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<journal-title>Revista da Abralin</journal-title>
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<publisher-name>Associação Brasileira de Linguística</publisher-name>
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        <article-title>AFORIZAÇÃO E ACONTECIMENTO: POR UM DIÁLOGO ENTRE A ANÁLISE DO DISCURSO E A SEMIÓTICA TENSIVA</article-title>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="10/08/2015" />
      <volume>14</volume>
      <issue>2</issue>
      <fpage>255</fpage>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-617a7eb8c8b96c5a9c65a3caa50ceebd">Os objetivos deste artigo são constituídos no contexto da importância da inÁuência midiática </italic>
          <italic id="italic-c39e9a003e11c4fccb62c186ac9ab1ce">sobre a sociedade atual. Estabelecendo-se sobre a base teórica da Semiótica Discursiva e </italic>
          <italic id="italic-16733065c05617395f6affba859530c0">da Análise do Discurso de linha francesa, abordam-se a manipulação da informação e a manipulação como estratégia discursiva para atrair a atenção do leitor/consumidor. De </italic>
          <italic id="italic-27fbdf6a426f8f303862cd7781d3bfaf">maneira especíƒca, examina-se como se dá esse decurso de manipulação na contemporaneidade </italic>
          <italic id="italic-8d9593449f3de3a0820c7396ce44e6fa">e quais as estratégias usadas pelos veículos midiáticos visando o sucesso do acordo tácito que </italic>
          <italic id="italic-9ed047921104268ceead38e46733c7d6">estabelecem com os sujeitos que pretendem manipular.<italic id="italic-8825511f340f221c0eef6ea8604a3a4d"/></italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="_paragraph-2">
          <italic id="italic-1">The objectives of this article are constituted from the importance of media inÁuence on today’s society context. Settling on the theoretical basis of discoursive semiotics and French Analysis </italic>
          <italic id="italic-2">of Discourse, this article will approach information manipulation and manipulation as a </italic>
          <italic id="italic-3">discursive strategy to attract the reader/consumer attention. Speciƒically, it examines how this course of</italic>
          <italic id="italic-4" />
          <italic id="italic-5">manipulation unfolds in the contemporary world and which strategies are used by media vehicles to succeed in the tacit agreement established with the subjects they intend to </italic>
          <italic id="italic-6">handle.<italic id="italic-7"/></italic>
        </p>
      </abstract>
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        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-5907e58010c4f16b348f639fc6d60429">Discourse</italic>
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        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-8b38c5ead478190bb1893b83a11aea08">Semiotics </italic>
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        <kwd content-type="">A<italic id="italic-16b5c5a0f3f74843de1d9184a6cdf9df">phorizing enunciation</italic></kwd>
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    <sec id="heading-100bb103862cb7bebc989000d1600148">
      <title>Introdução:</title>
      <p id="paragraph-1">Muito se tem discutido sobre o papel das mídias na sociedade atual. Charaudeau, por exemplo, discorre sobre o tema no livro <italic id="italic-f222dfcf50e3ca01c849efe0c3ab51f1">Discurso das </italic><italic id="italic-9622cbd8380b7a737f450790915dcc70">mídias </italic>(2006), assumindo a posição de que, independentemente das críticas que se possa fazer às mídias, elas desempenham um papel fundamental no âmbito da democracia: o de informar a população sobre fatos e eventos que ocorrem no mundo, fazendo circular explicações sobre eles e abrindo espaço para o debate. Por outro lado, considerando que os cidadãos sempre entram em contato com o fato tal como ele é filtrado pela instância midiática – já que eles nunca têm acesso ao “fato bruto” –, não se pode perder de vista que as mídias escolhem o que tornar visível (e – acrescentamos – determinam o modo como esse visível deve ser “tornado visível”), o que leva Charaudeau (2006, p. 256) a concluir que “as mídias informam deformando”, embora nem sempre haja uma verdadeira intenção manipuladora.</p>
      <p id="paragraph-2">Em trabalhos desenvolvidos mais recentemente (ver, por exemplo, Lara, 2013; 2014), assumimos que as mídias detêm uma considerável “margem de manobra”, ao selecionar a informação a ser veiculada – afinal, escolher anunciar uma notícia é fazê-la existir –, operando recortes nesse material (decidindo o que será ou não e[cluído, as “vozes” que serão agenciadas ou, ao contrário, silenciadas) e dando-lhe uma organização específica, entre outras possíveis. Preferimos ainda tomar “manipulação” mais no sentido que lhe atribui a Semiótica Discursiva <italic id="italic-ec18851b61b01a2c65a376dc182367cd">standard, </italic>ou seja, como um fazer-fazer: fazer com que os destinatários comprem a revista e/ou leiam a matéria. Esse termo não implica, portanto, necessariamente, as acepções negativas que o senso comum costuma atribuir-lhe, como usar de má fé ou enganar o outro, embora isso possa ocorrer.</p>
      <p id="paragraph-95f578de33cab54d3de55e3b1ba1fdc6">Ora, um dos recursos mobilizados pelas mídias para atrair (ou “manipular” em termos semióticos) o leitor/consumidor encontram- se as <italic id="italic-6b638790b8ec058000b12f3d50dbb14f">aforizações</italic>. Essa noção, cunhada por Maingueneau (2006, 2008, 2010, 2012), no âmbito da Análise do Discurso francesa (doravante AD)”<xref id="xref-1540c7525412ce5e4ec39fec684913cc" ref-type="fn" rid="footnote-0d7f4c7dd7c411b66407163e540f8f96">1</xref>, pode ser definida, grosso modo, como “pequenas frases”<xref id="xref-99c7ed31d2f27b5f79bd18ff69460195" ref-type="fn" rid="footnote-3eb35c98d06ee489313f55607d23ed5c">2</xref>, isto é, enunciados destacados de um texto que são retomados como títulos, intertítulos ou legendas de foto, com o objetivo maior de “captar” a atenção ou o interesse do público para a informação (o fato, o evento) que se quer veicular.</p>
      <p id="paragraph-3"> Nesse sentido, levantamos a hipótese de que as aforizações podem funcionar como um <italic id="italic-8da8ba7dadbe72ddb104109a2f65e47f">acontecimento </italic>para o leitor, quando desestabilizam seu contrato de leitura, como ocorre nas falsas capas de revista que analisaremos na seção 3. Como o acontecimento (por oposição à rotina ou e[ercício) é uma noção central na Semiótica Tensiva<xref id="xref-da5cf1fa236b72b14491c8c7987a6bae" ref-type="fn" rid="footnote-b9740d854bbb21bbb19dba34617193a2">3</xref> é desse domínio teórico que convocaremos tal noção, para fazê-la dialogar com a aforização. Em linhas gerais, a estrutura do acontecimento é marcada por um necessário sincretismo entre o <italic id="italic-cc2c15e0f8685c41e683501f7b5a98bd">sobrevir </italic>(enquanto modo de eficiência), a <italic id="italic-43091b47e859768f19bfcad68835165d">apreensão </italic>(como modo de e[istência) e a <italic id="italic-04204ebd7f72730a8edc2f445d86778a">concessão </italic>(enquanto modo de junção) (Zilberberg, 2007). Nas pró[imas seções, buscaremos discutir melhor as noções de aforização e de acontecimento, de modo a apro[imá-las e a estabelecer um diálogo profícuo entre elas, de acordo com o objetivo maior deste artigo, já e[presso no título.</p>
      <p id="paragraph-0d7b1f9644198fb309100cbb043e23b1" />
      <p id="paragraph-b6038c173de804cc6522ab3b1611d0e7" />
    </sec>
    <sec id="heading-1">
      <title>1. Desvendando a teoria</title>
      <sec id="heading-e46e115cc54cae3a7ebd1574523490bc">
        <title>1.1 A aforização em foco: breves considerações</title>
        <p id="paragraph-5">Ao abordar a destacabilidade, Maingueneau (2006) aponta, inicialmente, o grande número de enunciados que circulam na sociedade e que poderiam ser chamados, genericamente, de citações ou fórmulas. Esses enunciados destacados – que o autor passará a chamar de <italic id="italic-ebe5b04ebad02e90db5f0c271f1bcd89">aforizações</italic><xref id="xref-8aa1ad6dea48b7060e5e16f8d39187b6" ref-type="fn" rid="footnote-48ed5b0de2e98e8301c4c7c223d136b7">4</xref>– podem ser de dois tipos: aforizações primárias (as que são autônomas, como os provérbios e as má[imas) e aforizações secundárias (aquelas que são destacadas de um texto) (Maingueneau, 2012: 23). É esse segundo tipo de aforização que nos interessa mais de perto no presente artigo.</p>
        <p id="paragraph-7"> No caso das mídias, não é possível determinar se essas “pequenas frases” são assim porque “os locutores de origem as quiseram [...] destacáveis, destinadas à retomada pelas mídias, ou se são os jornalistas que as dizem dessa forma para legitimar seu dizer” (Maingueneau, 2006: 80). Em outras palavras: nada impede que os profissionais das mídias convertam soberanamente em “pequenas frases”, graças a uma manipulação apropriada, quaisquer sequências de um texto, ou mesmo que as fabriquem, em função dos reempregos que delas serão feitos, tendo em vista o jogo de antecipações das modalidades de recepção (Maingueneau, 2006). Nesse caso, teremos aforizadores produzidos pelo próprio trabalho de citação (que, portanto, não coincidem com os locutores dos te[tos de origem).</p>
        <p id="paragraph-7c0100b5432f4154357a22184f207f7c">Em suma, no entender do autor, a citação está inscrita no próprio funcionamento da máquina midiática, cujos atores gastam seu tempo destacando fragmentos de te[tos para convertê-los em citações (para títulos, intertítulos, entrevistas etc) e – acrescentamos – quando não os fabricam eles mesmos com o objetivo último de “captar” a atenção do leitor e garantir o consumo do produto (do serviço, da ideia), orientados pela lógica de mercado, em que os números de vendas e/ou de acessos (no caso da internet) respondem pelo sucesso da publicação.</p>
        <p id="paragraph-e0620d79f84446c6586b4926c91c1fc8">Em linhas gerais, para Maingueneau (2012: 25), a aforização, sendo uma “frase sem texto”, remete a um tipo de enunciação que obedece a uma outra lógica, distinta da do texto. Do ponto de vista mais imediato, isso significa que ela não é nem precedida nem seguida de outras frases com as quais estaria ligada por relações de coesão, de modo a formar uma unidade te[tual, ancorada num gênero de discurso. Logo, o que caracteriza a aforização é a recusa em entrar na lógica do texto e do gênero de discurso, o que não significa, por outro lado, que ela seja destituída de contexto<xref id="xref-6f8ec328a7f999e617934304df869b44" ref-type="fn" rid="footnote-5fa7d08d87491a479d53f3cb6d437346">5</xref>.</p>
        <p id="paragraph-4">Cabe ressaltar ainda que as aforizações secundárias podem ser de dois tipos: por destacamento <italic id="italic-bb457483943437a84f9ada4228d84f53">forte </italic>e por destacamento <italic id="italic-926a288cbf7c345f9783b79768178b00">fraco. </italic>No primeiro, os enunciados destacados rompem com o texto de origem – ou seja, do ponto de vista do consumidor de mídias, esse texto não e[iste –, enquanto, no segundo, os enunciados destacados são vizinhos do texto de origem. Portanto, no destacamento fraco, os enunciados mantêm um elo com o texto de origem, embora isso não implique uma fidelidade absoluta.</p>
        <p id="paragraph-b04969dc490d5a98d26ccbb1d67b2956">Sem a intenção de ser e[austivo, Maingueneau (2012: 58) lista alguns índices que orientam para um diagnóstico de aforização: índices textuais (preferência por enunciados constituídos de uma única frase); índices lexicais (presença de verbos como <italic id="italic-0eed7137fbeec5dd7b8dfff181f41263">repetir </italic>e <italic id="italic-9963de7c26a52c18eced2c96a62ba1ce">martelar, </italic>que ressaltam o caráter memorizável da aforização); índices aspectuais (caráter genérico do enunciado); índices sintáticos e prosódicos (construções simétricas, em quiasma...); índices semânticos (presença de tropos: metáforas, paradoxos...), entre outros. O autor, porém, ressalta que a aforização pura não e[iste, já que cada aforização pertence necessariamente a um tipo e sofre coerções por esse pertencimento (Maingueneau, 2012: 50). Essa observação é importante porque as aforizações que examinaremos na seção 3 têm um funcionamento específico em função do gênero (falsa) capa de revista e do suporte (internet) em que se inserem.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-1ae37dd8caf7fa315bbfc1a28229c411">
        <title>1.2 Acontecimento <italic id="italic-36c61a1b0f36b6c0d99da189d67b7773">versus   </italic>rotina:   contribuições    da Semiótica Tensiva</title>
        <p id="paragraph-5ea2bed0e94e78b57fd51f7bb3cfe5b0">Conceito oriundo da Semiótica Tensiva, como já foi dito, o <italic id="italic-0994fdf6a035294e42d509aa0b25424f">acontecimento </italic>é, segundo Zilberberg (2007: 16), o correlato intenso ou hiperbólico do fato. Este seria, então, o resultado do enfraquecimento das valências paroxísticas de andamento e de tonicidade, que constituem marcas do acontecimento. Enquanto o fato é numeroso, o acontecimento caracteriza-se pela sua raridade; enquanto no fato a carga tímica se encontra dividida, é no acontecimento que ela se concentra.</p>
        <p id="paragraph-bb97ff5c4fd41ce6aa44a445f5b46ce7">Com o propósito de deslindar essa noção tão rara quanto importante e de contrapô-la à noção de exercício (ou rotina)<xref id="xref-8823c1511f010f8387947d637c78cfd9" ref-type="fn" rid="footnote-fe1362737a8841e034d31902b9a6c5a0">6</xref>, o autor convoca o conceito de modo, distinguindo três espécies – os modos de eficiência, os modos de existência e os modos de junção –, que descreveremos brevemente a seguir<xref id="xref-6cf83074e34048d2981b998450b41a0d" ref-type="fn" rid="footnote-e4f57a1212082e5b60fdab7822e7b618">7</xref>.</p>
        <p id="paragraph-8fa313cd0aaf69f98071e7a82fb51883">Os modos de eficiência designam a maneira por meio da qual uma grandeza se instala num campo de presença. Se tal processo ocorrer segundo o desejo do sujeito, teremos a modalidade do <italic id="italic-0dfc3b1cc968bfd54b3ce596694b825e">conseguir; </italic>se, ao contrário, a grandeza se instalar sem nenhuma espera, denegando, de forma abrupta, os cálculos ou as e[pectativas do sujeito, entra em jogo a modalidade do <italic id="italic-53790126b71509d296eac82cb27402bd">sobrevir. </italic>O sobrevir caracteriza-se, do ponto de vista das subvalências do andamento (intensa) e da temporalidade (e[tensa), pela subtaneidade e pela brevidade; já o conseguir, pela progressividade e pela longevidade. No que tange à temporalidade, a longevidade, relacionada ao conseguir, é da ordem do <italic id="italic-6554488c3289d3c5f2ef4570b81a0439">agir </italic>e da paciência, enquanto a brevidade do sobrevir é a do <italic id="italic-9432e4598d5052857f4ba4e06731b5a4">sofrer</italic>, que o inesperado, de forma precipitada, impõe ao sujeito.</p>
        <p id="paragraph-dd707f43673554009ccbaec0a76b84b8">Quanto aos modos de e[istência, o par diretor é constituído pela alternância entre a <italic id="italic-52c6f2eb283d05cd7be1e6c3e8c20b00">focalização </italic>(ou <italic id="italic-3d56c606b36e6e531f1c313092a1b135">foco</italic>) <italic id="italic-e625c18e135a0c3aec905bbba714cd35">e </italic>a <italic id="italic-8">apreensão. </italic>A focalização, definida como ter algo em vista ou esforçar-se para atingir um resultado, subentende o modo de eficiência do conseguir, em virtude do traço imanente “esforço”. A apreensão, por seu turno, remete ao sobrevir: ao estado do sujeito inicialmente espantado, admirado, impressionado e, dali por diante, marcado pelo que lhe aconteceu. Sendo assim, podemos dizer que o sujeito espantado apreende e é ele mesmo apreendido por aquilo que o apreende, pois apreender um acontecimento é, antes de tudo – ou, sobretudo –, ser apreendido pelo sobrevir.</p>
        <p id="paragraph-6dc7db38caa3ff6e8501ad45ed608521">Finalmente, nos modos de junção, tomada aqui como a condição de coesão pela qual um dado é afirmado (e, portanto, de modo distinto da sua acepção usual na Semiótica <italic id="italic-9">standard </italic>em que designa a relação entre sujeito e objeto dos enunciados de estado), distinguem-se um modo <italic id="italic-10">implicativo </italic>e um modo <italic id="italic-11">concessivo. </italic>No caso da implicação, temos a fórmula “<italic id="italic-4637a0ddf89fcbfa7c4ed94287d409ba">se </italic>a, <italic id="italic-f3035890f47bc702efe2eaf3643c8eef">então </italic>b”, cujo emblema é o <italic id="italic-0349a12ae08160c5531aa3463c448faa">porque</italic>. Já a concessão tem como emblema a dupla formada pelo <italic id="italic-2ef5f3debb4011de0641874f2c9d30c2">embora </italic>e pelo <italic id="italic-fc2a8583a737f655d0c602c2221183f7">entretanto</italic>: “<italic id="italic-3c747fa204ef44f12c5b5a7a9904b0d8">embora </italic>a, <italic id="italic-6853670aa9f8a6c5217efc062295fedd">entretanto não b</italic>”. Sendo menos rara do que parece, a concessão liga-se duplamente à noção de limite: do ponto de vista da extensão, ela marca o limite, mas, ao mesmo tempo, deve ela própria limitar-se, sob pena de recriar, à sua revelia, uma regularidade que ela vem abalar.</p>
        <p id="paragraph-5585f77f91085759b056b80d16c6a476">Como foi dito, na Introdução, o acontecimento representa a interseção do <italic id="italic-b6edce32356527eb7c582eaa612d1b03">sobrevir </italic>(para o modo de eficiência), da <italic id="italic-ffccc4dc63aba51789f486a0f4096ef8">apreensão </italic>(para o modo de e[istência) e da <italic id="italic-44e9fb887f5dec50ccd2fab6e8b0f6c8">concessão </italic>(para o modo de junção). Como não poderia dei[ar de ser, seu correlato, a rotina, implicaria, ao contrário, a articulação do <italic id="italic-9b3577e5934314342f700b605fcefe28">conseguir</italic>, da <italic id="italic-12">focalização </italic>e da <italic id="italic-13">implicação. </italic>O quadro a seguir sintetiza essa discussão:</p>
        <table-wrap id="table-figure-03e854d545c261f9003ed061dbff15ec">
          <label>Table 1</label>
          <caption>
            <title><bold id="bold-1">QUADRO 1</bold>: Estrutura do acontecimento e da rotina</title>
            <p id="paragraph-e06ff505f0fd73fd66784926802d8c0d">Adaptado de: Zilberberg (2007: 25)</p>
          </caption>
          <table id="table-78dcbf15087b0b77c2a0f8ff5616c107">
            <tbody>
              <tr id="table-row-3b30a5cbe8c55c2c3a30a81da518006d">
                <td id="table-cell-74fcb77a5259954ca98eaa095a1b9f53"> determinados → determinantes
↓ </td>
                <td id="table-cell-4093be5b0a7dc1737012ed98964dbddd"> rotina
↓ </td>
                <td id="table-cell-69a34d68c271ca43e9b1d7667ff3d8b3"> acontecimento 
↓ </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-a0fb30f6f6598a26cfe51e2a39f467c8">
                <td id="table-cell-b8f1230a171488e1d1fc964c45556185"> modo de eficiência → </td>
                <td id="table-cell-c9a1336383d0a80a3ff062fa435bc7e4"> conseguir </td>
                <td id="table-cell-6cc16855f6cd213ba7f9ec03655a4454"> sobrevir </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-0a6c9b1590f297cf5b46d38632084b07">
                <td id="table-cell-974a1962c271443bf0f70cdb15f3d26e"> modo de e[istência → </td>
                <td id="table-cell-bc74dbf0c74bda0afcf308dda190c2c2"> focalização </td>
                <td id="table-cell-781260730b46574607c0acae1a01fa35"> apreensão </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-4a4e269f8cc208a769bbaf5645c1eb33">
                <td id="table-cell-c60872abc00667ce2eebdf2599e36d58"> modo de junção → </td>
                <td id="table-cell-c6cc235b8dba241708f5069a8ad21c29"> implicação </td>
                <td id="table-cell-927f968ca0ea73fcbcd966fc31860c18"> concessão </td>
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
        <p id="paragraph-88b3001440a4599d87825e705bc1d159">Teríamos, pois, duas grandes orientações discursivas: o discurso da rotina e o discurso do acontecimento, o que nos permitiria já uma primeira aproximação entre as noções de aforização e de acontecimento. Assim, se um enunciado é destacado de um te[to (ou se se simula fazê-lo), isso se dá, em geral, pela carga de impacto que ele carrega, ou seja, por um grau considerável de intensidade. Lembremos que o <italic id="italic-cc1e85843ed010130e8035c4b6eacb5e">acontecimento </italic>é o correlato intenso ou hiperbólico do fato, caracterizando-se, entre outras coisas, pela presença das valências paro[ísticas de andamento e de tonicidade (que, no fato, estão enfraquecidas), por sua importância e raridade e, além disso, pela concentração da carga tímica (que, no fato, encontra-se dividida) (Zilberberg, 2007: 16).</p>
        <p id="paragraph-f4429e6041d4faae5f403560f2241e06">Indo um pouco mais além, gostaríamos de defender a ideia de que as falsas aforizações que analisaremos adiante, fabricadas para constar em simulacros de capas de revista direcionadas ao público infanto-juvenil, investem, de forma mais intensa ainda, no discurso do acontecimento. Isso porque elas rompem, por completo, com as expectativas do leitor quanto às chamadas-título “rotineiras” de uma revista convencional, entrando de maneira inesperada, abrupta, no campo de presença do sujeito e apreendendo-o, mais do que sendo apreendida por ele. Assim, se as aforizações que comumente habitam as capas de revistas reais “transformam”, de certa forma, fatos em acontecimentos, atraindo o leitor para as reportagens anunciadas, isso é levado às últimas consequências quando se trata de aforizações “fabricadas” para, no mínimo, indignar o destinatário/leitor. É isso o que procuraremos mostrar na pró[ima seção.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-bbdb1406cd600887a4049a91d70530fc">
      <title>2. Por uma análise tensiva das aforizações</title>
      <p id="paragraph-6">Como adiantamos na seção anterior, tomaremos como objeto de análise as aforizações que constam de dois simulacros de capas de revista infanto-juvenil, publicadas na internet, mas que, na verdade, foram criadas pela <italic id="italic-c31df15bb50847c63044d30104f742be">Catapult</italic>, especialmente para denunciar formas de exploração a que, ainda hoje, são submetidas crianças e adolescentes do se[o feminino. O <italic id="italic-0e7052c42e419574f2927b4581ee0906">site </italic>em questão é responsável por arrecadar fundos para financiar causas que se relacionem à igualdade de gêneros. As capas que analisaremos foram criadas em março de 2014, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher (8 de março), com o mote “Vamos transformar os direitos das meninas e das mulheres em mais do que apenas uma matéria de capa.”.</p>
      <p id="paragraph-32b3af6220726a547a5402cab08d04cc">É importante observar que as duas falsas capas das também falsas revistas, batizadas de <italic id="italic-bd896b925e8d5e126c8ceb31eb58fc94">Thirteen </italic>e <italic id="italic-c320894af5cba8982edf16d68a7b8ced">Child Bride</italic>, dialogam com capas/revistas reais, não apenas pela interte[tualidade dos títulos, já que e[istem as americanas <italic id="italic-499b0a1cc8d61d0eb544d1c5186f1d7b">Seventeen </italic>e <italic id="italic-89166fc4a1ce054249c5533e10a6e7ec">Brides</italic>, mas, além disso, mantêm, em linhas gerais, o mesmo <italic id="italic-120b5bb3b7a18dd63d097b915ada705a">lay-out </italic>das capas dessas revistas<xref id="xref-cf15b2f6f5d21e1577dae319aa7fc13b" ref-type="fn" rid="footnote-6833bb71547e7a5e37ce97368c688fa7">8</xref>, num interessante “jogo” linguístico-visual. Não nos alongaremos nessa questão, já que nosso objetivo maior é refletir sobre as aforizações dessas falsas capas, pois são elas, a nosso ver, as responsáveis mais diretas pelo impacto sobre o leitor, ou, dito de outra forma, pelo “efeito de acontecimento”.</p>
      <p id="paragraph-3058b40f4c38f66d64483ab34bc1beed">Cabe esclarecer ainda que estamos tomando a noção de aforização em sentido mais amplo do que o faz Maingueneau em seus trabalhos, visto que, para ele, a aforização prototípica caracteriza-se, entre outros aspectos, por ser uma citação em estilo direto, o que não ocorre nos enunciados destacados (aforizações) dos simulacros de capa que e[aminaremos a seguir. No entanto, ao afirmar que a aforização pura não existe e que ela sofre coerções pelo seu pertencimento a um dado tipo, o próprio autor nos dá respaldo (já que o risco é nosso) para abordar as chamadas-títulos das (falsas) capas como aforizações. Vejamos, então, as duas capas<xref id="xref-52e326a3a80fce4f80dc16919b5c865b" ref-type="fn" rid="footnote-4089d56be7d34b89ab57c415bd2b1522">9</xref>:</p>
      <fig id="figure-panel-2710087e7c0e4afbc0d9e1354f8ea843">
        <label>Figure 1</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-46b5ec8ea27d410d950d13780a6b3e2f" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-95d8f7ce79b5e62298a8dd09a4399c4b" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="1.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-7d266520fc3cb7ae0516f9fb00522e53">Algumas aforizações, tomadas aleatoriamente na primeira capa, são as seguintes:</p>
      <p id="paragraph-eaa34f26f41bf702fc26a81f443b249c">- Esconda aquelas escoriações com 35 truques fáceis de maquiagem<italic id="italic-5e1004c6dfbeaccf37f2c2657958524e">.<italic id="italic-b1cc650c3c010a8c5859a9fdcac1de49"/></italic></p>
      <p id="paragraph-fa565ca854371f8b7728cc006d7f14bc">- O A a Z do caminho: nosso guia essencial para a vida no inferno.</p>
      <p id="paragraph-c49ac1a28eef55f25542ec857867d35c">- As chocantes histórias reais de vida em que você não acreditará,</p>
      <p id="paragraph-fcb6b48df17b0abdbbd9ad836ecca63d">nem a polícia<italic id="italic-45b3df37bcbe5898af0c86f694b8b2b6">.<italic id="italic-a0946fff9f2babcd715661603757c3bb"/></italic></p>
      <p id="paragraph-352aa16a8b8cd1638ba2be1ff058af64"><italic id="italic-86c656ca737d6d56b1e3375e4c6d9528">- </italic>Quem precisa da infância, afinal?<xref id="xref-57e7ad3156a1a78723cf97b441afbb3d" ref-type="fn" rid="footnote-09763a80597d6064ace4db507e627fe9">10</xref></p>
      <p id="paragraph-9">No caso da segunda capa, que vem sinalizada como “Edição do Yemen” (o que é compatível com o tipo de vestido de noiva que a “modelo” veste), teríamos aforizações, também tomadas aleatoriamente, como estas:</p>
      <p id="paragraph-10">- 583 histórias de estupro, ataques com ácido e rapto.</p>
      <p id="paragraph-11">- Qual é a idade dele? 60? 70? E outras perguntas que não devem ser feitas.</p>
      <p id="paragraph-12">- Deslumbrantes vestidos de noiva: agora para idades de 7 a 12 anos.</p>
      <p id="paragraph-13">- Segredos de e[ercícios: você pode entrar em forma para dar à luz aos 14!</p>
      <p id="paragraph-14">- O dia em que seus sonhos acabam.<xref id="xref-84e0d0163b882aca79c31911f17ad3ad" ref-type="fn" rid="footnote-23754d4d8669105caa38c8dc885f35d1">11</xref></p>
      <p id="paragraph-9aaa739334ad48246a2d40124377423f">Salvo pelo olhar triste das duas meninas, o que contrasta vivamente com capas de revistas reais para o público infanto-juvenil, em que as modelos, em geral, apresentam-se sorridentes, manifestando “pai[ões” como ânimo e alegria (ver, por e[emplo, as revistas brasileiras <italic id="italic-744d174d09daecd0882d313bb3676fcf">Atrevida </italic>e <italic id="italic-19f3ce5f7dd94cbb3b5958c910733ed8">Todateen</italic>), essas capas, ao menos num primeiro momento, poderiam ser tomadas como originais: a primeira apresentaria uma adolescente pronta para ir para a “balada”; a segunda, uma criança com roupa típica do seu país. Nesse segundo caso, o título, que traz a palavra criança (<italic id="italic-bbf366b7936f3e52ee344e2cbba20a1b">child</italic>) qualificando noiva (<italic id="italic-379cf132f2b6657f71297314f0bd0ac5">bride</italic>), pode levar a algum tipo de estranhamento. No entanto, são as aforizações que causam um impacto mais direto sobre o leitor, fazendo-o (re)tomar cada capa, no seu conjunto, como um acontecimento.</p>
      <p id="paragraph-d25354330626d66174ddb62a3a8acef6">A simples comparação com as chamadas-título das revistas <italic id="italic-fa5d4a53eb3be68f524f64fb4f56b7d3">Seventeen </italic>e <italic id="italic-c377abe13c58d5dc67bab6cd8894b57f">Brides, </italic>publicadas no mesmo período<xref id="xref-b8730ce7ca00355e67f248fd502d3796" ref-type="fn" rid="footnote-4905be0af98e2a3f1d4f5aa4938cbc05">12</xref>, nos dá ideia da carga de intensidade/tonicidade (negativa) que as aforizações da <italic id="italic-d6c487584961922ef9680d93a0f24d1f">Thirteen </italic>e da <italic id="italic-ea69b86174706d084e6852504dc41693">Child Bride </italic>carregam. Vejamos alguns exemplos:</p>
      <p id="paragraph-abb58831ae69f0e25492bc155542feba">- Pareça linda todo o verão.</p>
      <p id="paragraph-0335adb96ac4d85cf201f1bf922dad31">- Roupas bacanas, maquiagem bonita &amp; bijuteria divertida.</p>
      <p id="paragraph-83335a8d73bb2c37843b99690bd5aaba">- Viva seus sonhos! (<italic id="italic-ec17a27610ed30c0d939e8bb2fd9f72b">Seventeen</italic>, Mars 2014).<xref id="xref-c84ce78e55482b99982381ae92176a4c" ref-type="fn" rid="footnote-b5af70ce6418a546bc092a1e8384913e">13</xref></p>
      <p id="paragraph-b2227f3982a67feb82b91c5e6ed7a092">- Seu melhor penteado em tempo para o casamento.</p>
      <p id="paragraph-8">- Novos vestidos surpreendentes. Encontre o seu entre eles.</p>
      <p id="paragraph-d0aad79c95c4477b8ed195e89d3895bb">- 735 ideias criativas: bolos, convidados, flores &amp; mais.<xref id="xref-a3ad229995fe374b90315e0680714430" ref-type="fn" rid="footnote-ad31f9fc081b797d171da45a5ce6205c">14</xref> (<italic id="italic-3bd5fe7737eef260969c14183d85b229">Brides</italic>, Mars 2014).</p>
      <p id="paragraph-9a22ba8ee9969fbc716ced12f07cf42e">Contrariamente aos enunciados destacados da <italic id="italic-de4b868906b7875092eb0a71af822c73">Seventeen </italic>e da <italic id="italic-bd27ddf01b9b19f8106592e9b01aa1be">Brides</italic>, que reúnem apenas elementos eufóricos, as aforizações presentes nas falsas capas apresentam figuras, como diria a Semiótica <italic id="italic-289b2e815843ed9131875d7e73e055c6">standard</italic>, que remetem ao tema da violência a que são submetidas as mulheres ainda hoje, sobretudo em certos países (como é o caso do Yemen)<xref id="xref-583a1cc03f1ab0629717633d8ac2905a" ref-type="fn" rid="footnote-aa3bb0dd878eb4ff7d4210993242aec1">15</xref>: <italic id="italic-6efb1738b646c62361acffb17eccf4f2">estupro</italic>, <italic id="italic-9e91598eda4188899d0ad7c2f172cb48">ataques com ácido</italic>, <italic id="italic-e0c1b0edcca54ae2ee5e8e5d340a51ce">rapto</italic>, <italic id="italic-728076624ae8dbadb1ac82954259af35">escoriações</italic>, <italic id="italic-c9b4ea755065626416da8ab836281833">inferno</italic>, para citarmos apenas algumas delas. Em casos como o de “Deslumbrantes vestidos de noiva: agora para idades de 7 a 12 anos.”, ou ainda “Segredos de e[ercícios: você pode entrar em forma para dar à luz aos 14!”, é a idade precoce das que se vestem de noiva ou dão à luz que choca o leitor.</p>
      <p id="paragraph-8c7ae15d4d11a1895970adf7f1bc75b7">Diante disso, podemos dizer que o objeto “capa de revista” (com suas aforizações, que funcionariam como chamadas-títulos para as pretensas reportagens das revistas <italic id="italic-5dfb857f1719aa5dcf0d015f159ad4f9">fake</italic>) entra no campo de presença do internauta/leitor de forma inesperada, ligando-se ao <italic id="italic-c9f8182c828f921f29d7af4276f4afdf"><bold id="bold-7e9fecdc6d70a664ed77ed9f342cf88f">sobr</bold></italic><italic id="italic-10d61dd88371ed43006dffbf4ca7b944"><bold id="bold-2">evir</bold></italic>, enquanto modo de eficiência, e não ao <italic id="italic-adff6d4816a08042908467a79cafd913"><bold id="bold-3">conseguir</bold></italic><italic id="italic-9515783f1a2b5fc9171e49451cc3457c">, </italic>que se esteia na previsibilidade, apreendendo-o – principalmente, pelo teor imprevisível/imprevisto das aforizações –, mais do que sendo por ele apreendido.</p>
      <p id="paragraph-f73cdb3a0e2e706dfac4981d502bd848"> Diferentemente da <italic id="italic-fc4e395926e917fb217944812e6cc5e5"><bold id="bold-4">focalização </bold></italic>(rotina), que é prospectiva, a <italic id="italic-0ba2e4d0126ec1d7e5a3235adf5da56b"><bold id="bold-5">apreensão </bold></italic>(modo de existência do <italic id="italic-57d016a12622998925cb50673b2809a2">acontecimento) </italic><italic id="italic-14">é </italic>retrospectiva: só nos damos conta dela após sua ocorrência, isto é, após sermos “apreendidos”, surpreendidos por algo, sem que tenhamos tido tempo de focá-lo previamente. É isso que ocorre quando o internauta/leitor, deslocando o olhar da imagem (da foto da “modelo”), detém-se nas aforizações que a acompanham: elas subvertem por completo aquelas que constariam, de fato, numa capa de revista direcionada ao público jovem, como vimos mais acima, apontando para as várias formas de e[ploração e de violência contra crianças e adolescentes do se[o feminino que ocorrem no mundo, o que, em geral, encontra-se longe das (pre)ocupações do leitor comum. Isso o leva a revisitar e a reinterpretar a imagem – e a capa como um todo – de forma retrospectiva, mudando aquele primeiro olhar um pouco ingênuo que lhe permitiu ver apenas a imagem de duas adolescentes.</p>
      <p id="paragraph-a2b9c4ffde13a78977ddad2106d58cbb">Instaura-se, desse modo, a <italic id="italic-b401e5c75f840567ae87b0d13dd4c392"><bold id="bold-8283b23ef9dba603e0a9557c5cb33065">concessão </bold></italic>(modo de junção), traduzido na fórmula: <italic id="italic-70f7699b9df371e467c5277bc6199c60">embora </italic>se apresente como uma capa de revista (ou um simulacro de capa) com as chamadas-título próprias desse gênero discursivo, trata-se de uma campanha de conscientização, o que foge, por completo, à fórmula “<italic id="italic-9b6ed0b63928595e92b9bae20422225b">s</italic><italic id="italic-ac7aeabe5cd92b9ae460a065dd6ae35b">e</italic><italic id="italic-3246b6721e3cf4737fbc5b7a1c3e9f4a"> </italic>a, <italic id="italic-5164aca61ae5208f9baa52ea2ab4ffe1">então</italic><italic id="italic-9e67faba7541eb285e8da466ab09e9e4"> </italic>b”, própria da implicação (rotina). Ora, se o <bold id="bold-422a4d95d8c186803cb17be982bebafe">conseguir</bold><bold id="bold-5fc32f9798975a40474b6229292527e7"> </bold>tranquiliza-nos quanto às nossas competências (já que atingimos o alvo focalizado) e a <bold id="bold-bda8c1cc1719fdecc0d89513289fafc8">implicação </bold>confirma nossas crenças (ratifica a relação estabilizadora entre causas e consequências), a <bold id="bold-26058d3d30ae8c515e643e5e83f52cf4">concessão, </bold>implicando a violação de alguma regra/lógica, nos assusta<bold id="bold-6">. </bold>Trata-se, pois, de um verdadeiro acontecimento que desestabiliza esse sujeito-leitor, envolvendo-o em suas “malhas”.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-49d8dfa695a0ab9b1ca86b709f34a057">
      <title>3. Algumas palavras para concluir</title>
      <p id="paragraph-40dd187b5edc3039431a496080f1edf9">Ao romper com os cânones de uma revista convencional e, portanto, com o contrato de leitura (estabilizado na rotina do sujeito), a capa e “suas” aforizações tornam-se um “objeto” que entra de maneira inesperada no campo de presença do internauta/leitor, que, sendo apreendido pelo inusitado da situação, vê romperem, por completo, seus cálculos e suas e[pectativas quanto ao que seria uma capa de revista infanto-juvenil <italic id="italic-d87390b90a10c678a92c31fac617a39b">standard </italic>e às chamadas-títulos compatíveis com esse (sub) gênero discursivo. Instaura-se, pois, uma lógica de caráter concessivo.</p>
      <p id="paragraph-f30ca4a26a9f42e8da85fc1ef321dc29">Nesse sentido, considerando que intensidade e extensidade são os eixos centrais da tensividade, poderíamos nos perguntar se a aforização não é, afinal, um todo de sentido compacto e tônico, ou seja, pouco extenso (em termos de espacialidade) e muito intenso (em termos de impacto da informação), sobretudo quando se quer chamar a atenção do destinatário sobre um assunto tão sério e delicado.</p>
      <p id="paragraph-452cea4e0bc6b8c7358b48a50d74dc1d">A campanha de conscientização reproduzida nessas capas “manipula”, assim, via aforizações, o leitor, tornando-o também responsável por aquilo que denuncia e levando-o a um fazer: ainda que seja simplesmente o de indignar-se com as situações retratadas.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-cd5b532cfc7285c5c952a2c367421cc0">
      <title>Referências</title>
      <p id="paragraph-140ef0574ff441bfd1330cf047d7d32c">CHARAUDEAU, Patrick. <bold id="bold-212a108eccb75bb39b6860126d14b3f7">Discurso das mídias</bold>. São Paulo: Contexto, 2006.</p>
      <p id="paragraph-f1102201028050e28d757ae9913230fd">KRIEG-PLANQUE, Alice. <bold id="bold-66297657420ce6cdce0c25d2c155821c">Purification ethnique: </bold><italic id="italic-6748e49dd0b9eea60b3b64caf195a642">une formule et son </italic><italic id="italic-6b23bc9caf2012ed331ee4764d821348">histoire</italic>. Paris: CNRS Ed., 2003.</p>
      <p id="paragraph-7c0bda4e81bcb6d34c700670b786d411">LARA, Glaucia M. P. <bold id="bold-5365eec87f383d2d67521d2a1317cba9">Passando a aforização em revista. </bold><italic id="italic-56c7ec79f3fa860d09339ec0f64cb2ef">Estudos semióticos</italic>, São Paulo, USP. v. 9, n. 2, p. 7-14, 2013. Disponível em: http://revistas.usp.br/esse/issue/current/showToc.</p>
      <p id="paragraph-dcd4a1cffb7c29913a809723f157d72a">LARA, Glaucia M. P. <bold id="bold-ff82730c4cd5a4fd56aba1a018a82d98">L’aphorisation dans la presse écrite au Brésil </bold><bold id="bold-a95eafcfd7d808a1c04334fa03ac7634">et en</bold><bold id="bold-a6db2c8d04965d9adb74f36d43a12d3a"> </bold><bold id="bold-7">France</bold>, <italic id="italic-b5dae54266b3bc2d32581557907a45e6">French Journal for Media Research </italic>[en ligne], 2/2014, mis à jour le : 17/07/2014, URL : <ext-link id="external-link-93cb68dc33db250206811221fad6839b" xlink:href="http://frenchjournalformediaresearch/">http://frenchjournalformediaresearch.</ext-link> com/lodel/inde[.php?id=374. </p>
      <p id="paragraph-448964d4f1aab5e0d1e90ef70402793b">MAINGUENEAU, Dominique. <bold id="bold-8">Escola Francesa de Análise do Discurso. </bold>In: CHARAUDEAU, P.; MAINGUENEAU, D. (orgs.). <italic id="italic-29286bdc88d2b8ca6f9b37ba2074b033">Dicionário de Análise do Discurso. </italic>São Paulo: Contexto, p. 202, 2004.</p>
      <p id="paragraph-329e1a7a00f6731180863c4d9c4cddc2"><underline id="underline-1"> _____</underline>. <bold id="bold-9">Citação e destacabilidade</bold>. In:<underline id="underline-2"> </underline>. <italic id="italic-f3aff64a12640bec88d440cea30cdd0e">Cenas</italic><italic id="italic-54956f3e28e6ad5dc1c000a0dc299769"> </italic><italic id="italic-d59c03567ae49b0e4e3d27b35272d039">da</italic><italic id="italic-2013888ebe8754c2cfd173c8b183566d"> </italic><italic id="italic-11e2c8d9c672406f4265b3ec6f079665">enunciação</italic>. Org. Sírio Possenti; Maria Cecília P. de Souza-e-Silva. Curitiba, PR: Criar, p. 72-90, 2006.</p>
      <p id="paragraph-65914f69ffc89ac6c0372cf4f9c27f8f"><underline id="underline-3"> _____</underline>. <bold id="bold-10">L’É</bold><bold id="bold-11">nonciation aphorisante. </bold>In: SILVA<italic id="italic-b55dab57969714e8ef8f13622231ea17">, </italic>Thaís C. ; MELLO, Heliana (orgs.). <italic id="italic-4bcd5d8888295a7c1c5b648397c5e47e">Conferências do V° Congresso da Associação Brasileira de </italic><italic id="italic-50f7e7e00d6d5904dbe019d96b99ad83">Linguística. </italic>Belo Horizonte: UFMG, 2008. p. 155-164.</p>
      <p id="paragraph-44493520cc3293a1cd0f33c2336e9b9e">_____<underline id="underline-4"> </underline>. <bold id="bold-12">Aforização: </bold>enunciados sem te[to? In:<underline id="underline-5"> </underline>. <italic id="italic-27ee6afe8bcdd10b6ae5915e1f2fb95e">Doze conceitos em </italic><italic id="italic-15">análise do discurso</italic>. Org. Sírio Possenti; Maria Cecília P. de Souza-e-Silva. São Paulo: Parábola, p. 9-24, 2010.</p>
      <p id="paragraph-15">_____<underline id="underline-6"> </underline>. <bold id="bold-13">Les phrases sans texte. </bold>Paris: Armand Collin, 2012.</p>
      <p id="paragraph-052e2f87cad2cae269ed2e73ee883510">ZILBERBERG, Claude. <bold id="bold-2e74eb85dfeb34304d96eb738cb6ed58">Louvando o acontecimento. </bold><italic id="italic-d92ba17831f6da3b26a5875b376e5852">Revista Galáxia</italic>, São Paulo, n. 13, p. 13-28, jun. 2007.</p>
      <p id="paragraph-6b386a0829b598176da37cb0785ecd5e" />
      <p id="paragraph-cbb7872a52a529dff6c1431098f9d07a">Recebido em 14/11/2014 e Aceito em 07/03/2015.</p>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-0d7f4c7dd7c411b66407163e540f8f96">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-c87915d8261f8234f4664e13c7898e41">Maingueneau (2004: 202) prefere dizer que seus trabalhos se inserem no âmbito das “tendências francesas de análise do discurso”, que, para ele, caracterizam-se, entre outros aspectos, por se preocuparem não apenas com a função discursiva das unidades, mas também com suas propriedades como unidades da língua e por refletirem sobre os modos de inscrição do Sujeito em seu discurso, mantendo, nesse sentido, uma relação privilegiada com as teorias da enunciação linguística. Por comodidade, manteremos a sigla AD para tratar da aforização.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-3eb35c98d06ee489313f55607d23ed5c">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-eadaa89e4e3c1e26613c4874252b661d">Outros autores têm-se voltado para o estudo da “pequena frase”. É o caso de Krieg-Planque (2003) com suas “fórmulas discursivas”. No presente artigo, no entanto, por limitações de espaço, vamos nos ater às contribuições de Maingueneau.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-b9740d854bbb21bbb19dba34617193a2">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-823b8fe26c52225e8bcacf46095f26e2">É preciso que fique claro que não há, na Semiótica Tensiva, um rompimento com as concepções propostas pela semiótica de primeira geração (aqui chamada <italic id="italic-a4d868b41ec2ab83ca844c58ff658f18">standard</italic>). Na realidade, esse novo campo de investigação constitui um <italic id="italic-91fee9b51380b54897e13516520274d1">continuum </italic>em relação à tradição que o precede. Simplificando, poderíamos dizer que enquanto a Semiótica <italic id="italic-68b9dd29cb6a43a306f9016ae5a7588f">standard </italic>volta-se para os “estados de coisas”, procurando desvendar o que o te[to diz e como ele faz para dizer o que diz, a Semiótica Tensiva privilegia os “estados de alma”, trazendo a dimensão do sensível para o âmbito das discussões semióticas e conferindo-lhe papel central nos processos de significação.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-48ed5b0de2e98e8301c4c7c223d136b7">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-8df6f59494836a4444a0be175c89d6c6">Para justificar o uso desse termo, Maingueneau (2012) admite ter-se inspirado no uso contemporâneo para o qual a noção de <italic id="italic-3fb87b092f569c36481bbf8bcb073326">aforismo </italic>remete a uma frase sentenciosa que resume uma verdade fundamental, com a ressalva de que a <italic id="italic-4160897bb33716b0c8a806daab5394e3">aforização</italic>, tal como ele a entende, vai além dos enunciados sentenciosos e se aplica ao conjunto de “frases sem texto”.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-5fa7d08d87491a479d53f3cb6d437346">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-9a5a57a4710213fd3b2baec1a29da203">Porém tal “conte[tualização” é diferente segundo se trate de uma aforização primária (autônoma) ou de uma aforização secundária (destacada de um te[to). Esse segundo tipo de aforização é, de fato, tomado em dois contextos efetivos: um contexto fonte e um contexto de recepção, sendo a distância entre esses dois conte[tos responsável, via de regra, pelas alterações a que o conte[to de recepção submeteria o enunciado destacado, ativando, inclusive, potencialidades semânticas outras, para além daquelas presentes no conte[to original (Maingueneau, 2012: 25-27).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-fe1362737a8841e034d31902b9a6c5a0">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-aae455bd86687c66b0913b26ae73cc54">Zilberberg (2007) prefere o termo “e[ercício”, que toma emprestado das análises da pintura holandesa de Claudel. De nossa parte, preferimos “rotina”, termo que usaremos doravante, já que, a nosso ver, ele se enquadra melhor na definição proposta.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-e4f57a1212082e5b60fdab7822e7b618">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-95a62e6e5e8349ddf107c29e9c8a5dc7">A presente e[posição acerca dos modos de eficiência, de e[istência e de junção baseia-se em Zilberberg (2007). Dados os limites de um artigo, não nos deteremos muito na caracterização desses modos, remetendo o leitor interessado ao referido te[to de Zilberberg (ver referências completas no final).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-6833bb71547e7a5e37ce97368c688fa7">
        <label>8</label>
        <p id="paragraph-3e81e273e7bae1c4cffba091dac71dab">Segundo informações da <italic id="italic-53e70f7c66787d684bf9a34901ae3a73">Wikipedia</italic>, a <italic id="italic-fe9738290cd9823ca9c14012557a1f0e">Seventeen </italic>foi a primeira revista para jovens lançada nos Estados Unidos (setembro de 1944), tendo como público-alvo leitoras na fai[a etária dos 10 aos 17 anos. A <italic id="italic-c92bfae15e1741a873c2554d8cebe86a">Brides</italic>, por sua vez, comprada pela Condé Nast em 1959, propõe-se a ser uma espécie de guia para quem vai se casar, já que traz informações sobre vestidos de noiva, cerimônias, recepções, lua de mel etc. Informações disponíveis em: <ext-link id="external-link-1" xlink:href="http://en.wikipedia/">http://en.wikipedia.</ext-link> org/wiki/Seventeen_%28American_magazine%29 e <ext-link id="external-link-2" xlink:href="http://en.wikipedia.org/wiki/">http://en.wikipedia.org/wiki/</ext-link> Brides_%28magazine%29, respectivamente. Acesso em: 20/05/2014.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-4089d56be7d34b89ab57c415bd2b1522">
        <label>9</label>
        <p id="paragraph-809a947617542267b6301b884d9ebbec">Disponíveis em: <ext-link id="external-link-a2f4122e6118000593bb0c33e2882417" xlink:href="http://www.catapult.org/coverstories/">www.catapult.org/coverstories/. </ext-link>Acesso em: 20/05/2014.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-09763a80597d6064ace4db507e627fe9">
        <label>10</label>
        <p id="paragraph-6b4784efdbbcb72af403004ce9df7a68">Tradução livre de: <italic id="italic-ca575a7ed30a36acd9e58fd380e48f2b">Hide those bruises with 35 easy makeup tricks. / The A to Z of “the track” - Our essential guide to life in hell. / The shocking real live stories you won’t believe and the Police won’t either. / Who needs a childhood anyway?</italic></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-23754d4d8669105caa38c8dc885f35d1">
        <label>11</label>
        <p id="paragraph-d09b5b29abec406b7d8e7033fb1046ed">Tradução livre de: <italic id="italic-3de44d7f7dd2bb5188c40d344eac8b52">583 tales of rape, acid attacks, kidnapping. / He’s how old? 60? 70? And other </italic><italic id="italic-498e548583960e8b2c21b8b46b6e0c4f">questions not to ask. / Dazzling bridal gowns: now for ages 7-12. / 5xercise secrets: you can get in shape for </italic><italic id="italic-4145ab411051891122dba6094df6974a">giving birth at 14! / The day your dreams are over.<italic id="italic-7944d840ae4c99a58a10db8452ba0d79"/></italic></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-4905be0af98e2a3f1d4f5aa4938cbc05">
        <label>12</label>
        <p id="paragraph-fc033e63b736b275b2f36ab684c10a60">Disponíveis em: <ext-link id="external-link-9c693ed5a03eda9757048eb8664cdf4e" xlink:href="http://www.popsugar.com/celebrity/Selena-Gomez-Interview-Seventeen-">http://www.popsugar.com/celebrity/Selena-Gomez-Interview-Seventeen-</ext-link> Magazine-March-2014-33670870#photo-33670870 e <ext-link id="external-link-2822ca7fae4ff51d1b09ed80e56586bd" xlink:href="http://www.brides.com/brides/TOC">http://www.brides.com/brides/TOC,</ext-link> respectivamente. Acesso em 21/05/2014.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-b5af70ce6418a546bc092a1e8384913e">
        <label>13</label>
        <p id="paragraph-f41433d3edd02bd905810996c9323520">Tradução livre de: <italic id="italic-91a748ae3171c292eee1fa44450d7cc9">Look cute all spring. / Cool clothes, pretty makeup &amp; fun jewelry. / Live your dreams! </italic></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-ad31f9fc081b797d171da45a5ce6205c">
        <label>14</label>
        <p id="paragraph-7c75930617bc33eb95742da96bf0e89f">Tradução livre de: <italic id="italic-3b302a2ac77499750614397778fe943d">Your best hair in time for the wedding</italic>. / <italic id="italic-9da0993bfe6de436148294e66949bd97">Amazing new gowns. Find yours inside</italic>! / <italic id="italic-6df91bc3d55aea3e899a5a6215cbeb9e">735 creative ideas: cakes, invites, Áowers &amp; more</italic>.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-aa3bb0dd878eb4ff7d4210993242aec1">
        <label>15</label>
        <p id="paragraph-4936c8426c6e7eff728f7d8699e7175a">Uma lista, divulgada pela Anistia Internacional em março de 2006, incluía 36 países cujas leis discriminavam as mulheres, como a Arábia Saudita, que não permite que as pessoas do se[o feminino votem, ou a Nigéria, onde a violência doméstica fica impune. Informações disponíveis em: <ext-link id="external-link-7ffb52115026250c46ed5ba41be310c7" xlink:href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u93347.shtml">http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u93347.shtml. </ext-link>Acesso em: 21/05/2014.</p>
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