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<journal-title>Revista da Abralin</journal-title>
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<publisher-name>Associação Brasileira de Linguística</publisher-name>
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        <article-title>DOIS FRAGMENTOS EBORENSES DA VITA CHRISTI: QUAL O SEU LUGAR NA TRADIÇÃO DA OBRA?</article-title>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="21/04/2017" />
      <volume>16</volume>
      <issue>1</issue>
      <fpage>223</fpage>
      <lpage>238</lpage>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-178896c89050c929d8b264734c6a83a1">Descrição dos testemunhos que compõem a tradição direta da primeira parte da Vita Christi. Colação de dois fragmentos do texto preservados em Évora com os testemunhos manuscritos provenientes de Alcobaça e Lorvão e com o impresso de 1495. Identificação de variantes e proposta de localização dos fragmentos na genealogia da primeira parte da obra.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="_paragraph-2">
          <italic id="italic-1">Description of the witnesses in the direct tradition of</italic>
          <italic id="italic-2" />
          <italic id="italic-3">the first part of</italic>
          <italic id="italic-4" />
          <italic id="italic-5">Vita Christi. Collation of two text fragments preserved in Évora, with handwritten witnesses from Alcobaça and Lorvão and the printed witness of</italic>
          <italic id="italic-6" />
          <italic id="italic-7">1495. Identification of</italic>
          <italic id="italic-8" />
          <italic id="italic-9">variants and possible position of </italic>
          <italic id="italic-10">the fragments in the genealogy of the first part of the work.<italic id="italic-11"/></italic>
        </p>
      </abstract>
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        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-d12c379b3cfeefba0ccc2e7e5a7541c2">Collation</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-281aa83d1035076047e75dd3add9d732">Évora fragments</italic>
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          <italic id="italic-c84460a3f78df3b83a4f1621cbf210e1">Stemmatics</italic>
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          <italic id="italic-64949799d67f7216023a17e6162fef8f">Vita Christi</italic>
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    <sec id="heading-1">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-2">O livro <italic id="italic-447b861b73d9c61b5030f69c60c37181">Vita Domini nostri Jesu Christi ex quatuor evangeliis</italic>, escrito por Ludolfo de Saxônia (*fins do séc. XIII - †1377), monge cartusiano em Estrasburgo, na segunda metade do século XIV, teve uma enorme difusão por toda a Europa. Desde os finais do referido século, circulavam inúmeros manuscritos da obra, dos quais se conservam cerca de centena e meia.<xref id="xref-5fbaf46d6030eac1a45936d75be2c612" ref-type="fn" rid="footnote-3ae1851d1abc7e635fbb70dacc802d6e">1</xref></p>
      <p id="paragraph-27ed303d776e3771b722c075b46dbdb4">Na <italic id="italic-10ed8ec73455d6b71f51bdcf5499127c">Vita Christi</italic>, o autor elabora uma biografia de Jesus Cristo a partir dos quatro evangelhos, acrescida de comentários dos santos padres e dos escolásticos, além de considerações pessoais. A obra, segundo Frade (2011), “[c]ontribui para aprofundar o movimento espiritual denominado <italic id="italic-2d1e48f4bc227ab12b9ec0d62244e97e">deuotio moderna</italic>, que propõe uma vida comunitária, de meditação e trabalho manual (sobretudo relacionado com a cópia de livros)”.<xref id="xref-f98372075cfe9b05a0aea43c41347a0b" ref-type="fn" rid="footnote-f06ac84c59d8d852bbae1111e5a558a5">2</xref></p>
      <p id="paragraph-3">Embora o autógrafo de Ludolfo de Saxônia tenha desaparecido, as cópias manuscritas circularam nos sécs. XIV e XV. E, com base no texto latino, chegado também a Portugal, faz-se a tradução para o português.<xref id="xref-aedc2ffdcf5e1263f321eb1ea4925de9" ref-type="fn" rid="footnote-fc758b902ff63aec85047a33d1e7a061">3</xref> A tradução da obra, alterada durante a sua transmissão manuscrita, foi impressa em 1495,<xref id="xref-0d0551303c78f18fc4926e52c22caac5" ref-type="fn" rid="footnote-98dd6fa87567e9bc2c0832bca7f3d618">4</xref> por Nicolau de Saxônia e Valentim de Morávia, a mando de D. João II (*1455-†1495) e de D. Leonor (*1458-†1525).</p>
      <p id="paragraph-5">Do período que medeia entre a tradução para o português e a publicação impressa, preservam-se hoje partes (códices, fragmentos) de pelo menos seis cópias manuscritas, que podem ter composto diferentes transcrições integrais da obra.<xref id="xref-00ac044452a15c6c11a439081d705ba5" ref-type="fn" rid="footnote-5b117bb5ec5f8cdf303398762f653b0b">5</xref></p>
      <p id="paragraph-4293aaf59f4f40839619d379ee65cd71">Neste estudo, concentramo-nos na primeira parte da obra e, mais especificamente, em dois fragmentos atualmente preservados em Évora, que integram a sua tradição.</p>
      <p id="paragraph-9312ca6a48ee51724770725916d1048a">Ao procurarmos indícios textuais para situar os fragmentos no estema da obra, deparamos com poucas variantes que poderiam constituir lugares críticos (<italic id="italic-6731ae5e99e9dd241a131d29bf8c446b">loci critici</italic>) da tradição. Nesta etapa da pesquisa, uma recolha exaustiva permite apenas identificar casos de variação textual que aproximam e que distanciam os fragmentos dos demais testemunhos, a partir do que podemos emitir algumas hipóteses a respeito da filiação dos fragmentos.</p>
      <p id="paragraph-453eec2e92aa677c845da5afef65a6a5">Para o estudo da tradição da <italic id="italic-7ee504a28e65c5d22af45c9bf3ea4ad7">Vita Christi</italic>, tomamos por base o método genealógico-reconstrutivo (TROVATO, 2014: 54), concentrando-nos na etapa da <italic id="italic-7bd27134f155281d622dcf9d968e6475">recensio</italic>: começamos por descrever os mais antigos testemunhos que compõem a tradição direta da obra; em seguida, fazemos a colação de variantes, com base nos fragmentos eborenses; procuramos salientar os casos que julgamos mais significativos, a partir da recolha exaustiva a que procedemos, dentro dos limites dos fragmentos eborenses.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-a4537cf01916a7c260daab93ea842e5b">
      <title><italic id="italic-07fd8c2ee132e558f6573474049a5fcd">1. </italic>A tradição da primeira parte da <italic id="italic-8888b06088fc0e38f574ee9498830ff5">Vita Christi<italic id="italic-1197d30468a6d5aa3fdc917ba9c13ddb"/></italic></title>
      <p id="paragraph-7">Os testemunhos portugueses mais antigos (datados do séc. XV) que compõem a tradição direta da primeira parte da <italic id="italic-50329118a10fc8759e0a676c661cffe7">Vita Christi </italic>são os seguintes:</p>
      <table-wrap id="table-figure-cd73bd974209501455b819c4498e46ea">
        <label>Table 1</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-ba2bf962588050b83e3a3a9ccb4acd4c" />
        </caption>
        <table id="table-d3e29c869e6c12bceb2d9566cd26df30">
          <tbody>
            <tr id="table-row-7c4d8bfa7e3bac9e220c3fe8a90117d6">
              <td id="table-cell-fa344f479b26e088847d4105486ef388"> BNP<xref id="xref-2abb27ca899ff89336199936b51a8147" ref-type="table-fn" rid="footnote-2e9e771521070cdb96e0a404cd1e24ea">?</xref></td>
              <td id="table-cell-0ab78030517841142233f6998f7807db"> c.1445-46 </td>
              <td id="table-cell-7eba82f8b3ca5926f804eef860bffe30"> ALC. 451 </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-7e2dadfaeacd698b986bf3778f3f1ad3">
              <td id="table-cell-27d28e8ed5bf8fcfde89b6f96a1979fb"> BPE </td>
              <td id="table-cell-52bb3994a20c80c77ba91a162aae06e2"> c.1450 </td>
              <td id="table-cell-0067b33fabdec536323eedc6bf3fe4b6"> Pergs. frags., pasta 4, doc. 3 </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-8f6e75431e0bf8b0bb47fcb206ac0425">
              <td id="table-cell-21bf4cc4c93d5988adb5e9465fb27036"> BPE </td>
              <td id="table-cell-f7d0c13c7d24f9d0c93317579fa0e49a"> c.1450 </td>
              <td id="table-cell-674bf27026a3463dc3a224eca03f04a9"> Pergs. frags., pasta 4, doc. 4 </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-42c19a393101ad1ea30538580ac58461">
              <td id="table-cell-117018d2592d8f05037611551158dbf3"> ANTT </td>
              <td id="table-cell-b06e7bfe089c1a3183fdaf507485ca8b"> séc. XV </td>
              <td id="table-cell-71b7d8e76f60ec7a4273adc31d7ad738"> Ord. Cist., Lorvão, cód. 33 </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-3065fbea75b5622fac5b04575bcdeaf2">
              <td id="table-cell-741723639316b38652a7028aeed29a9e"> MNA </td>
              <td id="table-cell-8a31d646c56b340d36b0d901dda7d853"> séc. XV </td>
              <td id="table-cell-a28e926e1b01b86e59074fc2c4bced07"> Ms/P/IL, cx. 4/ p. 6/ fr. 1 </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-db684b6d0aae60acca337cc4c5e4cd96">
              <td id="table-cell-db67609a5b646eef43c7bf133b1f1d03"> BNP </td>
              <td id="table-cell-8cda2cf3c972f928a3a28ee973cb59d9"> 1495 </td>
              <td id="table-cell-d7ccd8f0c67e58d03df61afc0f0c0f8e"> Inc - 1541<xref id="xref-cc27a1ef7e978c46cd526757ec9a8f64" ref-type="table-fn" rid="footnote-a9edc7a01d71fa6d464cf7422c28c3b8">?</xref></td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
        <table-wrap-foot>
          <fn-group>
            <fn id="footnote-2e9e771521070cdb96e0a404cd1e24ea">
              <label>*</label>
              <p id="paragraph-3247d52fafa0e9c3ecd630fe7bb6252d">Siglas utilizadas na lista: ANTT – Arquivo Nacional da Torre do Tombo, BNP – Biblioteca Nacional de Portugal, BPE – Biblioteca Pública de Évora e MNA – Museu Nacional de Arqueologia.</p>
            </fn>
            <fn id="footnote-a9edc7a01d71fa6d464cf7422c28c3b8">
              <label>†</label>
              <p id="paragraph-4a2bcbf1120bf872eb7c2e5431880951">As identificações dos testemunhos manuscritos em BITAGAP são respectivamente: Manid 1118, Manid 1605, Manid 1960, Manid 4026 e Manid 6673. As cotas dos incunábulos referem- se a um conjunto de exemplares disponibilizado online pela Biblioteca Nacional de Lisboa. Há, para além desses exemplares, muitos outros, catalogados em Portugal e em outros países. V. Scrinium. Disponível em: &lt;<ext-link id="external-link-36f78aafa5d066f658539e2f0a3268bf" xlink:href="http://www.scrinium.pt/pt-021">http://www.scrinium.pt/pt-021</ext-link>&gt;. V. tb. DIAS (1995).</p>
            </fn>
          </fn-group>
        </table-wrap-foot>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-e04fffdf207fffd926a38538b29a52ab">O testemunho ALC. 451 conserva-se atualmente na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa. Proveniente do mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, o códice foi copiado em meados do século XV e concluído em 15 de junho de 1445, conforme data declarada no colofão (fól. 221v). O suporte material é membranáceo e o códice compõe-se de 221 fólios (467 x 306 mm), organizados em 29 cadernos de estrutura variável. A mancha do texto mede 320 x 220 mm, segundo Amos (1989). Cada fólio contém duas colunas de 47 linhas cada uma, delimitadas por um pautado aparentemente à ponta seca. A numeração é romana, em vermelho, centralizada na margem superior dos fólios <italic id="italic-bb68db0cd4b8b770073f426a3e643bb9">recto</italic>; há reclamos centralizados na margem inferior do último fólio de cada caderno. A capitular que abre o texto é cuidadosamente ornamentada. Ao longo de todo o texto, as capitais que abrem capítulo e as que iniciam a oração que conclui cada capítulo são de maiores dimensões, coloridas em azul ou vermelho. Epígrafes e caldeirões em vermelho. Encadernação em madeira, coberta de pele castanha, com brocho (plano anterior) e a marca dos que faltam (plano posterior).</p>
      <p id="paragraph-1b47bd99ef881ed3a8bfc2c046ee371b">A escrita empregada no códice corresponde à gótica denominada <italic id="italic-affdd19547f7052afdb0aad63964776e">híbrida portuguesa </italic>(DEROLEZ, 2006: 172). A híbrida portuguesa caracteriza-se principalmente pelo &lt;d&gt; com haste longa e diagonal à esquerda; o &lt;s&gt; final com curva em sentido anti-horário, traço horizontal e cauda diagonal à esquerda; o &lt;z&gt; com cauda horizontal; e o desenho do &lt;e&gt; tironiano.<xref id="xref-15ee76a0f6bea0f4bf3c04f20c51061e" ref-type="fn" rid="footnote-66c551964fb91e1ec1250c6352d75d4f">6</xref></p>
      <p id="paragraph-56ece2ef4a5c17f541e20efd2d9e1472">Os fragmentosdenominados respectivamente <italic id="italic-967c028d8546b59b4b530b2d135417ce">Pergaminhos fragmentados, pasta 4, doc. 3 </italic>e <italic id="italic-a04bcf6173b6c06e5069f1ba35ed73e3">Pergaminhos </italic><italic id="italic-dc41775943c955b5c68c0cd5ec7f6021">fragmentados, pasta 4, doc. 4</italic>, encontram-se depositados atualmente na Biblioteca Pública de Évora, em Portugal. Infere-se que tenham sido executados por volta de 1450,<xref id="xref-f138e0da6496f48260c2f7243b890bf7" ref-type="fn" rid="footnote-c1409fbc91d8166bb8aca776fe278d94">7</xref> dadas as suas características codicológicas e paleográficas. Não encontramos referências a sua origem. O suporte material é membranáceo e ambos os fragmentos terão sido usados como forro interno de encadernação e como capa, de livros tabeliônicos, provavelmente a partir do século XVI. O fragmento 3 corresponde aos fólios 135r-v e 137r-v do incunábulo e contém parte do capítulo 43 da obra, intitulado <italic id="italic-0fad3491bd5476aeaac6d19f9982db31">Da cura que foy feita </italic><italic id="italic-63da656572094956e43a594983f4f8bd">ao demoninhado e aa sogra de pedro </italic>e do capítulo 44, intitulado <italic id="italic-5367edd6b40073cef8dc4402b864ccaf">Do filho da </italic><italic id="italic-fed25947cecf78580e2924892de49861">viuua que foy resuscitado</italic>. O fragmento 4 corresponde aos fólios 140v, 141r e 142r do incunábulo e contém parte do capítulo 46 da obra, intitulado <italic id="italic-8e941357933c1d839904528b84ae0b6c">Em como o senhor foy spertado e mandou aos ventos e ao mar que </italic><italic id="italic-2ab107c82b9e8bc369cc8cfe9441c410">assesseguassem</italic>. Dimensão dos fragmentos 3 e 4 respectivamente: 363 x 460 mm e 363 x 522 mm. O texto distribui-se por duas colunas de 39 a 40 linhas cada uma, demarcadas por pautado aparentemente a tinta, nem sempre visível.<xref id="xref-4f73509d62f1f907c1b9643cd4066044" ref-type="fn" rid="footnote-b550a0c2675ada26b5afbde06fd88e5b">8</xref> Os fragmentos são numerados originalmente por algarismos romanos minúsculos, em vermelho, na margem superior à direita do <italic id="italic-5d4058e8e5d6faf15de0fab607923ae7">recto</italic>: no fragmento 3, há o número ccxxvj e no fragmento 4, ccxxxv. Há diversas anotações tardias, que indicam que os fragmentos encadernavam um livro notarial, a saber: no fragmento 3, anotações à margem e letra aparentemente quinhentista e outras em caligrafia mais recente, talvez seiscentista; o nome Manuel Rodrigues, escrito no meio do fólio e “Ro<italic id="italic-997dacb80b1fde5fd7cea07009ec1ddc">dr</italic>i<italic id="italic-3d390f89c179b3df055ee5e408cf8711">gue</italic>z 1611”, na parte que serviria de lombada do livro. No fragmento 4, anotações quinhentistas referentes ao número do livro de que era capa; em letra mais recente, referência ao número do maço, ao nome do tabelião, Luís Gonçalves, e aos anos de 1611 e 1612. A escrita é uma espécie de híbrida portuguesa cuidadosamente executada, diferente da que ocorre em ALC. 451.<xref id="xref-b46c81241c8e1553e6270b85bcc980b3" ref-type="fn" rid="footnote-99800a366580db655d50dfba01c02016">9</xref> Caldeirões vermelhos e azuis quase sempre alternados no início de diferentes partes do texto indicam o cuidado com que o texto foi confeccionado.</p>
      <p id="paragraph-de982f42140a70a9dcdfd62157a88fbc">O testemunho identificado como <italic id="italic-679265d6b74c6175dea8f6b661ee6f5f">Ordem de Cister, Mosteiro de Lorvão, </italic><italic id="italic-f8ec7507004b03801c769cae75850b1f">códice 33</italic>, encontra-se atualmente sob os cuidados do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa, Portugal. O códice terá sido escrito durante o século XV, no Mosteiro de Santa Maria de Lorvão. O suporte material do códice é cartáceo e compõe um livro de 320 fólios, com os três últimos fólios rasgados; o texto termina a meio do capítulo 60 (<italic id="italic-ffa3d204f3b94b1f00ad007eb275105c">da peendenca de mar</italic>í<italic id="italic-835da2104c168da703ae600d052f6b4b">a magdalena</italic>, fól. 320v). O texto distribui-se em duas colunas por fólio, com cerca de 42 ou 43 linhas cada uma. O pautado, aparentemente a mina, é visível apenas nas linhas que delimitam as colunas. Numeração romana, em tinta mais clara que a do texto, em módulo pequeno, à direita, na margem superior dos fólios <italic id="italic-d95a2d861e0807582349bafd54a638cb">recto</italic>. Reclamos centralizados na margem inferior, no fim dos cadernos. Capitulares e epígrafes em vermelho. Encadernação em pele ornamentada. A escrita do códice parece identificar-se com o tipo de gótica que Derolez (2006: pl. 97) denomina como <italic id="italic-11128e4d222a4fa1e7b9ee11577b69f8">cursiva currens</italic>. A cursiva é, de longe, o tipo de escrita mais empregado nos séculos XIV e XV. Apresentam formas características as seguintes letras: &lt;a&gt; formada por uma uma única volta; &lt;b&gt;, &lt;h&gt;, &lt;k&gt; e &lt;l&gt; com hastes em volta para a direita; &lt;f&gt; e &lt;s&gt; prolongados abaixo da linha de pauta (DEROLEZ, 2006: 142).</p>
      <p id="paragraph-0056edde81c1aed4facd3f5e60970003">O fragmento com a cota <italic id="italic-de85d10601d467f628ccc5ccf5b38881">Ms/P/IL, cx. 4/ p. 6/ fr. 1 </italic>é descoberta muito recente. Preserva-se no Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, Portugal. Bifólio que serviu de encadernação a um exemplar da <italic id="italic-4f227566dc9fa2cb806b04b0e33d4516">Chorografia </italic>de Gaspar Barreiros (Coimbra, 1561). Medidas dos fólios: 343 x 244 mm. Páginas exteriores (escurecidas): fóls. 109v-102; páginas interiores: fóls. 102v-109. O texto dos fóls. 102-102v é correspondente a parte do cap. 22 da primeira parte da obra. O texto dos fóls. 109- 109v é correspondente a parte do cap. 23 da primeira parte da obra.<xref id="xref-9ecd851c5b481b3c9547babc1d685036" ref-type="fn" rid="footnote-f53cc18216e571ea6a751354d298d84a">10</xref> Por suas características codicológicas e paleográficas, supomos que esse fragmento terá sido confeccionado e escrito durante o séc. XV.</p>
      <p id="paragraph-78f9297674582fc1890c43618dce0bc5">O incunábulo foi impresso no ano de 1495, em Lisboa, por Nicolau de Saxônia e Valentim de Morávia. Sobre suporte em papel, o texto organiza-se em duas colunas por fólio de 50 linhas cada uma. Letra gótica rotunda, capitulares decoradas, numeração romana na margem superior à direita. Rubricas em vermelho e texto em preto. Há gravuras e tarjas.<xref id="xref-d983aec9c6c84b6cb0d6a656f99bd6a1" ref-type="fn" rid="footnote-8899ae4e6b40beaafedbcefd41209495">11</xref></p>
    </sec>
    <sec id="heading-e3d8adf552797190b19b77c83b2c4b67">
      <title>2. Colação de variantes</title>
      <p id="paragraph-6">Para realizar o confronto textual, tomamos como texto de base os fragmentos preservados em Évora. Por meio da colação, procuramos as identidades e diferenças entre os testemunhos, nos limites textuais dos fragmentos eborenses.<xref id="xref-f7f7768608883cc8d7cdd7e23214eb2e" ref-type="fn" rid="footnote-19a1944d8a95a442be5f3a3f7d0b0c45">12</xref> Concentramo-nos em recolher todos os casos de variação formal e substancial encontrados. A partir desse levantamento, despontam alguns casos que, a partir de um estudo mais amplo da obra, poderão caracterizar erros seguros e ultrapassar o nível de variantes adiáforas, ou poderão reforçar hipóteses baseadas em erros encontrados em outras partes da obra. Por ora, essas variantes classificam-se como adiáforas, porque fazem perfeito sentido e poderiam ser indistintamente lição do original. A sua função, nesta altura, portanto, é servir de indício quanto à possível filiação entre testemunhos, por ocorrerem sistematicamente em um conjunto de testemunhos e não em outro.<xref id="xref-9fe5a84b626a404379dde3d983a25f5d" ref-type="fn" rid="footnote-9e54677346853b63759c0c5c81572dc5">13</xref></p>
      <p id="paragraph-acc8874eb179d21f34f01f76bbc1be66">A tabela 1 apresenta os casos que consideramos os mais significativos de variantes, substanciais predominantemente, uma vez que permitem visualizar possíveis padrões de variação, que caracterizam as relações entre os testemunhos nesta tradição.</p>
      <p id="paragraph-d8b2914fe94cd5c157b9617e58375ef7" />
      <table-wrap id="table-figure-f91e9fe823c14bfc1cae00ff4b8691ce">
        <label>Table 2</label>
        <caption>
          <title>ABELA 1: Exemplos das variantes recolhidas<xref id="xref-a21c54b83d537b302a36a430d6de4c1c" ref-type="table-fn" rid="footnote-a0f2f3113dab2171d0dd41ae2eb08881">?</xref></title>
          <p id="paragraph-1c07f22592548941b2ad825a9a83d0be" />
        </caption>
        <table id="table-a6b734ad469b56df6fefb5e46d103a05">
          <tbody>
            <tr id="table-row-7973ebc47ab5598dc9342dc5a82efab7">
              <td id="table-cell-c6b3a0f39f6fc0d93091b561f73c0c02"> Frags. 3 e 4 </td>
              <td id="table-cell-71650bfa1bf1ec589ab03e3471488fa8"> Alc. 451 </td>
              <td id="table-cell-201f6e0c1efb86d4756f0576460678d7"> Lorvão 33 </td>
              <td id="table-cell-1b1ea67f9f664ebb94fba346ce89d4a6"> Inc. 1541 </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-5cbd2bb9f24e8ba26e53233cd8d88c2c">
              <td id="table-cell-2960787396386a702ae917283cdc19dd"> conuersaçom [do pe]cador (3) </td>
              <td id="table-cell-0ee1c0509450ceaa2ae9816b1cba714e"> conuersom do peccador (162v) </td>
              <td id="table-cell-42a9605d49be94d9287cbd4aa009a82f"> cõuerssõ do peccador (249r) </td>
              <td id="table-cell-c42de55c25d3a4bdbc3e48b0e7547d3c"> cõuersaçõ do pecador (137r) </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-7f81e60a241dac2960a9be0efca0dca0">
              <td id="table-cell-554a996a39617fb93a96f1430b8babce"> guareçe com grande dificuldade (3) </td>
              <td id="table-cell-5755e688e2ee84b6dff7d26806d9bec8"> guarece com maẏor dificuldade (162v) </td>
              <td id="table-cell-c638f06b581e94322994739e7232611d"> cõ maẏor difficuldade (249r) </td>
              <td id="table-cell-68e442b9427f27da589141c9ec44c8a1"> guareçe com grande difciuldade (137v) </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-93eb592f9fcac113e842297335e0b094">
              <td id="table-cell-c8a5ee1936d74adbcf79c853a67a8c6d"> em aquel loguar (3) </td>
              <td id="table-cell-ce8c9b088b5fddb5a91e2eff0d2049dc"> em aquella cidade (160r) </td>
              <td id="table-cell-3a4a09e060d796bb1c98606f96932965"> ẽ aquella çidade (245v) </td>
              <td id="table-cell-f95f800fe5d75b6c17f69622065b48d8"> em aquella cidade (135r) </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-2d5e5f4bd5612f7557d97e5327902b49">
              <td id="table-cell-46de1d475d8583b9b448cbf185112258"> pousan sse [muy] tos millagres (3) </td>
              <td id="table-cell-ea94d861eafe10a5ebbd7580f6d6434f"> pousan se muytos millagres (160r) </td>
              <td id="table-cell-ed613b00229931a3aaa9993056f71403"> contã sse mujtos millagres (245v) </td>
              <td id="table-cell-b41f984ca32c15ddae5678b238122370"> contam se muytos millagres (135r) </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-4586a8843ce8e85b9cb6f6753aedd96e">
              <td id="table-cell-04272d91636838b275bc49f3c8bc5bcf"> algũũs doentes (3) </td>
              <td id="table-cell-2e92a4b3433bd7a9ce14cc7c825cde19"> algũũs enfermos doentes (160r) </td>
              <td id="table-cell-c66dc9b1e1984f321674de1397b09244"> algũũs ẽnfermos doẽtes (245v) </td>
              <td id="table-cell-f0db15b5f6d90c2501f1d411baa862fa"> alguũs enfermos doentes (135r) </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-ad098413bb4e92b82a5551e4aad32342">
              <td id="table-cell-138c1cb0c4abdb3a794555fdf4e22f36"> grade mouimento e tormenta (4) </td>
              <td id="table-cell-e70dccb02c1847a465ee9b6549c6ade9"> grande mouimẽto e tormenta (167r) </td>
              <td id="table-cell-598a8fb5f347993d5b2c4a26eb6047e1"> grande mouimẽto e tormẽta (255v) </td>
              <td id="table-cell-fb412a6209528099cc1b4343d9566b3a"> grãde mouimẽto e tormẽto (141r) </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-d6b39f9bc9c38220ecfb948e444663e9">
              <td id="table-cell-73a8fa6ef827f806b9e1ee0df5b54583"> auguas do diluujo (4) </td>
              <td id="table-cell-b10a2c5c922f19405efa42a14c39868d"> aguas do deluuẏo (167v) </td>
              <td id="table-cell-b9ba615d2bfef8ea7daf638dd75d748c"> auguas do denuiõ (255v) </td>
              <td id="table-cell-b1effa505d05502daf95344492c05739"> agoas do dilluuio (141r) </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-c4d68eb706d2baf9ab4213f139d20b98">
              <td id="table-cell-aaf95225d0ee00104a54fb78d49811e7"> per esta naueta seer entendida (4) </td>
              <td id="table-cell-658757559364a733f7c374c193988410"> per esta naueta ser entende (167v) </td>
              <td id="table-cell-84f416abfba49a2c57d13bb01cec0554"> per esta naueta seer ẽtẽdida (256r) </td>
              <td id="table-cell-2a457c8791beed9e484f661c20582b38"> per esta maneira seer entẽdida (141r) </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-10a513f2e9b5f0fc47b62e23c33e25c9">
              <td id="table-cell-11ee1c1edbdae590eb066da4a5c13ca9"> assi entram os ventos e mouem as ondas (4) </td>
              <td id="table-cell-653f354689f552295864ab9304e182f2"> (Faltam os fólios correspondentes) </td>
              <td id="table-cell-748ce2b06fd9709323dfe8bea17dd5a3"> assy / Entram os ventos ẽ teu coraçom / Certas sy / quando navegas e passas esta vida como peego ẽ que ha tormẽta e perijgo / ẽtrã os vẽtos e mouẽ as ondas (256v) </td>
              <td id="table-cell-b2ad65d841d7a3c5bfdfd3765212b88b"> assy entram os vẽtos em teu coraçom . Certas sy quando nauegas e passas esta vida como peego em que ha tormenta e perigoo   Entram os ventos e mouem as ondas (141r) </td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
        <table-wrap-foot>
          <fn-group>
            <fn id="footnote-a0f2f3113dab2171d0dd41ae2eb08881">
              <label>*</label>
              <p id="paragraph-9999663c0105555941b5a084e616f4b6">Todos os exemplos transcritos neste artigo seguem normas semidiplomáticas, salvo quanto à separação de linhas, conforme Megale e Toledo Neto (2005:147-148).</p>
            </fn>
          </fn-group>
        </table-wrap-foot>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-f52a5b59a9161fc088f34a006b306a5b">De modo geral, as lições variantes identificadas podem indicar independência de um testemunho em relação ao outro; podem também indicar relação entre dois ou mais testemunhos frente a outros. A par desses casos, a coincidência existente entre maior parte dos testemunhos revela que todos descendem de um mesmo antepassado comum, isto é, de um mesmo arquétipo.</p>
      <p id="paragraph-e652ff70f039672265ca2c49a8cd1ccb">Por tratar-se de colação restrita aos limites dos fragmentos eborenses, certas variantes formais, como o salto-bordão, podem ter um peso maior na avaliação genealógica do testemunho.</p>
      <p id="paragraph-bc91473349bbda83dd513514b008ea8f">Do conjunto de variantes recolhidas, aquelas que indicam independência dos fragmentos em relação aos demais testemunhos são as seguintes:</p>
      <table-wrap id="table-figure-ce767fe6f9f6d6cf406a9e6b249c358f">
        <label>Table 3</label>
        <caption>
          <title>TABELA 2: Variantes que distanciam os fragmentos dos demais testemunhos</title>
          <p id="paragraph-02090328134aecefaea0f196ce978fa3" />
        </caption>
        <table id="table-06fa58cf6a3d20d65749e0bb4168d058">
          <tbody>
            <tr id="table-row-6716ccdaaedd3f783db6f65d254002f8">
              <td id="table-cell-94a4e8e1e37efc12103c285ce0eb26e0"> Frags. 3 e 4 </td>
              <td id="table-cell-27da82e811f01ad37ef6e3e5283b14a3"> Alc. 451 </td>
              <td id="table-cell-71abf9b7e6aaf226a7c1e87cfbb8781b"> Lorvão 33 </td>
              <td id="table-cell-2e4d136f2fb96b05a2de77e76f86b3fe"> Inc. 1541 </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-ed3d7cfb78b2ac9190f3a6a18806ce8b">
              <td id="table-cell-515b041bba573231485c22777917b569"> loguar </td>
              <td id="table-cell-8dfb2cb848663afda16eef746aa968a0"> cidade </td>
              <td id="table-cell-56787956bedc23a981b971d882f891c1"> çidade </td>
              <td id="table-cell-6739920cf917b3d14b8204cbeefa8f86"> cidade </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-26b4d29f5551219fc34372eb1e3fde27">
              <td id="table-cell-e757d9adf7caa2f1bfb408c995c66941"> Ø </td>
              <td id="table-cell-032aa26023d0e190e8b0b4e9ab29327e"> enfermos </td>
              <td id="table-cell-7d244ffb4cb0d934571b439c25084893"> ẽnfermos </td>
              <td id="table-cell-662a13e38dd41a195bab7f423387d191"> enfermos </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-594285e4304bedafc71afdc7204b482b">
              <td id="table-cell-9d5d87006cdbcb49c1b7e72519da5a06"> entram os ventos e mouem as ondas </td>
              <td id="table-cell-cc457483f3cb9d1f84aa9dc3146582cd"> - </td>
              <td id="table-cell-cef699489eacea41efdd0cc8839e5e9b"> Entram os ventos ẽ teu coraçom ... e mouẽ as ondas </td>
              <td id="table-cell-0d69094a850f194e5600c7097db8f635"> entram os vẽtos em teu coraçom ... e mouem as ondas </td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-ec2ebee399f41c6112901e0e5cc5da40">Os dois primeiros casos constituem lições exclusivas dos fragmentos, frente à lição comum aos demais testemunhos. No caso dos fragmentos, pode tratar-se de lições terminais, isto é, que tenham ocorrido exclusivamente no testemunho, ou tratar-se de lições mais fidedignas que, no entanto, opõem-se aos demais testemunhos. No terceiro caso, há um salto-bordão, que separa os fragmentos ao menos de dois outros testemunhos, os quais preservariam a lição do arquétipo.<xref id="xref-83ec7fe3001c371a897ebc25b81074cc" ref-type="fn" rid="footnote-9ceac7a626355a5f6148ec88c533b027">14</xref></p>
      <p id="paragraph-7ec80ab316e6393102bed69ea02426c3">As variantes que indicam relação dos fragmentos com outros testemunhos podem ser divididas da seguinte forma: a) identidade entre os fragmentos e um outro testemunho; e b) identidade entre os fragmentos e dois outros testemunhos.</p>
      <p id="paragraph-90b11750525962248b9b0040fd28eeee">Os casos em que há identidade com um dos outros três testemunhos da tradição são os seguintes:</p>
      <table-wrap id="table-figure-85fdde6e8e37705658fef62ad394bef5">
        <label>Table 4</label>
        <caption>
          <title>TABELA 3: Identidade dos fragmentos com um testemunho</title>
          <p id="paragraph-425c22c4edc02c42790183a794688dfd" />
        </caption>
        <table id="table-ecb6da4fa757c92b465bde65898e43b8">
          <tbody>
            <tr id="table-row-e74877bfbe032e0cc969df7cf3594439">
              <td id="table-cell-284741544d9d93192b530f0988dfea19"> Frags. 3 e 4 </td>
              <td id="table-cell-00b65f4f49c83a861b989a22dbc3740e"> Alc. 451 </td>
              <td id="table-cell-025de901061c6c107d4bbb70d5b5e40a"> Lorvão 33 </td>
              <td id="table-cell-6732fd887bfb3a721b9c13e34ec90262"> Inc. 1541 </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-ffd283d0b801f12c5d0c58a56e43bf28">
              <td id="table-cell-7504393da2f9fd05bc2d685f0a817a72"> conuersaçom </td>
              <td id="table-cell-7f3b7cc9de65892d037bde75412ff7ef"> conuersom </td>
              <td id="table-cell-420357bc1f8f203f67f69048ac8928d0"> cõuerssõ </td>
              <td id="table-cell-0558102b2b15328c5d08c59cfe422ca5"> cõuersaçõ </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-b595bcd126b8f9dd92d9929e9f634575">
              <td id="table-cell-b87381bb287dd225f761c024f6d81d53"> grande </td>
              <td id="table-cell-bcbb096b4b86c2e1320eb77f7cf9514a"> maẏor </td>
              <td id="table-cell-6744bff10bf67d4b5cb92a73b45ca6ce"> maẏor </td>
              <td id="table-cell-a58e8d8373fdc1a49813f3b3475e9f1c"> grande </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-97553759273c43243e950eb93eb8a742">
              <td id="table-cell-3cde181f558dee437fb668be09c99b8a"> pousan </td>
              <td id="table-cell-71ef78a3665cbe4da8d41b8643077c41"> pousan </td>
              <td id="table-cell-372ada63368a7521ed76dec24d78a4e7"> contã </td>
              <td id="table-cell-32e1f6bfaa23c95cedc94e84b7f69078"> contam </td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-515403e2e0c00d57a976398b43a49628">Nos dois primeiros casos da tabela 3, os fragmentos identificam- se com o testemunho impresso. O primeiro caso tem mais peso na genealogia da obra, na medida em que o contexto apontaria para <italic id="italic-63133dbeb349802dc939f24ed6f76349">conuersom <italic id="italic-f2f832fe9808270a96cd547fab5f0db6"/></italic><italic id="italic-d8df667c0c2fa99e2fb2994a3ebc2978">/ cõuerssõ </italic>como a melhor lição, a par de <italic id="italic-ac4e0f3918f29ee0985137197334ffc7">conuersaçom / cõuersaçõ</italic>. Quanto ao segundo caso, as variantes não alteram fortemente o sentido do texto, mas contribuem para aproximar o fragmeto do impresso e distanciá- lo dos outros dois testemunhos. Dado que o testemunho impresso é posterior ao fragmento em aproximadamente quarenta e cinco anos, haveeria indício de parentesco dos fragmentos com um antepassado perdido (um subarquétipo) do testemunho impresso. O terceiro caso, no entanto, aproxima os fragmentos do testemunho alcobacense, distanciando-o dos demais. É interessante o fato de os fragmentos ora aproximarem-se do impresso, ora do alcobacense, porque há evidências de que cada um deles pertence a um ramo diferente da tradição da obra.</p>
      <table-wrap id="table-figure-7e1b24883d328b9da9838d0b71c0b974">
        <label>Table 5</label>
        <caption>
          <title>TABELA 4: Identidade dos fragmentos com dois testemunhos</title>
          <p id="paragraph-dfcb65f22ac2050973da77401e069f96" />
        </caption>
        <table id="table-303705fcc62c2fb189bc8e5ba5d73bd7">
          <tbody>
            <tr id="table-row-b0956355b0c7045d4aa85a632c6bd760">
              <td id="table-cell-3da61a0e46b6b5df8b7973f8bc947294"> Frags. 3 e 4 </td>
              <td id="table-cell-53bbb0d27f12fa1eb274b0479876a359"> Alc. 451 </td>
              <td id="table-cell-a445bf5163ff50ce1882580ad4894101"> Lorvão 33 </td>
              <td id="table-cell-391edce21ff749a06b7cc75d2ea8783b"> Inc. 1541 </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-00b60ab76138641875a73d01d732d581">
              <td id="table-cell-cf1fada8b9a70abe572d9cb4a9c8789a"> tormenta </td>
              <td id="table-cell-85db9062fbd666665dcae82a79aa7b9a"> tormenta </td>
              <td id="table-cell-b5af17a90b7a41450b9deb27727be64a"> tormẽta </td>
              <td id="table-cell-2a42942d31dba87661577737b932d52c"> tormẽto </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-f6ebe75a3a06c82e4ae197f09a476d49">
              <td id="table-cell-82417bcbf03e3340378d7ecd5e5cee45"> diluujo </td>
              <td id="table-cell-a09a39d0c30884632cd42721834ec0c0"> deluuẏo </td>
              <td id="table-cell-9ec6f7ec6ce563b89306c5741b98af5f"> denuiõ </td>
              <td id="table-cell-8e4f6a05d1bba0682010471ccfb415ba"> dilluuio </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-448b310dc47ac539d0fe80929b12056c">
              <td id="table-cell-bfaaf53e7cf2cf775122821311ebd4f8"> naueta </td>
              <td id="table-cell-f78e3f5f343d939782733bca08132533"> naueta </td>
              <td id="table-cell-4bf7c745c857eaa435b2f1e1aee080ba"> naueta </td>
              <td id="table-cell-91ad8c84f5a835aa21b30c529a978e81"> maneira </td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-55c7678c55f1d112cb7ae7efe75b160c">Os três casos da tabela 4 distanciam os fragmentos do testemunho de Lorvão e do impresso, em casos que parecem resultar de erros de entendimento (<italic id="italic-7b49013dd5d723d23f54bbaf4be7b79b">lectio facilior</italic>?) tanto durante a cópia do testemunho de Lorvão (<italic id="italic-a790b2a3ad44c1a3e7d9973695c65953">denuiõ</italic>) como durante a composição do impresso (<italic id="italic-09c941fc5d15b5a2b75a102599f37152">torm</italic><italic id="italic-2e6f937a4f05ec63969b37ff808c1c3e">ẽto, maneira</italic>). Nesses casos, os fragmentos acompanham os testemunhos com a melhor lição.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-20eb353e170558f74897e38ba04f63a7">
      <title>3. Há indícios para a filiação dos fragmentos eborenses?</title>
      <p id="paragraph-76822be3fa378aac311fe0238dc80194">Segundo Trovato (2014:155), um dos casos em que há dificuldade de aplicar-se o método genealógico é o de textos curtos. No caso dos fragmentos, as variantes encontradas poderão juntar-se a outras dos demais testemunhos, para reavaliar-se o seu peso genealógico. Mesmo com a dificuldade devida à delimitação do texto, há certos indícios que não podem ser desconsiderados e que levantam, a princípio, duas hipóteses. A primeira hipótese seria fazer os fragmentos remontarem a uma posição alta no estema. A maior parte das lições do fragmento, conservadoras, pesa a favor dessa hipótese. E é essa a hipótese defendida por Nascimento (2001:141), quando aceita que os fragmentos de Évora (ou <italic id="italic-f7f1371df0eaca1102c9a2948752711b">E</italic>) representam “mais fielmente o exemplar primitivo, sem que tenha de se identificar com ele”. Nesse caso, a lição <italic id="italic-91334094fc39df2fed9609b3ed36a125">conuersaçom / cõuersaçõ teria sido corrigida nos testemunhos alcobacense e de Lorvão, uma vez que o contexto é “deseíar a conu<italic id="italic-06638887f2ba24f51eb1a51fac5f5ef2">er</italic>saçom [do peca]dor”, no fragmento 3, lição que se identifica com a do impresso (fól. 137r), a par de “desejar a conu<italic id="italic-b0d3300fe4a17f3fc6e7faa1cfece402">er</italic>som do peccador” no fól. 162v do testemunho alcobacense e, com alterações formais, no fól. 249r do testemunho de Lorvão.<italic id="italic-3bdc98164a91bb44f9cb0a9e26ead14a"/></italic></p>
      <p id="paragraph-bd654c1459492ceeed989e15a5d415f1">Uma segunda hipótese seria que, por aproximar-se ora de uns testemunhos, ora de outros, algumas das variantes poderiam evidenciar que os fragmentos resultassem de um processo de contaminação. A contaminação ocorre quando um testemunho não se limita a reproduzir, com inovações, as características de um único antecedente, seguindo uma tradição vertical, mas tem erros significativos em comum com outras famílias no estema, seguindo uma tradição horizontal. Embora as famílias dos testemunhos em português da <italic id="italic-1f1b3d086b10b75b09ca8ef934dd0c99">Vita Christi </italic>ainda não estejam nitidamente caracterizadas, temos dados suficientes para constatar que ALC. 451 e Inc. 1541 pertencem a ramos distintos da tradição.<xref id="xref-1dc85e37ed42f9a7a94ca2d2fc05aaf5" ref-type="fn" rid="footnote-77289b2805546b60a1365c3bfaa91204">15</xref></p>
    </sec>
    <sec id="heading-ca778c09a971f4de25f04653bf38a702">
      <title>Conclusão</title>
      <p id="paragraph-1ca48eaf71dbdffe86483491197cca9f">Consideradas as duas hipóteses apresentadas no item 3, a colação dos fragmentos com os demais testemunhos da <italic id="italic-a1ce2772ca09075967b3bff13e6f9b08">Vita Christi </italic>parece apontar que a filiação dos fragmentos remonta a uma posição alta no <italic id="italic-fc6cfac9f4ab7bca2a159ae51a354be6">stemma codicum </italic>da obra. Considerando-se todo o conjunto de variantes recolhidas, notamos uma tendência de identificação maior entre os fragmentos e o testemunho alcobacense, que é o testemunho datado como mais antigo, o que pode ajudar a confirmar o conservadorismo dos fragmentos. Além das variantes substanciais, favorece a hipótese o conservadorismo de algumas formas linguísticas, como ocorre, entre outros casos, nos seguintes exemplos:</p>
      <p id="paragraph-c78d27063734b12123348321658c5109">tragiam / proues / el (Frag 3)</p>
      <p id="paragraph-0ac3176fefc4e2ba530969eebbf83c4a">traziã / pobres / elle (ALC. 451, fóls. 160r-v)</p>
      <p id="paragraph-c692fa7a495792e5d43a21e810f61a39">tragiã / pobres / elle (Lorvão, fóls. 245v-246v)</p>
      <p id="paragraph-851c698987e10bafcfe8c33f30813841">traziam / pobres / elle (Inc. 1541, fóls. 135r-v)</p>
      <p id="paragraph-ff3494873a0ebc06e7eebdd904a4430f">O apuro com que foram executados os fragmentos é um aspecto relevante para situar a sua procedência em algum importante centro de produção de manuscritos quatrocentista. O cuidado na organização da página e na caligrafia poderiam indicar um cuidado também no ato de cópia, embora sejam identificáveis alguns erros de transcrição. Levando- se em conta, portanto, as características materiais, formais e substanciais dos fragmentos eborenses, apresentadas neste trabalho, parece ganhar força a hipótese de que eles estariam filiados a um testemunho perdido, um subarquétipo, que supomos comum com ALC. 451. Esse subarquétipo, por sua vez, remontaria à cópia alcobacense da tradução do texto e esta, à tradução do latim para o português.<xref id="xref-8406fa85122c7f42c6d6e7eaa9ae4920" ref-type="fn" rid="footnote-7f82c431344ad7daf510b9df4c4f80d2">16</xref></p>
    </sec>
    <sec id="heading-09f02bc457295c48a1db7c9e3e217889">
      <title>Referências</title>
      <p id="paragraph-bdef6ba3ff9c36453770c5e81457e256">AMOS, Thomas L. <bold id="bold-92863b21313eeba593e2f1d88367cb88">The Fundo Alcobaça of the Biblioteca Nacional</bold>. Lisbon. Collegeville, Minnesota: Hill Monastic Manuscript Library, 1989.</p>
      <p id="paragraph-4">BITAGAP (Bibliografia de textos antigos galegos e portugueses). Disponível em: <ext-link id="external-link-0903aad02428b40215b6c0a5053bc941" xlink:href="http://bancroft.berkeley.edu/philobiblon/bitagap_">&lt;http://bancroft.berkele</ext-link>y<ext-link id="external-link-2" xlink:href="http://bancroft.berkeley.edu/philobiblon/bitagap_">.edu/philobiblon/bitagap_</ext-link> po.html&gt;. Acesso em: 09 set 2016.</p>
      <p id="paragraph-7c2120c7e6505a0e506a3fe1a1267d95">DEROLEZ, Albert. <bold id="bold-2">The palaeography of gothic manuscript books</bold>. Cambridge: Cambridge University Press, 2006.</p>
      <p id="paragraph-4d5c6e748ab3355403b0cfc2f2aeb256"> DIAS, João J. A. (Coord.). <bold id="bold-68905df8b5ac0817a7e7386b145c1af9">No quinto centenário da Vita Christi: os </bold><bold id="bold-21af1b450d5bcf369966a8e1d57e2f4e">primeiros impressores alemães em Portugal</bold>. Lisboa: Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, 1995.</p>
      <p id="paragraph-1dc3658952de0ba4364106cf7e25c725">ENCYCLOPÆDIA BRITANNICA. Disponível em: &lt;https://global. britannica.com/&gt;. Acesso em: 2016-09-10.</p>
      <p id="paragraph-6227d6322827f3e60d40a20ee5738386">FRADE, Mafalda. <bold id="bold-3">Scrinium: traduções medievais portuguesas (e de pendor humanista)</bold>. Disponível em: <ext-link id="external-link-d750cebdd3ad4be1acf15759b59e11c0" xlink:href="http://www.scrinium.pt/">&lt;http://ww</ext-link>w<ext-link id="external-link-ac099bd9bdee12d085f323c7980b0cf5" xlink:href="http://www.scrinium.pt/">.scrinium.pt/&gt;.</ext-link> Acesso em 11 set 2016..</p>
      <p id="paragraph-bcc21826799824dcf305c56a32f6d550">JÜSTEN, Helga M. <bold id="bold-4">Incunábulos e post-incunábulos portugueses (ca. 1488 – 1518)</bold>. Lisboa: Centro de Estudos Históricos, Universidade Nova de Lisboa, 2009.</p>
      <p id="paragraph-9">LORENZO, Ramon. <bold id="bold-5">Vita Christi</bold>. In: LANCIANI, Giulia, TAVANI, Giuseppe (Org.). Dicionário da literatura medieval galega e portuguesa. Lisboa: Caminho, 1993.</p>
      <p id="paragraph-11">MACHADO, José B. <bold id="bold-6">Press and translation as changing factors in the 15</bold><bold id="bold-7">th </bold><bold id="bold-8">century portuguese language and culture</bold>. Braga: Projecto Vercial, 2006, p. 1-8. Disponível em: <ext-link id="external-link-3" xlink:href="http://alfarrabio.di.uminho.pt/">&lt;http://alfarrabi</ext-link>o<ext-link id="external-link-4" xlink:href="http://alfarrabio.di.uminho.pt/">.di.uminho.pt/</ext-link> vercial/zips/machad13.pdf&gt;. Acesso em 12 set 2016.</p>
      <p id="paragraph-13">MEGALE, Heitor, TOLEDO NETO, Sílvio de A (Org.). <bold id="bold-9">Por minha letra e sinal</bold>. Cotia: Ateliê Editorial, 2005.</p>
      <p id="paragraph-15">NASCIMENTO, Aires A. <bold id="bold-10">A <italic id="italic-88307ccf7d0f2d61907a2153493a1d36">Vita Christi </italic>de Ludolfo de Saxónia, em português: percursos da tradução e seu presumível responsável</bold>. Evphrosyne, 2001, v. 29, p. 125-142.</p>
      <p id="paragraph-17">PRIEGO, Miguel Á. P. <bold id="bold-11">La edición de textos</bold>. 2.ª ed. ampl. y act. Madrid: Síntesis, 2011.</p>
      <p id="paragraph-67cf36304d04250ec886405fbfed6b3d">TOLEDO NETO, Sílvio de A. <bold id="bold-949638edc8595473bde0a9e91c64f12f">Entre o manuscrito e o impresso: tradição textual e mudança linguística na Vita Christi</bold>. 2015. 138 p. Relatório de pós-doutoramento. Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, Lisboa, 2015.</p>
      <p id="paragraph-a7056b56395567608bdcef2e181ab53d">TROVATO, Paolo. <bold id="bold-a2ed26d824c0d6de69c29e0d5d9ce963">Everything you always wanted to know about <bold id="bold-747a982b858eb0683246dbd4637679f5"/></bold><bold id="bold-a7ccb289c66feacf5977fbcc9f5bb574">Lachmann´s method</bold>. Padova: Libreriauniversitaria.it, 2014</p>
      <p id="paragraph-7c79006693b8196ae8dfca72f3b11dd1" />
      <p id="paragraph-418e4fb5eb3e9a0959eb597cda6bf32c">Recebido em 30/09/2016 e aceito em 06/12/2016</p>
    </sec>
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    <fn-group>
      <fn id="footnote-3ae1851d1abc7e635fbb70dacc802d6e">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-4d17ad95c5a05ed582ff8d2d2dcf5b28">Da <italic id="italic-e47915741115a7761693478ea4d29f2c">Vita Christi</italic>, segundo Machado (2006: 3), “There are about one hundred and fifty manuscript editions and eighty-eight printed editions, in Latin and in several other languages, as French, Flemish, Italian, Castilian, Catalan and Portuguese.”</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-f06ac84c59d8d852bbae1111e5a558a5">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-6b74f962caebddba98d2a6e2ed6fe2a0"><italic id="italic-e29344ac72f159f3dc662453b9a9dfe0">Devotio moderna </italic><bold id="bold-1">é </bold>um movimento religioso dentro do catolicismo romano, que ocorre de fins do séc. XIV ao séc. XVI, enfatizando a meditação e a vida interior, dando pouca importância a trabalhos exteriores, e à espiritualidade altamente especulativa dos séculos XIII e XIV. A <italic id="italic-2371591f17c18d0647528a652652ea64">devotio moderna </italic>originou-se na Holanda e difundiu-se para a Alemanha, norte da França, Espanha, Itália e Portugal. A <italic id="italic-a0c17d4f257598e9bd8049a80d44b66d">Imitação de Cristo</italic>, tradicionalmente atribuída a Tomás de Kempis, é a expressão clássica do movimento. &lt;<ext-link id="external-link-1" xlink:href="http://www.britannica.com/EBchecked/topic/160366/devotio-">http://www.britannica.com/EBchecked/topic/160366/devotio-</ext-link> moderna&gt;</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-fc758b902ff63aec85047a33d1e7a061">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-f9ea4145afda283da607e39123acdfc5">Sobre as hipóteses quanto à tradução da obra para o português, v. Lorenzo (1993: s. v. Vita Christi) e Nascimento (2001).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-98dd6fa87567e9bc2c0832bca7f3d618">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-c5783dfc25bf4bed29ab08387fd4f397">Segundo se declara na <italic id="italic-b2caeee50f05f93066ff9e4857e690cb">prohemial epistola </italic>que abre o texto do incunábulo (fól. 3r), a obra, antes de ser impressa, foi revista por Fr. André, fransciscano de Xabregas. Para Machado (2006: 4), “The reviewer maintained, in general, the version of 1446, inclusively the vocabulary that already seemed archaic, in 1495.”</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-5b117bb5ec5f8cdf303398762f653b0b">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-0b4c0cac100afcada4c997f7a63481c0">Considerando-se somente a tradição direta até o incunábulo, a primeira parte da obra preserva- se em cinco testemunhos diferentes (supondo-se que os fragmentos eborenses faziam parte de um mesmo testemunho, como indica o seu exame codicológico e paleográfico). A segunda parte da obra preserva-se em dois testemunhos; a terceira parte registra-se somente no testemunho impresso e a quarta parte preserva-se em quatro testemunhos.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-66c551964fb91e1ec1250c6352d75d4f">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-1fd9e2eef91eaf86fed8bbc0c582ba33">Outras características desse tipo de escrita são as seguintes: &lt;ç&gt; com a cedilha bem abaixo e desligada do &lt;c&gt;; &lt;g&gt; com cauda que se fecha em volta em sentido horário; tendência de uso de &lt;j&gt; em posições específicas (antes ou depois de &lt;m, n, u&gt;, depois de &lt;l&gt;), ou no início de palavras; &lt;r&gt; com haste longa e &lt;v&gt; com primeiro traço longo.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-c1409fbc91d8166bb8aca776fe278d94">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-cef9e7f8028e9b58881b3a6e1de15ef2">É a data que consta em BITAGAP (Manid 1605 e Manid 1960). Disponível em: &lt;http:// bancroft.berkeley.edu/philobiblon&gt;.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-b550a0c2675ada26b5afbde06fd88e5b">
        <label>8</label>
        <p id="paragraph-9fc165cb2ef29f2746714114e5872b2d">Poderia tratar-se também de um pautado feito ora a tinta, ora a ponta seca.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-99800a366580db655d50dfba01c02016">
        <label>9</label>
        <p id="paragraph-19b14ee9992618a7bea4b17d1f7a3117">Nascimento (2001: 141) aceita que os fragmentos de Évora representam mais fielmente o exemplar primitivo da tradução da obra, sem, no entanto, identificar-se com ele.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-f53cc18216e571ea6a751354d298d84a">
        <label>10</label>
        <p id="paragraph-ce76a8847f4886fd475dab3f7ba8b089">Agradecemos imensamente à Prof.a Dr.a Cristina Sobral (FLUL, Lisboa) por essas informações, que nos foram gentilmente transmitidas, oportunamente, pouco antes da conclusão deste artigo. O fragmento constará, em breve, em BITAGAP (Manid 6673).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-8899ae4e6b40beaafedbcefd41209495">
        <label>11</label>
        <p id="paragraph-5f652a6c76b228acd5760eee576de24b">Para uma descrição muito pormenorizada do impresso da <italic id="italic-a93876c75f26bbfc4fa4b5d4430e9ae3">Vita Christi</italic>, v. Jüsten (2009).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-19a1944d8a95a442be5f3a3f7d0b0c45">
        <label>12</label>
        <p id="paragraph-3419f612a01fa71d66ba45ea6e88732c">A colação fica ainda mais limitada tanto porque os fragmentos nem sempre são legíveis, devido à deterioração do suporte e da tinta, como porque podem faltar os fólios correspondentes em algum dos outros testemunhos, como ocorre em ALC. 451.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-9e54677346853b63759c0c5c81572dc5">
        <label>13</label>
        <p id="paragraph-7073d5aa13d8888f6a2dc560def13970">Segundo Priego (2011:128), as variantes adiáforas “cuando ocurren sistemáticamente en un grupo de testimonios frente a otro u otros, nos servirán para confirmar la filiación de los mismos.”</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-9ceac7a626355a5f6148ec88c533b027">
        <label>14</label>
        <p id="paragraph-92846ad03b1fc0119a60f815c7111dde">Conforme Priego (2011: 129), embora o salto-bordão seja um erro resultante do ato de cópia, e portanto poligenético, sem valor para a filiação de testemunhos, a sua ocorrência reiterada pode ser indício de filiação, quando esta for confirmada por erros evidentes.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-77289b2805546b60a1365c3bfaa91204">
        <label>15</label>
        <p id="paragraph-f934d25b5fafed6b5d545a7136a4175c">Em trabalho inédito de nossa autoria (TOLEDO NETO, 2015), fazemos um levantamento mais extenso de variantes. Evidenciam-se diversos lugares de separação entre o testemunho alcobacense e o impresso que os colocam nitidamente em diferentes ramos da tradição.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-7f82c431344ad7daf510b9df4c4f80d2">
        <label>16</label>
        <p id="paragraph-ca0bf6ab0e5b3e826889d968a3481d82">Essa última hipótese será mais bem examinada a partir de estudo mais amplo que estamos realizando sobre a tradição da <italic id="italic-5924f6ce620e4a55d24a16f9f1cf0753">Vita Christi</italic>. Assim também a posição mais precisa dos demais testemunhos descritos neste artigo.</p>
      </fn>
    </fn-group>
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