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        <article-title>A VARIAÇÃO LINGUÍSTICA E O PAPEL DOS FATORES SOCIAIS: O GÊNERO DO FALANTE EM FOCO</article-title>
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            <given-names>Lilian Coutinho</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade de Brasília (UnB)/CNPq</institution>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="31/12/2011" />
      <volume>10</volume>
      <issue>3</issue>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-e226b5cfe10d389730387eb98699a81b">Neste texto, retomamos discussões labovianas sobre o paradoxo do gênero em fenômenos de variação e mudança linguística. Tomamos como base principal pesquisas sobre a alternância entre tu/você nas regiões Sul, Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil. Ao final, propomos que o efeito do gênero é orientado pelo princípio marcação.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="_paragraph-2">
          <italic id="italic-1">In this paper, we review some labovian discussions about the gender paradox on linguistic </italic>
          <italic id="italic-2">variation and change phenomena. We take as main basis some research </italic>
          <italic id="italic-3">of the variation between tu/você in the Southern, Northern, Northeast, Southeast and Midwest of Brazil. </italic>
          <italic id="italic-4">Finally, we propose that the gender effect is oriented by markedness principle.<italic id="italic-5"/></italic>
        </p>
      </abstract>
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        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-9cff3ae287224713d3ee5220b68ad4f3">Address pronouns</italic>
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          <italic id="italic-a55bce8b53efeb3da5c08ac73d6e45ed">Gender Paradox</italic>
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          <italic id="italic-d5da1a9c2766072e642645142b944dda">Markedness Principle Variation and Change</italic>
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    <sec id="heading-29c8a94926f70cb99bfb3c39901c0e0f">
      <title>Considerações iniciais<xref id="xref-927170a047c1f171263f320c56b22bd9" ref-type="fn" rid="footnote-98dbb29bc6b2a9cac913758e5d436a7a">1</xref></title>
      <p id="paragraph-1">A variação e a mudança linguística há muito são objeto de pesquisadores em vários países, mas é na década de 1960 que surge um modelo sociolinguístico forte, cuja compreensão é a de que a variação e a mudança linguísticas são inerentes ao próprio sistema, podendo ser controladas por restrições de caráter interno (estrutural) ou externo (social, contextual, discursivo etc.). Weinreich, Labov e Herzog (2006 [1968]), em conhecido texto sobre o tema, propõem que, ao lado dos aspectos internos, os fatores externos são de suma importância na compreensão dos fenômenos variáveis e postulam que alguns deles podem ser os responsáveis pela variação e pela mudança linguística. Assim, a classe social, o sexo do falante e a sua faixa etária, por exemplo, são variáveis recorrentes na análise e interpretação dos fenômenos linguísticos variáveis. Papel importante tem sido atribuído também ao efeito da variável estilística, em especial na sua inter-relação com o sexo do falante (Labov, 2008 [1972]), discutido e rediscutido em termos do gênero, em uma perspectiva social e cultural (Labov, 1990 e 2001).</p>
      <p id="paragraph-2">Labov (1990; 2001) dá continuidade à efervescente discussão sobre o papel do gênero em fenômenos linguísticos variáveis e assume uma codificação necessária em função do sexo do falante, abordagem biológica, para permitir comparabilidade entre as pesquisas, e interpretação em função do gênero, abordagem sócio-cultural. Observa que o efeito do gênero apresenta diferenças instigantes, conforme o tipo de mudança (Labov, 2001: 262; 366), ao lado do comportamento conservador na variação estável: em mudanças com consciência social (<italic id="italic-b019b0998bed98d90e6318ff6664a1aa">changes from above)</italic>, as mulheres usam mais as variantes de prestígio do que os homens. Entretanto, em mudanças sem consciência social (<italic id="italic-9351ad3ad5fc7fc23c94c01cc3a41923">changes from below)</italic>, são também as mulheres que mais usam as formas inovadoras. Considera ser difícil conciliar este duplo comportamento e reconhece o <italic id="italic-702567cc38eaf892c46525c80186e5ad">Paradoxo do Gênero </italic>assim formulado inicialmente: “as mulheres se conformam mais fortemente do que os homens às normas sociolinguísticas que são explicitamente prescritas, mas se conformam menos do que os homens quando as normas não são explicitamente prescritas” (Labov, 2001: 293).</p>
      <p id="paragraph-ed7481b213aac8441bd97a204cf47417">Labov (2001: 366) pondera que, mesmo assim, “permanece o problema de saber por que razão as mesmas pessoas são às vezes mais “conservadoras” e às vezes mais “progressistas”. Afirma também que o problema fica ainda mais evidente se forem usados os termos “conformista” (<italic id="italic-368e0360755017a3a494d360717e0344">conforming</italic>) ou “não conformista” (<italic id="italic-f196b520ad3193b4a1aeb6cc5ada90d4">nonconforming</italic>):</p>
      <p id="paragraph-4">“em variáveis sociolinguísticas estáveis, as mulheres mostram taxas mais baixas de variantes estigmatizadas e taxas mais altas de prestígio do que os homens”, apresentando comportamento conservador e conformista, ou seja, em conformidade com as normas explicitamente estabelecidas (Labov, 2001: 266; 367)</p>
      <p id="paragraph-6">“em mudanças <italic id="italic-a66bc59dd64082b3559a48fa43f4e91d">from above </italic>[com consciência social e externas à variedade em uso], as mulheres adotam formas de prestígio com taxas mais altas do que os homens”, apresentando comportamento inovador, mas que está também em conformidade com as normas explicitamente estabelecidas.” (Labov, 2001: 274; 366-367)</p>
      <p id="paragraph-8">“em mudanças <italic id="italic-99d40ee125b5755bd1d3e51e6eb97adf">from below </italic>[sem consciência social e internas à variedade em uso], as mulheres usam frequências mais altas de formas inovadoras do que os homens”, apresentando assim comportamento inovador, mas em dissonância (<italic id="italic-6">nonconforming</italic>) com as normas explícitas estabelecidas. (Labov, 2001: 292; 366-367).</p>
      <p id="paragraph-c6085c5654468bf1f9bdba39c57e6c92">Assim, o autor observa que, com uma mudança no <italic id="italic-16009a5aaf5b779d2631281491d9107a">Paradoxo do Gênero</italic>, a terminologia associada ao maior uso de variantes de prestígio (comportamento conservador) ou ao incremento de variantes inovadoras (comportamento progressivo) parece melhor definida como um comportamento conformista ou não conformista. Dessa forma, em função da perspectiva do conformismo ou não conformismo, Labov (2001: 367) considera que “o <italic id="italic-eac28e883d2ba58ba3daba33d831fd62">Paradoxo do Gênero </italic>poderia ser reformulado como o <italic id="italic-b4059d29741362f5a0294a1c0aa47822">Paradoxo da Conformidade</italic>, melhor estabelecido em termos do contrário da conformidade, o <italic id="italic-468fe03a3ded3c2a9b39ee38795067b8">desvio </italic>(<italic id="italic-dfc8c11c991896ffe553238b37845c10">deviation</italic>): mulheres desviam das normas prescritas menos do que os homens, porém desviam mais do que os homens quando os desvios não são prescritos.” Mudando de forma sutil a forma de olhar, o autor afirma que o principal problema a ser explicado passa a ser “por que mulheres com a mesma idade e da mesma classe social aderem às normas prescritivas em um caso e se desviam delas em outro” e busca respostas para este comportamento na identificação dos líderes da mudança linguística, mas da mudança sem consciência social (<italic id="italic-3b6846d616ba67bc1e006f3f487da6d0">change from below</italic>), a mudança, segundo Labov (1994: 78-79; 2001: 279), interna, natural, sistemática, que desafia o nosso trabalho científico.</p>
      <p id="paragraph-08250f5291bc9fbcdd6204af619dd1c5">Neste artigo, vamos polemizar um pouco mais as reflexões sobre o papel do gênero nos fenômenos linguísticos, tendo em vista que identificamos o duplo comportamento do gênero em um só fenômeno variável no português brasileiro, a saber, nos pronomes de segunda pessoa e, adicionalmente, vamos incrementar nossa argumentação com base em dois outros fenômenos, o imperativo gramatical e a concordância verbal.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-bd1e92eeef4d9d5b9e5b50c32e5ed661">
      <title>1. Sobre os pronomes de segunda pessoa no português brasileiro</title>
      <p id="heading-68b6d295bd98f598c0ce3390ea4587f0"> As formas de 2ª pessoa no português brasileiro apresentam-se de maneira bastante diversa em várias regiões do Brasil e pelo menos seis subsistemas podem ser identificados, tendo em vista as combinações entre as variantes <italic id="italic-cef20500ee42e54ee325fb6afc64eac1">você</italic>, <italic id="italic-3ab7ada829a175c019ceb9f06500d3ee">cê</italic>, <italic id="italic-3b49eb2b2a0c893ec1879cc63a0dc7ca">ocê</italic>, <italic id="italic-6ffb79d330f3afa6a8f1af33cb6970f0">tu </italic>e a concordância variável com o pronome <italic id="italic-67414f68d32ea450db58933eef21290e">tu</italic>, cujo detalhamento pode ser encontrado em Scherre et alii (2009) e Scherre (2010), mas foge aos objetivos do presente texto. Trazemos para foco apenas as pesquisas que se ocuparam da análise do pronome <italic id="italic-081a7798cc41c556a5e401c7fd185a72">TU </italic>em alternância com VOCÊ. Quando sem concordância, o pronome <italic id="italic-7">TU </italic>é predominantemente explícito e o pronome VOCÊ é o amálgama das formas <italic id="italic-8">você </italic>e <italic id="italic-9">cê</italic>, predominantemente, com poucas ocorrências de <italic id="italic-10">ocê</italic>, pelo que pudemos inferir do garimpo que realizamos. Além disso, neste momento, consideramos basicamente as pesquisas que focalizam a variável gênero do falante, com resultados estatisticamente significativos. São elas: Loregian-Penkal (2004) e Ramos (1989) para a região Sul; Oliveira (2005; 2007) para a região Nordeste; Martins (2010) para a região Norte; Paredes Silva (2004) e Lopes et alii (2009) para a região Sudeste; Lucca (2005), Dias (2007) e Andrade (2010) para a região Centro-Oeste.</p>
      <p id="paragraph-46583ffd4b446d858fd97159588488a5">Do garimpo empreendido nos textos das pesquisas acima, pudemos observar o efeito do gênero de forma bastante clara na alternância entre os pronomes TU e VOCÊ, em que se destaca o duplo papel das mulheres: ora as mulheres usam mais o pronome TU do que os homens; ora as mulheres usam menos o pronome TU do que os homens. Cabe, então, aqui uma pergunta à luz das inquietações labovianas, agora exacerbadas: por que as mulheres apresentam comportamento diversificado, com relação a um mesmo fenômeno variável? É esta a pergunta que vamos buscar responder.</p>
      <sec id="heading-7b5280e33a3d30c3b8ab91f3b86a6b43">
        <title>1.1. Na região Sul</title>
        <p id="paragraph-61d165c3b2352bb0348ebbd7202092f6">Pelas pesquisas de Loregian-Penkal (2004: 14-16; 81; 136-138; 167) e de Ramos (1989: 26-35; 49-55; 64-67) para a região Sul, as mulheres tendem a usar mais o pronome TU do que os homens. Vejamos a síntese destas duas pesquisas na Tabela 1 com relação ao uso percentual de TU vs. VOCÊ e da concordância com o TU em função do gênero, por estado e cidades estudados.</p>
        <fig id="figure-panel-2d8d7e6681e9e71852c5b072ee86acd0">
          <label>Figure 1</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-56e9fba5f97f5b0d58a2927e7fd774ab" />
          </caption>
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        </fig>
        <p id="paragraph-4578856e5235cc2078fbc70332aa667f">Pelos percentuais apresentados na Tabela 1, em dois estados da região Sul, a saber, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, as mulheres favorecem mais o uso do TU do que os homens de forma regular, independentemente do maior ou menor percentual médio de uso de TU e do maior ou menor índice de concordância com o pronome TU. Exceto em Ribeirão da Ilha, em Santa Catarina, em que há 97% de uso do pronome TU, todas as apresentam sistematicamente aumento de TU em relação à média de uso de TU alternando com VOCÊ.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-ce74e922e51f4a93af41149c1bed6ae8">
        <title>1.2. Nas regiões Nordeste e Norte</title>
        <p id="heading-ec674dc72ba3ecb9716aad92ccc54d51">Pelas pesquisas de Oliveira (2005; 2007) para a região Nordeste, no interior do estado da Bahia, e Martins (2010) para a região Norte, no interior do estado da Amazônia, as mulheres tendem também a usar mais o pronome TU do que os homens de forma igualmente regular. Vejamos a síntese destas duas pesquisas na Tabela 2 com relação ao uso percentual de TU vs. VOCÊ e da concordância com o TU em função do gênero por região e localidades ou cidades.</p>
        <fig id="figure-panel-746116bb05873927a70be43c58c81e84">
          <label>Figure 2</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-32a7b6cbc06a47b8ca98819f97a10033" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-93cfa73f55201a33f2eab6117fa3351f" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="2_2.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-c9a63bda8b6893fb22a5136e462156b4">Vejamos, novamente, que os percentuais médios de TU vs. VOCÊ na região Nordeste são bem menores do que os percentuais da região Norte, mas as relações referentes ao gênero dos falantes são as mesmas, com as mulheres favorecendo mais o uso de TU. A pesquisa de Oliveira (2005) evidencia que há diferença de frequência de TU por localidade: nas comunidades Sapé (22% de <italic id="italic-1a94f2ec196e7f066f90f5e85c7bb8a5">tu); </italic>Cinzento (19%); Helvécia (7%) e Rio de Contas (1%); nas comunidades Santo Antônio (20% de <italic id="italic-6b01200da0d95d2beba28ed961b65637">tu</italic>) e Poções (9%), mas não apresenta as diferenças em função do gênero por comunidade. Relembramos, também, que a variável gênero nas pesquisas relatadas é estatisticamente significativa.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-496988c4518ad433520911c4be479ea9">
        <title>1.3. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste</title>
        <p id="paragraph-eff25b11c9ec925934b9e35b1414aa18">As pesquisas de Paredes Silva (2004) e de Lopes et alii (2009), para o Rio de Janeiro, na região Sudeste, e as de Lucca (2005), Dias (2007) e Andrade (2010) para o Distrito Federal, na região Centro-Oeste, por sua vez, revelam comportamento contrário, ou seja, as mulheres tendem a usar sistematicamente menos o pronome TU do que os homens. Os percentuais de uso do TU em alternância com o pronome VOCÊ podem ser vistos na Tabela 3.</p>
        <p id="paragraph-606fb431f2d7a932352f3bcbbfc8978c">Consideramos impressionante como esta sistematicidade se dá, mesmo quando há baixo percentual de TU, da ordem de 6%, nos <italic id="italic-3d5a20cd4ef97ac6bf6b8545914408d0">corpora </italic>PEUL 1980 e PEUL 2000, constituídos de entrevistas sociolinguísticas nos moldes labovianos, feitas pelo Programa de Estudos sobre o Uso da Língua (PEUL) nas décadas de 80 e de 00, com um intervalo de 20 anos. O TU só se revela nos corpora do Rio de Janeiro especialmente constituídos para <italic id="italic-204d62f1255f01566e1f12aee836fd25">capturá-lo</italic>, no sentido metafórico do termo. Trata-se do <italic id="italic-9bd62b135337d48f62ccdb8db9ed7844">corpus </italic>Paredes 1996, com 68% médio de uso de TU e do <italic id="italic-bd8b2b0d04cd0244135cd55fdb510b67">corpus </italic>Lopes 2009, com 35%. Também nestes dois <italic id="italic-721f1c840c540861132d2d9559d91415">corpora </italic>são as mulheres que usam menos TU. Os detalhes destas duas pesquisas, todos muito interessantes, podem ser vistos em Paredes Silva (2004) e em Lopes et alii (2009).</p>
        <fig id="figure-panel-e3622609b9a14867e8d427ae0a0b1068">
          <label>Figure 3</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-143f60a56e864bf4b398b4610f91673f" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-e87a390eead34ab0569bb3c28a91321b" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="3_2.png" />
        </fig>
        <fig id="figure-panel-13c6acfa1ccf37c167d02f2e0ecf6317">
          <label>Figure 4</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-b63e550447c0df61e4093f8827bac84b" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-d74e1b7d11de231fa069661362efe76f" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="4_2.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-cc6fa0c9af10402101026b113435cb3d">As pesquisas com dados do Distrito Federal, nas regiões administrativas Ceilândia, Taguatinga, Plano Piloto restrito e ampliado, em uma variedade em formação – a variedade brasiliense – revelam também de forma sistemática que as mulheres tendem a usar menos TU do que os homens. A pesquisa de Lucca (2005) foi feita com brasilienses – os nativos da grande Brasília ou Distrito Federal – de 15 a 19 anos predominantemente do sexo masculino, o nicho do pronome TU. Além disso, as gravações foram todas ocultas, mas consentidas. Por esta razão, há alta frequência de uso do TU. Mesmo assim, as mulheres desta amostra também usam menos TU do que os homens. A pesquisa de Dias (2007) foi feita com uma amostra equilibrada em termos de gênero e de faixa etária, com gravações ocultas e não ocultas. Neste caso, a frequência de TU abaixa. Mas, ainda assim, observa-se menor uso de TU na fala das mulheres. E a diferença entre homens e mulheres é ainda maior quando se especifica a faixa etária, chegando à ausência da ocorrência de TU, na fala das mulheres na faixa de mais de 30 anos, como demonstra Dias (2007: 75-76). A pesquisa de Andrade (2010), com a quarta geração de brasilienses, revela o incremento do TU na variedade brasiliense em formação. Novamente, há também menos uso do TU pelo gênero feminino. O fato é que a presença de TU na fala brasiliense pode variar, nas amostras pesquisadas, de 13% a 73%, mas, sempre, com menor índice na fala das mulheres, das moças e das meninas.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-a6fd9ee51acae159ded2997cd3b04bd8">
        <title>1.4. Faixa etária e aumento de uso do pronome TU</title>
        <p id="paragraph-b03e6cb7de189d7ec410ac6275a05d97">A expectativa das pesquisas no Sul, Nordeste e Norte era a de que haveria um processo de mudança em direção a maior uso do pronome VOCÊ, mas a quase totalidade das pesquisas consultadas indica, com surpresa, que as faixas mais jovens apontam maior uso do TU, mesmo em áreas onde o gênero (41% para as mulheres vs. 37% para os homens) ainda não apresentou significância estatística, como no Maranhão (Nordeste), segundo Alves (2010: 68; 92), mas com as mulheres também ligeiramente à frente dos homens, à semelhança do que ocorre na Bahia (Nordeste), no Norte e no Sul.</p>
        <sec id="heading-fc9e38c9741b20684e8da4044cee2eb6">
          <title>1.4.1. Homens à frente das mulheres na fala carioca e na fala brasiliense</title>
          <p id="heading-74f8570351179e64bbe0fa09d57a23ea">O efeito do gênero, além de não ser uniforme nas cinco regiões pesquisadas, revela também que os homens, em algumas circunstâncias, podem estar à frente das mulheres em todas as faixas etárias, nos termos da pesquisa de Lopes et alii (2009), sobre a fala carioca – reversão da mudança; e a de Dias (2007: 76), sobre a expansão do <italic id="italic-4875dbeb1caf1cc78b605444d3c8b1a6">tu </italic>na variedade brasiliense – aqui, um traço inesperado de focalização dialetal (cf. Scherre et alii, a sair).</p>
          <fig id="figure-panel-9964e48bcdc53f013dbb003c039dfbe6">
            <label>Figure 5</label>
            <caption>
              <p id="paragraph-391a46bc084d52c9a76f8c3fe4a71505" />
            </caption>
            <graphic id="graphic-00ea9eed100575eb4161f9d05d02775e" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="5_2.png" />
          </fig>
          <fig id="figure-panel-aaf0d0318b4a2dca23c9c4b684d29522">
            <label>Figure 6</label>
            <caption>
              <p id="paragraph-a1df458b360bc9891d17fa50f5135a88" />
            </caption>
            <graphic id="graphic-7ee34d61b50b722c1a65b296ad11277a" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="6_2.png" />
          </fig>
        </sec>
      </sec>
      <sec id="heading-998963f82448ff019d7f674fb9c78dac">
        <title>1.5. Algumas sínteses sobre o pronome TU: Sul, Norte e Nordeste vs. Sudeste e Centro-Oeste</title>
        <p id="heading-991890128713f9ce65bf242943e3210c">A partir das pesquisas apresentadas, podemos sintetizar os resultados da seguinte maneira: no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina (região Sul), em que o TU é de fácil registro, isto é, em que é facilmente captado nas entrevistas labovianas e em que há, também, uma forte ligação entre o uso do pronome e o traço de identidade geográfica, podemos afirmar que esse pronome é interno ao sistema e que o efeito da faixa etária está associado à formalidade e intimidade (Loregian-Penkal, 2004: 141) ou à polidez (Ramos, 1989: 65). Nesses casos, registra-se que há variação estável entre as formas TU e VOCÊ.</p>
        <p id="paragraph-73eeae16c18a80f58fbd9c588c16a583">Por outro lado, no interior da Bahia e no Maranhão (dois estados do Nordeste brasileiro), o pronome TU, de fácil registro, embora às vezes menos frequente e, também, um traço de identidade geográfica, é igualmente interno ao sistema linguístico, mas a faixa etária, diferentemente do que ocorre na região sul do Brasil, pode revelar mudança de TU para ainda mais TU, isto é, há um acréscimo no uso do pronome TU, conforme explicitado pelos resultados das faixas etárias dos informantes no trabalho de Oliveira (2005: 10) e de Alves (2010: 71). Esse uso foi ainda mais forte no Norte, em Tefé, Amazônia, e foi associado por Martins (2010: 62) a uma semântica baseada na solidariedade. Perguntamos, então, se não haveria, nas localidades do Nordeste e do Norte estudadas, uma mudança abaixo do nível da consciência social, dado o fato de ter sido colocada como hipótese inicial a possibilidade de diminuição do uso do pronome TU nessas localidades.</p>
        <p id="paragraph-a590dcd5b5dce9798af81f80e64f4b98">Apesar de haver um comportamento diferenciado entre os falantes das cidades do Sul, Nordeste e Norte pesquisadas, observamos que, em caso de variação estável (Sul) e mudança abaixo do nível de consciência social (Norte e Nordeste), há uma nítida tendência de as mulheres usarem o pronome TU mais frequentemente do que os homens. Entretanto, contrariamente ao proposto por Labov no Paradoxo da Conformidade, não há uma associação clara de prestígio ou de desvio das normas pré-estabelecidas em relação às formas TU ou VOCÊ. Esta associação se dá, às vezes, à questão da não concordância com o pronome TU, mas não claramente com a forma TU ou VOCÊ.</p>
        <p id="paragraph-3fbec521a09820fadafe1bfb48400b22">Inversamente ao que ocorre nas cidades do Sul, Nordeste e Norte, no Centro-Oeste (representado pela grande Brasília ou Distrito Federal) e no Sudeste (representado pela cidade do Rio de Janeiro), o pronome TU é de difícil registro, isto é, não aparece com frequência em entrevistas sociolinguísticas: as pesquisas com a fala brasiliense e com a fala carioca tiveram de usar métodos outros para “capturar” o uso do TU. Também não é visto como um traço de identidade geográfica, mas, sim, um traço de interação solidária, intimidade ou relação simétrica (Lucca, 2005: 87- 92; Dias, 2007: 82-83; Andrade, 2010: 78-82), embora isto também possa ocorrer nas regiões em que o TU é claramente um traço identitário, fato inerente à oposição T/V, nos termos de Brown &amp; Gilman (1960 [2003]).</p>
        <p id="paragraph-3bda9d013dc1913c1c07973977b48a1e">Relembramos que, no Rio de Janeiro, as amostras com entrevistas sociolinguísticas revelam baixo índice de TU (em torno de 6%) e que o seu registro mais amplo só foi possível com gravações ocultas ou anônimas. Mesmo assim, podemos ainda dizer que, nesta cidade, o pronome TU também é interno ao sistema e que a faixa etária atua de modo a enfatizar uma reversão de mudança de VOCÊ para TU, conforme exposto por Paredes (2.003:166-167). Perguntamos se estamos diante de uma mudança sem consciência social: esta questão não é ainda clara.</p>
        <p id="paragraph-3">Em Brasília, o pronome TU, conforme dito acima, também é de difícil registro, além de ser um traço de forte interação solidária. Entretanto, ao contrário do que ocorre no Rio de Janeiro, não fazia parte do sistema linguístico em 1992 (Andrade, 2004), e somente agora começa a se tornar parte do sistema linguístico local – focalização dialetal. É importante destacar que a faixa etária apresenta-se como uma variável importante, que revela uma expansão dos usos de TU nas faixas etárias mais jovens (Dias, 2007). Perguntamos se nos encontramos diante de uma mudança com consciência social: esta questão não é igualmente clara.</p>
        <p id="paragraph-6c3b80079dbc10b2680bbc6680dc7dcd">Destacamos que, em ambos os casos acima apresentados, a tendência das mulheres é usar menos o pronome TU do que os homens. Ressaltamos, ainda, que no Rio de Janeiro, há uma associação entre o uso desse pronome com as diferentes classes sociais (Lopes et alii, 2009: 19), porém em Brasília não há ainda dados para se fazer esta afirmação.</p>
        <p id="paragraph-0cc84dc75bd5b2f7d8227f8c45d9d93a">Em suma: associamos o uso <bold id="bold-1"><underline id="underline-1">mais</underline> </bold>frequente de TU <bold id="bold-2"><underline id="underline-2">por parte das</underline> <underline id="underline-3">mulheres</underline> </bold>(caso das localidades das regiões Sul, Nordeste e Norte), quando esse pronome for um traço mais geral ou de fácil registro e marcar a identidade geográfica dos falantes. Por outro lado, associamos o uso <bold id="bold-3"><underline id="underline-4">menos</underline> </bold>frequente de TU <bold id="bold-4"><underline id="underline-5">por parte das mulheres</underline> </bold>(caso das regiões Sudeste e Centro-Oeste), quando esse pronome for um traço menos geral ou de difícil registro e não marcar a identidade geográfica dos falantes, mas, sim, essencialmente, interação solidária ou de maior proximidade entre os falantes (logo, os homens estão à frente, quando esse pronome for um traço mais específico, marcando relações solidárias entre grupos mais coesos).</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-e69c919d3ba9ea68cf3f0f83b3e21bc7">
      <title> 2. Fatos adicionais: o imperativo gramatical (mudança <italic id="italic-0dfeb680b43d57d629aaa082c0a1de4a">from below</italic>) e a concordância verbal no português brasileiro (mudança <italic id="italic-b577ea58adfb22ba7df64401dff5ead2">from above</italic>)</title>
      <p id="paragraph-edadd4e4bc4bcbeee8f3fa6d5e3ef5cf">A partir dos três fenômenos mencionados, os pronomes de 2ª pessoa, o imperativo e a concordância verbal, pretendemos fazer algumas generalizações sobre o efeito do gênero na variação e na mudança linguística. Pudemos observar que a variação dos pronomes de 2ª pessoa no português brasileiro apresenta características diversas, a depender da comunidade analisada. Assim, em parte da região Sul do Brasil (Rio Grande do Sul e Santa Catarina), em parte da região Nordeste (em algumas comunidades da Bahia e no Maranhão) e em parte da região Norte (Tefé-AM), o pronome TU pode ser considerado um índice de identidade geográfica, diferente, ainda, do que ocorre em parte da região Sudeste (Rio de Janeiro) e parte da região Centro-Oeste (grande Brasília ou Distrito Federal), em que o TU é forte marca interacional.</p>
      <p id="paragraph-2464854821b1af005fd31fd4ebf679bb">O outro fenômeno observado, a variação do imperativo (Cardoso, 2007), apresenta uma reflexão interessante: em falantes nascidos em Fortaleza e residentes na grande Brasília, local em que prevalece o imperativo associado ao indicativo (<italic id="italic-2ea76ab46fed5a7eeee350685e211a7d">olha/diz/vem</italic>), parece haver uma mudança abaixo do nível da consciência social (<italic id="italic-5ddea2bc492506bc2dcb305b994b211e">change from below</italic>) em direção à forma associada ao indicativo (<italic id="italic-e3c0a528de442eb77822af80450a3b3f">olha/diz/vem</italic>), uma vez que a forma que prevalece na cidade de Fortaleza é a do imperativo associado ao subjuntivo (<italic id="italic-75f50dd14c5ef1f112e23ee354b82633">olhe/diga/venha</italic>).</p>
      <p id="paragraph-3c09893da18b56898ea8ba1931a1e5e0">Neste caso, Cardoso (2009: 108-109; Cardoso &amp; Scherre, a sair) observou que, ao lado da variável sócio-dentitária, com a maior identidade com Brasília favorecendo o imperativo associado ao indicativo (<italic id="italic-3093576f6f39033c13ce1de555cbd88e">fala</italic>), há também a variável gênero, com as mulheres favorecendo mais do que os homens as formas imperativas associadas ao indicativo, formas estas igualmente menos marcadas em termos de frequência de ocorrência no território brasileiro e de menor percepção por parte dos falantes.</p>
      <table-wrap id="table-figure-934af3ab5ce0b492b92cfacdfb27eeb2">
        <label>Table 1</label>
        <caption>
          <title>TABELA 4: Movimento de 16 fortalezenses em Brasília em direção ao imperativo associado ao indicativo (fala): o papel  de gênero do falante (Cardoso, 2007: 108-109), com adaptações.</title>
          <p id="paragraph-f7463a53f1fd1b85c911f05ea62af0fd" />
        </caption>
        <table id="table-914e7ba32bc46205ff9a7d7bb6a13112">
          <tbody>
            <tr id="table-row-9c0a40c81786d621dbffaefaf05e3dcc">
              <th id="table-cell-6295fb1cc72cbcb4c82cff2ebac675ba">Fatores</th>
              <th id="table-cell-6e3300b5f7d09bab43bfee136621c5af">Percentual de uso do imperativo associado ao indicativo fala/diz/vem</th>
              <th id="table-cell-4c7400b89d696af9a3631560601aa391">Peso relativo dos fatores</th>
            </tr>
            <tr id="table-row-8279517dc42ef3dc5ae38b46c4db277b">
              <td id="table-cell-fcf44eeb622430b7b6cd97169fc5f91e"> Mulheres </td>
              <td id="table-cell-9f751fe03a4c137cb0359268465a664b"> 449/585 = 77% </td>
              <td id="table-cell-3e939c89a7e390e70ff5bc23d01e918b"> 0,59 </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-d8168c581989bbad82579f4a7346154b">
              <td id="table-cell-b1837ca5ccf14d850f3c3a8e277759d3"> Homens </td>
              <td id="table-cell-c9da63d1ea2e9d22d3d9b3aec3d03fdc"> 215/387 = 56% </td>
              <td id="table-cell-e86e812752b44e5407e087cf3ec537fd"> 0,37 </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-af4fe7c6e063e90783310e4e6729109c">
              <td id="table-cell-e13ab20c17373beea1065449beee7071"> Total </td>
              <td id="table-cell-a0e6d7bca9376dccbf6926f7fb976d64"> 664/972 = 68% </td>
              <td id="table-cell-23422e9ca9bd3fb7602355c2e93fd0ef" />
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-d354ebf76f7f8f919b26bab3ffbdd42b">No caso da concordância verbal, a presença de concordância nas áreas urbanas é, em 2000, também a forma mais recorrente em termos médios, da ordem de 80% (Naro &amp; Scherre, 2010: 82), com base em dados extraídos do Corpus PEUL 2000. A forma com concordância é também a menos marcada socialmente: fazer concordância é que o esperado pela sociedade. Neste caso, também as mulheres estão à frente dos homens nos processos de mudança da concordância em direção à forma menos marcada, em especial quando se comparam dados extraídos do Corpus PEUL 1980 e Corpus PEUL 2000. É o que se pode ver no Gráfico 3, para os homens; e no gráfico 4, para as mulheres, em que se apresenta curva de estabilidade para os homens e mudança para as mulheres (Naro &amp; Scherre, 2010: 83-84). É fundamental observar que, neste caso, trata-se, no nosso entendimento, de uma mudança from above, ou seja, mudança que envolve consciência social.</p>
      <fig id="figure-panel-d356b9da4a663aa411526b249e98e6d4">
        <label>Figure 7</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-e1f4803ead3068369fcfc4c732554f60" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-86e74cfa2a89785e8c26cd46ef81d3a1" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="7_2.png" />
      </fig>
      <fig id="figure-panel-ab336cce7fead728acb7e7bc660633ac">
        <label>Figure 8</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-71abf97ffebf1ba4b460539ebca8205e" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-5c744eb5671917f116a2aca197aa976c" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="8_2.png" />
      </fig>
    </sec>
    <sec id="heading-f6579078a6147ff86563959fd376c81e">
      <title>3. Em busca de generalizações subjacentes ao efeito do gênero na variação e na mudança linguística</title>
      <p id="heading-cad4fae5b1b4749f08a63e99a528843a">Com base nos três fenômenos apresentados, alternância de TU/ VOCÊ; alternância de imperativo associado ao indicativo (<italic id="italic-4394e9f28c3b4fc0bf36b48de485d8db">olha/diz/vem</italic>) e imperativo associado ao subjuntivo (<italic id="italic-dd51c8c5d23a2768158418c419bd586b">olhe/diga/venha</italic>); e concordância verbal variável de terceira pessoa, podemos então fazer as seguintes proposições:</p>
      <p id="paragraph-4d904bf181c9803b42b3b711482c47f9">1) Traços linguísticos menos marcados, no sentido de serem menos dependentes das relações interacionais ou mais frequentes ou mais aceitos socialmente, tendem a ser favorecidos pelas mulheres: o <italic id="italic-8062a5703c620f375a7975501e53f761">tu </italic>como índice de identidade geográfica, o imperativo associado ao indicativo em contatos dialetais, a presença da concordância verbal.</p>
      <p id="paragraph-8aa65084e3117e300bf96a879da1d4fe">Generalização: em configurações menos marcadas - e não necessariamente mais prestigiadas - as mulheres estão à frente na variação ou na mudança.</p>
      <p id="paragraph-dbb279a5d1438ab339b3b730d174713e">2) Traços linguísticos mais marcados, no sentido de serem mais dependentes das relações interacionais ou menos frequentes ou menos aceitos socialmente, tendem a ser favorecidos pelos homens: o tu como índice de interação solidária; o imperativo associado ao subjuntivo em contatos dialetais; a ausência de concordância verbal.</p>
      <p id="paragraph-5">Generalização: em configurações mais marcadas - e não necessariamente menos prestigiadas – os homens estão à frente na variação ou na mudança.</p>
      <p id="paragraph-f85bd2fa3dc945695ab8c243ea63e781">Assim, a questão do prestígio é apenas um dos aspectos da noção de marcação. O princípio da marcação é que, a nosso ver, pode nos trazer luzes para um entendimento do papel gênero nos fenômenos de variação estável, de mudança sem consciência social (<italic id="italic-32aac47dce6ef0e5c739402f62ec2ec8">change from below) </italic>e mudança com consciência social (<italic id="italic-a4c7afc976cfe4374734d7325d865fe3">change from above</italic>).</p>
      <p id="paragraph-7">Embora tenhamos sempre em mente as palavras de Paiva (2003: 41), em seu texto “A variável gênero/sexo”, no sentido de que, “evidentemente, qualquer explicação acerca do efeito da variável gênero/ sexo requer cautela, vistas as peculiaridades na organização social de cada comunidade linguística e as transformações sofridas por diversas sociedades no que se refere à definição dos papéis feminino e masculino”, consideramos que a questão da marcação das formas linguísticas tem de fazer parte de nossas reflexões, na busca do entendimento mais integrado da variável gênero.</p>
      <p id="paragraph-4c82e6cdb32fa3b781e2c330bbf05519">Assim, consideramos que as pesquisas aqui apresentadas mostram que se faz necessária a proposição de uma agenda de trabalho voltada para o entendimento do papel do gênero na variação e na mudança linguísticas. A proposta acima explicitada, que remete ao Princípio da Marcação Linguística e Social (Givón, 2005), também requer muita cautela, uma vez que buscamos associar a variação estável e as mudanças com e sem consciência social a esse princípio, em relativa contraposição ao “Princípio da não conformidade” e ao “Princípio da não conformidade construtiva” de Labov (2001: 216).</p>
      <p id="paragraph-8ecb1428b0511723aa41474fee10925e">Labov (2001: 516), após profundas análises sobre o papel do gênero na variação e na mudança linguística, em uma busca mais geral da localização social das líderes da mudança linguística, como uma abordagem para o entendimento das causas e motivações da mudança sem consciência social, que, segundo ele, é a mudança natural e sistemática, propõe o Princípio da não conformidade nos seguintes termos:</p>
      <p id="paragraph-1305a0d263bc968f0981b3ea516e93fe">Mudanças linguísticas em andamento sãoemblemáticas da não conformidade às normas sociais estabelecidas de comportamento apropriado e são geradas no meio social que mais consistentemente desafia aquelas normas.</p>
      <p id="paragraph-24e0942c1a4a489d68e44ca9e0dc0cc1">Labov (2001) pondera, a seguir, que “é o comportamento não conformista das mulheres que faz delas as líderes da mudança, não seu gênero.” Reforçando sua tese, Labov (2001: 516) afirma, ainda, que não é qualquer conformista que conduz a comunidade [no processo] de mudança linguística; é o não conformista que é visto por seus vizinhos como um modelo de ascensão social.</p>
      <p id="paragraph-744d992680d95e1429dc5337415880f5">Essa relação entre mudança linguística e não conformidade é ressaltada por Labov (2001: 514) por meio do Princípio da Idade do Ouro (<italic id="italic-67d8a243e83adac74f1ed8f1c10bfa3b">Golden Age Principle</italic>), que reflete, segundo ele, a crença do senso comum de que “em algum lugar no passado, a língua estava em estado de perfeição”. Para Labov (2001: 514), isso indica “que a mudança linguística tem de ser interpretada como não conformidade às normas estabelecidas e que as pessoas rejeitam as mudanças na estrutura linguística quando tomam consciência delas.”</p>
    </sec>
    <sec id="heading-b02832db3089e62b4b4f301403e0f498">
      <title>Observações finais</title>
      <p id="heading-7e7807dd4f7976375020dcacfd6fa831">De tudo o que acabamos de dizer, consideramos oportuno estabelecer tarefas e sugestões para uma agenda de trabalho para reflexões futuras sobre nossa proposta de entendimento do papel do gênero, baseada no Princípio da Marcação Linguística e Social (Givón, 2005), que busca dar conta do gênero de forma mais integrada.</p>
      <p id="paragraph-7763119beaf37aeb8db790df5f92f626">Seguem abaixo alguns aspectos que consideramos pertinentes registrar:</p>
      <p id="paragraph-be6d6b04e74c014791ca1d97e8324462">1) A importância da codificação da variável sexo na busca do entendimento do papel do gênero – a questão da comparabilidade dos resultados.</p>
      <p id="paragraph-345c1e958e4eabd65e119c5bcb732740">2) A questão das amostras e dos gêneros discursivos: será que há mesmo reversão de mudança ou apenas mais percepção do <italic id="italic-93421f665fbf13313fb31bbcaa085d81">tu</italic>?</p>
      <p id="paragraph-d60b8fd9321f2271dd25a803548c6208">3) A necessidade de amostras maiores para análises dos dados dos homens e das mulheres separadamente.</p>
      <p id="paragraph-d24a3cd0c9f32945cc6567cc00514e43"><italic id="italic-bc3cc9f74be68f53c8f882b668434090">4) </italic>O controle do papel do indivíduo (tarefa metodologicamente fácil) e das comunidades de prática (tarefa metodologicamente difícil)<italic id="italic-23abbc33238bba0d2a8ff36d0a3baca3">.</italic></p>
      <p id="paragraph-447ea80ed2b34c734dc7b8a230b08c6d">5) A importância da relação entre os interlocutores no processo de escolha dos pronomes de segunda pessoa.</p>
      <p id="paragraph-a0576acf2de13393d47c6a342b31f367">6) A difícil tarefa de considerar a questão das classes sociais no Brasil e a importância dada por Labov (2001) à relação entre gênero e classe social e os diversos momentos da mudança linguística.</p>
      <p id="paragraph-c8bc468acceda5a436c9854caa354412">7) O papel dos zeros: se o zero é fruto de conexão discursiva nos termos de Paredes (1988) ou se é outra variante na referência à segunda pessoa, nos termos de Ramos (1989), para dados de Florianópolis-SC-Sul; e de Martins (2010), para dados de Tefé- AM-Norte.</p>
      <p id="paragraph-756efe9247649dbb7821f9719e61b137">8) A importância do detalhamento das variantes <italic id="italic-d0c12622699c57f9c554a3c7f15a5b72">você</italic>, <italic id="italic-c2a4749e40d6439cbb0b3a902012eddd">cê </italic>e <italic id="italic-e13792eab29f7232b304c6614e221235">ocê </italic>e suas inter-relações entre si e com o pronome <italic id="italic-3e7cf3716cf56d794c5e337e6c00b627">tu </italic>em todas as pesquisas já realizadas e por se realizar (tarefa relativamente fácil, mas que implica tratamento eneário das variantes estudadas).</p>
      <p id="paragraph-7be1f983975a9b05544c31947f990a2f">9) Análise minuciosa dos trabalhos que estudaram a alternância entre <italic id="italic-f2961d0780827554999618005b9b6197">você/cê/ocê</italic>, na busca dos efeitos do gênero do falante (tarefa que pode e deve levada a cabo também por estudiosos mineiros, cariocas, capixabas e paulistas dedicados ao tema, em especial, Jânia Ramos, Maria do Socorro Vieira Coelho, Edenize Ponzo Peres, Clézio Roberto Gonçalves, Elba Nusa Calmon e Ivanete Belém do Nascimento, com quem temos mais contato).</p>
      <p id="paragraph-59dde2c5c9670bcb87c91d3641285077">10) Análise minuciosa de todos os trabalhos variacionistas sobre outros fenômenos, na busca de verificar o papel do gênero em uma gama mais ampla de fenômenos variáveis (tarefa também de múltiplas mãos e mentes)</p>
    </sec>
    <sec id="heading-1dadeba39dc9a389f4dbf70b4d84b36e">
      <title>Referências</title>
      <p id="heading-a6ef6d39b3625a0f0cb8362e082fba4a">ALVES, Cibelle Corrêa Béliche. <bold id="bold-5979150043446613c9732b3befe03cdf">O uso do tu e do você no português falado no Maranhão</bold>. Dissertação (Mestrado), Universidade Federal do Ceará. 2010.</p>
      <p id="paragraph-65ca117b0d1fcd45b13f118bc2ee5614">ANDRADE, Adriana Lilia Vidigal Soares de. <bold id="bold-d6e7d0237a067a2254d876dc96629a6a">A variação </bold><bold id="bold-0f3d82c87f6288ced12c3c4ac67d216a"><italic id="italic-aa20357c8ee4af1797926dee64733506">você</italic></bold><bold id="bold-bdba50a418782c59c87a12b695bbb6b0">, </bold><bold id="bold-5"><italic id="italic-76041115ebd9dd16c1ec02eebdf80758">cê</italic></bold><bold id="bold-6">, <italic id="italic-bb91f8137b8d9019b9593911821d99e9">ocê </italic></bold><bold id="bold-7">no português brasileiro falado</bold>. 2004. Dissertação (Mestrado), Universidade de Brasília. 2004.</p>
      <p id="paragraph-8e787bc84e89a87e6c5d244c39780848">ANDRADE, Carolina Queiroz. <bold id="bold-8">“Tu e mais quantos?” </bold><italic id="italic-c43391e33562564e23522b1125fbc5ef">- </italic>A segunda pessoa na fala brasiliense. Dissertação (Mestrado), Universidade de Brasília. 2010.</p>
      <p id="paragraph-c96d222c531613ae12c9366c990bbd78">CALMON, Elba Nusa. <bold id="bold-051e467040f61553674f4a51ae7d5250">Ponte da passagem: </bold><bold id="bold-68d5e24491b1efee253fb317435c6310"><italic id="italic-4274e01f00f8e166a5a5e0d502ed8297">você </italic></bold><bold id="bold-2b707229f4cd885df71279ebf4dbec21">e </bold><bold id="bold-ec08647b4161f1cd1c8c126df61f8003"><italic id="italic-cdec7fbb0425065c7bb58ad2d3abc375">cê </italic></bold><bold id="bold-b3d045062fd83e5302404548222ea4c6">transitando na fala de Vitória (ES)</bold><italic id="italic-9fe0821e2add126d28d120dcde453014">. </italic>Dissertação (Mestrado), Universidade Federal do Espírito Santo. 2010.</p>
      <p id="paragraph-7006a60c2689e1d0a01a1174d7dba35d">CARDOSO, Daisy Bárbara Borges. <bold id="bold-82bf09eb004d8c6cca89007c1e3d4770">Variação e mudança no português </bold><bold id="bold-a0a1c6ac99b92ef9e41647a7de95645c">brasileiro: </bold>gênero e identidade. Tese (Doutorado), Universidade de Brasília. 2009.</p>
      <p id="paragraph-9eb44c92f10abac2cd83fdf4e2efb95a"><underline id="underline-1b16d851b3b95e3cc208220bc3de241b"> _______</underline>. SCHERRE, Maria Marta Pereira. <bold id="bold-6e275492341e03f194c1fcba587b956d">Gênero e identidade no contato linguístico de fortalezenses com a fala brasiliense: </bold>o caso do imperativo gramatical. Brasília: Universidade de Brasília, número especial da Papia, A sair em 2011.</p>
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      <fn id="footnote-98dbb29bc6b2a9cac913758e5d436a7a">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-1d79374b443a0467b0b4a23de4ff4c9c">A primeira autora deste texto é pesquisadora IB do CNPq, de quem recebe bolsa de Produtivi- dade em Pesquisa (PQ).</p>
      </fn>
    </fn-group>
  </back>
</article>