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<journal-title>Revista da Abralin</journal-title>
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<publisher-name>Associação Brasileira de Linguística</publisher-name>
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      <article-id pub-id-type="doi">10.25189/RABRALIN.V17I2.1334</article-id>
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          <subject content-type="Tipo de contribuo">Apresentação</subject>
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        <article-title>Apresentação</article-title>
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      <volume>17</volume>
      <issue>2</issue>
      <issue-title>Políticas Linguísticas Críticas em contextos coloniais e pós-coloniais</issue-title>
      <elocation-id>10.25189/rabralin.v17i2.1334</elocation-id>
      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">Este número da revista da ABRALIN agrupa textos sobre políticas linguísticas a partir de uma perspectiva crítica, o que implica submeter as políticas e planejamentos linguísticos a indagações e reflexões que levam em consideração: conceitos de língua; relação entre língua, poder e economia; ideologias linguísticas; políticas linguísticas em contextos coloniais e pós-independentes; papel dos agentes e lideranças locais na construção de suas políticas; relação entre política linguística e etnografia; relação entre língua e políticas territoriais; políticas linguísticas e transnacionalismo; e relação entre políticas linguísticas e justiça social. Busca-se, com isso, problematizar o uso de categorias e explicações universais para a resolução de problemas linguísticos, indagando-se, inclusive, sobre o que se entende por “problema linguístico”. Supomos que as políticas e planejamentos linguísticos, embora estejam fortemente centrados em pautas institucionais, transcendem esses limites, colocando em tela o papel das comunidades e das agentividades locais na configuração de modos coletivos de uso, compartilhamento e legitimação de suas práticas linguísticas. </p>
      </abstract>
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    <sec id="heading-b98c1fb154112d19308e8e9ee0c54037">
      <title>Políticas linguísticas críticas em contextos coloniais e pós-coloniais</title>
      <p id="paragraph-2">Este número da revista da <italic id="italic-1">Abralin </italic>agrupa textos sobre políticas linguísticas a partir de uma perspectiva crítica, o que implica submeter as políticas e planejamentos linguísticos a indagações e reflexões que levam em consideração: conceitos de língua; relação entre língua, poder e economia; ideologias linguísticas; políticas linguísticas em contextos coloniais e pós-independentes; papel dos agentes e lideranças locais na construção de suas políticas; relação entre política linguística e etnografia; relação entre língua e políticas territoriais; políticas linguísticas e transnacionalismo; e relação entre políticas linguísticas e justiça social. Busca-se, com isso, problematizar o uso de categorias e explicações universais para a resolução de problemas linguísticos, indagando-se, inclusive, sobre o que se entende por “problema linguístico”. Supomos que as políticas e planejamentos linguísticos, embora estejam fortemente centrados em pautas institucionais, transcendem esses limites, colocando em tela o papel das comunidades e das agentividades locais na configuração de modos coletivos de uso, compartilhamento e legitimação de suas práticas linguísticas.</p>
      <p id="paragraph-3">Alguns dos trabalhos aqui apresentados resultam de apresentações e conversas que marcaram o <italic id="italic-2">II Seminário de Políticas Linguísticas Críticas</italic>, ocorrido em Florianópolis (UFSC), entre os dias 26 e 30 de novembro de 2018. Tratou-se de um evento que agregou professores, pesquisadores, estudantes de pós-graduação e de graduação dos cursos de Letras, Linguística e de áreas afins. Na ocasião, buscou-se refletir sobre as políticas linguísticas a partir de perspectivas interdisciplinares e de metodologias não-hegemônicas, salientando a importância de considerarmos as relações históricas de poder que envolvem as relações entre línguas, instituições, sujeitos e políticas. Tanto o Seminário como a presente edição especial da Revista da <italic id="italic-3347cf91a8175073d581a153a5120ce3">Abralin </italic>têm como meta colocar em tela reflexões e análises a partir de um olhar atento às dinâmicas de poder que envolvem o modo de circulação das línguas. Propomos que, em política – compreendida como um espaço dialógico e plural de convívio entre sujeitos singulares –, a relação entre línguas e subjetividades é relevante, uma vez que as línguas fazem sentido a partir de contextos concretos de enunciação e de circulação. Isso implica considerar a relação entre as políticas linguísticas e temas como justiça social, inclusão, acessibilidade, direitos e visibilidade.</p>
      <p id="paragraph-50b5570e6d24a9809395a66c24b9cdab">Este número especial agrupa treze artigos, dentre os quais uma tradução e um texto em língua francesa. Inicialmente, destacamos quatro artigos que se ocupam do cenário brasileiro: o primeiro, <italic id="italic-5764ac12455f13e5c36b5f090631c8e3">Línguas e heranças africanas no Brasil: articulando política linguística e sócio-história</italic>, de autoria de Cristine Gorski Severo, aborda os significados sociais atribuídos às línguas e heranças africanas no Brasil, articulando políticas linguísticas, sócio-história do português brasileiro e uma avaliação sobre o processo de racialização das línguas no Brasil; na sequência, Ricardo Nascimento Abreu discorre sobre os <italic id="italic-104ec8fd23b01aabc39a7b1789712f48">Estatutos jurídicos e processos de nacionalização de línguas no Brasil</italic>, atentando para o papel e importância da hermenêutica jurídica na construção das políticas de nacionalização de línguas no país. Ana Claudia Eltermann, em <italic id="italic-3">A relação entre as teorias linguísticas e raciais no final do século XIX no Brasil</italic>, analisa e problematiza os discursos linguísticos do final do século XIX a partir de um olhar centrado na construção de retóricas raciais e racializantes. Em seguida, o texto <italic id="italic-4">A </italic><italic id="italic-5">demarcação de terras indígenas como política linguística</italic>, assinado por Carlos Maroto Guerola, aponta para uma relação relevante entre as políticas de línguas indígenas e a questão territorial, sinalizando, a partir de um relato autoetnográfico, para a maneira como essas políticas se relacionam mutuamente.</p>
      <p id="paragraph-22b4c7a6855d830910fe71df475de872">Após esses quatro textos, seguem cinco artigos que apresentam uma discussão sobre a língua em contextos de fronteira ou pós- coloniais. No artigo <italic id="italic-00e1eef715a292bc6019c99479d9fa79">Indexicalidade, ideologia linguística e desafios da fronteira a políticas linguísticas uniformizadoras</italic>, Daniel do Nascimento e Silva e Adriana Carvalho Lopes abordam ideologias linguísticas e indexalidades em contextos fronteiriços de uso e legitimação do Portunhol; em seguida, Letícia Ponso escreve sobre a <italic id="italic-28c266982eeb49a56d3fd11be7d8b927">Transnacionalidade da língua portuguesa, política linguística externa </italic><italic id="italic-55336fe4e55f5e74778084dd1e49f448">e cooperação acadêmica Sul-Sul nos governos Lula da Silva-Dilma Rousseff (2003 – 2016)</italic>, no qual analisa o estatuto da língua portuguesa no processo de integração de estudantes oriundos dos PALOPs no ensino superior brasileiro, questionando a ideia “lusofonia”. Ezequiel Pedro José Bernardo e Cristine Gorski Severo abordam as <italic id="italic-2ac4517f3b76569b9eb7fd7114d0d5ec">Políticas Linguísticas em Angola: Sobre as Políticas Educativas In(ex) clusivas</italic>, discorrendo sobre a situação da educação bilíngue em Angola e atentando para a fragilidade das políticas atuais em relação ao multilinguismo angolano. Na sequência, o artigo <italic id="italic-8e1e23c62f5c3fae5740a213a7f91e7b">Língua portuguesa em Angola: silenciamentos, isolamentos e hierarquias</italic>, de Heloisa Tramontim de Oliveira, trata das relações de poder envolvendo as línguas e sujeitos em Angola, com enfoque nas políticas coloniais e pós-independência. O quinto artigo dessa sequência é assinado por Sara Farias Da Silva e Simon Dabin, que abordam – em <italic id="italic-6">Les Droits Linguistiques au Canada: entre avancées historiques et reculs contemporains </italic>– a relação entre direitos linguísticos, políticas históricas e acontecimentos contemporâneas do Canadá.</p>
      <p id="paragraph-b7fa20bbc8730e7ea3e6404a43135bc2">Um terceiro bloco de textos traz uma visão crítica, reflexiva e alargada de políticas linguísticas. Em <italic id="italic-8012ff13b752479826850024f15f445d">O governo da língua: implicações do conceito de gestão na política linguística</italic>, Charlott Eloize Leviski trata da relação entre os conceitos de economia e de política, atentando para a maneira como as políticas linguísticas contemporâneas estão assujeitadas a um modelo econômico centrado na ideia de “gestão”. Na sequência, Evelyn Martina Schuler Zea aborda, a partir de um olhar interdisciplinar, <italic id="italic-a683489058c701e1a709329e5e1dceb7">As potências políticas do deslocamento na etnografia, na </italic><italic id="italic-0c15b6d0050df9fccae9424d7ca04158">tradução e na linguística</italic>, discutindo os sentidos e potências políticas da ideia de deslocamento nos campos da etnografia, da tradução e da linguística. Atílio Butturi Junior, em <italic id="italic-0d6764d81bacea733ef19a9f344a120c">É a linguagem um dispositivo? (ou o linguista enrubescido)</italic>, indaga a respeito de um dispositivo da linguagem em relação com o rubor saussuriano sobre a emergência de um campo científico sobre a linguagem.</p>
      <p id="paragraph-e18cbf54536a529aa8d841b5c854c9e4">Por fim, essa edição especial apresenta uma tradução de um texto de Sinfree Makoni – <italic id="italic-fc3b9f3437c248f437772bf9d9d1d49d">Da linguística humana ao sistema “d” e às ordens espontâneas: uma abordagem à emergência das línguas indígenas africanas <italic id="italic-1ca63f0596de8839d5929c7c0170fcf1"/></italic>–, no qual o autor busca expandir repertórios epistemológicos e analíticos para descrever as diversidades sociolinguísticas, com foco no contexto africano.</p>
      <p id="paragraph-3f33aa0139fae2fd68fdfc5e6ecf579a">Esperamos que esse agrupamento de textos – que trata do cenário brasileiro, fronteiriço e africano, bem como de aspectos epistemológicos das políticas linguísticas – contribua para fortalecer as reflexões e os debates atuais sobre a relação entre língua e política, sinalizando para a complexidade desse campo de pesquisa e para a necessidade e importância de uma reflexão interdisciplinar e crítica sobre a maneira como as línguas afetam a vida das pessoas.</p>
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