<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Archiving and Interchange DTD v1.2 20190208//EN" "JATS-archivearticle1.dtd">
<article xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:ali="http://www.niso.org/schemas/ali/1.0">
  <front>
    <journal-meta>
<journal-id journal-id-type="nlm-ta">Revista da Abralin</journal-id>
<journal-title-group>
<journal-title>Revista da Abralin</journal-title>
</journal-title-group>
<issn pub-type="epub">2178-7603</issn>
<publisher>
<publisher-name>Associação Brasileira de Linguística</publisher-name>
</publisher>
</journal-meta>
    <article-meta>
      <article-id pub-id-type="doi">10.25189/RABRALIN.V19I1.1380</article-id>
      <article-categories>
        <subj-group>
          <subject content-type="Tipo de contribuição">Ensaio Teórico</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title>Sufixos de duas faces</article-title>
      </title-group>
      <contrib-group content-type="author">
        <contrib id="person-65b9d42c151b6c0db1cce43a77138180" contrib-type="person" equal-contrib="no" corresp="no" deceased="no">
          <name>
            <surname>Bisol</surname>
            <given-names>Leda</given-names>
          </name>
          <email>lebisol@uol.com.br</email>
          <xref ref-type="aff" rid="affiliation-33e3d358c95c6b196c84f0a557a44d75" />
          <xref ref-type="aff" rid="affiliation-7c52fe0536e96fcb4b423f5f527b6170" />
          <xref ref-type="aff" rid="affiliation-176fd67a99fbd83781a056cea43cbc8c" />
        </contrib>
      </contrib-group>
      <contrib-group content-type="editor">
        <contrib id="person-3fbd27dbc1c8de3dc34131087dee1e22" contrib-type="person" equal-contrib="no" corresp="no" deceased="no">
          <name>
            <surname>Freitag</surname>
            <given-names>Raquel</given-names>
          </name>
          <email>rkofreitag@uol.com.br</email>
          <xref ref-type="aff" rid="affiliation-70fc13828396dec0dcc9b15f49e82057" />
        </contrib>
      </contrib-group>
      <aff id="affiliation-176fd67a99fbd83781a056cea43cbc8c">
        <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS/CNPq) </institution>
      </aff>
      <aff id="affiliation-70fc13828396dec0dcc9b15f49e82057">
        <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Sergipe (UFS)</institution>
      </aff>
      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="20/07/2020" />
      <volume>19</volume>
      <issue>1</issue>
      <issue>1</issue>7<issue-title>Fluxo Contínuo 2020</issue-title>
      <elocation-id>10.25189/rabralin.v19i1.1380</elocation-id>
      <history>
        <date date-type="accepted" iso-8601-date="22/05/2020" />
        <date date-type="received" iso-8601-date="03/02/2020" />
      </history>
      <permissions id="permission">
        <license>
          <ali:license_ref>http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/</ali:license_ref>
        </license>
      </permissions>
      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">Este texto tem por objetivo mostrar que sufixos de duas faces se distinguem em diferentes categorias que vão da alternância lexical à morfofonológica ou simplesmente alternância fonológica. Discutem-se: -or/dor, como sufixo de uma face só -ivo introduzido como argumento; ão/são, -dade/idade como sufixos de duas faces; ɛl/vel, sufixos diferentes com propriedades fonológicas em distribuição complementar. O ciclo fonológico tem o seu lugar. Outros sufixos são chamados como argumento. A análise situa-se na morfofonologia com ênfase na fonologia, isto é, no processo derivacional em que regras fonológicas operam. A base da derivação é o particípio passado ou o tema verbal. E os sufixos são caracterizados em termos de localidade, lugar de inserção na palavra. O ciclo fonológico também tem o seu lugar. A análise fundamenta-se na teoria autossegmental e no modelo de derivação sincrônica. Todos os sufixos em estudo estão presentes na gramática sincrônica. O que se apresenta neste estudo é um novo olhar sobre eles.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-9ea35d3ae857109840741f2b12c03440">This text aims to show that doble face suffixes are distinguished in different categories ranging from lexical to morphophonological or simply phonological alternation. The followings are discussed: -or/dor, as suffix of one face, -ivo introduced as an argument; -ão/são, -dade/idade as doble faced suffixes; -ɛl -/vel, different suffixes with phonological properties in complementary grammar. The analysis is located in morphophonology with an emphasis on phonology, that is, in the derivational process in which phonological rules operate. The basis of the derivation is the theme of the past participle or verbal form and the suffixes are characterized in terms of location, place of insertion in the word. The phonological cycle also has its place. All the suffixes under study are present in the synchronic grammar. The highlight of the present study is a new look at them.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">Alomorfia</kwd>
        <kwd content-type="">Derivação</kwd>
        <kwd content-type="">Localidade</kwd>
        <kwd content-type="">Fonologia</kwd>
        <kwd content-type="">Morfofonologia</kwd>
      </kwd-group>
    </article-meta>
  </front>
  <body id="body">
    <sec id="heading-b8bfa9a98bb0d3874eb5e799fe5602b3">
      <title>Introdução </title>
      <p id="paragraph-64007853a8dda4642c0d519451e1df39">Este texto investiga sufixos que têm a possibilidade de duas leituras: caso de uma face (2.1), caso de alternância (ii), caso de dois sufixos separados que têm algo em comum (iii), cada qual analisado com suas propriedades. Trata-se de or/dor, ão/são, -el e -vel. Por razões específicas, outros serão chamados. A análise fundamenta-se em Clements e Hume (1995)<xref id="xref-5ea59a78ef41ac0000e32f6064ddecbf" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-209c153559d8078c7699fb06fd6b7ec6">[1]</xref> que enfatizam as propriedades do traço como se fosse segmento, em Kiparsky (1985; 1993; 1966)<xref id="xref-e78c92a524f83cc7b8bba9e253f3ba38" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-5900dbf0d686bf88c18993c05e9c8f46 book-ref-1a2c307a5a130066edd8cbfde18ded66 chapter-ref-8d19e04a629d402d4a4de08cf73aa378">[2-4]</xref> que se detém no processo de formação de palavras sob o prisma da sincronia e ideias de Mattoso Câmara a serem apresentadas. Defende-se a ideia de que o sufixo -or dispensa alomorfia, que o sufixo nasal -ão/são, ao contrário, é um caso de alternância, assim como -dade/idade, presença motivada por certa semelhança com o ditongo nasal no que diz respeito à epêntese vocálica e, por fim, ditongos diferentes -el e -vel, que comungam propriedades fonológicas. Dois são os tipos de alternância em pauta: (i) alternância morfofonológica que lida com mudanças fonológicas gerais em derivações particulares, como o ditongo nasal na função de nominalizador; (ii) alternância de condicionamento fonológico, como -él e -vel que comungam a mesma rima silábica. A base do processo derivativo é o tema do particípio passado (ado, ido) ou o tema da forma nominal do verbo, ou seja, infinitivo, em que a vogal temática distingue três conjugações (a, e, i). Também são incluídos adjetivos e substantivos relacionados a verbos. Segundo Kiparsky (1966, p. 3-5)<xref id="xref-09a3a21fc8880bb467a3adb6b8aeaa8e" ref-type="bibr" rid="book-ref-1a2c307a5a130066edd8cbfde18ded66">[3]</xref>, condicionamentos podem ser vistos sob o prisma do dualismo: substituição e localidade. Como o supletivo, caso de substituição, não faz parte dos objetivos deste texto, os sufixos em pauta são categorizados quanto à localidade, isto é, local de inserção. </p>
      <p id="paragraph-6903dff189b2d5a54160c6f17276a1a3" />
      <sec id="heading-9100cf3367286d1b5b8ad060ee41da6e">
        <title>2. Análise</title>
      </sec>
      <sec id="heading-4da68882cb87900c0bba787269f7d67f">
        <title>2.1 Sufixo -OR</title>
        <p id="paragraph-3">Embora seja plausível separar esse sufixo em termos de -or e -dor, visível em impresso+or/impressor, fala+dor/falador, tidos como alomorfes ou como dois morfemas separados em trabalhos de excelência e entendidos como relação entre dois sufixos também em gramáticas clássicas do passado como em Nunes (1951)<xref id="xref-f68a84244bff8151420ccc5424bfe576" ref-type="bibr" rid="book-ref-87a19c637dfdf790b38bcad3812501f2">[5]</xref>, nesta análise, partimos do pressuposto de que esse sufixo tem somente a forma -or, tal como é lexicalizado. A base é o particípio passado (pp), ado na primeira conjugação (armado) e ido na segunda e terceira (vendido/partido) ou em sua forma restrita como feito/correto. Porém palavras relacionadas a verbos da 2ª conj. substituem a vogal /i/ do pp por /e/, marca de conjugação, a exemplo de (vendido/vendedor). No processo derivacional, com o apagamento de VT, o sufixo vem precedido de consoante coronal [-cont]. Palavra derivada, neste texto, não diz respeito à origem, mas a sua constituição em morfemas divisíveis. Seguem exemplos representativos de suas possibilidades de ocorrência com base no tema do particípio passado (pp): </p>
        <p id="paragraph-4" />
        <table-wrap id="table-figure-c93f8abbd788fa869ceb29c971893134">
          <label>Table 1</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-e0ccde1c730cc618fb53ce0054081786" />
          </caption>
          <table id="table-ea85090c53019ae4375f05be25fa4067">
            <tbody>
              <tr id="table-row-6315e6f8079f980a799dd0489bfe46c2">
                <th id="table-cell-c3b4f20ca29726d4751911532c2c4a6e"> (a) 1ª conj.</th>
                <th id="table-cell-703cae69e764ec9a161c5c0b43d5de02"> (b) 2ªconj. </th>
                <th id="table-cell-551590f2af3bbb19583ebd6aa8eb26c7"> (c) 3ª. conj.</th>
              </tr>
              <tr id="table-row-594189aa9e3341622adc680311bbca0a">
                <td id="table-cell-f4ff342098acdb758b86ce6f310d9802">armad(o)/armador</td>
                <td id="table-cell-ca8fa7778373542296bd31f821fcf6f5"> acolhid(o)/acolhedor </td>
                <td id="table-cell-e1dbc16cbcbaebfe8fac3587ef5b7de2">cumprid(o)/cumpridor</td>
              </tr>
              <tr id="table-row-4e0ee81b26edec9aefc94c7032ad8c65">
                <td id="table-cell-0a7c0337362ae307ac544fb124d51724">plantad(o)/plantador </td>
                <td id="table-cell-7670af025f7307f987062ba1ae8cb6c1">corrid(o)/corredor</td>
                <td id="table-cell-def3974b956ec28607b82d46bf83bf7d">fingid(o)/fingidor </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-5a676baddab1e00fbcc89216e31f3361">
                <td id="table-cell-5fb2645a4841ac568c9f7914bd97fcd8">sonhad(o)/sonhador </td>
                <td id="table-cell-1012ba3b9646a825edef0f8f71165343">vendid(o)/vendedor </td>
                <td id="table-cell-8fd773abfe94f511dcb981d0a02b2ba8">servid(o)/servidor </td>
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
        <p id="paragraph-10">Há, também, casos de precedência da coronal [+cont]: confessa/confessor, divisa/divisor, revisa/revisor. Todavia, a precedência da coronal [-cont] prevalece. A derivação tem o seguinte o andamento: apagamento da vogal temática, adjunção do sufixo, seguindo-se as regras fonológicas em ordem alimentadora: </p>
        <p id="paragraph-13" />
      </sec>
      <sec id="heading-a86fcf1cdbeb7bf058fca541e4e90d71">
        <title>2.1.1 Derivação com exemplos das três conjugações: </title>
        <table-wrap id="table-figure-b3db4c5a376413b8670d166b41ac49ac">
          <label>Table 2</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-7fa4f3b9b63fb44bd55a5192f094e1d0" />
          </caption>
          <table id="table-26b3d713c9cc5f0fdc3043708228bfce">
            <tbody>
              <tr id="table-row-83cba618c906e0edd0fee272c16b695d">
                <td id="table-cell-49d466a9cf0132424e540015d2402f46"> armado+or </td>
                <td id="table-cell-20e9ca38910fe86d99edacc90c5b2605"> bebido+or </td>
                <td id="table-cell-d6cc4657274cbd8ed4666315c17ba6e0"> servido+or </td>
                <td id="table-cell-91528f178a3918e47e08ff40794e58dc"> estrutura subjacente (pp) </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-52c47bc106a5ebe2252762896a4cda9d">
                <td id="table-cell-7aebe7adadfe39599f558c9150bba3b2"> armad- </td>
                <td id="table-cell-729d660f4e5c2ffd8854cef13c7969fe"> bebid- </td>
                <td id="table-cell-5fd75bb100dc44b22b7499b4b0781883"> servid- </td>
                <td id="table-cell-b9052a82ab0c227ab139f8170636be0c"> apagamento de VT </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-88b911a82aa12bf976933814074db96f">
                <td id="table-cell-4086b258576158de616511498d3543de"> ---------- </td>
                <td id="table-cell-787c0faa88c7256ec686d4a316904047"> bebed- </td>
                <td id="table-cell-5c1195a4cf2a2b543c035f014143cd08"> --------- </td>
                <td id="table-cell-92ee6a96d346ab062e7d1fa18f1f83e4"> retomada de VT </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-650c63a92cded59e3000fd28aafd2aa5">
                <td id="table-cell-db973691766d590ccbd6d2eadf320ae2"> armador </td>
                <td id="table-cell-1d524c88c50ba8ec9c6663f15a2cec3b"> bebedor </td>
                <td id="table-cell-688b7e6c805578f2ae00252dc23d35db"> servidor </td>
                <td id="table-cell-6bf3c29be967f3a857a57deddb665615"> adjunção do sufixo </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-9381a2f9142f03013157b4f8b3701869">
                <td id="table-cell-a313625d14fada749f30d5274cbbef3b"> ar.ma.dor </td>
                <td id="table-cell-0e2dfc998daf4ad09ac5113def9339b5"> be.be.dor </td>
                <td id="table-cell-a849bb90a16e3b5ba5796cf0b9d1828a"> ser.vi.dor </td>
                <td id="table-cell-27000c3850e3339ab5d4d38743fe8893"> silabificação </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-dfad2a6292def97df489080aad329cec">
                <td id="table-cell-00a1d68e6774e773d57779ed469e675d"> ar.ma.dór </td>
                <td id="table-cell-ee036e98f361b33b08d3dba5986c694a"> be.be.dór </td>
                <td id="table-cell-a2a3d06f2190e89b2c7a82b63f021985"> ser.vi.dór </td>
                <td id="table-cell-c210313f688a44b3d6cce36726aa15a2"> acento </td>
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
        <p id="paragraph-16">Como se observa, o sufixo -<italic id="italic-3e74a2c3982fa202ea80d87895c69ad3">or</italic> emerge como <italic id="italic-2">-dor </italic>no processo de formação de sílabas, <italic id="italic-3">-or </italic>na rima, <underline id="underline-2"><italic id="italic-4">d</italic></underline> no ataque, constituintes prosódicos da silaba. </p>
        <p id="paragraph-17">Em verbos de particípio duplo, a base da derivação preferida é a forma mais restrita: <italic id="italic-5">fazer, feit(o)/feitor; corrigir, corret(o), corretor.</italic> </p>
        <p id="paragraph-18">Há parelhas do tipo cantor/cantador, pintor/pintador, o primeiro com base no tema do verbo, o segundo com base no tema do particípio que se distinguem por nuances de sentido, dentro do sentido geral, aquele que canta, aquele que pinta. Argumentando em favor de -dor como sufixo, Costa Santos e Barbosa Coelho (2013)<xref id="xref-f7ddc18288155250e3911950b5e478e8" ref-type="bibr" rid="journal-article-ref-163ab84d4210776ef026d83bb06d59f7">[6]</xref> salientam os vários sentidos de palavras derivadas com essa terminação -dor: “lavrador, aquele que cultiva a terra, morador, aquele que mora em algum lugar, possuidor, aquele que possui algo.” A observação sobre a diversidade de significação dessas palavras é interessante, mas não contradiz a ideia apresentada neste texto, segundo a qual o sufixo é tão somente -or que forma palavras derivadas com a referida significação. Por outro lado, há palavras que rememoram sua origem latina como receptor, preceptor, concepção, as quais são marcadas no léxico em virtude do sistema silábico do português que limita a coda à soante e /S/. Evidentemente, há palavras não derivadas terminadas em -or como flor e rigor.</p>
        <p id="paragraph-19">Em (2.1.1), a análise desenvolve-se em um só ciclo, porém, em outra conjectura, pode figurar em derivação cíclica, a exemplo da forma feito supracitada: </p>
        <p id="paragraph-7e021283f0c281325af75e1793e3e60a" />
      </sec>
      <sec id="heading-325d84cccf714f3f76e7690ec813ccc2">
        <title>2.1.2 Derivação cíclica </title>
        <table-wrap id="table-figure-ff4e6da44bcc7ce66b7b58548be8d509">
          <label>Table 3</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-58a2e399994ef55743081d747497cfaf" />
          </caption>
          <table id="table-874039b3489cb842a5b78b83a6bd72a8">
            <tbody>
              <tr id="table-row-9b60292928bdb9cbadb2118e92ec037f">
                <td id="table-cell-262b7cec79acb9a0e6cac196cef11c5a"> [feito + or] ia]] </td>
                <td id="table-cell-bcdcb43be0fa6032fca5e452dfb02453" />
              </tr>
              <tr id="table-row-dc7a35fc3246f40fad4206342d207ff5">
                <td id="table-cell-484cf54f900fc27af7bc84166923c2be"> feit(o) + or </td>
                <td id="table-cell-c82d3dcae3be025caceb26675fdd7b78"> ciclo 1 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-8b155eb696c14008c3e93feeec6eeb35">
                <td id="table-cell-3d5fde8c4fd76624345fe3c19761347d"> | </td>
                <td id="table-cell-1cbe5ee21d1e2910d159a779e01c65b0" />
              </tr>
              <tr id="table-row-be77d4e475efa76fdf81a696263f6bd6">
                <td id="table-cell-73e90da3a53fd10794198eb95a09137c"> feitor </td>
                <td id="table-cell-50702c2d92c1725f6c7994abde36e128" />
              </tr>
              <tr id="table-row-665b075ffc0cfa850525af8d60055e98">
                <td id="table-cell-8cddd45161834bea2543bfd3e914b82d"> |                                feitor +   ia                                          | </td>
                <td id="table-cell-66fbc7506f9b140641eef95290bf715c"> ciclo 2 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-e3f3fe943bb75ccc2485d3e864e4a7b3">
                <td id="table-cell-9240e825e29f62618fb369b2a94b848d"> feitoria </td>
                <td id="table-cell-010311d38077af0aed9bc338c02226c4" />
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
        <p id="paragraph-2">Com duas saídas lexicais, feitor e feitoria, esse esquema é apenas um exemplo de derivação cíclica em que um sufixo, depois de atuar, passa a fazer parte do contexto do ciclo seguinte, figurando como elemento do receptor. </p>
        <p id="paragraph-477e2ee6e2e99141af88996023803da7">Antes de dar prosseguimento à análise, vale observar que há três tipos de ajustamento base e sufixo, a partir do tópico, palavra temática e atemática: </p>
        <p id="paragraph-d4936f5192337ab66fdf0e1fb1d15005" />
        <p id="paragraph-5"><bold id="bold-1">a) </bold>palavra temática e sufixo iniciado por vogal, <italic id="italic-9a30b5a7093cf4b7befd4608fd675732">armad(o)/armador;</italic></p>
        <p id="paragraph-7"><bold id="bold-2">b) </bold>palavra atemática terminada em soante ou /S/ e sufixo iniciado por vogal em que a coda silábica da base passa para o ataque da sílaba seguinte <italic id="italic-cade28c070e05b59fb53acee7cfb4795">sol/solaço, feliz/felicidade.</italic></p>
        <p id="paragraph-9"><bold id="bold-3">c) </bold>palavra atemática terminada em vogal acentuada e sufixo com vogal inicial, caso<bold id="bold-4"> </bold>de epêntese consonantal <italic id="italic-a1cf111b44292e04d3093199624f042a">café/cafezal</italic>.</p>
        <p id="paragraph-7c0416b2c4a72d02745fe016c45875ab" />
        <p id="paragraph-12">Palavras do tipo (a) que contam com o apagamento da vogal temática predominam neste texto. São as formadas por <italic id="italic-de17fa8e600e32c26574bd1c43b0501d">-or, ivo, ão;</italic> figuram como atemáticas palavras com<italic id="italic-6427afa33aaadde681424cc5155cb9a9"> -el</italic> e com ambas, temática e atemática, -<italic id="italic-6">dade/idade.</italic> Caso de epêntese também tem o seu lugar, como em -<italic id="italic-7">ão.</italic> </p>
        <p id="paragraph-2f7fab316672f1b1eaccedf93cf35eec" />
      </sec>
      <sec id="heading-3bfe30e1e5d84371798c62879364407a">
        <title>2.2 Sufixo -IVO </title>
        <p id="paragraph-38e18164343f837c73efae1e3427af30">Definido como sufixo de uma só face, <italic id="italic-487301dfd70e3e855f4e1e15672e6cc5">-ivo</italic> vem precedido de consoante coronal, via apagamento de VT, assim como -<italic id="italic-3a095bda71803893aaf3b45f4eaef007">or.</italic> A semelhança entre eles verificável na derivação motivou a presença de <italic id="italic-ef621c29b0d66ac5742bb6e1715945e0">-ivo </italic>neste texto, como argumento à ideia de que<italic id="italic-d4eccd26a1bffcf68b2bdc42cc53c052"> -or </italic>é um sufixo de uma face só. Em ambos, a base figura como pp em sua forma geral ou restrita, adjetivo ou substantivo relacionado a verbo. Seguem exemplos, incluindo base em nome, dada a semelhança.</p>
        <p id="paragraph-154727aa20342ffc999b91fb53010557" />
        <table-wrap id="table-figure-001cdb065bc6813e08aac3841492ee03">
          <label>Table 4</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-b01c6c21df84e347c9d271b3793b0c96" />
          </caption>
          <table id="table-0b9e9c59a56be6363426346c742f4df3">
            <tbody>
              <tr id="table-row-f79569fa3954db5e25a3edae4fe8f4af">
                <th id="table-cell-dd7f9ca2440e8aff7e2e16b0e9695899">(a) pp [-cont]</th>
                <th id="table-cell-9026231971ef96d73ae5be69d028ef1b">( b) [+cont]</th>
                <th id="table-cell-482e3263cc860978387c566b3beb3d4f"> (c ) entre nomes </th>
              </tr>
              <tr id="table-row-2a0f7fd5f6649fb620b8cbea8b0cfc1c">
                <td id="table-cell-c1429077d4711ce76c3acd945766bddc">aplicad(o)/ aplicativo </td>
                <td id="table-cell-e3afd4a8806a08c3ec5c7962bfdb8d1c">acess(o)/acessivo </td>
                <td id="table-cell-e640c3f62f107547ac3e4303d3144c45">afet(o)/afetivo </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-6025e6edbb940b04f180631431287378">
                <td id="table-cell-9ed1654f2a6f889a3e6fefd55723d79d">cansad(o)/cansativo</td>
                <td id="table-cell-4784817654f03ceae19baed42bde3fe3"> excess(o)/excessivo</td>
                <td id="table-cell-bee052f8dd8297042fd4b95535469bee">aflit(o)/afltivo</td>
              </tr>
              <tr id="table-row-238052436b8d5d2afdf2d300cac45f6c">
                <td id="table-cell-59ea623ec79f993a718e1e91572a1890">formad(o)/formativo </td>
                <td id="table-cell-b56d203b978d1349573e3ea283c7a61f">express(o)/expressivo </td>
                <td id="table-cell-81d772c543e6ff6e0de6d0d797d0d1a9">alt(o)altivo </td>
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
        <p id="paragraph-ed8c9ef02af7de374220573b356bd985">Em (b) e (c), há correspondência quanto à sonoridade da consoante da sílaba final da base e da derivada: <italic id="italic-49273a6f523a632bb1f04677f03a9b65">ace[s]o/ ace[s]ivo, afeto/ afe[ti]vo</italic>, ambas [-son]. Não há harmonia em (a) em que /d/ se converte em /t/. Quanto à mudança de [t] para [d], exemplificada em (a), específica deste sufixo, pressupõe-se que seja produto de gramática sincrônica de tempos passados. Palavras formadas com o sufixo <italic id="italic-5392ca6bd175840f2f7e750116e36f11">-ivo</italic> e com o sufixo <italic id="italic-0c80815e30d61edc991857893e2ebbfc">-or </italic>têm a mesma base, mas o produto da derivação é diferente, porém há uma convergência: em ambos, o sufixo vem precedido de coronal. A diferença reside em<italic id="italic-8"> -ivo</italic> privilegiar a coronal [+cont]; <italic id="italic-9">-or,</italic> a [-cont]. Em ambos, o local de inserção é determinado, localizam-se no particípio passado, diante da consoante coronal. </p>
        <p id="paragraph-97d70a3fa82d8295e9bad7956319645c" />
      </sec>
      <sec id="heading-a2f6c420de2776f7f09444fe07db7429">
        <title>2.3 Sufixo -ÃO </title>
        <p id="paragraph-14">Este é um dos sufixos de controversa interpretação, realizado como -são na função de nominalizador. Nunes (1951)<xref id="xref-5b8387a5c0da713b9dcb743be8b6b508" ref-type="bibr" rid="book-ref-87a19c637dfdf790b38bcad3812501f2">[5]</xref> explica -são como adjunção do sufixo -on a -to (pp) em termos de -t+on -&gt; son, [sãw] que, junto ao tema, forma substantivos que designam o resultado da ação verbal; para Said Ali (1964), ditos sufixos -são ou -ção na escrita procedem respectivamente do latim -SION, -TION em que as consoantes S e T pertencem ao tema do particípio do pretérito; para Pardal (1977)<xref id="xref-d3798586237c2dd7e0d70a33f9a38689" ref-type="bibr" rid="book-ref-11635e7850700fc648af5cada0eb8429">[7]</xref>, o ditongo nasal é -ione do latim e tem a seguinte base: radical +VT + t + -ione, em que t se torna sibilante, -são ou -zão; após a assibilação de /t/, a vogal /i/ é apagada na primeira conjugação. A presença de /t/ na base é comum em análises que se fundamentam na diacronia. Feita essa ligeira revisão, passemos à discussão da ideia que orienta esta análise fundamentada em regras e princípios da gramática sincrônica. </p>
        <p id="paragraph-15"> O ditongo nasal tem diferentes funções: pode ocorrer em palavras não derivadas, (<italic id="italic-10">leão)</italic>, em aumentativos, (<italic id="italic-11">porta/portão</italic>), local de origem (<italic id="italic-12">aldeia/aldeão</italic>) e ser um nominalizador <italic id="italic-13">(votar/votação</italic>). Entre esses homófonos, é o nominalizador que vem precedido de sibilante sem exceções. Esse ponto será discutido adiante. Por ora, a atenção centraliza-se em sua base subjacente. VN é o pressuposto dado. Vale observar que o ditongo nasal na gramática sincrônica está em discussão desde Câmara Jr. (1970)<xref id="xref-8e768fb46c57764eb9f353c0be94002d" ref-type="bibr" rid="book-ref-d257e5c7984ecfe82022289f66174f0c">[8]</xref> a nossos dias, depois de tempos mais antigos em que se discutia a existência de vogais nasais fonológicas no português. Aqui se põe em relevo que N subsespecificado quanto a ponto de articulação assimila o traço da consoante [-cont] seguinte, porém diante de [+cont] tende a concordar com a vogal precedente, realizando-se como glide diante do vazio.</p>
        <p id="paragraph-10df5075a303c70ecb3a6fba5f505358">Defende-se a ideia de que o ditongo nasal fonológico /ãw/, seja qual for sua função, é oriundo do plural de nomes, o qual tem três formas condicionadas: [õjs], [ãjs], [ãws], nas duas últimas, o glide assimila o traço coronal de /S/; na primeira, o traço posterior da vogal precedente. As três formas neutralizam, no singular, em favor de [ãw].</p>
        <p id="paragraph-90330d6a637619540fdccba556e9ad51"> A ideia de o singular ser derivado do plural deve-se a Mattoso Câmara Jr. que a apresentou em curso ministrado no Museu Nacional, Rio de Janeiro, em 1968<xref id="xref-a86ae3ab4a0121b320a109ffb2971471" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-ed60a879b2c94e9b94181badd84004bc">[9]</xref> e em conferências, mas não publicou. Toda a obra de Mattoso foi publicada no âmbito do estruturalismo da primeira fase da gramática sincrônica, tornando-se o grande mestre de linguística no Brasil com repercussão internacional. No entanto, há indícios de fonologia gerativa na sua visão do ditongo nasal. Tomamos a liberdade de retomá-la com vistas a discuti-la à luz da fonologia lexical, um modelo gerativo. </p>
        <p id="paragraph-53c94b5f291e69c4d220aaf5a9a66f8b" />
      </sec>
      <sec id="heading-2d9b999c45fb1e86c38fb35f432701b2">
        <title>2.3.1 Formação do ditongo nasal</title>
        <table-wrap id="table-figure-8a8a9729e1fe8eeff39623ba7d841d75">
          <label>Table 5</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-7b093ecba6c5a10498beefa6cb527006" />
          </caption>
          <table id="table-14cadc0629e6b2a49caa603f9b12bae2">
            <tbody>
              <tr id="table-row-d46b48f940fc1a5036e2eca8e8ea5dc9">
                <td id="table-cell-e3033d6615178a658d56a0e2fb81f658"> leoN/pl </td>
                <td id="table-cell-cfcbce466b69a954eec3a7d8dfc40795"> irmaN/pl </td>
                <td id="table-cell-892992bb9c00fcde7c1d6e221e160cdf"> paN/pl </td>
                <td id="table-cell-d34266ae2f85418c2fdc27693858d822"> estrutura subjacente </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-7aa5a8ab2d46e1ea0230fd8bd0a79dd3">
                <td id="table-cell-72ffc14685777cb1a6ed10d694124e6f"> leoNS </td>
                <td id="table-cell-d14b987808992c759d8aef6f19a1d486"> irmaNS </td>
                <td id="table-cell-816431b5d8836c619c311e2f4d274122"> paNS </td>
                <td id="table-cell-5348c4d0537844ef904c488153b1728e"> anexação de /pl/ </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-d09cd57d6d504bb6c355ec51267ba8ec">
                <td id="table-cell-52902e3d59197d05c69b82e047336b3e"> leõjS </td>
                <td id="table-cell-2d33c634492d769a012ce4011f82367a"> ___ </td>
                <td id="table-cell-597bdcbe9f963a2a37a3e7dea574091d"> pãjS </td>
                <td id="table-cell-c5ead51f0ec6a6c7531640b3495e6972"> assim. da coronal de /S/ </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-4d59f1b80571853ea7c93de3f2ae7aed">
                <td id="table-cell-04fc3ab043decf339334730034b200fc"> leõjS </td>
                <td id="table-cell-b85a35f0472c9e8eef0e137b7779d632"> irmãwS </td>
                <td id="table-cell-158e9f0e40e6c9ea874600a8d2bd015e"> pãjS</td>
                <td id="table-cell-b92b4f6aee0963118f3a1ab78fa40ed6"> assim. da vogal prec. </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-b6c9e162385c15d395442fa6f01e199b">
                <td id="table-cell-7427d0d8616455aa58c9582839558f16" />
                <td id="table-cell-608e3ca73140c154c45d8323527c5093"> ir.mãwS </td>
                <td id="table-cell-3521db8afb93a7c342b4d399b6772050" />
                <td id="table-cell-c3966258ce43986a711c8a9a3b8b7a2e"> neutralização </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-bcbd59d8b799a03e8d6cc5fbe5b32df6">
                <td id="table-cell-e8d0677ad88781ce5a316dc49987dcec">\</td>
                <td id="table-cell-d794bfa404c99b9d9dcd2e42001da775"> |</td>
                <td id="table-cell-98e24064ddd463f17a71c2acb1192301"> /</td>
                <td id="table-cell-3802e66434c405e237ff9e6e79de922d" />
              </tr>
              <tr id="table-row-7f76e3c88c80d11a701959ace7f11af4">
                <td id="table-cell-b4c2b6a7cc8dda6c57bd844bfc7ab5a7" />
                <td id="table-cell-a74ec7aa09cfdf0127ec61cae3abfe9a"> ãw </td>
                <td id="table-cell-5ac7a90de91ae1964f25ad0e744b63fe" />
                <td id="table-cell-4246ec7a05d85f43f87ae908df55115f" />
              </tr>
              <tr id="table-row-a85ef87b1c81975dde6a7dbcc8d09755">
                <td id="table-cell-8fe74bb7c9f150a9fc4d9e914f7de72d"> [leãw] </td>
                <td id="table-cell-9bc982cdc116bac88eb5f66d0a298dea"> [irmãw] </td>
                <td id="table-cell-d0674caaa8684e64ad7269762c13eb8b"> [pãw] </td>
                <td id="table-cell-cab05c3b81054c0e1039a2f3c233fa47"> singular </td>
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
        <p id="paragraph-b02d74385836c5fc3c312dfe2c408ab4" />
        <p id="paragraph-489f3479497ea56ac2f422da3884e4a9">O singular herda as propriedades fonológicas do subdomínio imediato, o plural, criando-se ambiguidade diante de três formas disponíveis que, segundo Câmara (1968)<xref id="xref-ee47138e2dcdbf9e3644500c961192a8" ref-type="bibr" rid="conference-paper-ref-ed60a879b2c94e9b94181badd84004bc">[9]</xref>, resolve-se por neutralização em favor do ditongo [ãw], forma única do singular. A solução privilegia o ditongo mais simples em que vogal e glide comungam o mesmo traço [+post], enquanto os dois outros são definidos por dois traços: vogal [+post], glide [-post]. Nesse sentido, o efeito da neutralização pode ser visto, também, à luz da emergência do não marcado (MCCARTHY; PRINCE, 2000)<xref id="xref-a993e5893eac6284ee93a6b4ce607db3" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-60eb079e8a82a198830b8479ec6ff358">[10]</xref>, pois emerge o ditongo /ãw/, formalmente mais simples. Por conseguinte, o singular herda suas propriedades fonológicas do plural, um constituinte definido no domínio do ciclo imediato. Note-se em (2.3.1) que se trata de regras fonológicas de condicionamento morfofonológico e que essa alteração na ordem de aplicação de regras não intercepta o andamento do ciclo. <italic id="italic-72b5e51b241eb499c3f5f4bf50c19dc6"/></p>
        <p id="paragraph-8a7d4ffc0e05f16631f947b4266cff86">Vale observar que o ditongo nasal [ãw] tem a origem desenhada em (2.3.1), seja qual for a sua função, constituinte da palavra simples, aumentativo, local de origem ou nominalizador, esse discutido a seguir. </p>
        <p id="paragraph-bf4da8d91cb8179c8492d80cc3ac352e" />
      </sec>
      <sec id="heading-f5231a812f3871bc06383b2b1721b9c2">
        <title>2.3.2 Ditongo nasal, nominalizador</title>
        <p id="paragraph-7210fd8860bae4f15ec46697a9854f22">Dois pontos a serem observados, a precedência única da sibilante e a neutralização do plural, desta feita, para [õjs], na escrita, <italic id="italic-8477623707ab1284483c80322eeba911">ões</italic>, favorecendo a forma mais usual, pois as duas outras são restritas a poucas palavras. Seguem exemplos:</p>
        <p id="paragraph-f6c519860a060b15c7be2536063730ae" />
        <p id="paragraph-c575473f2ac14cadde49b03a195ca911">(a) verbo ou adj. com sibilante na base (b) <italic id="italic-23bd3dfb44a961d84474a4eaf426026c">di </italic>na base convertido em sibilante </p>
        <p id="paragraph-5b4999e9fb3cd2f422f6aeee02209d5a"> revisa(r)/revisão /revisões                       decidir/ decisão/decisões </p>
        <p id="paragraph-7d7b27ed55ce93e4af968698d77dd2f6"> precisa(r)/ precisão/precisões                 dividi(r)/divisão/divisões</p>
        <p id="paragraph-98400e90b034944383f9809575174d2f"> inclus(o) /inclusão/inclusões                   ludi(r)/ilusão/ilusões</p>
        <p id="paragraph-8"> (c) com epêntese vocálica</p>
        <p id="paragraph-4bb3d91b5cf0d9b65f9c62b1e053e59d"> armad(o) +i +ão/armações </p>
        <p id="paragraph-e12ab86215186b0f2699e00e0b61e73c"> diret(o) + i + ão/armações </p>
        <p id="paragraph-11"> revist(o) +i +ão/revisões </p>
        <p id="paragraph-20f0cc82c03b30bfaeebfba50f16af35" />
        <p id="paragraph-1fd10348bf0cc15b617da569dcbfe0d0">Dos exemplos infere-se que a forma externa <italic id="italic-98bff5385a3837d98b7f2cd56491b326">são</italic> é tão somente <italic id="italic-4c96993a824c95c42e62bb00db5f8128">/ãw</italic>/ adjungida a uma base com coronal sibilante ou formada por assibilação de<italic id="italic-3b4f6ae7179ef560cd6f8a2ec79368ef"> di</italic>/<italic id="italic-5d91d401b18d9165deb3be786e67a6ae">ti</italic> presentes na base ou formada com epêntese vocálica. Essa ocorre somente para formar o contexto de assibilação quando a vogal alta não está presente no receptor. A epêntese vocálica conhecida por sua função de evitar o hiato, a exemplo de <italic id="italic-70080b2282cf17ecf7b0b94c01535a15">passear/passeio</italic>, aqui tem a função de satisfazer a demanda do sufixo <italic id="italic-4134802ecf502e641f4f62f24f8d752e">-ão.</italic></p>
        <p id="paragraph-5cda7e7d3656e1cb5a537f171fd300b1">Os exemplos mostram que há harmonização entre a base e derivada na 3ª coluna; e não há harmonização nas duas primeiras. Os três conjuntos exemplificam as localidades do sufixo nasal na função de nominalizador: </p>
        <p id="paragraph-e05f632c83c473b30f23196d0ca345fe" />
      </sec>
      <sec id="heading-4253fc3cd32963251e7bc67bcddaef4e">
        <title>­2.3.2.1 Derivação com epêntese na primeira e segunda conj.</title>
        <p id="paragraph-5f5c881689d1bd8cdef770ca4057e0b1" />
        <p id="paragraph-02e4526891580923b19bdeba26093dcc"> 1ª. conj.          2ª. conj.           3ª. conj.</p>
        <p id="paragraph-195f6d78126e0466aa58821e4c3c40ab"> adorad(o)+ão perdid(o)+âo   decidi(r)+ ão </p>
        <p id="paragraph-4b425bc47a1be44d0cec808092d99079"> adorad+i+ão  perdid+i + ão  __ epêntese vocálica</p>
        <p id="paragraph-a3c7cbcdc262febd89c86865f5f68778"> adora[s]+ão    perdi[s]+ão      deci[z] +ão assibilação</p>
        <p id="paragraph-6f75bc476f22bf28694ca679a594aa07"> adoração         perdição          decisão adjunção</p>
        <p id="paragraph-a5f413bc2d516f6a7b403878cf892030"> a.do.ra`ção      per.di.`ção        de.ci.`são acento </p>
        <p id="paragraph-37096f3298cde98abe2df18c154e7a97" />
        <p id="paragraph-5a21eeb8dab647474ab04aa0809ba2d6">Embora essa derivação tenha laivos diacrônicos assentados no latim, a gramática sincrônica os ignora, construindo, na sua autonomia, as próprias regras. Neste caso conta com a epêntese vocálica indispensável na 1ª. e na 2ª. conjugação, mas dispensável na terceira em que a vogal alta faz parte do tema verbal. O traço [+so] ou [-so] depende da conjectura, pois a sibilante [+so] emerge entre vogais, como na 3ª. conjugação. Por vezes, /<italic id="italic-091dd7105e74879a453e073921019ea8">ti</italic>/ realiza-se como <italic id="italic-dd6df21a1ba844c5db134bf71191eda6">[ks]</italic> a exemplo <italic id="italic-36aa4b66784b41ea93332c3e86016190">refleti(r)/ reflexão</italic>. Em adjetivos propensos a essa modalidade, a inserção é direta como <italic id="italic-3405bc1f9683d8dc8d6efa2bd87a1874">tenso/tensão</italic>. Assim sendo, a sibilante na precedência é uma exigência do ditongo nasal na função de nominalizador. <italic id="italic-c03cbebd8fc579586c479edb1f093949"/>Por conseguinte, a localidade é restrita, nos termos mencionados. <italic id="italic-6ffc83e3e65757d6102c8a481e0c0999"/></p>
        <p id="paragraph-a603977eafbc8f9189c7d3d8fb66b70d" />
      </sec>
      <sec id="heading-03cf5211b900077ae1469ced9653879f">
        <title>2.4 Sufixo: DADE/IDADE</title>
        <p id="paragraph-8df30679aa36824c37446ed4dee2a6e4">A presença deste sufixo de base nominal foi motivada pela epêntese vocálica verificada no item precedente que os caracteriza. Mas neste caso, a derivação tem distintas localidades:</p>
        <p id="paragraph-fdb4b174843d54b403181186d61fddd0" />
        <p id="paragraph-fb75bf235681e7e03427e19165a8e6d9"> (a) bom/bondade  (b) capaz/capacidade         (c) fim+al/finalidade </p>
        <p id="paragraph-33d5c05aeab20f73e3805db66b767688"> mal/maldade              feroz/ferocidade               forma +al/formalidade</p>
        <p id="paragraph-4e259f9ce2a27f471ea0eeba387e79ac"> obeso/obesidade        vulgar/vulgaridade           tom +al/tonalidade </p>
        <p id="paragraph-62c28f5bf2e8266dd9e10c9d231c7ab2" />
        <p id="paragraph-b04a5a820392605d020af0cd8af3289e"> (d) conta/+el/contabilidade     (e) ato+ivo/atividade          (f) genero+oso /generosidade </p>
        <p id="paragraph-5f6da180dbd14c0eca98561d43482d5d"> nota+vel/notabilidade                   afeto+ivo/afetividade        ócio +oso/ociosidade </p>
        <p id="paragraph-4953244be02f74d0eb29e972bda119a4"> socio+vel/sociabilidade                 nato+ivo/natividade           preço+oso/preciosidade</p>
        <p id="paragraph-fa146d48423ac4d6d27719aff2f7d7f4" />
        <p id="paragraph-4082a9beb253cc6a7fa70ac89abb7ed2">Eis em (a) o reduto da forma -dade: certas palavras não derivadas; nos demais casos, ocorre -idade: (b) palavras atemáticas, (c ) palavras derivadas com o sufixo -al e derivação com outros sufixos intervenientes (d, e, f) respectivamente, -bil -ivo, -oso. Com amplo campo de ação, apresenta- se como um dos sufixos mais produtivos do sistema. Basílio a isso se refere nos seguintes termos:</p>
        <disp-quote id="block-quote-a2d0f8a036fc6db154c1ab1d4b9b5c32">
          <p id="paragraph-59c91ca65cf32db0c9a5d13704a183e9">O fato de que apenas -idade se combinar com bases de estrutura morfológica complexa faz com que esse seja um sufixo muito mais utilizado, pois o número de suas bases possíveis sempre se expande, ao contrário de -eza que apresenta um número bem menor de possibilidades de ocorrências possíveis. (BASÍLIO, 2004. p.49)<xref id="xref-44f4b54e20adde219252ecc66ffeff79" ref-type="bibr" rid="book-ref-41a0c512ec5408dfb95753629cf03ab4">[11]</xref></p>
        </disp-quote>
        <p id="paragraph-21f969130cba64f81178616ccd0bb797">Parafraseando esses dizeres, o sufixo <italic id="italic-c14d64045564947bbd160539473e4634">-dade/idade</italic> é mais produtivo do que <italic id="italic-1586ae4ed24305a14efaa102c761ccb4">ão/são</italic>, pois o ditongo nasal como sufixo tem menos possibilidades de ocorrência, restrita somente à dada precedência. </p>
        <p id="paragraph-af16a93baf0538e5fa80601869f87c02">A vogal alta em -<italic id="italic-f4faf091c4a2214937795924d6f60c3b">idade </italic>é uma alteração produzida no próprio sufixo <italic id="italic-4264870c4324deefcea1ff6089009e3b">-dade,</italic> formando -se dois alomorfes, -<italic id="italic-09fb9b4ce40311c29d5a4e6c227f9454">dade/-idade</italic> com o mesmo sentido, porém um não substitui o outro, constituindo um caso de alomorfia, ou seja, alternância morfofonológica como mostram os exemplos mencionados. Essa alternância aumenta consideravelmente o seu campo de ação a ponto de tornar-se um dos sufixos mais produtivos, mais do que o ditongo nasalizador, produtivo também, mas em menor escala. Constitui, pois, um caso de alternância morfofonológica de localidade diversa. </p>
        <p id="paragraph-b54692fc398351ba9251d12f739533ec" />
      </sec>
      <sec id="heading-7e29cc05951b610b55d6babd2456b5b1">
        <title>2.5 Sufixos: -EL e -VEL </title>
        <p id="paragraph-caddec73210d955419438f572fffa0e3">Trata-se de dois sufixos que têm uma propriedade em comum, a rima silábica, vogal média e lateral com forte tendência à vocalização. Um apaga VT, o outro a preserva. Seguem exemplos:</p>
        <p id="paragraph-48daa717ec133774af42ce5eb4b8977a" />
        <table-wrap id="table-figure-3f684be8fe1915fd128d772e4c9ba970">
          <label>Table 6</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-63ac0387b2c2db50e0d0d1e518770bb8" />
          </caption>
          <table id="table-cc83576c4f21bdd0d2e05ac0b683e3c9">
            <tbody>
              <tr id="table-row-64a57ac6085942340f235e5196d2757a">
                <td id="table-cell-a20397b9e6ea2d13953afb06440a0e6b"> (a) alug(a) + ɛl aluguel </td>
                <td id="table-cell-a1783327965c2a542f1e9130e214a726"> (b) aluga +vel alugável </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-68bad8ac035ca041c67d175c96714490">
                <td id="table-cell-501f92267785d0ad6caf099d9ed2667e"> cord(a) + ɛ l cordel(a) </td>
                <td id="table-cell-3a20ca0cb36f254e5428a18acdc0f990"> agrada+vel agradável </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-450054b0675a5cb682fdd18494035316">
                <td id="table-cell-416458bb38f6a7dc62575d2207cbc0e7">quart(a) + ɛl quartel </td>
                <td id="table-cell-37cfc85acd89be0c71209a7489600e46">dize+vel dizível </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-5dc07a7ab1d026a8a60aef6ccbd8e54a">
                <td id="table-cell-9ef3ecc8f5e3dcbd07ab54d4da9faf60">past(a)   + ɛ l pastel </td>
                <td id="table-cell-9b1f87ada09cd307bd99d903a20c0c34">dividi+vel divisível </td>
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
        <p id="paragraph-20d3fc8e83a4c123856b5250f6497be2">A base do sufixo - ɛl é, em geral, o nome com VT apagada, verbo raramente, como no primeiro exemplo de (a); a base privilegiada de -vel é o verbo com VT preservada. Por outro lado, há mais palavras com -ɛl não derivadas, isto é, não divisíveis em morfemas como: hotel, painel, bacharel, tonel e nomes próprios, Daniel, Isabel, Manuel, Miguel, Rafael, Uriel, enquanto -vel predomina em palavras derivadas. Para fins de análise, é necessário identificar as vogais médias:</p>
        <p id="paragraph-f85dabf0c94942e10c90a3cc58927e98" />
        <table-wrap id="table-figure-46da178048dae5156338c528824ace20">
          <label>Table 7</label>
          <caption>
            <title>QUADRO 1 - Abertura vocálica</title>
            <p id="paragraph-d2bce225f31694b5796fdbac8ae0d481">Fonte: Clements e Hume (1995)<xref id="xref-e2b93adc424658ad793d1a26fe2bba4c" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-209c153559d8078c7699fb06fd6b7ec6">[1]</xref></p>
          </caption>
          <table id="table-a3c1475edcded9c9627f226d6f0a340b">
            <tbody>
              <tr id="table-row-c675db11fccd1b389556e59f20e6975a">
                <td id="table-cell-82a26d626652e5494e6347529de6a554" />
                <td id="table-cell-12e8a63bd786523cc719a1371343e417"> i/u </td>
                <td id="table-cell-22f668d0b05bb59b00b518b22c698fd7"> e/o </td>
                <td id="table-cell-9023c85754f972a738956965f661ea4c"> ɛ/ɔ </td>
                <td id="table-cell-014134648832b42c26c19984080d5298"> a </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-544d61aea344d6111e31adba4987afcd">
                <td id="table-cell-be8496bd45accc0a00a822f5d74969fc"> aberto 1 </td>
                <td id="table-cell-37ad5fdbcb74fb7de121fc37eb0202a8"> - </td>
                <td id="table-cell-2db68ba6931bd49fc237b59bb32bcd6e"> - </td>
                <td id="table-cell-63f9ea5a7e790d025b0df18fad213ab6"> - </td>
                <td id="table-cell-85709b2a9fedcd9edf89248306d76146"> + </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-cb7eb4ffc0b353af729df533b747ecbd">
                <td id="table-cell-74aadc4251b74b3f0a9d14157e7e9313"> aberto 2 </td>
                <td id="table-cell-40030f874a9bbc4137587197290781e3"> - </td>
                <td id="table-cell-db677f3bbdf446cf399cdd6bafb03d4a"> + </td>
                <td id="table-cell-0fd7eba4301224adf8e06c91ba375f3b"> + </td>
                <td id="table-cell-ab9a5feb83378642f79968be516474b8"> + </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-b1f96578f75941e15dc18a24faeafb5c">
                <td id="table-cell-7567aca8a3ea0f1b9271d561be8e6e33"> aberto 3 </td>
                <td id="table-cell-f2016e636c461da20bdfea3eec6e01ec"> - </td>
                <td id="table-cell-a39863b846d6e20b2db61dc368d7f763"> - </td>
                <td id="table-cell-27aed1795bc1374a37c26bdb5b869b78"> + </td>
                <td id="table-cell-d0dfea563b11a8eec7ab74c54713dbf3"> + </td>
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
        <p id="paragraph-d052da1b20b0d637df02d0cf88b45edb">As duas vogais médias distinguem-se pelo traço [aberto3], diferença mínima entre unidades fonológicas que oferece a possibilidade de serem analisadas como uma unidade só, via subespecificação, segundo Kiparsky (1993)<xref id="xref-9413d554ca1fb32beeac771f0ffded8a" ref-type="bibr" rid="chapter-ref-5900dbf0d686bf88c18993c05e9c8f46">[2]</xref>. Assim sendo, as vogais médias têm o traço [ab3] subespecificado na estrutura subjacente, figurando somente com os traços de abertura que têm em comum [-ab1, +ab2], representada por letra maiúscula e especificada ao final do processo derivativo. Em tempos do primeiro estruturalismo, Trubetzkoy (1967)<xref id="xref-1a7119fb668f02289b616b4aba51425b" ref-type="bibr" rid="book-ref-6b06f8bb834d653906c269bce78b10cf">[12]</xref> propôs um procedimento de análise para casos de neutralização que deu origem ao exposto, o qual continha um nível mais abstrato, o arquifonema, que a teoria moderna dispensa, valendo-se da subespecificação. </p>
        <p id="paragraph-953452bcb0307f145fdf50a3f5385117">Como bases diferentes e, consequentemente, significação diferente, -<italic id="italic-b6c19c61e9556705c171a236038e09e6">ɛl, -vel </italic>são dois sufixos que, em virtude de comungarem a mesma rima silábica, estão em distribuição complementar, via regras fonológicas, como se observa na derivação seguinte:</p>
        <p id="paragraph-cb403d84888ee71a29f8c680f24630d9" />
      </sec>
      <sec id="heading-ea247090a844effd3eac6b324817ca89">
        <title>2.5.1 Derivação</title>
        <p id="paragraph-580518286b6ea6be40b8d16822e01f03"> (a) El          (b) vEl                               subespecificação </p>
        <p id="paragraph-5d5a1d240dfb0ec96d7f83e38f64449d"> past(a)            +El ama+vEl                apg de VT em (a)</p>
        <p id="paragraph-dfd48cc03c5db09e57da7e5bc74ce390"> pastEl                amavEl                       adjunção</p>
        <p id="paragraph-8dadb18d392a92c1338222005e7773ad"> pas.tEl               a.ma.vEl                      sílabificação</p>
        <p id="paragraph-60f2e007505c47a961d19af9e3d153e7"> pas.´tEl (tônico) a.´ma. vEl (átono)       acento </p>
        <p id="paragraph-48a4b70fc02622aa5609e4cd61463fb4"> pas.´tɛl               a.´ma.vel                    preench.do vazio</p>
        <p id="paragraph-dd5d73a5cd019b8094200336ddae11de" />
        <p id="paragraph-412ca9e74a0c612282c2e61c5a581b80">Na derivação de (a), o acento incide na vogal do sufixo, consequentemente na sílaba tônica, em final de palavra; em (b), o acento incide na vogal temática, consequentemente na sílaba átona precedente. O traço fonológico que as distingue manifesta-se somente ao final do processo derivativo. É um processo diferente dos citados, mas têm uma propriedade comum a processos morfofonológicos do tipo s ~z, ha[s]te e a[z]ma, porém no caso em pauta, a subespecificação do grau de abertura é fundamental. E assim finda esta análise sumariada em termos de conclusão.</p>
        <p id="paragraph-807080b53bad2cf9736d6a0ccdc68e70" />
      </sec>
      <sec id="heading-7e6dd9b4c63f75f30a11af3e1fb167f7">
        <title>3. Conclusão</title>
        <p id="paragraph-74e282b1df959a273dd738a27cfe6007">A forma -dor em palavras derivadas de pp é redundante, pois <italic id="italic-3d7561abfe59c5f6dc6a96010a595717">/d/</italic> faz parte do contexto receptor, figurando como sílaba, <italic id="italic-a2f094f8227e4d5b3f4cbcce88a4d8bf">dor, </italic>por regra de silabificação que ocorre após a adjunção do sufixo -<italic id="italic-ad5d2f34f2ce948d2692c3f0dde840fa">or</italic>, no processo derivativo. Por conseguinte, -<italic id="italic-052007060925bdefc79754ba97eca3a8">or </italic>é um sufixo de uma face só, cuja localidade é o particípio passado, por vezes, o tema verbal. </p>
        <p id="paragraph-38cb971ced5e1827f95464e8d2df37a5">O sufixo nasal <italic id="italic-cc29dd7e5720264d8ef470f6c954beaa">/ãw/</italic>, como nominalizador, localiza-se no tema verbal ou particípio com VT apagada, figurando diante de sibilante sem exceção. É um caso de alternância morfofonológica de localidade restrita. <italic id="italic-6e6b3e681d1a0dc4611800394708532a"/></p>
        <p id="paragraph-5e07c1c7caac0b1311d1b4e9ee35cb0a">O sufixo<italic id="italic-8f90bd040611a2c7f01c074eef33682c"> -dade/idade</italic>, relação entre nomes, tem por base palavra temática ou atemática, constituindo um caso de alternância morfofonológica de localidade diversa. </p>
        <p id="paragraph-11bf1382c62f5e6cd6f36447c1a7ea0f">Os sufixos diferentes, <italic id="italic-21d171eaa6ceb180a529ee68b470aabb">-</italic><italic id="italic-28ecd659f085a9bfcd47af1235b1ae8e">ɛl </italic>e -<italic id="italic-09687bfef748f39ebd32407506eeb5b6">vel</italic>, em virtude da rima silábica, comungam traços fonológicos em distribuição complementar. Quanto à localidade, o primeiro privilegia nomes; o segundo, verbos.</p>
        <p id="paragraph-f20c7d74761d5e38054cdb15bfd96a60" />
      </sec>
      <sec id="heading-292b9bb5185703b9c343e63a5bac2165">
        <title>Agradecimentos</title>
        <p id="paragraph-23">Agradeço aos revisores, prof. João Paulo Cyrino e prof. Mário Viaro as informações recebidas, incorporadas ao texto, assim como à prof. Carmen Matzenauer e ao prof. Luiz Carlos Schwindt a leitura comentada da primeira versão.</p>
        <p id="paragraph-6" />
      </sec>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <ref-list>
      <ref id="book-ref-41a0c512ec5408dfb95753629cf03ab4">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
          <publisher-name>Editora Contexto</publisher-name>
          <year>2004</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Basílio</surname>
              <given-names>M</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-1">Formação de classes de palavras no português do Brasil</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-827739023808ea274f31b7c088f4e561">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <fpage>113</fpage>
          <lpage>114</lpage>
          <publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
          <publisher-name>FAPESP e Editora Contexto</publisher-name>
          <year>2016</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Basílio</surname>
              <given-names>M</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>Aburre</surname>
              <given-names>M. B</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Fonologia da Palavra</source>
          <chapter-title>Fonologia da Nasalização</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="conference-paper-ref-ed60a879b2c94e9b94181badd84004bc">
        <element-citation publication-type="confproc">
          <conf-loc>Rio de Janeiro</conf-loc>
          <year>1968</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Câmara Jr.</surname>
              <given-names>M</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Versão não publicada</source>
          <article-title>
            <italic id="italic-88a3321a7c10062b2a5bf41c06417b96">Ditongo Nasal em Curso de fonologia, ministrado no Museu Nacional</italic>
          </article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-d257e5c7984ecfe82022289f66174f0c">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
          <publisher-name>Editora Vozes</publisher-name>
          <year>1970</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Câmara Jr.</surname>
              <given-names>M</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source><italic id="italic-73f7b01c91a12a7e76687147ada4098f">Estrutura da Língua Portuguesa</italic>.</source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-d888e0ebf1e98ed2301c2a20496afa9a">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
          <publisher-name>Padrão, Livraria Editora</publisher-name>
          <year>1953</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Câmara Jr.</surname>
              <given-names>M</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-ad430f9b843ae35f8dbd5f80905a853a">Para Estudo da Fonêmica Portuguesa</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-507edf8f4c2ed5ebbc598a63b0e63c76">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <fpage>225</fpage>
          <lpage>252</lpage>
          <year>1985</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Clements</surname>
              <given-names>G. N</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Phonology Yearbook London, n. 2</source>
          <chapter-title>The Geometry of Phonologic Features</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-209c153559d8078c7699fb06fd6b7ec6">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <publisher-loc>London</publisher-loc>
          <publisher-name>Blackwell</publisher-name>
          <year>1995</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Clements</surname>
              <given-names>G. N</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Hume</surname>
              <given-names>E. V</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>Goldsmith</surname>
              <given-names>J</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>The Handboock of Phonlogical Theory</source>
          <chapter-title>The internal organization of speech sounds</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-163ab84d4210776ef026d83bb06d59f7">
        <element-citation publication-type="journal">
          <year>2013</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Costa</surname>
              <given-names>S. M</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Coelho</surname>
              <given-names>B. S. J</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Revista Crátilo</source>
          <article-title>Derivação sufixal: funcionamentos e sentidos do sufixo -dor 1 e -dor 2 no português arcaico</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-11635e7850700fc648af5cada0eb8429">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>Lisboa</publisher-loc>
          <publisher-name>Instituto Nacional de Investigação Científica</publisher-name>
          <year>1977</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Pardal</surname>
              <given-names>E. A</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-796bb390cdb76af9506a5bdcf5bd1570">Aspects de la phonologie (Generative) du Portugais</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-268ff413d16a94732f81faa18b36b97d">
        <element-citation publication-type="book">
          <year>2000</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <collab>
              <named-content content-type="name">Houaiss</named-content>
            </collab>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-7dede7862487bfae1e6357b79511a741">Dicionário Eletrônico da língua portuguesa</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-09e6bdd8ed81a91b9607c5506d472c43">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <fpage>03</fpage>
          <lpage>91</lpage>
          <publisher-loc>Seoul</publisher-loc>
          <publisher-name>Hansin g Publishing Co</publisher-name>
          <year>1982</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Kiparsky</surname>
              <given-names>p</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>Yang</surname>
              <given-names>S</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Linguistic in the Morning Calm</source>
          <chapter-title>Lexical Morphology and Phonology</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-5900dbf0d686bf88c18993c05e9c8f46">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <year>1993</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Kiparsky</surname>
              <given-names>P</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>Hargus</surname>
              <given-names>S</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Kaisse</surname>
              <given-names>E</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Phonetics and Phonology. Studies in Lexical Phonology, vol. 4</source>
          <chapter-title>Blocking in Nonderived Environments </chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-1a2c307a5a130066edd8cbfde18ded66">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>Department of Linguistic: University of Stanford</publisher-loc>
          <year>1966</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Kiparsky</surname>
              <given-names>P</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source><italic id="italic-dae9b1709c25359d5a4c847e29349ba8">Allomorphy or morphonology</italic>? </source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-2ed25478fb71d7d60de587fc9b3e4e95">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <fpage>131</fpage>
          <lpage>176</lpage>
          <publisher-loc>Dordrecht Foris</publisher-loc>
          <year>1982</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Kiparsky</surname>
              <given-names>P</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>Hulst</surname>
              <given-names>H</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Smith</surname>
              <given-names>N</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>The structure of phonological representation</source>
          <chapter-title>From cyclic phonology to lexical phonology</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-8d19e04a629d402d4a4de08cf73aa378">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <year>1985</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Kiparsky</surname>
              <given-names>P</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Phonology Yearbook, v.2,</source>
          <chapter-title>Some consequences of lexical phonology</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-60eb079e8a82a198830b8479ec6ff358">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <publisher-loc>London</publisher-loc>
          <publisher-name>Blackwell</publisher-name>
          <year>2000</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>McCarthy</surname>
              <given-names>J</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Prince</surname>
              <given-names>A</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Optimality Theory in Phonology</source>
          <chapter-title>The Emergence of the Unmarked</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-8fac5f60c3bc5e81ef0880ef752c8f31">
        <element-citation publication-type="journal">
          <volume>1</volume>
          <year>2015</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Matzenauer</surname>
              <given-names>C. L</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Bisol</surname>
              <given-names>L</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>ALFA</source>
          <article-title>O inventário e distribuição subjacente das vogais temáticas na classe dos nomes do português</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-a7cc6b197f3cadc97da548209fc9612b">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>Oxford</publisher-loc>
          <publisher-name>Oxford University Press</publisher-name>
          <year>2000</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Mateus</surname>
              <given-names>M. H. M</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>D'Andrade</surname>
              <given-names>E</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-a2c521615165d9c59871c4339e39e06c">The Phonology of Portuguese</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-87a19c637dfdf790b38bcad3812501f2">
        <element-citation publication-type="book">
          <edition>4</edition>
          <publisher-loc>Porto</publisher-loc>
          <publisher-name>Livraria Clássica Editora</publisher-name>
          <year>1951</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Nunes</surname>
              <given-names>J. J</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-9691718eac7fa7ecc775d3630dddca97">Compêndio de Gramática Histórica Portuguesa</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-5414a9ef875ba02a61c0313ac8bf071d">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-name>Edições Melhoramentos</publisher-name>
          <year>1964</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Said Ali</surname>
              <given-names>M</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-c300dd50c25a120c955b357fb57ff590">Gramática Secundária da Língua Portuguesa</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-7cfeaae13423aa97ffa6a3ae58252669">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <fpage>15</fpage>
          <lpage>28</lpage>
          <publisher-name>EDIPUCRS</publisher-name>
          <year>2013</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Schwindt</surname>
              <given-names>C. L</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>Bisol</surname>
              <given-names>L</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>Collischonn</surname>
              <given-names>G</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Fonologia e perspectivas</source>
          <chapter-title>Palavra Fonológica e Derivação em Portugues Brasileiro: considerações para a arquitetura da gramática</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-6b06f8bb834d653906c269bce78b10cf">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>Paris</publisher-loc>
          <publisher-name>Editions Klincksieck</publisher-name>
          <year>1967</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>Trubetzkoy</surname>
              <given-names>N. S</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-20a0d2bf3a5683be5f88fca7e884adc6">Principes de Phonologie</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
    </ref-list>
  </back>
</article>