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          <subject content-type="Tipo de contribuio">Ensaio teórico</subject>
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        <article-title>DA <italic id="italic-f4be41c396bfc2c60275b1d1c1bfcbf9">PANAFORIZAÇÃO </italic>À <italic id="italic-95339dbce728fda746dc82322781e190">METAFORIZAÇÃO:</italic></article-title>
        <subtitle>O CASO DE UMA PEQUENA FRASE <italic id="italic-c66d4cd6f9f6d232fcb47faa52edf85c">SEM EIRA NEM BEIRA </italic>TEXTUAL</subtitle>
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            <given-names>Roberto Leiser </given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) </institution>
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        <institution content-type="orgname">Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq</institution>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="31/12/2013" />
      <volume>12</volume>
      <issue>2</issue>
      <issue-title>DA PANAFORIZAÇÃO À METAFORIZAÇÃO: O CASO DE UMA PEQUENA FRASE SEM EIRA NEM BEIRA TEXTUAL</issue-title>
      <fpage>219</fpage>
      <lpage>248</lpage>
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        <date date-type="accepted" iso-8601-date="06/2013" />
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-ce3d5cdab803243cfe02ed5148c4287d">Neste artigo, apoiados na Análise de Discurso de base enunciativa, mais especificamente em Maingueneau (2010, 2011a, 2011b e 2012), procuramos analisar a irrupção, a retomada, a transformação e a circulação do enunciado de curta extensão “A esperança venceu o medo”, dado a circular pelos mais diversos suportes midiáticos brasileiros a partir do segundo semestre de 2002. De forma não tão exaustiva, estabelecemos como recorte temporal o período compreendido entre os anos de 2002 a 2012. Inicialmente, procuramos definir as características linguísticas e discursivas da expressão enunciado de curta extensão, diferenciando-o, por exemplo, de outros como slogan, provérbios, máxima, fórmula. Num segundo momento, descrevemos as características enunciativas desse fenômeno linguístico- discursivo. A seguir, discorremos sobre as características linguístico-discursivas que favorecem a retomada, a transformação e a circulação do enunciado. Em conclusão, por um lado, comentamos acerca dos determinantes genéricos e semióticos mobilizados pela mídia na retomada, transformação e circulação do enunciado em questão e, por outro, discutimos os diferentes acontecimentos discursivos engendrados por tais retomadas e circulação, entendendo o enunciado “A esperança venceu o medo”, por conta não só da sua ampla circulação, mas pelo fato mesmo de designar ao longo de mais de uma década, os mais diferentes acontecimentos discursivos, enquanto uma metaforização, que difere do conceito de panaforização, proposto por Maingueneau 2010.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-c9cc3b2a0452e1e2038f58e4142f1382">
          <italic id="italic-223308114f07a50f5706ec6e392f35ce">In this article, supported in Discourse Analysis of enunciative basis, specifically in Maingueneau (2010, 2011a, 2011b and 2012), we seek to analyze the eruption, recapture, transformation and circulation of the short extension phrase “Hope overcame fear”, given into circulation in several Brazilian media places, since the second semester of 2002. In a non-exhaustive manner, we established as time frame the period comprehend between 2002 and 2012. Initially, we seek to define linguistics and discursive characteristics of the expression short extension phrase, differentiating it from, for example, others as slogan, proverbs, maximum and formulas. Secondly, we describe the enunciative characteristics of this linguistic-discursive phenomenon. Next, we descant about linguistic-discursive characteristics that benefits recapture, transformation and circulation of the phrase. In conclusion, in one hand, we point out the generic and semiotics determinants mobilized by the media in recapture, transformation and circulation of the phrase, in the issue and, in the other hand, we discuss the different discursive events that begotten by these recaptures and circulation, comprehending the phrase “Hope overcame fear”, by not only in its huge circulation, but by the fact itself of designate during one decade, the most different discursive events, as a metaphorization, that differs from the concept of panaphorization, proposed by Maingueneau 2010.</italic>
        </p>
      </abstract>
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        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-f13d01a1b176b6384c5fde32bea0e118">Discurso</italic>
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          <italic id="italic-647107c71f9ddd1043f40cad612ede69">Enunciação aforizante</italic>
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          <italic id="italic-4897f2d8140e57f8b96fae37b49001bf">Metaforização</italic>
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          <italic id="italic-19d31b3a740b29bbc3cc344f7354f5a0">Mídia e política</italic>
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          <italic id="italic-ccb77347aef19dbb2d3aa8ca5e58cbc8">Panaforização</italic>
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    <sec id="heading-d5377435c009e0ae6e0e8125f3c1cd0d">
      <title><italic id="italic-a3b60fad24c7a6f9e33feab0b5194018">Primeiras </italic>palavras...</title>
      <p id="paragraph-2">Numa rápida procura pelo enunciado “A esperança venceu o medo”, no site de buscas <italic id="italic-37133a3d47add62ff0c026d84b65a60d">Google</italic>, é possível observar que irrompem pelo menos 822000 ocorrências. Essas ocorrências estão presentes nos mais diversos campos do saber: político, midiático, religioso; nos mais variados suportes: jornais e revistas impressas e digitais, vídeos, <italic id="italic-083404b8d587da4042f1c350a85a8f97">outdoors</italic>; nos mais variados gêneros discursivos: editoriais de jornais e revistas, artigos de opinião, propaganda política, letras de músicas, caricaturas, charges; na voz de diferentes sujeitos enunciadores: políticos, jornalistas, marqueteiros, religiosos e também são destinadas aos mais diferentes interlocutores. A alta recorrência do enunciado em questão nos mais variados campos do saber, suportes, gêneros; enunciadores e interlocutores evidencia que se trata de um fenômeno linguístico-discursivo digno de ser tornado objeto de estudo.</p>
      <p id="paragraph-5f6d6c46c609fb6b260fe44f7dd67d56">Neste texto, apoiados na Análise de Discurso de base enunciativa, mais especificamente em Maingueneau (2010, 2011a, 2011b e 2012), procuramos analisar a irrupção, a retomada, a transformação e a circulação do enunciado de curta extensão “A esperança venceu o medo”, dado a circular pelos mais diversos suportes midiáticos brasileiros a partir do segundo semestre de 2002. De forma não tão exaustiva, estabelecemos como recorte temporal o período compreendido entre os anos de 2002 a 2012. Inicialmente, procuramos definir as características linguísticas e discursivas da expressão enunciado de curta extensão, diferenciando-o, por exemplo, de outros como <italic id="italic-8a3fab6ab8c93c8c84979705d32c081e">slogan</italic>, provérbios, máxima, fórmula. Num segundo momento, descrevemos as características enunciativas desse fenômeno linguístico-discursivo. A seguir, discorremos sobre as características linguístico-discursivas que favorecem a retomada, a transformação e a circulação do enunciado. Em conclusão, por um lado, comentamos acerca dos determinantes genéricos e semióticos mobilizados pela mídia na retomada, transformação e circulação do enunciado em questão e, por outro, discutimos os diferentes acontecimentos discursivos engendrados por tais retomadas e circulação, entendendo o enunciado “A esperança venceu o medo”, por conta não só da sua ampla circulação, mas pelo fato mesmo de designar ao longo de mais de uma década, os mais diferentes acontecimentos discursivos, enquanto uma metaforização, que difere do conceito de panaforização, proposto por Maingueneau 2010.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-907f6dee8807f9a1a6da4731372e9e6b">
      <title>1 Sobre a enunciação aforizante...</title>
      <p id="paragraph-1">Poucas pessoas hoje em dia contestam a ideia de que o texto constitui a única realidade empírica com a qual os linguistas lidam: unidades como a frase ou a palavra são necessariamente retiradas de textos. O texto é, de fato, a contraparte do gênero do discurso, que é o quadro de toda a comunicação imaginável. Maingueneau utiliza aqui o termo “gênero do discurso” para atividades como o registro de nascimento, o debate televisivo, o sermão, etc. O teórico francês associa frequentemente essa posição a Mikail Bakhtin, em partic ular a seu artigo intitulado “Problemas dos gêneros do discurso”, escrito em 1952-1953.<xref id="xref-261954caad0fa9068b669dbb761c3336" ref-type="fn" rid="footnote-64f2806926a5eca62fbb79589e78102a">1</xref></p>
      <p id="paragraph-40a3a2e91bd6820b2069253cb9bbc29f">Todavia um problema se coloca quando é preciso tratar de enunciados que se apresentam fora do texto, geralmente constituídos de uma única frase. Esses enunciados são chamados por Dominique Maingueneau de “enunciados destacados”. Eles são de tipos muito diversos: <italic id="italic-b52dbacf611ba62a2d5d3518b38f796f">slogans</italic>, máximas, provérbios, títulos de artigos da imprensa, dicções, intertítulos, citações célebres, etc. Para o pesquisador francês, devem-se distinguir duas classes bem diferentes, segundo o seu “destacamento”: 1) é <italic id="italic-6114b7f5463c9bfe1ffc3b479b739b7d">constitutivo</italic>: é o caso em particular das fórmulas (provérbios, <italic id="italic-492592a049c0d9c07c37cef20471bd85">slogans</italic>, divisas...) que por sua própria natureza são independentes de um texto particular; 2) ou <italic id="italic-4">resulta da extração </italic>de um fragmento de texto: quando nos encontramos em uma lógica de citação.</p>
      <p id="paragraph-3">Essa extração não acontece de maneira indiferenciada sobre todos os constituintes de um texto, pois frequentemente o enunciador <italic id="italic-5">sobreassevera </italic>alguns de seus fragmentos e os apresenta como <italic id="italic-6">destacáveis</italic>. A sobreasseveração é uma modulação de enunciação que procura alçar um fragmento como candidato a uma des-textualização. Trata-se de uma operação de destaque do trecho que é realizada em relação ao restante dos enunciados, por meio de marcadores diversos: de ordem aspectual (generecidade), tipográfica (posição de destaque em uma unidade textual), prosódica (insistência), sintática (construção de uma forma pregnante), semântica (recurso aos tropos), lexical (utilização de conectores de reformulação)...</p>
      <p id="paragraph-fc574e725e7c1ca4f2b2d79b9e90a38e">A comparação entre os enunciados destacados e sua contraparte – sobreasseverados ou não – no texto em que são extraídos mostra que na maioria das vezes o enunciado quando é destacado sofre uma alteração. Essa alteração pode ser mais ou menos importante.</p>
      <p id="paragraph-65b409012346dbf50f0c42af886cedbf">Nesse sentido, quando em seu editorial, o jornal <italic id="italic-d9a15f6fd057004043d43fa661804dd5">Estadão </italic>destaca da propaganda eleitoral de Marta Suplicy, nas eleições municipais de São Paulo em 2008, duas das nove perguntas que a locutora fez ao seu oponente Gilberto Kassab, essas perguntas, sobreasseverações na fala da então candidata, se transformam numa aforização com ampla circulação nos mais diversos suportes midiáticos:</p>
      <fig id="figure-panel-e0f068b3ef8cd11d8bf23d2a3caedb91">
        <label>Figure 1</label>
        <caption>
          <title>FIGURA 1: Propaganda eleitoral de Marta Suplicy: eleições municipais de São Paulo - 2008</title>
          <p id="paragraph-2d8c696350b3a8aa190af1154b494fa7" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-fb255567240be3caed31db9c241ac450" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-12_09-19-08.png" />
      </fig>
      <fig id="figure-panel-227bd70a92a5a06b637c0926bcb76567">
        <label>Figure 2</label>
        <caption>
          <title>FIGURA 2: Editorial do <italic id="italic-6d31aad9794488e752e3669a22992ff1">Estadão </italic>de 25/10/2008</title>
          <p id="paragraph-1264d9a01c107f7baae4d550184d2bcb" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-cf1f474489dc988784e0b6f261e71e7b" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-12_09-20-50.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-dc3cee627c126c311fd7b480e5637c0d">No entendimento de Maingueneau, essas divergências entre o contexto fonte e o destacamento são reveladoras de um estatuto pragmático específico para os enunciados destacados. Esses últimos revelam, com efeito, um regime de enunciação que o teórico francês propõe chamar “enunciação aforizante”. Nesse sentido, no entendimento de Dominique Maingueneau entre uma “aforização” e um texto não existe uma diferença de tamanho, mas de ordem. Esquema a seguir ilustra as duas ordens enunciativas propostas por Maingueneau:</p>
      <fig id="figure-panel-c90a7ddd74b99e05c8fcea957c4f5023">
        <label>Figure 3</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-59bba1a7ad84c49b2dcb04191dde5a70" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-a3f5bb2b38f810b81271b25593d9cba3" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-12_09-47-51.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-2969d2e9ef43f6809a3d3290b327c4a1">Por meio da aforização o locutor se coloca além dos limites específicos de um determinado gênero do discurso. O « aforizador » assume o ethos do locutor que fala do alto, de um indivíduo em contato com uma Fonte transcendente, ele não se dirige a um interlocutor colocado no mesmo plano que ele e que poderia responder, mas a um auditório universal. Ele supostamente enuncia a sua verdade, subtraindo toda a negociação, exprime uma totalidade vivida: seja uma doutrina ou uma certa concepção de existência. Por intermédio da aforização vê-se coincidir <italic id="italic-acf73af39dc4f74a399303c794b65617">sujeito da enunciação </italic>e <italic id="italic-6fe5d81991ffbf34b4720f028156b94b">Sujeito </italic>no sentido <italic id="italic-ffd22f1aa58b1a4eee3e3bde35764ba9">jurídico e moral</italic>: alguém que se coloca como responsável, afirmando valores e princípios diante do mundo, se dirigindo a uma comunidade para além dos locutores empíricos que são seus destinatários.</p>
      <p id="paragraph-baaf0f2247b957ce516e78af19dd94e8">Entretanto, este é o ponto central do problema, o aforizador não é um locutor, o suporte da enunciação, mas uma consequência do destacamento. Quando se extrai um fragmento de texto para fazer uma aforização, convertemos <italic id="italic-191f3503cdb7a0e8a7de84628d3eb7d5">ipso facto </italic>seu locutor original em aforizador.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-1">
      <title>2 A panaforização...</title>
      <p id="paragraph-cc2c40903c3e99cc8eefc4b41944e1f9">O desenvovimento recente de uma configuração midiática totalmente nova, que associa diretamente a mídia impressa, o rádio, a televisão, a internet e a telefonia móvel permitiu aumentar para níveis sem precedentes o destacamento e a colocação em circulação das aforizações.</p>
      <p id="paragraph-f419b1574d7989c1e002eb5964497d63">Com efeito, um certo número de aforizações são tomadas em um processo de tipo pandêmico: durante um período curto é possível observar a circulação dessas aforizações em todas as mídias e às vezes com uma frequência muito elevada, com estatutos muito diversos: título de um artigo de jornal ou de uma página da internet, frase que circula na parte de baixo do monitor de um canal de informação televisiva, título de um vídeo sobre o Youtube, etc. Como exemplos Maingueneau cita o enunciado « Que vergonha, Barack Obama »<xref id="xref-f8a6e03b0c26369463e5ccef2864f7b2" ref-type="fn" rid="footnote-54255d8d3ed29546caa7cb1e0bd06fe8">2</xref>, proferido por Hillary Clinton nas eleições presidenciais americanas de 2008, e o enunciado de Sílvio Berlusconi: « Obama é jovem, belo e bem bronzeado »<xref id="xref-873260ca28d28086c5d5a5468c1ecc1c" ref-type="fn" rid="footnote-e3dbab19fef95bed530709113ccbad43">3</xref> (06 de novembro de 2008). Nesses casos, segundo Maingueneau, pode-se falar de uma « panaforização », termo que combina o <italic id="italic-991e13f39c28a932f36df1381e7a0ad0">pan </italic>« pandemia » e « aforização ». A panaforização figura nas manchetes dos jornais, se infiltra nas conversaçãoes ordinárias, suscita debates de todas as espécies nas mídias : sobre os fóruns, os talk-shows televisivos, no correio dos leitores, etc. Antes de desaparecer é substituída por outras. A efemeridade e amapla circulação são os seus traços mais marcantes.</p>
      <p id="paragraph-4">Em regra geral, a panaforização passa pelas notícias das agências de imprensa. O texto a seguir é uma notícia da Agência <italic id="italic-d5caa1a5db3fb03d121a408bff9bc6b6">Reuteurs</italic>, consagrada a aforização de Berlusconi. Para Maingueneau ela consagra triplamente o estatus de panaforização do enunciado destacado: pelo título da notícia, pela relativa, «que é jovem, bonito e também bronzeado»<xref id="xref-06669367a1a1ba4fac0bec3dbdcd3bc4" ref-type="fn" rid="footnote-0b67cb01e2fb8a22758d75d36c481eed">4</xref>, colocada em final de citação e pela conclusão: «sua observação rapidamente apareceu em áudio e impressa em grandes sites de mídia ao redor do mundo»<xref id="xref-033b7c78e71a54c7300d1f7c44bcee5f" ref-type="fn" rid="footnote-056a41639772017246761250888dff28">5</xref>. Isso possibilita, de fato, o efeito de aumentar ainda mais a difusão dessa panaforização.</p>
      <p id="paragraph-ae7be66230a83e3a141e6d58ae474359"> .</p>
      <p id="paragraph-7e0ae8f56508e54a92a60b3bcfdfa294">
        <italic id="italic-5575dd0fc2e2eacfddfdb85e99a6c81b">Berlusconi da Itália elogia “bronzeado” de Obaima<xref id="xref-d85374e0c53a3a5690637af884742188" ref-type="fn" rid="footnote-91c3354b607194cefd004672258edb38">6</xref> Qui, 06 de novembro de 2008 16:45 EST</italic>
      </p>
      <p id="paragraph-5">
        <italic id="italic-88934199daa752eba0f5c6944e7ee48b">MOSCOU (<underline id="underline-0f0d6c9637a8cbc266fbff83e6a05cc5">Reuters</underline>) – O primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, fez uma entusiasmada, senão original saudação, na quinta, à eleição de Barack Obama, citando entre seus atributos, a juventude, a boa aparência e o bronzeado.</italic>
      </p>
      <p id="paragraph-6">
        <italic id="italic-0c4c92c21a4ed69395429d6ca2704898">Falando em uma conferência de imprensa conjunta com o presidente russo, Dimitry Medvdev em Moscou, o magnata da mídia de 72 anos, também disse que a eleição de Barack Obama à Casa Branca foi “saudada pela opinião pública mundial como a chegada de um messias” “Tentarei ajudar as relações entre a Rússia e os Estados unidos, onde uma nova geração chegou ao poder, e não vejo problemas para Medvdev estabelecer boas relações com Obama, que é bonito, jovem e também bronzeado,” disse ele.</italic>
      </p>
      <p id="paragraph-f1acf26836e8b63ab28ae66c04245ace">
        <italic id="italic-5da3c4a2da6b1cead90958dd8c30a91b">Berlusconi, que se orgulha de si mesmo por ser amigo do presidente que se afasta, George W. Bush, não se importou com a enxurrada de críticas na Itália à sua observação, que apareceu rapidamente impressa e em áudio nos maiores sites de mídia ao redor do mundo.</italic>
      </p>
      <p id="paragraph-e48f91723bd494bdfaaca64843cc6973">Outro exemplo que ilustra bem o funcionamento da panaforização é a frase <italic id="italic-5b2a2f3c441f078dc4e04ef5ba8462f8">“Vada a bordo, cazzo”, dita pelo comandante Gregório De Falco da capitania do Porto de Livorno na Itália ao capitão do navio Costa Concórdia Francesco Schettino em 11 de janeiro último quando do naufrágio da embarcação. Depois de proferida, em instantes essa frase foi destacada de seu contexto original de produção e passou a circular nos mais diversos gêneros e suportes midiáticos mundiais.<italic id="italic-a1e26b1b61bab33ec937d2d310743c1d"/></italic></p>
      <fig id="figure-panel-19f1cad64f083e3ac815cf8e7e32ea02">
        <label>Figure 4</label>
        <caption>
          <title> FIGURA 3: Matéria publicada na Folha de S. Paulo Online em 18/01/2012</title>
          <p id="paragraph-f93a0a0f31a0d36429fabaa292d1ac71" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-5e99d8ecd052edd4da4721d4e2cba492" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-12_10-02-05.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-af962f8aaf932f4ec40f0fc513c8f5ce">A matéria anterior, que fala da transformação do enunciado <italic id="italic-ab4f199d7941f0ad8327c9318061e14b">“Vada a bordo, cazzo” em bordão de camiseta, publicada no site da Folha Online em 18/01 deste ano, alguns dias após o naufrágio do navio Costa Concórdia, </italic>nos dá uma boa dimensão do quanto essa frase do capitão Gregório De Falco ganhou rapidamente em circulação, se constituindo numa panaforização. Entretanto, poucos dias depois de proferida essa frase deixou de frequentar os suportes midiáticos.</p>
      <p id="paragraph-6be0d7de9de4a5d923daba773806f84c">Outro exemplo de panaforização pôde ser observado a partir da ampla circulação no cenário midiático brasileiro e internacional da música “Aí se eu te pego”, de Michel Teló:</p>
      <fig id="figure-panel-424d7b1ae6db15c88a1ea6e7c9515b16">
        <label>Figure 5</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-08d9f38cfebd5e9dbbeb884a36e96cdf" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-862d530204c81b37e49c4e4a69165cd7" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-12_10-19-32.png" />
      </fig>
      <fig id="figure-panel-637a65508946300326e887311588ab88">
        <label>Figure 6</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-672af693823dc289a3d897f92e3eff3d" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-d221cb3b474e00054aa5d01a4a70c6db" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-12_10-25-37.png" />
      </fig>
    </sec>
    <sec id="heading-6e12fca4bb2e6ddf01b51d530e429d99">
      <title>3 Adentrando nas análises: um pouco de metodologia...</title>
      <p id="paragraph-dba21b1046d21161e02fb7aa7547b7c4">Segundo Courtine (2007, p. 125), em Análise do Discurso de orientação francesa há basicamente “duas possibilidades de tratamento de <italic id="italic-613b4945491104e1e0fe0dafe84d3c0f">corpora”</italic>. Por um lado, é possível trabalhar com <italic id="italic-4aee43dfc161182dbc2caf709258f96c">corpus </italic>de base experimental, ou seja, com questionários dirigidos a um interlocutor em uma situação específica, por exemplo, e, por outro, com <italic id="italic-964ef6157db48cddf5e360b0c30509ef">corpus </italic>de base arquivística, isto é, com um conjunto de textos institucionais, semelhantes aos mobilizados pelos historiadores. Importante salientar que os <italic id="italic-73565703867fe18e5b87033c0764de6a">corpora </italic>em Análise do Discurso não são dados <italic id="italic-5358e14fa97cceb106af6c2c978abb72">a priori</italic>. A questão de pesquisa é que determina a maneira mesmo como os <italic id="italic-cf3967500c3a33ce65737abbb179f0f0">corpora </italic>serão montados e frequentados.</p>
      <p id="paragraph-3ff28a8679dc7dfc6e68a9b23340a321">Ampliando a discussão sobre o tratamento de diferentes tipos de <italic id="italic-7">corpora </italic>em Análise de Discurso<italic id="italic-8">, </italic>Maingueneau (2007) nos diz que as unidades fundamentais com as quais trabalham os analistas do discurso são formação discursiva, gênero de discurso e posicionamento. Entretanto, na grande maioria das vezes a articulação dessas unidades – e mesmo sua compatibilidade – não são explicitadas pelos analistas.</p>
      <p id="paragraph-92b994a99eccd6615f603a90375b3616">No intuito de melhor compreender tais unidades, Dominique Maingueneau (2007) propõe pensá-las em dois grandes grupos: unidades Tópicas e unidades Não-Tópicas. Das primeiras fazem parte as unidades Territoriais e as unidades Transversas das segundas fazem parte as Formações discursivas e os Percursos. Das unidades Territoriais, por sua vez, fazem parte os tipos e os gêneros de discurso, subdivididos em gêneros de campo e gêneros de aparelho e, das unidades Transversas fazem parte os registros: linguísticos, funcionais e comunicacionais.</p>
      <p id="paragraph-88c36e40419c757ee9a4968de48ae14a">O quadro a seguir, retirado de Maingueneau (2007), resume os diferentes tipos de unidades com as quais trabalham os analistas do discurso.</p>
      <table-wrap id="table-figure-e0dd12f7a16a72a2d7d172566ef46474">
        <label>Table 1</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-9da6c22c0bee60ae0e12ff855d6db7b0" />
        </caption>
        <table id="table-419542718d33e46b569c3f1d4a08175e">
          <tbody>
            <tr id="table-row-e1bad9f4e0fe22f09687de55193da460">
              <th id="table-cell-e6a6dd5c93bca13c65627793653c14c2" colspan="2">unidades tópicas</th>
              <th id="table-cell-1cc243414dd127c0d065d46423f44979" colspan="2">unidades não tópicas</th>
            </tr>
            <tr id="table-row-82a115acf8c5e1f9fe6e4d2c11fb0b7b">
              <td id="table-cell-9f357855584b2500f4f5d9f2f187f3ad">Tipos / Gêneros de discurso</td>
              <td id="table-cell-55da5e8eff5eaf556c5494adf65f4157">
                <italic id="italic-d169946446b340b6800d6f130822a4ac">Transversas</italic>
              </td>
              <td id="table-cell-6c4abffd932ba43286c4ca3c58d82e2f">Formações discursivas</td>
              <td id="table-cell-1db6d2e2524bc2e50d27657e586e9343">Percursos</td>
            </tr>
            <tr id="table-row-7fdf43e2e6475310c0d23ad1b4f88efb">
              <td id="table-cell-728d96f3177c1734cdde0278d3476d45">--------------------------------</td>
              <td id="table-cell-0018e61a9b07f45fa95df24a79769846" />
              <td id="table-cell-a803e6162be079e85b9affa13a97e7da" />
              <td id="table-cell-c5ce05b825a91c37bde2c05807a94de8" />
            </tr>
            <tr id="table-row-f81e4c6d5ded1bf76336a16ac75b5639">
              <td id="table-cell-ab54d707b7fe50ae9c2beb8e6d26e91e">a) Gêneros dependentes de campos</td>
              <td id="table-cell-1ddf7786942623b6e795f24cc564870d">-Registros linguísticos</td>
              <td id="table-cell-145a94d6182d9e88fadc56e73a7e158a" />
              <td id="table-cell-f805e58f5ac749ea64242921d5d24562" />
            </tr>
            <tr id="table-row-425aec2a1e1dccffa532f43879a408e7">
              <td id="table-cell-81f4bd4ca2e31d284f68116aac63c835">b) Gêneros dependentes de aparelhos</td>
              <td id="table-cell-af80b1c46156f2aea6adca181a509d26">- Registros funcionais</td>
              <td id="table-cell-870e953e2f31b38ca7192c9dccd02977" />
              <td id="table-cell-105c1541c4b5bfd0497d554130998eaa" />
            </tr>
            <tr id="table-row-6ef27a82fc12b8a3e0721bf87e4125f7">
              <td id="table-cell-c31eefa9508404a83cc2737d853d09f9" />
              <td id="table-cell-21ace6c3a6e1f9eb752ba9b3fe7eb022">- Registros comunicacionais</td>
              <td id="table-cell-d581fdcac5ad608d543fd288dfb74128" />
              <td id="table-cell-54e5382365ec938dbbafab4fe77b14cb" />
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-0b5ebba400c6d0ce179e8e3832596b41">Nosso trabalho trata então, por sua de sua temática mesmo, de unidades não-tópicas. Todavia, não de formações discursivas, pois unidades como “o discurso sobre a pedofilia”, «o discurso racista», «o discurso pós-colonial», «o discurso patronal», por exemplo, não podem ser delimitadas por fronteiras que não sejam as estabelecidas pelo pesquisador (MAINGuENEAu, 2007, p. 32.). Trabalhamos com os percursos. Por essa categoria Maingueneau (2007, p 32-3) entende:</p>
      <p id="paragraph-e64da075959bac95c3bb38180860a313" />
      <p id="paragraph-a8698e398e98c0cc5a8387223f81daf5">
        <italic id="italic-a1479a4fd9c6dc3475bac3c5451c2539">Os analistas do discurso podem ainda construir <underline id="underline-e7b00d6e36673b2b27e52d437a85484d">corpus </underline>de elementos de diversas ordens (palavras, grupos de palavra, frases, fragmentos de textos) extraídos do interdiscurso, sem buscar construir espaços de coerência, ou seja, sem procurar constituir totalidades. Nesse caso, deseja-se, ao contrário, desestruturar as unidades instituídas por meio da definição de <underline id="underline-ae2e763f19dab84d8f333adc5da6f7af">percursos </underline>inesperados: a interpretação se apóia, assim, sobre a explicitação de relações imprevistas no interior do interdiscurso. Esses percursos são hoje consideravelmente facilitados pela existência de <underline id="underline-cd49afd71a14962a15652f153c431b86">softwares </underline>que permitem tratar conjuntos de textos bastante vastos. Podemos prever percursos de tipo formal(certo tipo de metáfora, uma dada forma de discurso relatado, de derivação sufixal, etc.); porém, nesse caso, se não trabalhamos com um conjunto discursivo bem especificado, recaímos na análise puramente linguística. Podemos igualmente prever percursos baseados em materiais lexicais ou textuais: por exemplo, a retomada ou as transformações de uma mesma expressão em uma série de textos, ou então as diversas recontextualizações de um «mesmo» texto.</italic>
      </p>
      <p id="paragraph-80e124f073e234998bdfbfec5bae2b62">.</p>
      <p id="paragraph-d54e7964483a0e937167ca37275aac07">Com base na categoria metodológica de percurso, procuramos analisar a irrupção, a retomada, a transformação e a circulação do enunciado de curta extensão “A esperança venceu o medo”, dado a circular pelos mais diversos suportes midiáticos brasileiros a partir do segundo semestre de 2002. Conforme já enunciado, de forma não tão exaustiva, estabelecemos como recorte temporal o período compreendido entre os anos de 2002 a 2012.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-ee77b7043e2253203c658539413fba74">
      <title>4 As análises...</title>
      <p id="paragraph-1e2ddb751c2ae6fd7e7a2d70fd41e64c">A emergência desta pequena frase no cenário político brasileiro está a princípio ligada à irrupção do enunciado “<italic id="italic-213a95df3f2f412dfdae7434d8492c45">Estou com medo</italic>” e se deu no segundo semestre de 2002. À época o candidato do PT, Luís Inácio Lula da Silva e o candidato do PSDB, José Serra disputavam o segundo turno das eleições presidenciais de 2002. Na reta final de campanha, poucos dias antes das eleições, num dos programas de José Serra, no horário eleitoral gratuito, veiculado tanto na televisão quanto no rádio, a atriz Regina Duarte da Rede Globo de Televisão aparece em um vídeo de 59 segundos dizendo estar temerosa pelo fato de que o então candidato Lula poderia retroceder em relação às conquistas do Plano Real e de que não tirasse do papel nenhuma promessa social. A respeito desse medo disse Regina Duarte:</p>
      <fig id="figure-panel-b16ecd47112db23df35e367e3f729304">
        <label>Figure 7</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-d65eaf75faed5fcf3cd044727762ebc1" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-d9bc4798c51d6e022097e22380e06655" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-12_10-48-30.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-ede3c15fc1837df57c1a5009c379e288">Tudo o que ele dizia mudou muito. <underline id="underline-aeba8e38077e0e06b58448cdc12f8c75"><italic id="italic-6cead4eefea111f5787eb0471634214a">Isso dá medo na gente</italic>. <italic id="italic-829b3ff09480254a824a0fa6ec1fbe04">Outra coisa que dá medo é a volta da inflação desenfreada</italic></underline>. Lembra? 80% ao mês. O futuro presidente vai ter que enfrentar a pressão política nacional e internacional. E vem muita pressão por aí. É por isso que eu vou votar no Serra. Ele me dá segurança, porque dele eu sei o que esperar. Por isso eu voto 45. Voto Serra. <underline id="underline-c6ced5ab30340c66ebf3a2c730b42920"><italic id="italic-db769ae65336c2e5e488008db419ba2c">Voto sem medo</italic></underline>”. (grifos meus).</p>
      <p id="paragraph-efa7ea1b0b7c572390b8e8ef3a6918ec">.</p>
      <p id="paragraph-3ef06f363c143bf70e2b10d020bf263b">Após a veiculação da fala de Regina Duarte houve na mídia uma grande polêmica. Muitos artistas da própria Rede Globo de Televisão e outros atores sociais se manifestaram tanto contraria quanto positivamente em relação ao posicionamento de Regina Duarte. Para além e aquém das manifestações acerca da fala de Regina Duarte, a questão do medo da eleição de Lula se textualiza mais uma vez, sobretudo, por conta da potência da locutora, Regina Duarte, <italic id="italic-32e7dd669ed0fa5717e600b617145430">namoradinha do Brasil</italic>, atriz global...</p>
      <fig id="figure-panel-a920426f06825f5f8070c6deafc1b68e">
        <label>Figure 8</label>
        <caption>
          <title> FIGURA 6: Matéria publicada na Folha de S. Paulo Online em 27/10/2002</title>
          <p id="paragraph-7866b7b7b99bfc64084ecc0836a5b49e">O discurso do medo de Regina Duarte começa a ser polemizado, após a vitória de Lula. Tal tensão discursiva pode ser flagrada quando a <italic id="italic-124145087bfc024392d9762b3a2de228">Folha de S. Paulo </italic>publica como título da matéria “A esperança venceu o medo”, destaque da fala de Lula em pronunciamento’ em SP em 27/10/2002. Nesse caso, temos uma enunciação aforizante. Trata-se de uma aforização, pois a fala do enunciador Lula: “mais importante, a esperança venceu o medo e hoje posso dizer para vocês que o Brasil mudou sem medo de ser feliz” é destacada de forma sintetizada de seu cotexto original e transformada em título da matéria. Rapidamente essa frase passou a frequentar os mais diversos suportes.</p>
        </caption>
        <graphic id="graphic-674b393aaee9e026790201817d7686cf" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-12_10-50-36.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-4d82b935720b20fdf609dd47a182f4ca">É preciso levar em consideração, entretanto, que as condições interdiscursivas de produção da frase “A esperança venceu o medo” são o resultado de um diálogo não só com a fala de Regina Duarte no programa eleitoral de José Serra em 2002, mas também de uma <italic id="italic-8488a8597fa108c60a49fd95097058c0">conversa </italic>tanto com o slogan e o jingle de campanha do então candidato Lula do Partido dos Trabalhadores em 1989 quanto de uma série de discursos da grande mídia brasileira que à época (1989 e 2002) colocaram em circulação o discurso do medo.</p>
      <p id="paragraph-40a2cdde52dc1177a2ae9da09ec18525">Os textos a seguir nos mostram esse diálogo interdicursivo da frase em análise com o slogan e o jingle de campanha de Lula, bem com alguns textos da mídia que diziam do medo da eleição de Lula.</p>
      <fig id="figure-panel-92b5c2609e2267a1af67181c90bbea05">
        <label>Figure 9</label>
        <caption>
          <title>FIGuRA 7: Cartaz de campanha de Luís Inácio Lula da Silva: eleições presidenciais 1989</title>
          <p id="paragraph-45e4cb9ec747ff2c97b20df43c5c77a4" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-93ec4937620a0286c87b5fc8316df292" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-12_10-52-38.png" />
      </fig>
      <fig id="figure-panel-a0044574508635de9bb07e9a47e8a47a">
        <label>Figure 10</label>
        <caption>
          <title>FIGuRA 8: Capa da Revista Veja edição publicada em 02/10/2002</title>
          <p id="paragraph-2d1d67f6784a8e92e86a17aa7e283844" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-933ee7de632012826bed1159f34d1a00" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-12_10-54-01.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-1a2c7ba777d1eb048b0e796707da20c3">Os textos acima atestam que a irrupção da frase “A esperança venceu o medo” possui uma relação muito estreita com a memória interdiscursiva tanto do slogan e jingle de campanha de Lula em 1989 quanto dos discursos do medo propalados pela grande mídia: “Muito bem-feita a reportagem de capa sobre a possível e tenebrosa eleição de Luís Inácio Lula da Silva” e “Lula assusta não só porque mudou a “embalagem” e o conteúdo.” Com efeito, observemos mais um texto, desta vez a matéria da <italic id="italic-b8e8c7e033954b9b5ea999ec830edc26">Folha de S. Paulo </italic>sobre o discurso de posse de Lula em 01 de janeiro de 2003.</p>
      <fig id="figure-panel-247a9ee0815510a349ff4d70d8d6a6f3">
        <label>Figure 11</label>
        <caption>
          <title>FIGURA 9: Matéria publicada na Folha de S. Paulo Online em 01/01/2003</title>
          <p id="paragraph-ba95a86a30d7699f81fa5cc19d6f08f3" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-9e3aaeb10aed7a76b92fca515c50893c" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-12_10-54-30.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-aac5ec2f94c1110e33d3d8afaee4998c">Um exame um pouco mais minucioso acerca da fala de Lula presente na matéria acima: “A esperança finalmente venceu o medo e sociedade brasileira decidiu que estava na hora de trilhar novos caminhos”, nos mostra entre outras questões que o advérbio <italic id="italic-89852ecfbf2e70b601c78fb31e7e9ea6">finalmente </italic>evoca a memória interdiscursiva tanto do slogan e do jingle de 1989 quanto dos discursos do medo sobre a eleição de Lula. Esse dado linguístico, aparentemente pouco significativo, nos mostra a memória interdiscursiva beliscando a língua, fazendo o já-dito do medo e da esperança irromperem no dito.</p>
      <p id="paragraph-44f2a6c496d111837dd35144fedbcd2e">De lá para cá essa pequena frase “A esperança venceu o medo” passou a ter na mídia brasileira uma frequência elevadíssima. Tanto que é possível verificar a sua presença em contextos como o <italic id="italic-d98834dad5ad5b622a1f0b3954e09946">slogan </italic>de campanha da então candidata Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo em 2008 ou mesmo na fala do governador da Bahia Jacques Wagner quando da greve dos policiais em fevereiro deste ano.</p>
      <fig id="figure-panel-7d6a6427071ee6ab3575d458747b0ff0">
        <label>Figure 12</label>
        <caption>
          <title>FIGURA 10: Cartaz de campanha de Marta Suplicy, eleições municipais de São Paulo - 2008</title>
          <p id="paragraph-db6f349185a537d98bff38f80f6b0061" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-50b8e35cb2f698622f024378281e3bde" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-12_10-55-18.png" />
      </fig>
      <fig id="figure-panel-96238abbc64391022491cdf05097bb87">
        <label>Figure 13</label>
        <caption>
          <title>FIGURA 11: Matéria publicada na Agência Estado em 09/02/2002</title>
          <p id="paragraph-856deb56f9a05a5c5a037027b62f5026" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-e55d8072f1f56264473e5aa8b5626700" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-12_10-55-58.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-fdbbcf117df02046acd184215faadefd"> O <italic id="italic-ae2fd633ad9713ebe9ce700f989e9b12">slogan </italic>de campanha de Mata Suplicy “A esperança vai vencer de novo” e a fala de Jacques Wagner acerca da greve dos policiais baianos “A democracia venceu o medo”, para além da recorrência e transformação do enunciado em análise, nos mostra que ele designa os mais variados acontecimentos discursivos, isto é, com base em uma estrutura linguística quase invariável, ele possui uma capacidade discursiva ímpar de ser transportado para nomear os mais variados eventos.</p>
      <p id="paragraph-6d42b47b9b4f1bb82a651219df7965fd">Essa capacidade quase camaleônica de se transformar na designação dos mais diferentes eventos discursivos nos se(in)duz a asseverar que se trata de uma panaforização no sentido que Dominique Maingueneau dá a este conceito. Ou seja, uma frase que é tomada em um processo de tipo pandêmico: durante um período curto vê-se circular em todas as mídias e às vezes com uma frequência muito elevada, com estatutos muito diversos: título de um artigo de jornal ou de uma página da internet, frase que circula na parte de baixo do monitor de um canal de informação televisiva, título de um vídeo sobre o Youtube, etc.</p>
      <p id="paragraph-3abf58bf34c0ef4fd2c96de61e78dd37">Embora muito sedutora a proposta de Maingueneau para explicar a pandemia de certas frases na mídia em geral, cremos que a panaforização não dá conta de explicar a frase em questão. Cremos que o enunciado « A esperança venceu o medo » seja uma aforização de outra natureza. Dizemos isso pelo fato de que a panaforização possui um prazo de validade muito pequeno, ela é invariavelmente efêmera. Tomemos a frase proferida pelo comamandante do Porto de Livorno na Itália, Gergório De Falco « <italic id="italic-f400de215e149bc6141a98be47ec67c6">Vada a bordo, cazzo </italic>» embora tenha frequentado os mais variados textos em diferentes suportes midiáticos pelo mundo inteiro seu prazo de validade foi curto. Três meses depois da sua irrupção, já não se falava mais nessa frase. Ou mesmo a frase destacada da música de Teló, <italic id="italic-33f4e527a16d14f6983f57f4bb84b574">Ai se eu te pego</italic>, embora com uma circulção extremamente grande num certo período, ganhando inclusive outras materialidades como a coreografia realizada pelos jogadores do Real Madrid, poucos meses depois da sua irrupção, ela deixou de ser objeto constante de enunciação. Ao passo que a frase « A esperança venceu o medo » por ser de uma outra natureza, se mantêm no cenário midiático por quase 10 anos, significando os mais diferentes eventos discursivos. A matéria abaixo, publicada em 08 de novembro de 2008, atesta o anteriormente exposto.</p>
      <fig id="figure-panel-d5ab498c233fbdbc749943501cab1f2c">
        <label>Figure 14</label>
        <caption>
          <title> FIGuRA 12: Matéria publicada no site www.bloguerbyblogspot.com em 08/11/2008</title>
          <p id="paragraph-69ffe5bbb698d6b3d974a148411c09ef" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-3b7e8b2a1191147884e5a9aed6558d36" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-12_10-56-58.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-dbf1b875dcf13038bd3cc02c1d9c45df">Embora entre a eleição de Lula em 2002 e a eleição de Obama em 2008 seja possível identificar alguns traços de sentido similares, as diferenças entre os dois pleitos é bastante acentuável. Todavia, a frase que a mídia destacou do pronunciamento de Lula, logo após a sua vitória em 2002, é transportada para outro contexto e passa a dar sentido a este último contexto com os mesmos valores positivos da irrupção inicial: “A esperança venceu o medo”; “Obama é o primeiro presidente negro da história dos Estados unidos”.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-ec24f02f50dfa16caa424f9daaa2824a">
      <title><italic id="italic-d9e2eeb1ac86786086673344dc4ed1b9">Sloganizadas </italic>conclusões : <italic id="italic-1f9b93181aee92e2cde62c1790179695">a metaforização</italic><bold id="bold-4">...<bold id="bold-5"/></bold></title>
      <p id="paragraph-d04ac32ea36f239e82c535e9c25603ef">Diante das diferenças expostas propomos que a frase em análise « A espernça venceu o medo » se constitui numa <italic id="italic-6c69c86fc58afb5072fa118593ef57be">metaforização</italic>: uma palavra valise que une metáfora e aforização. Trata-se de uma pequena frase que assume o caráter de uma metáfora com intensa circulação, ou seja, uma frase que se presta por conta da sua constituição linguístico-discursiva (pregnância linguística e de sentidos) a estabelecer uma analogia de sentidos entre diferentes acontecimentos discursivos. Assim, “A esperança venceu o medo”, metaforiza tanto a vitória de um operário, ligado ao Partido dos Trabalhadores, nas eleições presidenciais 2002, quanto as eleições municipais de São Paulo em 2008, enquanto <italic id="italic-319d4ed6727ac844315e54d52ab014ae">slogan </italic>de campanha ou mesmo a eleição de Barak Obama nos Estados Unidos. No nosso entendimento trata-se de uma frase <italic id="italic-a615ce5ab9fde258d65f5741ddd2d42f">prét-a-désignér</italic>, pois está pronta a significar diferentes acontecimentos discursivos. Nesse sentido enquanto a panaforização é fruto do rumor e da agitação momentâneas a metaforização é o resultado de uma constância enunciativa, que permanece circulando por muitos anos.</p>
      <p id="paragraph-98493aafa01133599d97da83bbe8b20d">Desse modo, de acordo com heteroreferencialidade acontecimental da frase em análise, propomos repensar o esquema vetorial proposto por Maingeneau 2010.</p>
      <fig id="figure-panel-d8d654f3636456efe230b9550f3619b3">
        <label>Figure 15</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-f25e802ff75a72a4dacd284b8af8f316" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-516f535db6663cc04aaea19a3889890b" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-07-12_10-57-57.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-3a404205912e6c1342dd74bd0cef76f8">A grande circulação da pequena frase “A esperança venceu o medo”, em diferentes contextos e na boca de distintos enunciadores, inscritos nos mais variados posicionamentos ideológicos e destinada aos mais diversos interlocutores, nos permite propor algumas alterações na teoria de Maingueneau (2010) sobre a Enunciação Aforizante. Nesse sentido, propomos que a enunciações destacadas por natureza sejam pensadas enquanto aforizações, já as destacadas de um texto sejam pensadas enquanto aforizações, panaforizações (Maingueneau, 2011) e <italic id="italic-f948476554c80b40e089945db7dac4ad">metaforizações</italic>.</p>
      <p id="paragraph-a8318c44b32aac21d62608ec23050e6b">Como efeito de fim, retomo o título deste artigo “Pequenas frases <italic id="italic-e1807aeed7c382bc88b9c71513b00052">sem eira nem beira</italic>” para dizer que não se trata de um recurso retórico em meu texto, que visa despertar a curiosidade do leitor, mas de uma resposta a uma questão anterior: como podemos lidar como uma frase que durante quase dez anos vem frequentando os mais diversos textos sem se prender a nenhum deles? Que recursos linguísticos e discursivos ela mobiliza para frequentar distintos acontecimentos discursivos significando-os? Defendo que essa frase é um bom exemplo de <italic id="italic-a93d2f6dbae47d2387f5fd49277b40e6">metaforização</italic>: um enunciado que possui uma capacidade quase proverbial, tal qual o <italic id="italic-b26de7c43d0e9702b10dcc370e856932">sem eira nem beira</italic>, de se referir a distintos acontecimentos discursivos ao longo da história sem se prender definitivamente a nenhum deles.</p>
    </sec>
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        <label>1</label>
        <p id="paragraph-c387cc7ef0a09ca4437b3aa14b8edfd7">Tradução brasileira. BAKHTIN, M. “Gêneros do Discurso”. In: <italic id="italic-442cdc9188971cda3eb5428f59127257">Estética da Criação Verbal</italic>. São Paulo: Martins Fontes, 1992.</p>
      </fn>
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        <label>2</label>
        <p id="paragraph-a2a784be2046068a31d9bc8826d6b5a2">No original em inglês « Shameonyou, Barack Obama ».</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-e3dbab19fef95bed530709113ccbad43">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-ec6c5dab2ebae6d03b7cf6ae12bfdcde">No original em italiano (E giovane, bello, e ancheabbronzato »).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-0b67cb01e2fb8a22758d75d36c481eed">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-49485678d8b293e847b9ce0482d429a6">No original em ingles who is handsome, young and also suntanned.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-056a41639772017246761250888dff28">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-840c5f62510fa7b55a7e0e50e8afe24f">No original em ingles “his remark quickly appeared in print and audio on major media websites around the world”.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-91c3354b607194cefd004672258edb38">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-e1ddc57d5bb86fb43e01116f78dccc10">No original em inglês: Italy’s Berlusconi hails “suntanned” Obama</p>
        <p id="paragraph-64860df7bec790eaa7abe22979640c0b">Thu Nov 6, 2008 4:45pm ESTMOSCOW (Reuters) - Italian Prime Minister Silvio Berlusconi gave an enthusiastic, if unconventional, welcome on Thursday to the election of Barack Obama, citing among his attributes youth, good looks and a suntan. Speaking at a joint news conference with Russian President Dmitry Medvedev in Moscow, the 72-year-old media tycoon also said Obama’s election to the White House had been “hailed by world public opinion as the arrival of a messiah.” “I will try to help relations between Russia and the united States where a new generation has come to power, and I don’t see problems for Medvedev to establish good relations with Obama who is handsome, young and also suntanned,” he said. Berlusconi, who prides himself on being a friend of outgoing u.S. President George W. Bush, shrugged off a barrage of criticism in Italy as his remark quickly appeared in print and audio on major media websites around the world.</p>
      </fn>
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          <chapter-title><bold id="bold-6c69f9e008bb9a2d7351be84baa5918d">La syntaxe publicitaire: </bold><italic id="italic-2c960e79c2c657340d169723b5b6d70a">e</italic>ntre sciences du langage et sciences de la communication</chapter-title>
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