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        <article-title>INTERPRETAÇÃO DE SENTENÇAS COPULARES COM APARENTE FALTA DE CONCORDÂNCIA</article-title>
        <subtitle>UMA ANÁLISE ATRAVÉS DE CONCORDÂNCIA DE GÊNERO SEMÂNTICO</subtitle>
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            <given-names>Luana de</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Paraná (UFPR)</institution>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="01/04/2016" />
      <volume>15</volume>
      <issue>1</issue>
      <issue-title>INTERPRETAÇÃO DE SENTENÇAS COPULARES COM APARENTE FALTA DE CONCORDÂNCIA: UMA ANáLISE ATRAVÉS DE CONCORDÂNCIA DE GÊNERO SEMÂNTICO</issue-title>
      <fpage>161</fpage>
      <lpage>193</lpage>
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        <date date-type="accepted" iso-8601-date="13/11/2015" />
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-1">Este artigo trata de sentenças copulares cuja concordância entre sujeito e adjetivo predicativo frustra a expectativa padrão do Português Brasileiro. Sentenças como ‘Mulher é complicado’ despertam também uma questão a respeito do significado de seu sujeito, cuja interpretação aponta para situações e eventualidades apesar da característica nominal desses sujeitos. Este trabalho apresenta inúmeros dados relevantes para o tema, traz a resenha do trabalho de Josefsson (2009), um estudo que aborda sentenças análogas a essas no sueco, e avalia as consequências de se aplicar essa análise ao PB. A abordagem de Josefsson (2009) entende que o sujeito da cópula é de caráter oracional, que seu verbo é uma espécie de verbo leve nulo e que o sintagma realizado é o objeto dessa oração oculta. Mostramos que tal análise não se sustenta diante dos dados, devido especialmente ao fato de que os pronomes pessoais figuram nessas construções no caso nominativo –ao contrário da previsão de não nominativo da autora. Apesar de não trazer uma análise definitiva, este artigo contribui levantando propriedades da construção que devem ser contempladas para uma explicação ampla do fenômeno em questão.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-3d1cd037bd7c530d011335d6324c4fff">
          <italic id="italic-a3d4a05e05ac59ccbe914fa3ad7bc29e">This paper focus on copular sentences whose agreement between subject and predicative adjective does not correspond to what is usually expected for Brazilian Portuguese. Sentences like ‘Mulher é complicado’ also rise a question about the meaning of its subject, whose interpretation points to situations and eventualities, despite its nominal character. This work shows some interesting data, brings a short review on Josefsson (2009), a study concerning analogous sentences in Swedish, and evaluates what are the consequences of this analysis for <italic id="italic-176c19425870e320fba13602f782957f">BP data. Josefsson (2009)’s approach suggests that the copular subject is clausal, its verb is a null light verb and the pronounced phrase is the object of the hidden clause. We show this analysis does not hold for BP data, especially because personal pronouns appear in this construction in the nominative case – the opposite of Josefsson (2009)’s prediction that it should be non-nominative. Despite we do not have a definite analysis, this paper contributes raising some properties of this construction that should be accounted for in order to give a proper explanation of the phenomenon in question.</italic></italic>
        </p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-a630d1362573fff9c9237bde914533b5">Concordância</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-47774848498c55f392b9944b280b2ebc">Cópula</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-d94d234648e66e057858ac44b28da579">Concordância semântica</italic>
        </kwd>
      </kwd-group>
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    <sec id="heading-c2827e61dd1ee3cfdf623395630ff04f">
      <title>Introdução</title>
      <fig id="figure-panel-ccc19a767602f3e43fd850ad46738330">
        <label>Figure 1</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-6f67fcf7583bd6a4edf98ca097848777">
            <xref id="xref-642020748d8c2c8e7aca4c89b990ebbc" ref-type="fn" rid="footnote-65daf393f008d455ee92f78b8b9595d2 footnote-609a84f85446fed6e7db624f3c9d4d37">1,2</xref>
          </p>
        </caption>
        <graphic id="graphic-9d52bb45c7f5960917c4ceddd0937f56" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-18_14-26-20.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-4b422b412315de030c28fd8796aa399e">Na primeira seção, serão expostos alguns fatos concernentes a esse fenômeno, dialogando com propostas que já trataram desses dados.</p>
      <p id="heading-a4db0186db201826ef4a91b749676a4c">É importante mencionar que nossos exemplos são todos de sujeitos com núcleo nominal de gênero inerente feminino<xref id="xref-10e212996d6f32c1d1c112ac5fc09ec3" ref-type="fn" rid="footnote-4b22e883a672355df574142e1ec442df">3</xref>, que condicionaria a presença da marcação de gênero em adjetivos e artigos a ele relacionados. Isso se faz necessário porque as sentenças com sujeitos cujo nome tem gênero não marcado não esclarecem se o traço não marcado do adjetivo vem gratuitamente da concordância com o sujeito propriamente ou é uma característica própria da construção. São justamente esses casos como ‘água mineral’ que nos permitem julgar se a concordância está ocorrendo de maneira padrão ou se há incongruência entre o gênero do sujeito e o gênero do adjetivo. Outra possibilidade seria explorar também sujeitos no plural combinados com adjetivos predicativos no singular, o que de fato é bem aceito em PB como veremos logo abaixo. No entanto, evitamos esses casos por entendermos que há algum estranhamento em nominais nus no plural usados em contexto informal, um fenômeno linguístico em processo de mudança que não exploraremos neste trabalho, mas que julgamos por bem neutralizar.</p>
      <p id="paragraph-2">Em seguida, apresentaremos a análise de Josefsson (2009) para o que a autora chama de <italic id="italic-71edb6b8c8d8f7f3d9c769307b5410f5">pancake sentences </italic>do sueco, uma construção bastante semelhante à que discutimos aqui. Entendemos que há uma vasta literatura acerca de gênero que pode ser levada em conta, mas optamos por avaliar especificamente a proposta de Josefsson porque ela aborda dados similares aos nossos e pode assim revelar características da construção para as quais não havíamos atentado antes.</p>
      <p id="paragraph-4">Por fim, aplicamos ao português brasileiro a análise de Josefsson (2009) apontando sua cobertura e suas limitações.</p>
      <p id="paragraph-6">Na última seção, traçamos as considerações finais expondo os avanços e as questões que ainda devem ser explicadas.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-42d6e3ab156ac3cd6025c6dfd39fba4a">
      <title>1. Sentenças copulares do PB com aparente discordância de gênero</title>
      <p id="paragraph-1">O que deve ser observado em primeiro lugar acerca das sentenças em questão é que a concordância entre o sujeito e o predicativo do sujeito não é a esperada, posto que em (1) acima o sintagma nominal água mineral condicionaria a marca de feminino singular no adjetivo <italic id="italic-d25b2fd29f3e77fd641d62908d968ed4">bom</italic>, o que não ocorre. Essa situação atípica é o primeiro fato linguístico que move o estudo de sentenças desse tipo; analisá-la como não- concordância ou concordância neutra já se coloca como uma das tarefas pertinentes a uma abordagem desse fenômeno. Por ora nos referiremos a esse fenômeno apenas como concordância não marcada, conforme o ponto de vista de Martin (1975), que considerava que há em português uma distinção entre formas marcadas (as ditas femininas) e não marcada (as ditas masculinas).</p>
      <p id="paragraph-a0f8072d9299e0dbd6483fe744afddc8">Além disso, é importante ressaltar que a interpretação dada à sentença (1) está direcionada para um uso específico da água mineral, pois, como releva o contexto de onde esse dado foi extraído, o relevante é enxaguar os cabelos com água mineral. Dessa maneira, a interpretação semântica dessa sentença deve dar conta de interpretar água mineral não com sua denotação usual de nome comum, isto é, denotando um conjunto de indivíduos que partilham certa propriedade, mas com uma ação/evento/ situação subjacente. O cálculo semântico deve levar em conta, ainda que trata-se de uma ação específica, o enxágue, em detrimento de outras possíveis, como beber água mineral, por exemplo.</p>
      <p id="paragraph-6c39940791d1255bb36840b2e58e4fd1">Dentre essas duas questões levantadas, preocupa-nos especialmente a segunda, isto é, a interpretação semântica que está ligada a esses DPs sem concordância do predicativo. É importante ressaltar que não nos interessa a interpretação de nomes deverbais, que por si já têm uma tendência a denotar eventos; nomes como <italic id="italic-2">explosão, caminhada, fritura</italic>, <italic id="italic-3">nascimento </italic>e <italic id="italic-4">assassinato </italic>são exemplos de nomes que naturalmente se associam a eventos dadas as informações lexicais que trazem, e poderíamos dizer que sua leitura eventiva é trivial. Focamos aqui em nomes a que não associaríamos <italic id="italic-2f95f93925b2fbd69061abdffafcadeb">a priori </italic>a nenhum tipo de ação, evento ou situação, como é o caso de água mineral em (1). Esta questão se mostra deveras relevante uma vez que não é esperado desse tipo de nomes comuns que denotem uma ação/evento/situação.</p>
      <p id="paragraph-cb7d08f63e1be2616282fde66569e45c">Para ampliar a percepção desse objeto, abaixo serão elencados e comentados mais exemplos dessa construção, todos com sujeito de gênero marcado e adjetivo predicativo na forma não marcada.</p>
      <p id="paragraph-c51df1cac9c21eae3e7f859d60a317d1">.</p>
      <p id="paragraph-6c03ced5a25bc81f8047254bdadafce6">(2) Água é bom para a saúde.</p>
      <p id="paragraph-7a40fdbc18d6cf3f1788fc70ba4202eb">(3) Coca-cola é perigoso.</p>
      <p id="paragraph-8">(4) Crianças é divertido/cansativo.</p>
      <p id="paragraph-10">(5) Alunas que bebem é cansativo.<xref id="xref-94d793c39e872d63cac69194665cad1a" ref-type="fn" rid="footnote-9688322b4a6a5f67d88871f5946024c2">4</xref></p>
      <p id="paragraph-12">(6) Água está caro, Coca-cola está barato.</p>
      <p id="paragraph-14">(7) Água de coco é bom para a pele, saúde e cabelos.</p>
      <p id="paragraph-16">(8) Água encanada era raro naquela época.</p>
      <p id="paragraph-18">(9) Passagem de avião já foi caro.</p>
      <p id="paragraph-0421b0ae6b2b75659cf7deb7b849c74b">.</p>
      <p id="paragraph-20">Os exemplos acima demonstram não só que a construção é produtiva, mas também que podemos lidar com contextos um pouco mais variados do que a sentença no presente. Os exemplos de (2) a (4) são prototípicos dessa construção e expõem o problema da concordância, uma vez que os respectivos sujeitos são marcados quanto ao gênero ou plural e o adjetivo predicativo se mantém na forma não marcada.</p>
      <p id="paragraph-1f1762964f43d68a319926c50efc32c1">A sentença em (5) nos mostra que, apesar de a concordância entre o sujeito e seu predicativo não ser a esperada, a concordância interna deste DP funciona perfeitamente, como fica evidente no plural marcado no verbo da oração subordinada.</p>
      <p id="paragraph-3">(6) revela que o verbo <italic id="italic-565b03780a180d33e338b572a4ac24c4">ser </italic>não é o único a figurar em construções desse tipo, pois vemos aqui o verbo <italic id="italic-2477184129c631822f3d51ce1ed6cc21">estar </italic>igualmente relacionando o sujeito feminino singular a um predicativo não-marcado.</p>
      <p id="paragraph-bcd0a4b107aff851b626b6c39d237e7c">Já (7), posta lado a lado com (1), deixa claro um aspecto muito importante para a semântica dessas construções: a imprevisibilidade da ação/evento/situação subjacente. Parece razoável ponderar que água mineral e água de coco sejam nomes comuns do mesmo campo semântico; no entanto, a interpretação subjacente não é a mesma. O contexto de (7) sugere que se beba água de coco, enquanto que beber água mineral em (1) não levaria ao resultado esperado. Esse par de sentenças nos mostra que, para delimitar a ação/evento/situação subjacente, não se pode ignorar as informações pragmáticas envolvidas. Dessa maneira, o contexto parece ser um fator de interferência significante na interpretação dessas construções.</p>
      <p id="paragraph-5">As sentenças em (8) e (9) contêm verbos no tempo passado, contrapondo-se à construção padrão com o presente. Vemos também que é possível aplicar a oposição aspectual de perfectividade e imperfectividade sem afetar o modo como os DPs são interpretados.</p>
      <p id="paragraph-7a944c1044a1b59e49922c000e1cb0eb">O grupo de exemplos a seguir problematiza o tipo de DP que pode ocorrer nessas construções. Em princípio, as sentenças de (1) a (9) poderiam nos levar a concluir que essas construções sejam restritas a nominais nus. Porém, as sentenças abaixo demonstram que esse seria um equívoco.</p>
      <p id="paragraph-7">.</p>
      <p id="paragraph-473f40cdebd28fa6a95b79f85a061df2">(10) Essa saia curta vai ser ótimo no verão.</p>
      <p id="paragraph-ab732b9d3d062c543e052b33493b4f89">(11) Uma cerveja é pouco, muita cerveja é bom.<xref id="xref-ce30c9cdc7abaf196f4be8365033346c" ref-type="fn" rid="footnote-f27f3e101287d5da76424586968f4e99">5</xref></p>
      <p id="paragraph-475a5588ba77a7124136cb778e9edfbc">(12) Uma mulher é monótono; duas mulheres é bom; já três mulheres é arriscado.</p>
      <p id="paragraph-8a5ba975f1880cec725c12d153a9c497"> .</p>
      <p id="paragraph-a03e58fe07504c0678515a6d43b7d938">A sentença (10) tem como sujeito um DP com pronome demonstrativo, portanto um DP determinado. Tal fato se opõe às ocorrências com nominais nus elencadas acima. É interessante notar novamente que o adjetivo predicativo não se aplica aos indivíduos denotados por <italic id="italic-990c96de31bbdc2f470be7de8b9bfe61">saia</italic>, posto que a condição ótima da saia em si não seria diferente no verão ou no inverno; o que será ótimo no verão será usar a saia e desfrutar das possibilidades (de arejamento) que isso permite.</p>
      <p id="paragraph-67642efce38b52863e64d21d39b183d1">Quantificação e cardinalidade são possíveis de ocorrer, a exemplo de (11) e (12) respectivamente. É necessário, contudo, observar se essas operações têm influência na determinação da ação/evento/situação subjacente. Se comparamos (12) a (13) abaixo, cujo sujeito é um nominal nu, há uma diferença quanto à leitura subjacente:</p>
      <p id="paragraph-b10aef31d41f7ff8a864e0d9d1eef78f"> .</p>
      <p id="paragraph-f5be892f91f81e06f7dbfa4dfca44326">(13) Mulher é complicado.<xref id="xref-3ba4fd5502256b33bdd31839bc74df7b" ref-type="fn" rid="footnote-8bab21ba7bfa84b11fdfb35e212138d8">6</xref></p>
      <p id="paragraph-9"> .</p>
      <p id="paragraph-d7f86b2a9e1b8c74fa542c815e40c054">Enquanto (11) sugere um relacionamento (“relacionar-se com uma mulher”, “ter uma, duas ou três mulheres”), (13) atua de modo mais abrangente na delimitação das leituras subjacentes possíveis (“conviver com mulher”, “lidar com mulher” ou até “ser mulher”). Nesse momento, devemos lembrar que o adjetivo pode exercer alguma seleção, interagir com a leitura subjacente. No entanto, o pareamento entre (13) e (14) contém o mesmo adjetivo e o mesmo nome:</p>
      <p id="paragraph-11"> .</p>
      <p id="paragraph-88c9765302dfa627f8f5520a3301a78f">(14) Três mulheres é complicado.</p>
      <p id="paragraph-e9d8c829b6f0019b13b9c6393bd0c959">.</p>
      <p id="paragraph-b365c2f6239a77926f797181a5480187">A interpretação de (14) pode estar associada a “ter três mulheres” mas também a “conviver com três mulheres”, de tal modo que, ao mesmo tempo que se distancia da interpretação de (13), também se aproxima.</p>
      <p id="paragraph-386a3e5846d8198b144cea92b03c831d">Outra questão levantada diz respeito à possibilidade de ocorrência de anáfora ligada ao DP sujeito:</p>
      <p id="paragraph-2cd6a78567f454e0d3bd5e307134bb62">.</p>
      <p id="paragraph-76e9768032bde2cf919d9c226fb49376">(15) Mulher<sub id="subscript-f007340ced841e63ab5d4be069f4bc3e">i</sub> é complicado porque (ela)<sub id="subscript-0503987be4fadd298744f077fb7138b9">i</sub> fica querendo ir embora.<xref id="xref-99d383c1df5846c395ec3dc5b8c3c6c3" ref-type="fn" rid="footnote-791ba6d4cd550fc93369bd0f30df5db2">7</xref></p>
      <p id="paragraph-982a3f51b9e0d29ed5174d64a3a7a9e8"> .</p>
      <p id="paragraph-603fd1f48dd08f2d636d3e6f01042f2f">Esse dado, de certa forma, põe em xeque a possibilidade de que o DP tivesse tipo semântico de predicado, já que a anáfora se aplicaria individualmente a cada mulher, como evidencia a concordância de gênero e número possível com <italic id="italic-950e5cde59dd68e0b31d3623a2315d99">ela</italic>.</p>
      <p id="paragraph-fc42d431605a95fc41933bc2c286121b">Um último ponto a ser levado em conta trata da ordem dos termos da sentença. Quando o sujeito se coloca à direita, há uma forte tendência de que surja um infinitivo, explicitando a leitura subjacente prevista na ordem canônica.</p>
      <p id="paragraph-fd742ede8d4afbf9894b289220d9aae2">.</p>
      <p id="paragraph-035e63d25b507e8535df62ea12a405f3">(16) #É complicado mulher.<xref id="xref-01a8f0971152d6fb224cc4159be9f43a" ref-type="fn" rid="footnote-10d406ec6039020e8f99afeacb978b5c">8</xref></p>
      <p id="paragraph-46d6fb099096873f638742da4ef00fe2">(17) É complicado conviver com mulher.</p>
      <p id="paragraph-13">(18) É complicado três mulheres.</p>
      <p id="paragraph-15">(19) É complicado ter três mulheres.</p>
      <p id="paragraph-f1fd59e8afc7d7503799e49422e21587">.</p>
      <p id="paragraph-7d1b5930a20c5416c18750466dd57ecd">As sentenças acima nos mostram que pode haver alguma analogia com a construção em que o infinitivo está presente, mas ainda não é possível compreender exatamente que fator está atuando para definir a aceitação de (17-19) em detrimento de (16). Naturalmente, as poucas sentenças expostas são intrigantes, mas serão necessárias mais sentenças com inversão de ordem para se chegar a uma análise mais consistente.</p>
      <p id="paragraph-3acbc3420d201d5da02b023b98697503">Mezari (2013, p. 69-71) aponta para uma sensível distinção entre as subclasses de adjetivos que ocorrem nessa construção. Para ela, há uma diferença entre adjetivos que se aplicam apenas a indivíduos e adjetivos que se aplicam a indivíduos e também a eventos/situações, de modo que os primeiros são sensíveis à morfologia de gênero, tornando agramatical uma sentença que contiver um sujeito feminino e um adjetivo aplicável somente a indivíduos no feminino. Vejamos os exemplos seguintes – adaptados a partir de Mezari (2013, p. 71) – para compreender melhor a questão.</p>
      <p id="paragraph-f80c395cc8bad13da1c2b2c235eab2a7"> .</p>
      <p id="paragraph-731498e5f44ab70744dc24f23acf7ed8">(20) A Maria é engraçada/divertida.</p>
      <p id="paragraph-0143c8f68555284264e54efcb6032fa6">(21) Andar de bicicleta é engraçado/divertido.</p>
      <p id="paragraph-b4a8c281ec83ba992b11529adb36073b">(22) O João é vaidoso/medroso/alto.</p>
      <p id="paragraph-8181db15e86cb0f71c12b114afb7516e">(23) *Andar de bicicleta é vaidoso/medroso/alto.</p>
      <p id="paragraph-6b92d9ebde958d0882263a0219374c89">(24) Essa situação é engraçada/divertida.</p>
      <p id="paragraph-2290ce4e56e2205f7dd3c0eda068b9f5">(25) *Essa situação é vaidosa/medrosa/alta.</p>
      <p id="paragraph-5c48fd97328d9ad621fca72da63d89fe">.</p>
      <p id="paragraph-88ce3776af7378087609090b2c340c03">Os adjetivos <italic id="italic-4eca6b29e88d0ff5ec0d3f98a27640c2">engraçado </italic>e <italic id="italic-234f0a48ad68035dbe37310f30daba2f">divertido </italic>são compatíveis tanto com indivíduos, em (20), quanto com uma situação, em (21) e (24). Nas sentenças agramaticais em (23) e (25), temos os adjetivos <italic id="italic-581427cceac6b3b8cd2075f1d3c47e7b">vaidoso</italic>, <italic id="italic-f9c3be40fcd1d2b70973ef012e7cf1bf">medroso<italic id="italic-14966ce5b271124c85fd8b1de85a76ee"/></italic></p>
      <p id="paragraph-a2d067e342c2c947422db5ddb266d0a0">e <italic id="italic-be136c31e14278cae0c5b84d6197b583">alto </italic>combinados com nomes referentes a situações, enquanto que em</p>
      <p id="paragraph-49de44e22893e9a37341189c3669a554">(22) esses adjetivos são perfeitamente aceitáveis com um sujeito cujo referente é um indivíduo. Essa divisão reflete a própria natureza de significado desses adjetivos: <italic id="italic-5">vaidoso</italic>, <italic id="italic-6">medroso </italic>e <italic id="italic-7">alto </italic>são propriedades que não podem ser direcionadas a situações e eventos; já <italic id="italic-8">engraçado </italic>e <italic id="italic-9">divertido </italic>são propriedades que podem ser observadas tanto em situações e eventos quanto em indivíduos.</p>
      <p id="paragraph-51d59d01fa8d122f91bdaabf1649c72b">Essa divisão se sustenta mesmo quando a testamos com sujeitos nominais nus, salvo o fato de que focamos agora na interpretação desses sujeitos como indivíduos ou como situações.</p>
      <p id="paragraph-b7ef2012c02be563f689a88304ea654c"> .</p>
      <p id="paragraph-d116db4a9c9d293a43d98523c547ba02">(26) Mulher é engraçada/divertida.</p>
      <p id="paragraph-1fb676dcdf9259d4525f2c38925c51a5">(27) Mulher é engraçado/divertido.</p>
      <p id="paragraph-1b5d8692ec79353ffe7e8f85de493f86">(28) Mulher é vaidosa/medrosa/alta.</p>
      <p id="paragraph-7956da86b1ee3147b8f54b304edd94ef">(29) *Mulher é vaidoso/medroso/alto.</p>
      <p id="paragraph-b4079b62197f7b504dfc4e587f43b502"> .</p>
      <p id="paragraph-f3f04501839789e5eb07c3437f65af00">Mezari (2013, p. 71) entende que, quando o adjetivo aparece com morfologia de feminino ((26) e (28)), ele predica do referente propriamente e, quando a morfologia é não marcada ((27) e (29)), ele predica de uma situação, pois há uma diferença de interpretação entre (26) e (27), sendo que na primeira a propriedade se aplica a mulheres em geral e na segunda a propriedade se aplica a alguma situação contextualmente definida envolvendo mulher.</p>
      <p id="paragraph-518827adba6c7eedbb4a0b42a82eb574">O trabalho de Mezari (2013) é importante também porque traz um experimento psicolinguístico que atesta que sentenças como (26), (27) e (28) têm aceitabilidade considerável pelos falantes e (29) é consideravelmente rejeitada, indicando a pertinência das subclasses desses adjetivos. Mesmo quando foi dada aos falantes a possibilidade de escolha entre o adjetivo com ou sem marcação de gênero, eles ainda preferem significativamente que adjetivos aplicáveis somente a indivíduos sejam flexionados de acordo com o sujeito, enquanto para adjetivos aplicáveis a indivíduos e situações a aceitação é considerável em contextos que induzem à interpretação de situação.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-1">
      <title>2. Uma proposta de concordância semântica</title>
      <p id="paragraph-721dab4e023eef1537fdcf773ec1c5c2">Josefsson (2009) aborda as chamadas <italic id="italic-49d26a9200fa9e4e19e473a7978f4e84">pancake sentences</italic>, que ocorrem em sueco e também em dinamarquês. Salva a diferença de que a marcação de gênero em sueco opõe neutro e comum – e não masculino vs. feminino ou marcado vs. não marcado –, a construção se assemelha muito às sentenças do PB descritas na seção anterior:</p>
      <fig id="figure-panel-a384ff233f30258ed4856f542209a09a">
        <label>Figure 2</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-bacf6d521e2d35f90a558d3b2af60176">
            <xref id="xref-581cf2db532830c4bde819233d8c2ebd" ref-type="fn" rid="footnote-b45f2635d1690d33ccb022bd8d24b75d">9</xref>
          </p>
        </caption>
        <graphic id="graphic-9a324245c6b1f967f0fcc88576efaac6" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-18_14-56-08.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-5262f4fd48677f6f34530d83003e0cca">Josefsson (2009, p. 36) entende que essas duas frases vêm de duas construções diferentes, construções essas que podem ser realizadas fonologicamente com a mesma particularidade na falta de concordância de gênero, as nominais (construção NOM) e as proposicionais (construção PROP). Segundo a autora, a distinção reside no fato de que apenas as últimas podem ser parafraseadas por infinitivo. Enquanto estas encodam uma leitura relacionada a um evento ou situação, as construções nominais têm leitura de massa.</p>
      <p id="paragraph-99325c03911f7f88cdeb0610635d8cc8">O exemplo (30) acima traz uma construção NOM, pois o predicado se aplica a mostarda massivamente. Já o exemplo seguinte (31) tem como leitura corrente ‘ter dois amantes’, portanto não uma leitura direcionada a cada um dos indivíduos amantes, mas uma leitura de evento que têm os dois indivíduos como argumento único, de modo que a propriedade não é distribuída. É importante ressaltar que a concordância canônica seria agramatical na construção NOM, enquanto na construção PROP desencadearia uma leitura diferente, direcionando o predicado do adjetivo para os indivíduos do DP, interpretando o predicado como uma característica que é atribuída a cada um deles, de maneira que cada um dos amantes é imoral por si só.</p>
      <p id="paragraph-2e12360f9c1c2367eae95d0e525b6180">Mais especificamente, a autora elenca quatro características que diferem essas construções (JOSEFSSON, 2009, p. 38): (i) a paráfrase com infinitivo está disponível apenas para construções PROP; (ii) a paráfrase com pronome expletivo <italic id="italic-d615c8ef77c6b731a45f457e35e7cb51">det </italic>+ sintagma preposicionado <italic id="italic-5fbfacaa82e6733d1462135fe047b924">med </italic>também se restringe às construções PROP; (iii) sujeitos definidos são agramaticais em construções NOM, enquanto são aceitos sob as devidas circunstâncias nas PROP; e (iv) o sujeito das construções NOM não aceita adjetivos atributivos, ao contrário das construções PROP.</p>
      <p id="paragraph-ffc8b000eba2b23cd73df718357f7b18">Quanto à sintaxe dessas construções, a autora argumenta que o sujeito em construções NOM contém um elemento pronominal nulo, com marcação [+neutro]:</p>
      <p id="paragraph-d589fbeeab78f641c1935bbf20f31bbc">.</p>
      <p id="paragraph-be3f0483d4737668e2681f1bba9fc748">(...) um sujeito DP ou SemP de uma sentença com construção NOM é gerado como argumento do adjetivo predicativo, e a concordância predicativa entre o adjetivo e esse sintagma é estabelecida de maneira canônica, a saber em uma configuração Spec-Núcleo no AP, como proposto por Chomsky (1995, p. 354).<xref id="xref-cd3e6b30de52e3bd2e42ba2e7cd10b2c" ref-type="fn" rid="footnote-d2c94e80d80355e0458a161345704165">10</xref> (JOSEFSSON, 2009, p. 40)</p>
      <p id="paragraph-20e947e05accd24f29bbe2685eeaff5e">.</p>
      <p id="paragraph-f5728f18fdd7830f1880f9b2da430e9b">A autora (JOSEFSSON, 2009, p. 43-45) observa as seguintes características na construção PROP:</p>
      <fig id="figure-panel-0c98a48f9d2881e05cca9c487a29fc02">
        <label>Figure 3</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-06801eb7ea54d8ef5fe69a7af649f7a8" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-e5962d539d0d77b508673e2c3c19a773" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-18_15-00-49.png" />
      </fig>
      <fig id="figure-panel-9a7c2ffbf82c1f397f5c988140289fb0">
        <label>Figure 4</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-0a190a69252a0b56a363bf8232be5847">
            <xref id="xref-61f889a768dec1186b8538213f1c60a5" ref-type="fn" rid="footnote-8263f2729a220baec5a529d1046b5143">11</xref>
          </p>
        </caption>
        <graphic id="graphic-79e02af5d27cd83147bf5cd1ee0fbdc9" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-18_15-02-58.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-c2ab073933912703ba3ff0c227eda9fe">Por conta dessas características, Josefsson (2009) analisa a construção PROP sem deleção do infinitivo, mas por meio da presença de um verbo que já é gerado nulo em vP. A autora demonstra ainda sua restrição em considerar que o elemento verbal oculto fosse um TP: mesmo considerando os infinitivos marcados como [-tense], as construções PROP não admitem advérbios mais baixos como a negação (JOSEFSSON, 2009, p. 48):</p>
      <fig id="figure-panel-58ddb0011f01ce56ac4a79ce6e5158e5">
        <label>Figure 5</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-6fa7c5a54f2885353a76ff81f59b2302" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-f2ff1b2ec017e393c091fc285022907e" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-18_15-04-27.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-7975f402f9660827d3935b975d5e4722"> Diante dessas evidências, ela entende que há um sujeito oculto dentro do sujeito da cópula e que há um atribuidor de caso ao DP objeto que é realizado fonologicamente. A autora postula um elemento verbal nulo – licenciado e identificado nos termos de Rizzi (1986) – que pode ser um verbo leve correspondente a um conceito básico ou especializado por outros elementos da oração, como veremos adiante.</p>
      <p id="paragraph-bd5df85ad844a541ab670e0ee07a6172">No entanto, a concordância entre o adjetivo predicativo no gênero neutro não se dá por relação direta com o vP, porque há incompatibilidade deste com o traço nominal de gênero do adjetivo. Essa é a razão pela qual a autora defende a existência de um núcleo funcional que domina vP e com quem o adjetivo concorda em gênero. O gênero neutro advém do fato de que a referência desse sujeito não é um nome comum e sim uma entidade não ligada. A atribuição de gênero a uma entidade não ligada está presente em trabalhos de Josefsson, em que a autora demonstra a existência de um quarto gênero em Sueco correspondente a substâncias ou entidades não ligadas (JOSEFSSON, 2006).</p>
      <p id="paragraph-e0737c42b9441809d37146d4858afc8e">Com isso, podemos estabelecer a diferença estrutural entre a construção NOM (JOSEFSSON, 2009, p. XX) e a construção PROP (ibid., p. 49), expostas abaixo em (38) e (39) respectivamente:</p>
      <p id="paragraph-1052ce4ffdbc81326cedd255f6f4e17d">(38)</p>
      <fig id="figure-panel-b0849740aea89bbf96a61095be05e6dc">
        <label>Figure 6</label>
        <caption>
          <title>FIGURA 1: Árvore sintática NOM (JOSEFSSON, 2009, p. 41)</title>
          <p id="paragraph-367148524230efd1bb85cb48961b2916" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-f073ace998a9c6cf680ce2bd408bffbe" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-18_15-06-26.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-fdfa2823a82cc89065ebad7c82de7a8f">(39)</p>
      <fig id="figure-panel-b89a39b7bdb4ff9856fd8eaa0ab62d0d">
        <label>Figure 7</label>
        <caption>
          <title>FIGURA 2: Árvore sintáticaPROP<xref id="xref-ddf594acfe8560e6ddee0954b3328b36" ref-type="fn" rid="footnote-162ff266cd8613c96c483262fdf28ea4">12</xref> (JOSEFSSON, 2009, p. 57)</title>
          <p id="paragraph-2b5218c4e49b3ef74d6e1b5175e122a2" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-012cf8ae3a4fbb37b64abbf8b1c11650" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-18_15-07-34.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-ddfac6bdb53e57f84cf9aebef6459ad6">Josefsson (2009, p. 53) observa ainda que a ocorrência de DPs definidos é restrita. De acordo com seus dados, o que licencia a ocorrência desses DPs é a sua não especificidade. Um fato que mostra que o que está em jogo é de fato a especificidade, e não a definitude, diz respeito à ocorrência de DPs indefinidos, como no exemplo (40):</p>
      <fig id="figure-panel-6af4915712024c6537897cb2deed940a">
        <label>Figure 8</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-29593fd2fc3362cda0696206d8b6a25d">
            <xref id="xref-d5a413b9ef40146a096b5504b2002ddd" ref-type="fn" rid="footnote-4a988d6e828a82d159933401290ab695">13</xref>
          </p>
        </caption>
        <graphic id="graphic-c97d24b670afcb9116566ceea24d7a75" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-18_15-09-41.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-f08c39e6f49fd017579f49f73576684e">DPs indefinidos costumam ser ambíguos entre uma leitura genérica (em que denotam um representante da espécie) e uma leitura específica (quando seu referente é retomado contextualmente). Nessas construções, essa ambiguidade não ocorre porque a leitura específica é barrada e apenas a não específica é veiculada. No exemplo acima, isso significa que se esperaria uma ambiguidade entre a leitura de <italic id="italic-834cd4654eb233db755817674310559c">enchokladbit </italic>como um pedaço de chocolate já mencionado, específico, e como um pedaço de chocolate qualquer, genérico. O que ocorre é que, segundo a autora, apenas a segunda possibilidade está disponível, pois a leitura específica não é compatível com as características da construção PROP.</p>
      <p id="paragraph-8d46ad2337db2786b9cfb8fc1dc04978">A autora ressalta que DPs específicos delimitam eventos, uma vez que determinam a duração do evento. Eles necessitam, portanto, de eventos dinâmicos e assim não ocorrem quando o evento pressuposto é estativo. No caso das <italic id="italic-db3ceadb9839fe563ef17dca094082eb">pancake sentences</italic>, essa característica explica a observação empírica de que DPs definidos ocorrem nessas construções de duas maneiras: (i) caso sejam não específicos, o verbo nulo equivale a um HAVE estativo (exemplo (41) abaixo); ou (ii) no caso de serem específicos, a significação do verbo nulo equivale a um predicado dinâmico (como (42)).</p>
      <fig id="figure-panel-c827572e29fc316e2829ff421fe962db">
        <label>Figure 9</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-15e880c75fadd0156c6c32e80d7a2cc2" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-807f7fa43c33de1952aad2979f087630" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-18_15-11-27.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-3b07613b7675d5251154c8b1dcb814ae">Em (41), o evento subjacente ao sujeito é amplo e genérico, consequência de os envolvidos nesse evento não serem definidos, pois a paráfrase equivalente seria ‘haver patrocínio público para times de bandy’ ou ‘times de bandy terem patrocínio público’. Já em (42), o evento é muito bem delimitado pelos envolvidos no evento, que são específicos, e é possível vislumbrar inclusive um espaço delimitado de tempo em que esse evento transcorreu. A autora ressalta que a leitura não específica de DPs definidos é incomum:</p>
      <p id="paragraph-c7eb5bd6b23816eca6d0ee79c187ed26">.</p>
      <p id="paragraph-679bd34fe394598ec9a89600a7ad24b0">Então, [exemplo 41 e semelhantes] são gramaticais porque <italic id="italic-b403faac4d18f412710c2f7520a76f9a">väskan</italic>, <italic id="italic-9a24d60ec4c2d4b5722921ad61311456">kvaliteten</italic>, e <italic id="italic-58ed40fd830da93339fc8f3c0f60fd82">denkommunalasponsringen </italic>são não específicos; esses DPs não se referem a uma mala ou uma qualidade ou um patrocínio específico, mas a tais elementos em geral. DPs definidos em sueco têm interpretação específica no caso não marcado; DPs não específicos normalmente são indefinidos ou nus. Essa é a razão pela qual pode ser difícil construir exemplos como [os exemplos mencionados].<xref id="xref-75d46b99b287bb3f36368df7977831c8" ref-type="fn" rid="footnote-42f1a3e0a4c0056666153b22fdcc9e10">14</xref> (JOSEFSSON, 2009, p. 53)</p>
      <p id="paragraph-da57c3cded536fd751912c84ccc9b80d"> .</p>
      <p id="paragraph-5cef087b54590902f077575fd94390aa">A restrição aos DPs definidos fica então explicitada a partir da sua relação com o elemento verbal nulo, pois a especificidade desse DP interfere na interpretação desse predicado.</p>
      <p id="paragraph-234e484322c52dc0021a1b939c7139a3"> Como mostramos, o verbo nulo é licenciado porque há na construção duas pistas que remetem a algo não realizado fonologicamente mas presente na estrutura. Por um lado, a concordância neutra mostra que o adjetivo deve estar ligado a uma projeção funcional, que a autora chamou de SemP (JOSEFSSON, 2009, p. 40). É por causa desse núcleo funcional que a autora trata sua proposta como concordância de gênero semântico<xref id="xref-93fa7534b669c36fbf7f23c45e47b95f" ref-type="fn" rid="footnote-48ac34ca892ae2bf1e720e4d88719fde">15</xref>: o gênero do adjetivo predicativo se deve à checagem de traço padrão de concordância, sendo que o traço em questão é o que a autora chama de “quarto gênero”, que na gramática do sueco engloba substâncias e entidades não ligadas. Como ela mesma afirma:</p>
      <p id="paragraph-ab0ef74cbfcd688b9731cbb7a882d181">.</p>
      <p id="paragraph-535b83806d2a685f45e38070bc92d3ab">Com a solução que proponho, a semântica do sujeito é uma função do conteúdo dos traços do sujeito, e esse conteúdo é refletido pela configuração de traços do adjetivo predicativo – da mesma maneira que a concordância geralmente opera na gramática. Então, a concordância também é semântica na análise proposta, mas no sentido trivial, e funciona da mesma maneira que o número, por exemplo: um sujeito no plural, como <italic id="italic-c5cc1774f3af27cca92ee4472799b804">bilarna </italic>‘os carros’ e <italic id="italic-f6e28d6f266e1d57e1170580c26ef955">husen </italic>‘as casas’ em (1c), tem a interpretação semântica ‘mais do que um’, e essa interpretação é refletida na concordância no plural do adjetivo predicativo, que consequentemente também carrega o significado ‘mais do que um’.<xref id="xref-a83ca98cbc645aa6490e81fdf496ed05" ref-type="fn" rid="footnote-957576a65c68d529be9d68e4924a381c">16</xref> (JOSEFSSON, 2009, p. 38)</p>
      <p id="paragraph-0a67b8a731078e1d4f9e99e039ca0369">.</p>
      <p id="paragraph-b28cb00ecb785236ce5532b70377e1fd"> Dessa forma, estamos falando de concordância semântica não porque a denotação do sujeito fosse responsável direto por determinada marcação – o que seria o caso se disséssemos que o adjetivo está na forma não marcada em virtude de o sujeito ser um evento – mas porque há um gênero que se faz presente sempre que os traços de substância e entidade não ligada estiverem presentes – portanto, por correspondência na checagem de traços.</p>
      <p id="paragraph-308472600b40666d978844d3487fe091">O traço de gênero dessa projeção pode ser explicado caso essa concordância se dê com uma substância ou uma entidade não ligada. Se interpretado como entidade não ligada, como um evento, SemP seleciona um vP (cf. estrutura PROP na figura (2) acima); se interpretado como substância, SemP seleciona um NP (cf. estrutura NOM na figura (1) acima).</p>
      <p id="paragraph-ca082071a08368aea24f977a5aacccce">Em suma, há alguns fatos observados por Josefsson (2009, p. 50) que ajudam a construir os detalhes da estrutura exposta acima na Figura (2). As sentenças em análise contêm adjetivos aplicáveis a situações e não substâncias, portanto ajudam a excluir a possibilidade de que esse SemP selecionasse um NP. Além disso, o DP superficializado carrega um papel theta que deve ser atribuído por um verbo e esse papel ajuda a identificar o verbo nulo, apontando para sua significação.</p>
      <p id="paragraph-ff17a938e07ac967e7c1b486b86a1d14">Vale dizer que há ainda outros elementos, como PPs, que auxiliam na especialização do verbo leve em questão. O exemplo abaixo (ibid., p. 57) ilustra essa situação.</p>
      <fig id="figure-panel-46bd1d1dd15d7ed515dcfd980cff2405">
        <label>Figure 10</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-557fe6de7cc72f0c0ca815377f6f68cd" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-2eceb3be67777fea9c2fb65704184e3b" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-18_15-59-03.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-a356451a578179ad1676c9adefccb638">Nessa sentença, o sintagma preposicionado <italic id="italic-b35ec60e2c307369bdad83b48965c17d">ensportbil </italic>torna possível a identificação do verbo leve, isto é, esse PP condiciona a interpretação situacional para algo relacionado a algum contexto que ela estar em uma determinada situação é relevante.</p>
      <p id="paragraph-97ac9d01041d508cb4b0f90fb8bd1608">No entanto, é importante mencionar que a autora admite que a identificação do verbo leve pode permanecer indeterminada. Seria o caso de (44), em que a interpretação oscila entre possibilidades diferentes de leitura:</p>
      <fig id="figure-panel-ee27975ec9a482c79427d2c3139a282a">
        <label>Figure 11</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-19c0d602dc095dab113675ae6928dfb8" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-69e96630a56492b8c73ecea858653bfb" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-18_16-00-24.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-94a67648d0234070c74aefdfc75bdfd2">Há diversas situações envolvendo clientes que podem ser consideradas desagradáveis: atendê-los, ouvi-los, tê-los por perto. A sentença deixa em aberto essas possibilidades e informações contextuais mais específicas é que definem a mais adequada.</p>
      <p id="paragraph-efd9d01880aa67bdd2a546222ce90c63">A proposta de Josefsson (2009), a nosso ver, analisa dados mais específicos do fenômeno, contemplando até mesmo as ocorrências com DPs definidos, que por vezes são marginalizadas do tratamento sob o pretexto que essa é uma construção genérica e, desse modo, restrita a nominais nus. É uma solução que nos parece elegante à medida que procura conciliar a interpretação semântica com a estrutura sintática e, a julgar pelos dados apresentados pela autora, consegue dar conta satisfatoriamente de diversas características instigantes da construção, como a possibilidade variada de interpretações atribuídas ao verbo nulo. Foi essa cobertura que nos motivou a aplicar a hipótese de Josefsson (2009) aos dados do PB, como veremos na próxima seção.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-8cea2bc5fc657dfc7b1c1e21041dcd61">
      <title>3. Testando os limites da proposta de concordância semântica</title>
      <p id="paragraph-e24194c43060ec7316589b0f7f698e4b">Propomos nesta seção observar como os dados do PB se comportam diante dos fatos que Josefsson (2009) observou no sueco. Um primeiro passo a se cumprir, é analisar se a diferença entre construções NOMinais e PROPosicionais se sustenta também no PB. Em seguida, exploramos as características das sentenças PROP para determinar que observações são adequadas para o português. Por fim, traçamos as consequências de nossos resultados para a proposta formal de Josefsson.</p>
      <p id="paragraph-5ce6fd061545868c64e8a4b85d346b31">É imprescindível observar que a dicotomia apresentada por Josefsson (2009) deve ser analisada sob as observações de Mezari (2013) acerca do comportamento das subclasses de adjetivos. Como apontamos acima, a autora entende que, mesmo adjetivos aplicáveis a indivíduos e situações, restringem sua leitura apenas a situações quando a morfologia é não marcada, e a leitura em que a propriedade se aplica a indivíduos aparece apenas quando o adjetivo é flexionado na forma marcada. Essa é uma intuição que compartilhamos e, por isso, parece-nos razoável avaliar se a divisão entre construções NOM e construções PROP em PB estaria claramente gramaticalizada na morfologia de gênero, de modo que a consequência disso é a previsão de que as construções NOM serão marcadas quanto ao gênero do adjetivo, enquanto que as construções PROP serão não marcadas. Espera-se dessa forma que a restrição à paráfrase com infinitivo, à ocorrência de nominais definidos e à ocorrência de adjetivos atributivos dentro do sujeito sejam aplicáveis às sentenças que trazem a forma marcada do adjetivo predicativo.</p>
      <p id="paragraph-0552a7a9c0a822d6f3eede375b978bd4">Das quatro características que distinguem construções NOM de construções PROP (cf. acima), descartamos a paráfrase com pronome expletivo e preposição por entender que no PB não encontraremos uma construção similar, dado o parâmetro de sujeito nulo de nossa língua. Analisamos, então, os três critérios restantes comparando o comportamento de sentenças com gênero marcado ou não marcado, como as seguintes:</p>
      <p id="paragraph-f9c93685e1cbff400f86d48c9602a5d9">.</p>
      <p id="paragraph-a595bfd3dbc5e04d2adc59359eab99e2">(45) Mulher é engraçada.</p>
      <p id="paragraph-663b4a19b43fca6d9d76e45b0801d113">(46) Mulher é engraçado.</p>
      <p id="paragraph-6ff73ad84e23cc8da6e30c29ffa02c09">(47) Mulher é vaidosa.</p>
      <p id="paragraph-033f04734280cc7b72914c96cbdd2ed4">(48) *Mulher é vaidoso.</p>
      <p id="paragraph-d1a503b77b659be661bb489772968d4e">.</p>
      <p id="paragraph-831385a409d9c70596dd8580de1f061b">Quanto à possibilidade de paráfrase com infinitivo, a única que a aceita é (46): ‘ser mulher’, ‘conviver com mulher’, ‘conversar com mulher’ é engraçado. A sentença em (48) não é aceitável, em razão de conter um adjetivo aplicável apenas a indivíduos com morfologia que aponta para leitura de situação, mas mesmo que fosse aceita a interpretação mais próxima a que chegaríamos seria que “ser mulher é ser vaidoso”, de modo que o valor da cópula seria de identificação entre os conjuntos e não haveria predicação direta do adjetivo sobre o sujeito. Nas sentenças (45) e (47), a paráfrase com infinitivo não é possível, já que a propriedade do adjetivo se aplica ao nome de espécie, como evidencia a concordância default que se estabelece. Esse critério, portanto, sustenta que a divisão entre sentenças PROP e NOM esteja ligada à marcação de gênero.</p>
      <p id="paragraph-fbbfc362a6b1592f9f166e4cdc928b27">A possibilidade de ocorrência de nomes definidos não é útil na diferenciação entre as construções PROP e NOM do PB, porque sua presença nas sentenças em que há marcação no adjetivo é trivial e sua leitura é específica:</p>
      <p id="paragraph-e53aa3ca1fb7aba52618667166664bb6"> .</p>
      <p id="paragraph-8de11a790b18b8c1410c4e54f9b8c582">(49) A saia é provocativa.</p>
      <p id="paragraph-aa7af664abbc3e4dbbfde1f24c01a4fe">(50) A mulher é engraçada.</p>
      <p id="paragraph-b767dabb41b81e36a802ed0b97632cff"> .</p>
      <p id="paragraph-9da0bf26fe2630d264bdf9b9c3316dfb">Esse fato se opõe à descrição do sueco, pois Josefsson (2009) afirma que as construções NOM seriam agramaticais com DPs definidos. Devemos lembrar, no entanto, que a análise da autora se restringe a sentenças em que há discrepância entre o gênero do sujeito e o do adjetivo predicativo, enquanto que para o PB estendemos a lente para sentenças em que a concordância padrão se mantém.</p>
      <p id="paragraph-d7650dfd2e65a371597a5e76fdaa3541">Para as sentenças em que o adjetivo tem a forma não marcada, essa concordância não é trivial mas é aceita em determinados contextos.</p>
      <p id="paragraph-8ed14c0144195ce3019e0e409ee31a63">.</p>
      <p id="paragraph-0e7d940acddcac71016957c626379f92">(51) A tropa de choque foi abusivo.</p>
      <p id="paragraph-08a539c0ef93d588a90eded77d6d3871">.</p>
      <p id="paragraph-ba92435bfb40637e2baf2e569dd6d1e0">A sentença (51) pode parecer bastante estranha à primeira vista, mas é aceita tranquilamente no contexto apropriado dentro de um registro formal. Narrando uma situação em que não era esperada a presença da tropa de choque, o falante comenta que “acionar a tropa de choque” teria sido um ato além do esperado. É possível que haja aí algum fator de interferência, como foco, que licencie essa sentença.<xref id="xref-69efb1c9410f376eb410b198e264b4af" ref-type="fn" rid="footnote-c353104d46ed9972dfc63d7ecc13429b">17</xref> Voltaremos aos fatores de restrição a DPsmais adiante.</p>
      <p id="paragraph-d09af801aa41b6430af798dbd00c465e">Parece-nos bastante produtiva a ocorrência de adjetivos atributivos no sujeito de sentenças em que a concordância é não marcada. Os exemplos abaixo mostram isso:</p>
      <p id="paragraph-272aabe9b020e61331f91b84051dc8b4">.</p>
      <p id="paragraph-75f8f017a2bb1ef3a5d208887faffdc3">(52) Saia curta é provocativo.</p>
      <p id="paragraph-057b84cd7ce50ed1a3b3c2773b2f7de9">(53) Mulher brasileira é engraçado.</p>
      <p id="paragraph-29b05f38fab3569ccecd67285cd17527"> .</p>
      <p id="paragraph-8bd262fe3fd46ea8dd126bd9ec5411a7">No entanto, essa produtividade também é observada em sentenças com a marcação clara de concordância de gênero:</p>
      <p id="paragraph-e9fc6bf9837bc62a491546a93030e604"> .</p>
      <p id="paragraph-9262cd4c03a1607c6fe8d82afdb1d763">(54) Saia curta é provocativa.</p>
      <p id="paragraph-b6fcdacd3a0834edae5645209ddab0e0">(55) Mulher brasileira é engraçada.</p>
      <p id="paragraph-713c44dcab4c0fcd34958780af3225bc">(56) Mulher jovem é vaidosa.</p>
      <p id="paragraph-6847f894b7cf2ca857dbc583a5f0dbc4">(57) Mulher brasileira e jovem é vaidosa.</p>
      <p id="paragraph-14f8e833fae25f7202ff8ddd5d81bdec">.</p>
      <p id="paragraph-bf959bac528a34ed1285f716b3835e23">Esses exemplos mostram que até mesmo adjetivos como <italic id="italic-9f0ddd0cc96d308ea60d55abfe60b15c">vaidoso</italic>, aplicáveis apenas a indivíduos, não exibem qualquer restrição à presença de adjetivos dentro do sintagma sujeito. Essa, sem dúvida, é uma observação empírica que tem impacto no tratamento sintático dado a essas sentenças no PB em relação àquele dado às <italic id="italic-0ea3f177a9054f82be98d387741f8f15">pancake sentences </italic>do sueco.</p>
      <p id="paragraph-e1b9dea773137d4b6dcfe0c04e665dec">Além disso, é interessante notar que, se apenas traduzimos a sentença que Josefsson (2009) utiliza como exemplo da construção NOM, até parece que teríamos aí um caso em que a construção NOM é compatível com o adjetivo não marcado, análogo ao sueco:</p>
      <p id="paragraph-dd7cd1d59a0e865c73d37f0c44a44327"> .</p>
      <p id="paragraph-34a82348effb679354dbc5ebca32b20e">(58) [Me diz algo que seja amarelo.]</p>
      <p id="paragraph-0379ef9446aca42305510a2c54185f2c">Mostarda é amarelo.</p>
      <p id="paragraph-0cd6df0ac3f2de8c96170daa8449f881"> .</p>
      <p id="paragraph-f5105ff86997472aaa4c890f3fa948f7">Não há como gerar uma paráfrase de infinitivo para esta sentença e a propriedade [amarelo] de fato se aplica à espécie. Mas essa construção não é produtiva nem mesmo para todos os adjetivos aplicáveis apenas a indivíduos:</p>
      <p id="paragraph-6f8f8dac901419b94f2d711ca7bbbe45"> .</p>
      <p id="paragraph-8ac08ddfd8261dfcf1d4a1df3c7353b5">(59) [Me diz algo que seja vaidoso.]</p>
      <p id="paragraph-fb306e6e416df0768ac627c03327a195">??? Mulher é vaidoso. </p>
      <p id="paragraph-5af9883caed9221b92c580fe3567e370">Mulher é vaidosa.</p>
      <p id="paragraph-35decc24ab091dc96bded9c9df2f1949"> .</p>
      <p id="paragraph-335ebb85a3e61dec0b6568a3a1de5bc8">Isso nos leva a desconfiar dos fatores de licenciamento dessa construção. Essa é uma construção de foco no adjetivo e, como esse tema foge do escopo deste trabalho, mantemos a ressalva de que este exemplo de sentença merece uma análise mais cuidadosa antes de ser usado como contra-evidência para descartar a hipótese.</p>
      <p id="paragraph-24fb792e982d455bc048cf6e1250a751">O que podemos concluir a partir desses dados é que a hipótese de que a diferença entre construções NOM e PROP fosse gramaticalizada não se realiza claramente nos dados. A construção NOM seria caracterizada por sentenças copulares em que o sujeito é essencialmente nominal, não aceitando paráfrase com infinitivo, mas ainda assim DPs definidos são barrados e adjetivos atributivos não são aceitos no sujeito. Como as sentenças analisadas aqui não contemplaram tais características, acabamos por excluir a possibilidade de que haja no PB uma construção equivalente à construção NOM do sueco.</p>
      <p id="paragraph-7bde291d8c61b51f7bbbdd2b3e281d8d">Atemo-nos agora apenas a sentenças em que a concordância padrão é frustrada, considerando que no PB existam apenas construções PROP. A proposta de Josefsson é de que o sintagma realizado fonologicamente como sujeito da cópula seja na verdade o objeto de uma estrutura clausal subjacente. As seguintes características, exemplificadas acima e repetidas abaixo, são relevantes para Josefsson determinar a estrutura dessas sentenças:</p>
      <p id="paragraph-0b4432b72f6e4ef7623b03ccfed722d1"> .</p>
      <p id="paragraph-59336ed683ae7c24bc2d5baeccc0d572">i. pode ser parafraseada por uma construção infinitiva de leitura equivalente;</p>
      <p id="paragraph-489d71063815c16e6fa55ec827ea9a66">ii. possibilidade de presença de uma anáfora;</p>
      <p id="paragraph-688dc063db1929995e396a05a18c222b">iii. caso não nominativo no DP;</p>
      <p id="paragraph-1e7ee67f55e7962690cedce9913e0d5b">iv. o sujeito superficializado da cópula não ocorre em primeira posição de outras construções.</p>
      <p id="paragraph-3818244ae6f57881fef8363b6b73767d"> .</p>
      <p id="paragraph-16a2753b5069378443c5e26738ce1665">Já vimos que a condição (i) é plenamente satisfeita pelas sentenças sem marcação de concordância de gênero. Ao contrário do que acontece no sueco, em PB é extremamente raro que uma sentença sem concordância não esteja vinculada a uma leituraeventiva, como vimos na subseção anterior.</p>
      <p id="paragraph-cf867275b8e1637c756142a84f091c34">Quanto à presença de anáfora, elencamos alguns dados que nos ajudam a ilustrar que essa propriedade é verificada também em PB:</p>
      <p id="paragraph-512d46b093045ed634057c5a7df4956e"> .</p>
      <p id="paragraph-b33df76683a9704dbbb9f9a4ca2e89b5">(60) Rosa vermelha para sua própria mãe é sugestivo/é freudiano.</p>
      <p id="paragraph-e97b19c52e52428b2969fcb646c35417">(61) Pimenta nos próprios olhos é desnecessário.</p>
      <p id="paragraph-34e6334b729ccc261194355f4e02ed35">(62) Dois amantes além do seu próprio marido é imoral.<xref id="xref-ff5533ae6a2506042442416bbe825e6d" ref-type="fn" rid="footnote-247d59e2dc4c5a74a68e917fa80f68c2">18</xref></p>
      <p id="paragraph-725ba01ceafce6d5d7aae389746568cb"> .</p>
      <p id="paragraph-564f8776616af6729ff70c3e9a4d24a5">O argumento de Josefsson (2009, p. 43-44) é que a anáfora tem de estar ligada a um sujeito antecedente e, assim, se há necessidade de um sujeito antecedendo essa anáfora é porque haveria um pronome nulo PRO como sujeito desse elemento oracional que é o sujeito da oração maior, a cópula. No entanto, esse argumento se apoia no fato de que a anáfora reflexiva não ocorre dentro de sintagmas nominais comuns, mas podemos encontrar alguns dados no PB que contestam isso, como os elencados abaixo.</p>
      <p id="paragraph-981fdb5ddbd92e0439c687e21232b539">.</p>
      <p id="paragraph-9e12525fef4d47282228513bf4142a99">(63) Flores da sua própria terra cheiram bem.</p>
      <p id="paragraph-380255457264dc82c6ae98de34105e5d">(64) O cheiro da sua própria casa é nostálgico.</p>
      <p id="paragraph-63b3197b20ed7c1be847ab2adda6442b">(65) A comida da sua própria mãe é mais gostosa do que qualquer outra.</p>
      <p id="paragraph-4c3076afa094977a16d84c6e8b22fda6">.</p>
      <p id="paragraph-0c63ee03f0166e1ee721c20640ca28bd">Os sujeitos das sentenças (63), (64) e (65) contém o pronome reflexivo e é difícil sustentar que esses sujeitos carreguem uma oração oculta, inclusive a propriedade de <italic id="italic-394fbd3fceb9da8e8891b64f75cb5f16">nostálgico </italic>e <italic id="italic-d3826e765e6391d014896f494e043d5a">gostosa </italic>predica dos núcleos desses sujeitos diretamente. Dessa maneira, o argumento (ii) se mostra menos conclusivo para o PB do que para o sueco, cujo equivalente de (63) é agramatical.</p>
      <p id="paragraph-47b10bc23fd679e5a97cacf5531ac3a8">Para analisarmos a marcação de caso do sintagma nominal superficializado como sujeito, faz-se necessário utilizar pronomes pessoais e também faz-se necessário excetuar o pronome de terceira pessoa, porque no registro informal a diferença entre sua forma nominativa e sua forma acusativa já foi neutralizada. Trata-se então de um contexto linguístico bastante restrito, que pode ser exemplificado pela sentença que se segue.</p>
      <p id="paragraph-169ba0f36a41a489f250b1786bda8097">.</p>
      <p id="paragraph-d44543cb4eb3513eac60feee13c7163c">(66) *Me com mostarda seria delicioso.</p>
      <p id="paragraph-556c8376f2a072f467f46014f03dea5c">(67) *Me na Disney seria fantástico.</p>
      <p id="paragraph-38166226fa6e8caacccb2905ea13179a"> .</p>
      <p id="paragraph-fc0b0e090412184592003c34d381a14e">A agramaticalidade dessas sentenças é indiscutível, mas o que é discutível são os fatores responsáveis por ela. Sem aprofundarmo-nos no assunto, vale o registro de que esses pronomes clíticos costumam ocorrer amparados por formas verbais, ainda que no PB não se tratem mais de pronomes átonos. Vale mencionar, porém, a discrepância na concordância de gênero ocorre mesmo quando o pronome é nominativo:</p>
      <p id="paragraph-3499d7e1649608629c4350a74b1216a1">.</p>
      <p id="paragraph-0e6d9f4053c25c2122cf002d88823b92">(68) Eu com mostarda seria delicioso.</p>
      <p id="paragraph-0cb1a62a5b613a63f06f909a67987dd8">(69) Eu na Disney seria fantástico.</p>
      <p id="paragraph-66e50e701a2feedf193e96509f7d1bb0"> .</p>
      <p id="paragraph-b275bdc507656600d45b320d5371be55">Levando em consideração que esse pronome pessoal leva a marcação de gênero conforme o gênero social do falante no mundo, a concordância default de sentenças copulares relaciona gênero feminino do falante a adjetivos com flexão de gênero (-a) e gênero masculino do falante à forma não marcada do adjetivo. Nos casos de (22) e (23), apesar de o adjetivo se apresentar sob a forma não marcada, as sentenças seriam plenamente aceitáveis mesmo que o falante que as pronuncia se identifique com o gênero feminino.</p>
      <p id="paragraph-fdce45a8c025525a02802d1365bc1b34">Fica em aberto se a realização da forma nominativa do pronome é um reflexo direto da estrutura subjacente ou se é uma consequência da carência da forma acusativa dos pronomes de ocorrer desprendida do verbo.<xref id="xref-769077a260294d09125967d3569ae1c8" ref-type="fn" rid="footnote-6182c5dc7819ad4efbd9e84ce11c7cd9">19</xref></p>
      <p id="paragraph-7b37b56a5882a847c60f38af74a1ec85">A propriedade (iv) tem de ser descartada porque a posição de início de frase antecedendo o verbo não é uma questão gramatical relevante para o português, que não exige o verbo em segunda posição como o sueco.</p>
      <p id="paragraph-bd1a311d0dd03cce91c23755b1dadf2b">O confronto dos dados do PB com as propriedades sintáticas observadas nas <italic id="italic-e7df782b6579b79e105de58697719549">pancakes sentences </italic>não nos permitem concluir que o sintagma nominal realizado seja de fato objeto de uma oração oculta porque as evidências sintáticas da presença da anáfora e especialmente do caso não nominativo não se sustentam.</p>
      <p id="paragraph-4a243a2066730bff8844ad1244d4bf09">Quanto ao critério de não especificidade que explica a distribuição dos DPs definidos, os dados do PB foram testados levando em conta a combinação de uma leitura eventiva do sujeito como um possível verbo nulo equivalente a TER combinado a DPs não específicos (exemplos 70 e 71), e leituras eventivas de predicados dinâmicos combinados com DPs específicos (em 72 e 73), de acordo com as observações já mencionadas de Josefsson para o sueco.</p>
      <p id="paragraph-bc5b1c5f0b637f9cd8fce688b77323a3">.</p>
      <p id="paragraph-e20e12677da6143b6649f58a8a4e53d6">(70) A meia pra cima da canela é ridículo.</p>
      <p id="paragraph-9eac55f42ba57578ed8d19ab8a4c929a">(71) ?A bolsa transversal é moderno este ano.</p>
      <p id="paragraph-7b22704268b1a9901d1882c6012e3642">(72) A mentira sobre o ataque foi vergonhoso.</p>
      <p id="paragraph-1ef0d4809775fdd93be8b07574ca28f6">(73) A tropa de choque foi abusivo.</p>
      <p id="paragraph-7ab03eef88ffc7d40ef99a2da9d2cd62">.</p>
      <p id="paragraph-60349d03bc186a3f3cb4cbd226612b7d">Assim como Josefsson (2009) afirma para o sueco, em PB é igualmente difícil construir sentenças com DPs definidos sem que eles expressem indivíduos especificados, mas (70) e (71) são exemplos disso, e se enquadram na descrição da autora de que DPs definidos não especificados ocorrem com predicados estativos. O que nos chama atenção é a combinação do DP não específico com tempo presente, imperfectivo, e do DP específico com o passado, perfectivo. Testamos essas variáveis nos exemplos abaixo.</p>
      <p id="paragraph-ef517bef281fd37fa6675a3cb1f12aba"> .</p>
      <p id="paragraph-c25f00122739345ec480e27035a382a0">(74) Aquela flor pra sua sogra foi inesperado.</p>
      <p id="paragraph-d65239b86ad9e4c369aae3e0b239226b">(75) A flor pra sua sogra foi inesperado.</p>
      <p id="paragraph-f6d72a567cd8017919f28ccf37d12914">(76) *Flor pra sua sogra foi inesperado.</p>
      <p id="paragraph-99e1ea9cfcc5a5f47dbbf34446c85d4e">(77) ?Aquela flor pra sua sogra é inesperado.</p>
      <p id="paragraph-348a3ace65cd47cb3e691e5cbe064e2b">(78) *A flor pra sua sogra é inesperado.</p>
      <p id="paragraph-2ce31133ec3840a1d7d992ec35cd5140">(79) Flor pra sua sogra é inesperado.</p>
      <p id="paragraph-d54e0466a038a52423b1eb795bb69a1f"> .</p>
      <p id="paragraph-ea144a09a27951a4e6322ced3006a5d3">Dentro do mesmo contexto, parece nítido haver uma diferença entre o uso de um nominal nu (79) em oposição ao uso com o demonstrativo no DP especificado de (74): o DP específico acompanha o tempo passado para compor uma sentença episódica, enquanto que o DP não específico figura na sentença genérica juntamente com o tempo presente. (77) foi considerada duvidosa porque necessita de prosódia marcada, em contexto de foco contrastivo: dar aquela flor e não outra é que é inesperado.</p>
      <p id="paragraph-17">O argumento de Josefsson (2009) de que a não especificidade fica clara em sentenças com sujeitos indefinidos se mantém, pois a dissipação da ambiguidade inerente aos indefinidos também pode ser observada em PB:</p>
      <p id="paragraph-e9eaa9e6b242c37bbd76b9b0f1342824"> .</p>
      <p id="paragraph-19">(80) Uma flor pra sua sogra é inesperado.</p>
      <p id="paragraph-21">(81) Uma barra de chocolate é animador/irresistivelmente saboroso.</p>
      <p id="paragraph-ef977c1865517b81b44ec1122ade1993">.</p>
      <p id="paragraph-945f110d33a20349c8ab0a77e68ddc99">Os dados acima nos mostraram que a relação entre definitude e especificidade nas sentenças copulares em questão é um ponto que ainda merece ser mais bem explorado, tendo em vista que eles os dados apresentados aqui não são explicados quando se restringe a análise a sujeitos nominais nus.</p>
      <p id="paragraph-77f30019c5c197dda06d12bce79a0acf">Concluímos que o tratamento dado por Josefsson (2009) às <italic id="italic-7e6e31f8593533c848c0169395c1cc44">pancake sentences </italic>não pode ser estendido às sentenças do PB sem que algumas arestas sejam aparadas. Isso diz respeito especialmente à argumentação que a autora utiliza para justificar que o sujeito dessas sentenças é um sujeito clausal, por mais que as sentenças do PB carreguem a leitura de situação quando o adjetivo se apresenta como não marcado.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-049a1ad9ccd34781c8a3d79b209b6c8f">
      <title>Considerações finais</title>
      <p id="paragraph-6bb9c12218ce0d68cad264c823cb3577">Longe de propor uma solução definitiva para o problema das sentenças copulares cuja concordância não marcada viola o padrão do PB, tentamos aqui avançar na descrição desse fenômeno utilizando como ponto de partida uma análise elegantemente aplicada a sentenças análogas do sueco, as <italic id="italic-241b7af2cbbc1662d7272a4b022e3f26">pancake sentences</italic>. Algumas questões dificultaram naturalmente a comparação entre as respectivas construções das duas línguas, como o fato de o sueco ser uma língua escandinava com verbo na segunda posição e outros critérios que não puderam ser aplicados ao PB ou levaram a resultados diferentes.</p>
      <p id="paragraph-a7e1b035fb115eeb938af44e51a09735">Sabemos que o trabalho de Josefsson (2009) já recebeu críticas por parte de diversos autores, como Enger (2004) e Foltran e Rodrigues (2013). Mas acreditamos que avaliar a aplicabilidade dessa hipótese a outras línguas, como o PB, pode tanto levar a um refinamento da sua proposta como ajudar a construir argumentos mais sólidos para a sua rejeição. Por isso, vemos validade na análise aqui apresentada ainda que ela tenha exposto algumas limitações desse tratamento.</p>
      <p id="paragraph-c610d7bfca0eeb64aaa14fe55215f5e3">A pesquisa acerca do funcionamento das sentenças copulares aqui discutidas é ainda um trabalho andamento, e este trabalho serviu para apontar alguns caminhos que devem ser explorados, como a ocorrência de clíticos no sujeito e a delimitação dos DPs definidos aceitos nessas construções. Questões relacionadas à prosódia e estrutura informacional dessas sentenças também devem vir à baila para que se possa dar conta desse fenômeno de maneira mais ampla.</p>
      <p id="paragraph-913c6e03c856c0136076b4ffb28da2d1">Para dar conta dessa tarefa, exploraremos em trabalhos futuros outras duas hipóteses que se revelaram pertinentes no decorrer da pesquisa: (i) o sintagma nominal é o sujeito da cópula trivialmente, mas por alguma razão a concordância é defectiva e a leitura de situação vinculada ao sujeito é derivada devido a alguma particularidade desse sintagma ou por estratégias pragmáticas; ou (ii) o sintagma nominal é um tópico, mas possivelmente não é o sujeito da cópula, de maneira que pode conter qualquer tipo de entidade, inclusive eventos. O confronto da cobertura empírica da hipótese trabalhada neste artigo com essas hipóteses apontará o caminho para a explicação mais pertinente.</p>
    </sec>
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  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-65daf393f008d455ee92f78b8b9595d2">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-c79aba37094ee7970d16ed6e0ef11ab1">Disponível em: <ext-link id="external-link-1" xlink:href="http://www.coisasdemulher.com/2009/09/agua-mineral-e-bom-para-os-">&lt;http://ww</ext-link>w<ext-link id="external-link-2" xlink:href="http://www.coisasdemulher.com/2009/09/agua-mineral-e-bom-para-os-">.coisasdemulher.com/2009/09/agua-mineral-e-bom-para-os-</ext-link> cabelos.html&gt; Último acesso em 18 out. 2013.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-609a84f85446fed6e7db624f3c9d4d37">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-40a9287033eeec22a13d8b5db0df0ccd">Referimo-nos aqui ao fato de o núcleo nominal água apresentar marcas de gênero inerente que em situações default de concordância desencadeiam a marca morfológica, conhecida como feminino. A rigor, esse substantivo não traz nenhuma marcação morfológica em si, mas consideramos que ele carregue essa marcação pois ela se realiza em artigos e adjetivos que estejam ligados a ele.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-4b22e883a672355df574142e1ec442df">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-ed0eaa452572b875ca141c1a1118460f">A oposição de gênero marcado e não marcado foi discutida desde Martin (1975). O autor mostra que o morfema de flexão -a, que se costuma chamar de feminino (e.g. ‘menina’, ‘professora’), tem funcionamento gramatical marcado em relação à falta de morfema flexional, caracterizado por formas que exibem apenas a vogal temática (e.g. ‘menino’) ou mesmo nem sequer estas (e.g. ‘professor’). É a essa oposição que nos referimos neste trabalho.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-9688322b4a6a5f67d88871f5946024c2">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-9e4c4a369fd87f04589a28d83610776d">Os exemplos (2-5) foram extraídos de Foltran &amp; Rodrigues (2013, p.508-509).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-f27f3e101287d5da76424586968f4e99">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-4d056096d3173d25db5941554e6dd85a">Dado exposto por Roberta Pires de Oliveira (comunicação oral).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-8bab21ba7bfa84b11fdfb35e212138d8">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-d1aec8326ea193ccbde28a846288bec6">Exemplo de Foltran &amp; Rodrigues.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-791ba6d4cd550fc93369bd0f30df5db2">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-5a03bda0f9d2e22aa38de3003777e798">Dado exposto por Sérgio Menuzzi (comunicação oral). Foi mencionada por um dos pareceristas a possibilidade de que esse exemplo fosse um caso de anáfora associativa, de modo que pode haver incompatibilidade de traços morfossemânticos entre o referente e o pronome. Não nos parece, no entanto, que essa constatação resolva o problema formal que discutimos aqui, pois, mesmo sendo o referente de <italic id="italic-10876553595ac13ea46ac9784b63f2f8">mulher </italic>um nome de espécie, sua retomada individualizada não é gratuita e precisa ser calculada pela gramática. Nesses termos, as anáforas associativas em geral carecem de um tratamento formal.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-10d406ec6039020e8f99afeacb978b5c">
        <label>8</label>
        <p id="paragraph-25aaa1c48666d86f753d67926aafda12">O julgamento dessa sentença fica condicionado a uma entonação específica. A meu ver, se for pronunciada com a mesma curva prosódica que (17), que é o que nos interessa aqui, (16) não é bem aceita.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-b45f2635d1690d33ccb022bd8d24b75d">
        <label>9</label>
        <p id="paragraph-b6dd262ed4f52d9dcd9c8eb84ca8cb5e">Optamos por traduzir <italic id="italic-f8a9602e0aec57377bb7eae58cfad75e">ipsis litteris</italic>as glosas feitas pela autora em inglês. Suas versões para o inglês também foram traduzidas, mas levamos em conta a construção análoga que encontramos em português brasileiro.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-d2c94e80d80355e0458a161345704165">
        <label>10</label>
        <p id="paragraph-6048624608e51c43b5f8060e7aa3806d">“The null hypothesis is that a DP or a SemP subject of a Construction NOM sentence starts out as the argument of the predicative adjective, and that predicative agreement between the adjective and this phrase is established in the canonical way, for instance in a Spec-head configuration in the AP, as proposed in Chomsky (1995: 354).”</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-8263f2729a220baec5a529d1046b5143">
        <label>11</label>
        <p id="paragraph-5692f515daa6f951ce962e04bda70e38">Sueco é uma língua V2, o que explica esse critério.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-162ff266cd8613c96c483262fdf28ea4">
        <label>12</label>
        <p id="paragraph-d0fef342c3e2190c288b71ee3c11289f">Legenda – Linha pontilhada: identificação de v0 como um verbo leve particular, a partir da seleção do adjetivo. Linha tracejada: licenciamento do verbo nulo, por meio de Sem0.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-4a988d6e828a82d159933401290ab695">
        <label>13</label>
        <p id="paragraph-04b265f342794bb243cd7228bdd31323">A tradução da autora para o inglês “It’snicewith a pieceof chocolate.” (JOSEFSSON, 2009, p. 54, exemplo (36)) sugere uma preposição que não havia sido mencionada na glosa. Parece- nos que pode haver algum equívoco com essa tradução, mesmo que não afete o significado da construção em sueco, mas não pudemos checá-la com nenhum falante de sueco. Atemo-nosaqui à análise da especificidade do indefinido.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-42f1a3e0a4c0056666153b22fdcc9e10">
        <label>14</label>
        <p id="paragraph-5e4134e3823e0f14eceab986babc9c06">“Thus, (33)-(35) are gramatical because <italic id="italic-1589df70105691b56abce2de70f431fa">väskan</italic>, <italic id="italic-5820edb77151451f1ea955e6a75ab663">kvaliteten </italic>and <italic id="italic-9216103b6a52f7d0043d2bdbb4e45673">den kommunalasponsringen </italic>are non- specific; those DPs do not refere to a specific bag, quality or sponsorship, but to such elements in general. In the unmarked case definite DPs in Swedish have a specific interpretation; non- specific DPs are normally indefinite or bare. This is the reason why it might be difficult to construct examples such as the ones in (34) and (35).”</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-48ac34ca892ae2bf1e720e4d88719fde">
        <label>15</label>
        <p id="paragraph-8dd6a9270c9a02ec5ce7ceeb7ec043cb">Para efeito da análise, endossamos aqui o entendimento de gênero semântico da autora: a concordância se dá pela confluência de traços – nesse caso, semânticos – entre o nome e o adjetivo, mecanicamente. Não seria uma questão de que a interpretação do nome dirigisse a concordância para determinado gênero, mas sim determinado gênero (o quarto gênero) seria aplicado quando a checagem de traços confirmasse que o nome carrega os traços de substância ou entidade não ligada.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-957576a65c68d529be9d68e4924a381c">
        <label>16</label>
        <p id="paragraph-5891356eb982c8230885f1174cfa78c8">“With the solution that I propose the semantics of the subject is a function of the feature content of the subject, and this content is mirrored by the feature makeup of the predicative adjective – in the way agreement generally works in the grammar. Agreement is thus ‘semantic’ in the proposed analysis too, but in a trivial sense, and it works in the same way as number, for example: a subject in the plural, such as bilarna ‘the cars’ and husen ‘the houses’ in (1c), has the semantic interpretation ‘more than one’, and this interpretation is reflected in the plural agreement of the predicative adjective, which, consequently, also carries the meaning ‘more than one’.”</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-c353104d46ed9972dfc63d7ecc13429b">
        <label>17</label>
        <p id="paragraph-fc78dbc79811dc3278243a08c9872dac">Não estamos alheios à proposta de análise da falta de concordância como resultado de uma topicalização desse sintagma nominal, que, não sendo o sujeito propriamente dito da sentença, não desencadearia concordância com o predicativo. Essas sentenças com DPs definidos contam com uma curva entoacional diferenciada que sugere que há algo de interessante em sua estrutura informacional. Nós nos abstemos de abordar essa hipótese no momento, mas esse deve ser um caminho a ser percorrido no desenvolvimento dessa pesquisa.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-247d59e2dc4c5a74a68e917fa80f68c2">
        <label>18</label>
        <p id="paragraph-2882162191a02a178df505005d1460ef">Exemplo traduzido do proposto por Josefsson (2009, p. 43, exemplo 7d).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-6182c5dc7819ad4efbd9e84ce11c7cd9">
        <label>19</label>
        <p id="paragraph-4ad90a3ad39d2808625ff669f801423d">Essa questão deve ser explorada futuramente dialogando com análises acerca do comportamento dos clíticos em PB.</p>
      </fn>
    </fn-group>
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            <bold id="bold-af9788917aa4b44a85e79b037ed846a1">Scandinavian pancake sentences as semantic agreement</bold>
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            <bold id="bold-cdbfaf79baef631804b64a162e26050f">On denoting abstract entities</bold>
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