíticos </td>
              <td id="table-cell-b4789bf8da00c0af88a3f7b71f88ad18"> muitas evidências   e alto contraste entre palavras e clíticos </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-84413058768d56b4eb1ace0027f3d8b2">
              <td id="table-cell-01aecdc55986e3075667416256a9ba57"> 9.   Variação acentual </td>
              <td id="table-cell-72953c29d9f619c68130eeb20cddfb3d"> prevalência   de padrões rítmicos </td>
              <td id="table-cell-2c2203563e31cc9b892f55ae96a052cb"> prevalência   de acentos lexicais </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-366f45948d6a370d5aefee4ac1eab30f">
              <td id="table-cell-dd4b9dc5f102a8a8313900591819b73f"> 10.   Ressilabificação </td>
              <td id="table-cell-a525099e469ab3bece9b20315a22a5eb"> sem   domínio específico </td>
              <td id="table-cell-090eaf880ae25b404ef983a4bd3ba97c"> domínio:   IP </td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-b792b3d577ef19516f8bd3b6aa5f6bdf">Embora as duas variedades apresentem semelhanças em relação à fonologia lexical mais profunda, a conclusão de Vigário é de que as duas variedades apresentam perfis fonológicos distintos. Análises do português brasileiro mostram um perfil mais produtivo em domínios mais baixos da hierarquia prosódica, como a sílaba e o pé. Já o português europeu apresenta fonologia produtiva em domínios mais altos da hierarquia. Por essa razão, o PB opta, por exemplo, por preservar ou inserir segmentos, enquanto o PE preserva estruturas dos enunciados. Assim, estamos tratando de duas variedades da mesma língua, as quais são paralelas na fonologia lexical mais profunda, mas distintas em relação à fonologia produtiva e pós-lexical. </p>
      <p id="paragraph-27a66362a212da7006c41c2940604821">A conferência é rica em exemplos e menções a estudos sobre os mais variados processos fonológicos presentes nas variedades brasileira e europeia do português. A análise da professora Marina Vigário é clara e entusiasma todos os estudantes e pesquisadores da área. </p>
    </sec>
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        <p id="paragraph-fed9019d820e099baf40a98b8ae08eb8">Para conhecimento das principais propostos de atribuição de acento em português, recomendamos a leitura de Magalhães (2016<xref id="xref-b84fe1ce7d46d2c1b7c2f36eb65d2de5" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-38b59df1e51c05501b2c416a0262ab11">[5]</xref>).    </p>
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          <article-title>DIFERENÇAS fonológicas entre as variedades brasileira e europeia do português: revisão, discussão e implicações. Conferência apresentada por Marina Vigário e conduzida por Luiz Carlos Schwindt [s.l., s.n], 2020. 1 vídeo (1h 59min 15s). Publicada pelo canal da Associação Brasileira de Linguística</article-title>
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          <article-title><italic id="italic-1">A proeminência secundária rítmica no Português Europeu</italic>: uma proposta</article-title>
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