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          <italic id="italic-10e0bb0341f830760e7a9d750ade9ce7">Queer</italic>
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        <subtitle>O insulto, os movimentos e as linguísticas</subtitle>
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      <issue-title>Resenhas Abralin ao Vivo</issue-title>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">Esta resenha crítica apresenta as principais questões debatidas durante a mesa “Linguística Aplicada a partir de paradigmas <italic id="italic-ed6b096d2174bc1e0f087d25b41e1c0a">queer</italic>”<xref id="xref-a3e8b5d0977e15829680aaa6f76fd97c" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-7db469295c672a27e76c93740d0c8943">[1]</xref>, realizada no curso do “Abralin ao Vivo”. Para tanto, apresento uma breve contextualização acerca da trajetória dos paradigmas <italic id="italic-5dd1af8889bebb2660a17ba5506f8590">queer</italic>, enquanto crítica antiessencialista às normalizações de gênero, sexualidade e suas interseccionalidades. Em seguida, as discussões delineiam um escopo teórico-analítico da atual fase da Linguística <italic id="italic-3">Queer</italic> e seus principais interesses de pesquisa. Por fim, são apresentados os efeitos das aproximações possíveis entre paradigmas <italic id="italic-4">queer</italic> e perspectivas transgressivas e indisciplinares de Linguística Aplicada. Participaram da discussão as professoras Elizabeth Sara Lewis (UNIRIO), Luciana Rocha (Colégio Pedro II) e Iran Melo (UFRPE), e a mediação foi realizada pelas professoras Adriana Carvalho (UFRRJ) e Paula Szundy (UFRJ).</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-9ea35d3ae857109840741f2b12c03440">This review presents the main issues debated during the roundtable discussion Linguística Aplicada a partir de paradigmas queer (Applied Linguistics from queer paradigms), held in Abralin ao Vivo course. For this purpose, I present a brief contextualization about the queer paradigms trajectory as an anti-essentialist criticism of the normalization of gender, sexuality and its intersectionalities. Then, these discussions outline a theoretical and analytical scope of the current phase of Queer Linguistics and its main research interests. Finally, I present the effects of possible approximations of queer paradigms and transgressive and undisciplinary perspectives of Applied Linguistics. The professors Elizabeth Sara Lewis (UNIRIO), Luciana Rocha (Colégio Pedro II) and Iran Melo (UFRPE) participated in the discussion, and the mediation was carried out by the professors Adriana Carvalho (UFRRJ) and Paula Szundy (UFRJ).s of Applied Linguistics. The professors Elizabeth Sara Lewis (UNIRIO), Luciana Rocha (Colégio Pedro II) and Iran Melo (UFRPE) participated in the discussion, and the mediation was carried out by the professors Adriana Carvalho (UFRRJ) and Paula Szundy (UFRJ).s of Applied Linguistics. The professors Elizabeth Sara Lewis (UNIRIO), Luciana Rocha (Colégio Pedro II) and Iran Melo (UFRPE) participated in the discussion, and the mediation was carried out by the professors Adriana Carvalho (UFRRJ) and Paula Szundy (UFRJ).s of Applied Linguistics. The professors Elizabeth Sara Lewis (UNIRIO), Luciana Rocha (Colégio Pedro II) and Iran Melo (UFRPE) participated in the discussion, and the mediation was carried out by the professors Adriana Carvalho (UFRRJ) and Paula Szundy (UFRJ).</p>
      </abstract>
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        <kwd content-type="">Linguística <italic id="italic-1">Queer</italic></kwd>
        <kwd content-type="">Linguística Aplicada</kwd>
        <kwd content-type="">Teorias Queer</kwd>
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    <sec id="heading-79e4d4387473d10b38aff632a025a59c">
      <title>Paradigmas <italic id="italic-f9658223035c40df5166a10e55aff6f6">queer</italic>: o insulto, os movimentos e as teorias</title>
      <p id="paragraph-2">De um ponto de vista histórico bastante suscinto, as teorias <italic id="italic-2ac1431374c9408de828fe602020a258">queer</italic> correspondem a um conjunto de estudos críticos transdisciplinares acerca dos processos de normalização social, especialmente em termos de gênero e de sexualidade, originados no final da década de 1980, nos Estados Unidos. Sua emergência ocorre em face de uma tradução acadêmica das lutas políticas contra a assimilação dos movimentos gays e lésbicos tradicionais à normatividade heterossexual e contra a produção de um regime de <italic id="italic-88625fe97cccc6bc5b8e41c324573a9f">abjeção</italic> e abandono social ao qual pessoas de sexo e gênero dissidentes foram submetidas no contexto da epidemia de HIV, a denominada <italic id="italic-b35c5ade0d8f6d57d05c7ec263ee1b77">peste gay</italic>, durante o governo conservador de Ronald Regan (MISKOLCI, 2012)<xref id="xref-08320452eed4b4f9c47055924019b84a" ref-type="bibr" rid="book-ref-e74517c54c4d761dcc928d843a26ffc3">[2]</xref>. </p>
      <p id="paragraph-3">Nesses estudos, efeitos de um agenciamento complexo entre posições epistemológicas sobre sujeito, discurso, poder, corpo e sexualidade, advindas particularmente dos feminismos lésbicos e das filosofias pós-estruturalistas, a exemplo daquelas de origem foucaultiana e butleriana, a centralidade dessas teorias reside na crítica aos regimes de normalização da sexualidade que sustentam, em posições de poder (normalidade), identidades sexuais e de gênero heterossexuais, relegando suas dissidências a posições inferiorizadas (anormalidade), sujeitas a diferentes formas de violência. Assim, gênero e sexualidade, mais que identidades fixas, naturais e estáveis, propriedades ontológicas dos sujeitos, passam a ser tomados como efeitos de poder, socioculturais e históricos, produzidos mediante a reiteração de discursos difusos da heterossexualidade enquanto regime político e compulsório, ou seja, de uma matriz heteronormativa pautada na ficção regulatória da coerência entre sexo, gênero e desejo (BUTLER, 2017)<xref id="xref-bf4ec2669c5c2d3880c731f7f740096c" ref-type="bibr" rid="book-ref-44a093ff4b96c26fdbfe19836627c432">[3]</xref>.</p>
      <p id="paragraph-4"><italic id="italic-5">Queer</italic>, em termos de uma etimologia anglófona, guarda relações de sentido com “excêntrico”, “estranho”, “desajustado”. Somente após os célebres eventos que envolveram a condenação e a prisão do escritor britânico Oscar Wilde, acusado de práticas homossexuais, é que tal termo passaria a ser usado como um tipo de injúria de cunho sexual, marcadamente homofóbica (BORBA, 2019)<xref id="xref-43822d27599a3aabd2aadc069022332a" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-4fd75974b344f36bc2d0bddc15d3b6ff">[4]</xref>. É mediante a apropriação performativa desse insulto, torcendo, assim, sua semântica, que os referidos movimentos sociais estadunidenses de contestação de uma identidade homossexual hegemônica vão se autointitular, sob o efeito de um engajamento político, como movimentos<italic id="italic-6"> queer</italic>. </p>
      <p id="paragraph-5">Logo, mais do que a etiqueta lexical de uma identidade reconhecível, o <italic id="italic-7">quee</italic>r, incorporado na nomeação das Teorias <italic id="italic-8">Queer </italic>(TQ)<italic id="italic-9"> </italic>e da Linguística <italic id="italic-10">Queer</italic> (LQ), corresponde ao índice multidirecional de uma miríade de processos de significação insultantes translocais, tanto performativa quanto politicamente apropriados, de modo que me parece mais interessante, como argumenta Borba (2019)<xref id="xref-62c994d2ca5b707219e19c1de18abcfd" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-4fd75974b344f36bc2d0bddc15d3b6ff">[4]</xref>, ao invés de reconstituir uma trajetória etimológica do termo, imaginar uma história não linear de repetições, modificações e contorções de sentido que complexificam a tarefa de uma possível tradução satisfatória e definitiva para o português. </p>
      <p id="paragraph-6" />
    </sec>
    <sec id="heading-2">
      <title>Possibilidades, diálogos e (des)limites de uma Linguística <italic id="italic-11">Queer </italic></title>
      <p id="paragraph-10">Após as apresentações individuais das pesquisadoras convidadas<xref id="xref-71b298cac9da8f2ef62a587d5dff726e" ref-type="fn" rid="footnote-4550653583ac025e2c5a4ad7f4ea0ac2">1</xref> e de seus atuais interesses de pesquisa, em resposta a uma primeira rodada de questões levantadas por Adriana Carvalho, as debatedoras argumentaram em torno de definições possíveis para a Linguística <italic id="italic-12">Queer</italic> (LQ) e de efeitos das aproximações entre perspectivas <italic id="italic-13">queer </italic>de gênero e sexualidade e pesquisas em Linguística Aplicada (LA) transgressiva e indisciplinar. De modo geral, ficou sublinhado que a LQ, em sua fase atual, segundo aponta Borba (2015)<xref id="xref-8ab4126d941c1bdf5a3414d60630dfdf" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-df8d30f893e06b4a150a1566c92e7634">[5]</xref> numa releitura de seu texto seminal para a perspectiva no Brasil, se dedica a estudar criticamente a heteronormatividade, através de conceitos da TQ, examinando como discursos heteronormativos são sustentados ou subvertidos em práticas de linguagem situadas. </p>
      <p id="paragraph-11">Assim, desde a visada filosófica e política da linguagem como forma de ação, segundo as teorias da performatividade, interessa à LQ visibilizar os efeitos das multiplicidades de semioses e de engenharias linguísticas utilizadas por sujeitos, em suas interações cotidianas, a fim de produzir inteligibilidade sobre gênero, sexualidade e suas intersecções (raça e classe, por exemplo), nas mais diversas escalas e modalidades de significação. Por essa razão, argumentam as debatedoras, a LQ não é nem uma subdisciplina da Linguística nem um campo “novo” da Linguística Aplicada, mas uma postura teórico-metodológica e ético-política em estudos da linguagem. </p>
      <p id="paragraph-12">Tal postura, por sua vez, não possui fronteiras disciplinares rígidas nem rituais de pesquisa canonizados, de forma que, num trabalho em Linguística <italic id="italic-14">Queer</italic>, os procedimentos para geração e análise de dados podem ser construídos de modo sincrético, acionando construtos teórico-analíticos advindos de diferentes abordagens: linguísticas, textuais, interacionais, sociolinguísticas e/ou discursivas disponíveis num marco sociocultural dos estudos da linguagem. Assim, penso que, mediante a consideração dos significados sociais, culturais e históricos indexados pelos usos situados de recursos semióticos específicos, linguistas <italic id="italic-15">queer</italic> apontam a contingência radical de performances identitárias, desafiando visões deterministas de linguagem e de identidade, praticadas inclusive no interior de outras linguísticas que se põem a pensar sobre gênero e sexualidade, mas mantêm cristalizadas ideologias linguísticas essencialistas ou expressionistas, exemplo daquelas subjacentes aos empreendimentos descritivistas e universalizantes de uma suposta <italic id="italic-16">fala gay</italic>. </p>
      <p id="paragraph-0846b41135e2b519e5f540d72b1fb252" />
    </sec>
    <sec id="heading-3">
      <title><italic id="italic-17">Queerizar</italic> a Linguística Aplicada: pesquisa, educação e outras imaginações </title>
      <p id="paragraph-17">Numa segunda rodada de provocações feitas pelas medidoras às debatedoras, ficou bastante saliente na discussão que, em função dessas desestabilizações provocadas em um discurso fixista em torno da identidade, a LQ guarda semelhanças com as abordagens indisciplinares e transgressivas da LA (MOITA LOPES, 2006)<xref id="xref-66eb0e777a7e4509e339dff2cb010dc9" ref-type="bibr" rid="book-ref-a2738e1e10697d35156981272852d408">[6]</xref>. Nesse sentido, foram apontadas: a) a ênfase na linguagem como prática social desde uma perspectiva situada e intersubjetiva; b) o caráter indisciplinar e a ausência estratégica de métodos e procedimentos de pesquisa pré-definidos; c) a afirmação do caráter contingente da produção do conhecimento, o que renuncia à narrativa de uma suposta “leitura privilegiada” da vida social; d) a dimensão ética e política da pesquisa, preocupada com a mitigação do sofrimento humano a partir da escuta das vozes daqueles sujeitos marginalizados. </p>
      <p id="paragraph-18">Afora os pontos destacados, ganharam particular ênfase no debate os efeitos de uma mirada orientada tanto da LQ quanto da LA para a educação, em geral, e para a educação linguística crítica, em específico. Conforme as pesquisadoras apontaram, diante do flagrante momento político de intenso fascismo social, acirrado no contexto da pandemia de Covid-19, e do ataque sistemático à educação pública (expressa em projetos como o “Escola Sem Partido” e na ofensiva moral produzida pela pecha da “ideologia de gênero”), é cada vez mais evidente o caráter de descorporificação das práticas pedagógicas, negando vivências afetivas e generificadas de estudantes. Assim, tais debates acabam relegados ao escopo de discursos biologicistas e medicalizantes e a educação linguística reduzida à aprendizagem de um código linguístico, de um sistema abstrato de signos, que nada teria a ver com a vida e com as vivências corpóreo-identitárias dessas pessoas. </p>
      <p id="paragraph-19">Como práticas de resistência inspiradas pela LQ e pela LA face a esse processo, as debatedoras apontaram algumas possibilidades centradas: na transversalização das questões de gênero e sexualidade nos currículos escolares, como questões de direitos humanos e de enfrentamento às violências, a partir dos cotidianos escolares; na utilização crítica – <italic id="italic-18">queerização</italic> – das potenciais representações identitárias cis-heteronormativas oferecidas pelos materiais didáticos disponíveis; na prática de uma educação linguística crítica que tome a língua(gem) enquanto repertório sociossemiótico performativo, ou seja, a partir do qual os sujeitos agem no mundo, (des)construindo suas performances mediante tensões e disputas de poder entre identidades e diferenças. </p>
      <p id="paragraph-20">Ainda que as recontextualizações aqui produzidas não façam jus à totalidade dos pontos debatidos na mesa temática resenhada, como é próprio deste gênero do discurso, sua realização figura como um momento de importante visibilização da Linguística <italic id="italic-19">Queer </italic>praticada no Brasil enquanto uma orientação epistemológica produtiva no campos dos estudos linguísticos, dada sua construção de inteligibilidades sobre a vida social corporificada, em termos das relações entre linguagem, gênero, sexualidade e suas interseccionalidades. </p>
    </sec>
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        <label>1</label>
        <p id="paragraph-44986ee349ad79a05116ae035612219b">Adoto o feminino gramatical como forma genérica de referência em respeito ao que ficou acordado durante a realização da mesa, enquanto expressão de um posicionamento político antimasculisnista. </p>
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          <article-title>(RE)PENSANDO a Linguística Aplicada a partir de paradigmas queer. Mesa-redonda apresentada por Elizabeth Sara Lewis, Iran Ferreira de Melo, Luciana Lins Rocha [s.l., s.n], 2020. 1 vídeo (2h 30min 50s). Publicado pelo canal da Associação Brasileira de Linguística</article-title>
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          <article-title>Conhecendo a Linguística <italic id="italic-fbf90b77cc7bdc7f816b9f6ecfa74087">Queer</italic>: Entrevista com Rodrigo Borba</article-title>
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          <article-title>Linguística queer: uma perspectiva pós-identitária para os estudos da linguagem</article-title>
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