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<journal-title>Revista da Abralin</journal-title>
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        <article-title>DIFUSÃO DE TEXTOS LITERÁRIOS EM JORNAIS OITOCENTISTAS: OS FOLHETINS DE FRANÇA JUNIOR</article-title>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="21/04/2017" />
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-47e397fd96500e0a76851d20b07766e7">Este artigo destaca o papel da seção sob o rótulo folhetim, como estratégia editorial dos periódicos oitocentistas para difusão de textos literários no Brasil. Além de identificar em que medida as obras brasileiras se serviram desse rótulo, apresenta-se, como produto da investigação filológica, a edição diplomático-interpretativa dos Folhetins do França Junior, autor brasileiro que vislumbrou nessa estratégia a oportunidade de divulgar seus textos.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="_paragraph-2">
          <italic id="italic-1">This article shows the </italic>
          <italic id="italic-2">role of the section Folhetim as editorial strategy of nineteenth- </italic>
          <italic id="italic-3">century newspapers for dissemination the literary texts in Brazil. Besides identifying the way Brazilian works have used this label, it´s also a product of philological research, the diplomatic-interpretative issue of Folhetins of França Junior, Brazilian author who saw in </italic>
          <italic id="italic-4">this strategy the opportunity to disseminate his texts.<italic id="italic-5"/></italic>
        </p>
      </abstract>
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          <italic id="italic-b4c9fecce4dd4f67a03344222f6adcaa">Chronicle</italic>
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          <italic id="italic-5da074b97f5a866cf6bfa4d850b7eb62">França Junior</italic>
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          <italic id="italic-9dc6188ad3a0446ac12bf531651bd760">Folhetins</italic>
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    <sec id="heading-b5b48bf2b341230c6120e8c11ec3b66b">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-40fed070d647dd5ae9baefb97a9ec58e">Neste artigo, fornecemos subsídios para a reflexão a respeito da difusão de textos literários publicados em jornais brasileiros sob o rótulo <italic id="italic-a81009965820a8e8a4737d9e6e1bd148">folhetim. </italic>Ao mesmo tempo, recuperamos um exemplo dessa prática através da edição dos <italic id="italic-3aaefaa029d15143352d7438a34e347f">Folhetins </italic>de França Junior. O ponto inicial desse estudo foi a atuação do projeto <italic id="italic-916e825e22163591cfd9deb51b3aa2fd">Laboratório de História do Português </italic><italic id="italic-2efb7754d715f18b8ac5b7013ec61c7f">Brasileiro: Tradições textuais e variação linguística na România Nova </italic>que, a partir do acervo da <italic id="italic-7278ed0d15a8aaccf8ec168728d8add7">Fundação Biblioteca Nacional</italic>, tem procurado mapear jornais cariocas oitocentistas, construir <italic id="italic-6">corpora </italic>e disponibilizá-los em meio eletrônico, através do site <ext-link id="external-link-1" xlink:href="http://www.letras.ufrj.br/folhetim">www.letras.ufrj.br/folhetim<italic id="italic-7">.</italic></ext-link></p>
      <p id="paragraph-82d7d4817b550f2a962613ef2ca69282"><italic id="italic-8"/>Segundo BARBOSA (2013), a intenção desse projeto é identificar modelos objetivos de erudição escrita praticados nos periódicos diários, em função de seu alcance na sociedade fluminense e no papel desempenhado pelos folhetins na difusão de práticas de leitura e de escrita. A partir da relevância do papel do folhetim, vislumbramos a oportunidade de utilizar o catálogo mapeador, produto desse projeto, para compreender a maneira como os brasileiros se inseriram na produção literária vinculada ao rótulo <italic id="italic-9">folhetim</italic>. Dentre as descobertas, além de mensurar a participação de brasileiros, localizamos e editamos os folhetins de França Junior, um importante testemunho das práticas folhetinescas dos oitocentos.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-1f2776bf07b08067afb39438cce4566a">
      <title>1. O surgimento do rótulo <italic id="italic-10">folhetim </italic>em periódicos brasileiros</title>
      <p id="paragraph-681fee77a97bfbf51cee090a76abd8de">Não se trata aqui de indicar quando os textos literários foram vinculados aos jornais, pois desde o início da imprensa brasileira havia a publicação de poemas, novelas<xref id="xref-fb71c69553a16c01432475c41d5b9ed9" ref-type="fn" rid="footnote-3a40a2ffdb13343836b5443234b76530">1</xref>, contos e anedotas<xref id="xref-c52ad10ee37f2e616c53566337da0506" ref-type="fn" rid="footnote-b37a2162a9cee5ae33c82102cc7fc2a6">2</xref>. Nota-se, no entanto, que não havia a intenção regular de nutrir o leitor com material literário nos primeiros anos de jornalismo brasileiro. Além disso, mesmo após a adoção do rótulo <italic id="italic-1ceb1b7deea9cf3efdf44949d6140835">folhetim, </italic>havia no jornal outras possibilidades de vinculação de textos literários. No <italic id="italic-294c0539a65f41ab9cd996b8a959b01b">Diario do Rio de Janeiro, </italic>o <italic id="italic-7aa8ba1e628b0f95aa3d720f61dd6632">folhetim </italic>coexistiu com as seções <italic id="italic-31c2b03599df6c091941b940f8baef7b">Variedade </italic>e <italic id="italic-6004f842d5f253d816b239845bbd40ef">Litteratura</italic>. Inclusive, alguns textos seriados publicados inicialmente em <italic id="italic-fb429bfe7cd815b55f3a1bb869c000b7">Folhetim, </italic>depois passaram para as outras seções nas publicações seguintes. Dessa forma, trata-se, simplesmente, de reconhecer a adoção do rótulo francês como um meio de difusão de textos literários brasileiros.</p>
      <p id="paragraph-2">Iniciamos a busca no <italic id="italic-e1d8f21fa2db321247efc9c8e9f01eab">Diario do Rio de Janeiro </italic>(1821-1858), tendo em vista a duração desse periódico e a sua representatividade, conforme nos aponta SODRÉ (1966: 59). Esse jornal utilizou pela primeira vez o rótulo <italic id="italic-bee39de3b1f82da5f33ae69805461a06">folhetim </italic>em 12 de fevereiro de 1841. Nesse dia, no rodapé da primeira página, foram publicadas algumas fábulas e uma ode do Senhor Doutor Joaquim José Teixeira (1811-1885). Antes dos textos, porém, o periódico fez uma advertência aos leitores sobre a adoção do novo rótulo. Nessa advertência, há a consciência sobre a origem francesa do rótulo e seu papel relacionado à vinculação de <italic id="italic-dc6c1aeddf11d116a73baa6e22ddb664">artigos de recreio</italic>. Vale dizer que o termo surgiu no início da década de 30 do século XIX<italic id="italic-b3ad007f530f178f151678aebf1d7e5f">. </italic>Com o objetivo inicial de apresentar textos ao gosto do público, teve sua melhor expressão com a publicação de <italic id="italic-11">romances <underline id="underline-1">no</underline> folhetim </italic>a partir de 1836<italic id="italic-12">. </italic>Não demorou muito para que a demanda de literatura exigisse <italic id="italic-13">romances </italic>feitos <underline id="underline-2">para</underline> o <italic id="italic-14">folhetim. </italic>Entre 1836 e 1840, desenvolvia-se então o gênero <italic id="italic-15">romance-folhetim, </italic>com noção de espaço de publicação de cada capítulo, estratégia de retomada do capítulo anterior e de clímax no final de cada publicação. Segundo MEYER (1996: 58), ainda introduziu ao romance a interferência do leitor, ou seja, cada capítulo era escrito, tendo como termômetro a recepção do capítulo anterior pelo público leitor.</p>
      <p id="paragraph-3">Ainda sobre a advertência no <italic id="italic-16">Diario do Rio de Janeiro, </italic>o editor justifica a decisão editorial, considerando a aceitação do público e de outros periódicos, como o <italic id="italic-66f326ecbab84020131e36d5a4cf4f14">Jornal do Commercio, </italic>que já utilizava o rótulo. Esse jornal passou a usar o rótulo <italic id="italic-58bbbe8fbfc24f2237cdf5143e555d52">folhetim </italic>no dia 04 de janeiro de 1839, ou seja, dois anos antes. Como estreia, o <italic id="italic-d253367aa12c2f6cd0fb6786e181f1c0">Jornal do Commercio </italic>publicou sob esse rótulo o primeiro capítulo do romance <italic id="italic-ddca204269f111e689dac6f495831a17">Edmundo e sua prima </italic>(escrito por Paul de Kock e traduzido por Julio Cezar Muzzi [-1858]) e a crônica histórica <italic id="italic-fa9c83eaa6ecf2447ebccc3fb72c60f0">As Janeiras</italic><xref id="xref-b983b49cf535682bc34b44a19e602ca9" ref-type="fn" rid="footnote-f4369c1f968e59f9a20dccdc4c3b5b33">3</xref>. Diferente do <italic id="italic-ed497274ce7736f3d9e365db984b043c">Diario do Rio de Janeiro, </italic>não houve advertência sobre o emprego dessa nova estratégia editorial; apenas uma nota aos leitores, assegurando que, para merecer a atenção do público, além do aumento do formato, trabalharia no aperfeiçoamento do jornal. Dentre as melhorias podemos supor a atualização das seções. Entretanto, a reviravolta rocambolesca a respeito da origem dessa prática em jornais brasileiros ocorre ainda nesse mesmo mês (24/01/1839). Um colaborador identificado apenas com a letra <italic id="italic-0af7bdd7d56b7f5257990eaef78bea3f">Y </italic>no periódico <italic id="italic-905fb0a959427a4819051668062f21ae">O Chronista </italic>não só critica os principais jornais da época, como reivindica a primazia na adoção dessa tradição para o seu jornal:</p>
      <p id="paragraph-b89f9aca20f42556fdc4b8ea2297ee50">[...] O ‘Jornal do Commercio’ tem a primazia entre os periodicos da Côrte pela belleza da impressão; pelo que toca á redacção, este periodico não tem alguma. Ultimamente adoptou o uso dos periodicos francezes, publicando o que naquelles apparece estampado com o titulo de <italic id="italic-7954005a4eb00e14adff548bcc32ef51">feuilleton, </italic>palavra que elle traduzio, em odio ao ‘Chronista’, por <italic id="italic-75140ab58c8bc82e5f01521ceef276d2">folhetim: </italic>que importa porêm a differença de nome? Se tal uso é um melhoramento, o ‘Chronista’ foi o primeiro periodico brasileiro que adoptou esse melhoramento. [...]</p>
      <p id="paragraph-080419d7b598f5733bbecd3e3f747ba5">O cronista <italic id="italic-ff582d7c39ae65d84657c987c1e1437d">Y</italic>, ao tecer crítica ao <italic id="italic-eb6a85a36a5f820c0f449ff20fd30d78">Jornal do Commercio</italic>, reconhece que a origem da palavra <italic id="italic-6f2275cd7ac72c785eff4cc26de73dfb">folhetim </italic>no Brasil ocorreu nesse periódico. No entanto, afirma que o fato de adotar essa palavra não lhe confere a primazia pela estratégia editorial. Isso porque a prática já era empregada por <italic id="italic-106e2dfc9fcaf37149e2ac22953deb82">O Chronista </italic>há mais tempo. No mapeamento feito desse último periódico, encontramos o início da prática datada de 06 de outubro de 1836, isto é, três anos antes do <italic id="italic-be091d287f8935333d5db305255f8fa2">Jornal do Commercio</italic>. Nessa publicação, o editor explica que os jornais franceses, no rodapé das páginas, sob o rótulo <italic id="italic-efb4b8fc2a49a2cb9ba6dcda137ec10b">feuilleton</italic>, publicavam artigos de recreio que entretinham todos os grupos sociais. Expõe que pretendia transplantar a moda francesa “para o abençoado solo de nossa pátria”, dando as feições brasileiras. Ressalta dentre as dificuldades, o nome que essa pratica receberia no Brasil. Segundo o editor, a tradução ao pé da letra, resultaria na palavra <italic id="italic-8ddad4ed35ed434228ab4795aaeafede">folhetão. </italic>Para o editor, esse nome era “feio”. Considera ainda que &lt;ão<italic id="italic-bfee201b2afc6f5f75bb5107883632ee">&gt; </italic>em língua portuguesa seria aumentativo e &lt;<italic id="italic-2ec3e62db3d8a5e239efa5edd87c3915">on&gt;</italic><italic id="italic-b5d63d8c449cbaa4bd2d0f5af89e6e9e"> </italic>na língua francesa seria diminutivo. Embora tenha pensado em usar a palavra <italic id="italic-1b73ae41975aa150b71c41738dd6f4da">folhasinha, </italic>por motivos de superstição, segundo o editor, preferiu chamar pelo nome genérico de <italic id="italic-653c31f808866e3ef06f8b095913214c">folha. </italic>O epíteto que segue tal palavra designaria o gênero. Assim, a <italic id="italic-053502925533eb7905087c3785fe3c74">folha litteraria </italic>foi usada como correspondente aos artigos publicados como <italic id="italic-966b1272f67398a87a445437c852b33f">feuilleton </italic>na França, até abril de 1837. A partir do dia 08 de abril de 1837, <italic id="italic-cc1c155bb72fc204bf5f29f706c3cc40">O Chronista </italic>passa a utilizar para esse fim o rótulo <italic id="italic-6aafcf870b7bdfc0c1e285177700aec2">Appendice </italic>o qual o <italic id="italic-17">Diario do Rio de Janeiro </italic>adota antes de se render ao rótulo <italic id="italic-18">folhetim</italic>, rebatizado pelo <italic id="italic-19">Jornal </italic><italic id="italic-20">do Commercio.<italic id="italic-21"/></italic></p>
      <p id="paragraph-0f5d19be573a37561cb5465ef743ea01">Observa-se que adoção dessa prática em terras brasileiras é contemporânea ao seu apogeu nos jornais franceses. Essa adoção demonstra a influência cultural, a intenção de atualização das práticas jornalísticas e o desejo de apropriação de um instrumento europeu para o fomento de uma literatura brasileira.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-2abcd93283221a0d0978eb990add4a2e">
      <title>2<italic id="italic-8effc84c14ac073ad2b206976a2711a0">. </italic>A inserção de autores brasileiros no <italic id="italic-4e9bf4fca8a0f3ca0bc48bdb5a16a0eb">Diario do Rio de Janeiro </italic>e na <italic id="italic-0f38b9b295d4b416e6031b9126bd8cc6">Gazeta de Noticias<italic id="italic-bf7db9a113d2b832153840b6f5e28bfc"/></italic></title>
      <p id="paragraph-210c6c1cafe70c0be6471a925d9602ad">Identificada a origem da estratégia de difusão literária em <italic id="italic-b0bdc5bcbd17ec661eeec1a80642b007">folhetins </italic>nos periódicos oitocentistas, convém mensurar a inserção de autores brasileiros nessa prática. Se não considerássemos as obras sem indicação clara de autoria, encontraríamos algumas dificuldades para analisar a realidade. No <italic id="italic-7241cef69e0bd8aec1d2f5263862b83e">Diario do Rio de Janeiro, </italic>tomado aqui como metonímia, de 1841 a 1858, há 81 obras na seção <italic id="italic-062f1355091c75a13fdf4ae7f6e53a4a">folhetim</italic>, mas apenas 35 obras foram assinadas com o nome completo. A descrição só nos permitiria afirmar que em 35 casos com indicação de autoria, teríamos apenas um brasileiro, José de Alencar, em 1857 com o romance <italic id="italic-8f63be9d9d029052d700317b572d35ae">O Guarany. </italic>Deixaríamos de fora possíveis autores brasileiros que não assinavam (26 obras), sem contar os autores que usavam apenas as iniciais (17 obras) ou pseudônimos (3 obras).</p>
      <p id="paragraph-1ef74dedc0c95832eddd54acd86b5668">Esses 46 casos são indícios de que a presença de brasileiros é mais efetiva do que parece. Por isso, utilizamos caminhos alternativos para a identificação de nacionalidade. Esse expediente filológico considerou informações do próprio texto (posicionamento do autor como brasileiro), do suporte (em anúncios ou notícias) e de fora do texto e do suporte (como dicionários e bibliografias). Como nem sempre há referência sobre a nacionalidade do autor, foi necessário separar também os casos de <italic id="italic-1ec33e599cf490dc21b0ecf54a7d9618">não identificados.<italic id="italic-59b93a4e7cf4f625f930dbe4fd34c389"/></italic></p>
      <p id="paragraph-4">No <italic id="italic-f4af6ebb9ee0764a42be131971878fae">Diario do Rio de Janeiro </italic>(81 obras), jornal que representa a fase de apropriação do rótulo <italic id="italic-c8a8faef084714b04ae5a699b7d52a34">folhetim, </italic>os estrangeiros aparecem em maior número (45,95%), seguido por brasileiros (44,44%) e não identificados (8,61%). Ao contrário do que se poderia imaginar, esse resultado demonstra que a participação de estrangeiros e brasileiros é equilibrada. Na <italic id="italic-08b0989c8e78140356fab739a3c64111">Gazeta de Noticias </italic>(268 obras)<italic id="italic-a914e16b98fa8083d4a05612cb26b74d">, </italic>jornal da década de 70 que representa a fase em que o rótulo <italic id="italic-2f3eedb392ecbe8a6ab6fe231d23c1b5">folhetim </italic>já está consolidado<italic id="italic-76fd9b10150fdc7074998dc60051978a">, </italic>a presença de brasileiros se tornou mais efetiva (72%), sendo maior que a colaboração estrangeira (22%) e a não-identificada (6%) juntas.</p>
      <p id="paragraph-e891c4e2b18d1138e53227adc52f827e">Nota-se ainda que a participação dos brasileiros se configurou de forma distinta a dos estrangeiros, sobretudo na forma como a autoria é indicada. No <italic id="italic-6b9bb03967b13976b981d63f9b3d3833">Diario do Rio de Janeiro, </italic>a identificação de autoria não era a principal estratégia brasileira. As principais estratégias eram a vinculação de textos sem assinatura (44,4%) e a indicação das iniciais ao final do texto (47,2%), como fez Umbelino Alberto de Campo Limpo (1824- 1885), quando colaborou com a <italic id="italic-0afff8d39c33dc5ffcfd4ec110c41358">Resenha Militar, </italic>usando as iniciais <italic id="italic-ab1a2430140f8440f607232de9e50448">Umb. de C. L. </italic>O uso de pseudônimos (5,5%) e o uso de nome completo (2,8%) para indicar autoria eram estratégias pouco utilizadas naquele momento. No caso de autores estrangeiros, predominava a indicação do nome completo (89,5%). São obras consagradas na Europa, principalmente, na França, país que servia ao Brasil como referencial cultural. Indicar autoria neste caso era estratégia comercial para atrair leitores interessados nas obras francesas. A presença do nome completo passava pela consagração do autor. Um caso ilustrativo sobre a identificação do nome completo a fim de consagrar o texto é de José de Alencar, único brasileiro nesse período a vincular seu nome completo em seu romance (<italic id="italic-a5a7a1b3d78773a6f5724bdfadae576c">O Guarany)</italic>, pois já era sucesso frente ao público, graças às publicações dos romances <italic id="italic-25beb5d160709047d131bbfdf5479366">Viuvinha </italic>e <italic id="italic-5b529081f969fc97af9efd457ebfcde0">Cinco Minutos</italic>, em que assinava com as iniciais <italic id="italic-e57826dc0d8b1b41200b0244f7743906">A.D</italic>.</p>
      <p id="paragraph-cd90a2b56ee415b4abe6a26ced617eed">Na <italic id="italic-1f02a023fc267ca14d157802a100585c">Gazeta de Noticias</italic>, observamos a alteração da maneira como os brasileiros indicavam a autoria. Assinar o nome completo passou a ser a principal estratégia autoral (52,06%), seguida pelo uso de pseudônimo (30,41%), iniciais (10,3%) e sem assinatura (7,21%). Às vezes, mais de uma estratégia era usada pelo mesmo autor, permitindo que apresentasse diversas facetas de seu trabalho. É o caso de José do Patrocínio. Com esse nome, assinou romances históricos, como <italic id="italic-ef2d5a281bc8354cf274f8f572e5f1c4">Motta Coqueiro </italic>e <italic id="italic-5831f9d0cc4c2730c1182cd76507e5ac">Os </italic><italic id="italic-090b1764c2c61ea4d9588d1c4421ef06">Retirantes</italic>. Com os pseudônimos <italic id="italic-917ef4dbf94cf9098ff0767c3a1f6e30">Nemo </italic>e <italic id="italic-d76a8dfe02fc22db691e4b4fcd1bc030">Proudhomme, </italic>escreveu crônicas sobre política e sociedade<italic id="italic-00f56ec5c30a09035a9c69a40be3556f">. </italic>Sem contar os demais pseudônimos em outras seções.</p>
      <p id="paragraph-7d4a455bec0726a28cdbbb13e369893a">Quanto aos estrangeiros, mantiveram a utilização da assinatura completa para indicar a autoria (77,96%). O objetivo, como apontado anteriormente, é garantir o sucesso do texto pela consagração dos autores. Em compensação a indicação com nome completo cedeu um pouco de espaço para o uso de pseudônimos (13,55%).</p>
      <p id="paragraph-a3af865f28947caff1e9a32f217538a2">Além da identificação de autoria, há mais diferenças na inserção de brasileiros e estrangeiros na seção <italic id="italic-7d5b24eccb596aa2e0338dab1a1847a5">folhetim. </italic>Uma delas é o tipo da periodicidade das publicações. Nesse controle, é observado se as obras são seriadas, isto é, se são obras que se prolongam em mais de um dia publicação, ou se não são seriadas, ou seja, obras publicadas em apenas um dia.</p>
      <p id="paragraph-c416347d4ae531ab2ad31c5cfb7b0fe1">No <italic id="italic-8a493eb083e4f6da9211abdf6005d463">Diario do Rio de Janeiro, </italic>há espaço para obras publicadas em único dia (27%); no entanto, a seção <italic id="italic-29699cb4ef1084e20c10ec21e40f3f49">folhetim </italic>privilegia a publicação de obras seriadas (73%). É fácil supor que a vinculação de colaboradores fixos, nesse momento, favorece o estabelecimento de um público regular, movido pela empatia a seus autores que se revezam na seção durante a semana. Contudo, esse privilégio de obras seriadas predomina para autores estrangeiros (59,32%). Quanto à produção brasileira, restringe- se a 35,59% dos casos.</p>
      <p id="paragraph-fed1bd7619dd0aa3387d9379b9276823">Já na <italic id="italic-5ebc9bd2b2f4cb66e2769df817c11a85">Gazeta de Noticias, </italic>houve a inversão quanto à periodicidade das obras. As obras não-seriadas passaram a ser mais frequentes (76,12%). Isso se deve ao aumento da colaboração de brasileiros, mais frequentes em obras não-seriadas. Enquanto uma obra seriada leva até 6 meses de publicação, todo dia havia pelo menos uma obra não-seriada sendo produzida.</p>
      <p id="paragraph-5">Os casos com indicação de nome completo e pseudônimo são justamente o que inflaciona a produção não-seriada de brasileiros. Ou seja, a mudança de estratégia de indicação autoral favoreceu a inserção de brasileiros sob o rótulo <italic id="italic-3ab06f39f26a4634f5f50b2bb0ced7da">folhetim</italic>. No caso dos estrangeiros, ainda são destaques nas obras seriadas, porém numa distribuição mais equilibrada com as obras seriadas dos brasileiros.</p>
      <p id="paragraph-6">A análise da periodicidade das obras encaminha a análise para o controle dos gêneros. O fato de ser seriado ou não poderia ser consequência do gênero vinculado ao rótulo <italic id="italic-24a3ccfb79d2c80b28f288dd85514181">folhetim</italic>. Quanto aos gêneros, consideramos <italic id="italic-56cb8620001f7e48c73c8101300681db">fábulas, romance, poesia e crônica, </italic>tendo como referência a visão que se tinha na época para cada um desses gêneros, o que não necessariamente vai corresponder ao que hoje compreendemos.</p>
      <p id="paragraph-a1bb92b61db88e62f9e0051aaf735e81">A distribuição das obras publicadas em <italic id="italic-6ea28b92e43786359fd28931e509588f">folhetim </italic>por gênero acentua ainda mais a diferença entre brasileiros e estrangeiros no <italic id="italic-65858852e1e9fd01a2a2208baf956602">Diario do Rio de Janeiro</italic>. Como os demais controles já apontaram, os brasileiros, preferencialmente, publicam sem indicar autoria ou indicam apenas as iniciais. Por esse controle, no entanto, é possível identificar a motivação textual. A colaboração dos brasileiros faz-se essencialmente pelas crônicas (86,11%). Nesse gênero não é uma obra que se prolonga, em partes, no periódico, mas de um autor que pode se prolongar em novos textos regularmente.</p>
      <p id="paragraph-65d3baa43016afa42b104efa46bfc807">A contribuição dos estrangeiros concentra-se com romances- folhetim (84,21%). Como já sabemos, quando publicado na Europa, havia a interferência do leitor no desenvolvimento da narrativa, conforme sua aceitação. Quando publicadas no Brasil, perderam a interferência do leitor. São obras que, embora mantenham as características estruturais, não são encaminhadas pelo gosto do leitor brasileiro. O gosto do leitor é que vai sendo encaminhado aos sabores europeus. No caso das crônicas brasileiras, elaboradas semanalmente sob o efeito da repercussão do texto anterior, essas sim são preparadas a gosto do público leitor.</p>
      <p id="paragraph-10028535f91a7e7b7298c14de66feb7a">Na <italic id="italic-6d1cf041ec2def3761a9a3c3447b1b08">Gazeta de Noticias</italic>, a colaboração estrangeira passa a ter outras características. Os estrangeiros inverteram a contribuição. O romance (32,20%) perde espaço para a crônica (66,10%). Isso se deve a estratégia da <italic id="italic-f234d4a6aaf1374d452d4cf100d8eaa0">Gazeta </italic>para atender ao público português residente no Brasil, através da presença de colaboradores portugueses que escreviam regularmente, comentando sobre o cotidiano lusitano, como Julio Cesar Machado, Pinheiro Chagas e Ramalho Ortigão, por exemplo.</p>
      <p id="paragraph-20788f2a13c7c50f2cdb8903a44ea3a5">Quanto aos brasileiros, a crônica (95,36%) continua sendo a principal colaboração. Embora predomine a indicação do nome completo nas crônicas, as demais estratégias também são utilizadas. Outro aspecto relevante é a quantidade de romances brasileiros (2,57%). Estatisticamente, parece pouco, mas se tomarmos o número de romances desse jornal (5 romances) e compararmos com o <italic id="italic-7314f2375bfc3662a4ee6880c8ed6cb1">Diario do Rio de Janeiro </italic>(3 romance)<italic id="italic-5569c6b15bab2ae9a877169922c8a02e">, </italic>podemos perceber o avanço. Esse novo espaço é ocupado, por exemplo, por José do Patrocínio, consagrado como cronista e que passa a publicar romances sob o rótulo <italic id="italic-54cc9774e8c81c40f5a00aae9586b5e6">folhetim. </italic>Se a efetiva produção brasileira começou pelas crônicas e pelas crônicas foi possível impulsionar os romances, julgamos que é hora de privilegiar os estudos das crônicas, não como gênero menor para a literatura, mas como matéria literária legítima.</p>
      <p id="paragraph-1547d1ad84b2dcc94bb7a974aecd83c2">Por fim, vale ressaltar a efetiva produção da <italic id="italic-06ae0c35a9cb010c5de980ab6fdcb649">Gazeta de Noticias. </italic>Embora sejam apenas 5 anos de mapeamento, identificamos 268 obras sob o rótulo <italic id="italic-3d08a73aa1dd0a7c85e4f7a67e702ca2">folhetim, </italic>sem contar as outras obras publicadas no rodapé sem a presença do rótulo, ou em outras seções com fins semelhantes<italic id="italic-4350eb03f34807f608aadee0a713f5d3">. </italic>Tal produção é mais efetiva em comparação as 81 obras em 17 anos do <italic id="italic-344453e40ad28ea31c392b3a65d5693c">Diario do Rio de Janeiro. </italic>Se tomarmos a <italic id="italic-47523c3b5187688c01ba11acd7f17198">Gazeta de Noticias </italic>como metonímia dos jornais daquilo que chamamos de segunda fase, somos inclinados a acreditar que a prática não só se consolidou, mas também se ampliou.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-1">
      <title>3. Os Folhetins de França Junior</title>
      <p id="paragraph-b9edaaba13b07a08c06c0fc0d5ed8b2c">A busca por <italic id="italic-054396564aab9d533bfa085f88c371d7">folhetins </italic>brasileiros não se restringiu a simples observação do rodapé dos jornais. Foi necessário realizar análise do periódico por inteiro, pois as demais seções poderiam oferecer melhor compreensão sobre a forma como os brasileiros vinculavam seus textos. Um desses vestígios foi a localização de um anúncio que oferecia livros na <italic id="italic-72f4213b1d26dc00959f102a89a8a172">Gazeta </italic><italic id="italic-bd6ca9367bc86c39509211349d3a4bad">de Noticias</italic>.</p>
      <p id="paragraph-b722e786320b40e0cdf999f9d1ab97c1">Nesse anúncio, publicado a partir de 1878, observa-se a prática de se publicar <italic id="italic-237da0ee04795c2dc4bc9d547cbb7384">romances </italic>em livros a partir de textos de jornais. Nota-se a inserção de brasileiros nessa prática e o valor atribuído às produções folhetinescas. Contudo, é a versão em livro das <italic id="italic-498252b38a9600409bd28a3a859dd1e5">crônicas </italic>de França Junior<xref id="xref-d8becf3ac13d640097f2a80e9a304190" ref-type="fn" rid="footnote-b387ae67d60b44a476fcad5f20518442">4</xref> que chama mais atenção em meio à prática já consolidada de se publicar <italic id="italic-12f9bf8151a15ce93178974cbefbec1d">romances</italic>. Esse fato ganha ainda mais relevância quando verificamos que o valor atribuído a esse livro (2$000) é maior que o valor atribuído aos demais livros oferecidos pela <italic id="italic-b717424428de078f51f08a5a441dfe05">Gazeta de Noticias </italic>(1$500). O destaque para as crônicas de França Junior pode também ser observado em outras seções do jornal, como a notícia do dia 3 de janeiro de 1878, em que justifica o atraso da publicação do folhetim de França Junior por causa de uma enfermidade a que o autor foi acometido. Se a justificativa do atraso já nos deixa supor a rede de leitores assíduos, a mudança da rotina de colaboradores semanais, com dias fixos, para que fosse possível publicar o folhetim já atrasado de França Junior, parece ratificar que tais folhetins eram “tão justamente apreciados”.</p>
      <p id="paragraph-878413871972bf43c968d45cca5d36c4">Ainda sobre o sucesso desses folhetins, numa de suas notícias do dia 22 de novembro de 1877, a <italic id="italic-62cba6594bd07f8d96059b3a83f7ef98">Gazeta </italic>inseriu um fragmento do <italic id="italic-4735b218f0336d8b47e4c659a2735b07">Jornal da Tarde </italic>em que o concorrente relata a dificuldade para comprar a <italic id="italic-e280c6aa6897038825ebe8e428d7b165">Gazeta </italic>nos dias de quarta-feira, a ponto de não se conseguir um exemplar para escrever seu extrato<xref id="xref-d916f49decc866714cc1df2662287c21" ref-type="fn" rid="footnote-8a23f111987653584ef3fe709b82ef75">5</xref>. Eram 16 mil exemplares por dia e esgotados ainda pela manhã, situação atestada como corriqueira às quartas-feiras em função dos folhetins de França Junior.</p>
      <p id="paragraph-89bb8a5de819597eaa1701225b32a7e8">Outros cronistas também reconheciam a “força e effeito” de seus folhetins. Tralgadabas<xref id="xref-5d04ec6d8a782704bb68dae6b83e6242" ref-type="fn" rid="footnote-69de6d0c4e49539ff1f0a602596e75b8">6</xref>, quando publica em sua seção um folhetim de França Junior (29/07/1877), chama-o de “maligno amigo”, “perverso Osiris<xref id="xref-24fc14da950b6c99483bb24ed443d0bc" ref-type="fn" rid="footnote-7449c2476c81f9d10ef69eeea895b297">7</xref>” e “espirituoso classificador”. Nas duas primeiras alcunhas, Tralgadabas destaca a perspicácia do olhar do folhetinista sobre a realidade, porém, ao mesmo tempo, quando diz “espirituoso”, adjetivo também atribuído pelo folhetinista Nemo<xref id="xref-d7a15c91d1b2d6ac11c3ee38b8a8af44" ref-type="fn" rid="footnote-b25f3015f6d5c8cf0689fbe67b8212de">8</xref> ao França Junior, aponta para maneira como desenvolve seus textos. Essa maneira é bem descrita numa resenha do jornal <italic id="italic-2e4e96b17b081fa30279301c12c0b3dd">Cruzeiro, </italic>publicada logo após o lançamento do livro <italic id="italic-4e955eef440e686b3b1b5ba4a462f61a">Folhetins </italic>em março de 1878, em que diz:</p>
      <p id="paragraph-4d05c64737e0b527b1bf807f31150cb3">O Dr. França Junior possue a arte de dialogar, essencial a tal sorte de escriptos; parece que não escreve os dialogos, mas que simplesmente os repete, tão naturaes são elles, Tem, além d’isso, a arte de resumir de maneira que não dilue a observação, mas concentra-a em poucas paginas, o que lhe dá ainda maior força e effeito. (<italic id="italic-7ba70e2add8eb0d7fc8f8e744e6087de">Cruzeiro</italic>, 24/03/1878).</p>
      <p id="paragraph-113afba21a3a1df828bd9e4da90ea579">França Junior não é apenas o classificador, apontado por Tralgadabas. É o cronista que reflete sobre o essencial do cotidiano, num tom de diálogo espontâneo que agrada, fazendo dele “um escriptor original e imaginoso”. Para BLAKE (v. 4, 163), “foi um dos nossos mais applaudidos folhetinistas”. Acrescenta ainda que o “autor sempre applicou-se a desenhar em estylo humoristico nossos costumes”. BLAKE, no verbete destinado a Luiz de Andrade (1849-), quando diz “em estylo humorístico á semelhança dos folhetins de França Junior” (v.5, 347) deixa entender que França Junior teria se tornado um padrão de estilo humorístico para outros folhetinistas.</p>
      <p id="paragraph-bef7602b4f362d01a310958e3a6454b2">Por trás desse sucesso, a <italic id="italic-d667d956f96632ab4fea789bb48adb9c">Gazeta de Noticias </italic>investia em estratégias de divulgação. Esse recurso assegurava aos leitores assíduos do folhetim que teriam mais uma crônica de França Junior no dia costumeiro. Os anúncios dialogavam com a crônica e também criavam expectativa, como vemos a seguir:</p>
      <p id="paragraph-10728075d63eb7ae02cdb3ad2e4ecbe0">O nosso collega Dr. França Junior mandou-nos dizer da Tijuca, onde tem estado, que o folhetim que pretende remetter-nos hoje para ser publicado na folha de amanhã, tem por titulo e assumpto. – <italic id="italic-712b38039606bcece928e68aa353f2c8">A Republica. </italic>|| Querem vêr que o homem vai metter-se em politica? (<italic id="italic-73f69ddbda2c0cc51f09095391802681">Gazeta de </italic><italic id="italic-0476ffbb5e4a875a18aacd8a31a55884">Noticias</italic>, 22/01/1878)</p>
      <p id="paragraph-a5c0124ac33395365258e40151f43e5b">A questão que finaliza a notícia cria uma expectativa quanto à maneira como o olhar cômico de França Junior trataria de um tema, a princípio, sério como a república. No dia seguinte ao anúncio do jornal, França Junior satisfaz a expectativa, iniciando o folhetim <italic id="italic-c5fe2f4a35c9e559898c3047d2c73af4">A Republica </italic>com a voz do leitor:</p>
      <p id="paragraph-c5845040e01ed96c921225d3a3f459b1">Ora esta !! Pois este homem, que era tão inoffensivo, que fazia-nos rir sem irritar-nos os nervos, não está deitando as manguinhas de fóra !! O que vem fazer aqui republica?! (LIMA, 2010: v. 2, 117)</p>
      <p id="paragraph-7">Depois de fisgar a atenção do leitor com um assunto polêmico e se alinhar ao pensamento conservador de seus leitores, o cronista desfaz a ambiguidade explicando o tema, “república de estudante”. Nesse folhetim, há um grupo de jovens estudantes em São Paulo, vivendo de forma cômica e, dentre as aventuras, o confronto inevitável com um cobrador de dívidas. Essa cena é recuperada de sua peça <italic id="italic-5b1598023f058c8f5573a2c7024923d6">Meia hora de cinismo </italic>(1862)<italic id="italic-c823153a50aa7423b69f396885159f2d">, </italic>comédia que tem como cenário uma república de estudantes em São Paulo, em que os personagens tentam também se livrar de um cobrador de dívidas.</p>
      <p id="paragraph-8">Além de descrever os mais variados temas, como o casamento, a visita, o enterro, o namoro, as festas, os passeios etc., França Junior também avança para questões sociais alinhadas às notícias coevas aos folhetins. Em <italic id="italic-0b8faee38d9827c80096a845329e60e3">Occorrencias da Rua</italic>, seção da <italic id="italic-656fad8e5858aa76e6cc9be07242a3a0">Gazeta de Noticias </italic>estudada por LIMA (2014: 94), em que são relatados os crimes praticados nas ruas do Rio de Janeiro, encontramos um exemplo sobre a relevância dos assuntos abordados por França Junior:</p>
      <p id="paragraph-8574858e7f893e9d220dfc80ca04a396">Foi preso o crioulo livre Pedro Victor, por estar ante- hontem em exercicio de capoeiragem na praia do Sacco. (<italic id="italic-55ea43a929a9c6100f022b1b8d6399c2">Gazeta de Noticias</italic>, 04/01/1878)</p>
      <p id="paragraph-f99d8c72923143affaafa2002c930a02">Nessa <italic id="italic-d92712b75e426608dfd287f1f458cb0c">Ocorrência das ruas</italic>, o inusitado é causa da prisão: prática de <italic id="italic-86eb630766446dfdec8ea4d8d5c7f717">capoeiragem</italic>. No dicionário de MORAES E SILVA, não há o termo <italic id="italic-4d87aa73d32c3a7fe4d885701f5166d1">capoeiragem. </italic>Os verbetes relacionados ao termo empregado no jornal são <italic id="italic-c4d2ab934026508105dd9f29a3369588">capoèira</italic>, que significa “cesto fechado onde estão gallinhas” e <italic id="italic-7c8be78ea69313bdfe8c9b842c1bd81d">capoèiro, </italic>que significa “ladrão de gallinhas” (1813: v. 2, 343). Se considerarmos a relação dessas palavras, <italic id="italic-fa085d57a19fd2ca71a6ce07cae63e0f">capoeira </italic>estava associada à atividade criminosa. Encontramos relatos que apontam para marginalidade dessa prática no século XIX nas crônicas de França Junior. No trecho a seguir do folhetim <italic id="italic-74e932d87cd3c56533ccfce5b0f5f829">Os Massantes</italic>, o cronista caracteriza os capoeiras:</p>
      <p id="paragraph-98fc8ca3f5deaf82b1e3e7254b2f4174">Não pensem os leitores que venho fallar de <bold id="bold-1">capoeiras</bold>. Estes Cambrones das grandes batalhas eleitoraes, manuseadores da faca e do cacete, são mais ou menos perseguidos pelo gladio da policia, segundo a importancia dos padrinhos (LIMA, 2010: v. 2, 19).</p>
      <p id="paragraph-9">Ao escrever sobre os <italic id="italic-dee3ea91ab90cfae3bd4c05d8527d69d">massantes, </italic>uma classe de amoladores sociais, o autor alerta para a possível confusão envolvendo os <italic id="italic-ef8607d2e6728852febd4affd0fc6f50">capoeiras</italic>, pois guardariam as mesmas características – “classe perigosa de homens, cujos actos escapam á ação da justiça”. Segundo França Junior, os <italic id="italic-9ecb945266bd00ba95c04be907ad2b36">capoeiras </italic>seriam “manuseadores da faca e do cacete”. A marginalidade dessa classe se confirma no folhetim <italic id="italic-32e2a4047ae6fe658818e7391e46e8e2">Visitas </italic>(LIMA, 2010: v. 1, 40). Nesse folhetim, o cronista apresenta a <italic id="italic-4b194212f170d40555cb44ef23ffd6f7">capoeira </italic>na conversa de duas senhoras. Elas conversam sobre os problemas envolvendo os escravos.</p>
      <p id="paragraph-9d8b2e9aaf27a83ec0e143f970063466">O principal problema refere-se a “Felisberto”, escravo que “deu para capoeira”. Segundo a personagem, “E’ um perigo”, pois oferece o risco de investir com uma faca contra o proprietário.</p>
      <p id="paragraph-e2ed768687877d01dc8e42f1252f0e87">Assim, o olhar sensível sobre a realidade torna a obra não só representativa para estudos de literários, como também para a compreensão da sociedade oitocentista do Rio de Janeiro.</p>
      <sec id="heading-f4801ffe0cb2be352325816954069466">
        <title>3.1 A edição dos <italic id="italic-1dcdd23aba326a218984f5e2b23eb7c1">Folhetins </italic>de França Junior</title>
        <p id="paragraph-f4da24b63cd47e4ed8d1f897e21fafed">A motivação de editar tais folhetins justifica-se pelo interessante conteúdo e pelo reconhecimento que o autor mereceu do público fluminense, materializado na intensa produção em vários jornais e ainda a edição em livros.</p>
        <p id="paragraph-d392ab64abc8302f03cbcae68f3aecd1">O trabalho com a edição dos textos de França Junior começou pelo levantamento de sua fortuna crítica. O resultado foi a localização de um testemunho em livro de folhetins publicados no <italic id="italic-4e15ebe5323b8204e53c318fbf524de3">Correio Mercantil </italic>entre 1867 e 1868, sob o título <italic id="italic-a91ca4bcec7324cf2310547b5b3d011e">Política e Costumes</italic>, organizado e publicado por Raimundo Magalhães Junior em 1957; um relatório sobre pintura de autoria de França Junior, publicado em 1874; um conjunto de peças de teatro, estabelecidas por Edwaldo Cafezeiro (1980); e quatro testemunhos do livro <italic id="italic-055513d2f60a47904f91cef581cbe4c1">Folhetins </italic>(1878 / 1894 / 1915 / 1926). É justamente a primeira edição desse livro que a <italic id="italic-d6b2781bf4a46c1f4e51ff4e6afe6503">Gazeta de Noticias </italic>oferecia aos seus leitores no anúncio. Além disso, após a publicação no jornal e antes da publicação em livro, os folhetins foram publicados em folhas soltas. Em 11 de novembro de 1877, o editor alega que apressou a publicação da segunda folha pelo “facto da rapida extracção que teve a primeira”. Alguns folhetins mereceram ainda uma versão em inglês. Em 8 de dezembro de 1877, a <italic id="italic-06457163dce015db10d45cc5de15fe97">Gazeta de Noticias </italic>menciona a publicação do folhetim <italic id="italic-70153521889b373f55cf78d0d6b50269">Os </italic><italic id="italic-4a95b2debba4b386f47c2f0b27e8a97b">casamentos </italic>no <italic id="italic-27847388c74184abc18ca24f8ae78c32">Jornal The Anglo Brazilian Times</italic><xref id="xref-873b5e5e199f77de8cc035a00a0bb9a4" ref-type="fn" rid="footnote-45c43a40c7f8a1855a02d5867e15b0f6">9</xref>, como já havia ocorrido em 10 de outubro de 1877 com o folhetim <italic id="italic-5f4330da6e50b50fa40e6bc02e02a9ed">Os Bailes</italic><xref id="xref-7e8f983a6e392a8ee00d7fe37cf8dfc7" ref-type="fn" rid="footnote-d9794b535a8f95b1e879b516a2f8fec0">10</xref>.</p>
        <p id="paragraph-5f2a0e57aab87a21639353dbf0a19b1d">Após o levantamento de todos os textos referentes a França Junior, que pode ser recuperado em LIMA (2010: v. 1, 41), coube-nos a tarefa de escolher aqueles que fariam parte dessa edição crítica. Obviamente, interessávamos pela tradição de textos apresentados no anúncio. Assim, havia o conjunto de textos publicados no jornal entre 1877 e 1878 (testemunho A) que mereceu publicação em folhas soltas (testemunho b) e quase que imediatamente a coletânea em livro de 1878 (testemunho B), republicado em 1894 (testemunho C), 1915 (testemunho D) e 1926 (testemunho E).</p>
        <p id="paragraph-9a7bd3989ed124dabb987aec16869ce2">Como o testemunho em folhas soltas (b) não foi localizado nos diversos acervos consultados, optamos por editar os textos do jornal (testemunho A) e cotejamos esse testemunho com a primeira e segunda versões em livro, testemunhos B e C, respectivamente.</p>
        <p id="paragraph-4debb104c17dc009a3284f04080fe4c3">O primeiro cuidado foi localizar os folhetins no jornal. O principal problema foi a localização do folhetim <italic id="italic-6f504a590f28aba3b3b41b091b946c70">Dilettanti, </italic>pois não foi publicado como os demais. Em função da ordem do testemunho B, penúltimo folhetim na versão em livro, a busca concentrou-se no ano de 1878, levando-nos por muito tempo a imaginar que estava perdido. A reviravolta folhetinesca fez-se presente quando ampliamos o nosso olhar aos demais colaboradores da <italic id="italic-edb1400fc9f38e256e49473811442bb2">Gazeta de Noticias. </italic>Tralgadabas é quem publica, em 29 de julho de 1877, o texto dentro de sua crônica semanal chamada <italic id="italic-847b8ef324ac06402125812c709e0449">Ao acaso. </italic>Pela data recuada, em relação aos demais, <italic id="italic-3dc07f76ec49b88d04817add4960d6f9">Dilettanti </italic>é o primeiro texto de França Junior, sob o rótulo <italic id="italic-4244c3cdabaa4327da77af2c8d33fd37">folhetim. </italic>Até então esse autor havia colaborado nesse jornal apenas na seção <italic id="italic-5cfc1921f111c907e513f6bad098d23e">Corso Litterario, </italic>no dia 25 de julho de 1877<italic id="italic-dee9441eb5f07c8b48b30b2bab360ca4">. </italic>É possível que suas “notas” sobre os diletantes tenham, no rodapé, ganhado a projeção que faltava ao cronista cujo estilo já era conhecido por sua colaboração no jornal <italic id="italic-649d516b621141f632a4760b86e1ada7">Correio Mercantil.<italic id="italic-419627ef6c4476c178dd676a4134d1c5"/></italic></p>
        <p id="paragraph-ed255b39eaff123445db6df4dd6a18e9">Além disso, nem todos os textos publicados na <italic id="italic-8de41e0f692bed37bb61d52d10f16946">Gazeta de Noticias </italic>foram incluídos na primeira edição de <italic id="italic-be2cee817bb21093146b23244304d4f8">Folhetins, </italic>permanecendo inéditos em formato de livro. Foi o que aconteceu com os folhetins <italic id="italic-abbd84c6d1771bda64edfb74a0d540ad">Carnaval </italic>e <italic id="italic-cfacbc8570f225cb6c42d4dff7f5f9aa">Rapazes, </italic>sem contar os folhetins sobre a viagem à França desse autor. Nota-se ainda que alguns títulos foram alterados. É o caso da crônica inicialmente identificada pela data e que passa a ser na versão em livro intitulada de <italic id="italic-9c656ea524d7050bd7b8a4168af7a391">Massantes</italic>, para se ajustar aos demais títulos<italic id="italic-acdf2cc8956d2ff93625e3576159ed26">. </italic>Para a edição dos folhetins de França Junior, respeitamos os títulos apresentados no jornal e a ordem de publicação.</p>
        <p id="paragraph-4d43d0dfbd7422932baac426af26266b">Definidos os textos que seriam editados, tornou-se necessário adotar um tipo de edição, a fim de estabelecer de forma coerente os textos de França Junior. Adotamos a <italic id="italic-a354ca819bfb28e7d92461a1bb8ebe70">edição diplomático-interpretativa </italic>com o aparato crítico-textual, porque, para além dos objetivos propedêuticos de construção de <italic id="italic-f7151b114388aa8415109526fc2f5d06">corpora</italic>, confiáveis quanto à forma, reconhecemos ser necessário aos futuros <italic id="italic-cd969ea7b901129625fa94689a4614f1">pesquisadores</italic>-<italic id="italic-028188484ef61424946aba2c7ad65e74">usuários </italic>de nossos materiais editados, ter acesso a comentários que lhes ajudem a compreender valores contextuais de certos usos pretéritos ou mesmo dimensionar certos dados modificados de um testemunho a outro.</p>
        <p id="paragraph-e9260b0aeaf7a4428aa68d3e475c471a">A edição diplomático-interpretativa procura reproduzir o modelo com fidelidade, mas realiza pequenas intervenções, a fim de decodificar algumas informações para o leitor, como inserção ou supressão de elementos por conjectura, o desenvolvimento de abreviaturas, ou ainda inclusão de notas resgatando informações sócio-históricas da obra e de seu suporte.</p>
        <p id="paragraph-d954d576f2c14708699bf54457c45ab2">Tomamos ainda o cuidado de indicar em nota todas as variantes entre os testemunhos (A, B e C), através do <italic id="italic-952b2bdd5c1e843c0bce16bd57d44d63">aparato crítico</italic>. O aparato crítico é a organização de instrumentos necessários para a realização de uma edição. Segundo BECLUA (1983: 147), é composto pelo conjunto de variantes e por notas introduzidas pelo editor para justificar determinada escolha.</p>
        <p id="paragraph-b86d5713a825742950c30b69c97ffa1e">Reforçamos mais uma vez as vantagens desse tipo de edição: preservar o testemunho mais antigo para que outros leitores/pesquisadores tenham acesso ao texto em melhores condições de estudo. O resultado foi a recuperação de textos que repercutiram na sociedade fluminense oitocentista e que merecem atenção, não apenas da linguística histórica, mas também da literatura brasileira.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-dea18ce9fcee6cab46da9b87c42210b1">
      <title>Conclusão</title>
      <p id="paragraph-1">Procuramos dimensionar a contribuição do rótulo <italic id="italic-847ea90b4a575d065cdf3a5cc5f60d33">folhetim </italic>para a difusão textos literários brasileiros<italic id="italic-0d833e8e43399e8abded47c33dfab802">. </italic>Verificamos que a adoção desse rótulo proporcionou a regularidade e aumentou a quantidade de publicações literárias.</p>
      <p id="paragraph-843d9cb17d8302bc4df0496a61e0eef3">Observamos o perfil de autores brasileiros nessa prática. São essencialmente cronistas, que encontraram na crônica e sob o rótulo <italic id="italic-b58c7cc5445c36623b05a5c9cc3f7efa">folhetim </italic>a melhor estratégia para pensar a sociedade fluminense, tanto no que diz respeito a aspectos sociais e políticos, quanto à própria identidade literária brasileira. França Junior é um bom exemplo da presença brasileira no rodapé. Através de crônicas semanais no jornal <italic id="italic-ff37f10ec22d1926e1c9e493b63b50ee">Gazeta de Noticias, </italic>o autor descrevia de forma cômica os tipos da sociedade fluminense oitocentista, tornando-se um modelo para outros folhetinistas.</p>
      <p id="paragraph-044a0f7f050e0b13d64a22e1f9b35865">Por fim, fica evidente, ao longo do texto, o uso dos instrumentos filológicos para reestabelecer as crônicas de França Junior. Nessa tarefa, procuramos adotar uma edição diplomático-interpretativa a fim de garantir aos leitores um texto mais próximo possível do testemunho mais antigo. No entanto, todo o percurso envolvendo o estudo dos jornais também faz parte do expediente filológico, uma vez que potencializa as possíveis intervenções desse tipo de edição.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-d3d6854258f166995b4e45178513af31">
      <title>Referências</title>
      <p id="paragraph-8d8eb6b32771a5384c788c2890026b7d">BARBOSA, Afranio G. <bold id="bold-b08166e172bf308913e40876a142115b">Linguística de corpus</bold>: metodologias para a História do Português brasileiro. IX Seminário Nacional do Projeto Para a História do Português Brasileiro (PHPB) - UFAL/FALE/PGLL, Maceió. 2013. Outubro.</p>
      <p id="paragraph-0ca75d93865b2cbb973ec2f35a0ab072">BECLUA, Alberto. <bold id="bold-2">Manual de crítica textual</bold><italic id="italic-f85e6f5c96e0a2568372eff5bf564bcd">. </italic>Madrid. Editorial Castalia, 1983.</p>
      <p id="paragraph-341200410ae81f17761f26dc97eecc35">BLAKE, Augusto Victorino Alves Sacramento. <bold id="bold-5db5f3aec13e76fc58f9d45e57d8dabd">Diccionario Bibliographico Brazileiro. </bold>Rio de Janeiro. Typographia Nacional, 1883.</p>
      <p id="paragraph-f8789c2e40347e4b4762b715d09ca4bf">LIMA, Alexandre Xavier. <bold id="bold-90723a5eb06a46cd122b64e5eca42bb5">Crítica Textual e Corpora para a Linguística Histórica</bold><italic id="italic-627c2e60fdb850aacd04dfbedbeae7cb">: </italic>Padrões Ortográficos Oitocentistas em Folhetins (crônicas) e França Junior. 2010. 329 f. Dissertação (Mestrado em Língua Portuguesa) – Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010.</p>
      <p id="paragraph-3c4ef9afb721c8433b91834e241c50c4">_____<underline id="underline-9ff4afb477c73d74e7907e50c63e6928"> </underline>. <bold id="bold-3">Descrição da ortografia portuguesa</bold>: a inserção do princípio etimológico na prescrição e na prática gráficas oitocentistas<italic id="italic-9c90e6a46d7e1f077674010148d8902f">. </italic>2014. 524f. Tese (doutorado em Língua Portuguesa) – Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2014.</p>
      <p id="paragraph-81ed009d336e1830e504fc8bdf7c8fa8">MEYER, Marlyse. <bold id="bold-4">Folhetim: uma história</bold>. São Paulo. Companhia das Letras, 1996.</p>
      <p id="paragraph-ffd42842561d127e3c0b1af4e5ac5002">SILVA, Antonio de Moraes e. <bold id="bold-5">Diccionario da Lingua Portugueza</bold>. Lisboa. Typographia Lacérdina, 1813.</p>
      <p id="paragraph-10">SODRÉ, Nelson Werneck. <bold id="bold-6">A história da Imprensa no Brasil</bold>. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira, 1966.</p>
      <p id="paragraph-9041f247bedb90e2d45b703306ec3d90" />
      <p id="paragraph-13">Recebido em 30/09/2016 e aceito em 06/12/2016.</p>
    </sec>
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    <fn-group>
      <fn id="footnote-3a40a2ffdb13343836b5443234b76530">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-c894312852e0d9c40b7d869b1cf3c6e9">A primeira novela brasileira, <italic id="italic-e0373d641244ca39772f5f2e22efe8a3">Olaya e Julio ou A Piriquita</italic>, é de 1830, publicada na Revista O Beija- Flor (1830), data anterior à adoção do rótulo <italic id="italic-2fc590a18c973bd3d236e650adfa92b4">folhetim</italic>. Há uma edição disponível no site <ext-link id="external-link-a94e6296773780aa8ce65b18d58523ea" xlink:href="http://www/">www.</ext-link> letras.ufrj.br/folhetim.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-b37a2162a9cee5ae33c82102cc7fc2a6">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-36f742737f279850c694c76b869c00ab">No <italic id="italic-7b81ef5f65385ef4101483a0cecf28ee">Jornal do Commercio</italic>, a seção <italic id="italic-092dc6252eb229e2273a938e0685a381">Variedade </italic>já existia pelo menos desde 1833. No <italic id="italic-98b4989bf3ca15b05be9ba4cdd4ac42b">Diario do Rio <italic id="italic-95b82985807a79b158bc35cf67eb86e8"/></italic><italic id="italic-943e363ef50fbe61d6f59b6ec825d45e">de Janeiro </italic>havia a seção <italic id="italic-a781781cf02b21563254933fc9ccff5c">Appendice </italic>com a mesma funcionalidade (22/01/1841), muito embora já publicasse artigos literários, fora do rodapé, na seção <italic id="italic-c0319a2b3ee6c303e9fd01615a3b179a">Variedade</italic>, desde janeiro de 1839. Antes desse período, publicou esporadicamente poesias sem vinculação às seções do jornal.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-f4369c1f968e59f9a20dccdc4c3b5b33">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-962a7dd105295ac3875a3721fd7bfcb1">A parte do jornal em que consta o autor está ilegível. Por conjectura, acredita-se que seja Emilio Germon, médico francês, residente no Brasil. Colaborou nesse período com artigos sobre botânica. Nessa crônica, explica-se a origem da tradição de se presentear as pessoas no mês de janeiro.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-b387ae67d60b44a476fcad5f20518442">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-df717dee0825f1bc3a9ffb4a3cb11956">Joaquim José da França Junior nasceu no Rio de Janeiro em 18 de abril de 1838 e faleceu em Poços de Caldas no dia 27 de novembro de 1890. Importante teatrólogo e colaborador dos principais periódicos nas últimas décadas do séc. XIX.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-8a23f111987653584ef3fe709b82ef75">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-3a3906b312f4a97e5edebad92ea806a8">Seção do jornal que resumia as informações mais relevantes de cada jornal publicado.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-69de6d0c4e49539ff1f0a602596e75b8">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-e167cb703bc39b6b6de27ece8a0de9f9">Pseudônimo de Joaquim Maria Serra Sobrinho, também folhetinista da <italic id="italic-7cdcefe7e7fb153cc3cfe74be06efa18">Gazeta de Noticias.</italic></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-7449c2476c81f9d10ef69eeea895b297">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-0f8b19225ebd7a5e751270ff0f139e97">Pseudônimo de França Junior no <italic id="italic-4890e1eaefc92deea8fd5c843a93fde3">Correio Mercantil </italic>entre 1867 e 1868.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-b25f3015f6d5c8cf0689fbe67b8212de">
        <label>8</label>
        <p id="paragraph-eb8c025b087d99a43eb14002b3f96617">Um dos muitos pseudônimos de José do Patrocínio.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-45c43a40c7f8a1855a02d5867e15b0f6">
        <label>9</label>
        <p id="paragraph-a8a2643ff718d6d0804cff47120af18b">Jornal escrito em inglês e publicado no Rio de Janeiro.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-d9794b535a8f95b1e879b516a2f8fec0">
        <label>10</label>
        <p id="paragraph-b326fedb76e03348dfe9f54d8cdc5a25">Sob o título <italic id="italic-f98033a52900179eddfc31764888de04">Scenas do Rio.<italic id="italic-7bb6a391f3807b41576acbdf1ba0127a"/></italic></p>
      </fn>
    </fn-group>
  </back>
</article>