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<journal-title>Revista da Abralin</journal-title>
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<publisher-name>Associação Brasileira de Linguística</publisher-name>
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        <article-title>CONSTRUÇÃO COLETIVA DE GRAMÁTICAS DESCRITIVAS: REFLETINDO SOBRE A EXPERIÊNCIA BRASILEIRA</article-title>
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    <sec id="heading-b0b491369f89812733fdbf44fc784113">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-1">A moderna Linguística fixou-se no Brasil a partir dos anos 70. Até então, os brasileiros interessados nessa disciplina tinham apenas três possibilidades para estudá-la: as aulas de Joaquim Mattoso Câmara Jr. na Universidade do Brasil, hoje UFRJ, as de Theodoro Henrique Maurer Jr. na Universidade de São Paulo, ou, aqui, em Curitiba, as aulas de Raul Farâni Mansur Guérios.</p>
      <p id="paragraph-2">De lá para cá muita coisa mudou. Apenas para lembrar: o I Seminário de Linguística de Marília, realizado em 1967, reuniu <bold id="bold-1">todos </bold>os linguistas brasileiros de então, escassamente uns 15 ou 20. A ABRALIN, fundada em 1969, por proposta apresentada naquele seminário, tem hoje centenas e centenas de associados. Isso, sem falar nas muitas associações regionais de Linguística.</p>
      <p id="paragraph-3">Como todo movimento científico que estreia, a Linguística brasileira precisava escolher um inimigo. Escolheu dois: a Filologia, entendida como edição crítica de textos, e a gramática tradicional. A primeira voltou, felizmente, trazida pelo ressurgimento da Linguística Histórica, e a segunda resiste ainda em alguns grotões.</p>
      <p id="paragraph-16635962eec8a4c97afed5df17cc10d1">Passadas as primeiras horas de emoção, ficou claro que os linguistas brasileiros precisariam definir seus caminhos. Vou me fixar num deles: a documentação e a descrição do português brasileiro falado. Depois de quebrar a cabeça com as transcrições de conversas, pelo menos dois rumos derivaram desses esforços: a análise da conversação e a descrição gramatical.</p>
      <p id="paragraph-a0b6d31d41b4408a708e1c8bd84f8f0a">Mas a malhação da gramática tradicional exigia, como contraparte, que se demonstrasse que poderíamos dispor de boas gramáticas descritivas, em que não se encontrassem aqueles erros todos com que nos indignávamos em nossos seminários.</p>
      <p id="paragraph-4">Foi assim que começamos a escrever gramáticas, donde a relevância desta mesa-redonda, em que foram reunidos uma linguista portuguesa, uma linguista espanhola e dois brasileiros, escritores de gramáticas, competentemente presididas por Rodolfo Ilari, que também é do ramo. Juntamente com os integrantes desta seção, agradeço à Diretoria da ABRALIN por ter patrocinado este encontro.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-535a0de64a6a77d4b3e9015a48a9de34">
      <title>1. Gramáticas escritas por linguistas</title>
      <p id="heading-3e54d0e9285eab6da0056ec3270a7ffe">Tomada a decisão de escrever gramáticas, duas opções ocorreram entre os linguistas-gramáticos brasileiros.</p>
      <p id="paragraph-07a11c3a33094545a56eff13e0718cda">Uns optaram pelo trabalho individual. Pela ordem cronológica, temos nesta categoria primeiramente Mário Alberto Perini, com sua <italic id="italic-1">Gramática </italic><italic id="italic-2">descritiva do Português</italic>, de 1995, a que se seguiram a <italic id="italic-3">Modern Portuguese, a reference Grammar</italic>, de 2002, e a <italic id="italic-4">Gramática do Português Brasileiro, </italic>de 2010. Logo depois, veio Maria Helena Moura Neves, com sua monumental <italic id="italic-5">Gramática de Usos do Português</italic>, de 2000, com 1037 páginas, fundamentada num vasto corpus de análise.</p>
      <p id="paragraph-593bf1cb00e13540bc5d096033de6724">Outros optaram por iniciativas coletivas. Maria Helena Mira Mateus deu início a esta forma de elaboração de gramáticas, em Portugal, em 1983, com sua <italic id="italic-6">Gramática da Língua Portuguesa</italic>, de que se tiraram 4 edições. Em 1999, ela e as demais autoras – lembremo-nos de que esta gramática foi escrita exclusivamente por mulheres! – decidiram <italic id="italic-add37920bb9934785bcd63457f23e99b">“preparar uma nova </italic><italic id="italic-cbaa4f08cf86a4488ca7cc96fce465d0">edição, amplamente revista, com maior pendor descritivo, com um estilo menos tecnicista </italic><italic id="italic-a52f84b61424f2e6405960c88363f17a">e com uma cobertura linguística mais ampla”. </italic>A quinta edição, publicada em 2003, é de fato uma nova obra, do alto de suas 1127 páginas. A vizinha Espanha não ficou atrás, e em 1999 saiu a enorme <italic id="italic-81cfb00d8089a1e285ef544be2d692e5">Gramática descriptiva de </italic><italic id="italic-cd94dac0b9a75e1bb31819009716c272">la Lengua Española</italic>, editada por Ignacio Bosque e Violeta Demonte, com 3 volumes, mais de 5000 páginas, escritas por 73 autores! Sem dúvida, a mais completa gramática de uma língua românica.</p>
      <p id="paragraph-3c259f43845c588cfe0efaa47a0ce186">Deixando de lado a <italic id="italic-44ec09e4c2e340b4c11f1ec5ad2b8e5e">Grande grammatica di consultazione</italic>, de Lorenzo Renzi e Giampaolo Salvi, de 3 volumes, e a <italic id="italic-7">A Comprehensive Grammar of </italic><italic id="italic-8">English Language, </italic>de Randolph Quirk e associados, retorno ao Brasil, e passo a fazer algumas considerações sobre a <italic id="italic-9">Gramática do Português Culto Falado no Brasil</italic>, que teve início em 1987. Em seguida, apresento algumas reflexões teóricas baseadas nos achados dessa gramática, terminando minha intervenção com um pedido à ABRALIN.</p>
      <p id="paragraph-1b5182cc0fbd0210fcd8318068434b89">Naquele ano de 1987, quatro anos depois da iniciativa de Maria Helena Mira Mateus, e a convite da Profa. Maria Helena de Moura Neves, apresentei ao Encontro Nacional da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Letras e Linguística, ANPOLL, realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, o “Projeto de Gramática do Português Falado”, (PGPF), voltado para a preparação coletiva de uma gramática do português falado.</p>
      <p id="paragraph-b8e0a0a1454f636eaabd73fcd7387c8d">Tendo havido boa receptividade à ideia, convoquei em 1988 o I Seminário desse projeto, no qual se debateu o plano inicial, que era o de <italic id="italic-10">“preparar uma gramática de referência do português culto falado no Brasil, descrevendo seus níveis fonológico, morfológico, sintático e textual”.<italic id="italic-11"/></italic></p>
      <p id="paragraph-5">Reconheceu-se nesse primeiro encontro que seria impossível selecionar uma única articulação teórica que desse conta da totalidade dos temas que se espera ver debatidos numa gramática descritiva, numa gramática de referência, como a que se planejava escrever. As primeiras discussões cristalizaram esse reconhecimento, tendo-se decidido dar livre curso à convivência dos contrários no interior do projeto. Como forma de organização, distribuíram-se os pesquisadores por Grupos de Trabalho (GTs), sob a coordenação de um deles. Cada GT traçou o perfil teórico que pautaria suas pesquisas e organizou sua agenda de pesquisas. Os textos que fossem sendo preparados e discutidos em seu interior seriam posteriormente submetidos à crítica da totalidade dos pesquisadores, reunidos em seminários plenos. O <italic id="italic-b033c5044d6008db48f6bc194c12acf4">corpus </italic>utilizado foi uma seleção de entrevistas do Projeto NURC/Brasil, organizada segundo as características desse projeto.</p>
      <p id="paragraph-3cb1603dab641621f67cf5728b2a68a1">Trinta e dois experimentados pesquisadores atuaram no PGPF, ligados a 12 universidades brasileiras, distribuídos pelos seguintes GTs: (1) Fonética e Fonologia, coordenado inicialmente por João Antônio de Moraes, e posteriormente por Maria Bernadete Marques Abaurre; (2) Morfologia Derivacional e Flexional, coordenado por Margarida Basílio e Ângela Cecília de Souza Rodrigues, respectivamente; (3) Sintaxe das Classes de Palavras, coordenado inicialmente por Rodolfo Ilari, que preside esta sessão, e posteriormente por Maria Helena de Moura Neves; (4) Sintaxe das Relações Gramaticais, coordenado inicialmente por Fernando Tarallo, e posteriormente por Mary Aizawa Kato; (5) Organização Textual-Interativa, coordenado por Ingedore Grunfeld Villaça Koch.</p>
      <p id="paragraph-e31464761f59c03f6fd230411ed1ba2f">Entre 1988 e 1998 foram realizados dez seminários plenos, ao longo dos quais os textos apresentados eram reformulados e publicados em uma série própria, editada pela Unicamp, em 8 volumes: Castilho (org. 1990, 1993), Ilari (org. 1992), Castilho / Basílio (orgs. 1996), Kato (1996), Koch (org., 1996), Neves (org. 1999), Abaurre / Rodrigues (orgs. 2003). A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo financiou as atividades, também apoiadas pelo Conselho Nacional de Pesquisas.</p>
      <p id="paragraph-600e16e66611b60dcce8108c1bc3b2f6">A partir de 1990, solicitou-se ao Prof. Mílton do Nascimento, então da UFMG, que conduzisse os debates dos problemas teóricos suscitados pelos trabalhos apresentados, na qualidade de assessor acadêmico do PGPF. Isso ocorreu sistematicamente no último dia de atividades, a partir do IV Seminário, resultando daí os textos de Nascimento (1993 a, b).</p>
      <p id="paragraph-ccdefd344f591d38fc8de31f17a55b1d">Encerrada a agenda do PGPF, deu-se início em 2000 à consolidação dos ensaios e teses publicados entre 1990 e 2000, projetando-se uma série de 5 volumes, de que se publicaram 3 até esta data: vol. I - Construção do texto falado: Jubran / Koch (orgs. 2006), 557 págs; vol. II – Classes de palavras e processos de construção: Ilari / Neves (orgs. 2008), 1167 págs; vol. III – A construção da sentença, Kato / Nascimento (orgs. 2009), 340 págs. Estão em fase final de preparação o vol. IV, a construção morfológica da palavra, por Ângela Cecília de Souza Rodrigues e Ieda Maria Alves, e o vol. V, a construção fonológica da palavra, por Maria Bernadete Marques Abaurre.</p>
      <p id="paragraph-a56238075df52cd03904b72f3dd8a7d3">A articulação teórica desses volumes consta das respectivas Apresentações, escritas por seus organizadores. Isso já tinha acontecido anteriormente, na série dos 8 volumes de ensaios. Preparei uma síntese desses debates todos, que saiu como Apresentação do volume I, da série de consolidação: Jubran / Koch (orgs. 2006: pp. 7-26)</p>
      <p id="paragraph-5783e988ae5a8f0efa19d23747924476">Não se preocupem, não vou reproduzir aqui todos esses argumentos. Nenhuma tecnologia manteria acordada nossa assistência, caso o tentasse. Optei então pela síntese que se segue.</p>
      <p id="paragraph-cfad833901b78ca1500f6620ba59bc04">Duas perspectivas inconciliáveis à altura separavam os pesquisadores: a perspectiva formal e a perspectiva funcional sobre a linguagem. Depois de algumas tentativas iniciais de catequese, todas frustradas, combinou- se que os formalistas, abrigados nos GTs de Sintaxe, de Morfologia e de Fonologia, e os funcionalistas, abrigados nos GTs de Organização textual-interativa e no de Classes de palavras, seguiriam seu caminho, encontrando-se anualmente nos seminários plenos, para compartilhar os resultados obtidos.</p>
      <p id="paragraph-1a242e09c247be3cd279920ce3da8684">Ocorreu, entretanto, uma inesperada convergência. E é que a maior expectativa que as pessoas alimentam ao consultar uma gramática de referência é encontrar ali, devidamente hierarquizados, um conjunto de <underline id="underline-1">produtos</underline> linguísticos, o chamado enunciado, disposto em planos classificatórios mais ou menos convincentes.</p>
      <p id="paragraph-6">Ora, a <italic id="italic-a4261694950d82223335c3bd0a88b5bb">Gramática do Português Culto Falado no Brasil </italic>deixou de lado essa estratégia, tendo buscado identificar os <underline id="underline-2">processos</underline> acionados para a produção do enunciado. Indo nesta direção, Nascimento (1993b) propôs que o texto é <italic id="italic-737d4f188235573e5c481bd75eb89b03">o lugar onde é possível identificar as pistas indicadoras das </italic><italic id="italic-3121b88fe2827cf0f542e3dede234e8c">regularidades que caracterizam a atividade linguística do falante</italic>. A esse respeito, ele fez as seguintes afirmações, que gozam de certo consenso entre os pesquisadores:</p>
      <p id="paragraph-84e1aab9ae08269a93411f76125a5f85">a) Uma concepção da linguagem como uma atividade, uma forma de ação, a verbal, que não pode ser estudada sem se considerar suas principais condições de efetivação.</p>
      <p id="paragraph-861142b009060d14f37b4f77b5d1bd24">b) A pressuposição de que, na contingência da efetivação da atividade linguística do falante/ouvinte [na produção e recepção de textos] temos a manifestação de sua competência comunicativa, caracterizável a partir de regularidades que evidenciam um sistema de desempenho linguístico constituído de vários subsistemas.</p>
      <p id="paragraph-e4002447102789e08afdf0ba36782f2c">c) A pressuposição de que cada um desses subsistemas constituintes do sistema de desempenho linguístico [o discursivo, o semântico, o morfossintático, o fonológico...] é caracterizável em termos de ‘regularidades’ definíveis em função de sua respectiva natureza.</p>
      <p id="paragraph-fca10b352654124d919bb5169e8ca409">d) A pressuposição de que um dos subsistemas constituintes desse sistema de desempenho linguístico é o subsistema computacional, [entendido como uma noção mais ampla que a de Língua I], definível em termos de regras e/ou princípios envolvidos na organização morfossintática e fonológica dos enunciados que se articulam na elaboração de qualquer texto.</p>
      <p id="paragraph-7">e) A pressuposição de que o texto é o lugar onde é possível identificar as pistas indicadoras das regularidades que caracterizam o referido sistema de desempenho linguístico.</p>
      <p id="paragraph-8">Outros pontos de convergência tinham sido assinalados por Mary Kato, na introdução ao vol. V, por ela organizado: Kato (org. 1996).</p>
      <p id="paragraph-f6c4639ba036c5c940b56b67fd6d96d5">O fato é que, em suma, procurando os produtos, toparam os pesquisadores com os processos constitutivos da língua. É por isso que todos os volumes da série de consolidação têm por subtítulo a palavra “<italic id="italic-c0dca9e8311c4da6d33ed2357281b752">construção”: </italic>construção do texto, da sentença, das classes de palavras, construção morfológica da palavra, construção fonológica da palavra.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-4fd938e046c14dc9f8262b8bc77357ea">
      <title>2. Abordagem multissistêmica da linguagem</title>
      <p id="paragraph-d2e99d7f17f8a175f7147c2c6544c1e9">Tendo acompanhado esse projeto em todas as suas fases, fui desenvolvendo paralelamente algumas generalizações, que em nada comprometem os pesquisadores. Dei a essas generalizações a denominação de “abordagem multissistêmica” da linguagem: Castilho (1998 a,b, 2002, 2003 a,b, 2004 a,b,c, 2007, 2009 a,b,c, 2010 a,b,c,d, 2011).</p>
      <p id="paragraph-9d09875dd3c62143e56f719238b7d34f">Primeiramente, chamaram minha atenção certas propriedades da língua falada, que ampliaram as convicções do grupo sobre as línguas naturais, fazendo naufragar as técnicas de análise então disponíveis.</p>
      <p id="paragraph-6400436bad9e68c21770a49fe641a398">A língua falada é extremamente dinâmica, pois documenta a uma só vez o momento do planejamento e o momento da execução linguística, dada sua dialogicidade constitutiva. Os seguintes traços comprovam a dinamicidade da língua falada: (i) sua não linearidade, documentada por sua sintaxe biaxial, (ii) a ocorrência simultânea de propriedades dos enunciados, traço que desaconselha uma descrição separada por níveis de análise, (iii) a alta frequência de elipses, anacolutos e segmentos epilinguísticos, desqualificando a sentença como unidade única de análise.</p>
      <p id="paragraph-53ab44a5e293a2db488fbf2c3434225e">A observação desses e de outros traços me levaram a propor a abordagem multissistêmica da linguagem. Essa perspectiva assenta na epistemologia das ciências complexas e na retomada de um debate teórico que começou no séc. XIX.</p>
      <p id="paragraph-58a6351620995a6351645ae395304f38">As ciências complexas, ainda não apropriadas pela Linguística, tanto quanto saiba, podem ser definíveis a partir dos seguintes pressupostos:</p>
      <p id="paragraph-85326886bc4f649eb11ff7e09743ee3d">(1) Os componentes dos sistemas complexos exibem um tipo de ordem sem periodicidade, em fluxo contínuo, em mudança.</p>
      <p id="paragraph-c90b6df4f31b3d1bba6e85e70774e246">(2) Os sistemas não são lineares, são dinâmicos, exibem um comportamento irregular, imprevisível; a competição entre eles é mais importante que sua consistência.</p>
      <p id="paragraph-ecceb252ec82b21e4827683b728e8d50">(3) Os elementos dos sistemas complexos exibem relacionamentos simultâneos, não são construídos passo a passo, linearmente.</p>
      <p id="paragraph-40c10a034f1956166bd86edfc324243e">(4) As anomalias identificadas pela abordagem clássica exemplificam fenômenos vitais para o entendimento do problema, e não deveriam ser descartadas como aberrantes.</p>
      <p id="paragraph-3b88f2ecb8a7048ab0bf4521369c7efb">(5) Uma nova topologia do impreciso, do vago, do aproximativo, precisará ser proposta.</p>
      <p id="paragraph-da8a3ca96e37304d2c007efce5f749cc">A aplicação desses pressupostos à análise linguística implicará em que aceitemos que</p>
      <p id="paragraph-10">(1) Do ângulo dos processos, as línguas são definíveis como um conjunto de atividades mentais, pré-verbais, organizáveis num multissistema operacional, ou seja, a lexicalização, a semanticização, a discursivização e a gramaticalização.</p>
      <p id="paragraph-11">(2) Do ângulo dos produtos, as línguas são um conjunto de enunciados dispostos em sistemas, definidos por categorias próprias e organizadas igualmente num multissistema, ou seja, o léxico, a semântica, o discurso e a gramática.</p>
      <p id="paragraph-12">(3) Um dispositivo sociocognitivo comanda os sistemas linguísticos. Ele pode ser descrito em termos de ativação, reativação e desativação das propriedades que constituem os sistemas linguísticos. Esse dispositivo é social porque decorre da observação das estratégias conversacionais, e é cognitivo porque assenta nas representações linguísticas das categorias cognitivas.</p>
      <p id="paragraph-870fddd2d2f7e8dfdfb00a61df37caab">O <underline id="underline-ad2fb7e48f408427e6401166ae6cb98a">princípio de ativação</underline>, ou princípio de projeção pragmática, é o movimento de seleção de propriedades. No Léxico, a ativação é a escolha das categorias cognitivas e de seus traços semânticos que serão representados nas palavras. A ativação das propriedades semânticas tem o papel de escolher as expressões necessárias à representação da dêixis, da referenciação, da predicação, da foricidade e da conexidade. No sistema discursivo, a ativação seleciona as expressões necessárias à constituição e à hierarquização dos tópicos, à construção das unidades discursivas e sua conexão, etc. Mais conhecida na Gramática, em que tem sido denominada “transitividade”, “princípio de projeção”, a ativação é responsável pela construção dos sintagmas, pela organização da estrutura argumental das sentenças, pela ordenação dos constituintes no enunciado, pela concordância entre eles, pelos processos de adjunção, etc.</p>
      <p id="paragraph-70331287b80161f1f5aa4799189ae86a">O <underline id="underline-0e78fee9893a4a41853b4bc6edaf666b">princípio de reativação</underline>, ou princípio de correção, é o movimento mental por meio de que rearranjamos as propriedades dos sistemas, retomando a construção do enunciado. Esse princípio encontra seu fundamento no sistema de correção conversacional. A reativação produz no Léxico novas representações das categorias cognitivas. Na Semântica, a reativação provoca a paráfrase, ou recorrência de conteúdos, apresentados por expressões formalmente diferentes. No Discurso, a reativação abre caminho à repetição dos enunciados para assegurar a coesão do texto, a alteração do eixo argumentativo, etc. Na Gramática, pelo menos dois rótulos têm sido utilizados na literatura para captar os efeitos desse princípio: poligramaticalização e reanálise. A reanálise, dada como um dos princípios da gramaticalização, decorre do princípio de reativação. Reanalisam-se sintagmas e sentenças, o que acarreta mudanças da fronteira sintática, entre outros fenômenos.</p>
      <p id="paragraph-3c8b4f1f47d44bdff80ba470a573011a">O <underline id="underline-3">princípio de desativação</underline>, ou princípio do silêncio, é o movimento de abandono das propriedades e das palavras que estavam sendo ativadas. Este princípio mostra que o silêncio é igualmente constitutivo da linguagem. Também este princípio assenta nas práticas conversacionais, quando ocorre a chamada “despreferência”, que consiste em verbalizar o que não é esperado, violando-se o princípio de projeção pragmática. Isso ocorre quando respondemos a uma pergunta com outra pergunta, quando recusamos um convite, etc. Nestes casos, cria-se na conversação um “vazio pragmático”, segundo Luiz Antonio Marcuschi. O princípio de desativação promove no Léxico a morte das palavras. No sistema semântico, ele está por trás das alterações de sentido presentes nas metáforas, nas metonímias, na especialização e na generalização de sentidos, por meio dos quais “silenciamos” o sentido anterior e simultaneamente ativamos novos sentidos. No sistema discursivo, a desativação produz a alteração da hierarquia tópica, levando os locutores a manobras tais como os parênteses e as digressões, que são desativações da estruturação tópica do texto. Na Gramática, o princípio de desativação é responsável pelas rupturas sintáticas, pelos anacolutos, e pelas categorias vazias, de que se encontram exemplos na Fonologia (sílaba com núcleo vocálico omitido), na Morfologia (morfema flexional zero) e na Sintaxe (elipse de constituintes sentenciais, ou categoria vazia).</p>
      <p id="paragraph-1758137ab51de72faee8a9a6a9dc700b">É importante entender que esses princípios operam ao mesmo tempo, não sequencialmente. Assim, a desativação ocorre simultaneamente com a ativação, e esta com a reativação, o que compromete o princípio da unidirecionalidade. A mente humana parece funcionar como um sistema complexo, e precisaremos sem dúvida entendê-la como tal – tarefa que certamente ocupará os linguistas nos tempos por vir.</p>
      <p id="paragraph-a12affd9dc12781ae7efa2d6c238f90f">Em suma, postulo as línguas naturais como um conjunto articulado de quatro sistemas, cada um deles configurado por um conjunto de categorias, suficientemente fortes para representar os processos e os produtos de que esses sistemas são feitos. Assim, qualquer expressão linguística se compõe de quatro conjuntos de propriedades e seus processos: (i) Léxico e lexicalização, (ii) Semântica e semanticização, (iii) Discurso e discursivização, (iv) Gramática e gramaticalização. Essas propriedades atuam simultaneamente, não sequencialmente. Nenhum desses sistemas é postulado como o centro da língua, de que derivariam os outros.</p>
      <p id="paragraph-3145593ec0817086adf896ad4f08e4c4">Aliás, por que os linguistas têm procurado o “sistema central da língua”, e por que têm postulado a “determinação de um sistema sobre outro”? Num rápido percurso sobre as ideias linguísticas, não deixa de ser curioso constatar que tanto formalistas quanto funcionalistas costumam eleger um sistema como o centro da língua, o qual determinará os demais sistemas. Ao longo dos estudos linguísticos, ocuparam esse trono a Fonética para os neogramáticos, a Fonologia para os estruturalistas, a Sintaxe para os gerativistas pré-minimalistas, e o Discurso e/ou a Semântica para os funcionalistas.</p>
      <p id="paragraph-6f177f8e86785b71a62959f4e9685a45">Acredito que esse raciocínio decorre da adoção das ciências clássicas como fundamento epistemológico. Aplicadas às línguas naturais, essa epistemologia nos levou a acreditar que os signos linguísticos ordenam- se linearmente, integrando níveis de análise, ou camadas, ou hierarquias. Esses signos são identificados por operações de contraste entre eles, excluindo-se sua polifuncionalidade, e o fato de que eles se dispõem num continuum categorial.</p>
      <p id="paragraph-3951020682782f4a07a2b3185c0e6fb5">Ora, como já mencionei aqui, as descrições sobre a oralidade desmentiram fortemente a percepção da língua como uma linha, constituída por realidades que se sucedem no tempo. É verdade que o <italic id="italic-009264c6885c33cd04ae78fa2e82105a">produto</italic>, o érgon, é linear, tanto na língua falada quanto na língua escrita. Mas se quisermos identificar o <italic id="italic-13c075c507da59b057ea1daf532235e2">processo</italic>, a <italic id="italic-c5f89c62256f007c17bf22421ad4187d">enérgeia </italic>que se esconde por trás desses produtos, teremos de abandonar a ideia da língua-linha. Os fatos da língua falada não nos autorizam a aceitar que nossa mente funcione pobremente, através de impulsos sequenciais, lineares, uns depois dos outros. Não é isso o que se vê durante uma conversação. Não há dúvida que as pesquisas sobre a oralidade estão alterando em nosso país nossa percepção sobre a linguagem. Essas pesquisas poderão moldar novos hábitos científicos. Minha proposta segue por aqui.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-41050ef6ed072cae92b9ee3b03eeefb5">
      <title>3. A nova gramática do português brasileiro</title>
      <p id="heading-d3fbf56b91abd9639d8216e9b939f3ba">Mas era necessário testar a abordagem multissistêmica mais amplamente, o que fiz em minha Nova gramática do português brasileiro, publicada em abril de 2010.</p>
      <p id="paragraph-c7bd3d7d5ef4b97a535fcc6d058f06f8">Mesmo denominada “gramática”, este livro afasta-se deliberadamente desse gênero:</p>
      <p id="paragraph-44aa33b1be73bfdcad124a977970b3c6" />
      <p id="paragraph-652d86b463ae8356aff1694947ca9acd">(1) Não redigi uma gramática-lista, que se detém nas classificações, em que não se vê uma gramática, não a língua. Em lugar disso, procuro olhar o que se esconde por trás das classificações, identificando os processos criativos do português brasileiro que conduziram aos produtos listados.</p>
      <p id="paragraph-e26293092a4e1e5ad0eca18249dbc16a">(2) Esta não é uma gramática a-teórica. Nada poderemos fazer em matéria de pesquisa linguística se não dispusermos de alguma teoria, pois lidamos com um objeto escondido em nossas mentes, como Saussure já havia reconhecido. Teorias linguísticas há muitas. Mas faz falta uma teoria que postule a língua em seu dinamismo, como um conjunto articulado de processos – abundantemente reconhecidos e descritos pelos pesquisadores do PGPF. Enfrento esta questão nesta gramática. Quando falamos ou quando escrevemos, uma intensa atividade é desencadeada em nossas mentes. Isso ocorre com enorme rapidez, acionando os sistemas linguísticos já mencionados. A teoria multissistêmica aqui exposta tem um forte conteúdo funcionalista-cognitivista. Reconheço que ainda é impossível descrever todos os movimentos mentais envolvidos na atividade linguística. Mas não há dúvida de que em cada som emitido, em cada sinal gráfico lançado ao papel, toma corpo um enorme conhecimento linguístico que foi ativado, permitindo o milagre da compreensão mútua por meio de tão poucos sons e letras, e de tão escassas palavras e construções. Para visualizar esse conhecimento, precisaremos valorizar os indícios da maquinaria linguística. A língua falada revela uma fartura desses indícios.</p>
      <p id="paragraph-bcdb49105e219f8b174e96a723d6b000">(3) As gramáticas resultam habitualmente do trabalho individual, fundamentando-se na língua literária. Também aqui esta gramática tomou outro rumo. Para começo de conversa, não acho que os escritores trabalham para nos abastecer de regras gramaticais. Eles exploram ao máximo as potencialidades da língua, segundo um projeto estético próprio. Ora, as regularidades que as gramáticas identificam devem fundamentar-se no uso comum da língua, quando conversamos, quando lemos jornais, como cidadãos de uma democracia. Isso não exclui a fruição das obras literárias, mas é uma completa inversão de propósitos fundamentar-nos nelas para descrever uma língua. A presente gramática se insere nesse quadro de preocupações. Filtrei aqui as pesquisas das últimas três décadas a partir de uma ótica própria, propondo seguidamente ao leitor que se envolva nas pesquisas, transformando-se no linguista-gramático dele mesmo. Seguindo esse impulso, esta gramática dá voz a muitos desses pesquisadores, tanto quanto às aulas que fui ministrando ao longo de 47 anos de magistério. Meus alunos me ajudaram muito, com sua curiosidade e com sua recusa a explicações não convincentes. Havia também uns poucos tomados de um grande tédio. Esses também me ajudaram, pois me mostravam que a aula estava um bocado chata, ou seja, eu não tinha conseguido naquele espaço de tempo desvelar as maravilhas da linguagem.</p>
      <p id="paragraph-5272dc6df5cd2f7fd9f770ade52e9042">(4) O ritmo expositivo de nossas gramáticas adota o que se poderia chamar de “estilo revelação”. O gramático se transforma numa espécie de Moisés que desce dos altos montes e brada aos povos estupefatos... o que está certo e o que está errado em sua linguagem! Também aqui me distanciei disso. Imaginei para tanto a seguinte estratégia: compus dois textos articulados, um expositivo, e outro indagativo. Na exposição, falo eu, interpretando os achados da ciência atual. Nas indagações, falam os leitores, por meio das perguntas que imagino que eles estejam formulando. O objetivo dessa estratégia é transformar os leitores numa espécie de coautores, recusando que entre eles e a língua que praticam seja obrigatória a interposição de um intérprete, de uma espécie de despachante para problemas gramaticais. Para dar conta desse lance meio calvinista, apresentei perguntas e mais perguntas nas páginas da <italic id="italic-e5ecd715fb5d3dfbdd3ba4ab367b9b28">Nova Gramática do Português Brasileiro</italic>, ao lado de informações sobre o conhecimento disponível e o fornecimento de pistas sobre como achar novas respostas. Para evitar uma aborrecida listagem de opiniões, que poderia obscurecer o objeto, optei por interpretar os resultados obtidos à luz da já mencionada teoria multissistêmica da língua. Depois disso, apresento algumas generalizações sobre o retrato do português brasileiro assim obtido. Novas perguntas conducentes à reflexão gramatical foram formuladas no capítulo 15.</p>
      <p id="paragraph-48d9a3d1d6bcab0484163ff4fd16d953">As línguas naturais são o ponto mais alto de nossa identidade como indivíduos e como participantes de uma sociedade. Que o digam os quinhentos mil visitantes anuais do Museu da Língua Portuguesa localizado em São Paulo! Tem sido proveitoso testemunhar a emoção desses visitantes por se verem ali representados, por toparem ali com sua identidade. De certa forma, todo mundo sai meio linguista daquelas instalações. Busquei repercutir essa emoção em minha gramática.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-40e752774ac9002dc67b9e7b588ef52e">
      <title>Conclusões</title>
      <p id="paragraph-8a08e3b35b85fd054a1e61931d558e1d">Para finalizar esta fala, apresento uma proposta à ABRALIN: que ela constitua uma comissão para a elaboração de teorias fundadas no vasto conhecimento sobre a realidade linguística brasileira, desenvolvido a partir dos anos 70. Sabemos que teoria e empiria são percursos de mão dupla. Mas acredito que chegou a hora de investir mais no percurso empiria à teoria, construindo generalizações fundamentadas no conhecimento atualmente disponível.</p>
      <p id="paragraph-3f1309d4db355fcb53f94a2502e07038">Na fase de implantação da Linguística entre nós, instalou-se o hábito de agarrar algum linguista americano ou europeu pouco conhecido, ler sua obra, traduzi-la para o português, fazer pesquisas a partir das ideias ali colhidas, orientar alunos, e apresentar-se nos congressos como uma espécie de representante tropical da figura.</p>
      <p id="paragraph-c793b2e9398c03cd0497a1fa37857a4a">Dá até para entender esse tipo de caçada, afinal, precisávamos produzir conhecimento linguístico sobre o Brasil. País multilíngue, pouco sabíamos sobre as línguas indígenas e sobre o português brasileiro – para o qual ainda não tinha sido cunhada a sigla PB. O caminho era esse. Entretanto, muitos esforços e seminários depois, dispomos hoje de um conhecimento notável sobre esses campos, mesmo havendo ainda muito o que fazer.</p>
      <p id="paragraph-a86370d35e47f2059033237e6feb6315">É desagradável verificar que a enorme produção científica brasileira não tem sido lida, não tem sido avaliada, não tem sido criticada. Basta ouvir a leitura de trabalhos em nossos congressos, para ver o que está rolando. Continuamos importando...</p>
      <p id="paragraph-af79e79fb821cde01955bc0a08d7a41c">A atual geração de linguistas deveria conduzir a Linguística brasileira à sua maioridade, desenvolvendo reflexões teóricas, mantendo a interação com os centros mundiais, mas estabelecendo com eles duas mãos de direção. Afinal, a ciência é e sempre será uma espécie de pátria desterritorializada.</p>
      <p id="paragraph-f0eca7f0b12d97af1e690caeda8b2ebc">Estou convencido de que se esse passo não for dado, corremos o risco de cair na irrelevância. Sem descontinuar nosso diálogo com a Linguística mundial, precisamos sem dúvida investir na elaboração de teorias. A ABRALIN será o melhor fórum na busca desses novos caminhos.</p>
      <p id="paragraph-06be7784d33d51ae6ea5de5dc8f2303c">Muito obrigado!</p>
    </sec>
    <sec id="heading-cd918c73d90cfcfc3b1cd8c8e8f98ab9">
      <title>Referências</title>
      <p id="paragraph-50fd9ca889fb44548a1858e3392ce3bd">ABAURRE, Maria Bernadete Marques; RODRIGUES, Ângela Cecília de Souza (Orgs.). <bold id="bold-3f17d0a6969b344abbf1170b11a84f8c">Gramática do Português Falado</bold>, vol. VIII, Novos estudos descritivos. Campinas: Editora da Unicamp, 2002.</p>
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      <p id="paragraph-f9c78c859d6acd1cabd04b3f0dcc96d5">_______<underline id="underline-b20f0ccf36325fc4a92c65db039ea26e"> </underline>. e BASÍLIO, Margarida (Orgs.). <bold id="bold-7">Gramática do Português Falado</bold>, <bold id="bold-8">Estudos descritivos</bold>. Campinas: Editora da Unicamp/Fapesp, v. IV, 1996.</p>
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      <p id="paragraph-4acc6d2439b5ec7cf5b0a6255105d5e6">_______<underline id="underline-eabfdd44f05b0c2cd5d9f53792a69c9e"> </underline>. <bold id="bold-0cdcf6ee9a9d99c7ef25e207faf7db60">Proposta funcionalista de mudança linguística</bold>: os processos de lexicalização, semanticização, discursivização e gramaticalização na constituição das línguas. In: LOBO T.; RIBEIRO, I.; CARNEIRO, Z.; ALMEIDA, N. (Orgs.). <bold id="bold-cda5c90677c579caddbd871d348e1144">Para a História do Português Brasileiro</bold><italic id="italic-e4c60faac9e5525c82740b2feb37f85e">. </italic>Salvador: EdUFba, v. VI, tomo 1, p. 223-296, 2003b.</p>
      <p id="paragraph-111df4f7c0c229b4d4ee0e49062c291b"><underline id="underline-0d6c85cd078de688e9960c5c9d1b62ae"> _______</underline>. <bold id="bold-9cfa675d350269f2907bb7ae086e9ef0">Unidirectionality or multidirectionality? </bold>Revista do GEL 1: 35-48, 2004a.</p>
      <p id="paragraph-0a0256266b3e0a8c6a4010017f0e0764">_______<underline id="underline-3aae38e8d450468d6d3033f6c4bd7e10"> </underline>. <bold id="bold-64e245a041a0585321192114df9c72e7">Reflexões sobre a teoria da gramaticalização</bold>. Contribuição ao debate sobre gramaticalização no contexto do PHPB. In: DIETRICH, Wolf; NOLL, Volker (Orgs.). <bold id="bold-3f6c7d9c25ddbb37252825f467cb2d18">O Português do Brasil. Perspectivas da pesquisa atual</bold><italic id="italic-d2c1de05ed9da4203df7902c1b8ecb20">. </italic>Frankfurt am Main Madrid: Vervuert Iberoamericana, 2004b, p. 203-230.</p>
      <p id="paragraph-17ea6feddc17c20646e170badf8cd250"><underline id="underline-06de0b16c0a028934072a45d2c5b5da1"> _______</underline>. <bold id="bold-9f1128fd74a8eb651abdfe757746aa13">O problema da gramaticalização das preposições no Projeto para a História do Português Brasileiro</bold>. Estudos Linguísticos 33: 2004c, cd-rom.</p>
      <p id="paragraph-69a3702ff31053b646a22d5a26cb1776"><underline id="underline-35864560b91f83ee6846b72322a3c0e7"> </underline>. Abordagem da língua como um sistema complexo. Contribuições para uma nova Linguística Histórica. In: CASTILHO, A.T. de; MORAIS, M.A. Torres; LOPES, R.E.V.; CYRINO, S.M.L (Orgs.). <bold id="bold-3d41d15437fc17d88a098c5724023609">Descrição, História e Aquisição do Português Brasileiro</bold>. Homenagem a Mary A. Kato<italic id="italic-4ff7b8d812f0931e8f16fc03ff8998cf">. </italic>Campinas: Pontes/Fapesp, 2007, p. 329- 360.</p>
      <p id="paragraph-cb37801e4f2c6f900f9f9ac715f1845d"><underline id="underline-128ea2de97bd48e91486ec8a8bd79a59"> _______</underline>. <bold id="bold-a8ab0e9c788bf2460c7b62161b306bc5">An approach to language as a complex system. </bold>In: CASTILHO, A.T. de (Org.). <bold id="bold-9f754ba4949991bfe87d65d234d244bc">História do Português de São Paulo. Campinas: </bold>Instituto de Estudos da Linguagem, 2009a, p. 119-136.</p>
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      <p id="paragraph-0e0682b8a80c20cf3e3b9e4b98243915"><italic id="italic-b3ac575d6df996c1a9637ac71325e291"><underline id="underline-b261ec8c92575b609664d30e998e09ff"> _______</underline></italic><italic id="italic-ba6973cb1043fbf39ff95e15c8cb1599">. </italic><bold id="bold-a2cb97ed21290a7ec6d5873bd60c51ff">Nova gramática do Português Brasileiro</bold><italic id="italic-2385aaec872417591e8bd0c53f298013">. </italic>São Paulo: Contexto<italic id="italic-966d1e1f7cc4619b40acf71e64df8364">, </italic>2010 a<italic id="italic-345848d2ef6d665f64c0a5a20eee737c">.</italic></p>
      <p id="paragraph-c0c81544080126559676eedaa34c10ae"><underline id="underline-8f53f38952b1658ca956e4f320196c13"> _______</underline>. <bold id="bold-01be7542092bee47d91e568e15640c7e">Para uma abordagem cognitivista-funcionalista da gramaticalização</bold>. In: HORA, Dermeval da; ROSA FILHO, Camilo (orgs.). <bold id="bold-f322317286350bf48bd4f9decfae90bd">Para a História do Português Brasileiro</bold>. 1a. ed. João Pessoa: Ideia / Editora Universitária, v. VIII, p. 272-283, 2010b.</p>
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