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        <article-title>Discurso e biopolítica: subjetividades e resistências</article-title>
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      <issue-title>Resenhas Abralin ao Vivo</issue-title>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-3">Com o intuito de problematizar as relações entre o discurso e a biopolítica, a mesa <italic id="italic-1">Discurso, Corpo, Biopolítica: as relações entre o discurso e a biopolítica</italic>, composta pelos professores doutores Atilio Butturi Junior, Maria de Fátima Lima Santos e Bruno Franceschini, mediada por Jair Zandoná, propôs uma jornada densamente qualificada nos conceitos de biopoder, biopolítica, necropolítica, subjetivação, resistências e persistências em torno da vida. Dividida em três momentos, a primeira intervenção da mesa-redonda foi proferida pelo professor Atilio Butturi, intitulada <italic id="italic-2">Tecnobiocuir</italic>. Em seguida, Fátima Lima dissertou um texto de sua autoria sobre <italic id="italic-3">Bio-necropolítica(s)</italic><italic id="italic-4">, contracolonialidade(s) e o dia seguinte</italic>. Por fim, houve a exposição de Bruno Franceschini, apresentando sobre <italic id="italic-5">Discurso, corpo e biopolítica: </italic><italic id="italic-6">pink money e a cena artística LGBTQ+ brasileira</italic>.<italic id="italic-7"> </italic>Essa tríade pautada na diversidade, marca um momento reflexivo com debates atuais de assujeitamentos de populações, corpos, subjetivações, tendo como terreno o uso do dispositivo da linguagem.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-dd1efacd5da10a89418a60b62e85746a">In order to problematize the relations between discourse and biopolitics, the table <italic id="italic-f89084ef0d2adb71c02b9aa392a91e0a">Discourse, Body, Biopolitics: the relations between discourse and biopolitics</italic>, composed by professors Atilio Butturi Junior, Maria de Fátima Lima Santos and Bruno Franceschini, mediated by Jair Zandoná, proposed a densely qualified journey in the concepts of biopower, biopolitics, necropolitics, subjectivation, resistance and persistence concerning life. Divided into three moments, the first intervention of the round table was given by Professor Atilio Butturi, entitled <italic id="italic-c79a89cbc989316d8309de2bdbec3bd6">Tecnobiocuir</italic>. Subsequently, Fátima Lima disserted on a text of her own on <italic id="italic-7767def702fb6f79ccf84c9960079de8">Bio-necropolitics(s), counter-coloniality(ies) and the next day</italic>. Finally, an exposure was performed by Bruno Franceschini, who talked about <italic id="italic-303befabbcb3912d3f91cec922d8c13a">Discourse, body and biopolitics: pink money and the Brazilian LGBTQ + art scene</italic>. This triad based on diversity, marks a reflective moment with current debates on population subjugation, bodies and subjectivations, having as ground the use of the language device.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">Biopolítica</kwd>
        <kwd content-type="">Discurso</kwd>
        <kwd content-type="">Resistências</kwd>
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    <sec id="heading-79e4d4387473d10b38aff632a025a59c">
      <title>Texto</title>
      <p id="paragraph-cac6670f37671c3b4de3f6076635f505">A mesa-redonda intitulada <italic id="italic-05b24b3813dd01059851479f31a5fe50">Discurso, Corpo, Biopolítica: as relações entre discurso e a biopolítica</italic><xref id="xref-c6561adca0b7a833daa8f77ca33bdda8" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-7db469295c672a27e76c93740d0c8943">[1]</xref> transporta-nos para um campo discursivo no qual é possível pensar essas relações sob vieses distintos, a saber, a literatura, a linguística e a antropologia, convergindo para discussões que envolvem os dispositivos da linguagem no seio do biopoder e da biopolítica. Assim, mediados pelo professor Jair Zandoná, os autores Atilio Butturi Junior, Fátima Lima e Bruno Franceschini proferem suas exposições a partir de pesquisas voltadas às questões de produções discursivas e de subjetividades que levaram/levam ao apagamento de sujeitos e de populações inteiras. </p>
      <p id="paragraph-2">A primeira intervenção, intitulada<italic id="italic-b5110377f420a9dcf84f628f378cfa2f"> Tecnobiocuir, </italic>ministrada por Atilio Butturi Junior (Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal de Santa Catarina - PPGL/USFC), apresenta-se como meio de descrição da relação entre o <italic id="italic-1db66fb956b77b5dbf6084022f4d8a34">cuir</italic><italic id="italic-2eb53a937c27141d55d11dea87969d83"> </italic>(e não <italic id="italic-4dc8be08d0015211ef7ec6f67ef898e0">queer</italic>) e o dispositivo da AIDS, como caminho para pensar em produção de resistências. Para isso, Atilio divide sua exposição em duas partes: a primeira, para pensar a Biopolítica à luz do tecnobiodiscursivo, imerso epistemologicamente em Lazzarato (2006<xref id="xref-eda9ad59a0b04c02ba01ccd647d263c1" ref-type="bibr" rid="book-ref-c6dd739c12266da1c5894ecfbf4b9f8a">[2]</xref>), Preciado (2008<xref id="xref-ee1c1caeec35a4fa06e293aa1fa055d6" ref-type="bibr" rid="book-ref-414bf0c69b0107f1fc9dbcb9840cdfb0">[3]</xref>), para expandir deleuzianamente aos estudos sobre a Biopolítica; a segunda, para compor uma análise panorâmica do tratamento tecnobiodiscursivo do <italic id="italic-b59b298fe6306af771d6afc0b58021ad">cuir</italic>, desde o surgimento nos EUA (<italic id="italic-68d27d7cc20a498e0a5e17e9a0af5281">queer</italic>) até sua circulação no Brasil. </p>
      <p id="paragraph-3">Atilio suscita a reflexão, no primeiro momento de sua exposição, instigando-nos sobre a menção da “vida” no célebre <italic id="italic-8">Curso de Linguística Geral</italic> de Saussure ao se/nos questionar o porquê da alusão a esse sintagma ao se instituir uma teoria sobre língua. Coincidentemente, é na passagem do século XIX para o XX que emergem reflexões sobre a vida. Neste ponto, o debatedor menciona os teóricos Aristóteles e Agamben, para problematizar que o homem moderno atua em um corpo individual e social e é na instância do falar que se conhece a qualificação da vida. Fato presente nas teorizações do filósofo Michel Foucault que instigou o participante Grîme a interpelar pelo <italic id="italic-9">chat</italic>: “Aristóteles em Foucault? Como assim?”. Comentário retomado no início do debate e, na réplica, Atilio esclarece que outros teóricos da Biopolítica também citam Aristóteles e a antiguidade se apresenta em Foucault de diferentes formas. </p>
      <p id="paragraph-4">O conceito de Biopolítica desenvolvido por Foucault em 1976, partindo do dispositivo da linguagem, é o prisma que interessa à exposição de Atilio, posto que transita no universo discursivo e no não-discursivo. Na premissa “fazer viver e deixar morrer” da Biopolítica e no conceito de Necropolítica de Mbembe (2016<xref id="xref-c5462d9318215e2e34da5958b4623ee9" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-e10c5f825e07fd32ca9d119eb3c9cd88">[4]</xref>) estão os pontos que o pesquisador balizará sua fala sobre racialização, sugerindo uma Tecnobiocuir, isto é, uma dissidência, um deslocamento das políticas identitárias. Essa discussão nos direcionará ao marco de invenção do <italic id="italic-10">cuir</italic> intrinsecamente ligado ao vírus e à política do corpo. </p>
      <p id="paragraph-5">Assim, Atilio nos conduz à segunda parte de sua fala, rumo à discussão do paradigma <italic id="italic-11">cuir</italic>. O palestrante discorre acerca do <italic id="italic-12">cuir</italic> como uma importação, um deslocamento da teoria para ser pensada a partir da materialização do Sul. Dessa forma, o pesquisador nos provoca a pensar essa diferença, esse deslocamento do <italic id="italic-13">queer</italic> americano para o <italic id="italic-14">cuir</italic> brasileiro, pensando este último a partir da teoria do <italic id="italic-15">cu</italic>, sob a ótica de Preciado (2008<xref id="xref-a196ae23f45c4258d430106881f0436c" ref-type="bibr" rid="book-ref-414bf0c69b0107f1fc9dbcb9840cdfb0">[3]</xref>), Perlongher (1987<xref id="xref-d7027245172dde8b11a562458b74d889" ref-type="bibr" rid="book-ref-5e943528d58cad8e02b8bb86c2af3440">[5]</xref>), Pelúcio e Milskolci (2009<xref id="xref-1685b37627183f814e80edfc826a6e65" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-13e878435aed6b693cfb56a7d747cf1f">[6]</xref>).</p>
      <p id="paragraph-6"> Partindo desta reflexão, o pesquisador problematiza o assunto das homossexualidades no Brasil, nos anos 1970 e 80, que relacionava caracteres biológicos do próprio DNA à AIDS. Com isso, reverberava uma separação entre pessoas, ditando a diferenciação entre vida normal e saudável. O interesse de Atilio reside nesse fator não-humano, virológico, inscrito no DNA, como elemento de um poder e efeito de transformação que leva a humanidade a vários novos realismos, criando uma subjetividade perigosa ditando aquilo que era cidadão, moral, para o que não era.</p>
      <p id="paragraph-7">Por fim, Atilio resume sua explanação na relação entre subjetividades dissidentes no Brasil, assim como nos EUA, ligada à transmissão do vírus da AIDS. Alerta-nos sobre a necessidade de pensar uma teoria X<italic id="italic-16"> </italic>para pensar discursivamente, biopoliticamente, o problema do <italic id="italic-17">cuir</italic>, das sexualidades, dos gêneros, questões ainda pouco investigadas no Brasil. </p>
      <p id="paragraph-8">A segunda conferencista, a antropóloga e feminista Fátima Lima (Programa Interdisciplinar de Pós Graduação em Linguística Aplicada - PIPGLA/UFRJ e Programa de Pós-Graduação em Relações Étnico - Raciais/CEFET/RJ), por meio da leitura de um texto de sua composição, como predisse Luiza Cassemiro (participante no <italic id="italic-18">chat</italic>), escrita de uma “fala potente, um afago na alma”, aborda o tema <italic id="italic-19">Bio-necropolítica(s), contracolonialidade(s) e o dia seguinte</italic>. Para ela, a política dos (sobre)viventes está diretamente ligada aos corpos nos quais esta, por meio da linguagem, cria produções discursivas nas subjetividades sobre o outro. Em seus estudos há um lugar central nas análises foucaultianas da relação de poder e desejo na majoração da vida, independentemente se esta se dá por meio de processos de assujeitamento e resistência, incluindo a eliminação de algumas vidas. <strike id="strike-through-1"/><italic id="italic-20"/></p>
      <p id="paragraph-9">Fátima propõe uma reflexão diferenciada (uma torsão, segundo a autora) de Biopolítica a partir do que ela tem chamado de uma <italic id="italic-21">Bio-necropolítica</italic>. Para ela, este conceito atua nos espaços marcados pelos colonialismos, colonialidades persistentes, hierarquias e classificações que são atualizadas cotidianamente. Essa concepção seria uma noção intercessora no entendimento das vicissitudes que nos compõem e nos atravessam nesses “Brasis”. Somos chamados a torcer ou esgarçar a Biopolítica foucaultiana, fazendo uso de lentes anticoloniais. <strike id="strike-through-2"/></p>
      <p id="paragraph-10">Para dar conta de um debate como esse nos “Brasis”, é preciso nos defrontarmos com as questões étnico-raciais presentes, com os racismos, as brutalidades e as violências legitimadas, bem como com o verdadeiro significado de democracia e de direito. Aqui, recorda-se os estudos de Apple (2003<xref id="xref-b47c4ddf8d2ff9019152d268a9564653" ref-type="bibr" rid="book-ref-4e905f719a085d3de43a1ff02c024309">[7]</xref>) e se avista o quanto é urgente um levante constante em contraposição às frentes neoliberais. Acreditamos que estas visam justamente transformar a própria ideia que temos de democracia e fazer com que a olhemos como um conceito econômico e não político. É no campo político que as hierarquias tradicionais de classe, raça e gênero encontram espaço para se reproduzirem.<strike id="strike-through-3"/></p>
      <p id="paragraph-11">Fátima lembra que a noção de soberania é chave para pensar necropolítica, não mais vista no âmbito de um debate clássico, mas de uma soberania capaz de romper os limites dos estados-nação e das próprias instituições estatais. Para a expositora há muita guerra ainda por vir, uma guerra entremeada numa Bio-necropolítica marcada por uma necroeconomia ou necropoder. Segundo ela, a forma como inimigos são criados e eliminados, as vidas que não são lamentadas, são reflexões que a levam a essa conclusão. <strike id="strike-through-4"/></p>
      <p id="paragraph-12">Necropolítica prediz uma política de matabilidade complexa. Conceição Evaristo, renomada escritora brasileira, presente na conferência através do <italic id="italic-22">chat</italic>, é mencionada por Fátima como intelectual negra que a tem ajudado a pensar nas mortes de minorias sociais, como negras e negros, pobres, favelados, e na própria violência do ato. Para ela, nas mortes residem a potência de responder a vida, principalmente em corpos e subjetividades que conhecem na epiderme. É na necropolítica que se ativariam os pontos de resistências viscerais. Nesse enfoque, a pesquisadora encerra sua fala, dedicando o texto a Miguel, mais uma vítima da brutalidade da necropolítica.</p>
      <p id="paragraph-13">Na última intervenção, <italic id="italic-23">Discurso, corpo e biopolítica: pink money e a cena artística LGBTQ+ brasileira, </italic>Bruno Franceschini (Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem da Universidade Federal de Goiás – PPGEL/UFG) abre sua fala comentando sobre seu projeto de pesquisa em torno das questões de gênero e sexualidade. Em sua intervenção explana que, em meio à onda conservadora presente no país, há resistências emergindo frequentemente e se propõe a transcrever tais práticas empreendidas pelos sujeitos artistas transexuais e <italic id="italic-24">drag queens</italic> no meio artístico e especificamente na música. Essa análise teve como mote a visibilidade dada pela mídia, uma vez que esses sujeitos, ditos infames, resistem aos preconceitos por meio da arte e de atravessamentos do discurso mercadológico, como o <italic id="italic-25">pink money</italic> (poder de compra da população LGBTQ+) e <italic id="italic-26">pinkwashing</italic>.</p>
      <p id="paragraph-14">O debatedor afirma que atualmente a comunidade LGBTQ+ vem ganhando notória visibilidade nas esferas sociais jurídica, escolar e religiosa. Exemplificando, mostra-nos alguns artistas LGBTQ+ que aparecem na grande mídia, despontando o interesse do capital através dos discursos do <italic id="italic-27">pink money</italic> e <italic id="italic-28">pinkwashing</italic>. Bruno sustenta que essas práticas do movimento se intensificam pela visibilidade de artistas LGBTQ+ que resistem ao preconceito por meio da arte. A exposição se pauta em três questões: (1) Como os corpos LGBTQ+ são subjetivados e objetivados pelo discurso de <italic id="italic-29">pink money </italic>e <italic id="italic-30">pinkwashing</italic>? (2) Como esse corpo, que objetivado, subjetivado e tido como infame, resiste tanto na ordem do discurso de gênero quanto na ordem do discurso econômico frente aos discursos que visam normatizar e normalizar suas condutas? (3) Como esse corpo resiste à heterocisnormatividade ou, ainda, transgride e faz de sua vida uma obra de arte?</p>
      <p id="paragraph-15">Em resposta a esses questionamentos, Bruno afirma que tudo perpassa a resistência ao poder e às práticas de liberdade com os seus corpos. Ou ainda, como explorou em resposta à ouvinte Loraine Lisboa, promovendo reflexões em torno da subjetivação do outro.</p>
      <p id="paragraph-16">Sem dúvida, as exposições premiaram os ouvintes no desvelo de dispositivos que silenciam e subjugam “minorias”, com debates que buscavam sempre uma articulação ao cenário vivido. Ao mostrar que práticas opressoras do passado insistem em assombrar o nosso presente, evidenciaram o quanto ainda não nos reconhecemos enquanto sociedade politizada. </p>
      <p id="paragraph-17">Há inúmeras injustiças, faces da opressão, do controle sobre muitas populações que compõem a sociedade. Marcas de um passado que, segundo Fátima Lima, necessita de enfrentamento. Portanto cabe principalmente a nós (sujeitos inseridos na academia) garantir espaços às vozes que resistem aos discursos que emergem nos dispositivos do biopoder.</p>
    </sec>
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          <article-title>DISCURSO, CORPO, BIOPOLÍTICA. Mesa-redonda apresentada por Atilio Butturi Junior, Fátima Lima e Bruno Franceschini [s.l., s.n], 2020, 1 vídeo (2h 15min 15s). Publicado pelo canal da Associação Brasileira de Linguística</article-title>
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