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<journal-title>Revista da Abralin</journal-title>
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<publisher-name>Associação Brasileira de Linguística</publisher-name>
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        <article-title>DISPOSITIVO E GOVERNO DA VELHICE NO DISCURSO DA <italic id="italic-f36cb812939849b717d0b46d3e1e6c41">WEB<italic id="italic-c9f19a9d1c89259210c83a26cc24ac0f"/></italic></article-title>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="10/08/2015" />
      <volume>14</volume>
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      <fpage>193</fpage>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-bff496eb2de3b1f150d9f8b8ee0b2a60">Este artigo aborda aspectos da relação entre o idoso e os novos veículos tecnológicos, tendo como objetivo a compreensão das práticas identitárias do discurso no espaço discursivo da web. A partir das formulações propostas por Michel Foucault, o trabalho procura evidenciar questões acerca do governo da velhice na web considerando esse processo de “acontecimentalização” </italic>
          <italic id="italic-51f713366b4ebced0ca80a1d0b749abb">(FOUCAULT, 2006a), reÁetindo sobre o problema da disposição de métodos e instrumentos teóricos para a análise de acontecimentos dessa natureza.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="_paragraph-2">
          <italic id="italic-1">This article discusses aspects of the relationship between the elderly and the new technological </italic>
          <italic id="italic-2">vehicles, with the aim to understand the identity practices of discourse in the discursive web space. From the formulations proposed by Michel Foucault, the work seeks to highlight questions about eld government in the web considering this “happening process” (Foucault, </italic>
          <italic id="italic-3">2006a), and reÁecting upon the problem of disposing methods and theoretical tools for </italic>
          <italic id="italic-4">analysis of such events.<italic id="italic-5"/></italic>
        </p>
      </abstract>
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        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-afd3c36445290259f904fc07757686e8">Discourse</italic>
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          <italic id="italic-3f9b80f82da648e3fb856ef7ed625650">Web</italic>
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    <sec id="heading-1">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-2">O “envelhecimento da população”, como um acontecimento de ordem social, econômica, política e cultural, permite que se opere, em termos de análise discursiva, um trabalho de “acontecimentalização” (FOUCAULT, 2006a) que implica, por exemplo, tomar objeto de descrição diferentes enunciados cujo “princípio de diferenciação” (FOUCAULT, 1972) é a relação entre o idoso e as chamadas “novas tecnologias”.</p>
      <p id="paragraph-3">Esse tipo de pesquisa demanda a constituição de séries enunciativas e a descrição das relações que elas estabelecem entre si. Tendo em vista que a finalidade não é encontrar as origens de uma identidade, mas abordar o conjunto de enunciados efetivamente ditos ou escritos, em sua dispersão de acontecimentos, tal análise possibilita compreender as práticas discursivas identitárias e de subjetivação na estreiteza e na singularidade de seu acontecimento no espaço discursivo da <italic id="italic-c9bb063fee12801d99fdaf5688a56f4a">web</italic>.</p>
      <p id="paragraph-4">Em linhas gerais, essa é a proposta apresentada, a qual está norteada por duas questões: (1) como se efetua o governo da população idosa na <italic id="italic-60e33ad7e2d0850d78fb9e5b5e26e62f">web</italic>?; (2) de que instrumentos teórico-metodológicos se dispõe para a análise desse acontecimento? Para tanto, são analisadas sequências enunciativas recortadas de um <italic id="italic-33f3db354e4ff9e4c41faae157cd07d7">blog </italic>e dois <italic id="italic-67dfb960dcbbe49d9c529f8bd540c206">sites </italic>destinados à terceira idade. O esboço de possíveis respostas à segunda interrogação pode iluminar as refle[ões posteriores, que têm por finalidade compreender o “como” do poder, isto é, as formas pelas quais o poder se exerce sobre os corpos - no caso que diretamente interessa aqui, sobre o corpo idoso navegador de um site <italic id="italic-6">web</italic>.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-6b659815d9cf26e04ce2c1af3f1e5ed1">
      <title>1. Por uma abordagem semiológico-discursiva da <italic id="italic-06f802bbd5d37d943b4f69922efe1dec">web<italic id="italic-cba586541ece9c8173661fc78084dc77"/></italic></title>
      <p id="paragraph-06cea69b8e43a8f6dccff26de56134f6">Como é de conhecimento, a palavra inglesa <italic id="italic-64c8eba191b3cbdae22526c043c4919c">web </italic>significa rede, teia, tecido; é também utilizada para designar o ambiente da internet. Partindo disso, este artigo se desenvolve no sentido de articular aspectos do tipo de “texto”, no qual se constitui a <italic id="italic-8475e9fcd4670e2910301722bc08676b">web</italic>, com questões que problematizam, do ponto de vista genealógico, o corpo de quem navega pelos ambientes da internet, espaço virtual compreendido como heterotópico.</p>
      <p id="paragraph-feb964b79176cafbc915df40c6af0e09">A abordagem designada no título desta seção busca respaldo em Bonaccorsi (2013), pesquisadora francesa que se dedica a analisar a <italic id="italic-de7376c4ee7edddb1d0833b59860f808">web </italic>de uma perspectiva semiológica, nas refle[ões de Foucault (1998; 1999; 2006b; 2010) sobre “governamentalidade”, “heterotopia” e “cuidado de si” e no entendimento de Deleuze (1990) e de Veyne (2011) sobre “dispositivo”. Assim, a proposta teórico-metodológica de análise do exercício do poder sobre o corpo idoso na <italic id="italic-7">web </italic>se fundamenta em alguns dispositivos próprios da <italic id="italic-8">web</italic>, bem como, por considerar a <italic id="italic-9">web </italic>como espaço de formulação e de circulação de saberes (sentidos), no dispositivo de poder-saber que produz subjetividades em um espaço outro para os navegadores da rede.</p>
      <sec id="heading-3fe27e9bb3a7fb0b983169178abc862b">
        <title>1.1<italic id="italic-10"> </italic>Aspectos de uma abordagem semiológica da <italic id="italic-11">web</italic></title>
        <p id="paragraph-5">O foco de Bonaccorsi (2013) tem a ver com a circulação das informações no mundo digital. Essa autora questiona se a leitura de um jornal na tela do <italic id="italic-12">smartphone </italic>é mais “fragmentada” ou “desestruturada” que em sua forma impressa. Tendo como objeto de análise <italic id="italic-13">sites web</italic>, Bonaccorsi descreve o alcance significante de sua lógica documentária - ver/não ver, mostrar/esconder, fazer/imaginar – segundo a qual os leitores na <italic id="italic-14">web </italic>agem (leem, clicam) nos quadros que antecipam as práticas e até mesmo as industrializam.</p>
        <p id="paragraph-7">Nesse sentido, o “surfe” refere-se menos aos indivíduos que aos textos propriamente ditos. A problemática que se destaca dessa abordagem semiológica, tendo em vista os dispositivos próprios da <italic id="italic-cd4716502217dbcf00487a40e54b58ed">web</italic>, tem a ver com o fato de um vídeo extraído de uma emissão televisiva ser difundido no <italic id="italic-7f5d781868ddf3e33ff16c1ad1dbb591">Youtube </italic>depois “compartilhado” em uma página do <italic id="italic-47577c7b4165aacaf10004a1c12f6b92">Facebook</italic>, processo que realiza uma espécie de descontextualização e recontextualização.</p>
        <p id="paragraph-3e2ae84b464988c5676a158b7c0bd55a">É uma modalidade de escrita que implica considerar a ruptura entre, de um lado, as formas tradicionais de comunicação (impressa, disco vinil, filme fotográfico), que associam a inscrição e o suporte, e do outro, as formas digitais de comunicação, que dissociam a materialidade da inscrição daquela do suporte de leitura, uma vez que a relação entre o sentido e a forma é profundamente modificada. Tal procedimento tecnológico acarreta novas formas de relação entre texto e leitura, uma vez que o texto na tela é duplamente “produzido” na leitura, pela sua exibição tecnológica (<italic id="italic-1321ef0bd76268ac0b55b0751f152e8d">softwares </italic>e suporte técnico) e pela participação do leitor, que deve agir sobre o dispositivo técnico pelo viés de outros signos. Como analisa a autora, a superfície da tela agrupa de maneira homogênea as ferramentas de leitura e o texto. Por exemplo, a música ou a imagem de um vídeo cotejam signos linguísticos e icônicos que permitem a escuta ou a visão.</p>
        <p id="paragraph-75da60c880db5e60340d5e20ff9a7867">A partir da abordagem semiológica da <italic id="italic-bc6e585c9f330f974b1610380542a8bc">web </italic>podem ser considerados aspectos que não têm incidência sobre os textos de papel e, por corolário, sobre leitores desse tipo de material, haja vista a necessidade de levar em conta as várias escalas do <italic id="italic-cc677d379cc706d4030f3a2d4be715bd">texto </italic>e, assim, vários quadros, dependendo de sua maquete: o quadro primeiro e físico das bordas da tela; os quadros icônicos das “janelas” das interfaces dispositivas; os quadros editoriais dos documentos propriamente ditos (legenda, <italic id="italic-1f9edd227182ceefeae15d05648f2acc">menus </italic>etc.). Assim, por exemplo, o leitor confronta-se com um texto pelo menos triplamente enquadrado: primeiro pela tela, propriamente dita, em seguida pelo navegador <italic id="italic-9c477598e2323a318df8c031c1434242">web </italic>(limite e borda), e por fim, pelos quadros que delimitam zonas no texto (maquete de um jornal <italic id="italic-5d1b53611dde5243fa92d5d47c138eaf">online</italic>).</p>
        <p id="paragraph-64927f9d1b8f3cf7c172a8292480659e">Por conta dessa “dimensão semiótica do hipertexto”, a presente abordagem cunha a expressão <italic id="italic-3c1457a373f9b6136f29d2278383f431">signo de passagem</italic>, a qual reagrupa todos os signos “ferramenta” que permitam agir diretamente sobre o texto (botão, ícone, palavra, frase, etc.) e se dão a ler como tal por operações semióticas como, por exemplo, a mudança de cor dos caracteres. O signo de passagem possibilita considerar a dimensão interpretativa dos gestos. Como e[emplifica Bonaccorsi, clicar é tanto um gesto de interpretação quanto um gesto funcional.</p>
        <p id="paragraph-79ecb0fa245acf39b010935b4d4ecd52">Neste momento, articula-se a abordagem semiológica com outra, de natureza discursiva, e o elemento que permite essa articulação tem a ver com uma categoria de análise que se arrisca a chamar, para os devidos fins, de “webvisibilidade”.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-3a08c424ed33243deb7a32124db1068a">
        <title>1.2 Aspectos de uma abordagem discursiva da <italic id="italic-bc2f84244979185be1da293a5a8fcbf5">web</italic></title>
        <p id="paragraph-94fbfaa11da054878dacd4f1ee745e5b">Como mencionado, é em Michel Foucault que se busca encontrar elementos para o esboço de uma abordagem discursiva. Primeiramente, recorre-se à noção de “dispositivo”, que na obra do filósofo aparece, inicialmente, na década de 1970, em sua fase denominada <italic id="italic-e069de32a2983fc8b28bc33e52eee4b3">genealógica</italic>. Em seguida são resgatadas as refle[ões desse autor sobre “heterotopia”, a fim de se construir um quadro teórico que, juntamente com a proposta semiológica, ofereça uma grade de leitura sobre o exercício de uma governamentalidade do corpo idoso na <italic id="italic-47aa3baf3627faf4eb29c808f3ab40f3">web</italic>.</p>
        <p id="paragraph-6">Acolher o texto de <italic id="italic-54451169d8f79a3268e6a728d46fbf37">A ordem do Discurso </italic>como um dos momentos do pensamento de Foucault (1995) em que o saber “encontra” o poder é observar uma das formas de manifestação do dispositivo, por intermédio de práticas discursivas que estabelecem divisões, por exemplo, entre verdadeiro e falso, razão e desrazão, normal e anormal ou interdições, como as que definem o que é permitido ou não falar, quem pode falar e em que circunstâncias é possível falar.</p>
        <p id="paragraph-b89be60cda7bf9987719ee7b294c8efb">Nessa esteira, a prática discursiva da <italic id="italic-477382c3f2202aa527e527fd3c0ef8c6">web</italic>, devido ao fato de estar sustentada pelo dispositivo de poder das “novas tecnologias”, estabelece a distinção entre o “velho velho” e o “novo velho”. Essa distinção separa as identidades, colocando à margem desse dispositivo os sujeitos que não fazem uso dos recursos da <italic id="italic-6f7d5ad8b1bde69c09c9219232465b6c">web</italic>, e ao mesmo tempo dá visibilidade aos novos corpos velhos que se sujeitam a esse mesmo dispositivo.</p>
        <p id="paragraph-2be6d8811eb6eefd4c1cacd41e02aaf9">Segundo Veyne (2011), um discurso, com seu dispositivo institucional e social, só se mantém enquanto a conjuntura histórica e a liberdade humana não o substituam por outro. Somente se sai do aquário (o <italic id="italic-76c0a8fd8e036ec6dfccfb20e299cf45">a priori </italic>histórico) por conta de novos acontecimentos do momento ou pelo surgir de um novo discurso que obteve sucesso.</p>
        <p id="paragraph-bf18964600b67fe53a29c766b073f5bf">Um dispositivo põe em jogo todo um conjunto de</p>
        <p id="paragraph-a468552a4bd4daa02ff0b1ad90694a58">(...) leis, atos, falas ou práticas que constituem uma formação histórica, seja a ciência, seja o hospital, seja o amor sexual, seja o exército. O próprio discurso é imanente ao dispositivo que se modela a partir dele (...) e que o encarna na sociedade; o discurso faz a singularidade, a estranheza da época, a cor local do dispositivo (VEYNE, 2011, p.54).</p>
        <p id="paragraph-556edbc6066717a65aff28219e4f9427">O dispositivo é, portanto, algo que engloba “coisas e ideias (entre as quais a verdade), representações, doutrinas, e até mesmo filosofias, com instituições, práticas sociais, econômicas” (VEYNE, 2011, p. 57).</p>
        <p id="paragraph-9">Como analisa Deleuze (1990), o dispositivo de poder tem como componentes as linhas de visibilidade e as linhas de enunciação. Em relação às primeiras, os dispositivos são máquinas de fazer ver, uma vez que podem lançar luz sobre os sujeitos. A <italic id="italic-8a7b76bfc41ea39d4a0643256b50d975">web</italic>, em relação à “acontecimentaização” do envelhecimento da população, desempenha um papel importante, na medida em que dá visibilidade a corpos envelhecidos, condenados, antes, ao anonimato.</p>
        <p id="paragraph-10">Em “A vida dos homens infames”, Foucault (2006a) analisa o dispositivo de poder denominado <italic id="italic-e9650a6e8a580c022c4d9c9aa7be5232">lettre de cachet</italic>, por meio do qual cada súdito poderia ser o monarca do outro. A vida dos homens infames passaria despercebida, não fosse essa possibilidade de uso de um poder que ordena prender ou internar algum vagabundo ou alguém que perturbe a ordem. Como analisa Foucault, para que alguma coisa dessas vidas chegasse ao conhecimento, “foi preciso, no entanto, que um feixe de luz, ao menos por um instante, viesse iluminá-las. Luz que vem de outro lugar. O que as arranca da noite em que elas teriam podido, e talvez sempre devido, permanecer é o encontro com o poder” (FOUCAULT, 2006a, p. 207).</p>
        <p id="paragraph-caee7cb611aad4e32530164f2394c35c">Em relação às linhas de enunciação, os dispositivos são máquinas de fazer falar. Uma ciência, em um determinado momento, ou um gênero literário, ou um estado de direito, ou um movimento social, definem-se precisamente pelos regimes de enunciações.</p>
        <p id="paragraph-288da7fc862b4852d81627d328a063aa">Voltando à distinção entre “velho velho” e “novo velho”, analisada à luz do dispositivo e da prática discursiva na qual se constitui a <italic id="italic-b25a5a3ab92e0a6d60337b6d4d889d6a">web</italic>, a relação poder-saber que se manifesta nessa prática dá visibilidade a um segmento social antes esquecido, mas que agora, em virtude das políticas de inclusão digital, por e[emplo, passa a figurar em quadros estatísticos. O governo da população idosa deve fazer viver essa mesma população, e uma das formas é dar-lhe condições de acesso ao mundo digital. O poder os tira da condição de sujeito à espera da morte e os lança, novamente, no sistema capitalista. O corpo do “novo velho” é um corpo que produz. Nesse sentido, o “novo velho” é aquele cujo corpo se adapta às novas formas de interação com o mundo, pela linguagem da <italic id="italic-00ecd0991e8bbf4cf44cd46fe5828668">web</italic>; e uma das formas de manifestação do exercício desse poder é fazer esse sujeito falar conforme as regras de formação discursiva da <italic id="italic-5eb59899a5147cec434db056f6051cbd">web</italic>.</p>
        <p id="paragraph-90c939fb3be057b7147e149c49aa87ce">Um dos passos para que isso ocorra é instrumentalizar o idoso com as ferramentas do mundo digital, o que implica uma espécie de “letramento” digital, que deverá considerar, por exemplo, os elementos semiológicos expostos na seção anterior. Em outros termos, o idoso navegador de um <italic id="italic-440ede684ea35c8fa63d674f1c29cca8">site web </italic>deve saber que está diante de um tipo de escrita, de um tipo de texto diferente daquele com que está habituado a lidar. Sua intervenção, como leitor, será bem-sucedida na medida em que se sujeitar aos dispositivos dessas “novas tecnologias” de informação.</p>
        <p id="paragraph-87453d005c245b2f265d87ee85eed9d1">Avalia-se como oportuno e produtivo, para o esboço dessa perspectiva semiológico-discursiva que toma como objeto teórico de refle[ão o entrecruzamento do dispositivo das “novas tecnologias” com o dispositivo da “webvisibilidade”, agregar o conceito de “heterotopia”, entendido, neste texto, como um lugar outro construído para o “novo velho navegador” de um <italic id="italic-821dbf7165427a3515800aefb34c712a">site web</italic>.</p>
        <p id="paragraph-85604e885bc7cdefb08d2e13650fd85a">O conceito de “heterotopia” aparece desenvolvido em alguns poucos textos de Foucault, por exemplo, no prefácio de <italic id="italic-b289ac6d2767a18f33e6840425684489">As palavras e as coisas </italic>(FOUCAULT, 1999), no qual o autor explica que foi inspirado pela enciclopédia chinesa, de Jorge Luis Borges; em “La pensée du dehors”, Foucault (1966) volta a tratar de “heterotopia”, expressando sua preocupação com a questão do espaço literário; em “Des espaces autres”, te[to originalmente publicado em 1984, o autor retoma as ideias dos textos anteriores. Segundo ele,</p>
        <p id="paragraph-aeef39d767757acb66068920118469c3">(...) há, inicialmente, as utopias. As utopias são os posicionamentos sem lugar real. São posicionamentos que mantêm com o espaço real da sociedade uma relação geral de analogia direta ou inversa. É a própria sociedade aperfeiçoada ou é o inverso da sociedade mas, de qualquer forma, essas utopias são espaços que fundamentalmente são essencialmente irreais. Há, igualmente, e isso provavelmente em qualquer cultura, em qualquer civilização, lugares reais, lugares efetivos, lugares que são delineados na própria instituição da sociedade, e que são espécies de contraposicionamentos, espécies de utopias efetivamente realizadas nas quais os posicionamentos reais, todos os outros posicionamentos reais que se podem encontrar no interior da cultura estão ao mesmo tempo representados, contestados e invertidos, espécies de lugares que estão fora de todos os lugares, embora eles sejam efetivamente localizáveis. Esses lugares, por serem absolutamente diferentes de todos os posicionamentos que eles refletem e dos quais eles falam, eu os chamarei, em oposição às utopias, de heterotopias (FOUCAULT, 2006b, p. 414-415).</p>
        <p id="paragraph-0281e8c2a1f721838a08e13793125806">A noção de espaço é algo que se oferece aos sujeitos sob a forma de relações de posicionamentos. Para Foucault, isso se justifica pelo fato de que, no espaço contemporâneo, a vida é regida por uma série de oposições que estabelecem o que pertence ao espaço público e ao privado, ao espaço cultural e ao espaço útil, ao familiar e ao social, ao de lazer e ao de trabalho, e assim por diante.</p>
        <p id="paragraph-d29f00493961181490106098c1407477">Foucault faz uma distinção entre o espaço das utopias, representado pelos posicionamentos sem lugar real, e o das heterotopias, visto como contraposicionamento ou espaço das utopias realizadas. O espelho pode ser tomado como uma metáfora que e[emplifica a diferença entre esses dois espaços: é uma utopia, pois se trata de um lugar sem lugar, já que o sujeito se vê “lá” onde ele não está; e é também uma heterotopia, pois existe concretamente, embora, nesse caso, o sujeito, ao se ver nele, observa-se ausente do lugar em que ele realmente se encontra.</p>
        <p id="paragraph-9267fcc88b2995c6fed28cce8296bc29">A produção discursiva da identidade e da diferença, levando em conta a distinção entre “velho velho” e “novo velho”, pode se dar, justamente, no momento em que se destina ao primeiro um lugar convencionalmente reservado aos idosos, lugar esse caracterizado por um cotidiano marcado pela solidão, pelo esquecimento, pelo abandono e pela doença. Em oposição a esse lugar do “mesmo”, a identidade do “novo velho” vem se constituindo a partir de um lugar “outro”, no qual a velhice pode ser vivida de maneira diferente. Por esse raciocínio, programas governamentais destinados à terceira idade, com incentivo a viagens e ao retorno à educação, atividades corporais como dança de salão, caminhadas, hidroginástica e aulas de <italic id="italic-84c2345887736a1457efa0ea38e4d167">pilates </italic>e certas políticas públicas de inclusão digital materializam formas de exercício de uma governamentalidade que, supostamente, estendem, para os idosos, o tempo de vida com qualidade.</p>
        <p id="paragraph-0ef5c431183bdae9ca9dc34ef0accafd">Desse modo, a articulação da noção de heterotopia com a de dispositivo permite observar um deslocamento do corpo do idoso de seu espaço local (o espaço do mesmo) para um espaço virtual, representado no discurso da <italic id="italic-d109adb825f1df1b2cb62f116b1f6151">web </italic>como um espaço outro, em que o acesso às novas tecnologias é de todos e para todos, independentemente da idade biológica. O espaço heterotópico da <italic id="italic-3f971e08c2e47f45de9079a95c058cc6">web </italic>coloca o corpo do novo velho navegador em outra posição, que não é mais a daquele idoso que fica à espera de visitas ou de notícias de seus familiares, por exemplo. É heterotópico porque o sujeito idoso não mais prescinde das condições tradicionais de mobilidade e de acessibilidade para poder interagir com outras pessoas. Em tais circunstâncias, a <italic id="italic-4ccfbb0346cb1eed9a632584c5f36f5c">web </italic>funciona como uma heterotopia de compensação, como analisa Foucault. Basta dar um clique, passar o cursor sobre a página, fazer uso dos signos de passagens, enfim, conhecer a sinta[e e o funcionamento da <italic id="italic-5db8df9ddefd9d584b2101d8e3492b68">web</italic>.</p>
        <p id="paragraph-5a206835d818d7e0397838af618a183e">O quadro a seguir sintetiza as refle[ões feitas até o momento. Nele, o que se demonstra é a interação entre a proposta semiológica e a discursiva, na busca de compreensão da produção de novas posições de subjetividade para o idoso.</p>
        <fig id="figure-panel-e8f91e74e9f0d268a4ac9965f7c0f345">
          <label>Figure 1</label>
          <caption>
            <title>QUADRO 1: Abordagem semiólogico-discursiva da web.</title>
            <p id="paragraph-783f2053854130bcda8cfdea54405742" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-f636b8756a3ee1a56e0f6b9c466d82df" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="1.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-d763c2523e0c1dfa7573b579a3fc0bf1">A tese defendida aqui é que a produção do “novo velho navegador” de um <italic id="italic-9aca15a3ad1cd26cee2dcdc5fa712b96">site </italic><italic id="italic-3f480aec55aef8c033b009262e84d5ec">web </italic>relaciona-se com, pelo menos, dois dispositivos: um mais amplo, que seria o dispositivo das “novas tecnologias”, e um mais específico, denominado “webvisibilidade”, que tem a ver com os elementos de construção de uma sintaxe da <italic id="italic-2ba8bf7edb6383b27ff43b0fae080c4a">web</italic>, ou seja, os elementos que definem a <italic id="italic-0fd8c53c87401562496d750a73661df1">escrita de tela </italic>e os <italic id="italic-785244d636fab05716eba3f60147a146">signos de passagem</italic>, vistos anteriormente.</p>
        <p id="paragraph-c5aeece5d5c8886814e10ae725503046">A produção da subjetividade “idoso plugado”, diga-se assim, se dá no interior da prática discursiva na qual se constitui a <italic id="italic-92aa059f2c73347b1abf5cfc6f02239f">web</italic>; entretanto, como esse processo de subjetivação conta com a possibilidade de os sujeitos terem acesso aos meios tecnológicos e de fazerem uso desse saber, é preciso que a governamentalidade se exerça.</p>
        <p id="paragraph-4b194496e59b2dbd1ef10f940a3dd1d3">Para estas refle[ões foram selecionadas algumas sequências enunciativas (SE) do blog “Terceira Idade na Internet” de dos <italic id="italic-fffaf6c1eda0b87ae1def168a0442741">sites </italic>“Site da Terceira Idade” e “Coisa de Velho”, todos voltados à terceira idade. Esse recorte visa descrever o modo como o dispositivo de poder-saber, que conjuga “novas tecnologias” com “webvisilidade”, instituiu uma posição sujeito, que é definida como “novo idoso navegador”.</p>
        <p id="paragraph-71fe44b2c4cab6e094d0c12c21299a78">As duas faces do dispositivo de poder-saber (“novas tecnologias” e “webvisibilidade”) materializam-se de três formas: a primeira encontra- se em postagens feitas no <italic id="italic-ab9ae3a93b9a1538a182d1c90e8554bd">blog </italic>“Terceira Idade na Internet”, por meio das quais a criadora ensina seus leitores a fazerem uso da internet. A segunda forma materializa-se em uma entrevista feita pela criadora do referido <italic id="italic-d3c2f46a0ec3a3f72fca68227646802f">blog </italic>com uma senhora de 92 anos de idade e em um texto postado no “Site da Terceira Idade”. A terceira forma de materialização do dispositivo é encontrada no <italic id="italic-787d5209995340bc1340310ff1a1ad92">site </italic>“Coisa de Velho”, em um <italic id="italic-2db8e79616c4a80d9cf8583684258466">link </italic>que direciona os leitores para imagens capturadas de idosas em posições sensuais e com trajes sumários. Apresenta-se, a seguir, cada uma separadamente, agrupando- se as duas primeiras na terceira seção do artigo, e a terceira, na quarta e última parte<bold id="bold-1">.<bold id="bold-2"/></bold></p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-f419063aa5b3e296202c5e2afbcdf92f">
      <title>2<italic id="italic-0d98c51a98f62812cf064ba9042a4292">. </italic>Do governo do idoso na <italic id="italic-913b55b8c999eea704605a3179254fcb">web<italic id="italic-a118792fd9cb5069c3fa6590a7ab1068"/></italic></title>
      <p id="paragraph-2ab78f08f2397079fd830a749375ecd0">A criadora do <italic id="italic-168bddfdeb2c64ddc86c145c5d0366af">blog </italic>“Terceira idade na internet” informa que é um ambiente virtual que contém <bold id="bold-4">“</bold>registros voluntários de reportagens, dicas e filmes sobre informática e Internet para compartilhar com pessoas de meia e terceira idade”.</p>
      <p id="paragraph-08850adf5f203611de292feb4ecba67b">De saída, a seleção lexical manifesta efeitos de poder vinculados ao enunciado. O verbo “compartilhar” contribui para tonar sutil esse poder, uma vez que não indica uma imposição a seus destinatários e ao mesmo tempo produz a ideia de que o <italic id="italic-b898c49f3250755bde4736bf40ce7104">blog </italic>é um espaço em que as pessoas se ajudam mutuamente; ou seja, acompanhar as informações é fazer parte de um grupo que usa a internet e divide com outros seus conhecimentos.</p>
      <sec id="heading-f2f78ce0f18ca569d4f23d9dd3e815ff">
        <title>2.1 As linhas de enunciação do dispositivo</title>
        <p id="paragraph-736f80bcf1fa913880054a8da5e84e90">Em relação à primeira forma, o que se observa são as linhas de enunciabilidade, que têm por função levar o idoso a aprender a fazer uso dos recursos da internet. Eis algumas sequências:</p>
        <p id="paragraph-6b2d1d3fc0b3bc4c39dae22d5148359a">SE1: “O QUE É O GOOGLE MAPS. Encontrei um vídeo autoexplicativo sobre localização de endereços na rede Internet, o GOOGLE MAPS, que compartilho a seguir:”.</p>
        <p id="paragraph-ea98ce786b6e846fe75a6a659812a53d">SE2: “CONHECENDO O TECLADO DO COMPUTADOR.</p>
        <p id="paragraph-9b1598d1bd4270a6940d80968dad4cc2">Compartilhando conhecimento sobre o teclado do computador:”.</p>
        <p id="paragraph-8">SE3: “COMO USAR O MOUSE. Orientações básicas para utilização do mouse:”.</p>
        <p id="paragraph-d85b4d979ad09f828f9622abfa603dfc">SE4: “TRANSFERIR FOTOS DIGITAIS PARA O MICRO.</p>
        <p id="paragraph-9984ba6ab3b3ae93c63443bb0929aa91">Pesquisei na rede Internet e encontrei o vídeo a seguir, bem simples, que compartilho:”.</p>
        <p id="paragraph-11">SE5: “COMO CRIAR UMA PASTA NA ÁREA DE TRABALHO DO COMPUTADOR. Compartilhando vídeo aula sobre como criar uma pasta na área de trabalho do computador:”.</p>
        <p id="paragraph-14">Nessas sequências, o sujeito que enuncia coloca-se na posição daquele que pesquisa, compartilha e ensina seus leitores a utilizar os recursos da internet. Esse tipo de “modalidade enunciativa” (FOUCAULT, 1972) é um dos elementos caracterizadores das regras de formação do discurso da <italic id="italic-f10cdc4cc5f8711cf6e21e79fd890bdc">web</italic><bold id="bold-da7e6316a7874557319e4fbe2a031aff">, </bold>quando essa prática discursiva volta-se para indivíduos que ainda não estão familiarizados com seus dispositivos. Por corolário, essa mesma prática constrói subjetividades para os leitores do <italic id="italic-dd10fe2f4852a499ef9069e7b4439791">blog</italic><bold id="bold-3c64780c7ba2117e92327f9e92a2d8ee">: </bold>trata-se de alguém que deseja fazer uso da internet, mas ainda não domina seus mecanismos.</p>
        <p id="paragraph-4abe746e0e04eef33546c6346c25c667">Destarte, para o governo desse corpo sujeitado ao discurso das “novas tecnologias”, mas que desconhece como fazer uso delas, o tutorial apresenta-se como o gênero discursivo mais apropriado. Em outras palavras: uma vez criada, pelo dispositivo das “novas tecnologias”, a necessidade de inserir o idoso no mundo virtual, como uma forma de lhe dar mais tempo de vida com qualidade, entram em jogo elementos da “webvisibilidade”, pois, para se tornar um “novo idoso navegador” de um <italic id="italic-1e36f0272eb350d727c307afb0c8c354">site</italic>, esse sujeito precisa saber ler e produzir textos na tela de seu computador.</p>
        <p id="paragraph-c23c7dcef95e7bb57199e4e2b3702b14">Nas SE 6 e 7 é possível observar o funcionamento desse tipo poder- saber apresentado<bold id="bold-3">:<bold id="bold-8305885cea222afaadde91d7bb081bb6"/></bold></p>
        <p id="paragraph-4994ea426258f6f97a6f3daf6728bff8">SE6: “COMO USAR O MOUSE. Orientações básicas para utilização do mouse:”</p>
        <p id="paragraph-b7e73207ada0290eb4d22606a98483f3">SE7: “CONHECENDO O TECLADO DO COMPUTADOR.</p>
        <p id="paragraph-fd1a9d2b5ac5747c19357f2a22e93e6b">Compartilhando conhecimento sobre o teclado do computador:”.</p>
        <p id="paragraph-79ca228be139ce23d784ad2cd9777db8">A recorrência ao “letramento” digital, do qual se falou há pouco, é uma forma de ensinar o leitor idoso a ler um texto que, como exposto anteriormente, é formado por signos linguísticos e icônicos. Paralelamente a esse tipo de letramento, é preciso também instrumentalizar esse mesmo sujeito com os recursos da <italic id="italic-a931defbf4c3e1a0307d0563e5ed018a">web </italic>que vão lhe permitir produzir formas de linguagem diferentes das tradicionais, com as quais poderá estabelecer outras possibilidades de interação com familiares e amigos, estando eles distantes ou não.</p>
        <p id="paragraph-34e93b4a4b7144fd789a8334b3218ef3">A esse respeito, no dia 24 de outubro de 2012 a blogueira postou um tutorial, seguido do <italic id="italic-36276f20fed96441e5503b54b0b732eb">print screen </italic><bold id="bold-da8c34872863fa8a418a11f58622b811">d</bold>e uma página de e-mail, para orientar os idosos sobre como enviar e-mail, com cópia, cópia oculta e anexo:</p>
        <p id="paragraph-302680b7568c543487eb1cc51e58ee36">SE8: “E-MAILS COM CÓPIA E CÓPIA OCULTA. Pesquisei na Internet e achei muito interessante compartilhar com a terceira idade:”.</p>
        <p id="paragraph-3547bc95c4b0187fd64ffc840a4dd88e">O dispositivo que constitui essa forma de subjetividade, além de fazer falar o “novo idoso navegador”, também lhe dá visibilidade, por meio de uma reportagem postada no <italic id="italic-f88876cc2f189c0212531289b4c92475">site.<bold id="bold-ef59be2e62ab2923aaebf62e06ab7414"/></italic></p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-57fd3c74a443b80672e09edcf2d6486a">
      <title>2.2 As linhas de visibilidade do dispositivo</title>
      <p id="paragraph-0791746cb01aa2ea30de33b18ddf48b0">A terceira idade ganha corpo e voz na pessoa de Maria Lango, que, de acordo com o <italic id="italic-62cb0145ffc22f690456062865a51081">blog</italic>, é uma “senhora com 92 anos que descobriu o mundo virtual”.</p>
      <p id="paragraph-4cc6fbb493408d34babe2e9645754755">A perspectiva da câmera enquadra esse sujeito de modo a se ter uma visão de seu corpo envelhecido. Maria Lango responde a quatro perguntas feitas pela blogueira, sentada em frente ao seu computador de uso pessoal, em cuja tela pode-se visualizar o <italic id="italic-205a5a2e7f90b5dd7f26d5bf86137b13">blog </italic>de sua autoria intitulado “Bivovó Maria Lango”. Ocupa a parte central da tela uma postagem com o nome “Informática na medida certa – metodista”, seguida da imagem dessa senhora sentada em frente a outro computador. Na parte direita da tela encontram-se o perfil de Maria Lango e os arquivos de seu <italic id="italic-486825013edddf74c1e42296dfd54bfd">blog</italic>. A reportagem tem como título “Terceira idade na internet”.</p>
      <p id="paragraph-322fe68dcb701ca270bbf8c28a634d48">Tais elementos linguísticos e imagéticos criam, pelo menos, três efeitos, enunciados e descritos a seguir.</p>
      <p id="paragraph-00771ad0ba662979a12a7dce0a183fe0">O primeiro deles é um efeito de proximidade entre o visitante do <italic id="italic-f607dddb6070a5ec0aea2bf9584c2cd7">blog</italic>, supostamente alguém da terceira idade, e um dos sujeitos reais a quem a autora se dirige, com a finalidade de instruir quanto ao uso da rede de internet. Com isso, confere-se ao que se enuncie certa credibilidade, uma vez que se tem o depoimento de quem vive a experiência de uso da internet na terceira idade. O segundo é um efeito metonímico, visto que esse enquadramento imagético focaliza Maria Lango como parte de uma população sobre a qual a governamentalidade deve ser exercida. Esse efeito atende ao processo de subjetivação que, em termos genealógicos, se dá na dinâmica individualização-totalização-individualização (FOUCAULT, 2004; 2006c). A reportagem retira do conjunto da população idosa uma pessoa que parece, então, representar aqueles que incorporaram o computador como ferramenta de socialização, de entretenimento e de pesquisa. A título de descrição do funcionamento dessa dinâmica destaca-se a resposta de Maria Lango a duas perguntas que lhe foram feitas:</p>
      <p id="paragraph-b286e28b0560b2f29c3ca22ed6459a0b">SE9: “Quais os benefícios que a internet trouxe para a senhora?”. “Muitos. Pesquisas, novidades, além de estar em contato com amigos e família. É uma maravilha”. “Qual a sua mensagem para as pessoas da terceira idade que ainda não conhecem o mundo virtual?”. “Eles não sabem o que estão perdendo: filmes, jogos, quebra-cabeças, muitas, muitas coisas em divertimento. É muito, muito alegre e feliz estar trabalhando em computador”.</p>
      <p id="paragraph-a21b7214e009886c8e1f765e93f96ac2">O poder individualiza esse sujeito-alvo e ao mesmo tempo incide sobre todos que se encontrem nessa mesma faixa etária. Essa dinâmica se completa quando, ao individualizar esse segmento social, separa-o daquele composto pelos sujeitos que não fazem uso da internet. Esse outro do “novo velho navegador”, o “velho velho”, fica à margem do dispositivo das “novas tecnologias” - à margem, portanto, de uma forma de governo que visa, por intermédio da acessibilidade virtual, garantir um tempo maior de vida útil.</p>
      <p id="paragraph-1192b8c1f4221ca0218ba4cf480a8ce2">O terceiro é um efeito heterotópico, na medida em que o conteúdo das perguntas desloca o sujeito entrevistado do espaço convencionalmente ocupado pelo “velho velho”. No espaço heterotópico a experiência da velhice é constituída pelas possibilidades que o mundo virtual oferece: uma experiência supostamente diferente da que vivencia o “velho velho”. É essa sujeição ao dispositivo que possibilita a emergência do enunciado- resposta dado às perguntas, e não de outro. Assim, estar nesse espaço do mesmo é “perder” as oportunidades de diversão oferecidas pela rede de internet. De certa forma, é dizer <italic id="italic-448395ac56f5974eed7b816310fce526">não </italic>a uma vida que se crê de maior qualidade, portanto, mais feliz.</p>
      <p id="paragraph-2474cc19b1ed3e0725725c8e300690d5">Nessa mesma direção, nos “Archives for saúde”, do “Site da Terceira Idade”, há um te[to, postado pelo editor em 28 de abril de 2012, intitulado “Jogos eletrônicos ajudam a melhorar o desempenho cognitivo e motor dos idosos”, do qual se destaca a seguinte SE:</p>
      <p id="paragraph-6a5aebcccb4f2aef04e87978b2692f69">SE10: “À medida que as novas tecnologias avançam, os jogos eletrônicos passam a ser utilizados não somente para entretenimento, mas como instrumentos de apoio na melhora da qualidade de vida de idosos [...] os videogames que combinam jogos com exercícios ajudam a melhorar o desempenho motor e podem diminuir os sintomas de doenças como depressão. O idoso vivencia movimentos realizados em lutas, partidas de golfe, tênis ou boliche.”.</p>
      <p id="paragraph-e9c2c8fc1f93e48ffdadf9ade592428c">Se na SE9 o sujeito entrevistado avalia os jogos na rede de internet como parte de uma das oportunidades de lazer oferecidas à terceira idade, na SE10 o sujeito fala de outra posição discursiva, constituída pelo saber médico. Entre a posição que o primeiro enunciador ocupa e a ocupada pelo segundo há uma diferença em termos de interlocução que se deseja estabelecer com os demais idosos a quem o conteúdo dos enunciados se endereça. O sujeito entrevistado da SE9 responde à pergunta na condição de alguém que se sujeitou ao dispositivo que o faz falar como internauta e está imbuído da necessidade de compartilhar sua experiência com o uso da internet. Já em SE10 são duas as modalidades enunciativas observadas: na primeira o sujeito avalia os efeitos positivos da internet para a alma e o corpo do idoso, e na segunda, embora não marcado linguisticamente por meio de sequências textuais injuntivas, o sujeito prescreve o uso dessa ferramenta.</p>
      <p id="paragraph-93b0cdb3a8775bf1e142ca66cb2ce4f4">Não obstante, o acesso a esse conhecimento, que se supõe “salvar” alma e o corpo do “velho velho”, só é possível aos que sabem fazer uso dos dispositivos próprios da <italic id="italic-fa0fcc9f50c1b3a19a2ded47d88d926d">web</italic>, desde os mais básicos (ligar o computador e conectá-lo à rede) aos mais elaborados (entrar no universo da <italic id="italic-b515396be479ec3f8e5547826d4c2257">escrita de tela </italic>e lidar com os <italic id="italic-d5e80d7082c02bcfbaf4141f59c56be8">signos de passagem </italic>pra fazer pesquisas).</p>
    </sec>
    <sec id="heading-1d8b1bb0f05eee6213d299eccbc4e2fb">
      <title>3. Da exposição do “novo” corpo velho na <italic id="italic-4bd00763954cf45d276dc2cda271d22d">web<italic id="italic-26512c6fd41129b764685bbcec033d83"/></italic></title>
      <p id="paragraph-d640046724708b9d05210dbee4da9be8">A via de análise aberta pelas linhas de visibilidade do dispositivo permite que se olhe para a prática discursiva da <italic id="italic-5151365d0f85eb7bc2ff0054f24fec48">web </italic>como um espaço que o idoso encontra para expor seu corpo velho e sua sexualidade. O <italic id="italic-8167786f85e476f0123513ddf1e04226">site </italic>“Coisa de Velho” direciona o leitor para um <italic id="italic-990e9d885d96f4ce5f96ac5299c4b83f">link </italic>que apresenta mulheres idosas em posições sensuais e com trajes sumários.</p>
      <p id="paragraph-a6ccd88050b430e9e621e5f8043bf976">O <italic id="italic-b429aec1021bfb72599731ad4a6beec7">link </italic>faz a postagem do “Projeto Maturidade: um ensaio para mudar a visão sobre a velhice”, do fotógrafo holandês Erwin Olaf. De acordo com o <italic id="italic-11885a038b3c5ed10c3f5a0abe7c769b">site</italic>, Olaf</p>
      <p id="paragraph-9976af95702622e1b9a430fc5bc53fad">SE11: “lida diariamente com top models de algumas das principais marcas do mundo. Com esse olhar para a beleza, ele decidiu fazer um ensaio, batizado de Maturidade, não para vender roupas e acessórios. Mas um novo olhar. Um olhar sobre a velhice, tentando desmistificar a ideia de que sensualidade apenas combina com juventude”. Esse ensaio fotográfico capta dez mulheres com mais de 70 anos, reproduzindo imagens de símbolos sexuais do cinema”.</p>
      <p id="paragraph-1f1fde191f3cb5bdc964eb02b9effa53">O primeiro ponto a ser considerado, em termos do dispositivo de poder-saber que alia “webvisilidade” com “novas tecnologias”, é que, para ter acesso ao saber que pode deslocar o idoso do espaço do mesmo para o espaço heterotópico, em que sensualidade e velhice não são termos que se opõem, é preciso, antes, ter outro saber, de ordem técnica, que irá permitir a esse leitor navegar pelo <italic id="italic-b893886adada3da96fe3fc9c572f52b9">site</italic>. As dez imagens do fotógrafo Erwin Olaf só poderão ser vistas clicando-se com o mouse a seta que leva de uma imagem a outra.</p>
      <p id="paragraph-4911a1d33a7078b18d9b56549d27ef1c">O exposto assenta-se sobre o duplo funcionamento da seta, como um <italic id="italic-14f10d92e33b31fd069b9277e1446a0f">signo de passagem</italic>: manuseá-la é um gesto funcional, sem o qual o acesso à informação não se efetua, e um gesto de interpretação, porquanto a leitura (observação) do conteúdo postado (exposição do corpo idoso se[y) será feita de uma posição sujeito que se identifica ou não com as imagens, ou melhor, de uma posição sujeito-corpo que conseguiu ou não envelhecer sem perder a sensualidade.</p>
      <p id="paragraph-23f75488c21832ce396e31cd2b4797ad">Não é demais enfatizar que a exposição do “novo” corpo velho só se completa com o movimento que deve ser operado por aqueles que estão do outro lado da tela do computador: indivíduos cuja aparência assemelha-se com a daquela observada ou que envelheceram sem “engenho e arte”.</p>
      <p id="paragraph-bdcfd5362f5670fe1ba41f532e0b3b14">Com isso, chega-se ao segundo ponto da análise desta quarta seção. Esse <italic id="italic-863b7910c33067a3b0e94e4fa54fd826">signo de passagem </italic>atende a outro funcionamento, mais amplo que o primeiro: fazer o idoso navegar pelos <italic id="italic-394661e9a9353eb47b5290c241989ae4">links </italic>de um <italic id="italic-d742aca84d8e7e6d8aea382dcf3b9b2e">site </italic>que, pelas imagens postadas, associa a velhice à beleza e à sensualidade é, de certa forma, deslocá-lo para um espaço heterotópico em que aquele corpo exposto é tão mais belo, mais harmônico e mais sensual quanto não o é o seu.</p>
      <p id="paragraph-484b9f6892e5aba61a1f1286798240db">É nesse momento que o exercício da governamentalidade no discurso da <italic id="italic-777d4e0bd8a541d7ae530056374c6f5c">web </italic>se efetiva: ao fazer das “novas tecnologias” uma poderosa aliada para a inserção da população idosa numa espécie de “cultura do cuidado de si” contemporânea.</p>
      <p id="paragraph-28ff9ddb82e61302454483c257a2bd54">De acordo com Foucault (2010), a fórmula grega <italic id="italic-a62c663cbbf70224c7d48927010ba260">epiméleia heautoû </italic>designa certa forma de atenção, de olhar. Cuidar-se de si mesmo implica uma conversão do olhar do exterior para o “interior”, na busca de compreensão do que se passa no pensamento. O autor segue explicando que “o cuidado de si mesmo” comporta algumas ações exercidas de si para consigo, pelas quais os sujeitos se assumem, modificam-se, purificam-se, transformam-se ou se transfiguram.</p>
      <p id="paragraph-c48e157f5a4a4b959c0d4983a6464899">Apoiando-se em textos da antiguidade grega e romana, Foucault detém-se no pronome refle[ivo grego <italic id="italic-59064864e02afbb3226ea6d4e9d162ed">heautoû </italic>para mostrar que a relação estabelecida por ele indica tratar-se do sujeito que se ocupa com algo que é ele mesmo. Assim, o pronome funde o sujeito que pratica a ação e aquele que é o alvo dessa mesma ação. Em outros termos, o que está referido no pronome refle[ivo grego é a alma do sujeito. A descontinuidade na história de longa duração em torno dessa cultura agrega o corpo como parte desse cuidado. Como analisa Foucault, a “dietética”, como regime geral da existência do corpo e da alma, passa a ser uma das formas capitais do cuidado de si.</p>
      <p id="paragraph-35327f2c412dbeb20de85807bb8e668f">Isso posto, nas formas contemporâneas do cuidado de si, interrogar o estatuto sintático e semântico do pronome refle[ivo implica considerar a noção de identidade. Nesse sentido, da pergunta filosófica “O que é esse si a quem se deve cuidar?” passa-se a outra, de cunho discursivo: “Quais são os processos discursivos de identificação existentes hoje?</p>
      <p id="paragraph-bd881b64eeeef60375073cce300cf7d8">A resposta vem sendo perseguida ao longo deste texto, porém faltava acrescentar ao quadro teórico-analítico desenvolvido a ideia de que “as novas tecnologias” e a “webvisibilidade” instituem uma forma de tecnologia do eu contemporânea, a qual interpela o “novo velho navegador” da <italic id="italic-e65cf9b0f0aa0da9753ed92212dfdebb">web </italic>a cuidar de sua alma pelo cuidado com seu corpo. Essa tecnologia do eu vai se apresentar como uma das possibilidades de viver a velhice com mais dignidade. Os <italic id="italic-e812ff964faf2e134f0fc743dcc50a7e">signos de passagens </italic>da <italic id="italic-3030391e367d0fed6efb1c69096d7e99">web </italic>estabelecem, justamente, esse governo do corpo do idoso, uma vez que podem propiciar a inserção do indivíduo nesse espaço outro, em que o corpo envelhece como uma obra de arte.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-6035affc03d6a70e6302e92e5e9a8353">
      <title>Considerações finais</title>
      <p id="paragraph-1">Como parte integrante das práticas discursivas que inauguram novas posições de subjetividade, a <italic id="italic-72199795aa978d1bc6ab2c292329ed08">web </italic>desestabiliza os sentidos de idoso, ao se valer de saberes que produzem identidades moventes. Conforme se discutiu neste texto, as relações entre o dispositivo das “novas tecnologias” e o da “webvisibilidade” têm como efeito um poder-saber que cria um espaço outro para o sujeito da terceira idade. Não obstante, isto só é possível se esse sujeito dispuser de meios para acessar o mundo virtual, assim como de conhecimentos que lhe deem condições de utilizar as ferramentas oferecidas pela linguagem digital. Assim, essas novas posições de subjetividade são produtos tanto de uma <italic id="italic-d1e31b4b506d7d7f5ad75c64553edb25">escrita de tela </italic>quanto de um gesto de interpretação por parte do leitor. O que separa aquilo que o idoso é daquilo no qual ele poderá se constituir, no caso do discurso da <italic id="italic-223ddb9cfb8d59169faa57b7a0ee813e">web</italic>, é o <italic id="italic-783a15ac908308a90abd4b7df6fb47cf">clic </italic>do mouse, que fará o cursor direcionar-se para as possibilidades de significação produzidas na (em) rede.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-de1db334c4121a0a8426a6a0cab09d0b">
      <title>Referências</title>
      <p id="paragraph-312cb0e074d2d924a2f319af45dddded">BONACCORSI, J. <bold id="bold-172b3579316b5eda1bcc0e5c30a04644">“Approches sémiologiques du web”</bold>. In: BARATS, C. (org.). <italic id="italic-871ef44c6b1600e1184ac17375eebf97">Manuel d’analyse du web en Sciences Humaines et Sociales</italic>. Paris: Armand Colin, 2013, p. 125-46.</p>
      <p id="paragraph-d98554af6cf87d29d22b74609345ed08">DELEUZE, G. <bold id="bold-a2e469fe569ffdbe326c3fe40c4a6d36">¿Que és un dispositivo? </bold>In: <italic id="italic-d5e382f50b0e66e9d7822b1cbcd428bf">Michel Foucault, ƒlósofo</italic>. Barcelona: Gedisa, 1990, p. 155-161.</p>
      <p id="paragraph-5f11a6df1787b1d5329c6fcb73b08beb">FOUCAULT, M. <bold id="bold-14c0056ab41b0f6dfdf34f92f75b0309">A arqueologia do saber. </bold>Trad. Luiz Felipe Baeta Neves. Petrópolis: Vozes; Lisboa: Centro do Livro Brasileiro, 1972.</p>
      <p id="paragraph-178cc7343a4d006de9c2d3eb2d4bdbc1">______. <bold id="bold-9d0d431f6cb079a33ddcba1bd304ae04">A ordem do discurso. </bold>In: Série Apontamentos, n. 29. Trad. Adalberto de O. Souza. Maringá: Universidade Estadual de Maringá, 1995.</p>
      <p id="paragraph-b7c3b34f868a32eca13a02e2f49ae2e2"><underline id="underline-2"> _____</underline>. <bold id="bold-5">Microfísica do poder. </bold>Trad. Roberto Machado. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1998, p. 277-93.</p>
      <p id="paragraph-63a0aae302fc2b429bdc92615495baea">_____<underline id="underline-1"> </underline>. <bold id="bold-034cc5d280e142a5bbc10ed2f8982ee5">As palavras e as coisas: </bold>uma arqueologia das ciências humanas. Trad. Salma Tannus Muchail. 8ª. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999. (coleção tópicos).</p>
      <p id="paragraph-5643d1a182b8cfdd9e2c3c7131b6fd6b"><underline id="underline-763a52fc57b25c68405deffa7a96c51b"> _____</underline>. <bold id="bold-912d4612cc6b443977c766d7c55d17c8">Sécurité, territoire, population: </bold>cours au Collège de France (1977-1978). Paris: Gallimard; Seuil, 2004.</p>
      <p id="paragraph-0de3bc21b22b29b9fcdfdec9589292c9"><underline id="underline-3"> _____</underline><italic id="italic-0ab3d8bdd5d978540a6a1cac6f2ee412">. </italic><bold id="bold-68466aff90c71de9e36097298229042e">Estratégia, poder-saber/Michel Foucault. </bold>Coleção Ditos &amp; Escritos, v. IV. Organização e coleção de textos, Manoel Barros da Motta; tradução, Vera Lúcia Avellar Ribeiro, 2. ed., Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006a.</p>
      <p id="paragraph-d28db4711c3283ad13f6d38039cafa09"><underline id="underline-4"> _____</underline>. <bold id="bold-35107da7595ca44cbed7f353497b59d3">Estética, Literatura e pintura, música e cinema/Michel Foucault. </bold>Coleção Ditos &amp; Escritos III. Organização e coleção de textos, Manoel Barros da Motta; tradução, Inês Autran Dourado Barbosa. 2ª. ed., Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006b.</p>
      <p id="paragraph-90104c2c8a70cb9132008822d71c4f02">_____<underline id="underline-5"> </underline>. <bold id="bold-d4c0e77b7a6743381c27c3a48570aa72">Ética, Sexualidade, Política/Michel Foucault. </bold>Coleção Ditos &amp; Escritos V. Organização e coleção de textos, Manoel Barros da Motta; tradução, Elisa Monteiro, Inês Autran Dourado Barbosa. 2ª. ed., Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2006c.</p>
      <p id="paragraph-15e4ed2bf6d90b655f72ed226a611771"><underline id="underline-6"> _____</underline>. <bold id="bold-6">A hermenêutica do sujeito: </bold>curso dado no Collège de France (1981-1982). Trad. Márcio Alves da Fonseca, Salma Tannus Muchail. 3. ed., São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.</p>
      <p id="paragraph-deaa436543bbad00f9b4b4d565f20c50">VEYNE, P. <bold id="bold-7">Foucault: </bold>seu pensamento, sua pessoa. Trad. Marcelo Jacques de Morais. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011.</p>
      <p id="paragraph-ff896a154b566bdffdf04e78b05b4cbd">
        <bold id="bold-8">Sites consultados<bold id="bold-9"/></bold>
      </p>
      <p id="paragraph-12"><bold id="bold-10">Coisa de Velho</bold>. Disponível em &lt;<ext-link id="external-link-1" xlink:href="http://coisadevelho.com/">http://coisadevelho.com. </ext-link>br/?p=12785&gt; . Acesso em 29 jun. 2014.</p>
      <p id="paragraph-9aceeb73632b122f73c71e437c0e3744"><bold id="bold-11">Site da Terceira Idade. </bold>Disponível em &lt;http://www.sitedaterceiraidade.com.br/category/saude/&gt;. Acesso em 03 jul. 2014.</p>
      <p id="paragraph-15"><bold id="bold-12">Terceira Idade na Internet. </bold>Disponível em &lt;http:// terceiraidadenainternet.zip.net/&gt;. Acesso em 08 jul. 2014.</p>
      <p id="paragraph-a054665d73104eedf7426c0f6ec67ac3" />
      <p id="paragraph-17">Recebido em 30/11/2014 e Aceito em 11/03/2015.</p>
    </sec>
  </body>
  <back />
</article>