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        <article-title>A gênese <italic id="italic-f17c743ec5cc8d767fdd8b250548cd39">pidgin</italic> revisitada</article-title>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">Esta resenha destaca os principais pontos que foram abordados por Mufwene na sua conferência que se encaixa no quadro dos estudos de <italic id="italic-1458d2878c487010bd59d39baa0c5a66">pidgins</italic> e crioulos. Ao relatar as condições de emergência dos <italic id="italic-2">pidgins</italic> e crioulos, o autor vem questionando teses amplamente difundidas nesta área, tal como o fato de que os crioulos têm uma filiação com os <italic id="italic-3">pidgins</italic>. De acordo com Mufwene, crioulos nasceram antes dos <italic id="italic-4">pidgins</italic> e não teriam necessariamente uma relação com eles, uma vez que teriam condições de emergência distintas. A conferência foi seguida de um debate que permitiu aprofundar as reflexões acerca da criação e da evolução dos <italic id="italic-5">pidgins</italic> e crioulos.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Résumé</title>
        <p id="paragraph-9ea35d3ae857109840741f2b12c03440">Ce compte-rendu relate les principaux points abordés par Mufwene lors de sa conférence, qui se situe dans le champ d’étude des <italic id="italic-3e1681f387839311a59f95419e6d15f1">pidgins</italic> et créoles. En retraçant les conditions d’émergence des <italic id="italic-9de12debde4f026d81e4cb3f460eba59">pidgins</italic> et créoles, l’auteur remet en question certaines thèses largement partagées dans ce domaine d’étude, comme, par exemple, le fait que les créoles aient un lien de filiation avec les <italic id="italic-1c861014bae9c630c12c07c13e08068d">pidgins</italic>. Selon Mufwene, les créoles sont nés avant les <italic id="italic-ac6de1b92189a1627fe3925458a84286">pidgins</italic> et il n’y aurait pas nécessairement de relation entre eux, puisqu’ils ont émergé dans des conditions différentes. La conférence a été suivie d’un débat qui a permis d’approfondir les réflexions sur la création et l’évolution des <italic id="italic-7c4b4ef2ce9cd2d6ca01f01ccca22cd4">pidgins</italic> et créoles.</p>
      </abstract>
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        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-073bc6bea054deea56c9cd40230c6667">Pidgins</italic>
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    <sec id="heading-79e4d4387473d10b38aff632a025a59c">
      <title>Texto</title>
      <p id="paragraph-b15cdb9c91c496d6882bf003556b5682">No dia 7 de maio de 2020, o professor Salikoko S. Mufwene, linguista da Universidade de Chicago e especialista em <italic id="italic-850e50ddf5402f6f907c934849d7945b">pidgins</italic> e crioulos, deu uma conferência <italic id="italic-71c918b17b2c52524d49b3244e7c5c1b">on-line</italic> no <italic id="italic-6801400f81d80ac0bf9c7339e0bc94d4">site</italic> da Abralin, Associação Brasileira de Linguística, com o título <italic id="italic-504d3432515cddcf1b4951796c17042c">How Pigins emerged? Not as we have been told</italic><xref id="xref-f8e1415f3acd8d5976fed6192ca0b540" ref-type="fn" rid="footnote-04e0e8142c6d8d44996805fcc0ff0c9b">1</xref><xref id="xref-65906acc5b27aa1801ba1bcfb73c41c9" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-7db469295c672a27e76c93740d0c8943">[1]</xref>. O professor ofereceu uma releitura convincente do contexto histórico no qual surgiram os <italic id="italic-81d1cf7e71fe79d16704b499b56c031a">pidgins</italic> e convidou o público a repensar os vínculos, ou a sua inexistência, entre crioulos e <italic id="italic-6">pidgins</italic>.</p>
      <p id="paragraph-2">O professor primeiro ressaltou que a narrativa clássica sobre o nascimento de <italic id="italic-7">pidgins</italic> e de crioulos está marcada por contra-verdades e afirmações sem fundamentos. De acordo com muitos linguistas, os <italic id="italic-8">pidgins</italic> teriam nascido de intercâmbios comerciais entre europeus e não europeus entre os séculos XIV e XIX. Sua origem estaria no fato de os europeus não terem aprendido as línguas locais e de os diferentes povos não compartilharem uma língua de contato. Essa narrativa sugere a existência de feiras semelhantes a “bazares”, onde qualquer um poderia ter trocado bens e nos quais os <italic id="italic-9">pidgins</italic> teriam nascido. Uma outra ideia comum que o professor descarta é o fato de os crioulos terem vindo dos <italic id="italic-10">pidgins</italic>. De fato, essa ideia é muito difundida nos estudos linguísticos dos <italic id="italic-11">pidgins</italic> e crioulos, como o atesta, por exemplo, a explicação de Holm (2010)<xref id="xref-f636dbc7cec38689038516d86fc5fa95" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-73d17ef27bf6eaf4980c74ee3359ba24">[2]</xref>: “Por definição, um crioulo tem um <italic id="italic-12">pidgin</italic> – ou um jargão pré-<italic id="italic-13">pidgin</italic> sem normas – na sua ascendência”<xref id="xref-e8c18fb8151ed44ba136f7acb2220af0" ref-type="fn" rid="footnote-6c0719d930113c84df59540792146997">2</xref>. Mufwene vai de encontro a essa posição e estipula que os <italic id="italic-14">pidgins </italic>e crioulos seriam processos paralelos, e não necessariamente ligados. Eles simplesmente se dariam em contextos ecolinguísticos diferentes.</p>
      <p id="paragraph-3">Em oposição a essas concepções comuns, Mufwene relembra que as feiras de tipo “bazar” nunca existiram na África. As mercadorias (armas, escravos, metais, etc.) eram trocadas por companhias poderosas, tais como a <italic id="italic-15">East India Company</italic>, que faziam transações financeiras significativas pelo intermédio de corretores. Essas companhias trocavam bens comercias com poderosos Estados africanos, tais como os impérios da África ocidental ou os Estados bantus, e não com indivíduos quaisquer em praça pública. Nesse sentido, antes do século XIX e da criação de colônias, tratava-se de relações comerciais igualitárias, comparáveis ao que acontece hoje em dia no mundo globalizado.</p>
      <p id="paragraph-4">Mufwene salienta o fato de que, nessas condições, a criação de <italic id="italic-16">pidgins</italic> não se deu na África porque ela não era necessária. As trocas entres as companhias europeias e os Estados africanos foram mediadas por intérpretes que desempenharam um papel fundamental entre os séculos XIV e XIX. Assim sendo, Mufwene assinalou a importância de demonstrar honestidade intelectual e admitir que não se sabe exatamente quando e em que língua se deram os primeiros contatos entre portugueses e africanos. O fato de as primeiras trocas comerciais terem começado tempos depois dos primeiros encontros sugere que houve necessidade de um tempo de adaptação, <italic id="italic-17">a fortiori</italic> linguística, para se poder estabelecer uma comunicação suficientemente consistente e se desenvolver uma confiança comercial. O que se sabe é que membros de famílias africanas foram para a Europa, incialmente para Portugal, para obter educação formal e, no sentido contrário, exilados europeus (desertores, exilados religiosos, etc.) foram buscar refúgio na África. Estes indivíduos aprenderam as línguas dos outros por imersão e desempenharam um papel-chave no estabelecimento de relações comerciais. O comércio entre África e Europa se deve em maior grau à intervenção de intérpretes do que à formação de <italic id="italic-18">pidgins.</italic> Além do mais, sabe-se que o português atuou como língua franca na região até pelo menos o século XVIII, sendo descartada a necessidade de um <italic id="italic-19">pidgin</italic> para se comunicar. Apoiando-se nesses fatos históricos, Mufwene recorda que o nascimento dos <italic id="italic-20">pidgins</italic> não está necessariamente ligado à emergência de relações comerciais internacionais e ao início da “aventura” colonial, como foi frequentemente assumido.</p>
      <p id="paragraph-5">Por conseguinte, Mufwene se opõe às teorias que apresentam os <italic id="italic-21">pidgins</italic> como ancestrais dos crioulos. De acordo com o professor, o primeiro documento que atesta a existência de um <italic id="italic-22">pidgin </italic>dataria do século XIX e se refere ao gullah americano. Ele questiona vários argumentos fornecidos como prova da existência antiga dos <italic id="italic-23">pidgins</italic> por linguistas. Mufwene vai de encontro às provas que Dillard (1992) traz para assinalar a existência de um <italic id="italic-24">pidgin</italic> inglês no século XVII. O pesquisador também declara que as provas são insuficientes para falar de um <italic id="italic-25">pidgin </italic>árabe nas rotas comerciais preexistentes ao comércio afro-europeu, enquanto Holm (2010)<xref id="xref-d6064fc6a40b55f229d10f6645084832" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-73d17ef27bf6eaf4980c74ee3359ba24">[2]</xref> apresenta, ao contrário, o <italic id="italic-26">pidgin</italic> árabe como o primeiro exemplo conhecido de <italic id="italic-27">pidgin</italic>, no século XI. No que se refere à emergência precoce de <italic id="italic-28">pidgins</italic>, Mufwene deduz que “a ausência de provas é uma prova da ausência”. Sublinhando que os primeiros casos atestados de <italic id="italic-29">pidgins</italic> datam do século XIX, enquanto a palavra “crioulo” já aparece desde o século XVI, o autor sugere que os crioulos podem ter existido antes dos <italic id="italic-30">pidgins</italic>, o que descarta a ideia de os crioulos se formarem a partir dos <italic id="italic-31">pidgins</italic>. Para reforçar o seu argumento, ele usa o exemplo dos <italic id="italic-32">pidgins</italic> ingleses da Nigéria e dos Camarões, que são uma ramificação do krio, língua falada em Serra Leoa, que teria por sua vez emergido do crioulo jamaicano um século antes. Nesse caso, um crioulo teria dado à luz um <italic id="italic-33">pidgin</italic>.</p>
      <p id="paragraph-6">De acordo com Mufwene, ambos, <italic id="italic-34">pidgins</italic> e crioulos, decorrem do fenômeno de basilectalização, ideia que ele compartilha com Chaudenson (2003)<xref id="xref-0740134de7b948b935998d2bab4621d9" ref-type="bibr" rid="book-ref-2ef92e325d7507317d660c278ee93848">[3]</xref>, autor segundo o qual crioulos se formaram a partir de aproximações sucessivas de línguas europeias. Assim, a diferença entre <italic id="italic-35">pidgins</italic> e crioulos se deve principalmente às condições de emergência diferenciadas. Os crioulos são mais característicos de colônias de povoamento, onde a população europeia não é majoritária, mas onde o contato com a língua-fonte é frequente. Os <italic id="italic-36">pidgins</italic> servem de línguas francas em lugares onde o uso de línguas europeias é mais ocasional. Em lugares onde os <italic id="italic-37">pidgins</italic> são falados, geralmente ocorre a presença de outras línguas.</p>
      <p id="paragraph-7">Observa-se também a relativa ausência de <italic id="italic-38">pidgins</italic> franceses, portugueses ou holandeses, de modo que os <italic id="italic-39">pidgins</italic> parecem ser uma peculiaridade da língua inglesa. O professor ressaltou a importância de explicar a razão dessa especificidade da língua inglesa, mas não chegou a aprofundar muito o assunto, provavelmente em decorrência da falta de tempo. No entanto, ele propôs linhas de interpretações desse fenômeno em outras publicações (MUFWENE, 2012)<xref id="xref-6ae8c691122453fe27dc11f416537854" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-de31ca2299f1906ff51535463c29b81e">[4]</xref>.</p>
      <p id="paragraph-8">As perguntas dos participantes ajudaram também a enriquecer a reflexão sobre o assunto. Foi notadamente levantada a questão da chegada massiva de refugiados à Europa como possível ocasionadora da criação de crioulos. Perante essa pergunta, o professor alertou sobre a importância de permanecer prudente ao usar os termos crioulo ou <italic id="italic-40">pidgin</italic>, já que qualquer classificação carrega consigo um viés. Assim, seria possível qualificar quase todas as línguas do mundo como crioulos. Contudo, afirmamos que a aparição de crioulos decorrente das línguas de refugiados na Europa é pouco plausível, na medida em que os filhos dos refugiados muito provavelmente se tornarão locutores nativos das línguas europeias. Algumas palavras ou estruturas linguísticas certamente irão influenciar línguas europeias, como já é o caso da língua árabe no “argot” francês, mas não é o suficiente para falar de crioulo. </p>
      <p id="paragraph-9">Vale evocar a participação de Michel Degraaf, especialista do crioulo haitiano, que perguntou sobre casos locais de evolução de <italic id="italic-41">pidgins</italic> para crioulos, como o sugere, por exemplo, Bickerton (1981)<xref id="xref-3c3a8741c9130ce47c5d4e33e25fe086" ref-type="bibr" rid="book-ref-dc9b8409440de997bd18ee15178c3579">[5]</xref>, usando o caso do <italic id="italic-42">pidgin</italic> inglês haitiano como uma demonstração de evolução de um <italic id="italic-43">pidgin</italic> para um crioulo. Contudo, Mufwene rejeita essa hipótese e defende que, no Havaí, como em outras regiões, o <italic id="italic-44">pidgin</italic> e o crioulo evoluíram paralelamente em lugares diferentes. A particularidade do caso haitiano consistiria apenas no fato de que o crioulo foi praticado na cidade e o <italic id="italic-45">pidgin</italic>, na plantação, ao contrário do que ocorreu nas Antilhas. </p>
      <p id="paragraph-10">Por fim, podemos afirmar que a conferência proposta por Mufwene foi extremamente rica. Além de abordar um campo de estudos específico, o dos crioulos e <italic id="italic-46">pidgins</italic>, e conceitos teóricos ainda pouco difundidos no Brasil, o professor também pôs em xeque algumas das concepções que sustentam esse campo de estudos. Dessa forma, ele relembrou a todos a importância de demonstrar rigor e honestidade intelectual em qualquer desdobramento intelectual. Vale ressaltar a pertinência desse campo de estudos no Brasil, país onde se encontraram línguas de vários povos em um contexto de colonização e, portanto, que apresenta características ecolinguísticas semelhantes à de territórios onde nasceram crioulos, tais como as Antilhas. Se o português brasileiro não é considerado um crioulo por muitos linguistas, é certamente um caso de contato linguístico que merece continuar sendo pesquisado.</p>
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        <p id="paragraph-98428fa2f647222039f4663d6342287c"><ext-link id="external-link-ff5677ee49651ab375aff132473dab68" xlink:href="#_ftnref1"/> “Como os pidgins emergiram? Não como nos contaram.” Tradução própria.  </p>
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          <article-title>HOW pidgins have emerged. Not has we have been told. Conferência apresentada por Salikoko S. Mufwene [s.l., s.n], 2020. 1 vídeo (1h 19min 11s). Publicado pelo canal da Associação Brasileira de Linguística</article-title>
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          <source>Actes du XIIIè colloque du comité international de études créoles</source>
          <article-title>Globalisation économique mondiale des XVIIe-XVIIIe siècles, émergence des créoles et vitalité langagière</article-title>
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