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          <subject content-type="Tipo de contribuição">Artigo</subject>
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        <article-title>A EXPRESSÃO VARIÁVEL DO FUTURO VERBAL NA ESCRITA: BRASIL E PORTUGAL EM CONFRONTO</article-title>
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            <surname>Oliveira</surname>
            <given-names>Josane Moreira de</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS)</institution>
      </aff>
      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="31/12/2011" />
      <volume>10</volume>
      <issue>3</issue>
      <fpage>367</fpage>
      <lpage>383</lpage>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-2c5614e1cbe2767f74e2ec2f71ed6b39">Em português, a expressão do futuro verbal é variável e apresenta as variantes: a) futuro simples (viajarei amanhã); b) futuro perifrástico com ir + infinitivo (vou/irei viajar amanhã); </italic>
          <italic id="italic-c5c14ea05193d6d2bf5efb8b22d4c15f">c) presente do indicativo (viajo amanhã). Vários estudos têm atestado esse fenômeno ao longo da história da língua portuguesa e apontam para a implementação da forma perifrástica como possível substituta da forma de futuro simples. Este artigo, seguindo a linha da sociolinguística laboviana, compara dados do português brasileiro e do português lusitano coletados em jornais do século XXI, para verificar se o fator geográfico interfere nesse fenômeno.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="_paragraph-2">
          <italic id="italic-1">In Portuguese, the future tense is variable and presents these variants: a) simple future (viajarei amanhã); b) periphrastic future with ir + infinitive (vou/irei viajar amanhã); c) present (viajo amanhã). </italic>
          <italic id="italic-2">There are many studies of this phenomenon along the history of the Portuguese that show the implementation of the periphrastic form like a possible substitute of the simple future form. This paper, following the labvian sociolinguistics, compares tokens of Brazilian portuguese and Portugal portuguese from newspapers of the 21th century, to </italic>
          <italic id="italic-3">verify if the geographic factor is important in this phenomenon.<italic id="italic-4"/></italic>
        </p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-beef15fef05383b8f07cfd1e7d10f6b4">Future Tense</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-47fd993c7b3a95c894e148f2bbaab7e9">Sociolinguistics</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-134651b066563ad6524527ead4720f9d">Variation and Change</italic>
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      </kwd-group>
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    <sec id="heading-3ab6b12c2072d83fdb649215e829cb8c">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-1">Em língua portuguesa, a expressão do futuro verbal é variável e pode ser realizada das seguintes formas: a) futuro simples (viajarei amanhã); b) futuro perifrástico com ir + infinitivo (vou viajar amanhã ou irei viajar amanhã); c) futuro perifrástico com haver + infinitivo (hei de viajar amanhã ou haverei de viajar amanhã); d) presente (viajo amanhã).</p>
      <p id="paragraph-2">Vários estudos têm atestado esse fenômeno variável ao longo da história da língua portuguesa e apontam para a implementação da forma perifrástica com ir + infinitivo como possível substituta da forma de futuro simples (LIMA, 2001; MALVAR, 2003; OLIVEIRA, 2006).</p>
      <p id="paragraph-3">A forma perifrástica com ir + infinitivo, embora documentada já no século XIV, parece ganhar espaço no século XIX e só no século XX passa a ser mais utilizada, pelo menos na língua falada, ocupando o espaço antes preenchido pela perífrase com haver de + infinitivo, principal concorrente do futuro simples até o século XIX (OLIVEIRA, 2006).</p>
      <p id="paragraph-4">Este artigo, comparando dados do português brasileiro e do português lusitano coletados em jornais do século XXI de Portugal e do Brasil, mostra uma análise contrastiva dessas duas variedades para verificar se o fator geográfico interfere nesse fenômeno.</p>
      <p id="paragraph-5">Para tanto, seguindo a linha da sociolinguística laboviana, são consideradas as ocorrências de expressão do futuro verbal em dois jornais de Lisboa (O Público e Correio da Manhã) e em dois jornais de Salvador – Bahia (A Tarde e Tribuna da Bahia), periódicos direcionados, em ambas as cidades, respectivamente, a um público mais elitizado e a um público mais popular.</p>
      <p id="paragraph-6">Nesta pesquisa, são controlados fatores linguísticos e extralinguísticos e considera-se a hipótese da gramaticalização, nos moldes propostos por Hopper &amp; Traugott (2003), da forma perifrástica com ir + infinitivo.</p>
      <p id="paragraph-7">Objetiva-se, assim, verificar em que estágio se encontra o processo de mudança futuro simples &gt; futuro perifrástico na escrita considerada padrão e que fatores atuam em cada uma das variedades consideradas (Brasil e Portugal).</p>
    </sec>
    <sec id="heading-caa5077c4cd5b14150cb373308670c4d">
      <title>1. Quadro teórico</title>
      <p id="heading-efedbb11ab1be42d4ef6c17f5a540984">A sociolinguística variacionista pressupõe que a variação é inerente a toda e qualquer língua e não é aleatória ou fortuita. Ao contrário, é condicionada por fatores linguísticos e sociais. Ou seja, tanto a variação como a mudança linguísticas têm ligações estreitas com fenômenos extralinguísticos que as condicionam.</p>
      <p id="paragraph-75e0869d8e94d37590e3f5aa06874f00">O funcionalismo linguístico analisa a língua enquanto fenômeno comunicativo e discursivo. Sendo a noção de tempo uma categoria linguística e suas relações com o tempo cronológico uma função da comunicação e do discurso, uma abordagem funcionalista pode embasar teoricamente a análise da expressão de futuro no português, que pode ser realizada através de formas simples (futuro simples ou desinencial e presente) ou de formas analíticas/perifrásticas (<italic id="italic-c64e268ab0c54affb0afb4aed32add71">haver de </italic>+ infinitivo e <italic id="italic-da33aebab459513cd5af97ebe2deb917">ir <italic id="italic-c47042b70e26c6ea63ff6721de9e4086"/></italic>+ infinitivo).</p>
      <p id="paragraph-3dc314e587579b825440a4c3420c2c74">O tempo futuro expressa a expectativa de alguma ação (processo ou evento) a ser verificada mais tarde, após o ato de fala. Ele tem um valor temporal que não permite expressar uma modalidade factual, pois só aceita asserções segundo a avaliação feita pelo falante da (im)possibilidade de ocorrência de um estado de coisas. Assim, há um valor modal aliado ao fator temporal no futuro que compromete a determinação do valor de verdade da proposição enunciada. Segundo Câmara Jr. (1957:223), a categoria de futuro não ocorre “pela necessidade da expressão temporal; concretizam-no certas necessidades modais, de sorte que o futuro começa como modo muito mais do que como tempo”.</p>
      <p id="paragraph-aba384cb1a89fad8bd82174d587cd888">O ciclo de alternância entre formas simples e formas perifrásticas de futuro é uma constante na história das línguas românicas. Já na passagem do latim ao português, o futuro desinencial adveio de formas modais analíticas (<italic id="italic-fcc24f74e9fed92e1b438f9bc6fd0353">cantare habeo </italic>&gt; <italic id="italic-5">cantar hei </italic>&gt; <italic id="italic-6">cantarei</italic>). Para Câmara Jr., a nova forma de futuro criada ainda no latim desempenha três funções na língua: a) marca o modo; b) marca tempo com matiz modal; e c) marca tempo. O autor fala em gramaticalização do futuro modal em futuro temporal.</p>
      <p id="paragraph-fc2d48b12c086df1bc287e0b2cbc7d1d">Neste trabalho, admite-se a hipótese de que o processo que aconteceu no latim (forma analítica &gt; forma sintética) está sendo invertido no português atual (forma sintética &gt; forma analítica) a partir da gramaticalização do verbo <italic id="italic-afa8be58beaea4655ed4c4c30400d336">ir</italic>, que passa, já em estágios anteriores da língua, de forma plena a marca morfossintática de futuro.</p>
      <p id="paragraph-e9d72c14b17972a239ad6449518525b8">A perífrase é a forma verbal inovadora, que convive com a forma simples (conservadora). Trata-se, pois, de um fenômeno variável no português em que a variante perifrástica, concorrente da forma sintética para codificar a função que situa a ação ou o processo à direita do ponto da fala, é muito pouco discriminada. E a entrada do verbo <italic id="italic-94535567ffb0c83453631c2737868666">ir </italic>como auxiliar para expressar o futuro vem encontrando resposta positiva entre os falantes.</p>
      <p id="paragraph-2a75d72f59ed8c12d4d79fffc10c8b91">Os verbos de movimento, em geral, são polissêmicos e superpõem, dentre outras, as noções de espaço e de tempo. O verbo <italic id="italic-c0594c45d2e8e7061483cedb5fcb51f1">ir </italic>é um dos verbos mais polissêmicos e, pois, um dos mais ‘gramaticalizáveis’. Na construção perifrástica com o infinitivo, ele tende a se transformar em auxiliar (HEINE, 1993; BYBEE <italic id="italic-871b93a7b9de3b4c3756e4d99c1c45a8">et alii</italic>, 1994; HEINE &amp; KUTEVA, 2002), quer dizer, num instrumento gramatical para a expressão do tempo futuro. Essa tendência, bem conhecida no inglês, no francês e no espanhol, pode ser constatada também em português, em que, na fala, o processo de substituição da forma de futuro simples pela forma perifrástica <italic id="italic-40a05c19384b2b8b5f90394a98017d7e">ir </italic>+ infinitivo está quase concluído (OLIVEIRA, 2006).</p>
    </sec>
    <sec id="heading-69191b33f4c9f0b43210352f124a2e79">
      <title>2. Amostra e metodologia</title>
      <p id="heading-5fa4b29056bd10eecf1a15ba9b6adb40">Por meio da análise controlada de dados coletados em jornais contemporâneos brasileiros e lusitanos, com base na sociolinguística laboviana, verifica-se a implementação da perífrase com <italic id="italic-8b82fe4506a4d6435d25375e9e2793ae">ir </italic>+ infinitivo, identificando-se os contextos linguísticos do seu espraiamento. Foram examinados: a) um exemplar do jornal <italic id="italic-8b0f8320c8cca637e8f947c1e6abdca2">Correio da Manhã </italic>(Lisboa), de 09/05/07; b) um exemplar do jornal <italic id="italic-d5265ca68c13830100003d8f98d0ffb5">O Público </italic>(Lisboa), de 11/05/07; c) um exemplar do jornal <italic id="italic-5f6fd3799df7ae96ef6b019ebb52f207">A Tarde </italic>(Salvador-BA), de 03/08/07; e d) um exemplar do jornal <italic id="italic-9ee5ca6d7dd835495e1ab12fdd2d1008">Tribuna da Bahia </italic>(Salvador-BA), de 23/08/07.</p>
      <p id="heading-9caae06666bb0c45d89c767c4e6f757b">Nesta pesquisa, observa-se o papel de alguns grupos de fatores (medido em termos de percentuais e de pesos relativos – a partir da ferramenta GoldVarb): a) a extensão fonológica do verbo (verbos de uma, duas, três ou mais sílabas); b) a conjugação verbal (primeira, segunda ou terceira); c) o paradigma verbal (verbo regular ou irregular); c) a pessoa verbal (primeira, segunda ou terceira, singular ou plural); d) o tipo de sujeito (lexical, pronominal, desinencial, indeterminado, oracional); f) a animacidade do sujeito (animado ou inanimado); g) o papel temático do sujeito (agente, experienciador ou paciente); h) o tipo de verbo (principal, auxiliar, modal ou aspectual); i) a transitividade verbal (verbo intransitivo, transitivo direto, transitivo indireto, bitransitivo ou copulativo); j) a influência dos clíticos (presença ou ausência de clíticos); k) a natureza semântica do verbo (processo, ação, estado, evento ou cognição); l) a indicação de futuridade fora do verbo (advérbio, oração adverbial, contexto discursivo ou ausência); m) a projeção de futuridade (futuro próximo, distante ou indefinido); n) o paralelismo sintático-discursivo (ocorrência única, primeira ocorrência de uma série, ocorrência após forma idêntica ou ocorrência após forma diferente); o) o tipo de periódico (mais popular ou mais elitizado); e p) o gênero textual (manchete, notícia, anúncio, editorial, horóscopo, aviso, matéria, coluna, carta de leitor etc.).</p>
      <p id="paragraph-0d316d4a59cdde38af2015f74ed5bdbe">Foram coletados, inicialmente, 867 dados para o Brasil e 930 dados para Portugal. Em nenhum dos jornais do Brasil foram encontradas perífrases com <italic id="italic-a52901a26ce30285e513b5129c12fa25">haver de </italic>+ infinitivo. Em Portugal, houve apenas 6 ocorrências de <italic id="italic-3a4cf30734a875c2cdede82b3c2cd218">haver de </italic>(no presente) + infinitivo, que foram excluídas da amostra pela sua baixa incidência. Quanto à perífrase com <italic id="italic-0b9ca36828519ceb2d13ee9479e11ec8">ir </italic>(no futuro) + infinitivo, houve apenas 9 ocorrências no Brasil e 15 em Portugal. Como também teve uma baixa frequência, essa variante foi computada juntamente com as formas de <italic id="italic-b57dea0e0b1854e3edc652f9635673a7">ir </italic>(no presente) + infinitivo. Assim, os resultados encontrados estão apresentados na Tabela 1:</p>
      <fig id="figure-panel-41b7380095f21c9b013daa3d014b5809">
        <label>Figure 1</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-496845e24b2a85e8558d27bdbd8d1ce0" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-8b1784f0391775f3b3a9f51cda930c83" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="1_2.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-3281def8b4cab7b3b7b90ad88f49608c">Para este artigo, em particular, foram excluídas as formas de presente com valor de futuro por duas razões: a) com base em resultados de trabalhos anteriores (OLIVEIRA, 2006), essa variante possui contextos bem específicos e está à margem da concorrência futuro simples X futuro perifrástico; e b) objetiva-se verificar, aqui, a implementação da forma perifrástica em substituição à forma de futuro simples na língua escrita, já que na língua falada esse processo já se encontra em fase de compleição (OLIVEIRA, 2006).</p>
      <p id="paragraph-4a2d42150890122f59178318530101fc">Assim, considerando apenas os dados das variantes em concorrência, a distribuição é a seguinte:</p>
      <fig id="figure-panel-2d5db7afc6ca52d7833bec71fcb7146d">
        <label>Figure 2</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-08655b864d5334adcdf2d31c5c9b97c3" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-36df1879dcd0a3fb55e116efa7948a4a" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="2_2.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-b0c1c3b513c36c1fc106a3f32767d691">Inicialmente, embora predomine o futuro simples na escrita jornalística, pode-se verificar que a concorrência entre as duas variantes é documentada em ambas as variedades regionais, havendo um maior acirramento em Portugal, como ilustra o gráfico a seguir:</p>
      <fig id="figure-panel-b109316f77cb6a432291c5f5fd0736c3">
        <label>Figure 3</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-7ebe26a2c3699540c56a7846e93ca422" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-d9ffb15abcb25f7442c3c6cee8a71ebe" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="3_2.png" />
      </fig>
    </sec>
    <sec id="heading-9a67c4099a0751868c92b21ccfb23813">
      <title>3. Papel dos grupos de fatores</title>
      <p id="heading-a05c0ee85339c0eb0e5fe6c0407065d6">Considerando as rodadas do GoldVarb para os dados do Brasil e de Portugal, separadamente, vejam-se os grupos selecionados para cada país, tendo como regra de aplicação a variante futuro perifrástico com <italic id="italic-a9b47dbbb10bedfd5bb9720aaecf61d6">ir</italic>+ infinitivo, em oposição ao futuro simples.</p>
      <p id="paragraph-d922c27c73eb7889243f21f7dece3110">Para o Brasil, foram selecionados, nesta ordem, os grupos: ‘Natureza semântica do verbo’, ‘Papel temático do sujeito’, ‘Paradigma verbal’, ‘Pessoa verbal’, ‘Gênero textual’, ‘Indicação de futuridade fora do verbo’, ‘Paralelismo sintático-discursivo’ e ‘Conjugação verbal’. O <italic id="italic-f0e5ff69eb902dbeea8965410f6f6ebb">input </italic>geral foi 0,295 e o <italic id="italic-c4e5535486870dc01c0b1e5db9377dd1">log likelihood </italic>foi -249,057. O nível de significância da rodada selecionada foi 0,046.</p>
      <p id="paragraph-68f106095fb0f5f6f9f330df7a87a4c0">Para Portugal, foram selecionados, nesta ordem, os grupos: ‘Natureza semântica do verbo’, ‘Tipo de verbo’, ‘Papel temático do sujeito’, ‘Projeção de futuridade’, ‘Pessoa verbal’, ‘Tipo de periódico’ e ‘Paradigma verbal’. O <italic id="italic-1cd0486f4b0df89eeac33b97fc462a76">input </italic>geral foi 0,353 e o <italic id="italic-33e26165ddd68ca4c1936c890f5062e5">log likelihood </italic>foi -381,809. O nível de significância da rodada selecionada foi 0,029.</p>
      <p id="paragraph-03ad90ae57910ec0652d65a9e43da208">Ambos os países selecionaram, em comum, os grupos ‘Natureza semântica do verbo’, ‘Papel temático do sujeito’, ‘Paradigma verbal’ e ‘Pessoa verbal’, embora em ordens diferentes. Assim, apenas esses quatro grupos de fatores serão analisados a seguir.</p>
      <sec id="heading-4d5a3b30bc7dcf5a471fefcfcc427960">
        <title>3.1. Natureza semântica do verbo</title>
        <p id="heading-5f03f64594a3175cb4b17987706dc7ad">Como o verbo ir, na sua origem (forma fonte), indica processo, pois é um verbo de movimento no espaço, esperava-se que atingisse, na gramaticalização da forma perifrástica ir + infinitivo para expressar o futuro (movimento no tempo), inicialmente, verbos que também expressam um processo, para em seguida atingir os verbos que denotam um evento, verbos cognitivos e, por fim, verbos estativos.</p>
        <p id="paragraph-860d9d959422473ecb554dd13212e305">Seguem exemplos desses tipos de verbos:</p>
        <p id="paragraph-e8b3d41a145a6b494c8b717bfd477948">Processo:</p>
        <p id="paragraph-79f54de229359ade66e660bee04667c0">(1) Agressão teria ocorrido na unidade de segurança máxima no 1º dia da revolta. Secretaria da Justiça disse que V<bold id="bold-1">AI APURAR</bold>. (AT, man, c1, p9)</p>
        <p id="paragraph-d423a1e3a7e3ca1d303bdbb62729f016">Evento:</p>
        <p id="paragraph-e6653af0047bd80ae96e024836b97476">(2) Existem demasiadas pessoas a achar que a economia é um jogo de soma nula, e que o sucesso da China <bold id="bold-2">VAI SURGIR </bold>à custa do resto do mundo. (OP, mat, c3, p15)</p>
        <p id="paragraph-8">Cognição:</p>
        <p id="paragraph-9">(3) Conclui que com a redução dos mesmos o povo <bold id="bold-3">VAI SABER </bold>a qual partido o parlamentar pertence, a qualidade do seu trabalho e identificará o partido que não tem projeto viável... (TB, mat, p15)</p>
        <p id="paragraph-10">Estado:</p>
        <p id="paragraph-11">(4) E se as buscas dos cães pisteiros da GNR, visivelmente cansados, <bold id="bold-4">VÃO SER </bold>mais raras, o mesmo deverá suceder com o grupo de voluntários. (OP, mat, c1, p4)</p>
        <p id="paragraph-13">Os resultados encontrados aproximam-se da hipótese aventada, mas há divergências entre os dois países considerados. Observe-se a Tabela 3, a seguir:</p>
        <fig id="figure-panel-aaf294d908ddfa29fe59b5628e1036ca">
          <label>Figure 4</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-5add120d67aff3c82a787b479149f26b" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-8dd5cab3b48098ed496635eccb9f4294" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="4_2.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-2c6d4be02c4d3ee0ae657191a36f023a">A hipótese de que os verbos de processo favorecem o uso da perífrase se confirmou nos dados de Portugal. Já no Brasil, o maior peso relativo ocorreu para os verbos cognitivos, ficando os verbos que indicam processo em segundo lugar, o que indica que o contexto de implementação da forma perifrástica já se espraiou por um contexto além do que condiciona a variante inovadora em Portugal. Mas a quantidade de dados com verbos que expressam cognição ainda é muito pequena para que generalizações possam ser feitas.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-a51ddea3c9083acab5e395acb5e5549d">
        <title>3.2. Papel temático do sujeito</title>
        <p id="heading-58dc1414bc09238b3f414cb7ace1da89">Essa variável foi considerada neste estudo por se pressupor que o sujeito [+ agente] favoreceria o uso da perífrase, já que haveria um maior comprometimento do mesmo em relação ao futuro e um maior grau de certeza da realização da ação num tempo posterior ao momento da fala, pois ele é quem realizaria essa ação. Já o sujeito paciente selecionaria o futuro simples, ficando o sujeito experienciador em posição intermediária, o que se confirmou nos dados. Os resultados estão apresentados mais adiante, na Tabela 4. Seguem exemplos dos três tipos de sujeito segundo o papel temático:</p>
        <p id="paragraph-025ea5291ec99bdd0cff360d45239a21">Agente:</p>
        <p id="paragraph-a3f94333f5200af1b703c1e96619eab0">(5) Durante o julgamento, os ministros do STF <bold id="bold-33bd731f576df4562f70d87d794133d8">VÃO DECIDIR </bold>se aceitam ou não a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra os acusados de envolvimento no mensalão. (TB, not, p3)</p>
        <p id="paragraph-12ade4a13ca6b7ef949614b7c39572dc">Experienciador:</p>
        <p id="paragraph-8ebd6b30426b1a2c3485ebd5596ebd4b">(6) O TIC <bold id="bold-75b06eb5524060ccf255fb101e35a4c2">VAI OUVIR</bold>, através de carta precatória, as testemunhas de defesa indicadas pelo argüido, o advogado Vespasiano Macedo e o gestor daquela firma, Hernani Portovedo. (CM, mat, p22)</p>
        <p id="paragraph-c7471bc65d1598022a6a5594b2f111f4">Paciente:</p>
        <p id="paragraph-8829f7a391e905d83c0a5f4bb4ff92dc">(7) O diploma que <bold id="bold-b7c722e1a9c22dbffe0578a5d7908ff5">VAI SER </bold>sujeito a consulta das instituições, prevê que o ministro possa converter uma instituição em fundação. (CM, mat, p14)</p>
        <fig id="figure-panel-df7a7d8207c01be6092e285cbf8af615">
          <label>Figure 5</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-980f6144598397a3a27aebd9361c8e99" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-acf201b4388e13208bc98597c1d1027c" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="5_2.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-3ca7fbb312402d795cc0b80301aae718">Os resultados confirmam a hipótese inicial, pois o sujeito agente tem .67 no Brasil e .68 em Portugal, favorecendo a perífrase com percentuais de 57% e 65%, respectivamente, nos dois países. O sujeito paciente tem um peso relativo bastante baixo no Brasil (.17). Já o sujeito experienciador tem peso baixo em Portugal (.40) e favorece a perífrase no Brasil (.54). Pode-se ver que em terras brasileiras a forma inovadora atinge mais contextos que em terras lusitanas.</p>
        <p id="paragraph-9c23a434bb7c183fbbdb2c1caf318232">O traço de agentividade desempenha um papel fundamental na trajetória do verbo <italic id="italic-21c1bbb11250bd0da0d26c44594aa139">ir </italic>de pleno a auxiliar. No processo de gramaticalização do futuro perifrástico, a sua ocorrência com sujeitos [+ agente] pode indicar uma persistência de traços da forma fonte (BYBEE <italic id="italic-46638012203923d43f296cc6b5ce9e6d">et alii</italic>, 1994). O verbo <italic id="italic-402d594dd55a825f31ef60895d85bdc6">ir</italic>, em seu sentido pleno, seleciona um sujeito [+ agente].</p>
      </sec>
      <sec id="heading-960a8c48ad23dfd5ca4180b914583241">
        <title>3.3.   Paradigma verbal</title>
        <p id="paragraph-22e48874dd7d61abc2e9563f104d9a0d">Este grupo de fatores distribui os dados em dois grupos: os que contêm um verbo que segue o paradigma geral (verbos regulares, tais como <italic id="italic-2a5e566feaa81d771a2fa64196aa99fc">amar</italic>, <italic id="italic-276f988486a3db3a27fefe23f9f31b30">beber </italic>e <italic id="italic-e20fc5f705dfd2161ae958079d729577">partir</italic>) e os que apresentam um verbo de padrão especial (verbos irregulares, tais como <italic id="italic-5a386d536e3e0d3a170732dbcf1f6351">dar</italic>, <italic id="italic-bd32bd128fa30d00e7db4476188748b4">ver </italic>e <italic id="italic-34971732f09dd70c5acea731a0caf665">vir</italic>), considerando, pois, o critério morfológico.</p>
        <p id="paragraph-6e14d06b9adaf705387fd95bf8622a76">Supondo que há uma mudança em curso no sentido de o futuro perifrástico substituir o futuro simples, aventou-se a hipótese de que esse processo avançaria primeiro nas formas regulares e depois nas irregulares, que, por serem mais marcadas, seriam estocadas individualmente na mente do falante. Essa hipótese se confirma nos dados, pois os pesos relativos para a perífrase foram de .59 e .57 no Brasil e em Portugal, respectivamente, em verbos regulares, conforme mostra a Tabela 5.</p>
        <fig id="figure-panel-37390edd072fe1b50a5bd2855b8b8821">
          <label>Figure 6</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-92409dfd171af0b74bf761d4c029a393" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-e82a6abcae3ee94a0317f388dc7d2723" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="6_2.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-767f0dc07dff7cafda162dba257e3db1">Tanto nos dados do Brasil como nos dados de Portugal, a perífrase teve seu maior índice percentual nas formas verbais regulares (52% e 49%, respectivamente).</p>
        <p id="paragraph-1fbed4eeb1b1790665974966b3382417">Embora o uso do futuro simples em verbos irregulares requeira um conhecimento mais controlado de desinências específicas, o fato de eles admitirem mais futuro simples do que os verbos regulares pode estar relacionado tanto à extensão vocabular, já que a maioria dos verbos irregulares em português possui uma ou duas sílabas, como propõe Câmara Jr. (1985), como à frequência/estocagem, como propõe Bybee (2003). Embora irregulares, são verbos de altíssima frequência na língua, por exemplo, <italic id="italic-386048e6dcd6c36162c0d89dd2d1ccaa">ser</italic>, <italic id="italic-c6c693c485c1249ed3b9900e4444611e">ter</italic>, <italic id="italic-a9cebf0a2151f00311ba74484f990198">ver</italic>, que preservam, por isso, o futuro simples, não acompanhando a tendência à mudança.</p>
        <p id="paragraph-8460a21e0d80c98950c7d5e3f0735cfa">Saliente-se que, dentre os verbos irregulares, há o próprio verbo <italic id="italic-0a067f3e4afa9bb88137ae82c980a6cb">ir</italic>, em seu sentido pleno, que, além de muito frequente na língua, ainda é resistente à perífrase (<italic id="italic-6c921f1b40fdb437be4974c1aece6f6f">vou ir</italic>), tão comum em outras línguas (inglês, francês, espanhol...), em muitos dialetos brasileiros e lusitanos.</p>
        <p id="paragraph-8afaa2f48b4b29624a5a04f82c4d8bf3">Os verbos irregulares configuram um contexto de resistência da forma simples, sobretudo quando são também monossilábicos e de alta frequência na língua. A forma de futuro perifrástico entra na escrita, pois, pelo contexto mais favorável (verbos de padrão geral). E a ação inibidora de um fator (verbos de padrão especial) se torna muito mais evidente na modalidade escrita formal da língua, que implica um maior planejamento linguístico.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-6debaca6a14bb13816e78e0cdb222afe">
        <title>3.4. Pessoa verbal</title>
        <p id="paragraph-0bd698fb61f18f105008887f66b6367f">A hipótese associada ao grupo de fatores ‘Pessoa verbal’ prevê que o futuro perifrástico, indicando uma maior assertividade em relação ao tempo futuro, seria mais utilizado com a primeira pessoa, já que expressa um maior comprometimento do sujeito com a ação verbal a ser realizada. O tipo de texto utilizado como corpus (escrita jornalística) não favorece o uso de ‘eu’ (P1) nem de ‘nós’ (P4), que só aparecem em citações, daí a  pouca quantidade de dados. Não houve nenhum caso de 2ª pessoa, nem do singular (P2) nem do plural (P5) na amostra dos jornais, nem mesmo em Portugal.</p>
        <p id="paragraph-7dc0af2a43b551b3b7e62d0bca375be9">Ainda que com poucos dados, a hipótese aventada se confirma, pois os pesos relativos para a perífrase foram de .84 e .87 no Brasil e em Portugal, respectivamente, com a 1ª pessoa do singular, e de .82 e .59, também respectivamente no Brasil e em Portugal, para a 1ª pessoa do plural, conforme mostra a Tabela 6, após exemplos de P1 e P4:</p>
        <p id="paragraph-a4c1efa494e8aea60527bb9d0de9d20b">P1:</p>
        <p id="paragraph-e94ed8964e62104825ed551dbf3fece6">(8) O leitor me desculpe, mas não <bold id="bold-e47b1602a2560e7b1ec6a7f87a1695a5">VOU FAZER </bold>o histórico porque precisaria de pesquisar mais a fundo. [TB, mat, p.2] </p>
        <p id="paragraph-f0e5cde996c0e2751a374a936108c5b3">P4:</p>
        <p id="paragraph-ea1c1e87104db5a4ecf15d89f16b4c62">(9) Já estamos a par da reintegração desde segunda-feira, <bold id="bold-d83c3dd941e7bc45492b8c295f20552a">VAMOS VER </bold>quais as propostas do governo do Estado e da Suzano na reunião de amanhã... [AT, mat, p.12] </p>
        <fig id="figure-panel-e657cfa0cf31c48cf1df84b0f58b2e7a">
          <label>Figure 7</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-d54e08ab3f809a928f4ee168017114b3" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-17602cbdf2e726188a1c43220f5310ae" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="7_2.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-0b804c860fd526a57608b241d21b0eba">Em relação à 3ª pessoa, a que predomina em textos de jornais, percebe-se que, em Lisboa, a 3ª pessoa do plural (P6) já favorece o uso da forma perifrástica.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-a0d14f5994804d92b49a0d51ac730355">
      <title>Conclusões</title>
      <p id="heading-ba7d4da34cc30016e9e8e92cf39113d0">A variação na expressão do futuro verbal em português é um fenômeno variável ao longo da história da língua. Atualmente, a concorrência entre a forma de futuro simples e a forma perifrástica com <italic id="italic-7a1a4e036e31e6e9ce40dbc6184a6f5d">ir </italic>+ infinitivo parece bastante acirrada. Observa-se uma inversão parcial entre as duas variantes, pois a primeira predomina na modalidade escrita e a segunda predomina na modalidade oral da língua, inclusive no seu nível “culto” (OLIVEIRA, 2006).</p>
      <p id="paragraph-db6b9096d0415befd873961b0399955e">A forma perifrástica com <italic id="italic-4a34537bb4b3aabdd6573badba208d5e">ir </italic>+ infinitivo passa por um processo de gramaticalização em que o verbo de movimento <italic id="italic-db9d4967e4fe13117fb3da69ab602cff">ir </italic>torna-se verbo auxiliar de futuro verbal, avançando na escala cognitiva de espaço para tempo (BYBEE &amp; PAGLIUCA, 1987; HOPPER &amp; TRAUGOTT, 1993/2003).</p>
      <p id="paragraph-a5239132ac3cfaa03653a093c7bee002">Esse processo é atestado tanto no Brasil como em Portugal e o exame de dados da escrita jornalística do século XXI de ambos os países aponta que ambas as variedades seguem direções coincidentes em relação à mudança futuro simples &gt; futuro perifrástico.</p>
      <p id="paragraph-35cab8327a9f49dfea610f8f120265e3">Variáveis importantes que atuam nesse processo, entre outras, são a ‘Natureza semântica do verbo’, o ‘Papel temático do sujeito’, o ‘Paradigma verbal’ e a ‘Pessoa verbal’.</p>
      <p id="paragraph-0894773e1255e0075ba2e88769fea512">Quanto à ‘Natureza semântica do verbo’, a perífrase parece implementar-se inicialmente por contextos de verbos que denotam processo/ação, atingindo em seguida os verbos que denotam evento, ficando por último contextos com verbos cognitivos e estativos.</p>
      <p id="paragraph-099981516a67608a1e6785df4f1c6aaf">Quanto ao ‘Papel temático do sujeito’, o sujeito [+ agente] é o que mais seleciona a forma perifrástica, seguido do sujeito experienciador, ficando o sujeito paciente mais favorecedor ao uso do futuro simples.</p>
      <p id="paragraph-efd266ac9fe6b98ed3c4c34e13697601">Quanto ao ‘Paradigma verbal’, a perífrase é mais usada com verbos regulares, que seguem o padrão geral, ficando o futuro simples mais restrito aos verbos irregulares, ou seja, os que têm um padrão morfológico especial. Esses verbos, segundo Bybee (2003), por terem uma frequência alta de uso na língua, resistem a mudanças e, sendo estocados na memória do falante como únicos (especiais), mantêm o futuro simples, pois não seguem padrões gerais.</p>
      <p id="paragraph-2d96a50e2b134d5185a8c925fdc33e12">Quanto á ‘Pessoa verbal’, em ambos os países, embora com poucas ocorrências, é a primeira pessoa (muito mais a do singular que a do plural) que condiciona o uso da forma inovadora. A terceira pessoa ainda seleciona mais a forma sintética do futuro.</p>
      <p id="paragraph-768f3c6e5bd05d15352f7dc8663d744a">Como se pode perceber, ao analisar um fenômeno variável sob a perspectiva da mudança linguística, muitos fatores devem ser considerados e têm cada qual um papel significativo. Merecem, portanto, ser aprofundados em estudos posteriores.</p>
      <p id="paragraph-0552b1e7f7d676de78280c78626d3c60">Por ora, pode-se dizer que Brasil e Portugal falam a mesma língua. Há semelhanças e há diferenças, como todos sabem. Todavia, em relação ao <italic id="italic-27f5e3faba74698bd12d0fe0fd031d8b">futuro</italic>, o Atlântico não nos separa. Pelo contrário, nele NAVEGAREMOS (ou VAMOS NAVEGAR?) pra lá e pra cá para melhor compreendermos a nossa língua.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-aeba441df0a6779e1077c76adee80b4a">
      <title>Referências</title>
      <p id="paragraph-8436645723f7b201e61cd26c456fbd5c">BYBEE, J. <bold id="bold-055974d776e712181f4e327bef7d678c">Mechanisms of change in grammaticization: </bold>the role of frequency. In: JOSEPH, B. D. &amp; JANDA, R. D. (Eds.) <bold id="bold-466032c16a34ae8377f58cc6f6427c0c">The handbook </bold><bold id="bold-e958730acea968caffe7d914a9c157c2">of historical linguistics</bold>. Oxford: Blackwell, 2003. p.602-623.</p>
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      <p id="paragraph-746614c0f790a6b74107dda0fd9ccf63"><underline id="underline-e7cf184fe9771ad125c61cdaca61b0b5"> _______</underline>. <bold id="bold-4d47ed6b75216b08748287af23c9aadd">História e estrutura da língua portuguesa</bold>. Rio de Janeiro: Padrão, 1985.</p>
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    </sec>
  </body>
  <back />
</article>