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<journal-title>Revista da Abralin</journal-title>
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<publisher-name>Associação Brasileira de Linguística</publisher-name>
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        <article-title>APONTAMENTOS SOBRE AS VARIANTES LEXICAIS DE <italic id="italic-eab04b197bd9836918b903851b8342bd">MISTURA </italic>NO NORTE MATO- GROSSENSE, BRASIL</article-title>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="31/12/2015" />
      <volume>14</volume>
      <issue>3</issue>
      <fpage>411</fpage>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-7296a63b440fc7f730f69ab00abf3f11">Neste artigo, que se desenvolve a partir das áreas de concentração da Geolinguística contemporânea e da Sociolinguística Variacionista, propõe-se refletir sobre a língua portuguesa falada em quatro cidades do norte mato-grossense. Como objeto de análise, destacam-se registros e tessituras interpretativas das variantes lexicais do tema mistura. O resultado dessa análise constitui parte da documentação referente à diversidade linguística desses espaços geográficos, oriunda do contato de todos os dialetos e idioletos trazidos por migrantes de suas regiões de origem, e, por conseguinte, descreve um recorte da linguagem utilizada pela comunidade para representar o mundo sociocultural que a cerca.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="_paragraph-2">
          <italic id="italic-1">In this article, which is developed from the areas of concentration of contemporary </italic>
          <italic id="italic-2">Geolinguistics and Variationist Sociolinguistics, it is proposed to reflect on the Portuguese </italic>
          <italic id="italic-3">Language that is spoken in four cities in the North of the State of Mato Grosso. As the </italic>
          <italic id="italic-4">object of analysis, records and interpretations of lexical variants of theme mixture were <italic id="italic-05eba2ce7614d546877fa6334ea5b8ca">done. The results of that analysis is part of the documentation related to the linguistic </italic><italic id="italic-c0898fe8e43fbe83c1fd368ed70517ac">diversity of those geographic areas, originated from the contact of all dialects and idiolects </italic><italic id="italic-51ee67ac60100400cff922d613db7bce">brought by migrants from their home regions, and therefore describes a specific language used </italic><italic id="italic-04bcec2fb6fe60342e15fdd1b95a8a70">by the community to represent the sociocultural world around it.<italic id="italic-5"/><italic id="italic-0d672da20533d9e710d5279e7171b2bc"/></italic></italic>
        </p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-881fee6c0c378c77f32b938785253521">Linguistic Diversity</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-2e0ed41f363ada31d226de0bb2779333">Constitution of the Portuguese in the North of the State of Mato Grosso-Brazil</italic>
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          <italic id="italic-4e6c2d255b0f6b30c93b20b56966b6fc">Mixed Lexical Variants</italic>
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    <sec id="heading-1">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-2">Neste texto, que se fundamenta nos pressupostos da Geolinguística contemporânea e da Sociolinguística Variacionista, tem-se como principal propósito, a partir da análise das variantes lexicais de <italic id="italic-ff8c7062f67f4f2fc6211783054e7147">mistura</italic>, refletir sobre a variedade portuguesa falada em quatro cidades do norte de Mato Grosso (Vera, Santa Carmem, Sinop e Cláudia).</p>
      <p id="paragraph-3">Esta região integra, conforme a divisão dialetal que NASCENTES (1953) fez no Brasil, parte do território incaracterístico e, também por esse motivo, ausente na rede de pontos do Projeto ALiB (Atlas Linguístico do Brasil).</p>
      <fig id="figure-panel-3ac4c285f0694415c4b9e5505658bb84">
        <label>Figure 1</label>
        <caption>
          <title>FIGURA 1: Mato Grosso (31. Cláudia; 114. Santa Carmen; 129. Sinop;  140. Vera)</title>
          <p id="paragraph-ffff7532e3432df1c0babbddc319272a" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-0d3abe8ee6db2a438b17c7912c84d9e9" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="1.jpg" />
      </fig>
      <fig id="figure-panel-18effdb0d006350ebc0caa19cb6d17cd">
        <label>Figure 2</label>
        <caption>
          <title>FIGURA 2: Divisão de falares no território brasileiro, conforme NASCENTES (1953)</title>
          <p id="paragraph-ac7d90e424bb5d9359c630f13e828887" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-c1ce616d8c0e571da672c6fb7e9853da" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="2.jpg" />
      </fig>
      <p id="paragraph-680ae4e9b5dcd250a6f2275f34e4c2bc">Neste contexto, como propósito amplo, apresenta-se como resultados a descrição e análise de um recorte do falar das comunidades linguísticas que integram esta região em estudo, de acordo com fatores diatópicos observados e aspectos de natureza sociocultural. A reflexão analítica feita permitiu que se apreendessem marcas regionais que constituíram e ainda constituem o português brasileiro (PB) falado neste espaço geográfico. Essas marcas podem se resumidas na junção de todas as variedades trazidas pelos migrantes de seus Estados de origem.</p>
      <p id="paragraph-30f64de1efd95809342bbee4dc19b963">Ressalta-se que, para se chegar aos resultados alcançados e apresentados nesta pesquisa, foram utilizados referenciais teóricos que se fundamentaram na teoria da variação de LABOV (2008), na concepção de norma de COSERIU (1979) e nas noções de estatística lexical de MULLER (1968), devidamente adaptadas à especificidade deste estudo. A partir destes referenciais teórico-metodológicos e tendo como guia o método de investigação científica adotado pelo Projeto Atlas Linguístico do Brasil (Projeto ALiB), lançamos olhar às variantes lexicais em uso pelos sujeitos moradores destas cidades em análise, com destaque ao tema <italic id="italic-944882b435666dbbcebb1e5a52ce485d">mistura</italic>. Esse olhar permitiu-nos verificar como a variedade linguística, mais especificamente no nível semântico-lexical, e as implicações de natureza sociocultural, foram constituídas e se expandiram na região norte mato-grossense.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-e7c8f577dff2c7cfe6e5dce27fce58dc">
      <title>1. Mobilizações Teórico-Metodológicas e Contextuais</title>
      <p id="paragraph-6">Conforme já salientado, apresentar e analisar as variantes lexicais do tema <italic id="italic-843752099a2d79b3c7ed2209fb0e112b">mistura</italic>, de acordo com fatores diatópicos e aspectos de natureza sociocultural, em quatro municípios do norte de Mato Grosso: Sinop, Santa Carmem, Cláudia e Vera, fundados a partir da ação de uma colonizadora denominada <italic id="italic-cb75fe70658bf8d5b35734b77aff6841">Colonizadora Sinop S.A., </italic>é a proposta diretriz desta pesquisa de natureza dialetológica, assim como verificar a pluralidade de fenômenos linguísticos e culturais trazidos por migrantes, que são responsáveis pela formação e expansão do português na região.</p>
      <p id="paragraph-cebb442b0381c23d891a6a2b4304e296">Conforme SOUZA (2004), entre os anos setenta e oitenta do século XX, estimuladas pelos “programas especiais” de incentivos fiscais concedidos pelo governo federal, foram registradas 33 (trinta e três) empresas privadas que implantaram 88 (oitenta e oito) Projetos de Colonização. Destas, destaca-se a Colonizadora Sinop (Sociedade Imobiliária do Noroeste do Paraná Ltda.), que inicia suas atividades no norte de Mato Grosso em 1971, ano em que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) aprova o projeto de aquisição das terras da Gleba Celeste<xref id="xref-8efa3d7d07077bceda2fa6398f039072" ref-type="fn" rid="footnote-5ee50fe46fe142b77628da39c84baf33">1</xref>, ou seja, terras compradas de terceiros, pois o governo do Estado já as havia ‘vendido’ anteriormente.</p>
      <p id="paragraph-af0829867072a1db54bd40cff4626883">O primeiro grupo de trabalho da Colonizadora foi comandado por Ulrich Grabert e pelo agrimensor Carlos Benito Spadoni, que iniciaram as atividades de demarcação da Gleba. De acordo com PANOSSO NETTO (2000), o primeiro lote de terras adquirido foi denominado Núcleo Colonial Celeste 1 e dividido em três partes: a) a primeira, com 63.741,30 ha., recebeu o nome de Vera; b) a segunda, com 64.407,67 ha., foi chamada de Santa Carmem; c) a terceira, com 59.519,00 ha., denominada de Sinop. Em meados da década de setenta a Colonizadora Sinop comprou mais 80.000 ha. e criou o Núcleo Colonial Celeste 2, implantando a quarta parte do projeto, nomeada de Cláudia.</p>
      <p id="paragraph-bb7ea261ea4cbe9186b3b47882c28684">Para OLIVEIRA (1982), a divisão territorial da Gleba Celeste seguiu o plano de urbanismo rural projetado pelo INCRA e transformado em documento governamental em 1973. Por este modelo Sinop foi classificada como “Rurópolis”, Vera, Santa Carmem e Cláudia como “Agrópolis”, e os centros convergentes rurais como “Agrovilas”.</p>
      <p id="paragraph-4">Atualmente, Vera conta com uma população de 10.235 habitantes que atua em atividades relacionadas à economia madeireira ou à reestruturada agricultura, principalmente na produção de grãos, como a soja, o arroz e o milho. Já Santa Carmem conta com uma população de 4.021 habitantes, que atua em atividades tais como indústria madeireira, agricultura, agropecuária e prestação de serviços. A cidade de Sinop, é a quarta maior de Mato Grosso em número de habitantes, e conta hoje, em apenas 39 (trinta e nove) anos de fundação, com uma população de 111.643 habitantes, tendo uma economia diversificada, sendo, contudo, conhecida como polo educacional. E Cláudia possui uma população de 10.635 habitantes<xref id="xref-beb1a44969c96bfca895e8bfb16e0f75" ref-type="fn" rid="footnote-7e8d055321b132a52a751af225a61838">2</xref>, apresentando, no momento, uma economia em que se destacam, na agricultura, as produções de arroz, soja, milho, feijão e coco; na pecuária, os sistemas de exploração de gado de corte e leite pelo sistema extensivo.</p>
      <p id="paragraph-f0e569cf1cfbef4b4159b5f7990cb826">Este estudo, por sua vez, filia-se ao Projeto de Pesquisa <italic id="italic-dd6021e54744f63776ce0c23d51b0e21">História e variedade do português paulista às margens do Anhembi</italic>, em vigência na <italic id="italic-167e872bbb646d228c5a59c4d26b1806">Faculdade </italic><italic id="italic-05b89a062dd8486132bfcc21a0ab9983">de Filosofia, Letras e Ciências Humanas </italic>da Universidade de São Paulo, e, em consonância com os objetivos deste Projeto, procura compreender - os processos de manutenção e mudança da língua portuguesa que se expandiu para as regiões sudeste, sul e centro-oeste do Brasil, pelos caminhos das águas do rio Tietê, antigo Anhembi, dentre outras vias fluviais e terrestres -, e como se constituíram histórico e culturalmente as matizes formadoras do português falado nos quatro municípios citados. Vale ressaltar, uma vez mais, a pluralidade de falares que se encontram nessas cidades, os quais se modelaram a partir do Projeto de Integração Nacional (PIN)<xref id="xref-456e3234c6e89ce7f2cc105397f2f034" ref-type="fn" rid="footnote-2cb0d3d0813afafa1005228bbd209809">3</xref>, sancionado à época pelo Presidente da República General Emílio Garrastazu Médici, com a vinda de gentes oriundas de diferentes Estados brasileiros.</p>
      <p id="paragraph-5"> Contudo, não é possível desvincular o processo de ocupação do norte mato-grossense, que tem seu início oficializado na década de setenta do século XX, do contexto de colonização do país. Desse modo, é preciso considerar as incursões a esse espaço geográfico desde o início das explorações bandeirantes e monçoeiras, já no século XVII, e mesmo muito antes disso, se considerarmos os caminhos percorridos pelos povos indígenas, fundamentalmente dos kayabi, expulsos da região em nome da ‘civilização’ e do progresso, e que imprimiram muitas marcas na toponímia, principalmente dos rios da região, como também da fauna e da flora: <italic id="italic-61f32934f692cc74f85fbf3913f1e422">Kayabi, Arinos, </italic><italic id="italic-bc364dfbf1d03b689a85d4de0f110fff">Xingu, Tapajós, Paranatinga, Curupy, itaúba, cambará, mutum, paca, cutia</italic>, entre tantos outros exemplos.</p>
      <p id="paragraph-9bc2007e6906cac0497d5ed3c5147044">O espírito empreendedor tropeiro também não pode ser desconsiderado, visto que, ao se estabelecer a rota dos tropeiros – de Viamão/RS a São Paulo/SP e às Minas Gerais/MG – desenvolve-se o fortalecimento do comércio e estimula-se a interiorização do Brasil, promovidos por viajantes encarregados de fazer o transporte de alimentos e materiais de necessidades básicas. Posteriormente, novas rotas passaram a ser investigadas pelos exploradores tropeiros durante o processo de criação das Capitanias de Mato Grosso e Goiás<xref id="xref-d9c79f03214911f39eb5e99e37066619" ref-type="fn" rid="footnote-06cfedca4d555ad84db4b63f9d453876">4</xref>, os quais, em terras mato-grossenses, viviam essencialmente da criação, transporte e negociação de gado, atividades que se mantêm até os dias atuais.</p>
      <p id="paragraph-da0d0481471dfbea04e5ac0800824dd8">Com relação às mobilizações teórico-metodológicas da pesquisa, reuniu-se um <italic id="italic-e199bc6d367733aee59628ab56281a9e">corpus </italic>por meio de quarenta entrevistas, divididas entre vinte sujeitos masculinos e 20 femininos e entre duas faixas etárias distintas, sendo, assim, vinte informantes pioneiros com mais de 50 anos e vinte jovens, de 18 a 40 anos, filhos ou netos desses pioneiros. Dessas entrevistas, dezesseis foram feitas em Sinop, oito em Vera, oito em Santa Carmem e oito em Cláudia, e para as quais se utilizou como guia a versão final do questionário linguístico direcionado ao aspecto semântico-lexical (QSL), aprovada pelo Comitê Nacional do Projeto ALiB e publicada em 2001, pela Universidade Estadual de Londrina.</p>
      <p id="paragraph-4873378d1403ed8a1362cf65c44fd3e8">No entanto, tendo em mãos transcrições de relatos de experiência pessoal de vinte migrantes dos pontos de inquérito pesquisados, e por reconhecer que o repertório verbal da comunidade linguística em que se realizou a pesquisa apresenta peculiaridades e particularidades de acordo com a realidade dos falantes, ousamos criar um questionário semântico- lexical específico, com 210 questões, mantendo, todavia, dezesseis questões originais do QSL do ALiB.</p>
      <p id="paragraph-5bc1c870dc8479aaad1b09df57518865">Cabe salientar, ainda, que os pioneiros entrevistados são oriundos de diferentes Estados brasileiros: São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Sergipe, Bahia, Espírito Santo e Paraíba, descendentes de italianos, alemães, japoneses, suecos, ingleses, portugueses, ucranianos, poloneses, espanhóis, indígenas e africanos.</p>
      <p id="paragraph-9e065cbc7852a90d6488fb42fdb9ea66">O método utilizado para a realização das entrevistas foi o proposto por LABOV (2008), que preconiza a necessidade de construir situações de entrevista em que a <italic id="italic-887781e5a05348b968420e3a52bec576">fala casual </italic>ou <italic id="italic-63911040a7469b47e3b944506e73506a">espontânea </italic>encontre um lugar e possa emergir durante a entrevista. Dessa forma, para a perspectiva diatópica dos fatos considerados na pesquisa, fez-se uso dos pressupostos teóricos delimitados pela dialetologia, enquanto para o tratamento dos fatores sociais lançou-se mão de alguns procedimentos metodológicos da Sociolinguística laboviana, tais como a observação do perfil dos sujeitos e sua organização sociocultural, a divisão genérica e níveis de instrução, assim como a postura a ser adotada pelo pesquisador e o método de entrevistas.</p>
      <p id="paragraph-1a29b4d97668cbd0d3cba47c9ba28930">Compreendemos, desse modo, que toda a abundância de eventos e fatos disponibilizados pela história não pode ser desconsiderada quando se pensa no processo de ‘ramificação’ que levou à costura do modo de falar local. Assim, reitera-se a importância da escolha do tema <italic id="italic-95e5caa4fb00f3b9d202ec0ff120b786">mistura, </italic>com o intuito de voltar a pesquisa para as possíveis contribuições que o estudo pode trazer, a partir da descrição semântico-lexical, à constituição do português na região, que, até então, foi investigada exclusivamente por PHILIPPSEN (2013)<xref id="xref-7ade87e1a0b372f74dc81c8e410c7fcb" ref-type="fn" rid="footnote-924446c0456fabf731b47dd7d56f18c2">5</xref>.</p>
      <p id="paragraph-464cb0e988462c4695d3692aa7ac3c19">Apresentamos, na subsequência, apenas as variantes lexicais do tema  <italic id="italic-db800754af875419b00fd0fe7841dfa1">mistura</italic>, dadas como resposta à seguinte questão elaborada para este estudo: <italic id="italic-bbefb778a2b2f3bfc266a8de3bfc1823">...nas refeições o conjunto de coisas misturadas geralmente à base de carne, <italic id="italic-31a63827ef2c9e88b42cc2d1dff921df"/></italic><italic id="italic-2fd25b6fa0d4e29b2a0534ca03b9d5c2">peixe, frango etc.?</italic>.</p>
      <sec id="heading-ca298a1ce28d5e2b11150d7e9b989835">
        <title>2. Alinhavos de Análise</title>
        <p id="paragraph-1">No contexto de utilização responsiva, nos quatro pontos de inquérito selecionados, é possível observar a confluência social, cultural, econômica e histórica que leva ao encontro da norma semântico-lexical da língua portuguesa falada nesta região em estudo, ou seja, a “regularidade e sistematicidade por trás do aparente caos da comunicação no dia-a-dia”. (SALOMÃO, 2011, p.190).</p>
        <p id="paragraph-e7c8bfe8584113e3450840f7673cb423">Essa reflexão pauta-se, inicialmente, no molde estatístico idealizado por MULLER (1968), o qual tem, como propósito, mensurar e analisar estruturas linguísticas. Destacamos, também, os conceitos fundamentais que abarcam esse fenômeno da linguagem, que são os relacionados à distinção tripartida apresentada por COSERIU (1979) entre <italic id="italic-a389cc359eeb71e248c41be311c91557">sistema, </italic><italic id="italic-cb779eee0450c61a7a3168a07f763654">norma </italic>e <italic id="italic-16a12acc28cd750c1630e82e1c588650">fala</italic>. É importante compreender, tal como exposto por esse autor (Idem, p.231), que para os falantes de uma língua a funcionalidade atual implica sempre em uma superação do ‘atual estado de língua’ para o futuro. Dessa maneira, “a língua atual não é apenas conjunto de formas já realizadas, modelos atualizáveis, mas também é técnica para ultrapassar o realizado, ‘sistema de possibilidades’ (sistema)”.</p>
        <p id="paragraph-b3fe716420b54d3fdeb2db784c5aa29c">Para esse autor, há, pois, um conjunto de normas sociais na fala coletiva de uma comunidade que deve ser considerado em um estudo geolinguístico, bem como é necessário observar que uma língua histórica apresenta sempre variedades internas, que se alinhavam, essencialmente, a partir das diferenças geográficas (diatópicas), entre os estratos socioculturais de uma comunidade linguística (diastráticos) ou ainda entre os distintos tipos de modalidade expressiva (diafásicos).</p>
        <p id="paragraph-b304a172abf90e876cb3f888ffdc69b1">BARBOSA (1989, p. 573-4) ainda afirma que a norma tem também um aspecto quantitativo, além do qualitativo, pois “[...] uma norma de grupos de indivíduos, por exemplo, se define, de um ponto de vista, como conjunto de modelos de realizações concretas, e de outro, como o conjunto dos fatos de alta freqüência e distribuição regular nos discursos dos sujeitos falantes”.</p>
        <p id="paragraph-036d762a2753bfaa3966ea738935a44a">Dessa forma, para a verificação da norma, assim como da distribuição (regularidade e sistematicidade) das variantes léxicas do tema <italic id="italic-da2e42b251788b04c896f82e12575e11">mistura </italic>trazidas ao corpo de respostas à questão supracitada, apresenta-se, abaixo, a tabela e o cartograma gerado para aquele enunciado:</p>
        <fig id="figure-panel-c131acb32ec8dd1052a749fdb52ea5f4">
          <label>Figure 3</label>
          <caption>
            <title> TABELA 1: Distribuição das variantes léxicas.</title>
            <p id="paragraph-cff85cf59edf8dd303de6c3758cf9195" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-98631892fcbf6d7e85fcc2ac17d8ba2c" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="3.png" />
        </fig>
        <fig id="figure-panel-35e5eb3b6a092b37dd6105bc9e6021a5">
          <label>Figure 4</label>
          <caption>
            <title>FIGURA 3: Cartograma: Mistura Distribuição das variantes léxicas</title>
            <p id="paragraph-24f4369873fe93a214cd53fc253e4ce8" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-718251a3e680f6f5321e2d83b5c1700c" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="4.jpg" />
        </fig>
        <p id="paragraph-9f645b5b66e70ee719cf8ebb417e3182">Na tabela, como também se verifica no cartograma, acima, pode-se observar que o item lexical <italic id="italic-297c4c87a02e9f57a2328eed7c8651b3">mistura </italic>se apresenta com maior ocorrência, mais especificamente com vinte e nove respostas dadas pelos sujeitos. Este item/norma coincide com o tema de propositura da questão em análise. Como frequência, verifica-se que <italic id="italic-05dc8d3bd21d2ff0d4b57fd9d3a42dc0">mistura </italic>aparece em quinze respostas masculinas e em quatorze femininas, distribuídas entre treze menções de sujeitos acima de 50 anos <italic id="italic-677d2a31e2bc4d355bce804a647fe373">versus </italic>dezesseis manifestações responsivas de jovens, de 18 a 40 anos, nos quatro municípios em estudo. <italic id="italic-44d4b1657ae8ff9a5cf72bfa112dfe06">Mistura </italic>apresenta, ainda, duas variantes morfológicas: o particípio passado <italic id="italic-d76533dfe70e434ae5892c6524e3b5d6">misturado</italic>, falado apenas por duas mulheres com mais de 50 anos, uma de Sinop e uma de Vera; e o aumentativo <italic id="italic-6">misturão</italic>, dito unicamente por um rapaz, de 18 a 40 anos, de Cláudia.</p>
        <p id="paragraph-e52a82f945fb764da9aaa766f7c0c043">Acentua-se, também, o alto número de não-respostas, ou seja, nove entrevistados não souberam atribuir nenhuma resposta ao conceito da questão, destes entrevistados, oito são da cidade de Sinop, sendo dois homens e duas mulheres com mais de 50 anos, assim como dois rapazes e duas moças, de 18 a 40 anos, e tão somente um é de Santa Carmem, mais especificamente um homem acima de 50 anos.</p>
        <p id="paragraph-b542b8f02e07add79b597f901f36bbf1">Ainda com relação às respostas dadas, verifica-se um número maior de menções feitas por sujeitos masculinos, assim como há maior quantificação numérica evidenciada por sujeitos jovens, de 18 a 40 anos, fato este, portanto, que pode ser indício de continuísmo de uso deste item lexical na comunidade linguística pesquisada, ainda que se exacerbe um alto número de não-respostas no corpo responsivo.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-1a25facae81e29adfc89748941c099b3">
        <title>2.1 O Item Lexical <italic id="italic-8af3e16093b55df61935208697552f5b">Mistura</italic>: Apontamentos Sócio-Semântico- Lexicais</title>
        <p id="paragraph-5a81cad6b5b0b107276414886e41402e">O item lexical <italic id="italic-d1de5194292555eaafe450fb2b651b55">mistura</italic>, segundo HOUAISS (2004), teria proveniência do latim <italic id="italic-fdb86ae93d1b867552406ac2cef950ce">mixtūra, </italic>derivado de <italic id="italic-0f93de53d7efbbfe3301ab9fd52688eb">misto </italic>e com a seguinte formação histórica: <italic id="italic-e42fda347e5d2a43e64edb31f5319c16">mestura </italic>(sXIII) e <italic id="italic-6ea7e1f0b1be4caff4e9794b65cb63c8">mistura </italic>(sXV).</p>
        <p id="paragraph-c7dd8fcfb516045da785d16ea29a2df0">A inscrição de <italic id="italic-7">mistura, </italic>conforme se pode ver abaixo, aparece nos quatro dicionários selecionados para a averiguação semântico-lexical dos registros deste item em análise, em BLUTEAU (1712), em PINTO (1832), no AURÉLIO (1986) e no AULETE DIGITAL. Os conceitos disponibilizados para este verbete nestes dicionários são os seguintes:</p>
        <table-wrap id="table-figure-85ef32605518ff9f8fb1d672f6f29373">
          <label>Table 1</label>
          <caption>
            <title> QUADRO 1: Reflexões analíticas sobre o item lexical mistura.</title>
            <p id="paragraph-1c7a7cd6f3e41bb3b20b8c4355fa5ab1" />
          </caption>
          <table id="table-93b974b675317324d3502a6e06df67a1">
            <tbody>
              <tr id="table-row-853070de7948fa227b6d50b064757ae8">
                <td id="table-cell-92e1478213c4973abbc8ca0cdd82a791"> Dicionário Entrada </td>
                <td id="table-cell-ab6f1746c2038b81f4d3aa7c0a6c27b7"> Vocabulario Portuguez &amp; Latino - D. R. Bluteau (1712) </td>
                <td id="table-cell-ed1e0d81f9df9182f01f34e8a87e60f1"> Diccionario da Lingua Brasileira – Luiz M. da S. O. P. Pinto (1832) </td>
                <td id="table-cell-95208f792d968cb8346375d939a357d6"> Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (1986) </td>
                <td id="table-cell-33998233596f184c648537a05f30935d"> Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa – (Aulete Digital) </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-e8a25e33c210bd086e20d1edc7eb87c9">
                <td id="table-cell-ed1ae30ba39385eaed9e2757af914b31"> MISTURA </td>
                <td id="table-cell-b7a30c55e09b5a68ea1cdbacd11c0f6f"> Miſtura   de couſas, que fazem huma maça, &amp; hum ſô corpo. (p. 515) </td>
                <td id="table-cell-194522acb3bce1013b7b442fab17421e"> Acção de misturar. O resultado, da união de varias cousas. (p.722). </td>
                <td id="table-cell-3c1a81ab1554453af374a3a15c6ed168"> 1-Ato ou efeito de misturar(se). 2- Conjunto, composto ou produto resultante   de coisas misturadas. 4- Cruzamento de raças; miscigenação. (p.1143) </td>
                <td id="table-cell-f6fdf0a904d1d4c612e3f8155c2a12f4"> 1- Ação ou resultado de misturar(-se). 2- Composto de coisas misturadas; AMÁLGAMA; MESCLA; MISTO. 5- Cruzamento de raças; MISCIGENAÇÃO. 8- SP Pop. Iguaria, ger. à base de carne, peixe, frango etc., que compõe uma refeição. </td>
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
        <p id="paragraph-4428bb2ec78c2afedfe8185968de8a68">Conforme os significados que se podem apreender do item lexical <italic id="italic-4cd30fc39f0dcd18d0f68d2e06ef4c2a">mistura </italic>nas entradas destes dicionários citados acima, verifica-se que apenas o AULETE DIGITAL traz uma equivalência conceitual ao sentido expresso no enunciado da questão de nosso questionário semântico-lexical <italic id="italic-e25440ddda30e7af69f9069c2edc4b34">...nas refeições o conjunto de coisas misturadas geralmente à base </italic><italic id="italic-d4b86419465ad62affcbf287e6f8b081">de carne, peixe, frango etc.?</italic>.</p>
        <p id="paragraph-b5c217bd8a933f93f4f472caa3d3333f">Dessa forma, ainda que se possa observar nos quatro dicionários supracitados significações que revelem proximidade a <italic id="italic-6ed1864fd07a8f417e93f3332aeca9b7">conjunto de coisas </italic><italic id="italic-887fe2a20618b0aa15989c8c5056e04f">misturadas, </italic>tais como “Miſtura de couſas” (1712), “O resultado, da união de varias cousas” (1832), “Conjunto, composto ou produto resultante de coisas misturadas” (1986), é somente em um contexto recente, evidenciado no AULETE DIGITAL, que se acentua a noção semântica de “iguaria, geralmente à base de carne, peixe, frango etc., que compõe uma refeição”. Ressalta-se que este dicionário define este sentido como regional, dando destaque ao Estado de São Paulo.</p>
        <p id="paragraph-d4ff9c1c608a7346f8ef5c51b8747089">Esta constatação de uso regional, mais especificamente no sudeste do Brasil, é revelada, também, no seguinte fragmento sobre curiosidades do feijão acessível no <italic id="italic-3042253d8a159e5e031d738c9bc1a5d6">site </italic>da paulista <italic id="italic-c966e6481f73c879e4a159586a88d1b1">CEREALISTA NARDO LTDA: “</italic>O prato ‘feijão com arroz’ (ou ‘arroz-e-feijão’) é um dos mais típicos dos lares brasileiros, acompanhado com alguma ‘<bold id="bold-1">mistura’ (nome comum no estado de São Paulo para qualquer coisa que se coma com arroz-e-feijão, como, por exemplo, bife ou batata-frita</bold>)<xref id="xref-e88a36d52f8cb3bd68a46f72053a1bf9" ref-type="fn" rid="footnote-6f097442dc534127524682273974516d">6</xref>” (grifos nossos).</p>
        <p id="paragraph-3e3ba02721afc909046de1d3e04a15dd">No entanto, é importante enfatizar que localizamos também o registro do item lexical <italic id="italic-8">mistura, </italic>com este mesmo significado, utilizado pela moradora da zona rural da cidade baiana de Glória, divisa com Pernambuco, Maria São Pedro, segundo o excerto de narrativa a seguir, publicado no Jornal <italic id="italic-9">BAHIA NOTÍCIAS </italic>em 27 de maio de 2012:</p>
        <p id="paragraph-593e0a5c2a89acf67cad350d0da18106">Meu marido vai pra rua [cidade] todo dia tentar arrumar trabalho, para não roubar o que é dos outros. O dinheirinho que ganho [proveniente do Bolsa Família] dá só para o sustento, pois agora tenho que comprar água para mim e para meus animais. Tenho comido todo dia, mas passo necessidade, não vou mentir. <bold id="bold-ee79dd835e4460f4b96f21d26af434de">Tem dias em que não tem a mistura </bold>[carne ou similar que acompanha o tradicional arroz e feijão]<xref id="xref-8a8a751c333ced044557c9055703c746" ref-type="fn" rid="footnote-7275699e56078cef19b35b605bc3f4ce">7</xref>. (grifos nossos).</p>
        <p id="paragraph-e4d185f63e9667fdae2a0323750e3ab2">Salientamos, então, que, como testificado nos dados acima, a inscrição de <italic id="italic-831fc12f0f3908f921105cac672ae133">mistura </italic>com o sentido realçado em análise ocorre nos dicionários apenas após o último quarto do século XX, fato este que indicaria a não presença deste uso lexical no início da colonização norte mato-grossense, a qual ocorreu nos primeiros anos de 1970 do século XX, todavia, o relato de experiência pessoal, conforme o trecho que exporemos abaixo, pode ser indício de utilização deste item desde as primeiras ações colonizatórias vivenciadas pelos migrantes neste espaço geográfico:</p>
        <p id="paragraph-aabf0c7c631e5ab1cd48bb2770b14dee">(1) Aí, quando que a gente plantô os pé de abobrinha, que deu umas abobrinha, a turma invadia, comeu, <bold id="bold-2">porque não tinha outra mistura, mistura era só na Sinop que tinha</bold>. Na Sinop pra ir lá demorava treis dia, no tempo da chuva, pra i e treis dia pra voltá. (C17 M)<xref id="xref-48291aaf4d140b013d48750ba66b916d" ref-type="fn" rid="footnote-647abf9df2d63bcb53a3858fa50a2168">8</xref>.</p>
        <p id="paragraph-01aee4b7f8911c1bf5185bf0f9d52e41"> Da mesma maneira, é possível apreender este contexto de uso inicial em algumas justificativas trazidas juntamente à atribuição responsiva dada à pergunta supracitada por sujeitos pioneiros entrevistados, como se pode observar nos seguintes fragmentos:</p>
        <p id="paragraph-940c9152553f9b4953bc2f9e6eebc3cb">(2) Aqui eles têm o costume de falá <bold id="bold-ff3e65b9451bf07f8817689830e38466">mistura </bold>e isso que eu estranhei também, falá que isso é mistura, pra comprá mistura. Lá <bold id="bold-a14a819c10644eb23c15c7090e586be7">no sul não se fala isso não</bold>. <bold id="bold-3">Eu ouvi falá aqui</bold>. (S13<xref id="xref-a4470d729e7aea84a12295bd6e4bbbad" ref-type="fn" rid="footnote-d35ef8936ee284cf756ae00e1fff2064">9</xref> F).</p>
        <p id="paragraph-4ef27a54c734bd0c396fd169f29d467d">(3) <bold id="bold-4">Mistura é daqui </bold>e nem todos falam isso, eu acho que é mais do nordeste, a gente fala assim eu vô fazê uma carne, uma verdura e <bold id="bold-5">eles fala vô fazê uma mistura</bold>, mas eu não me entrô ainda na minha cabeça isso. (S14<xref id="xref-d1f1aff2c9f593713a4b2d98b14457b7" ref-type="fn" rid="footnote-ec64e137f435cba73ecbd86a6591d435">10</xref> F).</p>
        <p id="paragraph-7f2b620324e44b4d7dfe57460674d30c">(4) <bold id="bold-6">Mistura, sempre nóis falô</bold>, falta a mistura, até hoje eu falo <italic id="italic-ece01c4d741fdf588cef1452adbfa003">o </italic><italic id="italic-81f6e65172f4eb6805f289211449c15e">que será eu vô fazê de mistura hoje</italic>, é costume que vem de casa, né, é aquele costume dos pai, né! (V4<xref id="xref-75e684b5ea17e880fa6990d36b707c11" ref-type="fn" rid="footnote-15c93a06748733acb46ec563611c4375">11</xref> F).</p>
        <p id="paragraph-8">(5) Falta a mistura, <bold id="bold-7">mistura é o que vem, né, seja a salada, seja </bold><bold id="bold-8">a carne. No Paraná também se falava mistura</bold>, a maioria falava. (V2<xref id="xref-a558c2f2dd0e6ef3ddafdce3d43d9071" ref-type="fn" rid="footnote-e8e1629d288517931aabec8b784de814">12</xref> F)</p>
        <p id="paragraph-10"><italic id="italic-2896b5d017f92dc60e0f32cc5cc48894"><bold id="bold-9">(6) </bold></italic>Às <bold id="bold-10">veiz falo, <italic id="italic-14015d4d5da60e13bdc401ce17729f38">gente, hoje não tem mistura, eu preciso<italic id="italic-14163fd25eec6f38de33eb940b808614"/><bold id="bold-11"/></italic></bold></p>
        <p id="paragraph-12">(7) <italic id="italic-dedbab80e12beb7d2eeb11e26b9ef7db"><bold id="bold-13">i comprá</bold></italic>. Mistura é a carne, salada, legumes, tudo. <italic id="italic-b71a74131239fcf51fd02f4935df6120">Nossa, eu vô </italic><italic id="italic-1e6554fcc7b39ef53b63a499dc6268f3">fazê almoço hoje, mas não tem nada de mistura</italic>, aí pego e vô comprá batatinha, compro carne, uma mistura (S11<xref id="xref-214ef5a30ffdb910f5be0ecfcf6b0af9" ref-type="fn" rid="footnote-0b0debee43a54fb05fbb50d3e001e36b">13</xref> F).</p>
        <p id="paragraph-46c87a5399ef7f0379b0bac95fa7e49c">Segundo estes excertos, portanto, constata-se que a noção conceitual de <italic id="italic-7a18112f8688f15c3401a6fe94c3b4dc">mistura </italic>referindo-se a <italic id="italic-bbb6dee4be421190472357a3d0020395">coisas misturadas, geralmente à base de </italic><italic id="italic-ed88b2a08a193cc704bd44525cfa97e3">carne, </italic>já era utilizada nos Estados de São Paulo e Paraná, estendendo- se, hipoteticamente, ao Estado da Bahia, por outro lado denota-se estranhamento deste sentido evidenciado nas justificativas dadas pelas migrantes dos Estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-f53a50107577456273a1290873907fcc">
      <title>Considerações Finais</title>
      <p id="paragraph-fae725d47a1772f1739e163b6cb126ec">De acordo com as reflexões analíticas apontadas nesta pesquisa sobre o tema <italic id="italic-077f71a934f6be23b1ce0e5a9e5281a0">mistura</italic>, se levarmos em consideração os registros feitos em BLUTEAU (1712), em PINTO (1832) e no AURÉLIO (1986), seria</p>
      <p id="paragraph-a9fe3c87877f264231b59a08df38fb07">possível afirmar que haveria uma alteração semântica deste item lexical pesquisado em curso na região norte de Mato Grosso, contudo, se nos ativermos à entrada exposta no AULETE DIGITAL e ao se verificar, conforme vimos, as justificativas e relatos expressos pelos sujeitos à utilização de <italic id="italic-fa6f3397e2f4c1dec07cca3cae2a8592">mistura, </italic>com o significado manifestado na questão, atesta- se, então, uma continuidade semântica deste uso no espaço amazônico norte mato-grossense desde o início de sua colonização.</p>
      <p id="paragraph-cd4afe1585622e3434534389c32def5b">Neste contexto, destaca-se, ainda, segundo BOTELHO (2008, p.62- 64-65), que:</p>
      <p id="paragraph-7">A cozinha do Centro-Oeste, por sua vez, revela as influências dos fluxos populacionais que se encontraram nessa região, quase sempre originários de outras partes do país e que se mesclaram com os elementos regionais. [...] A diversidade das cozinhas regionais e no interior das macrorregiões é fruto da combinação, ao longo da história, de elementos geográficos, sociais e culturais. São expressões elaboradas da identidade dos brasileiros que vivem nas distintas partes do País. Mais além da culinária regional, expressão da diversidade, a cozinha brasileira é um fator de unidade nacional, por meio da identificação do binômio feijão com arroz como prato típico de subsistência cotidiana do brasileiro, ou seja, como elemento de identidade nacional [...] acompanhado pela farinha de mandioca, salada e carne (de gado, porco, ave ou peixe).</p>
      <p id="paragraph-a2ed1b7a02212d66bad1aaa15897410f">Por conseguinte, é a partir da mescla de fluxos populacionais de distintas regiões brasileiras que se constituiu e ainda se constitui a identidade da cozinha nos quatro pontos de inquérito em estudo. Assim, além do item lexical <italic id="italic-ba5caf81a48ef4489827d0ef79dfc1f4">mistura</italic>, que, conforme os resultados desta pesquisa, tem maior disseminação no sudeste do Brasil, mas encontrou espaço de difusão no norte de Mato Grosso e assimilação por parte de migrantes vindos de outras regiões do país, merece realce, também, o item <italic id="italic-e22b05f2c00e4602e1be38cf7319bdea">virado</italic>, que igualmente se encontra no falar da comunidade pesquisada e tem raízes históricas ligadas à maior propagação em solos paulistas. Conforme RURAL (2008, p.72-73, grifos em negrito nossos):</p>
      <p id="paragraph-18e5690d10a6c3e06a6963d8b8b34321">Com suas andanças, os tropeiros foram levando sabores, trocando produtos e fazendo a mistura que hoje praticamos em nossa cozinha. Muitos pratos, como o virado-de-feijão – ou <bold id="bold-8fb2af19194ac4c05d313543ead450a4">virado paulista </bold>– nasceram nesse tempo. [...] Com a chegada da bandeira no local do plantio, o feijão era cozido junto com as carnes de animais caçados no caminho e o milho, transformado em quirera fina e misturado ao feijão. Fazia-se, assim, um prato forte que era apreciado pelos viajantes. Veio daí a frase e o conselho para quem ia viajar pelas matas do Brasil: “Para comer, vai se virando como os paulistas”. “Se virando” transformou-se, com o tempo, em “virado paulista”, atualmente preparado com farinha de milho, torresmo e lingüiça.</p>
      <p id="paragraph-4012708f71aede1756a4f1c8d006e4de">É, portanto, o fluxo migratório diverso que possibilitou e ainda possibilita o encontro de diferentes culturas e de diferenciadas propagações linguísticas sinonímicas ou com semelhantes relações conceituais, como as elencadas nos dados responsivos dos sujeitos entrevistados, as quais configuram o cenário sócio-histórico e semântico- lexical da língua local em construção.</p>
      <p id="paragraph-9a36b8a7affadf6384305b89ac268cfc">Vale salientar ainda que, para que se alcançassem os resultados apresentados acima, partiu-se dos falantes e da fala, na sua face viva e móvel, atravessada pelas dimensões geográficas e pelos parâmetros sociais, para descrever os fenômenos linguísticos que circulam no norte mato-grossense, visto que, conforme BUSSE (2010), o estudo da fala e as análises sobre a variação têm como índice condutor a história e a cultura do povo, e, tomadas enquanto representação do comportamento dos falantes, mostram, por sua vez, como os fenômenos são moldados à luz das complexas relações sociais. Dessa forma, pôde-se perceber que a língua em seus traços mais particulares reflete as condições pelas quais os grupos vêm se constituindo.</p>
      <p id="paragraph-1d66abf1a735b7e6760f4ff82637c05c">Todas essas reflexões tecidas vêm, também, ao encontro das ponderações de Isquerdo (2006, p.18), quando diz que:</p>
      <p id="paragraph-fe00fe74f52c49f153c9e2742327fd96">Na verdade, essa norma foi se desenhando de forma distinta nas diferentes regiões brasileiras, motivada por condicionantes extralingüísticos, como os fatores físico-geográficos que as individualizam, os contatos étnicos que ali se processaram, as atividades econômicas predominantes, enfim, pela história social das várias áreas culturais que foram se formando, nos mais diferentes rincões do Brasil, ao longo da sua história.</p>
      <p id="paragraph-5359c0c5f3021aae0fa115e44df50d4f">Após todos esses apontamentos feitos, e sem deixar de realçar as possibilidades outras de leituras, compreendemos que atingimos o objetivo de mostrar um pequeno recorte de como o falar no nível semântico-lexical da região norte mato-grossense foi constituído, e ainda se constitui.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-1e1b51d8423ed702d075892663a469af">
      <title>Referências</title>
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      <p id="paragraph-3b161057304e4cbd30885139c7b06761">BAHIA NOTÍCIAS. Notícias. <bold id="bold-9b4397e872d6870bfeadaf073591af11">Municípios vítimas da seca lideram ranking de piores IDH e PIB per capita</bold>. Domingo, 27 de maio de 2012, às 09h e 50min. Disponível em <ext-link id="external-link-3" xlink:href="http://www.bahianoticias.com.br/">http://www.bahianoticias.com.br/</ext-link> principal/noticia/116694-municipios-vitimas-da-seca-lideram-ranking- de-piores-idh-e-pib-per-capita.html. Acessado em 10 de dez. de 2012, às 14h e 05min.</p>
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      <p id="paragraph-fcdc031840dc98f2678dec9d6ef46478">BLUTEAU, R. <bold id="bold-5d5f1a0c8334efc86187068e70ab1440">Vocabulario</bold><bold id="bold-18e93e20560e6a9bd9f415f6f157cc3e"> </bold><bold id="bold-da61c154c31c743068e3d422d3d4f05c">Portuguez</bold><bold id="bold-151b6a998747a78405c00963e979899b"> </bold><bold id="bold-c11884ca78d830c5b57ead582e9908b6">e</bold><bold id="bold-b841f1e2f418d10a25aeaa699f624d34"> </bold><bold id="bold-49dfe3dcc93341ff52dad7068be26bcc">Latino</bold>. Coimbra: Collegio das Artes da Companhia de Jesus, 1712.</p>
      <p id="paragraph-11">BOTELHO, A. <bold id="bold-12">Geografia dos sabores: Ensaio sobre a dinâmica da </bold><bold id="bold-d1b17dc222a0232beb02034b90ee1d20">cozinha</bold><bold id="bold-14"> </bold><bold id="bold-15">brasileira</bold>. Revista Textos do Brasil, ed. nº13 – Sabores do Brasil. Ministério das Relações Exteriores: Departamento Cultural, 2008. p. 60-69.</p>
      <p id="paragraph-13">BUSSE, S. <bold id="bold-16">Uma análise geossociolinguística da fala do Oeste do Paraná</bold>. Palhoça, SC: Anais do IX Encontro do CELSUL, Universidade do Sul de Santa Catarina, out. 2010.</p>
      <p id="paragraph-bea9111d5c74ba440b44d37526778849">CARDOSO, S. A. M. <bold id="bold-54b9ce0ee28d22a87796e286114bc3f0">A Dialectologia no Brasil: </bold>Perspectivas. D.E.L.T.A, Vol. 15, nº Especial, 1999 (233-255).</p>
      <p id="paragraph-b0fe0c19008e0e95f4699d2744f63f4d">CEREALISTA NARDO LTDA. <bold id="bold-8468097fb57aef18571958add4a5b0d6">Curiosidades sobre o feijão. </bold>Disponível em <ext-link id="external-link-514c44d1a63ac3b7e08e27b536a68b84" xlink:href="http://www.aene.com.br/cur_feijao.php">http://www.aene.com.br/cur_feijao.php.</ext-link> Acessado em 10 de dez. de 2012, às 13h e 19min.</p>
      <p id="paragraph-bf56b762f3b105be5664f12b5ccad3c8">COMITÊ NACIONAL DO PROJETO ALiB. <bold id="bold-952dd9f2f1eb267f3a617e9b3adafb6d">Atlas linguístico do Brasil: </bold>questionário 2001. Londrina: Ed. UEL, 2001.</p>
      <p id="paragraph-c2e4e8c367aa42886964e9b01fb1633b">COSERIU, E. <bold id="bold-2b50bd9f9a856f52354872660387120a">Sincronia, diacronia e história: </bold>o problema da mudança linguística. Trad. Carlos Alberto da Fonseca e Mário Ferreira. São Paulo: Presença, 1979.</p>
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      <p id="paragraph-8942f3b84302729883eddde6af56f5e2">HOUAISS, A.; VILLAR, M. de S.; FRANCO, F. M. de M. <bold id="bold-84477bba36d9f69eb7ce9ffd6dcb5073">Dicionário <bold id="bold-0f86de9f26bb6ae5af4d6f61a44a97b2"/></bold><bold id="bold-8c2959c25c4800ade8bf15668901850a">Houaiss da língua portuguesa</bold>. 1ª reimpressão com alterações. Rio de Janeiro: Objetiva, 2004.</p>
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      <p id="paragraph-7cc99603381d5771ad92bc201e69d170">PANOSSO NETTO, A. <bold id="bold-0706be6cf33853f563ab13f62b234720">Vera: a princesinha do nortão: </bold>uma contribuição ao estudo da ocupação da Amazônia mato-grossense. Campo Grande/MS: A. Panosso Netto, 2000.</p>
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      <p id="paragraph-06e823549d8700b01848148fe71f0676">PROJETO ATLAS LINGUÍSTICO DO BRASIL. <bold id="bold-d4d1fde6432f44c8bda1f86e65de6afb">Critérios de seleção </bold><bold id="bold-2f43e173d0f4266f14ad01de7ff5e049">de localidades</bold>. Disponível em <ext-link id="external-link-6e42cda417c9fae3c40e7bc00099c28e" xlink:href="http://twiki.ufba.br/twiki/bin/view/">http://twiki.ufba.br/twiki/bin/view/</ext-link> Alib/RedePontos. Acessado em 04 de abr. de 2012, às 14h23min.</p>
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      <p id="paragraph-5151698bdbe9296b90ff77dff13e48b8">SOUZA, E. A. de. <bold id="bold-466c3e2814e554d58fa0d379159a36e4">Sinop: </bold>História, Imagens e Relatos. Um estudo sobre a sua Colonização<italic id="italic-0ae5a3ae97730e748a19a79d9ee678b4">. </italic>Cuiabá: Instituto de Ciências Humanas e Sociais, 2004.</p>
      <p id="paragraph-6219f9cdb661d21c574facb0a0526343" />
      <p id="paragraph-34d239e7437a1bb36fe9628c36270504">Recebido em: 20/07/2015 e aceito em: 11/12/2015.</p>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-5ee50fe46fe142b77628da39c84baf33">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-196e8a819f68b96817c974e7147f4233">Grande extensão de terras na pré-amazônia mato-grossense, pertencente ao município de Chapada dos Guimarães (à época maior município em extensão do Estado) e que deu início à colonização do “Núcleo Colonial Celeste”. Este núcleo, mais tarde denominado “Gleba Celeste”, através de novas aquisições chegou a 645.000 hectares. (SOUZA, 2004).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-7e8d055321b132a52a751af225a61838">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-35d9e2937f072109896bb5305deedd9e">Os dados referentes às informações populacionais das quatro cidades foram apreendidos do censo de 2010, publicado no Diário Oficial da União do dia 04/11/2010.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-2cb0d3d0813afafa1005228bbd209809">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-20a2f81e561216bee96452052bf23af2">O PIN, criado pelo Decreto-Lei nº. 1.106, de junho de 1970, tinha como finalidade específica financiar o plano de obras de infraestrutura das regiões compreendidas nas áreas de atuação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste <italic id="italic-5f64f2db910401ae40f84159aa6ce03b">(SUDENE) </italic>e da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia <italic id="italic-c58b161fcdc7d993d2fc8097185d1210">(SUDAM) </italic>e promover sua rápida integração à economia nacional. A primeira etapa do PIN compreendeu o Plano de Irrigação do Nordeste e a construção das rodovias Transamazônica e da Cuiabá-Santarém. (MÜLLER; CARDOSO, 1977).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-06cfedca4d555ad84db4b63f9d453876">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-bd25a87e46294fd8ebd8e6e9d7a9e6c0">Fundadas por um Alvará datado de 09/05/1748 e emitido por Dom João V.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-924446c0456fabf731b47dd7d56f18c2">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-3e412c0159af7286546130f71276ad6f">Tese de doutorado, que serve de fonte para este artigo, disponibilizada integralmente em: <ext-link id="external-link-1" xlink:href="http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-13092013-125309/pt-br.php">http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-13092013-125309/pt-br.php</ext-link></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-6f097442dc534127524682273974516d">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-eaae4633afc9dd96176b98ed8ce362c8">CEREALISTA NARDO LTDA. <bold id="bold-4c137c981ae69b2522ab1a9a66656393">Curiosidades sobre o feijão. </bold>Disponível em <ext-link id="external-link-94c7ef0baf88246645b5f2209a68f58d" xlink:href="http://www/">http://www.</ext-link> aene.com.br/cur_feijao.php. Acessado em 10 de dez. de 2012, às 13h e 19min.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-7275699e56078cef19b35b605bc3f4ce">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-f7c80aa3b1505efef442f0be6fa6dde2">BAHIA NOTÍCIAS. Notícias. <bold id="bold-9a8348a639af507e8e4d21873993d9b7">Municípios vítimas da seca lideram ranking de piores IDH e PIB per capita</bold>. Domingo, 27 de maio de 2012, às 09h e 50min. Disponível em http:// <ext-link id="external-link-cdfdb416b3b59c1f677d02ddfc4c4f9b" xlink:href="http://www.bahianoticias.com.br/principal/noticia/116694-municipios-vitimas-da-seca-lideram-">www.bahianoticias.com.br/principal/noticia/116694-municipios-vitimas-da-seca-lideram-</ext-link> ranking-de-piores-idh-e-pib-per-capita.html. Acessado em 10 de dez. de 2012, às 14h e 05min.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-647abf9df2d63bcb53a3858fa50a2168">
        <label>8</label>
        <p id="paragraph-e1b6549e22d2c4dab1f4e1899a731de1">C17 M é pioneiro de Cláudia, natural de Videira, no Estado de Santa Catarina, e residente antes da migração em Chopinzinho no Estado do Paraná.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-d35ef8936ee284cf756ae00e1fff2064">
        <label>9</label>
        <p id="paragraph-ce2ad355ad17a768c9fbd9bd8351e2e6">Pioneira de Sinop, natural de Giruá, no Estado do Rio Grande do Sul, e residente antes da migração em Guarani das Missões, neste mesmo Estado. Ressaltamos que esta pioneira não soube arrogar resposta à questão 158, mas apresentou esta justificativa quando perguntada se já havia ouvido falar do item lexical <italic id="italic-01021d9d9d6275579501c1c240d5cc51">mistura</italic>.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-ec64e137f435cba73ecbd86a6591d435">
        <label>10</label>
        <p id="paragraph-2dd66215c7f60c682c07417ac0c0f8d1">Migrante de Sinop, nascida em Santa Catarina e morava antes de migrar em Indaial, cidade localizada também neste Estado. Igualmente não soube atribuir resposta ao conceito da questão em estudo, mas afirmou ter ouvido falar de <italic id="italic-fad6d2af6c68344a7201e02319448ccc">mistura</italic>, de acordo com esta justificativa apresentada.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-15c93a06748733acb46ec563611c4375">
        <label>11</label>
        <p id="paragraph-2963b1135c5b247c270013732f6a2c92">Pioneira de Vera, natural do Estado da Bahia e residente antes da migração em Vatuba, município de Maringá, no Estado do Paraná.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-e8e1629d288517931aabec8b784de814">
        <label>12</label>
        <p id="paragraph-168e54cd87dee7e050f556df8efe80ed">Migrante de Vera, nascida no Estado de São Paulo e advinda antes da migração da cidade de Mariluz, no Estado do Paraná. A resposta dada inicialmente por esta respondente foi <italic id="italic-20d68f2ac108281b3230f8fecdd3063a">misturado</italic>. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-0b0debee43a54fb05fbb50d3e001e36b">
        <label>13</label>
        <p id="paragraph-5a51779473ecddffa9d447c3c15cf50e">Pioneira de Sinop, nascida em Promissão, no Estado de São Paulo, e morava antes de migrar em Santo André, neste mesmo Estado.</p>
      </fn>
    </fn-group>
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