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<journal-title>Revista da Abralin</journal-title>
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        <article-title>O APAGAMENTO DAS VOGAIS POSTÔNICAS NÃO FINAIS: UMA ANÁLISE CONTRASTIVA ENTRE VARIEDADES DO PORTUGUÊS</article-title>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-8d9f0b6a473e115052c5905279fdfed8">O objetivo deste artigo é focalizar o apagamento da vogal postônica não final, a partir de uma análise contrastiva entre dados da fala ffuminense e da fala lisboeta. Com base em aspectos teóricos e metodológicos da Sociolinguística Variacionista, este trabalho observa os condicionamentos lingüísticos e sociais que afetam a produtividade do fenômeno e a relação entre os processos de redução e fatores sociais.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="_paragraph-2">
          <italic id="italic-1">This paper aims to focus on the deletion in the posttonic medial vowel, as from a contrastive analysis between speech data from Rio de Janeiro e Lisbon. Based on theoretical and methodological issues of Sociolinguistics Variationist, this work observes linguistic and social constraints that affect the occurrence of processes and the relationship between the reduction processes and social factors.<italic id="italic-2"/></italic>
        </p>
      </abstract>
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          <italic id="italic-629f52ef2e1da7e383790de22b29f970">Deletion</italic>
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          <italic id="italic-2e6856f9a933c9d2240960e462096575">Sociolinguistic Factors</italic>
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          <italic id="italic-4e08c996560e805abcf6920635430273">Lisbon</italic>
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          <italic id="italic-f6b273ef0e1b28b1592716f050564402">Rio de Janeiro</italic>
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          <italic id="italic-d79048624640345496bb597123748c6d">Postonic Non Final Vowel</italic>
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    <sec id="heading-e975a802b59febfe41ab34ea437bf610">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-2">O vocalismo átono do português tem sido amplamente analisado sob as mais diversas perspectivas teóricas, sobretudo no que tange a fenômenos que atuam sobre o contexto pretônico. Todavia, mais recentemente, entendeu-se a necessidade de estender a discussão aos demais contextos átonos – igualmente suscetíveis a fenômenos variáveis, mas com comportamentos bastante particulares.</p>
      <p id="paragraph-3">O objetivo deste artigo é contribuir para a descrição de um contexto átono postônico, ao observar os processos de redução que atingem as vogais postônicas não finais, especialmente o apagamento desta vogal, o que regulariza os vocábulos proparoxítonos a paroxítonos. Diversos trabalhos alinhados à metodologia variacionista (Caixeta, 1989; Amaral, 2000; Silva, 2006, 2010; Fonseca, 2007; Lima, 2008; Ramos, 2009; Chaves, 2011; Gomes, 2012) atestam a vitalidade do processo no âmbito das variedades do português, um fenômeno variável histórico com raízes no latim.</p>
      <p id="paragraph-4">Entretanto, mesmo que se trate de um processo antigo na história da língua, há muito sobre o que discutir acerca da supressão da vogal postônica não final, uma vez que a variação é condicionada por fatores que estão além do nível sonoro, como – por exemplo – a produtividade dos itens proparoxítonos. Ainda, há questões a serem pensadas quando se contrastam as variedades continentais do português. Deste modo, este trabalho procura adicionar mais um ingrediente ao debate sobre as propriedades do vocalismo átono em português, ao estabelecer uma análise comparativa entre dados de fala fluminense e da fala metropolitana de Lisboa.</p>
      <p id="paragraph-3c321bafa2f41edfe2ebd0feb5028d34">Nas seções que se seguem, apresentam-se (1) o percurso histórico do processo de apagamento das vogais postônicas não finais; (2) os <italic id="italic-18c185f176ac60e8ea790a670620bd0f">corpora </italic>analisados, a metodologia empregada e as hipóteses que norteiam as análises; (3) os resultados, através de uma abordagem contrastiva; (5) a apreciação relativa aos parâmetros sociais que concorrem para a produtividade do processo de apagamento e (6) a reflexão sobre as convergências e divergências entre as variedades aqui analisadas no que tange à produtividade do processo de apagamento, à atuação dos condicionamentos linguísticos – sobretudo os de natureza fonético- fonológica, e às restrições sociais que atuam sobre o fenômeno investigado.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-a9be5ac81b32d2955f6cfd5cda656265">
      <title>1. O comportamento variável das vogais átonas não finais: um longo percurso</title>
      <p id="paragraph-bd6610bb410ab929c89d5421b8a988e3">A observação do comportamento das vogais postônicas não finais não pode desconsiderar as particularidades dos vocábulos proparoxítonos. Itens lexicais proparoxítonos restringem-se a termos técnicos e pouco usuais, sendo raros os que persistem ainda hoje no vocabulário ativo dos falantes<xref id="xref-3501efbbff89037c64f6cfe7b163c9e2" ref-type="fn" rid="footnote-610c1d03566e9d9ba613a4547aa17fe2">1</xref>. A raridade dos proparoxítonos é fato bastante antigo na história da nossa língua, fato que encontra respaldo em evidências históricas da passagem do latim para o português<xref id="xref-8c1b148f112534000a8884d6df1244ff" ref-type="fn" rid="footnote-7cb5e03c4c89f0d15aa2737817c72418">2</xref>.</p>
      <p id="paragraph-cbdb03260c8b686fbf47005c1a0feb01">Como decorrência desse comportamento bastante peculiar, as proparoxítonas constituem a classe acentual com o menor número de itens lexicais, conforme levantamento realizado por Araújo <italic id="italic-a53a713a307e20f1dbbabbfe66f795d7">et alii <italic id="italic-8e0caec0991f1fcc5ed482011c6c77ee"/></italic>(2007). Por conta de sua raridade no léxico, o tratamento dispensado às proparoxítonas e aos processos fonético-fonológicos que as afetam resulta em poucos trabalhos que investiguem o contexto postônico não final e os processos de redução que atuam no âmbito desses vocábulos.</p>
      <p id="paragraph-8727817cfab2a582a070bd85463d9f53">Os trabalhos pioneiros no ramo da Dialectologia brasileira (Amaral, 1920; Marroquim, 1934; nascentes, 1953) atestam a vitalidade do fenômeno de supressão da vogal postônica não final nas variedades do português popular. Dentre tais trabalhos, destaca-se a descrição que Nascentes apresenta para o “linguajar carioca”, uma das variedades investigadas neste artigo. Quanto ao comportamento dos vocábulos proparoxítonos, o autor afirma que (1953:31):</p>
      <p id="paragraph-4bd81f45431a176d0f1076baff0f12b6">Como na passagem do latim para o português, o horror ao proparoxítono acarreta a síncope das vogais protônicas: príncipe – prinspe, máscara – mascra, cócegas – cosca, música – musga, pêssego – pesco, córrego – corgo, xícara – xicra, árvore – arvre, pássaro – passo, pólvora – porva, mármore – marme, Álvaro – Arvo, abóbora – abobra (ou aborba).</p>
      <p id="paragraph-3337f4e26f6fe8d3fb2717caf64d55c9">Mais adiante, ao descrever os diversos fenômenos fonéticos característicos da fala carioca, Nascentes lança luz novamente ao comportamento das proparoxítonas. O autor reforça a tese de que o apagamento da vogal postõnica é um traço característico das variedades populares. Além disso, Nascentes destaca as possíveis modificações no contexto adjacente à vogal por conta da supressão do segmento vocálico medial (1953:64):</p>
      <p id="paragraph-6">A síncope das postônicas que se deu na passagem do latim para o português continua atuando na classe inculta, com grandes alterações na estrutura das palavras<italic id="italic-cb9d71c217a0e2e307a5e442b5d5ff0c">: <italic id="italic-ab07370852a2b49b87c064205594ca29">relâmpago – relampo, pássaro – passo, árvore – arvre, mármore – marme, pólvora – porva</italic>. <italic id="italic-8b2978faac525cb4f74685195342fc11"/></italic>Quando em virtude da síncope ficam em contato uma consoante surda com uma sonora, dão-se assimilações de surdez ou de sonoridade: <italic id="italic-8b449525a17beac19240b063a99eb138">pêssego – pesco, cócegas – cosca, música – musga</italic>.</p>
      <p id="paragraph-12750da63391819c0a38cfffe37a2c3f">Em relação a análises variacionistas sobre processo de apagamento da vogal postônica não final, os trabalhos realizados sobre o tema também são unânimes em destacar a pressão exercida pelo tipo de segmento que está adjacente à vogal: se há a possibilidade de a consoante que acompanha a vogal átona não final ser ressilabificada, a queda do segmento vocálico é favorecida.</p>
      <p id="paragraph-1524ab58d38e12fb0bc8ea17a434ca97">O papel do contexto fonético adjacente, na verdade, é resquício do processo atuante desde o latim e citado por Quednau (2002): o apagamento da vogal postônica não final, documentado – por exemplo – no <italic id="italic-ae7566272cfe239a57684f0099818a8b">Appendix Probbi</italic>, era favorecido, conforme salientam Williams (1961), Coutinho (1976) e Magalhães (2004), quando as consoantes no entorno desse segmento pudessem ser ressilabificadas, seja em direção à coda da sílaba tônica, seja em direção ao <italic id="italic-6ebacc6acd8b7d25ba86138e6ea2d034">onset </italic>da sílaba átona final.</p>
      <p id="paragraph-5ae19b53157d9a0d6312cad9c7b4cef6">Os trabalhos de cunho variacionista de que se têm notícias (Caixeta, 1989; Amaral, 2000; Silva, 2006, 2010; Fonseca, 2007; Lima, 2008; Ramos, 2009; Chaves, 2011; Gomes, 2012) também reafirmam que as consoantes no entorno da vogal são decisivas para a aplicação da regra de apagamento da átona não final. Entretanto, há de se ter cuidado quanto às generalizações sobre a influência do contexto fonético adjacente, sobretudo quando se contrastam as variedades continentais do português, uma vez que o português brasileiro e o português europeu possuem comportamentos distintos do ponto de vista fonético no que tange à realização de sequências consonânticas<xref id="xref-cb8a0218ef1177d1a6fddb3155df15f8" ref-type="fn" rid="footnote-5d0431d94fd90789a1f45af84075aeda">3</xref>.</p>
      <p id="paragraph-b4e7670de17871e9c78b85eae30b79ce">No âmbito do Português Europeu, não há uma tradição em estudos que verifiquem a produtividade do processo de apagamento das vogais átonas não finais. O único trabalho de que se tem notícia até este momento é a investigação empreendida por Fernandes (2007), que descreve o comportamento dos trissílabos proparoxítonos com base em uma análise experimental.</p>
      <p id="paragraph-e6edb57b53ec050e747d121bc63522a0">Seus resultados revelam que “muitos dos trissílabos fonológicos foram realizados maioritariamente com duas sílabas no nível fonético” (<italic id="italic-8c3fe86a5696a494695d2a9835e7caf1">op. cit</italic>:: vi), com a não preservação das estruturas silábicas originais (<italic id="italic-a335d93a46193e784989e4dc03c5a41a">op.cit</italic>.:126). Seus dados revelam ainda que a queda da vogal postônica não final promove a formação tanto de encontros consonânticos que obedecem às condições de boa-formação de sílaba em português quanto de sequências de consoantes não admitidas fonologicamente, mas possíveis do ponto de vista fonético. Ressalta-se ainda que a produtividade do trissílabo proparoxítono no léxico ativo dos falantes foi um condicionamento que restringiu a redução dos trissílabos a dissílabos: palavras proparoxítonas “raras” apresentaram tendência à preservação dos segmentos átonos.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-1">
      <title>2. <italic id="italic-b04a3115578116e47290483bbfbcc4a6">Corpus</italic>, Metodologia e Hipóteses.</title>
      <p id="paragraph-df166a58a44da8f88f21869a9e60847a">Este trabalho baseia-se nos acervos dos projetos NURC-RJ (<italic id="italic-5f3666cf23beaeaf31f8364abdf1d9b6">Norma Urbana Oral Culta do Rio de Janeiro</italic>), PEUL (<italic id="italic-3">Programa de Estudos sobre o Uso da Língua</italic>), APERJ (<italic id="italic-4">Atlas Etnolinguístico dos Pescadores do Estado do Rio de Janeiro</italic>), levantadas no Estado do Rio de Janeiro de acordo com a metodologia da Sociolinguística Variacionista e, para os dados da variedade europeia, no corpus Concordância (<italic id="italic-5">Estudo comparado dos padrões de concordância em variedades africanas, brasileiras e europeias</italic>).</p>
      <p id="paragraph-f88c21abd48ef1d07b61004006cf9adb">O Projeto <bold id="bold-1">NURC-RJ</bold><xref id="xref-2b3c7153ed7cec669012746067b93a91" ref-type="fn" rid="footnote-a1755de171b5c68069a948850d05a7a1">4</xref> conta com informantes cariocas, de nível superior completo de escolaridade e distribuídos por três faixas etárias: de 25 a 35 anos; de 36 a 55 anos e 56 anos ou mais. O Projeto <bold id="bold-f1f0a4fd797a56bd920c51da91f303c2">APERJ</bold><xref id="xref-7e8d32594b69166c7d70fcf6d62032a1" ref-type="fn" rid="footnote-04c96ce705a7ebc0a2011e510f875042">5</xref> inclui pescadores de 13 comunidades do Norte e do Noroeste fluminenses, todos homens, analfabetos ou escolarizados até a 4ª série do Ensino Fundamental (EF) e divididos em três faixas etárias (18-35 anos, 36-55 anos e 56 anos em diante). O Projeto <bold id="bold-2">PEUL</bold><xref id="xref-16bb680b6ace720f91db4417f6a0a18e" ref-type="fn" rid="footnote-b821d3efa5fdeafe4fa07a65e8483af9">6</xref> limita-se à capital do Estado e seus informantes dividem-se por três faixas etárias (de 15 a 25 anos, de 26 a 49 e acima de 50 anos), três níveis de escolaridade (1º e 2º ciclos do EF e Ensino Médio) e por sexo. Para a análise do fenômeno na variedade europeia, foram utilizados os inquéritos do corpus <bold id="bold-3">Concordância</bold><xref id="xref-1d28b3e592b7e8f75a5a8b669083f5d1" ref-type="fn" rid="footnote-4883b2428da646bd6f4a1751241d74ce">7</xref> <xref id="xref-12ff42e0386b76928b222ffd4c2f44a2" ref-type="fn" rid="footnote-862f19d5afa4b5369ec17cd62ebf5976">8</xref> relativos às cidades de Oeiras/Lisboa, também estratificados em três faixas etárias e três níveis de instrução.</p>
      <p id="paragraph-95b74cbb7ae7090dd415ebaaadd92b0e">A investigação do apagamento das vogais postônicas não finais contou com 136 entrevistas do tipo DID<xref id="xref-fbee1c4f8619e930bc8f77e5148fc351" ref-type="fn" rid="footnote-ab2d94d5f6041d0c43afcfcdda40018b">9</xref>, sendo (i) 18 do Projeto NURC-RJ; (ii) 78 do Projeto APERJ; (iii) 25 entrevistas Projeto PEUL; (iv) 18 do projeto Concordância, das quais foram consideradas todas as ocorrências de proparoxítonas, em um total de 3316 dados. No controle de dados, utilizou-se o Programa GoldvarbX, que auxilia a análise variacionista, para se verificar quais fatores linguísticos e extralinguísticos atuam nos processos de apagamento das postônicas não finais.</p>
      <p id="paragraph-1268dffbadf6f487507ae62968d12b13">No nível linguístico, controlaram-se as variáveis independentes: (i) contexto antecedente (ponto e modo de articulação das consoantes); (ii) contexto subsequente (ponto e modo de articulação das consoantes); (iii) classe do vocábulo – substantivo comum (<italic id="italic-90a7e240239251cec57c8f960eb31294">pérola</italic>) ou próprio (T<italic id="italic-e7e4f46dd3426b04be7723b7c4e3e676">eresópolis</italic>), adjetivo (<italic id="italic-f52e3b622d79a0f0412494bfa721706c">célebre)</italic><italic id="italic-d8e5a1e8ef21cd30a8d4bef11e02410d"> </italic>e verbo (<italic id="italic-1d6186f7a28beb47bf972dded28a1982">tivéssemos</italic>) –; (iv) classificação lexical: termo usual (número), termo pouco usual (<italic id="italic-6">víscera</italic>), termo técnico (<italic id="italic-7">polígono</italic>), topônimo (<italic id="italic-8">Teresópolis</italic>) e antropônimo (<italic id="italic-9">Mariângela</italic>); (v) natureza da vogal da sílaba antecedente (tônica); (vi) natureza da vogal da sílaba subsequente (postônica final); (vii) posição da vogal na palavra – na primeira raiz (<italic id="italic-fb3ff386951cb3ce64fcfd9cbd024786">fol</italic><italic id="italic-294a42bab7da8ddb71fe03f8ba6c8319"><underline id="underline-1">ê</underline>go</italic>) ou fora dela (<italic id="italic-29b44599f6af113bd544ec7159ed4b4f">centímetro</italic>) e (viii) dimensão do vocábulo: trissílabo (<italic id="italic-bf6f027da5eb26a215ccb3e6086c1302">óculos</italic>) ou polissílabo (<italic id="italic-74022ea64d41b077cf42c37b0a29707f">característica</italic>). Entre os fatores extralinguísticos, foram controlados sexo, faixa etária e nível de escolarização do falante.</p>
      <p id="paragraph-f861e4365aee9799c8e9810d737948ee">Considerando-se os trabalhos anteriores sobre processos que incidem sobre a sílaba postônica não final, postularam-se as hipóteses iniciais deste trabalho.</p>
      <p id="paragraph-4673fcc2efeb63c190780e04b01d2038">(i) Os contextos fonéticos adjacentes à vogal postônica não final manter-se-iam como os fatores condicionadores decisivos para a ocorrência do processo de apagamento da vogal átona medial em ambas as variedades analisadas, como um reflexo do princípio de uniformitarismo<xref id="xref-b8330f5a3632f27fffb8003a0483d986" ref-type="fn" rid="footnote-cd87071b230562febdb91c2bdc719691">10</xref> (Labov, 1972; 1994);</p>
      <p id="paragraph-f4a0e1f128ac952529c687d304ec9780">(ii) haveria diferenças quantitativas consideráveis entre as variedades brasileira e europeia no que tange a ocorrência do processo de apagamento da vogal postônica não final: o português europeu – por conta de um processo histórico de enfraquecimento das vogais átonas – aplicaria com maior frequência a regra de apagamento; e</p>
      <p id="paragraph-3f51f28db701ea2106827b9c8d78e29a">(iii) do ponto de vista dos condicionamentos sociais, a supressão da vogal postônica não final seria um fenômeno de baixo prestígio social, o que ficaria comprovado graças a atuação dos condicionamentos <bold id="bold-50301a11a9da3a7dd189ff59a284f6fb">sexo </bold>e <bold id="bold-74adb3d3ea3f15cd550f20509b3ea931">escolaridade</bold>: mulheres e falantes com alto grau de escolarização tenderiam a aplicar com menor frequência a regra de apagamento da vogal postônica não final.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-bc58c603a87687ba58e0cb91dda3003b">
      <title>3. Resultados</title>
      <p id="paragraph-617ff979e76c69bc302d11320f090647">O conjunto de 136 inquéritos do tipo DID usados na investigação acerca do processo de apagamento no contexto postônico não final apresentou 3316 ocorrências de proparoxítonas, incluindo todos os contextos de vogais postônicas não finais.</p>
      <p id="paragraph-d048e92d355b4328f4382d44fa4ceb22">Os índices gerais de aplicação da regra de apagamento da vogal postônica não final revelam duas tendências bastante particulares, que merecem considerações: por um lado, não há diferenças quantitativas significativas quando se comparam os três conjuntos de dados relativos aos falares fluminenses; por outro, quando se contrastam esses resultados com os índices encontrados na amostra representativa da fala metropolitana de Lisboa, observa-se que, nos dados europeus, os índices de aplicação são consideravelmente maiores. A Tabela 1 – a seguir – evidencia os percentuais gerais para a ocorrência do fenômeno em cada variedade analisada.</p>
      <table-wrap id="table-figure-bcf76fb4ad1d36f29d9628691e1fcff1">
        <label>Table 1</label>
        <caption>
          <title>TABELA 1: Distribuição dos dados por amostra.</title>
          <p id="paragraph-3023de54a948bec597bbbbc96fed6be1" />
        </caption>
        <table id="table-83519d20287ea3d4df65b6e459c6b344">
          <tbody>
            <tr id="table-row-901b88507d3532930ba32bceef2c5513">
              <td id="table-cell-a3447e1661dd9a00e6f585c1c871d542" />
              <td id="table-cell-09dbd38da0d4cb358337fd42bbd3046b">
                <bold id="bold-8b8f944dcdd8634eef5cd3e16dbcc051"> Amostra </bold>
              </td>
              <td id="table-cell-11d8ad03f5092ff9194fdbe5fc19bb1e">
                <bold id="bold-a99ab267fb3243fc5188681cbb0d1e46"> Oco </bold>
              </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-5384574193c5382db7c84cae7a9e8220">
              <td id="table-cell-307542db3dfa54c3307a4ec724c9aa73" rowspan="3"> Falares Fluminenses </td>
              <td id="table-cell-36becab467b8a3d1f7124f4e0fbc8f16"> NURC (fala culta   urbana) </td>
              <td id="table-cell-d3f111a1cd2e7c684af9aff2d65aa3d8"> 95/816 = 11% </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-4de9b6d5f25a13ee414f747e355595f6">
              <td id="table-cell-00d21c9d19fce8625f2f14f67c469213"> PEUL (fala popular urbana) </td>
              <td id="table-cell-6f8be8a0e81286aee5e035a9c14b0b86"> 192/1317 = 14% </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-086afdc19db1617cd618d1154e688562">
              <td id="table-cell-650144097cab62cf9b92adcab83b1172"> APERJ (fala rural popular) </td>
              <td id="table-cell-f431e862316ade0b3e909d3e9d1d906f"> 130/855 = 15% </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-a69db42af536289ef208d4d03ad45ccf">
              <td id="table-cell-b5d9d831003006f2cb903659459d0fe9"> Norma metropolitana de Lisboa </td>
              <td id="table-cell-306014333acb15d9ea0223fb0863a0a7"> Concordância (fala urbana – culta e popular) </td>
              <td id="table-cell-db8ad7dd5b3452a1c035245d3c2b3630"> 167/328 = 49% </td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-8b4a2d7057261d58c781ad733b111f5c">Entre as variáveis postuladas para a investigação do fenômeno em foco, revelaram-se estatisticamente relevantes as elencadas na Tabela a seguir. Os resultados são apresentados por amostra analisada, uma vez que o perfil sociolinguístico de cada <italic id="italic-1ccfc9ba2cc0995f7aaa7d306311e7b0">corpus </italic>não permitia o tratamento em conjunto dos dados.</p>
      <table-wrap id="table-figure-c1a09047d8da0ced87b26a4c0abb1dd8">
        <label>Table 2</label>
        <caption>
          <title>TABELA 2: Variáveis atuantes no apagamento da vogal postônica não final</title>
          <p id="paragraph-e77d18b5b43241cbd323fa2b1c8e6c81" />
        </caption>
        <table id="table-5b77465f08f94056186c509f73964fbd">
          <tbody>
            <tr id="table-row-996611d1fb2b2c86af536378d65b9223">
              <td id="table-cell-ab23766b21d665e2c15d122d58b3f571">
                <bold id="bold-8667ce3870544d670629b5de960c37b1"> NURC </bold>
              </td>
              <td id="table-cell-dc65556f5482db4c074b19a74eaeb82d">
                <bold id="bold-2ffb35dd50934b661534822c658468d4"> PEUL </bold>
              </td>
              <td id="table-cell-831cca969b4671d9f46dcf54161b5d31">
                <bold id="bold-2298aa45a5e75506eb20c8fb52c33df4"> APERJ </bold>
              </td>
              <td id="table-cell-468ea09188218b9afb2d8ff24df4fdc3">
                <bold id="bold-6337a406bca42660cb8c25685cf17412"> Concordância </bold>
              </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-2f3ed211b7f1b3eac8a59e32fcf9b681">
              <td id="table-cell-2949b614de92e29d37655754ed7bfcad"> Modo de articulação da consoante seguinte Faixa Etária </td>
              <td id="table-cell-118229f21657a7f55903db1a7dcd436d"> Ponto de articulação da consoante seguinte Modo de articulação da   consoante seguinte Ponto de articulação da consoante precedente Ponto de articulação da vogal postônica não final Dimensão do vocábulo Modo de articulação da   consoante precedente Faixa Etária Sexo </td>
              <td id="table-cell-6955678a0c5a5d69e3868648830e4c52"> Ponto de articulação   da vogal postônica não final Modo de articulação da consoante   seguinte Ponto de articulação da consoante precedente Modo de articulação da consoante precedente Escolaridade </td>
              <td id="table-cell-704cc4e09295a7ed2195ff9aad503960"> Modo de articulação da   consoante precedente Modo de articulação da   consoante seguinte Dimensão do vocábulo </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-8524772ddc0d9765c156e9618a19e8db">
              <td id="table-cell-e2067a5f63e8a456f76308221d36504a"> Input inicial:.11 Input de seleção:.07 Sig.:.000 </td>
              <td id="table-cell-5194b1d77b2ec22156b8f9809a8f089c"> Input inicial:.14 Input de seleção:.04 Sig.:.000 </td>
              <td id="table-cell-0c311e7d68123c85a60bf6cda82d77da"> Input inicial:.15 Input de   seleção: .07 Sig.:.014 </td>
              <td id="table-cell-a0c7a83d7a8fdc9eb6de9431a1abcc06"> Input inicial:.49 Input de seleção: .56 Sig.:.015 </td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-39ff3e19ec548755813d9f893286e7ad">Os resultados expostos na tabela anterior deixam evidente a vitalidade do contexto fônico adjacente para a ocorrência do processo. Por essa razão, as análises aqui apresentadas vão considerar as pressões exercidas pelas consoantes adjacentes à vogal postônica não final. A hipótese é a de que a possibilidade de ressilabificação das consoantes precedentes e subsequentes à vogal átona não final vai condicionar a queda desse segmento.</p>
      <sec id="heading-efd53cf69e3cf5ac02d23440f504a559">
        <title>3.1 Os condicionamentos linguísticos: o efeito do contexto fonético adjacente<bold id="bold-16d4866416b3fcb82855b06bd9998bf2"> </bold></title>
        <sec id="heading-ec24211fb84c991a2a2f61dfdc7693a7">
          <title>3.1.1 A consoante precedente</title>
          <p id="heading-d01e5e66d5fcb2a5e623c0523cd09bfc">Esperava-se que nos contextos em que a queda da vogal postônica não final levasse a consoante a se anexar ou à coda da sílaba tônica, ou ainda ao <italic id="italic-b87312a6e39089f9628116438d9b3f8c">onset </italic>da sílaba átona, o apagamento da vogal fosse favorecido. As consoantes que, a princípio, não encontram contexto favorável à ressilabificação não favoreceriam a regra. Os resultados estão expressos na Tabela 3:</p>
          <table-wrap id="table-figure-21c4cd4c50fa65e31c01ea9bef70630b">
            <label>Table 3</label>
            <caption>
              <title>TABELA 3: Efeito do <italic id="italic-49f435a1de24cdbbc0d2759bb79e1419">modo de articulação da consoante precedente </italic>para o cancelamento da vogal.</title>
              <p id="paragraph-b7f45749f89db1ee21d03c4ac8e42624" />
            </caption>
            <table id="table-a3856e52a2f79fc7487762d003d4e5e4">
              <tbody>
                <tr id="table-row-25423fc54e193aeeb00fcf210f28c430">
                  <td id="table-cell-4a6922681b7aa8d25aa384f1dbb4cb94" rowspan="2">Contexto </td>
                  <td id="table-cell-7920fec6b0d0e0d31f0fddb698c2e76a" colspan="2">
                    <bold id="bold-012613e214a6e80cfd4dfc6e4d68ca99"> NURC </bold>
                  </td>
                  <td id="table-cell-35c0838342c756c23c43fea48945f607" colspan="2">
                    <bold id="bold-3c4d1acf4251375753b70e015365eb7f"> PEUL </bold>
                  </td>
                  <td id="table-cell-f2daf6b0674dc48e365d47b2e3e24850" colspan="2">
                    <bold id="bold-3b48e096f9731580e3bfb42f3603de13"> APERJ </bold>
                  </td>
                  <td id="table-cell-e88869275b39d579f959e7bdbe6a93ac" colspan="3">
                    <bold id="bold-072f620231c35f45b764dda957cacc5d"> Concordância </bold>
                  </td>
                </tr>
                <tr id="table-row-6495f60fc6e2b134af9538f4e144421f">
                  <td id="table-cell-b717dae6dce3c777c6dd65aca1901763"> Oco </td>
                  <td id="table-cell-5d5ff979f785f6f99af873324020f806"> PR. </td>
                  <td id="table-cell-3b87fd1250ae8c2d38815f1846731de1"> Oco </td>
                  <td id="table-cell-48e05ebace8c4cdbbb91f2d238ebac2f"> PR. </td>
                  <td id="table-cell-4602db8d5f567405119a11162672f19a"> Oco </td>
                  <td id="table-cell-c1933a44ae09dd8ac34c025076311bcc" colspan="2"> PR. </td>
                  <td id="table-cell-133af6f76e5605f377f2e648bf1f4663"> Oco </td>
                  <td id="table-cell-d73df3d5761adf686311bf9440b4a690"> PR </td>
                </tr>
                <tr id="table-row-656ff7b5204784187bdb57209c6a1017">
                  <td id="table-cell-a9c66003cc7ae36372e29818463beb8d"> Oclusivas e   Fricativas (bêbado) </td>
                  <td id="table-cell-add75956019ec2f7c6298d84a5bf3721"> 82/587 = 13% </td>
                  <td id="table-cell-8079293edf196d20352d57ea6faad9e9"> (.52) </td>
                  <td id="table-cell-b33ad0edbc2d86ddc1591764162fd297"> 116/ 849 = 13% </td>
                  <td id="table-cell-868ad8056f31b8eeed2f792c91f987af"> .52 </td>
                  <td id="table-cell-e412530007ee344bf402825716a3b6ce"> 125/693 = 18% </td>
                  <td id="table-cell-fcd26f4398313d17e2a05fda05cae286" colspan="2"> .61 </td>
                  <td id="table-cell-fac876cef5220b36149597374496a840"> 140/ 212 = 66% </td>
                  <td id="table-cell-d7313c5a183a60e8c8e352b45c5816ff"> .58 </td>
                </tr>
                <tr id="table-row-c258c1df5e9a7245811b4a7124be584f">
                  <td id="table-cell-06186936caf447f2aa8ae73a543bef58"> Nasais (ônibus) </td>
                  <td id="table-cell-dab6e69b3109d2c34462cc769003b120"> 12/128 = 9% </td>
                  <td id="table-cell-84308e83c24251abf32c26e36d653b49"> (.40) </td>
                  <td id="table-cell-4ccb6c4dc844dc5bb95f467dc6450a3a"> 73/296 = 24% </td>
                  <td id="table-cell-eeaf7cfe68329fca1928a9f3e9f94ca5"> .64 </td>
                  <td id="table-cell-643989b7365cec5eb7744bb48e4850b5"> 4/114 = 3% </td>
                  <td id="table-cell-c931b187b5f8ff24a9bef211e79e246b" colspan="2"> .04 </td>
                  <td id="table-cell-26c872feaedf25839dabff8da775069f"> 15/43 = 34% </td>
                  <td id="table-cell-cfa06191475219b671b77c49c66fbb63"> .18 </td>
                </tr>
                <tr id="table-row-8c83b5c39b60bc0cb93f45aab3670a6c">
                  <td id="table-cell-8b971fce29660efd33e4558fa713aeff"> Laterais (cólica) </td>
                  <td id="table-cell-0a910a5ba6d0938508c0e23cccb0a96a"> 0/20 = 0% </td>
                  <td id="table-cell-17acb1d0680cbdcb7b1ddacaed2cb57e"> - </td>
                  <td id="table-cell-ae778d28f8be4ebf0c28886ffe4e9d9d"> 1/58 = 1% </td>
                  <td id="table-cell-0dd5c5dec6951b90999160b500f58d08"> .06 </td>
                  <td id="table-cell-09ab82472d5b2ace98d1e2ec37e7b2a7"> 0/34 = 0% </td>
                  <td id="table-cell-67f7bc414ae9b6df6d882685f37dc55c" colspan="2"> - </td>
                  <td id="table-cell-95ac879e59b16a09b11eb40157e7d240" rowspan="2"> 4/13 = 30% </td>
                  <td id="table-cell-4a6c25fbc1c19bc34f45819778db4322" rowspan="2"> .25 </td>
                </tr>
                <tr id="table-row-892485391d7e932ed98f0815aed32484">
                  <td id="table-cell-188f1fa1051d15c8a5cc5f4bcc18c846"> Vibrantes (América) </td>
                  <td id="table-cell-9469c9bdc912780cb52123a1a1e0e7b9"> 0/46 = 0% </td>
                  <td id="table-cell-41660e8f006134f994f3d97fa36479e1"> - </td>
                  <td id="table-cell-ca86ba4a5db47731d477ffb668f52486"> 1/40 = 2% </td>
                  <td id="table-cell-8089c014acc79a56414bd81ac8dd0c50"> .09 </td>
                  <td id="table-cell-5c69e9688b330956c6640c473ddc99e0"> 0/11 = 0% </td>
                  <td id="table-cell-4b66c93efb5344888158429d65c0b390" colspan="2"> - </td>
                </tr>
                <tr id="table-row-110c1cbc34eb3441472828763a8d4680">
                  <td id="table-cell-501980ffad8a628194a1a882d6a50a1e" />
                  <td id="table-cell-f4700f9cbe71710a4608209ac56997d5" colspan="2"> Sig.: .060 </td>
                  <td id="table-cell-5d8f42e3d6281f14d8ad30c8930177ff" colspan="2"> Input:.04 Sig.:.000 </td>
                  <td id="table-cell-67f806fe45d975784c8cdebd0e10865b" colspan="3"> Input: .07 Sig.:.014 </td>
                  <td id="table-cell-8bb96260a9affd81458b194655849df4" colspan="2"> Input: .56 Sig: .015 </td>
                </tr>
              </tbody>
            </table>
          </table-wrap>
          <p id="paragraph-3b9165638c39c4efae4c1bddd8bd08e0">No <italic id="italic-6ea1f2a530ec39c657ef0859c42e5006">corpus </italic>APERJ, o apagamento é altamente favorecido quando a queda da vogal postônica leva à formação de <italic id="italic-50936e4ce75298c77f4b4879deb5e2a2">onset</italic>s complexos na sílaba átona final, já que são as consoantes precedentes oclusivas e fricativas as que se mostraram mais relevantes (.61). Observa-se que as líquidas não atuam nesse sentido, ocorrendo praticamente o mesmo com as nasais (.04). Já os dados da amostra PEUL mostram as nasais como as mais propícias ao processo (.64), seguidas das oclusivas e fricativas (.52), resultado que destoa dos demais <italic id="italic-70d3e029d3fbb96670b3cdf01627a4ea">corpora </italic>e que, certamente, se deve às diversas ocorrências da palavra ônibus (44 apagamentos em 93 casos).</p>
          <p id="paragraph-e97ca300dc4de9f281c26cf6ea563c0f">Para os dados do português europeu, nota-se que os índices expressos na tabela 3 refletem a tendência observada para as variedades populares do português brasileiro: a presença de consoantes oclusivas e fricativas no <italic id="italic-56ffbeaa5b3c5d40e8e4412bc4ab9d9a">onset </italic>da sílaba postônica não-final tende a favorecer o apagamento da vogal átona medial (.58). As consoantes nasais e líquidas atuam como bloqueadoras da regra (.25 e .18, respectivamente).</p>
          <p id="paragraph-0853b96606d4df6ff544134fcd2cac77">Nos resultados verificados para o <italic id="italic-7ae506e3e473e1a03f07afc7e496c076">corpus </italic>NURC, que não foram apontados como relevantes pela análise estatística, percebe-se que há uma convergência entre a fala culta e a fala rural da variedade brasileira no tocante à atuação dessa variável: as obstruintes não-nasais se revelam como favorecedoras e as nasais atuam como inibidoras do processo. Todavia, a diferença entre os contextos não é expressiva (.52 contra .40), o que – de certa forma – impede uma apreciação mais abrangente da variável no âmbito da fala culta fluminense.</p>
        </sec>
        <sec id="heading-3c08d531cc04c212d0f9271622cd5cd1">
          <title>3.1.2 A consoante seguinte</title>
          <p id="paragraph-d67f4e68dfa23abf8fef7a7c1488e8f1">Partiu-se do princípio de que a presença de consoantes líquidas no ataque da sílaba átona final favoreceria a queda da vogal postônica, uma vez que tais consoantes podem tanto se anexar à coda da sílaba tônica, formando o padrão CVC nesse contexto, quanto figurar como segundo elemento de um ataque complexo, desde que haja no ataque da sílaba postônica não final uma consoante obstruinte (oclusivas e fricativas labiais), como está expresso na Tabela 4.</p>
          <table-wrap id="table-figure-4c84cdb78afda51e1b2e26c46e946057">
            <label>Table 4</label>
            <caption>
              <title>TABELA 4: Efeito da atuação do modo de articulação da consoante seguinte para o apagamento da vogal postônica não final.</title>
              <p id="paragraph-88864417191371f76aa24f4bf20b2461" />
            </caption>
            <table id="table-d52992b6e40ab80414f13f278c6688fa">
              <tbody>
                <tr id="table-row-ce9f695cb8daa41d15ce53c4b58cccb5">
                  <td id="table-cell-491f5a0cd1d57bfe6c163f4dbfbc50cc" rowspan="2"> Contexto </td>
                  <td id="table-cell-03f2c738e5da3ad57549b7cdf359ad79" colspan="2">
                    <bold id="bold-1fb17286bc91086e4718453ed20beb03"> NURC </bold>
                  </td>
                  <td id="table-cell-3985daa4873c77dd546e7c19e53a2369" colspan="2">
                    <bold id="bold-034a4e40b84934fc2d3ae8f8f8df39a9"> PEUL </bold>
                  </td>
                  <td id="table-cell-b9c3bf3854f4254ca4b2ec2c7aefac68" colspan="2">
                    <bold id="bold-60298b58a866a8d5cedb09a1b557958b"> APERJ </bold>
                  </td>
                  <td id="table-cell-67d7feadacf0a10da671dcb450741cd8" colspan="2">
                    <bold id="bold-05500673d6d5eddffc7f9d47b03ffbd5"> Concordância </bold>
                  </td>
                </tr>
                <tr id="table-row-a17c2072e26bc408e1676e4cfcc82477">
                  <td id="table-cell-7b5af5adaef4d9000b83d0f124c2bf34"> Oco </td>
                  <td id="table-cell-ce4483efe3c533443fdf4169613c34e5"> PR </td>
                  <td id="table-cell-c137ea700c49c86a4cf3472021ecfe21"> Oco </td>
                  <td id="table-cell-2a6bb4c44a6d8d845d06bc9541961443"> P R </td>
                  <td id="table-cell-d7836538d476b6ef93666cc3a597880e"> Oco </td>
                  <td id="table-cell-b88228a46c3a25a5858aa2ac2f5c76d6"> P R </td>
                  <td id="table-cell-d525246acc9eb82c538410e36eec3712"> Oco </td>
                  <td id="table-cell-d7656c3d17e16d472c733629db5b66c0"> P R </td>
                </tr>
                <tr id="table-row-7d117dd52a8af0cd032dcc7649162c31">
                  <td id="table-cell-2d510d0ef5c7b6e33fda55a17c5002d1"> Oclusivas e Fricativas (época) </td>
                  <td id="table-cell-13a4aeed92cc650b95dd8496be93f6d0"> 24/ 498 = 4% </td>
                  <td id="table-cell-43c5359db72368065dfee1fe590c141f"> .36 </td>
                  <td id="table-cell-9b8df52413705e243fa70f0e53d7670b"> 74/ 865 = 8% </td>
                  <td id="table-cell-cd851a1e163a9ad2b858762cbe21f563"> .50 </td>
                  <td id="table-cell-de05c7e21ff3c877e3f07fa78ffb614c"> 73/567 = 12% </td>
                  <td id="table-cell-be98c18e7ab21628e162ef3ee47ff2c0"> .47 </td>
                  <td id="table-cell-fa1dec010ee5788d845fa57816060f2c"> 96/ 220 = 43% </td>
                  <td id="table-cell-b418d6497ec03b15e9204389b651e64c"> .41 </td>
                </tr>
                <tr id="table-row-27b5a95687369e5763598ba70971096b">
                  <td id="table-cell-d1442121755d409a187a23665e56004b"> Nasais (mínimo) </td>
                  <td id="table-cell-f21b4682e719f167e1d1668be5465a22"> 14/162 = 8% </td>
                  <td id="table-cell-17028e158384208d7da39962010308e1"> .50 </td>
                  <td id="table-cell-8d1197be875dae79c9dd2fc528187dfe"> 41/ 268 = 15% </td>
                  <td id="table-cell-661bacc48b33ea95386abaee03f6d99a"> .31 </td>
                  <td id="table-cell-603758a5a09602ee72e29ed08d2f8a0c"> 1/72 = 1% </td>
                  <td id="table-cell-756749c47e0e34b141be2015326bf4c0"> .08 </td>
                  <td id="table-cell-a839d54687521316f7d45daa0ac7edc5"> 47/84 = 55% </td>
                  <td id="table-cell-620d28d8e696e3131587311bb5789706"> .58 </td>
                </tr>
                <tr id="table-row-7ad2763d8cb109605032d60867a8a3e2">
                  <td id="table-cell-ca9dd90e0ae6f70a2a292d0f67c260e6"> Lateral (óculos) </td>
                  <td id="table-cell-9d43b9ae47d106b0c5ec5bb82bc4219e"> 47/77 = 61% </td>
                  <td id="table-cell-ac13349aba54bcbcf7405a88367c341a"> .95 </td>
                  <td id="table-cell-8993ac4aaa31bd80bf37797784433ba1"> 54/ 95 = 56% </td>
                  <td id="table-cell-0e11200867ddf9291c7c05f9a6e0f290"> .67 </td>
                  <td id="table-cell-b925b32cc69b8d6686576731f250e6f6"> 12/68 = 22% </td>
                  <td id="table-cell-b0b904a5f69f4fe6d3eab85bb2feac4f"> .57 </td>
                  <td id="table-cell-defdff3e2a9952c06ac6af07a7b854db"> 9/11 =81% </td>
                  <td id="table-cell-0cf221b520020fff07698ebc0af1bcfb"> .76 </td>
                </tr>
                <tr id="table-row-b78c17290c453c46d959d411cba4d516">
                  <td id="table-cell-dca6f229af332661cd95ae3339ce3888"> Vibrante (abóbora) </td>
                  <td id="table-cell-52c61e6f870bac2e7ed9fc39e132acbd"> 9/60 = 15% </td>
                  <td id="table-cell-cd9f6b2aebe5361808c236764fd9fe3e"> .65 </td>
                  <td id="table-cell-0562c001e9864a5b93553a1eff9ac4b8"> 17/78 = 21% </td>
                  <td id="table-cell-44a76c987e36ae4ea4774b5ec67d2965"> .80 </td>
                  <td id="table-cell-0128f19bed3b581d20e7f5353805fa9b"> 41/133 = 30% </td>
                  <td id="table-cell-ec3efe16ae2e4a0c7c974edc6c4d7c80"> .83 </td>
                  <td id="table-cell-0a03f580b30ccadb4672a4f9c435caca"> 9/12 = 75% </td>
                  <td id="table-cell-d70338f94c613ecc9e3edcbfcf9fb6c3"> .94 </td>
                </tr>
                <tr id="table-row-6b3000a4fc580a58a217d6063bee3893">
                  <td id="table-cell-2450edfe861f6da00ada0533c4f5b0cf" />
                  <td id="table-cell-65efb2b4d4f465cec4527e550074c550" colspan="2"> Input:.07 Sig.: .000 </td>
                  <td id="table-cell-c1dbdcc670ad0e08a0b1ab14020c35cf" colspan="2"> Input:.04 Sig.:.000 </td>
                  <td id="table-cell-d5d08210925224035dbf171c2651cf4f" colspan="2"> Input:.07 Sig;:.014 </td>
                  <td id="table-cell-4b5dfeaa872963a43066c9411f2dfa2a" colspan="2"> Input:.056 Sig;:.015 </td>
                </tr>
              </tbody>
            </table>
          </table-wrap>
          <p id="paragraph-1d0bad907ea9091f468dd346abaa3b8d">As líquidas, nas quatro amostras consideradas, favorecem o apagamento da vogal, embora se observem diferenças quanto aos pesos relativos e à hierarquia dos fatores. O <italic id="italic-60d3d8e7dd3eb9aae0b26ab2a91f64f3">corpus </italic>NURC se diferencia dos demais, no sentido de que a lateral, com peso relativo .95, se mostra mais significativa para o cancelamento do que a vibrante, que é o fator mais saliente nos outros dois <italic id="italic-2ce7a6165fd890eeb0dbddd9ceb12e0f">corpora </italic>(PEUL, .80; APERJ, .83; Concordância, .94). Os resultados sugerem que o apagamento da vogal postônica não final é fortemente condicionado por licenciamentos na estrutura fonotática da língua, sobretudo quando a queda do segmento vocálico átono não final possibilita a ressilabificação da consoante que o acompanha.</p>
        </sec>
      </sec>
      <sec id="heading-217448f8f00b973669e1e200b20988f8">
        <title>3.2 E os condicionamentos sociais?</title>
        <p id="paragraph-24cb061d885a733e51dac5da13b1ab0d">Todo trabalho de cunho sociolinguístico procura observar de que forma aspectos relativos à constituição da comunidade de fala em análise incidem sobre os usos linguísticos dos indivíduos. Neste trabalho, esperava-se que o processo de apagamento da vogal postônica não final sofresse restrições sociais tanto na variedade brasileira quanto na europeia. Entretanto, notou-se que o fenômeno, que culmina na regularização das proparoxítonas ao padrão acentual <italic id="italic-28e30908f4f730d63f94b9aff30dd0a5">default </italic>em português, não encontra restrições sociais na comunidade de fala portuguesa em investigação. A Tabela 5 revela que, no âmbito da fala fluminense, há sempre ao menos um condicionante social a interagir com fatores linguísticos para a aplicação da regra de apagamento da átona medial. Na Tabela 5, expressam-se os resultados para os fatores sociais nos dados do Rio de Janeiro.</p>
        <table-wrap id="table-figure-8944e816bc6c39c54cdd6d953db87766">
          <label>Table 5</label>
          <caption>
            <title>TABELA 5. Efeito dos condicionamentos sociais – falares fluminenses</title>
            <p id="paragraph-4d03f2ac9bdd2f4d60d189c1d2949eab" />
          </caption>
          <table id="table-b5d441c9a677c32507429ee7137cbdb8">
            <tbody>
              <tr id="table-row-663332011e1f71527556dbed2bdb9cc4">
                <td id="table-cell-239d2e7f34106fde857b50c5c2d15fbd">
                  <bold id="bold-18827e388da0c183ffaead032e745713"> Corpus </bold>
                </td>
                <td id="table-cell-0bccdefdcad8eb3baf76d0d8dbc73f1f" />
                <td id="table-cell-a81d51fd3c5750a4a0a076cbd9e3b4cd">
                  <bold id="bold-46a7558eb6b61c9b3dd4be0c09a81136"> Oco </bold>
                </td>
                <td id="table-cell-c150bd116bdf92fdebe9b7bec4909944">
                  <bold id="bold-e3e952f2dd65d46deb8e15130806832b"> P.R </bold>
                </td>
                <td id="table-cell-fb59d1dc4f84c4b6e041d60f66e8d79b" />
              </tr>
              <tr id="table-row-c7f095ac13c9ef7813ad586c9eb37949">
                <td id="table-cell-87fb8c737427f377e4a3f9e2d5e45ede" rowspan="3"> NURC Faixa Etária </td>
                <td id="table-cell-3932c9b40bafad30189b1296cda5963c"> Faixa 1 (18   a 35 a) </td>
                <td id="table-cell-028160e7f0ecc31b4cdd433bbea3f4f8"> 38/261   = 14% </td>
                <td id="table-cell-cadffc2d2501437cf72a96bbb1005853"> .64 </td>
                <td id="table-cell-ae05dba04c5eb9218a17d56e012edc98" rowspan="3"> Input:.07 Sig.: .000 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-d1945fff6e1317b2b8a1c221b9fb0742">
                <td id="table-cell-f60a585ab4be9ce5343b023257583868"> Faixa 2 (36   a 55 a) </td>
                <td id="table-cell-02b99f7eedc8017387462246b900df63"> 27/183   = 14% </td>
                <td id="table-cell-26bf5323a61ca1787c68c886e511a965"> .57 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-ad1de2ada46d5e36e61ee12151ffee81">
                <td id="table-cell-d031a3958fbe44d98fe6e41236a612a0"> Faixa 3 (mais   de 56a) </td>
                <td id="table-cell-0ac62a34e517cca8068cd84b85fc67ed"> 30/342   = 8% </td>
                <td id="table-cell-ffd9529b16956565be8ac032fe3a6484"> .36 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-a49f24a0a9668f248c89a0ab2184136c">
                <td id="table-cell-0e37221046b7eda2fe450fae1bbaa8b8"> PEUL </td>
                <td id="table-cell-28d545649e0415e664f2b9c121375791" colspan="4" />
              </tr>
              <tr id="table-row-b85834b52b5c45299aa1337bb287a3ea">
                <td id="table-cell-fa28f654c9562855fce499e1387c12d7" rowspan="3"> Faixa Etária </td>
                <td id="table-cell-f9b2519d5a5a0adb11e2d0481375ca43"> Faixa 1 (18   a 35 a) </td>
                <td id="table-cell-417591464f85b48aeeb27be9428b4a88"> 20/304   = 6% </td>
                <td id="table-cell-bc873c9efad2e70c06257b4480ee0667"> .27 </td>
                <td id="table-cell-0bfa22e27c7b07196efa643adc815d21" rowspan="3"> Input:.04 Sig.:.000 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-0ac41e14c6b8aa03aa9de2292e1f6a21">
                <td id="table-cell-ab0e0ed54407cb7e7982465881f88b7a"> Faixa 2 (36   a 55 a) </td>
                <td id="table-cell-c21d34ac0a5ea64c867f593f15b61fdb"> 80/528   = 15% </td>
                <td id="table-cell-dc2c4d1af1417d0d07a72e46d99dd2bb"> .50 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-0d2ca3d3eacf6207cf721ebb576ea08e">
                <td id="table-cell-b053c88523d04cebad36111ccdb12991"> Faixa 3 (mais   de 56a) </td>
                <td id="table-cell-f9c37728bcde05ea238dccbdc44833b9"> 92/485   = 18% </td>
                <td id="table-cell-15ac7c1c1ddfb005c25427719143b5e4"> .64 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-8c2ec7ba2143dcc499473e3a5543cffa">
                <td id="table-cell-8894160f4aa620ccc4034010b54d2973" rowspan="2"> Sexo </td>
                <td id="table-cell-f286bc7b769b93bdf782302f48d904e6"> Homens </td>
                <td id="table-cell-4f06ae405c52d29e8bb544b00f638276"> 113/658 = 17% </td>
                <td id="table-cell-926d0a8adf95e1ec11f5b95f06ace63e"> .62 </td>
                <td id="table-cell-99c82e1a79f28ae0bf5ab7798e93dee7" rowspan="2"> Input:.04 Sig.:.000 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-bb62255154df63057210c3658e3866d6">
                <td id="table-cell-c020377ba05d1d6bd0d4ac78f6bbac2d"> Mulheres </td>
                <td id="table-cell-11c1a53781bd4ea34d9684791776f8e6"> 79/659 = 11% </td>
                <td id="table-cell-806563597bef08aaaafa3138384b595f"> .37 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-0a26c445e6d306b2d37b67ee1d9fa4ae">
                <td id="table-cell-44b8710227bbd9fb99081ec1a0fff2b3"> APERJ Escolaridade </td>
                <td id="table-cell-d4923380675098968d2c8de43bc40d5b"> Analfabetos </td>
                <td id="table-cell-a8bf38404f31acee913a0a7b898eccce"> 75/323   = 23% </td>
                <td id="table-cell-9458704d32f87f414cc8d8ea7d359bfb"> .67 </td>
                <td id="table-cell-0f27c59607503d6970b5a171d4c9428e"> Input:.07 Sig.:.014 </td>
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
        <p id="paragraph-030a257cba7b1958d11842cecc9d743f">Com relação à atuação da variável <italic id="italic-938fb0ab62f00c9abfadf616d6a510fb">faixa etária</italic>, os resultados verificados no <italic id="italic-b46d39568efa5f3432812604d789630c">corpus </italic>NURC mostram que os falantes das faixas etárias mais jovens aplicam a regra de apagamento da vogal átona medial com mais frequência do que os da faixa etária mais alta. Os índices probabilísticos confirmam o decréscimo na aplicação da regra: os valores dos pesos relativos diminuem à medida que se avança pelas faixas etárias (.64, .57 e .36 para as faixas 1, 2 e 3, respectivamente). Tal tendência pode ser atribuída ao fato de os jovens cultos serem menos conservadores em relação aos usos padrão.</p>
        <p id="paragraph-f0f558e061b571dd285c5c91844ec084">No que se refere à amostra PEUL, os resultados expostos na tabela parecem indicar que os falantes mais velhos, com mais de 56 anos de idade, realizam muito mais formas sincopadas (.64) do que os falantes da faixa mais jovem. (.50 para faixa 2 e .27 para faixa 1). Percebe-se, ainda, que a faixa mais jovem utiliza mais as formas padrão, o que pode ser indício de que o processo de regularização dos vocábulos proparoxítonos em paroxítonos é uma variável sem prestígio social nesse grupo.</p>
        <p id="paragraph-0f39ee8c53270ad0ec9a8d7fce92e07a">Em relação à atuação do condicionamento <italic id="italic-f548598e06c6548f439ca5cc8886bdf9">sexo</italic>, relevante para o corpus PEUL, pode-se inferir que, no âmbito da fala popular urbana do português brasileiro, estamos diante de uma variável sem prestígio social. Quando a variação não é um indício de um fenômeno de mudança em progresso, como mostram os resultados na perspectiva do tempo aparente, as mulheres tendem a utilizar as formas de prestígio muito mais do que os homens. Os resultados comprovam a primeira tendência com relação ao papel da variável sexo do informante, descrita acima: os homens favorecem as formas com apagamento mais do que as mulheres (.62 e .37, respectivamente).</p>
        <p id="paragraph-c62fe37b771e8329513a84976c60e153">Sobre a atuação da variável escolaridade, relevante para o <italic id="italic-c41741d5127fe7de1caa3d4cf3748bed">corpus </italic>APERJ, percebe-se que o apagamento da vogal postônica não final é mais produtivo na fala dos analfabetos do que na dos escolarizados (.67 contra .38). Tal resultado confirma a hipótese postulada, já que os falantes analfabetos, por não terem contato com a modalidade escrita, tendem a apresentar mais em sua fala as formas desprestigiadas socialmente. Vale destacar ainda que o conjunto de palavras proparoxítonas que fazem parte do acervo lexical ativo dos falantes do português é muito restrito, uma vez que a maior parte delas constituem termos técnicos ou eruditos.</p>
        <p id="paragraph-af820b0d9809fc0756f6299c018cc2bf">No português europeu, conforme evidencia a tabela 2, somente variáveis linguísticas, relacionadas ao contexto fonético adjacente à vogal postônica não final e à dimensão da palavra proparoxítona, foram relevantes. Tal fato, de certa forma inesperado, suscita algumas reflexões, expressas a seguir.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-5d1f6ea62b19b56087a822577ecf5807">
      <title>4. Reflexões sobre os resultados</title>
      <p id="paragraph-3d4821d603221efa6da7284e6c594e74">Os resultados discutidos na seção anterior levam a questionar o porquê de não ocorrer interação entre os condicionamentos linguísticos e sociais para a aplicação da regra de apagamento da vogal postônica não final nos dados da fala metropolitana de Lisboa. Uma possível explicação para esse resultado pode residir na relação entre os processos de alteamento e apagamento, considerando a ocorrência dos fenômenos tanto no português brasileiro quanto na variedade europeia.</p>
      <p id="paragraph-cc461bc21b88f0b031a35466621d5b14">É notória a maior produtividade do fenômeno de apagamento quando se confrontam as duas variedades continentais. No âmbito do português brasileiro, os índices gerais de aplicação da regra são relativamente próximos (<italic id="italic-8cff6b10895f8c0aa43d166e0eb36985">inputs </italic>.07 para o NURC, .04 para o PEUL e .07 para o APERJ – conforme evidenciado na tabela 2), e revelam uma baixa ocorrência do processo. Uma possível justificativa para o comportamento da variedade brasileira pode estar vinculada ao fato de, nos contextos átonos do PB, ainda ser mais produtiva a regra de alteamento, conforme salientam diversos estudos (Camara Jr, 1970; Wetzels, 1992; Bisol e Magalhães, 2004; Santos, 2010, 2015).</p>
      <p id="paragraph-ca9272acba3506dd9cd392e010f96ce9">Isto leva a associar os processos de apagamento ao de alteamento: no PB, o apagamento em contexto postônico não final talvez seja pouco produtivo porque se observa variação na realização das vogais médias e altas nos contextos átonos. No PE, o processo de alteamento, em contexto pretônico, “se generalizou durante a primeira metade do século XVIII”, constituindo uma “mudança paradigmática, fonológica (não conficionada)” (Castro, 1991: 259). Sincronicamente, em contexto postônico não final, só se observam, como mostram Mateus e D’Andrade (2000), as vogais [m], [i] e [u], todas realizações altas. Enquanto, no PB, se mantém um quadro de variação estável nos contextos átonos, no PE, parece estar havendo uma tendência ao apagamento.</p>
      <p id="paragraph-89c5192cb8430af8fd888386e29c415e">Assim, o apagamento da vogal postônica não-final nos dados europeus, por ser significativamente frequente (<italic id="italic-85fae1ac4f0f65db1d90dfa2cfcd5261">input </italic>.56) e corresponder a um processo que não se restringe a essa posição, atingindo outros contextos átonos, não seria marcado socialmente. Nos dados fluminenses, o cancelamento, que eventualmente também ocorre em posição pretônica (beringela ⟶bringela) parece ser objeto de valoração social: a tendência à preservação das vogais átonas implicaria uma valoração negativa das formas com o cancelamento da vogal. Os resultados das análises aqui realizadas, de certa forma, refletem esse quadro: na análise referente ao falar de Lisboa, não houve interação, só variáveis estruturais se mostraram salientes; nas referentes aos dados do Rio de Janeiro, pelo menos uma variável social foi selecionada (<italic id="italic-0bac247c6d6f73678c27d9ca80e4062a">corpus </italic>NURC: faixa etária; <italic id="italic-6bbecc39ca3c5e06d2dae20dde2822bf">corpus </italic>PEUL: sexo e faixa etária; <italic id="italic-180d149dc499d63ef71654f7e7f27214">corpus </italic>APERJ: escolaridade).</p>
    </sec>
    <sec id="heading-2c8f47a2140a2a5ab0f7caff85f64abf">
      <title>Considerações finais</title>
      <p id="paragraph-924ee9b0cb87b80849c373a2f7fe41d7">As análises empreendidas neste artigo permitem perceber que há convergências e divergências quantitativas consideráveis entre a fala fluminense e a norma metropolitana de Lisboa no que tange à aplicação da regra de apagamento da vogal postônica não final. No que tange às <italic id="italic-f0f9eac9e4d33e30dce520621ea07322">divergências</italic>, notou-se que:</p>
      <p id="paragraph-21817f9085422172e13121a305882fce">1. os dados lisboetas revelam que, nesta variedade, há uma alta incidência do apagamento da átona não final ;</p>
      <p id="paragraph-695c8726fdeec31b9b5774911ac4a965">2. os dados fluminenses– independentemente da norma sob análise – revelam uma relativa uniformidade nos índices gerais de ocorrência do fenômeno, que indicam para uma baixa produtividade do processo de apagamento da vogal postônica não final.</p>
      <p id="paragraph-62d0da37fffab8684aadc37bd781c3d5">No âmbito das <italic id="italic-1598b18ce5e53bacca63dc3f17b52258">convergências</italic>, observou-se que, no que concerne à atuação dos condicionamentos fonéticos, há correlação – tanto nos dados brasileiros quanto portugueses – entre o apagamento da vogal postônica não final e a ressilabificação das consoantes que a acompanham, reflexo de um princípio que atua desde o latim vulgar: quando a consoante que acompanha a postônica não final pode ser ressilabificada – principalmente em direção ao <italic id="italic-8a4790ebcd5b80d5842ac38e259d3350">onset </italic>da sílaba átona final, há semelhanças consideráveis entre as variedades aqui analisadas.</p>
      <p id="paragraph-9ee4a0327254bf63a0d2d8ad310662d1">Se há semelhanças qualitativas entre as variedades no que diz respeito à relação entre contexto fonético precedente/subsequente e a manutenção/apagamento da vogal postônica não final, como explicar as diferenças quantitativas salientes entre as diferentes normas continentais em análise? Uma possível justificativa pode residir nas diferenças entre o vocalismo átono do português brasileiro e do português europeu.</p>
      <p id="paragraph-643ca6749882b589875826be629e2004">As particularidades dos sistemas vocálicos átonos das variedades brasileira e europeia podem justificar as diferenças quanto à interação entre os condicionamentos linguísticos e sociais para a aplicação da regra nos dados:</p>
      <p id="paragraph-5408a3b624b3086f70ab45a75aca4680">1. na variedade brasileira, o apagamento de vogais é objeto de valoração social – o processo de alteamento ainda é mais frequente; assim, a aplicação da regra de apagamento estará condicionada a um ou mais fator(es) extralinguístico(s);</p>
      <p id="paragraph-66782bbcacf04066c6a0703821ae571d">2. na variedade europeia, por outro lado, o processo de alteamento, concluído na pauta pretônica, estaria em vias de conclusão nas demais pautas átonas. O apagamento das vogais constituiria uma etapa seguinte ao processo de mudança no quadro vocálico átono.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-d4b97354828bd1dabc7be4b9cbcd8e36">
      <title>Referências</title>
      <p id="paragraph-1">AMARAL, Marisa Porto do. <bold id="bold-fcefb7037e8794fb61afd86959ab31f3">As proparoxítonas: </bold>teoria e variação. Porto Alegre, PUC-RS, 2000. 235.f. Tese de Doutorado em Letras, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.</p>
      <p id="paragraph-5d097d32a1eac410f52005fdd6c33627">AMARAL, Amadeu. <bold id="bold-10563426a2eac8f68030f6cc7d31fc96">O dialeto caipira</bold>. São Paulo: Anhembi, 1920.</p>
      <p id="paragraph-5">ARAÚJO, Gabriel Antunes de <italic id="italic-f24e1ab0f3428edd46b75f1921c4e715">et. al</italic>. <bold id="bold-319f6278b9fa4bfb955224a973da6ab1">As proparoxítonas e o sistema acentual do português</bold>. In:<underline id="underline-89db31fb26cca953ec68ad28c043a75b"> </underline>(org.) O acento em português: abordagens fonológicas<italic id="italic-65afdb2e2ceec7549f7090df1a769f57">. </italic>São Paulo: Parábola, p. 37-60, 2000.</p>
      <p id="paragraph-7">BISOL, Leda e MAGALHÃES, José Sueli de. <bold id="bold-4">A redução vocálica no português brasileiro: avaliação via restrições</bold>. Revista da ABRALIN, vol. III, nº 1 e 2, p. 195-216, 2004<italic id="italic-0f3fbece4efee11c82553c6d09e21172">.<italic id="italic-13def801da573e81887f0af3ecbd22ec"/></italic></p>
      <p id="paragraph-9">CAIXETA, Valmir. <bold id="bold-5">Descrição e análise da redução das palavras proparoxítonas. </bold>1989. Dissertação (Mestrado em Linguística). Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1989.</p>
      <p id="paragraph-11">CAMARA JR., Joaquim Mattoso. <bold id="bold-6">Estrutura da língua portuguesa</bold><italic id="italic-e2dcdb0ab3836220bc20e63a473c6345">. <italic id="italic-3999cb0aa8280a4590790953c9bd4086"/></italic>Petrópolis: Vozes, 1970.</p>
      <p id="paragraph-14">CASTRO, I. <bold id="bold-7">Curso de história da língua portuguesa</bold>. Lisboa: Universidade Aberta, 1991.</p>
      <p id="paragraph-08edceef6a0dae230fedc76a0361b616">CHAVES. Raquel Gomes. <bold id="bold-563e82b0a3d110681b733f08be11742c">A redução de proparoxítonos na fala do Sul do Brasil. </bold>2011. 173f. Dissertação (Mestrado em Linguística). Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2011.</p>
      <p id="paragraph-9f5b13a18b68b4ffa199da9e14e74497">COLLISCHONN, Gisela. <bold id="bold-378a946f7fccf057766abf8ebc7930ae">A sílaba em português</bold>. In: BISOL, Leda(org.) Introdução a estudos de fonologia do português brasileiro<italic id="italic-dd53b2c3df18436cb43cf7c36db7e398">. </italic>4.ed. Porto Alegre: EDIPUCRS, p. 101-133, 2005.</p>
      <p id="paragraph-b855b70d040884995fa45d04104962b1">COUTINHO, Ismael de Lima. <bold id="bold-b86e894cac69ea5add9acd8279c17a9d">Gramática histórica</bold>. 7.ed. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, 1976.</p>
      <p id="paragraph-8">FERNANDES, Ana Catarina Garcia. <bold id="bold-9bc6b7d9477ab5eccdfb97c9d34b3653">Apagamento de vogais átonas em trissílabos proparoxítonos</bold>: um contributo para a compreensão da supressão da supressão vocálica em português europeu. 2007. 155 f. Dissertação (Mestrado em Linguística). Universidade do Porto, Porto, 2007.</p>
      <p id="paragraph-10">FONSECA, Simone Meckler. <bold id="bold-f776185436865dab71cbef181073ae12">O problema das proparoxítonas: a perda da vogal postônica</bold>. 2007. 68 f. Dissertação (Mestrado em Linguística). Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2007.</p>
      <p id="paragraph-12">GOMES, Danielle Kely. <bold id="bold-1a602ca25bb8b7ec3327d22c27003dcf">Síncope em proparoxítonas: </bold>um estudo contrastivo entre o português brasileiro e o português europeu. Rio de Janeiro: UFRJ, 2012. 273 f. Tese de Doutorado em Letras Vernáculas. Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro.</p>
      <p id="paragraph-f53d4502bef8004cf794d3e7feb56643">LABOV, William. <bold id="bold-d83b15e8037b9e7d45634fe100472420">Sociolinguistic</bold><bold id="bold-8"> </bold><bold id="bold-9">Patterns</bold><italic id="italic-d3b6c915d39a5c685cd55f7dba2b7518">.</italic><italic id="italic-4958872e8816e5df2b136b5677ab70f0"> </italic>Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 1972.</p>
      <p id="paragraph-16"><underline id="underline-6b1909cc073db21eea1092928306869e"> _____</underline>. Principles of linguistic change. Vol.1: Internal Factors<italic id="italic-83c4bb8bdd3443ba4f0584af4cfc9587">.</italic><italic id="italic-99c19e55be420182532419083d5c5f61"> </italic>Oxford/ Cambridge: Blackwell, 1994.</p>
      <p id="paragraph-54b9b35d4378dc3d9668937942fe4ea6">LIMA, Giselly de Oliveira. <bold id="bold-11b8faf41b315cd758d935a23fc02370">O efeito da síncope em proparoxítonas</bold>: uma análise fonológica e variacionista com dados do sudoeste goiano. 2008. 195 f. Dissertação (Mestrado em Linguística). Universidade Federal de Uberlândia, Uberlândia, 2008.</p>
      <p id="paragraph-c9e230447b088e655ab755c579db82fc">MAGALHÃES, José S. <bold id="bold-661ae30e3c8553c16fae62f4ac1d69dc">O plano multidimensional do acento na Teoria da Otimidade. </bold>Porto Alegre: PUCRS, 2004. 227 f. Tese de Doutorado em Letras. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.</p>
      <p id="paragraph-f2dd16fab1146edf84da1f6d62642b7c">MARROQUIM, Mário. [1934] <bold id="bold-ddca52a581336753f0769684c2bebb40">A língua do Nordeste</bold>. 3ª. ed. Curitiba: HD Livros Editora. 1996</p>
      <p id="paragraph-80c24a909bcb4513c860a8662f6b672e">MATEUS, Maria Helena Mira e D’ANDRADE, Ernesto<bold id="bold-b43efaa5cee7eb5849a4101abe8ecbae">. </bold><bold id="bold-e8cb58a853fb7ede74595a51efc8e5b7">The Phonology of Portuguese</bold>. Oxford: Oxford University Press, 2000.</p>
      <p id="paragraph-ba65701fac93ffd49c84a50c603ed154">NASCENTES, Antenor. <bold id="bold-5adbcd473750f9a367b27f1fcb591548">O linguajar carioca</bold><italic id="italic-9577e0943d096c9201ee10ba944a3cab">. </italic>Rio de Janeiro: Organizações Simões, 1953.</p>
      <p id="paragraph-13">QUEDNAU, Laura Rosane. <bold id="bold-1d9cfa70645e6a9e7ce9f020ea461ff9">A síncope e seus efeitos no Latim e no Português Arcaico</bold>. In: BISOL, Leda e BRESCANCINI, Claudia. (orgs). Fonologia e Variação: recortes do português brasileiro. Porto Alegre: EDIPUCRS, p 79-97, 2002.</p>
      <p id="paragraph-15">RAMOS, Adriana Perpétua. <bold id="bold-023ea4e72f1e020b434dbf4d5eb06412">Descrição das vogais postônicas não finais na variedade do Noroeste Paulista</bold>. 2009. 175 f. Dissertação (Mestrado em Linguística). UNESP, São José do Rio Preto, 2009.</p>
      <p id="paragraph-17">SANTOS, Alessandra de Paula. <bold id="bold-6b1b6a623d13a721dbea15e283737386">Vogais médias postônicas na fala do Estado do Rio de Janeiro</bold>. 2010. 162 f. Dissertação (Mestrado em Letras Vernáculas). Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2010.</p>
      <p id="paragraph-32907150393cb34f0c6159c85c4855ac">_____<underline id="underline-f18cf2515c365b0d8678b9123abb5f16"> </underline>. <bold id="bold-def5d0732379ffa99720985800ac0f6d">Variação e mudança no vocalismo postônico medial em português</bold>. Rio de Janeiro: UFRJ, 2015. 200f. Tese de Doutorado em Letras Vernáculas. Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro.</p>
      <p id="paragraph-a2b6944c62540d826a13fb453f905122">SILVA, André Pedro. <bold id="bold-b96a9b14c9be1fc56c1e0ba3bb47b214">Supressão da vogal átona postônica não-final</bold>: uma tendência das proparoxítonas na língua portuguesa com evidências no falar sapeense<italic id="italic-92ebd21b04a6130776118720f269ec6f">. </italic>2006. 139 f. Dissertação (Mestrado em Língua Portuguesa). UFPB, João Pessoa, 2006.</p>
      <p id="paragraph-393fdda9f79257dbd1fdfe60e19de652"><underline id="underline-2"> _____</underline>. <bold id="bold-d49e1e6e23309da2c8ce1afd9e76d561">Vogais postônicas não finais</bold>: do sistema ao uso. João Pessoa, 2010, 216 f. Tese de Doutorado em Linguística. UFPB.</p>
      <p id="paragraph-fe0d37a03e029bcd2ae2cac0d3cee0b1">WETZELS, W. Leo. <bold id="bold-830ecbdda49352560ab098fb77ec769e">Mid vowel neutralization in Brazilian Portuguese</bold>. Cadernos de Estudos Linguísticos, Campinas. n. 23, p. 19- 55, 1992.</p>
      <p id="paragraph-de3f129f774ace8841644b7118fa9900">WILLIAMS, Edwin. <bold id="bold-32637a2a91ab70f02d3236440b359323">Do</bold><bold id="bold-70dadae6b208d148d8d4a82ac644d239"> </bold><bold id="bold-47cddb911f227683757ff78983f36d5b">latim</bold><bold id="bold-febe88c699818369fa9ecbb1a4524bf9"> </bold><bold id="bold-56cec6de8196426a8a17ae5bd67e7b68">ao</bold><bold id="bold-10"> </bold><bold id="bold-11">português</bold>. Trad. de Antonio Houaiss. Rio de Janeiro:MEC/INL, 1961.</p>
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    <fn-group>
      <fn id="footnote-610c1d03566e9d9ba613a4547aa17fe2">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-3332d62e7f5aaf8e6b98de42fa147179">Por vocabulário ativo entende-se o conjunto de palavras adquirido e usado no contexto familiar e informal, o qual incluiu apenas palavras de alta frequência e que são compartilhadas por todos os falantes da língua.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-7cb5e03c4c89f0d15aa2737817c72418">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-bd40781d7080b4adc8e72f905bd3965d">Como destacam Coutinho (1976), Quednau (2002), Magalhães (2004), collischon (2005).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-5d0431d94fd90789a1f45af84075aeda">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-1c273f0b491185a1b7511096b0d36b49">Questão tratada em Mateus e D’Andrade (2000).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-a1755de171b5c68069a948850d05a7a1">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-c45d264afd31472cdeff64a911c753cc">
          <ext-link id="external-link-1" xlink:href="http://www.letras.ufrj.br/nurc-rj">www.letras.ufrj.br/nurc-rj</ext-link>
        </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-04c96ce705a7ebc0a2011e510f875042">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-65614dd3043a76ec1a4334cb2cd37eb2">Encontram-se informações acerca da constituição do corpus APERJ em <ext-link id="external-link-e14b582e38ac0c834ac8245bb35cffbb" xlink:href="http://www.letras.ufrj.br/">www.letras.ufrj.br/</ext-link> varport</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-b821d3efa5fdeafe4fa07a65e8483af9">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-fd7783bb763612d955d4e88877f756f6">
          <ext-link id="external-link-1ecc9dea54537ffb52489b86a5d768a1" xlink:href="http://www.letras.ufrj.br/peul">www.letras.ufrj.br/peul</ext-link>
        </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-4883b2428da646bd6f4a1751241d74ce">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-4cff446246ecea88b786f53e5a6a7f6b">
          <ext-link id="external-link-dafea0b7a1c7f3879014877f320f9c04" xlink:href="http://www.letras.ufrj.br/concordancia">www.letras.ufrj.br/concordancia</ext-link>
        </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-862f19d5afa4b5369ec17cd62ebf5976">
        <label>8</label>
        <p id="paragraph-a678b45735ddf137bd7b4beb461e5bb1">Destaca-se que o projeto <italic id="italic-ce2ca342f15e62179a8a48c10da2ab39">Concordância </italic>é o único <italic id="italic-2003ef39e705c6f688d669dbde3ea535">corpus </italic>relativo ao Português Europeu organizado a partir de uma orientação sociolinguística (amostra estratificada de acordo com os parâmetros sexo, faixa etária e escolaridade)</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-ab2d94d5f6041d0c43afcfcdda40018b">
        <label>9</label>
        <p id="paragraph-72e7006d44464ef01eab098552caf1a8">Diálogos entre informante e documentador</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-cd87071b230562febdb91c2bdc719691">
        <label>10</label>
        <p id="paragraph-0b3b05f5b3146e2fc647b483fb094ac9">Conceito tomado da Geologia, o princípio do uniformitarismo postula que “as forças que operam no presente para produzir a mudança linguística são as mesmas que operaram no passado” (Labov, 1972 )</p>
      </fn>
    </fn-group>
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