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        <article-title>APRESENTAÇÃO</article-title>
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            <surname>ROCHA</surname>
            <given-names>Maura Alves de Freitas</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Uberlândia (UFU)</institution>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="29/07/2016" />
      <volume>15</volume>
      <issue>2</issue>
      <issue-title>APRESENTAÇÃO</issue-title>
      <fpage>9</fpage>
      <lpage>13</lpage>
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    <sec id="heading-bdece038417500b06ee1d10e05080b0f">
      <title>Texto</title>
      <p id="_paragraph-2">Um dos sinais da relevância e produtividade de um tema em um campo de saber é a recorrência com que ele é abordado, tematizado e discutido em pesquisas. Outro sinal – e, talvez, mais efetivo de sua relevância e produtividade – é a rede interdiscursiva que a reflexão em torno dele constrói: as remissões, retomadas, deslocamentos; as relações de aliança e contraposição que são construídas; os movimentos (sempre dissimétricos) que vão configurando espaços em que se constituem novos objetos teóricos, decorrentes de quadros teóricos distintos.</p>
      <p id="paragraph-55138fc4a31800373276fa8d64f429d3">O tema da autoria tem este estatuto na Linguística brasileira, e este volume da <italic id="italic-1">Revista da ABRALIN </italic>testemunha isso. Quando nos propusemos a realizar esta organização, sabíamos que iríamos nos deparar com várias abordagens sobre o tema – a própria chamada para submissão de artigos a este volume da Revista previa isso. Nela, justificávamos:</p>
      <p id="paragraph-b8681d457a13ff0a8187ab05e2afc2ec">.</p>
      <p id="paragraph-ded2d654303b5dc80f59c1779e0595d8">
        <italic id="italic-dc5d4c700caaef84d0a9df138d22b0dc">No Brasil, o tema ganhou uma relevância notável e um encaminhamento peculiar e tem sido abordado tanto por pesquisas que seguem os rumos clássicos das discussões sobre autoria, quanto por trabalhos quça relação entre processos editoriais e autoria, tradução e autoria, novos mídiuns e autoria. Este número temático da Revista da ABRALIN coloca em cena algumas das pesquisas que vêm sendo desenvolvidas no país sobre autoria, agrupando-as em três eixos [...]. (publicada no site da Revista, no 2º semestre de 2015)<italic id="italic-2"/></italic>
      </p>
      <p id="paragraph-83827334e9e200972b5d1384a4d88d02">.</p>
      <p id="paragraph-752561ff8d3b8f3c37ce50abeb6d0370">E listávamos os eixos sobre os quais as pesquisas sobre autoria deveriam se encaixar, caso quisessem ter aqui seu espaço de divulgação garantido. Os eixos apresentados foram os seguintes:</p>
      <p id="paragraph-0ab812fe63d3e4a7267ac2b67e398caf">.</p>
      <p id="paragraph-3">i) alguns autores fundadores da discussão sobre autoria;</p>
      <p id="paragraph-5">ii) problematizações da noção de autoria;</p>
      <p id="paragraph-7">iii) autoria em contexto escolar.</p>
      <p id="paragraph-041fb0afd0879113b1946a648f7b13fd">.</p>
      <p id="paragraph-10">Conforme se pode observar no Sumário, esses eixos foram mantidos. Mas os artigos que constam em cada um deles estão longe de respeitar as fronteiras desses espaços discursivos pré-delimitados. A priori, não supomos que isso aconteceria; não imaginávamos que a leitura dos artigos aqui copilados pudesse permitir cartografar uma rede de inter-relações. Supúnhamos que teríamos um conjunto de trabalhos representativos de estudos sobre o tema, mas não esperávamos encontrar a configuração de um espaço interdiscursivo em pleno funcionamento. Ou, mais especificamente, esperávamos encontrar quadros teóricos bem delimitados, mas nos deparamos com um grande processo interdiscursivo de teorização.</p>
      <p id="paragraph-5a9944738b300de419746a3f106e709c">Os artigos que compõem a Parte 1 deste volume, por exemplo, mais que apresentarem teorias fundadoras da discussão sobre autoria, fazem caminhar a reflexão; comparam, problematizam, deslocam conceitos<xref id="xref-028c9e0f27ffd822e10960a1dd83d5c5" ref-type="fn" rid="footnote-e832da032a83563b1a8889b1363c5b89">1</xref>; apresentam dados dos bons<xref id="xref-c817199202cd84f859ee6746b5bb78fc" ref-type="fn" rid="footnote-4ed349754748c7f469eb943dc9870264">2</xref> e empreendem análises inquietantes<xref id="xref-70447a21baecc2e841e3b4f7c9cd0f32" ref-type="fn" rid="footnote-35ff7e3f066f5c4dd07ccaf962553080">3</xref>.</p>
      <p id="paragraph-de155246b5f1bcf6dfd46c14a796897a">Por sua vez, os artigos copilados na Parte 2 não apenas apresentam dados que exigem revisões de conceitos vigentes de autoria<xref id="xref-65598289bbb846c430e97aa6d1fcf152" ref-type="fn" rid="footnote-7a3bc073fb0c9b24273b97d97f681cc3">4</xref>, ou então novos contextos discursivos que impõem reformulações teóricas<xref id="xref-87f9e723d488937236cba0761152729d" ref-type="fn" rid="footnote-347bbb59c852c8bd6801ca7e6c6d7e13">5</xref>, mas problematizam o próprio processo de construção de teorias historicamente consolidadas sobre o tema<xref id="xref-cc84945ff4c227bec7b9d755324e37e0" ref-type="fn" rid="footnote-72b32cf538b336ca8cf9845fcea8e8ca">6</xref>, mantendo, neste último caso, uma estreita relação com os artigos apresentados na Parte 1.</p>
      <p id="paragraph-556e036ebaed0d477e736ad5b6de9836"> A Parte 3 do volume agrega artigos que discutem a questão da autoria em contexto escolar<xref id="xref-13400cb870c8042516588f8856afc262" ref-type="fn" rid="footnote-cf76b83ce31ce478a51217efbd70ea86">7</xref>, retomando propostas teóricas nacionais (especialmente as de ORLANDI e POSSENTI) que ocuparam boa parte das discussões sobre ensino de Língua Portuguesa (LP) no Brasil. Essas propostas sobre autoria foram formuladas no interior de um movimento teórico nacional que, ao pensar o ensino de LP, assumia como fundamentos as concepções de linguagem como atividade interativa, de texto como processo, de discurso como tomada de posição, e que, por isso, fazia ruir (ao menos em tese) uma velha tradição escolar que subjugava linguagem, textos e sujeitos a modelos formais pré-estabelecidos. A tematização do conceito de autoria, nesse contexto, foi o gatilho para que, na Linguística brasileira, um amplo processo de retomadas, deslocamentos, reformulações e novas proposições, em torno dessa problemática, tomasse lugar – mas não mais apenas de forma restrita ao contexto escolar; a reflexão se estendeu a contextos literários, digitais, etc., como testemunham vários artigos desta coletânea.</p>
      <p id="paragraph-cc12073b9419fc9ceb75114e340d1ba8">Entregamos, pois, aos leitores deste número temático, traçados de um mapa que delineiam domínios, fronteiras, e intersecções por onde tem se constituído o debate sobre autoria, a partir do olhar refinado de pesquisadores brasileiros<xref id="xref-5b568c25dbbc6ece26167873ee991dea" ref-type="fn" rid="footnote-bbe551b9880e853bb20b26bd0ba7fd1b">8</xref> que têm, já há algum tempo, se dedicado à pesquisa sobre o tema. Agradecemos a eles a contribuição na construção desta coletânea. Agradecemos, ainda, às respectivas universidades às quais são filiados, por sediarem suas pesquisas; às agências brasileiras de fomento à pesquisa, que têm subsidiado os trabalhos aqui apresentados; à Associação Brasileira de Linguística; e, em especial à direção da <italic id="italic-1b0387385884986984cf267eb370cdba">Revista da ABRALIN</italic>, pelo espaço aberto para a divulgação da pesquisa brasileira em Linguística – e pelo espaço concedido para o debate em torno da problemática da autoria. A todos os envolvidos neste trabalho – à Neuza Travaglia e Lívia Cremonez, pela tradução e revisão de alguns resumos em língua francesa e inglesa; e à Patrícia Mabel Kelly Ramos, pela padronização e diagramação dos artigos e da versão final deste volume – o nosso agradecimento.</p>
      <p id="paragraph-929375f442b15fc8218d3d56a26d7321">.</p>
      <p id="paragraph-b2b32b39378e353ee99919a508bb04dd">Uberlândia, inverno de 2016.</p>
      <p id="paragraph-2">As organizadoras.</p>
    </sec>
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      <fn id="footnote-e832da032a83563b1a8889b1363c5b89">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-1831d185a75dfc40723490dca238a136">Cf., neste volume, os artigos de FERNANDES; de CURCINO; e de MAINGUENEAU.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-4ed349754748c7f469eb943dc9870264">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-530f350707782cc0a66d7062a588fc04">No sentido definido em: POSSENTI, S. “O <italic id="italic-cf9f9ecd37741435b363f2815a6f155f">dado </italic>e o dado <italic id="italic-5cf6e64c3690e86451a5e8d402ba975c"><bold id="bold-1">dado</bold></italic>” (O dado em Análise do Discurso). In: CASTRO, M. F. P. de (Org.). <bold id="bold-2">O método e o dado no estudo da linguagem</bold>. Campinas: Editora da UNICAMP, 1996. p. 195-207</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-35ff7e3f066f5c4dd07ccaf962553080">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-4c76277cbacd46c74a543308c4002fbb">Cf., neste volume, os artigos de BRAIT; e de MAINGUENEAU.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-7a3bc073fb0c9b24273b97d97f681cc3">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-eb6015505ee4a14f3347ea6ff2cf996d">Cf., neste volume, os artigos de RIO, FERNADES JÚNIOR; e de SALGADO.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-347bbb59c852c8bd6801ca7e6c6d7e13">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-84515e1a1553a2d9668d03f05f9cdbd9">Cf., neste volume, os artigos de KOMESU, GALLI; e de SALGADO.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-72b32cf538b336ca8cf9845fcea8e8ca">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-df48e448685884df5622846d28397c83">Cf., neste volume, o artigo de GRÜNHAGEN, MARTINS.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-cf76b83ce31ce478a51217efbd70ea86">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-57b3b3f144cdfff7505b06c05567549f">Cf., neste volume, os artigos de POSSENTI; de PACÍFICO; e de MENDONÇA.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-bbe551b9880e853bb20b26bd0ba7fd1b">
        <label>8</label>
        <p id="paragraph-5f2756a41e12707352a634cf91161073">Agradecemos a Dominique Maingueneau (Universidade de Paris-Sorbonne) a inestimável contribuição para este volume.</p>
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