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        <article-title>Argumentação e interação</article-title>
        <subtitle>Novos caminhos para a Linguística Textual</subtitle>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">Esta mesa-redonda abordou interfaces entre texto, argumentação e interação levando em consideração as abordagens teóricas com as quais a Linguística Textual dialoga hoje. No primeiro momento, a professora Mônica Magalhães Cavalcante explorou esse panorama interdisciplinar que a Linguística Textual assume atualmente em suas investigações. Em seguida, a professora Ana Lúcia Tinoco Cabral abordou a mudança do texto <italic id="italic-a805598bff9ac6786509e93e55a34e3a">off-line</italic> para o digital, explorando implicações sobre o plano de texto, a interação e a argumentação. Por fim, a professora Maria Eduarda Giering apresentou o impacto dos textos nativos digitais sobre a questão da textualidade. As autoras enfatizaram a necessidade de que sejam repensadas ou complexificadas as categorias atualmente utilizadas pelos linguistas do texto para a análise das interações que acontecem em ambiente digital.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>RÉSUMÉ</title>
        <p id="paragraph-9ea35d3ae857109840741f2b12c03440">Cette table ronde a abordé les interfaces entre le texte, l'argumentation et l'interaction en tenant compte des approches théoriques avec lesquelles la linguistique textuelle dialogue aujourd'hui. Dans un premier temps, la professeure Mônica Magalhães Cavalcante a exploré le panorama interdisciplinaire que la Linguistique Textuelle assume actuellement dans ses investigations. Ensuite, la professeure Ana Lúcia Tinoco Cabral a abordé le passage du texte offline au texte numérique, explorant les implications pour le plan du texte, l'interaction et l'argumentation. Enfin, la professeure Maria Eduarda Giering a présenté l'impact des textes numériques natifs sur la question de la textualité. Les chercheuses ont souligné la nécessité de repenser ou de complexifier les catégories actuellement utilisées par les linguistes du texte pour l'analyse des interactions qui se déroulent dans un environnement numérique.</p>
      </abstract>
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        <kwd content-type="">Linguística Textual</kwd>
        <kwd content-type="">Argumentação</kwd>
        <kwd content-type="">Interação</kwd>
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    <sec id="heading-79e4d4387473d10b38aff632a025a59c">
      <title>Texto</title>
      <p id="paragraph-8f7a997054c3bbf6ca582712f917bae3">A mesa-redonda resenhada neste trabalho faz parte de uma série de transmissões ao vivo realizadas pela Associação Brasileira de Linguística (Abralin) em seu canal no <italic id="italic-5b0b5df9c9c5fbff94c4df85a3954179">Youtube</italic>, no período de maio a julho de 2020. Em 15 de maio de 2020, às 10h, as pesquisadoras Mônica Magalhães Cavalcante, Ana Lúcia Tinoco Cabral e Maria Eduarda Giering, sob moderação da professora Mariza Angélica Paiva Brito, discutiram o tema tema “Linguística Textual – argumentação e interação”<xref id="xref-af47ef63b1994a07c61a32ceb1d373da" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-491364f0771ee79fa3b90943120e13ec">[1]</xref>.</p>
      <p id="paragraph-2">Sem receio de se reconhecer interdisciplinar, a Linguística Textual hoje (doravante LT), no Brasil, prossegue no diálogo com perspectivas teóricas que envolvem temas caros para a área, como texto, argumentação e interação. Em sua fala de abertura dessa mesa virtual, a professora e pesquisadora Mônica Magalhães Cavalcante enfatiza que a interdisciplinaridade assumida pela LT não é aleatória, pois visa a objetivos específicos dentro desse campo de estudo. Portanto, trata-se de um diálogo que necessariamente é coerente com os pressupostos e os critérios de análise assumidos por essa corrente teórica.</p>
      <p id="paragraph-3">Em primeiro lugar, segundo a pesquisadora, esse diálogo se manifesta na concepção do objeto de estudo da disciplina: o texto. Com base em pressupostos de Adam (2019)<xref id="xref-85a3b5857d4f40462ae55934dd07d513" ref-type="bibr" rid="book-ref-54f33299e6da2c6bc67a2b07ff3e9674">[2]</xref> e Beth Brait (2016)<xref id="xref-febab7243738299bdcebcac8b6d2006c" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-c6b95ee1c72bdb21ce5be4ecd306864d">[3]</xref>, para a LT, sobretudo aquela praticada pelo grupo Protexto, do qual a professora é líder, o texto é considerado como evento único e irrepetível, que compõe uma unidade de comunicação e de sentido em contexto. Sua expressão se dá por meio de uma combinação de sistemas semióticos. O texto é, ainda, com base em pressupostos trazidos da Análise Dialógica do Discurso, situado, inscrito em um quadro sociocultural e sempre dialógico. A LT considera, ainda, sob influência da Semiolinguística, de Patrick Charaudeau, que o texto se estabelece por meio de um contrato comunicativo, que apresenta restrições e rituais próprios de um circuito de comunicação. </p>
      <p id="paragraph-4">De acordo com a fala de Mônica Cavalcante, outro conceito que tem sido tomado de maneira interdisciplinar nos estudos de LT é o de sujeito. O sujeito, para a Semiolinguística, deve ser visto sob duas dimensões: uma de comunicante, intencional e estratégico, e outra de uma identidade sociodiscursiva exercendo, na interação, papéis sociais. Por influência de Charaudeau e de Amossy, a LT hoje tem assumido que o sujeito é estratégico e que realiza atos negociados na tentativa de exercer algum tipo de influência sobre o outro. Mônica Cavalcante propõe uma compatibilidade entre a dimensão do sujeito como locutor (comunicante) e sua condição de sujeito clivado, conforme defende Authier-Revuz (1984)<xref id="xref-a9b17ecdce8a1af1abcec17aab1d313b" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-9d5444772e559af02bc3b86109f86e61">[4]</xref>, com base em Freud (1993)<xref id="xref-eacf28ee8291eb81acf5b0c324752d92" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-eeab2880f2310198b7875119d4ca1393">[5]</xref>. O sujeito na dimensão de locutor, portanto, na perspectiva apresentada pela pesquisadora do grupo Protexto, acredita ter controle do que diz e o faz de modo estratégico, não tendo, no entanto, como impedir que outras vozes atravessem seu dizer. Dessa forma, o locutor usa recursos linguageiros para provocar efeitos argumentativos possíveis, supondo controle total sobre os sentidos que produz no texto.</p>
      <p id="paragraph-5">Nessa perspectiva, a pesquisadora enfatiza que, ao linguista do texto, cabe, então, investir nessas duas dimensões do sujeito, o qual opera como locutor, cumprindo papéis sociais, revelando posicionamentos discursivos de uma sociedade e instaurando um interlocutor e um terceiro (participante indireto). Para finalizar sua apresentação, a pesquisadora afirma que os recursos das mídias digitais podem ser usados como estratégias argumentativas, na medida em que promovem modos de interação que visam influenciar o outro.</p>
      <p id="paragraph-6"> A segunda convidada desta mesa foi a professora e pesquisadora Ana Lúcia Tinoco Cabral, que discorreu sobre o tema “Do texto <italic id="italic-2">off-line</italic> para o digital: implicações sobre o plano de texto, a interação e a argumentação”. Em sua apresentação, a pesquisadora demonstra como o plano de um texto pode se transformar ou se complexificar em função dos recursos digitais. Além disso, Ana Lúcia Tinoco Cabral busca analisar como esses recursos contribuem para a interação e para a argumentação.</p>
      <p id="paragraph-7">Inicialmente, a professora reforça o conceito de texto que a LT defende hoje, enfatizando que esse objeto é um evento sociocognitivamente situado em contextos de interação, que apresenta uma organização composicional e retrata um projeto enunciativo argumentativamente orientado. Esse plano de texto, segundo a pesquisadora, orienta a produção textual e sua leitura. </p>
      <p id="paragraph-8">Em sua apresentação, a autora explica que conteúdos produzidos para a <italic id="italic-3">Web</italic> seguem três princípios básicos: i) adequação às necessidades e exigências do público, ii) adaptação ao tipo de plataforma digital; iii) produção de conteúdos apelativos e criativos que estimulem a atenção do leitor, envolvendo-o de alguma maneira (NIELSON, 2000)<xref id="xref-c94f0f3422fa84fe3bfc4e31315169d4" ref-type="bibr" rid="book-ref-bbf63f0fc9aac888092f9e7dfe8e69ab">[6]</xref>. Esses princípios, conforme esclarece Cabral, têm relação direta com as necessidades do leitor da Web. </p>
      <p id="paragraph-9">No exemplo analisado durante sua fala, a professora apresenta uma crônica divulgada por meio da mídia jornalística impressa e por meio da mídia internet. Em cada uma das situações, o plano de texto reflete uma organização diferente em relação aos conteúdos do que a autora chama de “tecido textual”. Para a pesquisadora, os textos que circulam em ambiente digital têm seus sentidos ampliados, na medida em que a interação é facilitada e estimulada. Esse diálogo entre texto e usuários e entre usuários sobre textos cria, na perspectiva da professora, um ambiente mais adaptado à interação e à argumentação. </p>
      <p id="paragraph-10">A apresentação final da mesa aqui resenhada ficou a cargo da professora e pesquisadora Maria Eduarda Giering, que abordou o tema “O impacto do digital sobre a textualidade”. Em sua fala, a professora discorreu sobre alguns postulados da Análise Textual dos Discursos para a textualidade, sobre a Análise do Discurso Digital e sobre a possível noção de <italic id="italic-4">faire texte</italic> para os discursos digitais nativos.</p>
      <p id="paragraph-11">Inicialmente, a pesquisadora levanta uma questão que diz respeito ao conceito de texto. Com base em Adam e Philippe (2015)<xref id="xref-59013f048e8406751ec7e19a3f98c571" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-457a93ec4f1d21aece3955a543a8e673">[7]</xref>, a autora menciona que é preciso questionar os fatores que levam um sujeito escritor ou leitor a ter um julgamento de textualidade. Para os autores, esses fatores reforçam a posição de que escritor e leitor fazem uma análise com base em três elementos-chave: a conexidade, a coesão e a coerência. A professora Eduarda Giering esclarece que o primeiro são as ligações microtextuais dos enunciados; o segundo, por sua vez, é a percepção de totalidade local e global; e, por fim, o terceiro elemento tem relação com a percepção de adequação dos enunciados a uma situação sociodiscursiva e a um gênero. </p>
      <p id="paragraph-12">Ao longo de sua apresentação, a pesquisadora apresenta os três tipos de organização para as operações de ligação postulados por Adam (2015; 2019)<xref id="xref-141e9cf3d5982da9e0cb8415c7e298f7" ref-type="bibr" rid="book-ref-54f33299e6da2c6bc67a2b07ff3e9674">[2]</xref>: ligações microestruturais de base, ligações mesotextuais e ligações macrotextuais. A professora destaca que essas categorias foram pensadas para o texto <italic id="italic-5">off-line</italic>, o que, portanto, levam o pesquisador em LT a ser conduzido a diálogos com outros autores, como Paveau (2015)<xref id="xref-5fb68fc910a2431b4225dc956ed042fa" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-749f7f16b707bf73b3f4512021a9858f">[8]</xref>. Essa autora considera, conforme explica a professora Eduarda, que as formas do discurso <italic id="italic-6">on-line</italic> também são constituídas de matéria tecnológica ou, como prefere a pesquisadora francesa, de matérias tecnolinguageiras.</p>
      <p id="paragraph-13">A partir dessa noção de Paveau (2015)<xref id="xref-db769dab5a251c27807887ad1db6f526" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-749f7f16b707bf73b3f4512021a9858f">[8]</xref>, a pesquisadora Eduarda Giering apresenta os conceitos de tecnodiscurso e tecnologia discursiva e reforça que as ciências da linguagem, em seu componente texto/discurso/interação, precisam levar em consideração o conjunto do dispositivo a partir do qual os enunciados são produzidos. Nessa perspectiva, a professora afirma que é preciso pensar em uma Linguística da hipertextualização, ou seja, uma linguística que leve em consideração uma perspectiva, conforme explica a professora, ecológica, a qual permita integrar parâmetros técnicos e sociotécnicos à concepção dos fenômenos linguageiros e discursivos.</p>
      <p id="paragraph-14">Em sua apresentação, a professora Eduarda Giering apresenta alguns exemplos para esclarecer de que modo os textos digitais nativos se manifestam, reforçando, assim, entre outros aspectos, sua deslinearização visual, sintagmática, enunciativa, discursiva e semiótica (PAVEAU, 2017)<xref id="xref-f5d90bdb05b55e2c2b21b8854581474c" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-42f5f5f6f9373c35f76da9c91156b4d5">[9]</xref>. A professora finaliza sua fala ressaltando que o desafio dos linguistas do texto hoje é conseguir ir além dos elementos que marcam a textualidade impressa, a fim de dar conta do caráter complexo do tecnodiscurso. </p>
      <p id="paragraph-15">O debate com os participantes do <italic id="italic-7">chat</italic>, ao final das apresentações, contemplou discussões relacionadas aos conceitos de persuasão e argumentação para a LT, ao papel da referenciação na argumentação e aos impactos teórico-metodológicos em análises que levem em consideração textos nativos digitais.</p>
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          <article-title>LINGUÍSTICA Textual - argumentação e interação. Mesa-redonda mediada por Mariza Angélica Paiva Brito e apresentada por Mônica Magalhães Cavalcante, Ana Lúcia Tinoco Cabral e Maria Eduarda Giering [s.l., s.n], 2020. 1 vídeo (1h 0min 43s). Publicado pelo canal da Associação Brasileira de Linguística</article-title>
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