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        <article-title>NÍVEIS DE INTEGRAÇÃO SINTÁTICA DA JUNÇÃO: A EXPRESSÃO DE CONTRA-CAUSA EM CARTAS DE CÂMARA CASCUDO</article-title>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="31/12/2015" />
      <volume>14</volume>
      <issue>3</issue>
      <fpage>55</fpage>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-41a40000cc29e77053581804f5bcc1bd">Apoiando-se no conceito de junção proposto por RAIBLE (1992), entendida como o estabelecimento de relações semânticas por meio de diferentes recursos de integração sintática, o objetivo deste trabalho é verificar a hipótese de correlação entre técnicas de junção e tradições discursivas, analisando a distribuição das técnicas de expressão da contra-causa em 93 cartas pessoais escritas pelo folclorista norte-rio-grandense Câmara Cascudo ao escritor paulista Mario de Andrade entre os anos de 1924 e 1944. A análise foi dividida nas seguintes etapas: a) identificação dos meios linguísticos utilizados na expressão de contra-causa no corpus; b) classificação desses recursos segundo o grau de integração sintática; c) análise da distribuição desses recursos; d) interpretação dos resultados com relação ao espaço que o gênero carta pessoal ocupa no contínuo de oralidade e escrituralidade, proposto por KOCH &amp; OESTERREICHER (1990). Como resultado da análise, verifica-se uma <bold id="bold-1">preferência </bold>por um tipo de nexo coesivo que predomina nessas cartas, a saber, a técnica de coordenação na expressão de contra-causa, e também por um item linguístico específico (“mas”), que se mostra como recurso prototípico dessa técnica nos dados do corpus. Tais preferências são interpretadas com relação à afinidade que o gênero carta pessoal apresenta com a oralidade concepcional.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="_paragraph-2">
          <italic id="italic-1">Based on the concept of „junction“, proposed by Raible (1992), and understood as the as the establishment of semantic relations through different syntactic integration of resources, the purpose of this study is to test the hypothesis of correlation between junction patterns and discoursive traditions through the analysis of the distribution of connectives of the semantic relation of opposition in 93 personal letters written by folklorist Cascudo to the writer Mario de Andrade between the years 1924 and 1944. The analysis was divided into the following steps: a) identification of linguistic resources used in the expression of opposition in the </italic>
          <italic id="italic-2">corpus; b) classification of these resources according to the degree of syntactic integration; c) </italic>
          <italic id="italic-3">analysis of the distribution of these resources; d) interpretation of the results regarding the </italic>
          <italic id="italic-4">localization of the text genre personal letter in the continuum of</italic>
          <italic id="italic-5" />
          <italic id="italic-6">orality and literacy proposed </italic>
          <italic id="italic-7">by </italic>
          <italic id="italic-8">KOCH &amp; OESTERREICHER (1990). As a result of the analysis, we observe </italic>
          <italic id="italic-9">a preference for a type of junction technique that predominates in those letters, namely the coordination for the expression of oppostion, and also a preference for a particular linguistic resource („mas“), which seems to function as a prototypical resource of this technique in the corpus. Such preferences are interpreted with respect to the affinity that text genre personal </italic>
          <italic id="italic-10">letter shows with conceptional orality.<italic id="italic-11"/></italic>
        </p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-e5f3cd378194bda24b5204ec7b4805f5">personal letter</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-742b768148e787ff52e00531e911855f">junction</italic>
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        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-b35a075b22e97061a053466f84e55acd">opposition</italic>
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      </kwd-group>
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    <sec id="heading-1">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-2">No âmbito do Projeto de História do Português Brasileiro (PHPB) no Rio Grande do Norte, são empregadas diferentes perspectivas teórico-metodológicas na análise de gêneros de sincronias passadas, a exemplo de 93 cartas pessoais escritas pelo folclorista potiguar Luís da Câmara Cascudo ao escritor paulista Mario de Andrade, entre 1924 a 1942, com o objetivo de descrever aspectos linguísticos do Português do RN. Como gênero influenciado pela oralidade, as cartas pessoais são fontes relevantes para o linguista que deseja obter informações a respeito do uso de uma determinada variedade linguística em contexto informal. Neste trabalho, buscamos examinar os nexos coesivos da junção, entendida como o estabelecimento de relações semânticas, nas cartas pessoais do intelectual norte-rio-grandense ao amigo paulista. Duas premissas orientam-nos em nosso objetivo: em primeiro lugar, adotamos a posição de que cada gênero textual emprega, <italic id="italic-a10cf9ea94b474a6175e69c3009d995f">preferencialmente</italic>, determinados recursos coesivos. Assim, os conectores com valor temporal aparecem de modo privilegiado nos discursos da ordem do narrar, ao passo que os conectores lógicos são mais frequentes nos discursos da ordem do expor (cf. BRONCKART 1999, p. 264). Em segundo lugar, defende-se aqui a hipótese elaborada por KABATEK (2006) de que a análise da junção (conceito proposto por RAIBLE, 1992, que engloba relações como causalidade, concessividade, finalidade, etc), pode ser útil à identificação de tradições discursivas (isto é, de padrões textuais) e, por extensão, de gêneros em grande <italic id="italic-89f245fa0f4589099b348af750d8e653">corpora</italic>:</p>
      <p id="paragraph-4">No nosso projeto, em uma série de trabalhos prévios procuramos determinar a relação entre os juntores que se encontram em um texto e a TD à qual o texto pertence, podendo afirmar, pelo menos segundo os primeiros estudos, que existe uma clara correlação. Esta correlação é por um lado qualitativa, quer dizer que em uma TD de finalidade determinada vai aparecer uma série de nexos que correspondem ao conteúdo expresso nesse texto. Mas a possibilidade de distinguir diferentes TD dá-se ainda muito mais quando se introduz um elemento de <italic id="italic-be15d66e05b56e8d7ddc3f60399114ce">quantidade relativa</italic>, contando o número relativo de juntores que aparecem em um texto. Os dois fatores levaram-nos à seguinte hipótese de trabalho: Os esquemas de junção de um texto (“juntores” que contêm e frequência relativa) são sintomas para determinar a tradição discursiva a que pertence”. (KABATEK 2006, p. 519)</p>
      <p id="paragraph-3">A partir dessas premissas, o presente trabalho buscará comprovar a hipótese de Kabatek (2006) mediante a identificação de técnicas de junção da relação de contra-causa (a quebra de expectativa) em um <italic id="italic-84b3809f3e015255ee9ffd23d6a3a8a0">corpus </italic>de cartas pessoais escritas pelo folclorista potiguar Câmara Cascudo ao escritor paulista Mario de Andrade, orientando-se pelas seguintes perguntas metodológicas:</p>
      <p id="paragraph-5">▪ Quais são os recursos de junção preferencialmente utilizados por Câmara Cascudo a Mario de Andrade em sua correspondência pessoal na expressão de contra-causa? (identificação dos recursos)</p>
      <p id="paragraph-6">▪ Qual é o papel que um determinado juntor desempenha dentro do inventário de recursos de junção a partir de critérios sintáticos? (classificação sintática)</p>
      <p id="paragraph-7">▪ Podem ser identificadas preferências na escolha e distribuição desses recursos no <italic id="italic-b9caaf52985a1afd3ac20deafce22d93">corpus</italic>, isto é, há uma textualidade típica da junção nessas cartas? (distribuição dos recursos)</p>
      <p id="paragraph-8">▪ Como podemos relacionar esses resultados ao contínuo de oralidade e escrituralidade? (interpretação dos dados segundo a motivação textual)</p>
      <p id="paragraph-10">O <italic id="italic-e7ea6e5028bfee36b50ba9d70779850e">corpus</italic><xref id="xref-d584764d8481d4616e95aacfec5f0d75" ref-type="fn" rid="footnote-919cb3fd5eee48cbcd04ba9ae715a440">1</xref> abrange 93 cartas, com 34.180 palavras, distribuídas ao longo do período de 1924 a 1944 da seguinte maneira:</p>
      <p id="paragraph-5765f5195d272d8fa9e5c8e1b1cde63d">1924 – 1 carta – 292 pal.</p>
      <p id="paragraph-81667a2ba832b9b5ece51202714fdfe3">1925 – 14 cartas – 6.806 pal.</p>
      <p id="paragraph-fba90256cacc5702c428dcd1bf5009b4">1926 – 6 cartas – 1.799 pal.</p>
      <p id="paragraph-0b0fa4c8892716d1d28e8315ce0858b0">1927 – 2 cartas – 678 pal.</p>
      <p id="paragraph-d14ba408d7acf83bee9e10f297a54d50">1928 – 5 cartas – 1.669 pal.</p>
      <p id="paragraph-7a1807489378767ac476acc22cf176f9">1929 – 4 cartas – 1.872 pal.</p>
      <p id="paragraph-4aef3352f44b7ef6e9bf64743c5ba2c1">1930 – 8 cartas – 2.206 pal.</p>
      <p id="paragraph-8ba43a05dc848ca47b6e75a97f7baa7b">1931 – 11 cartas – 4.989 pal.</p>
      <p id="paragraph-943e2b42208eb8898e0a77cd9afa1724">1932 – 5 cartas – 954 pal.</p>
      <p id="paragraph-32a988c23cd3c516629de23e3207671c">1933 – 5 cartas – 3.267 pal.</p>
      <p id="paragraph-f5e607dda368097bd91b6b14f7b98a4f">1934 – 3 cartas – 894 pal.</p>
      <p id="paragraph-a5b5777b999be6c1c11920f37730864f">1935 – 3 cartas – 615 pal.</p>
      <p id="paragraph-7f9da01dcb0e1daba2e2e2260db46fea">1936 – 4 cartas – 1.213 pal.</p>
      <p id="paragraph-d9bcd1875955c7d385ef3cabba9f201e">1937 – 6 cartas – 2.522 pal.</p>
      <p id="paragraph-07815ea07a2c9d325a44e456c2c8666d">1938 – 1 telegrama<xref id="xref-c7d3c31d15167e26c9f027e81d67ac32" ref-type="fn" rid="footnote-3491ddf9f958d1a2a3f879e6e3ded011">2</xref> – 9 pal.</p>
      <p id="paragraph-dd8d1eecfb317d4ae99d693b5b7180e0">1939 – 1 carta – 97 pal.</p>
      <p id="paragraph-3c5de3cf0231958859ad69320fd46194">1940 – 1 carta – 143 pal.</p>
      <p id="paragraph-f76f1342e7d29d6a0d789339fd6c68e5">1941 – 5 cartas – 1. 614 pal.</p>
      <p id="paragraph-5f0237b6fcddafe7c166e82e77cf69e8">1942 – 2 cartas – 737 pal.</p>
      <p id="paragraph-76253447fbc78aa05e6ffa0464e0d904">1943 – 1 carta – 274 pal.</p>
      <p id="paragraph-c47f28d86c5c9178c3a5611cc91e3cfc">1944 – 5 cartas – 1.530 pal. </p>
      <p id="paragraph-6e4039b81581f86ef69d1172f3a1a3f4">Este estudo está organizado em 4 partes: na parte 1, faremos algumas considerações sobre o conceito de junção segundo Raible (1992). Em seguida, na parte 2, caracterizaremos os recursos de junção do <italic id="italic-9d5241958343d4f28b99b9415a1939de">corpus </italic>com relação a critérios sintáticos propostos por Blühdorn (2006). Na parte 3, analisaremos sua distribuição pelo <italic id="italic-7bdf544574ea22cdae62a2ea85c360f7">corpus </italic>e, por fim, na parte 4, apresentaremos algumas conclusões a respeito desse tipo de análise.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-ce08ce26fcc2008805171674e55c9f3f">
      <title>1. O Que é junção?</title>
      <p id="paragraph-bf46d1244a68edb2f82607d2f394cef9">RAIBLE (1992, p. 31-32) define junção como o estabelecimento de relações semânticas<xref id="xref-f0da8b0d88959532977eaa329c2c741c" ref-type="fn" rid="footnote-b504b882293dccbdc5b65be7d73d6386">3</xref>, isto é, como a representação de estados de coisa (<italic id="italic-fb5599e2d1ca8b28b1fd1b750b57f5a3">Sachverhaltsdarstellung</italic>). Como exemplo de dois estados de coisa que sofrem junção, RAIBLE apresenta a seguinte sequência:</p>
      <p id="paragraph-b1082b2419eabf8cd597fb3981e318bd">(1) Pedro estava doente. Por isso, ele ficou em casa<xref id="xref-a01e0a38a0b31c69f6f71cca70a5556e" ref-type="fn" rid="footnote-cebb8701bb928cfd299c08dfc451bd74">4</xref>.</p>
      <p id="paragraph-fdb7ccb4cecdec1fb012f355adb7add4">Nessa sequência, dois estados de coisa são colocados em relação: a causa (“Pedro estava doente“) e a consequência (“Por isso, ele ficou em casa”). Temos, portanto, uma relação causal. Contudo, o autor sustenta que os estados de coisa podem ser representados linguisticamente tanto como proposições quanto como participantes dentro de uma proposição. Um sintagma como [por doença] seria a versão mais condensada do estado de coisas representado por “Pedro estava doente“. Nesse caso, aponta RAIBLE, a relação que se representava antes como proposição passa a ser representada em um único estado de coisa (“Por doença Pedro ficou em casa“). Um dos estados de coisa (Pedro estava doente) tornou-se participante de outro estado de coisa. Por isso, a junção também é a ligação de porções menores (sintagmas, orações, segmentos textuais) em porções maiores<xref id="xref-86ee3338eb61bfd48c9a109a128951ad" ref-type="fn" rid="footnote-f7cf5e609dbd8cdf869f937ba2eec270">5</xref>.</p>
      <p id="paragraph-3562801d8e7e77e7711b3531b188dbdd"> Em seu modelo, RAIBLE (1992) concebe a junção como uma matriz de dois eixos de análise: um eixo sintático e um eixo semântico. Com relação ao eixo semântico, RAIBLE postula a existência de um contínuo de complexidade crescente de relações semânticas, que demandam maior ou menor esforço cognitivo. Como relações semânticas baseadas na oposição, a concessividade e a adversatividade possuem um denominador comum: ambas são definidas na literatura especializada como relações que expressam uma quebra de expectativa<xref id="xref-e72fd0c911b43dad79ce5ed97e156376" ref-type="fn" rid="footnote-2d40a68e9f1e1aee56ef949eda4687e9">6</xref>. Nesse sentido, RAIBLE (1992) não distingue entre adversatividade e concessividade, englobando as duas relações em uma única: a contra-causa (em alemão, <italic id="italic-412eb445e11eb38a69d167ff56039168">Gegenursache</italic>). A contra-causa é considerada pelo autor como uma das relações semânticas mais complexas, ao passo que a condicionalidade é considerada como uma relação que demanda menor esforço cognitivo. Com relação ao seu comportamento sintático, os recursos linguísticos que servem à junção podem ser classificados em diversos níveis de integração sintática. Raible destaca 8 principais técnicas: justaposição (I), advérbios juntivos (II), coordenação (III), subordinação (IV), formas nominais de verbo (V), grupos preposicionais (VI), preposições simples</p>
      <p id="paragraph-53697137ac069821802d28ec74f97427">(VII) e papéis actanciais (VIII).</p>
      <p id="paragraph-4785686422a8bb776114d7629a2f42f0">Neste trabalho, utilizaremos os critérios sintáticos propostos por Blühdorn (2006) para a identificação e classificação dos recursos de junção no <italic id="italic-e95a3f092321c37bb0c9007408ab1a3e">corpus</italic>. Tais critérios não podem ser usados para a identificação de recursos dos níveis (V) e (VIII), de modo que esses níveis não serão considerados aqui.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-f2b56bfa39f55873950e68ae60b2ed15">
      <title>2. Critérios Sintáticos de Classificação dos Recursos de Contra-Causa no <italic id="italic-b9c92b8b708ac38bceddd610427eedb6">Corpus<italic id="italic-af4261ad290055f3d33098941bb5335f"/></italic></title>
      <p id="paragraph-6131886db6009f3a15b6ff4e22f74290">Partindo da noção de que os recursos de junção podem pertencer a diferentes níveis sintáticos, BLÜHDORN (cf. 2006, p. 3) sugere a adoção de quatro critérios para a sistematização e a distinção dos diferentes graus de integração sintática:</p>
      <p id="paragraph-7f5da05c3b75407bc6484ef32ba0bdad">i. [±posiciona-se no segundo <italic id="italic-b94236170778fce2a8c08e056c6648ee">relatum</italic>]: esse critério diz respeito à posição do juntor em relação aos dois <italic id="italic-08a5f6e15b9dcd098436675ab954b40c">relata</italic>, quer dizer, em relação aos dois objetos semânticos que sofrem junção.</p>
      <p id="paragraph-9">ii. [±ocupa posição inicial em relação a um <italic id="italic-b5db7b3a146dc739b015ecd0550f4e28">relatum</italic>]: esse traço se refere à posição do juntor dentro do <italic id="italic-a1b32f3c0ea02ea7aa1f1c0be6574e0b">relatum </italic>em que esse juntor se encontra e que é parte de uma junção;</p>
      <p id="paragraph-83f731994e503d9cbf4498965264a092">iii. [±atribui papel relacional]: na junção de dois <italic id="italic-05b747892f0a5faf3227e607ee5de550">relata</italic>, o juntor atribui a um <italic id="italic-f1e79fef09ffbb9586b7d3eb073fb1c5">relatum </italic>o papel relacional de objeto situado e a outro de objeto de referência. O modo como se dá essa atribuição serve à distinção das classes de juntores.</p>
      <p id="paragraph-1ece09ed59b0cd0abf57b163ed4b5bde">iv. [±pede complemento oracional]: alguns conectores, como é o caso das conjunções subordinativas, exigem complemento oracional, ao passo que outros podem ter como complemento um SN, uma forma nominal do verbo ou uma oração, a exemplo das preposições.</p>
      <p id="paragraph-1ec356fb1dbbc0ed36d0a04cf457b7e6">A seguir, aplicaremos tais critérios para a classificação dos juntores identificados nas cartas de Câmara Cascudo a Mario de Andrade a partir dos traços propostos por esse autor. Contudo, cabe ressaltar que não é possível acessar a intuição dos falantes de sincronias passadas. Nesse sentido, o resultado desses testes sintáticos na classificação de um item foram comprovados por meio do uso desse item não só no <italic id="italic-73d03ac997854b6698436482d9a53903">corpus</italic>, mas também em dados do período apresentados na literatura especializada.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-3272afc1eb392d395b9fb09e8649825f">
      <title>2.1 Primeiro Traço Sintático: Posição do juntor Entre os Relata</title>
      <p id="paragraph-f42971f0d4f25570f678279eacff5d9f">O primeiro traço permite observar que tanto preposições quanto conjunções subordinativas podem estar no primeiro ou no segundo <italic id="italic-a19aacc533bd809c5befc03eecb43aff">relatum</italic>, ao passo que os advérbios juntivos e as conjunções coordenativas só podem se posicionar no segundo <italic id="italic-9ff24a02e55ebe52b12439e6621d30ff">relatum </italic>(cf. GUTZ INGLEZ 2007, p. 34-35). O par de exemplos (2a) e (2b) comprova a impossibilidade de advérbios juntivos ocuparem posição no primeiro <italic id="italic-e2021ba79ccd87d6165fab37b984772c">relatum</italic>:</p>
      <p id="paragraph-a78a5fa8598612b7e5243453605824e8">(2a) Até hoje estamos com a maioria de 1987 votos... sobre a chapa interventorial. Municipios, como Patú, eles tiveram 3 votos contra 280 !... <bold id="bold-064ad649ccc89302ad615dd9212304c1"><underline id="underline-1">Apezar de tudo isso</underline> </bold>os prefeitos dos municípios continuam governando mesmo expulsos moralmente pelas urnas. (24/05/1933)</p>
      <p id="paragraph-11">(2b) *<bold id="bold-2"><underline id="underline-2">Apezar de tudo isso</underline> </bold>os prefeitos dos municípios continuam governando mesmo expulsos moralmente pelas urnas. Até hoje estamos com a maioria de 1987 votos sobre a chapa interventorial. Municípios, como Patú, eles tiveram 3 votos contra 280 !</p>
      <p id="paragraph-590de1e4c16eb729af1ee34f2f586fe2">Os exemplos (3a) e (3b) confirmam o posicionamento de conjunções coordenativas no segundo <italic id="italic-abe48c913bc40f07636e94658ce4737f">relatum</italic>:</p>
      <p id="paragraph-8ef1606fbd3605a871b45ff136a83f8b">(3a) Dr. Lamartine quis pagar <bold id="bold-1564a506b9c8bd46ab62dce62d436836"><underline id="underline-30866ede54362db87132b43e303e046d">mas</underline> </bold>não consenti. (09/05/1930) (3b) *<bold id="bold-3f3c438407b458b7b3337ec17fb3ff8d"><underline id="underline-969a22a6f7e289ec1889449a8dee5113">Mas</underline> </bold>não consenti, Dr. Lamartini quis pagar.</p>
      <p id="paragraph-697722ff546deda02fc3e68ae1cfea60">Já os exemplos a seguir demonstram que as conjunções subordinativas ((4a) e (4b)) têm a possibilidade de posicionamento tanto no primeiro quanto no segundo <italic id="italic-86fbd55c0a2e92bca11c89b2f283ac93">relatum</italic>:</p>
      <p id="paragraph-082f582521e32b3483010e6a8d50b3c8">(4a) Imagine que o original está com o amavel Schimit e este afirma ter devolvido <bold id="bold-3"><underline id="underline-3">embora</underline> </bold>não apresente prova. (14/11/1936)</p>
      <p id="paragraph-12">(4b) <bold id="bold-4"><underline id="underline-4">Embora</underline> </bold>não apresente prova, este afirma ter devolvido [o original].</p>
      <p id="paragraph-14">Também as preposições ((5a) e (5b)) e as locuções prepositivas ((6a) e (6b)) demonstram poder assumir posição tanto no primeiro quanto no segundo <italic id="italic-c11566b38279c257aa779950268a5602">relatum</italic>:</p>
      <p id="paragraph-16">(5a) <bold id="bold-5"><underline id="underline-5">Excepto</underline> </bold>Geracina todas as outras estão mortas (07/03/1928) (5b) Todas as outras estão mortas <bold id="bold-6"><underline id="underline-6">excepto</underline> </bold>Geracina.</p>
      <p id="paragraph-17">(6a) <bold id="bold-7"><underline id="underline-7">Apesar de</underline> </bold>todas as vontades, não me é possivel ir ver você em S. Paulo (28/07/1941)</p>
      <p id="paragraph-6133b21f131642464259f098fa7c84f7">(6b) Não me é possível ir ver você em S. Paulo, <bold id="bold-d830537954ff57738613d000f55f4d0b"><underline id="underline-54ea22f56afcdbcdf990639ef494e457">apesar de</underline> </bold>todas as vontades.</p>
      <p id="paragraph-8f29644f2fdf4b50ae693060ce4e3087">Como vimos, o primeiro critério de classificação sintática permitiu distinguir, portanto, os advérbios juntivos e as conjunções coordenativas dos demais recursos.</p>
      <sec id="heading-49ad724942a1839c2f6756c950750ad4">
        <title>2.2 Segundo Traço Sintático: Posição do juntor Dentro do <italic id="italic-5380ce2b72c88714e9ac2f7e59c42378">Relatum</italic></title>
        <p id="paragraph-80b9e7587f25d7c68ead00e6524d80e8">O segundo critério de classificação sintática dos conectores - sua posição dentro do <italic id="italic-6ec2168d9b61dd436d492b989446128b">relatum </italic>em que se encontra- permite distinguir entre advérbios juntivos e conjunções coordenativas. Segundo BLÜHDORN (cf. 2006, p. 3), advérbios juntivos (tais como, <italic id="italic-e52d3e09aeecfa25b2a98c244db98e89">então</italic>, <italic id="italic-1428f3d4fee5586fe92bc38dc6a54ddb">já</italic>, <italic id="italic-09d022a1e4ba278e2643871ea26f4dd4">portanto</italic>) não são marcados em relação ao segundo traço, sendo a única categoria de conector que apresenta mobilidade dentro do <italic id="italic-32762b66c8d7a115db5ad12f70d0f35c">relatum </italic>em que se acha (exemplos (7a), (7b), (7c)). Como os exemplos mostram, as preposições ((8a), (8b) e (8c)), as conjunções subordinativas ((9a), (9b) e (9c)) e as conjunções coordenativas ((10a), (10b) e (10c)) posicionam-se obrigatoriamente no início do <italic id="italic-85e55e0adce794bae6f4f382a41c5602">relatum</italic>, não apresentando mobilidade interna.</p>
        <p id="paragraph-6a87df1c01c3cf661514eff370fa9364">(7a) Não pretendi fazer experiencia em sua sensibilidade mesmo porque só a você me dirigi. [A “crise”, <bold id="bold-47900da4e27b19a9106b192a2c208124"><underline id="underline-8fbaf1992a97c2d0c94873f68c51c60c">entretanto</underline> </bold>passou]. (18/06/1927)</p>
        <p id="paragraph-6d8ecaa6adfe79d0580c70b4e6d46061">(7b) Não pretendi fazer experiencia em sua sensibilidade mesmo porque só a você me dirigi. [<bold id="bold-b1ae2ecc690521840e9f940398697908"><underline id="underline-7711145bcb71f9010864924c5e87ab0e">Entretanto</underline></bold>, a crise passou].</p>
        <p id="paragraph-b98df9e41ab5def7b695a78a658e7ed1">(7c) Não pretendi fazer experiencia em sua sensibilidade mesmo porque só a você me dirigi. [A crise passou, <bold id="bold-eb398219b7cd42af9ef16ba083e9b721"><underline id="underline-56aa3bf261003dd00019f4ba8f41358f">entretanto</underline>]</bold>.</p>
        <p id="paragraph-a671c8df10d2241049b9ddc62f7c7ada">Preposições:</p>
        <p id="paragraph-8ba911f57055b1e7a7cbcb0f301e4301">(8a) [<bold id="bold-692c2cb7cef29beeaa13e716f43c6c57"><underline id="underline-1343a1178079f948c23d801e6ffd4d6f">Com</underline> </bold>exceções (fortuitas e raras)] estamos ainda na phase da interjeição. (09/12/1925)</p>
        <p id="paragraph-5d0da72de3743430eedd0e8644abe28f">(8b) *[Exceções <bold id="bold-2988cd4cdf573270fbf4766845b3fd53"><underline id="underline-2de2408d8a641faaa0f5e40ba8efe792">com</underline> </bold>(fortuitas e raras)] estamos ainda na phase da interjeição.</p>
        <p id="paragraph-f2020565d75a7822394e19ea5ef48401">(8c) *[Exceções (fortuitas e raras) <bold id="bold-27bb4d9ee448e5cf3b020e567b64d160">com</bold>] estamos ainda na phase da interjeição.</p>
        <p id="paragraph-b15b55b014d95d8a1f4bb98ab46badb4">Conjunções subordinativas</p>
        <p id="paragraph-4fd5ba6abce6a7e4ed9abc242c1b6be9">(9a) Imagine que o original está com o amavel Schimit e este afirma ter devolvido [<bold id="bold-c6ea9eec15555fcfdbe3919744800e56"><underline id="underline-83c2f93c0d1acd4d6b8fffd589d3a220">embora</underline> </bold>não apresente prova]. (14/11/1936)</p>
        <p id="paragraph-15">(9b) *Imagine que o original está com o amavel Schimit e este afirma ter devolvido [não apresente <bold id="bold-fef4b8c493e4b92bc53138f4b4b90f3e"><underline id="underline-c1b2b67693cd31285c613e07d32b68b5">embora</underline> </bold>prova].</p>
        <p id="paragraph-18">(9c) *Imagine que o original está com o amavel Schimit e este afirma ter devolvido [não apresente prova <bold id="bold-c6e22b6bc0871e4d52739aea362213b0"><underline id="underline-8dd9899fac72fa60029d6e52bcf55256">embora</underline></bold>].</p>
        <p id="paragraph-26efc51a652985e790279fce79906b4c">Conjunções coordenativas</p>
        <p id="paragraph-21">(10a) Ficou meio feio. [<bold id="bold-35f80dfb2c8252b51c4c3fd35e895f64"><underline id="underline-9f24a3d168e1c1c77d318fd6b7116489">E</underline> </bold>ele é uma pura maravilha de lindeza]. (24/05/1933)</p>
        <p id="paragraph-24">(10b) * Ficou meio feio. [Ele é, <bold id="bold-8"><underline id="underline-2dc08186c7473f3a3ab29173d5c160ed">e</underline></bold>, uma pura maravilha de lindeza]. (10c) * Ficou meio feio. [Ele é uma pura maravilha de lindeza, <bold id="bold-9"><underline id="underline-8">e</underline></bold>].</p>
        <p id="paragraph-25">Com os dois primeiros traços sintáticos sugeridos por BLÜHDORN (2006), três grupos de juntores puderam ser identificados: as conjunções coordenativas, os advérbios juntivos e os demais juntores (preposições e conjunções subordinativas).</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-6341f53eb82bc7ccc1526732f3433d67">
      <title>2.3 Terceiro Traço Sintático: Atribuição de Papel Relacional</title>
      <p id="paragraph-72d1c63818eb4937c9ba0c2b693e0517">Com o terceiro traço sintático, a atribuição de papel relacional, é possível proceder à distinção, ainda, entre as conjunções subordinativas das conjunções coordenativas e dos advérbios juntivos.</p>
      <p id="paragraph-a5a7d7a6475a76c14567df3e0f50998c">Quando dois objetos semânticos (sejam eles SN, sentenças ou sequências textuais como parágrafos, por exemplo) sofrem junção, um dos <italic id="italic-9a4dd7b0850da4926b985dfba087caf5">relata </italic>desempenhará o papel de objeto de referência, enquanto o outro funcionará como objeto relacionado/situado. Para BLÜHDORN (2006, p. 5), esses termos corresponderiam à terminologia de Langacker (1987) de <italic id="italic-bf7d46b8c7bf92b946c375c5e2093db2">trajector </italic>(a entidade a ser localizada) e <italic id="italic-a0de2e86f194b799a428b5e5d04c5c99">landmark </italic>(o ponto de referência):</p>
      <p id="paragraph-8a4c468a3ca5969fc9494cf4d0a6e3a7">Die semantische Asymmetrie kann in Anlehnung an Langacker (1987: 231ff.) so bestimmt werden, dass einem Relatum die Rolle zufällt, zu etwas in Relation gesetzt zu werden (Langacker nennt es <italic id="italic-2ccf5a47d9e0c320f8cb35ae08570cfb">trajector</italic>), während das andere die Rolle dessen hat, zu dem etwas in Relation gesetzt wird (Langacker nennt es <italic id="italic-c37cfb0c9ac1776c7361156cb983f50a">landmark</italic>). Zur Erläuterung greift Langacker (ebd.) auf die gestaltpsychologische Unterscheidung zwischen Figur und Grund zurück. Grund ist das, wozu etwas in Relation gesetzt wird, Figur ist das, was dazu in Relation gesetzt wird<xref id="xref-5d0a416e2b8cf639970c42582de45ed9" ref-type="fn" rid="footnote-bce5131a0f4c4534d400784b609062d7">7</xref>. (BLÜHDORN 2008, p. 23)</p>
      <p id="paragraph-a37b7a06668743397d9296da01d50298">Do ponto de vista da atribuição de papéis relacionais, podem ser identificadas as seguintes grades relacionais básicas de classes de conectores (cf. BLÜHDORN 2008, p. 25):</p>
      <p id="paragraph-67b044e564e7b4e5916d14e3d9110bf6">▪ Advérbios juntivos: R [Adv E]</p>
      <p id="paragraph-88dfea0717d9b5684fc458d039269b31">▪ Conjunções coordenativas: R/E conj E/R</p>
      <p id="paragraph-f45f720a3804b8eba4b499021ec02ac9">▪ Posponedores<xref id="xref-b5b4c8feb74d9e5cea46a5a87716f63d" ref-type="fn" rid="footnote-797e3da9b59e332ebde8a1121c103752">8</xref>: E [Posp R]</p>
      <p id="paragraph-4bda4173054e2cab4c5b85560486e585">▪ Embutidores de V2<xref id="xref-6573410f3490d9fbb74279cd9decae78" ref-type="fn" rid="footnote-6193c17f6393028e907f9a3e053f0feb">9</xref>: [[V2-Emb R] E]</p>
      <p id="paragraph-5ff2e107f151e856fe48bfb3ab639655">▪ Conjunções subordinativas/preposições: [[Sub/Prep R] E]</p>
      <p id="paragraph-7779c7aeebc5334e2ba8d289321818e1">▪ Partículas de comparação: [[Parcomp R] Parcomp2 E]</p>
      <p id="paragraph-86d6c369bebe997de4c41d86186f8e8d">▪ Partículas modais e de foco: (R) [Fpart/Mpart E]</p>
      <p id="paragraph-4fd06264590bb9b65c728e55c3fda847">A classificação apresentada por BLÜHDORN permite reconhecer que os advérbios juntivos estão sempre no <italic id="italic-2924befcd0572800d04157b11b4a0b56">relatum </italic>do objeto situado (E), isto é, no <italic id="italic-953e0317183bf7a9993a7ff1ba93bbf5">relatum </italic>do objeto temático de que se fala, enquanto as preposições e as conjunções subordinativas estão sempre no <italic id="italic-9ec64e15854eb405e231874df1f780d8">relatum </italic>de referência (R), aquele relatum que acrescenta informações de modo a especificar o objeto semântico situado. Já as conjunções coordenativas podem estar tanto no <italic id="italic-b254b7352abd00556eede316c826300d">relatum </italic>situado quanto no de referência.</p>
      <p id="paragraph-39541f8243af4d328bbfc356999c6b5a">BLÜHDORN (cf. 2008, p. 25) aponta que nos advérbios juntivos o objeto de referência (R) é o próprio componente pronominal que está contido no juntor e que concede o papel relacional de referência à oração que esse componente retoma.</p>
      <p id="paragraph-788ba75c1780497b3a59bdf706c0bc7b">(11) Quando há saxofone não há harmonio e este está morrendo, morrendo. Raramente aparece (R) e <bold id="bold-a7d29c9548f95050d61efab4afd46563"><underline id="underline-1b345d24a1c743e41eedef82866a145b">mesmo assim</underline> </bold>lá nos fobós desconhecidos, fóra da cidade (E). (05/01/1932)</p>
      <p id="paragraph-802be588e62055ab86ce98cf81b96f16">(12) O Conselho Consultivo recusou-o duas vezes em dois pareceres sucessivos (R). <bold id="bold-6b87b5e873f44ebc3740480b9f4b11e8"><underline id="underline-4d7a02501fc77106f9d1ad7fca69d9f8">Nem por isso</underline> </bold>valeu (E). (04/01/1933)</p>
      <p id="paragraph-756248edb1d76eede10b8cef00c13cca">(13) Até hoje estamos com a maioria de 1987 votos.........sobre a chapa interventorial. Municipios, como Patú, eles tiveram 3 votos contra 280 ! (R)......<bold id="bold-a75a979159ad62c20feb71be22a8354e"><underline id="underline-4586186a14c5e8564dd0c475d6a318ad">Apezar de tudo isso</underline> </bold>os prefeitos dos municipios continuam governando mesmo expulsos moralmente pelas urnas (E). (24/05/1933)</p>
      <p id="paragraph-408e3555b3581b5a2262a5199d805b18">Em (11), o objeto semântico de que se fala é a aparição do harmônio em lugares distantes e desconhecidos, acrescentando-se como informação de referência que esse instrumento raramente aparece. Em (12), o tema do enunciado é o fato de que a recusa de um orçamento não valeu, acrescentando-se a informação de que essa recusa foi feita duas vezes. Em (13), a informação principal é que determinadas pessoas continuam no governo, acrescentando-se a essa informação o fato de que tais pessoas não tem a maioria dos votos.</p>
      <p id="paragraph-fb8b19aa186b2fcdbd4c1e7e10a5c7d7">De modo diverso do que ocorre com os advérbios juntivos, os exemplos abaixo demonstram como as conjunções subordinativas ((14),</p>
      <p id="paragraph-72cac079af2a7f77fbd637e732e8ed8a">(15) e (16)) e as preposições são encontradas sempre no <italic id="italic-12d6f2959c548b54a03dbf6ce16c934c">relatum </italic>de referência.</p>
      <p id="paragraph-13">(14) <bold id="bold-a7c9bb355cb4415ce3f13c8611e468ed"><underline id="underline-1701f07c8a9298f491fa570a18eea897">Quando</underline></bold><bold id="bold-8b930a1a2e8d114f2b9adbab9c1e18c2"> </bold>penso em receber carta sua (R), recebo um tico de bilhete que mais parece nota policial que bilhete (E). (07/03/1928)</p>
      <p id="paragraph-96a6af56f3261f69564fc0e6aeb330d6">(15) Tome um abraço (E) <bold id="bold-259a2d0b1b00f14d617a6c1efab64522"><underline id="underline-d5e9387375e78ce0bb425440cfe844ba">mesmo que</underline> </bold>V. esteja deitado ou mastigando o arroz com azeite (R). (09/12/1925)</p>
      <p id="paragraph-c2343784d3d87e7fbe1913a049bf058c">(16) Lá mora um casal que Azevedo (que é muito de nossa casa) cedeu a casa (E) <bold id="bold-2b2d324c1b28d8e8545453ca506277d7"><underline id="underline-229abf714cb1e26196f9a69d3095a4bb">sem que</underline> </bold>fosse pago de aluguel (R). (09/05/1930)</p>
      <p id="paragraph-34fac1e8c307c4f4e9f5168b05267d0c">Nos exemplos (14), (15) e (16), há objetos semânticos de que se fala e objetos semânticos que são utilizados para especificar esses objetos situados, dando-lhes uma referência mais exata. Em (14), o tema é o recebimento de uma carta muito curta. Torna-se esse objeto mais específico com a menção da expectativa pela carta. Em (15), o tema é o abraço que é enviado. Esse abraço é especificado por meio da alusão à ocupação com uma atividade pouco motivadora do beijo<xref id="xref-94068ccf3837948ff544ef782c15483a" ref-type="fn" rid="footnote-337fdb1cc5255450d908e447861989e0">10</xref>. Em (16), o objeto semântico de que se fala é a cessão de uma casa. O objeto semântico de referência, que permite especificar esse objeto situado, é a falta de pagamento pelo aluguel.</p>
      <p id="paragraph-017d943170b26394d7e83b0eab8fc109">(17) Não há um só escriptor Sulamericano (E) (<bold id="bold-23d851d701c0b7e4e6d6e8dba191e87c"><underline id="underline-1df4daaf0de2f11d60d8bee5a7aa0f3b">excepto</underline> </bold>alguns argentinos (R)) que esteja de accordo comigo, graças a Deus (E). (02/02/1928)</p>
      <p id="paragraph-74eef88e762202f5cbeaa41ea0534ff5">(18) <bold id="bold-58dccf391ed876d5ae2e3d86cfe766f5"><underline id="underline-f0d432b54b6368706d51d616721f4249">Excepto</underline></bold><bold id="bold-b178e1e182d2c9034e716b61868776b0"> </bold>Geracina (R) todas as outras estão mortas (E) (07/03/1928)</p>
      <p id="paragraph-416b824f62d4fe3da477ffda371784a3">(19) Até aqui V. deve ter notado que os folcloristas revelam a poesia sertaneja (E) <bold id="bold-e42bb5dd9932d1c6e70f39cacdd2bae7"><underline id="underline-6b023ccd0089504c9b8f18b86465d510">sem</underline> </bold>a menor explicação de sua evolução e technica (R). (08/06/1931)</p>
      <p id="paragraph-2cf737deb6a82ee960d930466d0ed05c">(20) Na tarde de 5 de julho de 1932 “A TARDE”, diario que você colaborava e eu, foi empastelado pelos elementos do chefe de policia, João Café Filho e o interventor Capitão tenente Bertino Dutra da Silva, declarou oficialmente que A TARDE havia sido empastelada pelos proprios redatores e os homens que rebentaram a folha continuam passeando (E) <bold id="bold-3fcfb46a5b89df44dfab8ccf28dd37d1"><underline id="underline-937bc6717022e6a30b5cebf4bbf016cd">sem</underline> </bold>uma Ave-maria de penitencia (R). (04/01/1933)</p>
      <p id="paragraph-5078ff021822be16858425e1337d109c">Os exemplos de (17) a (20) comprovam que os objetos semânticos de que se fala em cada um desses enunciados não estão no mesmo <italic id="italic-fa4e9984845641db386fa9feed69dd4e">relatum </italic>da preposição. Em todos esses exemplos, o <italic id="italic-4abcffeaae163aef85c0fbf783229bba">relatum </italic>em que a preposição está acrescenta uma informação que torna possível especificar o objeto semântico situado. Em (17), o tema do enunciado é a falta de acordo entre o enunciador e os escritores sulamericanos. Esse objeto semântico é especificado com a informação de que há exceções. O tema do enunciado (18) é a morte de uma série de pessoas conhecidas. Esse tema é especificado por meio da informação de que Geracina não faz parte do grupo de pessoas que morreu. Em (19), o tema do enunciado é o fato de folcloristas mencionarem a poesia sertaneja, acrescentando-se a informação de referência de que não explicam sua evolução. Em (20), a principal informação, aquilo de que se fala no enunciado, é o fato de criminosos continuarem livres, acrescentando-se como informação especificadora que eles não foram punidos.</p>
      <p id="paragraph-b085e26e2a174902c8963200c558cb48">Com relação à atribuição de papel relacional, o comportamento dos conectores coordenativos é diferente do comportamento descrito acima de advérbios juntivos, conjunções subordinativas e preposições: conjunções coordenativas podem estar tanto no <italic id="italic-c15cb8aac7e2c6b5242ab669400ed327">relatum </italic>do objeto semântico situado quanto no do objeto semântico de referência, apresentando, portanto, a estrutura R/E conj E/R. Essa possibilidade de ocorrência nos dois tipos de relatum, permite que o conector seja movido de um <italic id="italic-5f8e8974857df0732624ad59a332ffb8">relatum </italic>a outro.</p>
      <p id="paragraph-2b59dac329500c817ccb6693fea0cb27">(21a) Pense ahi que orgia vou fazer ... (E/R) <bold id="bold-a7b6807176ef0374414ac132df38d289"><underline id="underline-adeb0a681a87bf63262cc73fbea4ce03">E</underline> </bold>não está V. aqui (E/R). (04/07/1925)</p>
      <p id="paragraph-8a76bbb26c96a550614f206eb17d34a1">(22a) Há briguinhas (E/R) <bold id="bold-177f9c43fd24ad39e5f2095f558d3726"><underline id="underline-fd31aa8c67df2f1394dbd13f0aa7a50e">e</underline> </bold>esperanças (E/R). (20/10/1925)</p>
      <p id="paragraph-9e64920d2841045e5e7f27f4a3e3cec3">(23a) Que diabo é isto? Já lhe mandei três coisas (E/R) <bold id="bold-2eb4dab8e46548a79fef21ef25b35763"><underline id="underline-7e85df51fd6e5297baffa9c86414b61d">e</underline> </bold>V. apitas que estou deixando esfriar (E/R)? (06/06/1930)</p>
      <p id="paragraph-72ea19178f923f84b9566e52eef8d6f7">No exemplos (21a), (22a) e (23a), o conector “e” serve à junção de dois objetos semânticos que parecem ter o mesmo papel relacional (E ou R), já que podem ser invertidos:</p>
      <p id="paragraph-f749efabaf40930d9356b4d36bc94d88">(21b) Não está V. aqui (E/R)... <bold id="bold-5d52f2f5a26b6fcff528b50f856dbd5e"><underline id="underline-f2266b891196bcaedf4c52e38cc9956d">E</underline> </bold>pense ahi que orgia vou fazer ... (E/R)</p>
      <p id="paragraph-7045a930aac732b8611899c51b7fe7be">(22b) Há esperanças (E/R) <bold id="bold-bfdbd08f2f7424dec1b93567aca50f46"><underline id="underline-616569260416cc62170b3da56eb63377">e</underline> </bold>briguinhas (E/R).</p>
      <p id="paragraph-5f89faf1f3a7ae822f32dad244e35eab">(23b) Que diabo é isto? V. apitas que estou deixando esfriar (E/R) <bold id="bold-06c50f664ee5482d636d1bd83ce20298"><underline id="underline-8701b7da40f58d55f39fb1bd01ce1169">e <bold id="bold-651ad3fd318121603cdb201256a3dd81"/></underline></bold>já lhe mandei três coisas (E/R)?</p>
      <p id="paragraph-fe20fcd8f037fb4c09ade436811919c6">Nas ocorrências de “mas” nas cartas de Câmara Cascudo não se pode verificar entre os <italic id="italic-3d4aae8da107884c3245e5c4ac7d3f40">relata </italic>o mesmo papel relacional. É certo que, em alguns casos, os <italic id="italic-895bb5a50a193744b299000f9ef105a9">relata </italic>podem ser invertidos, mas esse conector parece ter se fixado no <italic id="italic-6cf5689a1e677b0d20838963fbdc2361">relatum </italic>do objeto situado (cf. Gutz Inglez 2007, p. 42).</p>
      <p id="paragraph-19">(24a) V. conversou com Macunaima (R) <bold id="bold-84632fe11402b6f1dd473b00f5b87d83"><underline id="underline-030e1a8a343a444333457630ec070a28">mas</underline> </bold>eu é que móro na terra delle (E). (03/09/1929)</p>
      <p id="paragraph-22">(25a) A casinha é uma delicia de originalidade e feiúra (R). <bold id="bold-d0a54b64505e50767aa79c8462c59f99"><underline id="underline-a3ff969082dab48bf573230f6100a839">mas</underline> </bold>é sua para sempre (E). (09/05/1930)</p>
      <p id="paragraph-2a1c9feb92d564d020ce487a2d4e5629">(26a) Continuo no Atheneu (R). <bold id="bold-cefeb9239ac595695b0454fa24f885ba"><underline id="underline-70bcc79b372c39e09304568e186a830c">mas</underline> </bold>se o meu negocio der eu largo tudo (E). (22/01/1931)</p>
      <p id="paragraph-a35c7344e384d73ceb4db6cd0318597d">Em (24a), a principal informação, isto é, a informação que recebe a maior ênfase é a de que o enunciador, no caso, Cascudo, mora na terra de Macunaima. Serve como informação de referência que Jorge de Lima, amigo de Cascudo, conversou com Macunaima (=Mario de Andrade). Em (25a), o tema do enunciado é o fato de uma determinada casinha passar a pertencer a Mario de Andrade. Esse enunciado é especificado pela informação de que essa casinha é feia e original. Em (26a), o tema do enunciado de Cascudo é seu desejo de largar a escola. Acresce-se que ele continua trabalhando no Atheneu. Nessas ocorrências, a posição dos relata pode ser invertida ((24b), (25b) e (26b)). Contudo, percebe-se que, com a inversão, ocorre também uma mudança no sentido do enunciado, dado que o <italic id="italic-8715ade6342719d46eee932bbcd0312e">relatum </italic>em que “mas” se encontra funciona como objeto situado:</p>
      <p id="paragraph-e3154e03744a13a668fc39d6eaf1ac1c">(24b) Eu moro na terra do Macunaima (R), <bold id="bold-9fa1af04abfab628f4823bb5564f9dbf"><underline id="underline-326cdeb4dadd2bc5d3c797071d11763b">mas</underline> </bold>você é que conversou com ele (E).</p>
      <p id="paragraph-77295bf11d729c96c7e75ffb8fbe8730">(25b) A casinha é sua para sempre (R), <bold id="bold-ff2b8ffb861e7f9f52be7ee418af3c1a"><underline id="underline-44f658f64c92d61ae61a65b44a41c7c0">mas</underline> </bold>uma delicia de originalidade e feiúra (E).</p>
      <p id="paragraph-f19111ea643ebd7a74f7b6e3e9dbd62c">(26b) Se o meu negocio der eu largo tudo (R), <bold id="bold-15932f0202c4a4e4687aaf769ab12932"><underline id="underline-a13758d3ccb729d99a057920c0f3035b">mas</underline> </bold>continuo no Atheneu (E).</p>
      <p id="paragraph-94ff4348c45bbfb1867acb138b382073">Dada a fixação de “mas” no <italic id="italic-586fb54cfff089687d350d2ae012a377">relatum </italic>E, a inversão de <italic id="italic-07a723d460d799d5fa4c70e7d68d5873">relata </italic>nos enunciados com esse conector é, na maior parte das vezes, agramatical:</p>
      <p id="paragraph-ccd8a923b60e42ee8d7ce0715431f35b">(27a) O que espero receber na volta do correio aéreo é o endereço de Plinio Salgado. Ele mandou <bold id="bold-1eb321eec8dca70178b54b8b6b7c0ceb"><underline id="underline-98f183e9856bf91fcdfc3cfd2ddd216f">mas</underline> </bold>perdi e preciso escrever ao homem. (05/05/1933)</p>
      <p id="paragraph-c8867d30b88aa7052cb79444caca6105">(27b) O que espero receber na volta do correio aéreo é o endereço de Plinio Salgado. *Eu perdi e preciso escrever ao homem, <bold id="bold-4fb41b85934cab262df9c5c9385cd33c"><underline id="underline-c7c7504aa922eb161d27006cec3064f4">mas</underline> </bold>ele mandou.</p>
      <p id="paragraph-d58c2dbd3a12d20bc725cea286b31455">(28a) E as eleições correram calmas porque o chefe de policia foi licenciado e um capitão-tenente, Paulo Mario, genro do Ministro da marinha, assumiu a chefia e deu liberdade.<underline id="underline-2b4cdf4d66ab404b05171de454e31541"> <bold id="bold-1ba32b36eb50397a4b4959b238d2e8c6">mas</bold></underline><bold id="bold-f0dfbaa46982692b5ca851fae5390e80"> </bold>no dia 6, Eloi de Souza, diretor da RAZÃO, foi deportado para Recife onde se encontra. (24/05/1933)</p>
      <p id="paragraph-d9363828b86a9794c5b7f157f7023bee">(28b) *E as eleições correram calmas porque no dia 6, Eloi de Souza, diretor da RAZÃO, foi deportado para Recife onde se encontra, <bold id="bold-34669b639153f92c48ee782f3ac88fcc"><underline id="underline-675a184867c351166c6361c8bd0574ff">mas</underline> </bold>o chefe de policia foi licenciado e um capitão- tenente, Paulo Mario, genro do Ministro da marinha, assumiu a chefia e deu liberdade.</p>
      <p id="paragraph-5dd164e50b7a63ef3a31fae338bcd497">Não é possível estabelecer, portanto, uma grade relacional única para as conjunções coordenativas. Algumas conjunções como “e” podem servir à junção de objetos semânticos de mesmo valor. Outras conjunções, como “mas”, podem fixar-se em um dos <italic id="italic-778f16d3600e6e71948761b2a0abbd00">relata</italic>. Para cada conjunção coordenativa, é necessário avaliar qual é sua atribuição de papel relacional e se é localizada no <italic id="italic-6b1f3c2b492284dc0fae4b07a9d4ccbe">relatum </italic>do objeto situado ou no do objeto de referência. Essa parece ser também a observação de BLÜHDORN (2008, p. 15):</p>
      <p id="paragraph-eb3ec689720dba30a05111656bbb7060">Coordinators are the only class without a fixed assignment pattern. Some of them, such as German <italic id="italic-98c54d113e3786c8db51ca3c8a0e858f">aber </italic>[but] and <italic id="italic-0353e8b3b49bc29b53c5b2692e9a7306">denn </italic>[for], can be analyzed as assigning E to the first and R to the second connected expression (or vice versa, depending on the criteria used; see BLÜHDORN 2008c). Others, such as German <italic id="italic-38f1729a7f4a39c217decfd4e5be70a6">und </italic>[and] and <italic id="italic-8987b2ac8eaf0a51e23d94618fab24d1">oder </italic>[or], most probably do not assign relational roles to their coordinands<xref id="xref-34e665b62b94c2a7694e95508f3aad17" ref-type="fn" rid="footnote-3d68378629de03d3bf63f171807e95d9">11</xref>.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-884ebfa8bd5e5c85464357e2f3ca1b0e">
      <title>2.4 Quarto Traço Sintático: Tipo de Complemento</title>
      <p id="paragraph-504ab9be6f3580d90742fd3d7228d5f8">Como quarto traço sintático para distinção das classes de juntores, BLÜHDORN (2006, p. 6) propõe a análise do tipo de complemento. Cada uma das quatro classes de juntores abordadas pelo autor (advérbios juntivos, conjunções coordenativas, conjunções subordinativas e preposições) é caracterizada com relação ao tipo de seu complemento da seguinte forma:</p>
      <p id="paragraph-8b3f4a27979dbb89197355aac782d94b">A preposição é neutra em relação a este traço. Ela exige um complemento nominal, mas esse pode ser realizado como sintagma nominal, como forma nominal de um verbo (infinitivo, particípio, gerúndio) ou como forma nominal de uma oração (com o transpositor <italic id="italic-a79e4c1826d4d0286b96c6dab1f8a296">que</italic>), i.e., pode ou não ser uma oração.</p>
      <p id="paragraph-ab923e94fe6d0b8e7cf909650d2ee0fc"> A conjunção subordinativa, por sua vez, só aceita complementos oracionais, i.e., quando o complemento não é uma oração, e sim, p.ex. um sintagma nominal, então o conector não pode ser uma conjunção subordinativa. Os advérbios juntivos e as conjunções coordenativas mantêm-se neutras em relação ao quarto traço, já que não são elementos transitivos, i.e., não pedem complemento. (BLÜHDORN 2006, p. 6)</p>
      <p id="paragraph-14e2d7749731d189e9a8f48e3862cba2">Nos exemplos (29), (30) e (31), as três expressões de contra-causa (“pelo contrario”, “de outro lado” e “mesmo assim”) não possuem complemento, isto é, não subordinam um SN ou uma oração. A junção, nesse caso, é dada por meio de correferência e não por regência e encaixamento (caso das subordinadas) ou serialização (caso das coordenadas) (cf. BLÜHDORN 2006, p. 15). As formas “contrario” em “pelo contrario”, “outro” em “de outro lado” e “assim” em “mesmo assim” comprovam essa junção por correferência, cumprindo a função de retomar proposição anterior. Como não apresentam complemento, são classificadas como locuções<xref id="xref-63b0b42d8ad7f0ad7083fb2eb3fcf4a0" ref-type="fn" rid="footnote-edc44bbf802a566fcf75126d08d29b4f">12</xref> adverbiais.</p>
      <p id="paragraph-3ed394145040481051f48660244f846a">(29) Não há de que. <bold id="bold-5dda743072e54c6695f8699694c26989"><underline id="underline-eb6922bbed27997ac97ba677a5ceab33">Pelo</underline></bold><bold id="bold-f5cbb85a3943628c5d6e7c559d87c3d6"><underline id="underline-a13fa2ab4d788de9f936f3a83fffdd59"> </underline></bold><bold id="bold-0312d97ce457f85ffd6b3e8e2a0a9e3d"><underline id="underline-a559250e4cc02de6a188e0adb79df72c">contrario</underline></bold>. Eu é que lhe estou devendo o pretesto, o motivo, o thema, o lombo, o (ilegível). (25/08/1924)</p>
      <p id="paragraph-b9a47bc6fa1e32bee178db6b535ac186">(30) Eles não poderão pagar monetariamente uma colaboração valiosa como a sua. <bold id="bold-63f46045b2c4dc94f561d9b992344c19"><underline id="underline-4e6013bcce50cfa2efdc79fea7379fe5">De outro lado</underline> </bold>todos os rapazes da TARDE desejam, e o faço em nome deles, ver V. escrevendo, ao menos uma vez por mez ou, se possivel, quinzenalmente na TARDE. (15/08/1931)</p>
      <p id="paragraph-94f6e7bba666cadaddf96d28273ca443">(31) Quando há saxofone não há hormonio e este está morrendo, morrendo. Raramente aparece e <bold id="bold-6634e460bac6160f0b486518178da14d"><underline id="underline-2dec68622b9b069f9fbe7673edb3f733">mesmo assim</underline> </bold>lá nos fobós desconhecidos, fóra da cidade. (05/01/1932)</p>
      <p id="paragraph-bb39f2cfe21b7857d16f2d4fff418835">Assim como advérbios, conjunções coordenativas não apresentam complemento, dado que esses recursos ligam “palavras, grupos lexicais ou orações, de uma comunicação dada, para indicar que se trata de uma soma de significações, acrescentando-se umas às outras para uma significação total em que todas figuram no mesmo plano” (MATTOSO CÂMARA 1979, p. 183). Diferentemente das orações subordinadas, as orações coordenadas não deixam de ter um caráter de enunciado livre.</p>
      <p id="paragraph-90144d830de28249255d919c36116b96">Analisando o exemplo (31a) do ponto de vista dos tipos de complemento do conector, podemos observar que a oração “é sua para sempre” não desempenha na oração “a casinha é uma delicia de originalidade e feiúra” o papel de constituinte. Os eventos apresentados (a originalidade e feiúra da casinha, de um lado; o pertencimento a Câmara Cascudo, do outro) são dois eventos coordenados e (32a) comunica, portanto a ocorrência de ambos. Em (32b), ocorre a comunicação de que a casa é de Cascudo, e “é uma delicia de originalidade e feiúra” deixa de valer por si, acrescentando, apenas, informações ao conteúdo principal.</p>
      <p id="paragraph-0d724a13a15caac44ee95849ab25cce4">(32a) A casinha é uma delicia de originalidade e feiúra. <bold id="bold-c53a71ef770a4d3dff8033f841da37d1"><underline id="underline-84a24c093837095e2b7028db0510d948">mas</underline> </bold>é sua para sempre. (09/05/1930)</p>
      <p id="paragraph-1167d4ea58c70b57d08ed34c57813401">(32b) A casinha, <bold id="bold-660834fc5dfcc60fcf58ae308efb6a31"><underline id="underline-345ff1ce91bb305798a2e20d7e12344e">embora</underline> </bold>seja uma delicia de originalidadade e feiúra, é sua para sempre.</p>
      <p id="paragraph-0b1e164203bdc0e51b38b27c98a18a12">Já preposições subordinam constituintes de uma mesma oração. Esses constituintes podem ser um SN (exemplos (33) a (35) ou uma forma nominal do verbo (exemplos (36) a (38)).</p>
      <p id="paragraph-0df1f7ddc66dab2c51e5acc6b9bcb40d">Preposições + SN</p>
      <p id="paragraph-8a506b5a518569ca4afccb8fb9fd6fb5">(33) O melhor que tenho tido em minha vida é não esperar senão bonde e missa. Idéas, elogios, rapapés, frechisbeques litterários, vem <italic id="italic-518dcd7392034245d0b38eeef50b4561">quando <bold id="bold-695efc69f5aac29fb7ef30da7670a14b"><underline id="underline-afa3185ef2b1ce718f1d9899e2d1a5ec">contra</underline> </bold></italic>[<italic id="italic-ab8716ba371fe9633bffc06efef5d733">o provável</italic>]. (09/03/1925)</p>
      <p id="paragraph-508e92b2d9d5147b12116280404f956c">(34) Escreva-me com ou <bold id="bold-d09fe865b071de405e0bde31608632fa"><underline id="underline-5f78b523d7e48cde63c463d9b7d579fd">sem</underline> </bold>[tempo]. (02/08/1925)</p>
      <p id="paragraph-9d77ee1333d250718b2da52d14a99b90">(35) <bold id="bold-35203036571d569dc87b92bde13eb0a5"><underline id="underline-27f76e1510850c07d3028e974b7cfc21">Com</underline></bold><bold id="bold-81f3e9e18007a8f82beef04ff156b668"> </bold>[exceções (fortuitas e raras) estamos ainda na phase da interjeição. (09/12/1925)</p>
      <p id="paragraph-0b43ee10cc1a4669bf3a9671fd47e51b">(35) Pretendo collar grau <bold id="bold-dd62b5b028b97185df178c4ed5a4c3c6"><underline id="underline-504f54440ccc219dbf61e5b7d7a6bb7d">sem</underline> </bold>[solenidade]. Pelo regulamento só o poderei fazer depois ou com a turma inteira. Fazer collação antes da turma só é permitido com um aviso ministerial [...] Senão conseguir este aviso ficarei obrigado a esperar pela festa sorumabtica e sonnolenta da collação serimoniosa e ôca, bêsta. (30/10/1928)</p>
      <p id="paragraph-08e48d9407803af1473ecbddda4519f9">Preposições + forma nominal do verbo (infinitivo, particípio ou gerúndio)</p>
      <p id="paragraph-d187aaa751c42de24b57559316654646">(36) Tal é o caso singular e verídico em que V. figurou <bold id="bold-19aa1e6fe269a8ee964e09607755391d"><underline id="underline-04f90478cbb1f8b1328631ab16fd35f2">sem</underline> </bold>[saber] e acabou dono dum mocambosinho. (09/05/1930)</p>
      <p id="paragraph-a67bea1b847bf2ac260c5925c4bcc9b2">(37) Sobre Christovam nada appareceu ainda nem sobre Omar que fugiu e já voltou <bold id="bold-9b9e6617d80e48bcb3260e3c77663ced"><underline id="underline-d7e437bc05e594bd90ce2b38b27779e6">sem</underline> </bold>[ter soffrido] nadinha. (05/12/1930)</p>
      <p id="paragraph-766bbae94b814850ad7a29618826991f">(38) Bacuru quer ficar rico <bold id="bold-fa29205002a8a41e891fda2ae16f5cac"><underline id="underline-d72f4dff1b1bb57adb5e467072970607">sem</underline> </bold>[pedir favor] e com honestidade. (07/01/1931)</p>
      <p id="paragraph-740ce09acb7074b4f5e6d4b4c61014db">As conjunções subordinativas e locuções conjuntivas subordinativas servem ao estabelecimento de relações entre sentenças, de modo que uma oração se torna parte constitutiva da outra. As conjunções subordinativas, portanto, têm como complemento uma oração, desempenhando junto às orações a função que as preposições desempenham junto às palavras ou construções lexicais (cf. MATTOSO CÂMARA 1979, p. 183). Nos exemplos de (39) a (44), pode-se observar que grande parte das orações subordinadas concessivas nas cartas de Câmara Cascudo a Mario de Andrade é introduzida por conjunções concessivas compostas com “que” como elemento final, como é o caso de “ao inverso do que”, “mesmo que”, “sem que”, “por mais que”. A conjunção “embora” e a locução conjuntiva “mesmo quando” são os únicos coordenadores subordinativos sem “que” final em nossos dados.</p>
      <p id="paragraph-91ae22e22a656efa7d0b8a20fca00e0f">Conjunção subordinativa ou locução conjuntiva + oração</p>
      <p id="paragraph-53f8c7d60f62afbfe91e833ee82dd6a0">(39) Fez uma conferencia e disse o poema “Raça”. Gostei do ultimo. É, <bold id="bold-56df16261f51fcc624058a74c6835333"><underline id="underline-251d0cd7f2267f875bfdf8d4a4ea7f52">ao inverso do que</underline> </bold>[elle (o poeta) pensa], mais regional que brasileiro. (09/12/1925)</p>
      <p id="paragraph-60a1d5df62262de928a96110080c90c0">(40) D´A REPUBLICA sahi sem saudades. Vinha para casa pela madrugada. Declarei que de forma alguma continuaria a frente da Imprensa Official <bold id="bold-8d7dc9de57cae1811e2e62ee09386fd0"><underline id="underline-2320d3d55a3bbea6e37586c1eb673b27">mesmo que</underline> </bold>[Aluizio continuasse]. (01/08/1931)</p>
      <p id="paragraph-3a1dcc733653275e7573b604807660a8">(41) Falta falar-lhe sobre a sua (ex-sua-nossa) casinha na Areia Preta. Pude rapidamente passar o registo para o seu primitivo dono. Primeiro o dr. Lamartine, <bold id="bold-80f476915fef9de3658224aa9f6d2ea7"><underline id="underline-bf67622b2ee5293f4ba595e701082e60">sem que</underline> </bold>[me falasse], não a tinha pago e segundo não queria eu que você ficasse enrolado nos jornaes daqui como recebendo presentes do Estado. (07/01/1931)</p>
      <p id="paragraph-8b74d17d1cb14057a41b149a775c6c7e">(42) <bold id="bold-b249b4142255261ca52a6c079d26cd01"><underline id="underline-acebca168c8774b380e2febc6024cc7f">Por mais </underline></bold><underline id="underline-88dd3118955504926e0fb706b8a57869">estranho <bold id="bold-25e3c6fe1afa9f862e2cb56e2bf891ee">que</bold></underline><bold id="bold-c8c92824de612bdabc19e79367150106"> </bold>[pareça a você] não tenho jeito sinão</p>
      <p id="paragraph-0d7106c0e16a9ea7dfd938046e2c8ccf">pedir-lhe que me ajude. (02/03/1935) </p>
      <p id="paragraph-f3f624eee1fa48cfcc519bdd49da4fa0">(43) As festas do Fernando Luis chegaram aqui justanente no dia ritual e deram uma alegria doida ao piá. Naturalmete presente foi mais festejado <bold id="bold-865b2ca4f76ad801b02e48bb7e9258f1"><underline id="underline-7a6f44de006ca0ffc51e89cd393a93af">embora</underline> </bold>[eu o haja arrecadado para livra-lo da inevitavel destruição]. (06/01/1937)</p>
      <p id="paragraph-fa474978bd91fcca00bc741e9f484fb0">(44) Sou o único a não brigar <bold id="bold-cbadcc46137ad3af04caba19ff13c614"><underline id="underline-7569001a4a545c9424aedcae9138f336">mesmo quando</underline> </bold>[se trata de suprema tentação exibicionista de discutir escolas]. (29/02/1944)</p>
      <p id="paragraph-7249c81d732516ef87280acd1b30c3ba">Em sua proposta de distinção sintática de conectores, BLÜHDORN (2006) não inclui locuções prepositivas e construções com formas nominais do verbo nas quatro principais classes de juntores (advérbios juntivos, conjunções coordenativas, conjunções subordinativas e preposições). Segundo MATTOSO CÂMARA (cf. 1979, p. 182) o que enriquece o quadro de preposições do português é exatamente o desenvolvimento de locuções prepositivas, que suprem ou substituem preposições simples nas mais variadas relações.</p>
      <p id="paragraph-1d60735a830c3dd8ea2334fc5baccfbc">Com relação aos quatro traços sintáticos de distinção das categorias de conectores, as locuções prepositivas aqui analisadas apresentam comportamento idêntico ao das preposições simples: (i) locuções prepositivas podem estar tanto no primeiro quanto no segundo <italic id="italic-03f9ebe5ff5416870e421a0d0ce270a7">relatum </italic>(a exemplo de (45a) e (45b)); permanecem, dentro do <italic id="italic-7b45ae02062f846b639765641bcd7d86">relatum</italic>, na posição inicial (como se vê em (56a), (46b) e (46c); atribuem ao <italic id="italic-d7e294084d8cb9b1537396c4781a406d">relatum </italic>em que se encontram a função R (objeto de referência) (verificável em (47): o tema do enunciado é a impossibilidade de ir a SP; a informação de referência é o desejo de ir); seu complemento pode ser um SN (como comprova (48)) ou uma forma nominal de um verbo (tal como em (49)).</p>
      <p id="paragraph-cf76d0b801d7a7af4d9681953d52d8f1">(45a) E se você entender pennas <bold id="bold-0ee2ecd81dd3255ce984d18d63a6eb14"><underline id="underline-2749c310b9adf359a11502da48b3aed8">em vez de</underline> </bold>[pernas], não se engana muito. (26/06/1925)</p>
      <p id="paragraph-85ac9c4b3e462257336d122f8c03bde2">(45b) E se <bold id="bold-87aba3d5ef9fade2e73bb44ed2c56af8"><underline id="underline-8dbef2a15d6db6c14fb29e47abef5d85">em vez de</underline> </bold>[pernas]você entender pennas, não se engana muito.</p>
      <p id="paragraph-7af0526fa1d460a3855a2670b9858067">(46a) Nesse recuado e prehistorico tempo não comprei a Pauliceia Desvairada cuja arlequinal e gritante capa assombrou-me no coração os nomes de Cassimiro de Abreu e de Vicente de Carvalho. Adivinhasse depois deveria de quere-lo <italic id="italic-eb803f108f47b99ade4154fe68401476">tanto faria, </italic><italic id="italic-584ad21f99a9b3b4c4cd987588d1c4f4">em pleno triangulo, <underline id="underline-959dcb555bbf7a8bf73880ee80584068"><bold id="bold-20bf2a7f76abff5036bb1821c986ba26">à cara d</bold></underline></italic>[<italic id="italic-aa69093e68b3b0e2e1a8455ce2e1cc6e">o Geca</italic>] <italic id="italic-4ed6eadbd94c75003ebad68b8a9673df">e <bold id="bold-8529286d7bb317b1de190f48e397cc6c"><underline id="underline-db656ccf06d54f5945bd947fbe4a630c">às faces de</underline> </bold></italic>[<italic id="italic-d0a58c6bad5244deaa86049ec76f89b2">meu querido Rocha </italic><italic id="italic-3321cacaca3a63106832ede4b420ade2">Teixeira</italic>], uma scena muito parecida com os 5ºs actos em 1840. Fatalidade atroz. (12/07/1925)</p>
      <p id="paragraph-cfc682bdf3668bd290b357c606dbca3f">(46b) *Adivinhasse depois deveria de quere-lo <italic id="italic-60f477e1f723abe331bba9eea1396333">tanto faria, em pleno </italic><italic id="italic-5de1c6093cfaa0525f971c35e82b4d2e">triangulo, </italic>[<italic id="italic-87759e03953b555d76a43d15f027e456">o<underline id="underline-61638feb3f4489bbd224ff63c27157ae"> <bold id="bold-14e7fa229e00de543dda9077dd93a3dc">à cara d</bold></underline><bold id="bold-f7c2b0d4f867ed58b7352a3a4e3f7697"> </bold>Geca</italic>] <italic id="italic-9aa60cb7999e69dc7a8c5327d02cfe1e">e </italic>[<italic id="italic-64f55ec468514b27b0aef2d6d400d508">meu querido <bold id="bold-467bb03410c5234044bd6f78a62015d6"><underline id="underline-7920f62d9ad8d0d97ccaead71e8767ac">às faces de</underline> </bold>Rocha </italic><italic id="italic-2a2a1ed6ceb9768c2596eb79fef661e6">Teixeira</italic>], uma scena muito parecida com os 5ºs actos em 1840. Fatalidade atroz....</p>
      <p id="paragraph-c4048a1d0f042eceed3242ee1abbc359">(46c) *Adivinhasse depois deveria de quere-lo <italic id="italic-bd095ef9c5dbd23237aa58eb55d74cb7">tanto faria, em pleno </italic><italic id="italic-0ecf9a40dcbe30f827d9bf1986dd069f">triangulo, </italic>[<italic id="italic-0d80ccc82b3b8d4e8803c8d677e642b9">o Geca <underline id="underline-fa6eb3c793782e0d1903bbe703b6d822"><bold id="bold-d001deb46846233201a680840c9975a8">à cara d</bold></underline></italic>] <italic id="italic-97eec08d627d1b18f3814ce87e3c1f8d">e </italic>[<italic id="italic-9dcdbb008998552fd6b397b79ddb80bd">meu querido Rocha Teixeira<underline id="underline-f5ead5d776e139c78b4faba7a26bcea1"> <bold id="bold-57fadf72c1571294e6fe606aef58f9e2">às faces</bold></underline><bold id="bold-19eca976a3fb3c6f4e9b920b6dbdb6bf"> </bold></italic><bold id="bold-57341b7558d4d9fc64f978216c58451e"><italic id="italic-12"><underline id="underline-d5a01152617d969d099904314d430f67">de</underline></italic></bold>], uma scena muito parecida com os 5ºs actos em 1840. Fatalidade atroz....</p>
      <p id="paragraph-6faaf3f7e6e8d21b4ab9db4b54a1a538">(47) <bold id="bold-94525c9508fab98f335885e906eaa249"><underline id="underline-c8810921e6031bc5b5586fc3a3517fb2">Apesar de</underline></bold><bold id="bold-4e3f75bba2f6aad9c7c2b1a462ca9463"> </bold>[todas as vontades], não me é possível ir ver você em S. Paulo. (28/07/1941)</p>
      <p id="paragraph-5e5273d7c5c5bf5f25dd08d871554cc5">(48) <bold id="bold-10"><underline id="underline-669f665a889485f187e623515c49552f">Apesar de</underline></bold><bold id="bold-11"> </bold>[tudo isso] os prefeitos dos municípios continuam governando [. ]. (24/05/1933)</p>
      <p id="paragraph-0ad1f294d8b1ef4badedec00aac71d3d">(49) Fez-me agente da agencia delle <bold id="bold-12"><underline id="underline-cc6408a480eca992bea0325916fd5b2a">apezar de</underline> </bold>[eu ser da United Press]. (28/03/1927)</p>
      <p id="paragraph-543f05193fd6214c8d861d707231a7b1">A análise dos quatro traços sintáticos sugeridos por BLÜHDORN (2006) confirma o comportamento sintático idêntico de preposições simples e de locuções prepositivas. Dado que apresentam o mesmo comportamento sintático, foi necessário considerar a análise morfológica a fim de distinguir as duas classes de juntores em nosso corpus segundo sua tipologia formal (Enquadramento de nome por preposição inicial e final (Prep + SN + Prep): em vez de; à cara de; à face de; Partícula advérbio com adjunção de preposição (Adv + Prep): apesar de (etimologia: a + pesar + de); quando contra; Preposição inicial com adjunção de preposição final (Prep + Prep): exceto para).</p>
    </sec>
    <sec id="heading-d46472acc5824401fc9842ab75c9772f">
      <title>3<italic id="italic-7130b508a8649a6c189eb6a13ed96288">. </italic>Distribuição dos Recursos de Contra-Causa no <italic id="italic-7583a7f7ad0330b307a3fee4ae2d52d9">Corpus <italic id="italic-955d0f81d8407f7cdb576675e89a9f94"/></italic>e Interpretação dos Resultados</title>
      <p id="paragraph-2d008494f9f784869c82fc0002e49d2b">A partir dos 4 traços sintáticos propostos por BLÜHDORN (2006), os recursos linguísticos utilizados por Câmara Cascudo na expressão de contra-causa foram agrupados da seguinte maneira:</p>
      <table-wrap id="table-figure-84ad17eb5781d5c4490cb7c7a0dc7500">
        <label>Table 1</label>
        <caption>
          <title>TABELA 1: distribuição dos juntores de contra-causa pelo corpus segundo o nível de integração sintática</title>
          <p id="paragraph-b77c9ec0d2b85257072505efd0a02742" />
        </caption>
        <table id="table-ad68d192d40c8885edd28080ebf35d4f">
          <tbody>
            <tr id="table-row-334b4312895ec6bd09a2117949024374">
              <td id="table-cell-110cf53906e98246d67b2a6be3668d9b" colspan="2">
                <bold id="bold-ec893eb30b449b7c6ce75c2766fab03f">Advérbios juntivos e locuções adverbiais juntivas </bold>
              </td>
              <td id="table-cell-af791793a30ce97558714ebe3fd01150" colspan="2">
                <bold id="bold-915dfa440838b2c8018f3b7af9efd902">Coordenação </bold>
              </td>
              <td id="table-cell-0afd83d64d7e440042d2c23824cd8958" colspan="2">
                <bold id="bold-0ea11c23507397569682c256daf56251">Subordinação </bold>
              </td>
              <td id="table-cell-5f6bc06b3cf7a037c239f988fc26de83" colspan="2">
                <bold id="bold-4d75bc312046b3222243b08babbcd402">Locuções prepositivas </bold>
              </td>
              <td id="table-cell-02a046791b428e00c612f7c7276b1374" colspan="2">
                <bold id="bold-62c4a4a5f6f7704162c8397dcbe5bef2">Preposições simples </bold>
              </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-ec4a15ae579aee5ff1e797aef4699ec1">
              <td id="table-cell-ee918c8ae65bb21dae7c6512fd5c8f53">
                <bold id="bold-d97483cad38e7433dfb9fa14aa8f9ffd">ao contrario, muito ao contrario </bold>
              </td>
              <td id="table-cell-21c95ceabe470d72a684838e850d4939"> 1 </td>
              <td id="table-cell-74a584ae8c386cdd50986f3d4ddbb160"> agora </td>
              <td id="table-cell-da58bddc9960f86d99d9a51e5db2eeb5"> 2 </td>
              <td id="table-cell-8a7cc54f926f762d63f4df1414c75db4"> ao inverso do que </td>
              <td id="table-cell-95490840854f19c2ec0502d231996cf7"> 1 </td>
              <td id="table-cell-0dca63b86a683c41558766ec39a6d0e6"> à cara de </td>
              <td id="table-cell-752cb73ab3e942e4dc80302072cfd371"> 1 </td>
              <td id="table-cell-47cdcd8039696c2661bf22d4b3e7e867"> com </td>
              <td id="table-cell-35c85bd18bc17bc0a62c5b21edaee33b"> 1 </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-fd897ece085e65cca27117a778200aab">
              <td id="table-cell-79507c20901c8e29c363563ff9078fef">
                <bold id="bold-ba40e8140b889691ff2b853f1f6b510e">apesar de tudo isso </bold>
              </td>
              <td id="table-cell-f0aad0d72509636da020c07c76cf6c38"> 1 </td>
              <td id="table-cell-a6276f5443efbc17bd3317f7d75b9b55"> E </td>
              <td id="table-cell-a13f24be23be13eb40011ecdf0a814c4"> 29 </td>
              <td id="table-cell-46e66d7f0e61a692f9cda23f8a0ced5f"> embora </td>
              <td id="table-cell-8fc48c4e3d6402c7f3cc7c2479feb88c"> 5 </td>
              <td id="table-cell-26baa85b3526614bc74cf07da07c2dc7"> à face de </td>
              <td id="table-cell-fcef69311c1187d92ae41da53b570c63"> 1 </td>
              <td id="table-cell-940f54c5bd5feec3d78a896f3f2b02c4"> exceto </td>
              <td id="table-cell-e15850c2bf9244026a3d2e242ed20842"> 2 </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-f21fe0fcb336149b3b2975aa4e1b776f">
              <td id="table-cell-8bc30982c558b65fa062d51ffdf3e485">
                <bold id="bold-6c8994ee22d5da5674cce5960f6b9ad5">de outro lado </bold>
              </td>
              <td id="table-cell-432caab096d58f03712603724dec8935"> 1 </td>
              <td id="table-cell-65248d431dc867e89582440c68c12b72"> mas </td>
              <td id="table-cell-32374e3ab6edaf4d14764bf458b41521"> 72 </td>
              <td id="table-cell-3697322fe5dd23cfa8a844280d3cc200"> mesmo quando </td>
              <td id="table-cell-19c68cc3798475a7ea443d432badd749"> 1 </td>
              <td id="table-cell-d750be4e98c1b148fee51ba29259980f"> a não ser </td>
              <td id="table-cell-1b24307975a06baf823938a3a3e7f6ee"> 1 </td>
              <td id="table-cell-9983ee9072bb525b8efac52ee0b52abc"> sem </td>
              <td id="table-cell-4e19bd89f3d976c76d1c682cd23a69a8"> 18 </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-a0d4c186a17eaedda4743e629a187c51">
              <td id="table-cell-c433ca827b3779cbce878474c0b3b762">
                <bold id="bold-a152de26e04a80e2a2bad78e78ecf872">em desequi- líbrio </bold>
              </td>
              <td id="table-cell-171bb458e127e723982cfac81dd01cd0"> 1 </td>
              <td id="table-cell-f36ae2579ffcfc9a303ea94970aba30e"> senão a </td>
              <td id="table-cell-db23abd5b3aa77e3d85819a0a559974b"> 1 </td>
              <td id="table-cell-a1effd4f50f328fa91bbacd1a2cfe2c8"> mesmo que </td>
              <td id="table-cell-dedc76ccff16d4042f4de2a4352ace5e"> 3 </td>
              <td id="table-cell-5546ee1682e67a16352fc6b180f67190"> à parte </td>
              <td id="table-cell-e822f3e4bca6152c88845c0695446ffb"> 1 </td>
              <td id="table-cell-5f9098a7dd8fdfa4c19950f237b27d35"> em- bora + SN</td>
              <td id="table-cell-531e726087b08cfebeaab986b7429a0f"> 2 </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-6e519490756ccfd19cc2ea2b5f0864d8">
              <td id="table-cell-f15deaa69fa298a380f0071dff151e9d">
                <bold id="bold-1029498c5dad9240ffec11a6e64ca882">entretanto </bold>
              </td>
              <td id="table-cell-8275f20597b374de24f4fca3a4acf8b7"> 4 </td>
              <td id="table-cell-f92e7d27422c4fb88fcda01b4ca9f4a4"> sinão a </td>
              <td id="table-cell-f93367e55d16e70d8b11b9cd428b291e"> 2 </td>
              <td id="table-cell-3b025ddc465209684945735e0b062137"> por mais. que </td>
              <td id="table-cell-4f3aa7e831998e230a49c7754157ab72"> 1 </td>
              <td id="table-cell-55606e4b8f82b5d946830dbdd3533768"> apezar de </td>
              <td id="table-cell-ac697dfcf0c1e96721cc13607efb4056"> 1 </td>
              <td id="table-cell-b41f91a2259b50a2cbebd3c756494974" />
              <td id="table-cell-becd4f8c31516bd30f3d9ef551a88aca" />
            </tr>
            <tr id="table-row-a20b330ac594bd66ed044e3923e3c415">
              <td id="table-cell-9aafcc81afbc062b004f0423148f240d">
                <bold id="bold-e09679283c81299aeb26af4011a3b549">mesmo assim </bold>
              </td>
              <td id="table-cell-33a66676165476260cd3179f230de45a"> 2 </td>
              <td id="table-cell-6d3d1034f1f35dfedb578ae611eaa564"> sinão </td>
              <td id="table-cell-844d285fd88909bbcb4b662b551711f5"> 3 </td>
              <td id="table-cell-61e4bd243c732598b8b4f583dc8a7813"> quando </td>
              <td id="table-cell-770d6112a7402478bda738ebb29b1c5b"> 2 </td>
              <td id="table-cell-98c0959f74478f386126b8e395de2e84"> apesar de </td>
              <td id="table-cell-c925cfb64e1b2f75b1c67e7c7f39e28f"> 1 </td>
              <td id="table-cell-2af1ad5444d7c861816978fd9d1177cb" />
              <td id="table-cell-be6be234a4f01bfb12f09cd38a75c892" />
            </tr>
            <tr id="table-row-a6a8b492d314eafb3ad700ed4c485e2d">
              <td id="table-cell-860953b54bf80af8159ed0d75c961dc3">
                <bold id="bold-b50590703614dff3f6aafbd7f993f0a9">pelo contrario </bold>
              </td>
              <td id="table-cell-5ed22fc4c83387e0e4e94eaae05306bc"> 1 </td>
              <td id="table-cell-c0fd3dd8974e7d5d7ac6740cc16d8295"> senão por </td>
              <td id="table-cell-49c63c4aa4700e9169cab71663621ed4"> 1 </td>
              <td id="table-cell-fb08f43bf5398129f6c12a95180f9577"> sem que </td>
              <td id="table-cell-c6cf763f03c3335023e784508d0a3be8"> 3 </td>
              <td id="table-cell-dfa2a3af6f90b9c7fc888dbecff086c2"> exceto para </td>
              <td id="table-cell-0097979392c117d5935c7a508db2ac72"> 1 </td>
              <td id="table-cell-b48e81e2fc6a717a2c74c9b850513bde" />
              <td id="table-cell-7b5ff30b0e340dacf1af924496491851" />
            </tr>
            <tr id="table-row-89918d41cba84d1e2e3be5ac3549ab3d">
              <td id="table-cell-61023d0b15d49774711a7339d548a639">
                <bold id="bold-b778b173b40def71bb89a21b1e401dbb">nem por isso </bold>
              </td>
              <td id="table-cell-2af7f85d061710533b5a802547f4b7a3"> 1 </td>
              <td id="table-cell-dd1984927c493a70a7a2e156b2adeafd"> senão </td>
              <td id="table-cell-fb59641e68397b2f142ac6b4e10ac9e4"> 1 </td>
              <td id="table-cell-9910941d19bdcbb2b273636dd1fe479e"> se </td>
              <td id="table-cell-297219680a5ea6f171867000f20b6677"> 2 </td>
              <td id="table-cell-21365ca985e46ee439fe256ad182d4d9"> em vez de </td>
              <td id="table-cell-020efaed5f6138cb0e10d4709f6a4bb4"> 2 </td>
              <td id="table-cell-e71f0c0b64a073f4723667f1d298a55a" />
              <td id="table-cell-d3a10e532f9a8bef6b2c59a3f205cd79" />
            </tr>
            <tr id="table-row-ea6136d8431ab35300588230bec17204">
              <td id="table-cell-9ec660eaf0af40285ac36030f197d63e" />
              <td id="table-cell-dce65a6c60a9c5fe5586b62cb1bee785" />
              <td id="table-cell-79e385868091a39ebdb881c5dff6da17" />
              <td id="table-cell-489e17756a9cb34efb3ab306813bbbd2" />
              <td id="table-cell-2e9d195bbe117c0e990133222d2dd1d1"> verdade seja que </td>
              <td id="table-cell-f1e48ee7a1a3455ab5f4eddcfc6c62d7"> 1 </td>
              <td id="table-cell-a72e5823d0f3791e88c049430be3208c"> quando contra </td>
              <td id="table-cell-3204f15571300df17d8f4d95bf1e3da2"> 1 </td>
              <td id="table-cell-0ace6a190a872c428de586046e041ec7" />
              <td id="table-cell-9238c8b4ec257eca259408fe056ca350" />
            </tr>
            <tr id="table-row-bcdcec4894a5de68c356e7223136cb3d">
              <td id="table-cell-0c708e744ab9a84eb1b911a457aa01fe" />
              <td id="table-cell-96950333ae47f361eecacb5ebfd7c75c" />
              <td id="table-cell-ebcbfc51ffa7a4a7ad872d40d8b507cd" />
              <td id="table-cell-6eca2b69df2fa78e34c51464a7e9c617" />
              <td id="table-cell-dcdfb6e5f50cd1b8033b39a4b49376f0"> verdade é que </td>
              <td id="table-cell-6337e72fa24af5106c0e46326eafdd84"> 1 </td>
              <td id="table-cell-b33b7ce901bc01b9c4b5f6b816a48f58" />
              <td id="table-cell-d506623e69b8a5d8059ba322f94ff0a9" />
              <td id="table-cell-1aef9aafe4896bec9c3a2b02c3f29c99" />
              <td id="table-cell-85790987f7c8bcb447449db93d2d1bc2" />
            </tr>
            <tr id="table-row-02194c37952d6df51d31d7d9c5c6acd1">
              <td id="table-cell-bf91a1c9e9adeb6b7001fb933159a70d" />
              <td id="table-cell-1a912543af94bdd99b45389ff5dd5f5a" />
              <td id="table-cell-c61d6bd0f9b17be05b916a90ad89703c" />
              <td id="table-cell-78c6f52a3aa4c86578515ec8564dd1b2" />
              <td id="table-cell-3bd67faecb652a637c39976e15556787"> verdade que </td>
              <td id="table-cell-2660081a9809c21e14d747a6771577b2"> 2 </td>
              <td id="table-cell-9e4de351f51c8ab186dc844ef1d8e3b3" />
              <td id="table-cell-75ca5109ba136ce92c8bb117b3667fd1" />
              <td id="table-cell-be2d69fda77aceb402ea2397f0d1d81d" />
              <td id="table-cell-a02c3dc79d303645b05d8f84295b7007" />
            </tr>
            <tr id="table-row-e8c187f3ba14f51b231850e182bf1cf1">
              <td id="table-cell-1adb34c9262a0ccf9df9e40d8ea2e79f">
                <bold id="bold-90a3c4617f356ec4da833c912deb9142">Total </bold>
              </td>
              <td id="table-cell-a1de92a8d68d932da8f80b8c34d968f6"> 13 </td>
              <td id="table-cell-fbed8fda440f32b08d94c4bda6496808" />
              <td id="table-cell-88622a3928d930a6fcc00d751fc57982"> 111 </td>
              <td id="table-cell-662d03e799ecf288dcf97dc3e76e34cb" />
              <td id="table-cell-97f8f4661a1d6c481df2e26b7f93ed95"> 22 </td>
              <td id="table-cell-0f14842e5300c119c6decf8ee6d5d2d3" />
              <td id="table-cell-5587bcba64d8894de90498e7d52a06b1"> 10 </td>
              <td id="table-cell-41613ae91ad3b8e82b735e6a8216ade2" />
              <td id="table-cell-4251a23539c44aa6a23496af1502538d"> 23 </td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
        <table-wrap-foot>
          <fn-group>
            <fn id="footnote-e76d367412c98c871a740122f9356a95">
              <p id="paragraph-28cab2ae5455309958307125fdfea618">Esse uso de “embora” corresponde a uma ressalva que incide num ponto particular do enunciado, que pode ser um sintagma nominal, um sintagma adjetivo ou um sintagma verbal (cf. NEVES 2011, p. 880). Exemplo: “Eu mudo de residencia cada semana e não quero perder carta. <bold id="bold-40ecb6d3f8e6350a456846968d8e7a1e"><underline id="underline-8c714a20781d3c326601b950af0cd077">Embora</underline> </bold>cartas rareadas e pequenininhas” (24/09/1926).</p>
            </fn>
          </fn-group>
        </table-wrap-foot>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-0415063d5f19359dcc99f4764274554d">Comparando as proporções globais dessas técnicas nas cartas de Câmara Cascudo a Mario de Andrade (gráfico 1) com relação à massa textual, isto é, ao número total de palavras do <italic id="italic-234851e5e3e3d91999123a7b29e10536">corpus </italic>(34.180), observa- se a predominância dos recursos de contra-causa do lado esquerdo do diagrama, com nítido destaque para a frequência do uso de coordenação (o nível III da junção, segundo a abordagem proposta por RAIBLE 1992):</p>
      <fig id="figure-panel-9ec67fa953e7d5892a305784fe8318be">
        <label>Figure 1</label>
        <caption>
          <title>GRÁFICO 1: proporções globais das técnicas de junção com relação ao número de palavras do corpus</title>
          <p id="paragraph-ae777f43f1f3959f295d3d03d0b7f5be" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-b99b624bf653aeb62e0f7cb396aa42e6" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="1.jpg" />
      </fig>
      <p id="paragraph-49ca77b01b3302f2ca3b71943f9cd606">O gráfico permite observar uma <bold id="bold-4013d250f48458c110cd54947ce5994e">preferência </bold>nítida pela técnica de coordenação na expressão de contra-causa nas cartas de Câmara Cascudo a Mario de Andrade, que é mais de dez vezes mais frequente que advérbios juntivos e locuções prepositivas, sete vezes mais frequente que a subordinação e cinco vezes mais frequente que as preposições simples.</p>
      <p id="paragraph-a6514e68bab82c5a961d87b642d91021">Se o cálculo de proporção de uso tomar como parâmetro o número total de recursos de junção utilizados no lugar do número total de palavras, a preferência pela técnica da coordenação torna-se ainda mais evidente (gráfico 2): do total de 179 ocorrências de recursos de junção identificados no corpus, cerca de 62% são recursos de coordenação:</p>
      <fig id="figure-panel-bffc6e3fd187830f55d5a49b745b4282">
        <label>Figure 2</label>
        <caption>
          <title>GRÁFICO 2: proporções globais de uso dos juntores com relação ao total de recursos de junção</title>
          <p id="paragraph-b5a305fb3f22e36fde15859c738458e9" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-6a195e3f1c3d673e168872521edbacce" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="2.jpg" />
      </fig>
      <p id="paragraph-f109eaaa7697a06a11dcd06012561382">Nossos resultados permitem responder às quatro perguntas apresentadas na introdução.</p>
      <p id="paragraph-91e2d39a6a5d7673895c41e1278cb7fb">Com relação à identificação de recursos linguísticos da contra-causa, reconhecemos, em nossos dados, cerca de 40 recursos que fazem parte do inventário disponibilizado pelo PB para a expressão da contra-causa entre as décadas de 20 e 40 do século XX.</p>
      <p id="paragraph-e20d391a9f81f5c773b1949a0b4c6aa1">O papel que cada um desses recursos desempenha nos diferentes grupos de juntores foi elucidado a partir da classificação de cada recurso segundo os traços sintáticos propostos por BLÜHDORN (2006a).</p>
      <p id="paragraph-9a0ece68b5ba6ca9de27fe6faedaf8eb">Quanto à distribuição desses recursos, chegamos a dois resultados: a) em primeiro lugar, verifica-se uma <bold id="bold-467811b1cda085b680875703c334a45c">preferência </bold>por um tipo de nexo coesivo que predomina nessas cartas: pela técnica da coordenação na expressão de contra-causa; b) em segundo lugar, há um meio linguístico (“mas”) que se mostra como o recurso mais frequente desse tipo de nexo na contra-causa. Das 179 ocorrências de expressão da contra-causa no <italic id="italic-e5c09df0ab12973a7be3bc0b17eeb4ac">corpus</italic>, o item “mas” é responsável por cerca de 40% desse total, com 72 ocorrências, isto é, o recurso prototípico dessa técnica de junção nos dados do <italic id="italic-c6aae0863ab7b1519181bcc3af9ae9fe">corpus </italic>é esse item.</p>
      <p id="paragraph-6ffcb6c2aa6c143a8ec4835890522b22">Resta-nos discutir as possíveis motivações dessas preferências pela coordenação. Aqui pretendemos relacionar essas preferências ao espaço que o gênero <italic id="italic-ecb97cb774c335d81e7eed5b0a147398">carta pessoal </italic>ocupa no contínuo de oralidade e escrituralidade, proposto por KOCH &amp; OESTERREICHER (1990). Esses autores defendem que a carta pessoal é um gênero influenciado pela oralidade, ainda que seja veiculado graficamente. Como lembra SIMÕES (cf. 2007, p. 178), cartas são uma interface entre escrita e oralidade e pendulam entre um polo e outro, dependendo do grau de intimidade e familiaridade dos interlocutores. O registro utilizado pelo enunciador em uma carta pessoal a um amigo é, portanto, mais próximo da concepção discursiva da oralidade (informal) que da escrituralidade (formal).</p>
      <p id="paragraph-a722f603e104a77721f6023729c183e9">Segundo KOCH &amp; OESTERREICHER (1986), há, nos gêneros textuais da proximidade comunicativa (da oralidade concepcional), como é o caso da carta pessoal, predominância de construções paratáticas, ao passo que nos gêneros da distância comunicativa (escrituralidade concepcional), que apresentam maior elaboração linguística, há uma predominância de construções hipotáticas.</p>
      <p id="paragraph-beb427a040dcc02636b2e93b58f6c909">Nossos resultados parecem, portanto, confirmar, de um lado, a predominância da coordenação como técnica de junção em um gênero da imediatez comunicativa, permitindo-nos lançar a hipótese (a ser verificada por estudos posteriores) de que o item “mas” é um juntor preferencial da expressão de contra-causa na oralidade. Por outro lado, tais resultados também parecem comprovar a hipótese de KABATEK (2006) de uma correlação entre técnicas de junção e modelos textuais. Em outras palavras: à tipicidade dos textos correspondem determinados esquemas de junção.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-a3122901f754bb7c00a5452321915bf5">
      <title>Considerações Finais</title>
      <p id="paragraph-1">No início do presente estudo, propusemo-nos a verificar a hipótese de correlação entre técnicas de junção e tradições discursivas, analisando a distribuição das técnicas de expressão da contra-causa em 93 cartas pessoais escritas pelo folclorista norte-rio-grandense Câmara Cascudo ao escritor paulista Mario de Andrade entre os anos de 1924 e 1944. Para alcançar esse objetivo, procedemos a quatro etapas de análise: a) identificação dos meios linguísticos utilizados na expressão de contra- causa no corpus; b) classificação desses recursos segundo o grau de integração sintática; c) análise da distribuição desses recursos; d) interpretação dos resultados com relação ao espaço que o gênero <italic id="italic-b226bb36ea62f9d3e8be9cac004f033d">carta pessoal </italic>ocupa no contínuo de proximidade e distância comunicativa.</p>
      <p id="paragraph-40bec15726e04180ffa96f449c4ff024">Nossos resultados apontam para a comprovação da hipótese de correlação entre esquemas de junção e modelos textuais, com a observação da preferência pela coordenação na expressão de contra- causa nos dados analisados. Também apontam para a revelância do item “mas” dentro do inventário de recursos disponíveis no Português Brasileiro para a expressão de contra-causa.</p>
      <p id="paragraph-d37f0132e47893f760822f747cd4be5b">Com relação às contribuições que o estudo da junção pode trazer à Linguística, chegamos às seguintes conclusões e perspectivas:</p>
      <p id="paragraph-46baa7b7f92ae78c344a75b48a3bf044">Os recursos de junção presentes em um texto são influenciados e determinados por motivações textuais. Dependendo do universo de discurso, do estilo, do gênero textual, isto é, das tradições discursivas que o atravessam, determinadas técnicas de junção são privilegiadas em detrimento de outras. Além disso, essas técnicas estão ligadas a parâmetros de oralidade e escrituralidade. Esse fato corrobora a noção de que os fenômenos linguísticos não são “fatos brutos” (cf. Koch 1997), mas seu uso é determinado por propósitos comunicativos.</p>
      <p id="paragraph-e9765696b7aa51f27bf4d77582dc9296">i. A análise da junção permite conjugar dois tipos de perspectiva: semasiológica, isto é, a partir de uma determinada relação semântica para os recursos linguísticos, mas também onomasiológica, quer dizer, dos recursos linguísticos para as relações semânticas. Neste trabalho, a investigação seguiu a perspectiva semasiológica, tendo se restringido apenas aos aspectos sintáticos. Entre os recursos de contra-causa, identificamos também o uso de “e” como expressão de oposição. Contudo, uma perspectiva onomasiológica pode complementar esse e outros achados a partir da investigação dos demais diferentes sentidos que um mesmo recurso linguístico pode expressar (por exemplo, no caso de “e”, a adição).</p>
      <p id="paragraph-0fa02ee553c0937886a06131bb937ae4">ii. A investigação da junção em perspectiva diacrônica serve não somente à identificação de padrões textuais em grande <italic id="italic-6e765034979d3b1fe32754ef4f7ccb51">corpora </italic>e ao próprio inventário de recursos linguísticos de junção, mas também pode dar visibilidade a processos de mudança gramatical e semântica. A comparação entre os diferentes inventários de recursos linguísticos disponíveis para a expressão de relações semânticas em diferentes cortes diacrônicos permite identificar mudanças nos potenciais de leitura de um mesmo juntor na diacronia. Análise semelhante à aqui apresentada de dados de outros cortes temporais seria uma perspectiva a contribuir nessa direção.</p>
      <p id="paragraph-2430bc3b2c03e07788f29a84e7303dd9">Desse modo, a análise da junção constitui um objeto de interesse para diferentes disciplinas, a exemplo da Linguística do Texto, da Linguística Histórica e da Linguística de Corpus.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-2560290d192fec4612018cf35f8e8ffc">
      <title>Referências</title>
      <p id="paragraph-67cfe31d278c12addc0d4946e61e61eb">BLÜHDORN, Hardarik. <bold id="bold-4404e809f785df14962d21f90e66518f">Assim, aí, então: </bold>A interpretação de advérbios semanticamente subespecificados no âmbito do texto. Mannheim: Institut für Deutsche Sprache, 2011.</p>
      <p id="paragraph-659c3f7d8e597c7214837a49d4287fde"><underline id="underline-35462861b7715cce7ea59be0cf996256"> _____</underline>. <bold id="bold-718b412e8c7167008657d09fe25f3f96">Syntax und Semantik der konnektoren: Ein Überblick</bold>. Mannheim: Institut für Deutsche Sprache, 2008.</p>
      <p id="paragraph-7daad3c7b31013969b400917ac685888"><underline id="underline-fda1522ee91f1be3d833ba5b903f2d73"> _____</underline>. <bold id="bold-d0ee15d4e416f9a3855e80c92e76a523">A sintaxe dos conectores</bold>. Mannheim: Institut für Deutsche Sprache, 2006.</p>
      <p id="paragraph-bb882f2b19525d3d3772c2bfce3499ae">BRONCKART, Jean-Paul. <bold id="bold-97f9fc86a45a5b7c107d6373f4d96fe6">Atividade de linguagem, textos e discursos</bold>. Por um interacionismo sóciodiscursivo. Trad. Anna Rachel Machado e Péricles Cunha, São Paulo: Educ, 1999.</p>
      <p id="paragraph-1a91abc60afe65c63af98e941ec0a4e8">GUTZ INGLEZ, Karin. <bold id="bold-eb0221d0f9be7f145e346fb38bfdf719">Conectores de causa e condição em fóruns de discussão na internet</bold>. Tese de doutorado, Universidade de São Paulo, 2007.</p>
      <p id="paragraph-b24641bdf8a476837068a5e9cab21575">KOCH, Peter/OSTERREICHER, Wulf. <bold id="bold-48f3866c94ea51afcf34c9b3085783ea">Sprache der Nähe - Sprache </bold><bold id="bold-1965364f125e889a278ac3a685f71272">der Distanz</bold>. Mündlichkeit und Schriftlichkeit im Spannungsfeld von Sprachtheorie und Sprachgeschichte. Romanisches Jahrbuch 36, 1986, 15-43.</p>
      <p id="paragraph-9c2ff32b7858ffe7fbfb0e80e4662aef">MATTOSO CÂMARA, Joaquim. <bold id="bold-602f345207d6d24efd76bbb6da5c2342">História e estrutura da língua portuguesa</bold>. 2ª Ed. Rio de Janeiro, Padrão, 1979.</p>
      <p id="paragraph-02cb13da92654d3420ceef922480a2a2">NEVES, Maria Helena de Moura. <bold id="bold-ae79ed2467681aa2d9dd5d20d1b248e3">Gramática de usos de português</bold>. 2. Ed. São Paulo: Editora Unesp, 2011.</p>
      <p id="paragraph-f949a63df654e88925fa90b614f5ab64">RAIBLE, Wolfgang. <bold id="bold-9a4cdb2b601a696fb5bfcd180df6d01f">junktion. </bold>Eine Dimension der Sprache und ihre Realisierungsformen zwischen Aggregation und Integration. Heidelberg (Winter) (Sitzungsberichte der Heidelberger Akademie der Wissenschaften. Phil.-hist-. Klasse, Jg. 1992, Bericht 2.</p>
      <p id="paragraph-0f9fbe5c556c8e6fb9ce9a2b225279d0">SIMÕES, José da Silva. <bold id="bold-724f730a49125f6299fc3249043ce06e">Sintaticização, discursivização e semanticização das orações de gerúndio no português brasileiro</bold>. Tese (Doutorado em Linguística) – Universidade de São Paulo, São Paulo, 2007.</p>
      <p id="paragraph-81ee88cea10f26fe5833d98f229dbcb4" />
      <p id="paragraph-05c43d88d66e4ffae8014c0bd0f2b085">Recebido em: 07/07/2015 e aceito em: 15/12/2015.</p>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-919cb3fd5eee48cbcd04ba9ae715a440">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-a5fc5b18611f66a057145a7247302f61">Os dados são provenientes do material compilado por Moraes (2010) em <italic id="italic-f9a4e8930e9162ea8af562ab6c131905">Câmara Cascudo e Mário de Andrade: Cartas, 1924-1944</italic>.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-3491ddf9f958d1a2a3f879e6e3ded011">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-b8dc3da57982965ab38a203b10c402fe">Os dados relativos a 1939 foram desconsiderados de nossa análise por não serem extraídos de uma carta, mas de um telegrama.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-b504b882293dccbdc5b65be7d73d6386">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-ca499038cb6e0b1c554efe6b5db7b45e">Der Unterschied beider Arbeiten zu dem vorliegenden Ansatz liegt zum einen darin, dass hier die Junktion, verstanden als das Herstellen inhaltlicher Relationen, im Zentrum steht, während z.B. Lehmann gerade diesen Aspekt als irrelevant ausklammert. [...] Der zweite grundlegende Unterschied zu den genannten Autoren liegt darin, dass hier die Junktion als eine universelle Dimension [...] gesehen wird“. Tradução minha: “A diferença dos dois trabalhos [Haiman &amp; Thompson, 1984; Lehmann, 1988] da presente abordagem reside, de um lado, no fato de que a junção, entendida como o estabelecimento de relações semânticas, é central, enquanto Lehmann, por exemplo, considera esse aspecto irrelevante. [...] A segunda diferença fundamental em relação aos autores citados reside no fato de que a junção é vista aqui como uma dimensão universal [...]. “</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-cebb8701bb928cfd299c08dfc451bd74">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-7b8605c8c80cc52b4d80131c2acdb3da">No original: „Peter war krank. Deshalb blieb er zu Hause“.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-f7cf5e609dbd8cdf869f937ba2eec270">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-dfe9b776d3bdfaaa8e0437204b24ea7e">“In dem Fall, der hier zur Debatte steht, ist die grundlegende Aufgabe die Verknüpfung von kleineren zu größeren Einheiten. Die Einheiten, die in dem Schema vorausgesetzt sind, sind Satz-Einheiten oder Darstellungen von Sachverhalten” (RAIBLE, 1992, p. 27-28).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-2d40a68e9f1e1aee56ef949eda4687e9">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-7268c7cacb628b6ebdc27d41dc074aa8">“As construções concessivas têm sido enquadradas, juntamente com as adversativas, entre as conexões contrastivas, cujo significado básico é “contrário à expectativa”, um significado que se origina não apenas do conteúdo do que está sendo dito, mas, ainda do processo comunicativo e da relação falante-ouvinte” (NEVES 2011, p. 864).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-bce5131a0f4c4534d400784b609062d7">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-98078fe61478b7af106b28bc4e02ff70">Tradução minha: A assimetria semântica pode ser determinada com base em Langacker (1987: 231ss) de modo que caiba a um <italic id="italic-01e6046aa27d9f1c80632ad76dd84de0">relatum </italic>o papel de ser colocado em relação a algo (Langacker denomina de <italic id="italic-58d96de6ab8492e17ac9b55455f14705">trajector</italic>), enquanto outro desempenha o papel de entidade a que algo é relacionado (Langacker denomina de <italic id="italic-5463c2f58e69e65967f2ecf3f3679962">landmark</italic>). Para explicar, Langacker recorre à distinção psicológica da Gestalt entre figura e fundo. Fundo é aquilo a que algo é relacionado, figura é aquilo que é colocado em relação a isso.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-797e3da9b59e332ebde8a1121c103752">
        <label>8</label>
        <p id="paragraph-a869e22d856d195cb269912f29d7e0df">Categoria intermediária entre coordenação e subordinação. BLÜHDORN (2008) reconhece como conectores pertencentes a essa categoria as conjunções “sodass”, “als dass” e “zumal” do alemão.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-6193c17f6393028e907f9a3e053f0feb">
        <label>9</label>
        <p id="paragraph-3fcb1c8ba11abd9343d3221867c3bd80">Tradução minha do termo técnico usado por BLÜHDORN “V2-Einbetter”, para fazer a sistematização proposta por Pasch (2003, p. 241) para conectores específicos da língua alemã. Por se tratar de aspecto específico da língua alemã, não discutiremos adiante a categoria de embutidores de V2.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-337fdb1cc5255450d908e447861989e0">
        <label>10</label>
        <p id="paragraph-7585b92ec98c5b979951f8af83ac4cff">Pode-se inferir na escrita de Cascudo que a sujeira do rosto seja um impedimento para a aproximação física (daí a concessividade no exemplo 19) também por trecho de outra carta de Cascudo (30/12/1925) em que se despede de Mario de Andrade do seguinte modo: “Grande abraço, meu amigo, grande abraço. E se V. estiver com a cara limpa um beijo também”.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-3d68378629de03d3bf63f171807e95d9">
        <label>11</label>
        <p id="paragraph-3bab2e09c70b52f1c9547fefae2a1e46">Conjunções coordenativas são a única classe sem um padrão de atribuição fixa. Algumas delas, tais como o “aber” e o “denn” do alemão [em português, “mas” e “pois”] podem ser analisadas como atribuindo E para a primeira e R para a segunda expressão conectada (ou vice-versa, dependendo dos critérios usados; veja BLÜHDORN 2008c). Outras, tais como o “und” [and] e “oder” [or] [em português, “e” e “ou”], mais provavelmente não atribuem papéis relacionais aos seus coordenandos.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-edc44bbf802a566fcf75126d08d29b4f">
        <label>12</label>
        <p id="paragraph-d399f411ceee7c29eb73ba1fab66c082">Locuções são definidas por MATTOSO Câmara (1979, p. 120) como vocábulos fonológicos e mórficos distintos usados em bloco como uma unidade secundária.</p>
      </fn>
    </fn-group>
  </back>
</article>