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        <article-title>"<italic id="italic-5ee3f15e39a7f1a58741a05c11a5c9f2">Pidgin</italic>" e "crioulo" como rótulos sócio-históricos</article-title>
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      <issue-title>Resenhas Abralin ao Vivo</issue-title>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">Na conferência “<italic id="italic-fedcceb971e74cb0573f7efad204706c">How Pidgins Emerged? Not as We Have Been Told</italic>” proferida por Salikoko S. Mufwene, professor do Departamento de Linguística da Universidade de Chicago, e destacado especialista na área de estudos de línguas classificadas como <italic id="italic-bc2c1a6ff089d39118a3d75a3409c596">pidgins</italic> e crioulos, questionam-se diversos pontos da narrativa tradicional adotada por muitos linguistas sobre a emergência de <italic id="italic-77f3c226ad416c0c96891316d6c7bc97">pidgins</italic> e crioulos. Toda a obra de Mufwene se contrapõe à narrativa tradicional acerca de <italic id="italic-389db40cb6930c3736fba9e0f2e1795e">pidgins</italic> e crioulos por, entre vários outros pontos, redefinir a compreensão dos rótulos “<italic id="italic-1426bc9ccd3611732390dc88917c91f9">pidgin</italic>” e “crioulo”. Segundo Mufwene, <italic id="italic-6">pidgins</italic> e crioulos se desenvolveram separadamente, em ecologias diversas, e em épocas diferentes. A partir desta perspectiva, os rótulos “<italic id="italic-7">pidgin</italic>” e “crioulo” são rótulos sócio-históricos, não estruturais e tampouco se relacionam a uma etapa de um ciclo de vida.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-9ea35d3ae857109840741f2b12c03440">In the conference “How <italic id="italic-62689d928d4c4a2e5af3b01d4d3d0291">Pidgins</italic> Emerged? Not as We Have Been Told” delivered by Salikoko S. Mufwene, professor at the Department of Linguistics of The University of Chicago, and distinguished specialist in the study of languages classified as <italic id="italic-1c21128a2662dc7b0da56f55ef38dd7f">pidgins</italic> and creoles, much of the traditional narrative about the emergence of <italic id="italic-7be8318579a02672d4f1ec9dcd24692a">pidgins</italic> and creoles is brought into question. All of Mufwene’s work challenges the traditional narrative about <italic id="italic-d5e9de3c12bf24e37a95558da98891f1">pidgins</italic> and creoles by, among other things, redefining the comprehension about the labels “pidgin” and “creole”. According to Mufwene, pidgin and creoles developed in separate places, in different ecologies, and in different periods. From this perspective, the labels “pidgin” and “creole” are understood as sociohistorical labels, not as indicating a structural typology or stages of a Pidgin-to-Creole life cycle.</p>
      </abstract>
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        <kwd content-type="">Crioulística</kwd>
        <kwd content-type="">Crioulos</kwd>
        <kwd content-type="">Linguística de Contato</kwd>
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    <sec id="heading-79e4d4387473d10b38aff632a025a59c">
      <title>Texto</title>
      <p id="paragraph-d807acc69762ec4aba4b42680df4ea52">A conferência “<italic id="italic-1">How Pidgins Emerged? Not as We Have Been Told</italic>”<xref id="xref-f711a0a4f3e6391fa8a9cd1000ee3035" ref-type="bibr" rid="webpage-ref-7db469295c672a27e76c93740d0c8943">[1]</xref> apresentada por Salikoko S. Mufwene, professor do Departamento de Linguística da Universidade de Chicago, como parte do evento Abralin ao vivo – <italic id="italic-2">Linguists online</italic>, é de notável importância não apenas aos linguistas cujas pesquisas se inserem na Linguística de Contato, ou ainda mais precisamente dos que lidam diretamente com crioulos e <italic id="italic-3">pidgins</italic>, mas também a todos os colegas das demais áreas que não estão a par das longas discussões que ainda estão em andamento na área conhecida como “crioulística”. </p>
      <p id="paragraph-8456575543f3b2b3ff2907d3cc290aca">É muito comum que em manuais de Linguística, dicionários de Linguística e, consequentemente, nossas aulas nas Letras, explique-se a gênese de línguas crioulas exclusivamente por meio do modelo clássico conhecido como “ciclo de vida dos crioulos” (HALL 1962, 1966<xref id="xref-fa0c8976efa06d946c6419f7093123f4" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-d60b45b336b0761a92822280b101b146 book-ref-c7a791c1d062181b3dda24cefe5f53ef">[2,3]</xref>). Tal ciclo tem, resumidamente, as seguintes etapas: pidgin → crioulo → pós-crioulo. É justamente este ciclo que toda a obra de Salikoko S. Mufwene questiona. Questionar esta ideia tão antiga na Linguística se vê claramente no título da conferência sobre a qual ora se comenta, e também em seus muitos livros, capítulos de livros e <italic id="italic-4">papers</italic> em que se faz questão de citar Crioulos e <italic id="italic-5">Pidgins</italic> (nesta ordem), só para contrariar a ordem do Ciclo de Vida. </p>
      <p id="paragraph-98e390d2daaa8336461fe9ef8d392cf5">Mufwene começa sua conferência chamando a atenção para a narrativa tradicional dentro da Linguística acerca do desenvolvimento de <italic id="italic-3b841a135a00d426ed654b7f14db85db">pidgins</italic>. <italic id="italic-c553309e43f5b6555eed3f5e4dc104b0">Pidgins</italic> seriam línguas que se desenvolveram a partir do contato esporádico de comerciantes europeus com populações não europeias entre os séculos XV e XIX. Destes contatos, teriam surgido línguas reduzidas, menos complexas, como resultado de uma ‘aprendizagem imperfeita’ (como se lê comumente na literatura especializada). Com o tempo, os <italic id="italic-8">pidgins</italic> passaram pelo processo de nativização, ou seja, passaram a ter falantes nativos e, desse modo, se tornaram línguas crioulas. Em suma, a tradicional diferença entre <italic id="italic-9">pidgins</italic> e crioulos seria o fato de <italic id="italic-10">pidgins</italic> não terem falantes nativos, pois ao se expandirem e passarem a ter falantes nativos tornam-se crioulos (cf. BICKERTON 1984<xref id="xref-2be7025427b2ffbcd377cb1ae49fe950" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-849b4d09dc9b552f59f3066f6fc347c4">[4]</xref>). </p>
      <p id="paragraph-21d9365994445643efc366e5639e6b2c">Mufwene traz à tona em seus textos, e também na conferência que é tema desta resenha, o fato de que a narrativa tradicional muitas vezes é anistórica e anacrônica (i.e., é contrária à História e à cronologia dos fatos). Com isso, levantam-se muitas questões importantes que são deixadas de lado na narrativa tradicional. É imprescindível, por exemplo, entender como se davam as interações sociais nas transações comerciais, a ordem dos acontecimentos dos processos de globalização, e levar em conta o que a História diz sobre a ecologia particular de cada caso em que surgiu uma nova língua a partir do contato. Estes são alguns dos pontos levantados por Mufwene em sua conferência, e visto que eu não entrarei em sua argumentação aqui, fica a recomendação aos interessados a leitura de Mufwene (2007<xref id="xref-f371d3e785bafba2afd43e712118945e" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-c40b1596b112d268a1f05a1c6a0b00d0">[5]</xref>) para explicação mais ampla. </p>
      <p id="paragraph-1c28acc68daf06bafb07b69340865242">Mufwene prossegue então com o objetivo de defender que os rótulos “<italic id="italic-11">pidgin</italic>” e “crioulo” são rótulos sócio-históricos, não estágios ou etapas de um ciclo. Trazendo a atenção para fatos históricos, ele mostra que crioulos e <italic id="italic-12">pidgins</italic> se desenvolveram em ecologias diferentes e em épocas diferentes. Em Mufwene (2015)<xref id="xref-a08f561672fe14ce2f0ac2852fff2578" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-e8ca331016e557189ae4361f0fe3bab3">[6]</xref>, explica-se que <italic id="italic-13">pidgins</italic> surgiram em colônias desenvolvidas em torno de fortes de comércio, ao passo que crioulos se desenvolveram em colônias de povoamento cuja atividade principal era o cultivo de cana-de-açúcar e arroz por parte de escravos. Em sua conferência, Mufwene também enfatiza que o termo “crioulo” surgiu no final do século XVI na América Latina, ao passo que o termo “<italic id="italic-14">pidgin</italic>” surgiu no começo do século XIX em Cantão, na China. </p>
      <p id="paragraph-61de682b4506d455aac8dd53c41c885e">Repensar toda a narrativa tradicional sobre a gênese de crioulos e <italic id="italic-15">pidgins</italic> é muito importante por várias razões e passarei a comentar algumas delas, ainda que de maneira bastante superficial, não da maneira que gostaria. Espero, no entanto, que as referências usadas nesta resenha sirvam aos leitores para remediar isso. </p>
      <p id="paragraph-e5b52cd240bc914eddf2c2a05239b530">A tradição do ciclo de vida dos crioulos criou também a tradição de considerar estas línguas como exceções a todas as outras línguas naturais. Por sua vez, isso levou a que se postulassem teorias específicas que tentam explicar a gênese de uma língua a partir do contato. Estas teorias, no entanto, deixam de lado questões sócio-históricas que são vitais para contar a história dessas línguas e entender como de fato se deu a formação delas. </p>
      <p id="paragraph-20b82c40faa8864d792b763685bdc25c">Entre algumas das noções que nasceram desta tradição, pode-se citar (1) a quebra ou ruptura de transmissão linguística regular, (2) a aprendizagem imperfeita, (3) a quebra da relação genética dessas línguas com aquelas que participaram de sua formação. Também é comum que na literatura apareçam questionamentos quanto à complexidade de <italic id="italic-16">pidgins</italic> e crioulos. Em Dixon (2010, p. 21)<xref id="xref-d6121ed0c7d209686be804b52958a7cd" ref-type="bibr" rid="book-ref-a62cc28fc46ce80a6e04b92c30f264f6">[7]</xref>, por exemplo, lê-se que “dentre os crioulos mais bem documentados, nenhum se equipara à complexidade — ou ao poder comunicativo — de uma língua não-crioula”. Tal comentário em um livro de introdução a teorias linguísticas é reflexo da ideia de que tanto <italic id="italic-17">pidgins</italic> quanto crioulos são menos complexos do que línguas que não têm estes mesmos rótulos. </p>
      <p id="paragraph-7ccf19d066020bbc408e7d9006cdc452">Ora, será mesmo que a faculdade da linguagem dos primeiros falantes de <italic id="italic-18">pidgins</italic> e crioulos tem um funcionamento diferente da dos falantes de línguas que não são classificadas como <italic id="italic-19">pidgins</italic> e crioulos? Por muito tempo prevaleceu a ideia de que esses primeiros falantes de línguas de contato eram pessoas “de uma raça linguística inferior”, como se lê no “Dictionnaire des Sciences Anthropologiques”<italic id="italic-20"> </italic>de Julien Vinson<xref id="xref-c26f66793933eb06e1096274b18df3e6" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-8dba5d5ea28211e0a23a6206b563ab5d">[11]</xref> (1889 <italic id="italic-21">apud</italic> ABOH e DEGRAFF, 2017<xref id="xref-b243a7da52b764dc5eb212b40a1de4d6" ref-type="bibr" rid="book-ref-b62ace1c9429f98923e39e318ca5c5f6">[8]</xref>). Olhar atentamente para o começo da narrativa tradicional da crioulística nos ajudará a ver que ideias colonialistas acerca de crioulos e <italic id="italic-22">pidgins </italic>penetraram de tal modo esses primeiros estudos que até hoje prevalecem (cf. DEGRAFF 2005<xref id="xref-00088656dce83431433ce23178b90e49" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-ebc91e2d3e67df2c3012c7c878ee6a92">[9]</xref>). Estas ideias precisam ser repensadas com urgência, e é justamente isso que está sendo feito por Mufwene e outros cujos objetivos de investigação tocam especialmente nessas ideais tão propagadas na crioulística clássica. </p>
      <p id="paragraph-59da5a22553fcd500af8f27cca92a372">Entre outros linguistas que seguem a linha de Mufwene, e que também têm contribuído para revisitar e repensar essas ideias clássicas da crioulística, estão Enoch Aboh, Michel DeGraff e Umberto Ansaldo, para citar apenas alguns. Recomendo a leitura de Ansaldo <italic id="italic-23">et al.</italic> (2007<xref id="xref-90329eb3aceb55843de0a0ca6be9a0ed" ref-type="bibr" rid="book-ref-18e47e71128195101149e64f2557a4af">[10]</xref>) a todos os dispostos a repensar os estudos de <italic id="italic-24">pidgins</italic> e crioulos. Neste livro, do qual Mufwene é coautor de um dos capítulos, trata-se de alguns mitos sobre línguas crioulas, a saber, o mito da simplicidade, o mito da descrioulização, o mito da diacronia excepcional (no sentido negativo da palavra). </p>
      <p id="paragraph-9" />
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          <article-title>HOW Pidgins Emerged? Not as We Have Been Told. Conferência apresentada por Salikoko S. Mufwene [s.l., s.n], 2020. 1 vídeo (1h 19min 11s). Publicado pelo canal da Associação Brasileira de Linguística</article-title>
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