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        <article-title>ORAÇÕES SUBJETIVAS: VARIÂNCIA E INVARIÂNCIA DE PADRÕES NA FALA E NA ESCRITA</article-title>
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            <surname>Gonçalves</surname>
            <given-names>Sebastião Carlos Leite</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Estadual Paulista – (UNESP)/ CNPq</institution>
      </aff>
      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="jan/jun 2011" />
      <volume>10</volume>
      <issue>1</issue>
      <fpage>87</fpage>
      <lpage>111</lpage>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-50b4f71537decb4fe8b0139f22216335">Investigo neste trabalho a variância e a invariância de padrões de orações subjetivas na fala e na escrita do português brasileiro contemporâneo. Analiso quatro parâmetros (classe categorial e classe semântica do predicado matriz, forma da oração encaixada e correlação modo-temporal entre matriz e encaixada) e mostro que há menor variância de padrões na fala.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="_paragraph-2">
          <italic id="italic-1">This work investigates the variance and invariance of subject clauses patterns in spoken and written contemporary Brazilian Portuguese. I analyze four parameters (category and semantic class of matrix predicate, form of embedded clause and mood-tense correlation </italic>
          <italic id="italic-2">between matrix and embedded clauses) and show that there is less variance in speech patterns.<italic id="italic-3"/></italic>
        </p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-7b32b1c33dd0699a051e86dc9f50e266">Speech</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-962d41f98f471b0c97c5fc728282a4ba">Subject clause</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-ad23d617977159145f55249ef782658b">Subordination</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-8fa3f4a3881d3a6d6e49b7ee0f95a059">Writing</italic>
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      </kwd-group>
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    <sec id="heading-5cb2b2daa02bb5c19324f518f5af27f0">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-1">Uma das formas de encaixamento de oração no português é representada pelas orações substantivas, comumente referidas como aquelas que se equiparam a um sintagma nominal (SN), que, na frase, ocupa uma determinada posição sintática (NEVES, 2000). É em razão de se comportarem como elemento nominal que são tradicionalmente chamadas de <italic id="italic-5c90ca7109401f7c9a196d75fe3c0098">orações substantivas</italic>, casos das orações parentetizadas em (01) a (05), em que se destacam diferentes padrões<xref id="xref-40d2a75f69da271af6c28dfb63adb0f6" ref-type="fn" rid="footnote-4c350aca5aee79590a0252d02f988f7b">1</xref>.</p>
      <p id="paragraph-429458e3b7e8af99446f719a189cbfe9">(01)</p>
      <p id="paragraph-2">a. É <bold id="bold-1">engraçado </bold>[oração que meu pai se esqueceu do tanto que ele era arteiro e levado] (F, BDI, N)</p>
      <p id="paragraph-3">b. É <bold id="bold-2">engraçado </bold>[SN nominalização o esquecimento do meu pai do tanto ... ]</p>
      <p id="paragraph-4">c. É <bold id="bold-3">engraçada </bold>[SN a rapariga] (HOUAISS, 2001, adpatado)</p>
      <p id="paragraph-f72e969317eec7490ae7d8a480ee4b87">(02)</p>
      <p id="paragraph-0d4b368e834fdce3b0f749a3453681de">a. É <bold id="bold-b3111a7ef3a5cde1b2f766065b3978e5">moda </bold>agora [oração adolescente de dezesseis anos ficar grávida] (F, BDI, A)</p>
      <p id="paragraph-f3f66ec3d16f83822144950f791887d3">b. É <bold id="bold-04494c3f9b5fe75dfd584824e89809ea">moda </bold>agora [SN nominalização a gravidez de adolescente de dezesseis anos].</p>
      <p id="paragraph-e02b3dcfb9073f7a1dcd5aa19850f0bf">c. É <bold id="bold-42d7eb85e711ba3f2f9197acb7d4a723">moda </bold>agora [SN minissaia] (HOUAISS, 2001, adaptado)</p>
      <p id="paragraph-5b0588d23a12dabb06aef8e8fa215204">(03)</p>
      <p id="paragraph-c7fa0fdc5f9d8b4802f8cae40645fb09">a. Não é <bold id="bold-c334153791e7aa207f71043c197a9aae">verdade </bold>[oração <italic id="italic-86c05491ff6f29446cf503a7198c5d9e">que ele vai morrer</italic>] (E, BDL, D)</p>
      <p id="paragraph-d045b1fcf53e5e7f8d19ceaa733bfedc">b. Náo é <bold id="bold-ebe9190b03bc3bfbcca1e4d0d43ebf1b">verdade </bold>[SN nominalização <italic id="italic-dd4ffea826e3eda6c58018935d8d2fec">a morte dele</italic>]</p>
      <p id="paragraph-a1bbdad855e4cd218a2754c95346659c">c. Não é <bold id="bold-cc7df12517ae855185e202d9d8ef7c34">verdade </bold>[SN esse fato] (HOUAISS, 2001, adpatado)</p>
      <p id="paragraph-38b7000f064e98e4a9266f69ec132663">(04)</p>
      <p id="paragraph-ce320c18bda45b02d684dda78e42fad2">a. [Até eu escolher o sabor que eu quero] <bold id="bold-47f2d963ca1a20a6a97ff63d6dc76118">demora</bold>. (F, BDI, P)</p>
      <p id="paragraph-7423c25ef8dc9c65835f91e4cbc838e3">b. [A escolha do sabor que eu quero] <bold id="bold-bec7b31d54dc94768dbe97f76221b823">demora</bold>.</p>
      <p id="paragraph-d0edbad312fa26f723e4fb19e406bb6a">c. [As boas mudanças] <bold id="bold-4c79ec8ef2b9c3280d71baef574b0188">demoram</bold>. (HOUAISS, 2001)</p>
      <p id="paragraph-6">(05)</p>
      <p id="paragraph-7">a. <bold id="bold-4">Urge </bold>[oração convocar a inteligência e o civismo do povo brasileiro] (E, BDL, O)</p>
      <p id="paragraph-8">b. <bold id="bold-5">Urge </bold>[SN nominalização a convocação da inteligência e do civismo ...]</p>
      <p id="paragraph-9">c. <bold id="bold-6">Urge </bold>[SN o tempo] (HOUAISS, 2001, adaptado).</p>
      <p id="paragraph-8f09eaa5ea3425e215401c6e98d6d872">Nas ocorrências, a correspondência entre oração e substantivo se verifica no cotejo do funcionamento dos constituintes parentetizados em (a) com as respectivas nominalizações resultantes de paráfrases em (b) e com os SN’s, não nominalizáveis, em (c). Todos os constituintes parentetizados compõem com um predicador principal uma relação do tipo predicado-argumento. Para além desses fatores que envolvem posição estrutural na sentença e complexidade do argumento (oracional, nominalização ou simples SN), também fatores de ordem sintática, semântica e pragmática são necessários para uma descrição mais satisfatória das chamadas <italic id="italic-2cf6f30a233764b404d0f163032caf39">orações subjetivas</italic>. São, portanto, objeto de descrição deste trabalho os tipos de construção exemplificados em (01) a (05), aos quais os manuais de gramática, mesmo as de cunho descritivo, não dispensam um tratamento que permita distinguir com clareza os padrões que se agrupam sob esse mesmo rótulo; por vezes, fazem referência tão somente ao funcionamento sintático do argumento oracional do predicado matriz, sem a preocupação de estabelecer correlações entre tal constituinte e o predicado em que ele se encaixa. Então, como parte de um projeto maior cujo propósito é traçar um quadro tipológico das orações subjetivas, tomando por base alguns pressupostos do quadro da gramaticalização (HOPPER e TRAUGOTT, 2003; BYBEE, 2001, 2003), no presente artigo cuido de expor a variância e invariância de padrões de orações subjetivas na fala e na escrita do português brasileiro contemporâneo (PB, daqui em diante).</p>
      <p id="paragraph-d8ac05706bdcf762d0d2bdb9b00cdcd9">Importante dizer que não contemplo nesse momento dois tipos de ocorrências, possivelmente identificados com orações subjetivas, como exemplifico em (06) e (07).</p>
      <p id="paragraph-3debb4ffbb2c28e984620981b90b895d">(06)</p>
      <p id="paragraph-22322cf5445097cbbd7ac7113a6f01aa">a. <bold id="bold-9fb910a4267901e0a778d970e7331867">Ficou provado </bold>[que Jorge era púbere] ...</p>
      <p id="paragraph-92deaa01399ba767c4b641558a4cb879">b. Mas <bold id="bold-2a969558f0c44e787558ed49ba93cdee">acredita-se </bold>[que o número de assaltos por ele praticado seja bem maior] (NEVES, 2000, p. 335; 342).</p>
      <p id="paragraph-5">(07)</p>
      <p id="paragraph-bb14a5083bf5f102f6ecef684a6686a3">a. Nossa ... <bold id="bold-e19fa59354bc2810b1acc6c4c8535b36">muito engraçado </bold>[ver todo mundo novi::nho falando tudo errado em inglês] sabe? (F, BDI, A)</p>
      <p id="paragraph-b276267899bc44a29cf9c40f5b15b16e">Sentenças do tipo de (06) foram descartadas por conta do controverso nível de encaixamento oracional, se na posição de argumento externo (sujeito), como reconhece a tradição gramatical, ou se na de argumento interno (objeto), como defendem, por exemplo, gerativistas como Kato e Mioto (2001). Sentenças identificadas com (07) foram excluídas do quadro das orações subjetivas, em razão de a omissão da cópula na matriz representar casos mais avançados de gramaticalização do complexo oracional (LEHMANN 1988), o que requer uma reanálise do estatuto sintático-semântico não só da oração matriz, mas da relação envolvendo matriz e encaixada (FORTILLI, 2009).</p>
      <p id="paragraph-469df352a70576aba361e6a4c228e71e">Delimitado o fenômeno, os dados empíricos que embasam a descrição foram extraídos de dois <italic id="italic-bfc202d2bfdf7e6ead6b6b3e7724dd89">corpora</italic>: (i) da modalidade escrita contemporânea do Brasil foram consideradas 10 amostras representantes dos gêneros dramático, técnico e oratório, provenientes do banco de dados Lexicográficos da UNESP de Araraquara (BDL), totalizando 30 amostras; (ii) da modalidade falada, foram consideradas 30 amostras provenientes do banco de dados Iboruna, que registra a variedade falada no noroeste paulista, com o controle dos seguintes tipos/gêneros gêneros textuais: narrativa de experiência pessoal, narrativa recontada, relato de opinião, relato de descrição e relato de procedimento (GONÇALVES, 2007). Para a busca de correlação entre os parâmetros de análise e para a extração de frequencias dos padrões oracionais foi empregado o pacote estatístico GOLDVARB, de uso muito comum em estudos de natureza variacionista, o que não é o caso do presente trabalho. Emprega-se aqui tal ferramenta apenas para se ter a garantia de que todas as ocorrências serão analisadas à luz dos mesmos critérios.</p>
      <p id="paragraph-8491ac39c265e4fdf5085b6888414b58">Para os propósitos do presente artigo, a descrição e as análises pautam-se pela investigação dos seguintes parâmetros: <italic id="italic-12f157c2079e22cab19a91ea7d54259c">categoria do predicado matriz </italic>(verbo, adjetivo, nome); <italic id="italic-6f32b5baaaf2767ab408eab212d3992d">valor semântico-pragmático do predicado matriz </italic>(epistêmico, deôntico, avaliativos, outros), <italic id="italic-4e2d83099163e237a82b720c18c802f1">formato da oração encaixada </italic>(finita, infinitiva) e <italic id="italic-4">relação tempo-modo entre matriz e encaixada</italic>, como se explicitará mais adiante. O entrecruzamento desses parâmetros define diferentes padrões de orações subjetivas, que terão sua produtividade avaliada, na fala e na escrita, em termos de suas frequências <italic id="italic-5">token </italic>e <italic id="italic-6">type</italic>, metodologia adaptada de Bybee (2003). Assim, para o presente estudo, <italic id="italic-7">frequência token </italic>diz respeito ao número de ocorrências de um padrão de oração subjetiva, idenpentemente do tipo específico de predicado matriz que atualiza uma dada função semântico-pragmática. A apuração da frequência <italic id="italic-8">type </italic>considera tipos específicos de predicados matrizes, enquadrados dentro de um domínio semântico particular, que ao lado dos outros parâmetros, define um padrão específico.</p>
      <p id="paragraph-11c37a4b529bad87fecfaa8eb10d1023">O presente artigo divide-se em três partes. Na primeira, faço breve explanação sobre articulação de orações, na segunda apresento resultados da caracterização dos padrões de orações subjetivas; reservo a terceira parte às considerações finais, onde mostro aproximações e distanciamentos das modalidades faladas e escritas para o fenômeno em análise.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-931ee5063bc9c1788fe510ccc3a25594">
      <title>1. Alinhamento teórico</title>
      <p id="heading-637d3ae6f36e41a86bd7bedeb725dc69">Em vista da inclusão de diferentes tipos de construções complexas sob o rótulo da <italic id="italic-957ef2d6c119a20d2d16c7f419b32bb4">Subordinação</italic>, exponho, nesta seção, o modo como tais construções são tratadas na abordagem funcionalista.</p>
      <sec id="heading-1649d7345d062d27c23a5b046ad978de">
        <title>1.1. Sobre subordinação sentencial</title>
        <p id="heading-4211252117e97488335c219533815159">Na tradição gramatical, arrolam-se orações de diferentes estatutos sintático-semânticos na abordagem das chamadas <italic id="italic-4754b8887de1ec8781f330b0869a3a1b">orações complexas</italic>. Compondo construções de subordinação, encontram-se orações adverbiais, adjetivas e substantivas (CUNHA e CINTRA, 1991), o que leva ao questionamento do estatuto de subordinação atribuível aos constituintes não-oracionais que lhes são correspondentes (advérbio, adjetivo e substantivo) no funcionamento da estrutura frasal simples, não complexa. Está na base desse questionamento a equivalência funcional que se pretende estabelecer entre termos simples e oracionais e a impropriedade de se estender o estatuto de subordinação para abarcar todos esses casos indistintamente. Por exemplo, parecem inquestionáveis as diferenças funcionais de um SN em posição de sujeito e em posição de objeto, em relação a outros constituintes adverbiais ou mesmo adjetivais. Substantivos, adjetivos e advérbios participam de algum modo diferenciado da composição de uma sentença, que é determinada pela estrutura argumental de um predicado.</p>
        <p id="paragraph-dc6f463021e59a821d75cb6b350a7068">Na resolução de tal impropriedade, uma proposta diferente para o tratamento das orações complexas é oferecida pela linguística de orientação funcionalista, que trata do modo como as orações se combinam no interior de um complexo oracional. Haiman e Thompson (1988), Halliday (1985), Hopper e Traugott (2003), entre outros, defendem um modo tripartite para um entendimento mais satisfatório de como as orações se articulam no interior de um complexo oracional, propondo a seguinte separação: <italic id="italic-583d21d9d26223253d0d3f0ae9b7d813">parataxe</italic>, <italic id="italic-046ad373a497eaaed12f8d5cb60254a3">hipotaxe </italic>e <italic id="italic-a7248957613577b6759626d9687b3ea9">subordinação</italic>. Tal distinção é explicada por Hopper e Traugott (2003) com base no reconhecimento de diferentes graus de integração sintática, reveladores de um percurso unidirecional de gramaticalização dessas orações. Valendo-se, então, da combinação dos traços [dependência] e [encaixamento], Hopper e Traugott (2003, p. 170) propõem um <italic id="italic-06d204cab7d4cc2cb1fe181a5a43dfeb">continuum</italic>, reproduzido em (08), para colocar de um lado os casos de relações táticas ((08a), (08b)) e, de outro, os casos de subordinação estrita ((08c)).</p>
        <table-wrap id="table-figure-35a747fa327dc13a11f5855843250cd9">
          <label>Table 1</label>
          <caption>
            <title>(08) <italic id="italic-a6b75b0edb40288b35718954b4e5f1e9">Continuum </italic>da combinação de orações</title>
            <p id="paragraph-5a90f7a7ba7a11e4465f6e75d2c13672" />
          </caption>
          <table id="table-a757969cb570e42fd3f65e00ecfe9ea2">
            <tbody>
              <tr id="table-row-326724fbab61e8e9ce2ef3804eb00532">
                <td id="table-cell-9dad304c5d5c2edb76e078f85c08f1a4" />
                <td id="table-cell-eef0f40f84d915fff96ebf54319c3870"> Parataxe </td>
                <td id="table-cell-c5be5b6dafa5d5bed20bf89f8589e903"> &gt; Hipotaxe </td>
                <td id="table-cell-66957412e7a0ecb4ab8a913fd3233a8a"> &gt; Subordinação </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-db2b88bdf45d7f2102bf1cfc756840d8">
                <td id="table-cell-9e465619b3b6db9755a865a85d1355ce"> [Dependência] </td>
                <td id="table-cell-36e01ae0f9e70abed8ab25b408de185e"> - </td>
                <td id="table-cell-c4663bc7213704a336ea0e858ac09ce6"> + </td>
                <td id="table-cell-1b5a226a70d6ad9fd5b541a3f60481e3"> + </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-87d361c1bdf3bedd3ea877272a72f391">
                <td id="table-cell-1d45908bb47c2e8eee7c45fae1e90e99"> [Encaixamento] </td>
                <td id="table-cell-962b18f2223f3d0d0fe1463be943a38b"> - </td>
                <td id="table-cell-c9207acc6041e4571159a080f79b75f9"> - </td>
                <td id="table-cell-e05c97f69910b8b15715b6686562e197"> + </td>
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
        <p id="paragraph-fb95ebae3f83f839a33d2206c15ebb5e">a. Parataxe</p>
        <p id="paragraph-70a32b19c9953459b5591c49e8d494ff">a’. João chegou atrasado à aula. Ele ficou com falta.</p>
        <p id="paragraph-4f97d037151bb25ac42fc367d42d4116">a’’. João chegou atrasado à aula e ficou com falta.</p>
        <p id="paragraph-d00c2cede52c13684946b52b7824b0de">b. Hipotaxe</p>
        <p id="paragraph-00fae3952b8b766d0b75d62ef1b62b77">b’. João ficou com falta, porque chegou atrasado à aula.</p>
        <p id="paragraph-e72c49ad32a357cac322ab86aceabcf2">c. Subordinação</p>
        <p id="paragraph-3b4f61697e08a28ce7fa877de68b9311">c’. Não vi se <bold id="bold-3bcdd35c0e8a691bbbd6c90501cd83d0">João chegou.</bold></p>
        <p id="paragraph-ea533e773d6ce5e4f6025aed84971460">c’’. Não vi <bold id="bold-c98006f9497361438cc14d1ea0854563">João chegar.</bold></p>
        <p id="paragraph-fc1d99c78de14b029490cf26a6b2b194"><bold id="bold-6737206e3021437c5a72ccf16702f0f9"/>c’’’. Não vi <bold id="bold-f9a0e155eec03c365560ee602d84a887">a chegada de João</bold><italic id="italic-afb36b9ff492959b4880e3bdaecde780">.<italic id="italic-d74d1eb786fe8904a0c78dec09ddf192"/></italic> </p>
        <p id="paragraph-f53ef05e549812f4fbb331cd5a74fef4">Sob os critérios de <italic id="italic-b6d46fdfe68b8621933ada86e4f92379">dependência</italic>, <italic id="italic-c4a79f65c0ea61f9a28aba5cf25cb553">integração </italic>e <italic id="italic-e5ce691e9ae0c4d5087de4c21ad306d8">tipo de ligação </italic>entre orações, propõem ainda os autores a caracterização da combinação de orações, como mostrada em (09).</p>
        <fig id="figure-panel-e7452621415c7b6c8ab207c11f734c8c">
          <label>Figure 1</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-93e5fae21c9632751b938c2fe2632ba5" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-75a58f93a82acc3db33b2e79ff30f338" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="Captura de tela 2021-06-01 195210_2.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-c3877bf43fcddbf9feb2acc98e36bca5">A partir das propriedades dadas nessa esquematização, a parataxe se caracteriza pela relativa independência e integração mínima entre as orações, como em (08a); a hipotaxe, pela relativa interdependência e por um grau intermediário de integração, como em (08b); e a subordinação, por total dependência e integração máxima entre as orações, ou seja, a margem é encaixada em um constituinte da oração núcleo, sem a necessidade de um nexo que as uma, como em (08c). Mesmo em se tratando de subordinação <italic id="italic-994caf7dbdc5537e6cfd09461a270229">stricto sensu</italic>, há exemplares mais gramaticalizados (ou mais integrados) do que outros, como explicita Lehmann (1988) em sua proposta de gramaticalização e dessentencialização de orações. A depender do grau de sentencialidade da oração subordinada, ela pode apresentar-se forte ou fracamente integrada a um núcleo, que pode, inclusive, tomar como margem uma construção reduzida ao grau máximo de dessentencialização, representado pelos casos de nominalização, como mostra o esquema em (10), de que (08c) é exemplo.</p>
        <fig id="figure-panel-d26863a265a52cc2fc1c7d8c87daea39">
          <label>Figure 2</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-15e22dbe802858eee94ebc0b2041735e" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-f6c2cd64db87aad7b632368521dbfb8a" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="Captura de tela 2021-06-01 195324_2.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-2b13ad7f73d0096caf3902aa91bdb337">Rearranjando a classificação tradicional das orações complexas dentro desse esquema de combinação de orações, têm-se, então, sob a designação de <italic id="italic-7a2a0f2560c2955da6d053dce44067a7">parataxe</italic>, orações coordenadas e justapostas ((8a)), sob a designação de <italic id="italic-e3004023b0e352e3468d5fda2ca5859a">hipotaxe</italic>, orações adverbiais ((8b)), e, por fim, sob a designação de <italic id="italic-4bdc143468750fb7423716a052050796">subordinação</italic>, apenas as subordinadas substantivas ((8c)) e adjetivas restritivas.</p>
        <p id="paragraph-d7a6d85da8802d44898ea7b8916ba20b">Do até aqui exposto, <italic id="italic-087e76d1b614ba169aac3ddaf8afae4b">Subordinação</italic>, então, é aqui tratada como o mecanismo sintático por meio do qual uma predicação é estruturada como argumento de um predicado. Predicado completável por argumentos oracionais é chamado <italic id="italic-23ca3da0b575b0e6d1648eca5d792d68">predicado matriz</italic>, e oração que tem esse predicado como núcleo é a <italic id="italic-04bb18e650d9dcb8bfba886aa4c7f17f">oração matriz</italic>. Alternativamente, complemento oracional de predicado matriz é também referido como <italic id="italic-79e10e0b6160ee47f74a93634f67407d">oração encaixada </italic>ou <italic id="italic-e289ff2b101bc50d7044bfe0a437465d">subordinada </italic>(NOONAN, 1985; GONÇALVES <italic id="italic-9">et al.</italic>, 2008). Atestam essa definição os exemplos dados em (08c), em que o predicado matriz <italic id="italic-10">ver </italic>toma por complemento a oração subordinada constituída por uma estrutura de predicação formada pelo predicado <italic id="italic-11">chegar </italic>em sua forma verbal finita, como em (8c’), ou infinitiva, como em (8c’’), ou em sua forma nominalizada, como em (8c’’’).</p>
        <p id="paragraph-bca07ae982c600dc116c4301eaab949e">Estruturalmente, a definição de construções encaixadas se completa por referência às posições argumentais que elas ocupam no complexo oracional, propriedade dependente da estrutura argumental do predicado matriz: em posição A1, de primeiro argumento, caso das subjetivas (<italic id="italic-12">parece [que</italic>...<italic id="italic-13">]</italic>), em posição A2, de segundo argumento, caso das objetivas (<italic id="italic-14">X acha/crê [que...]</italic>), ou em posição A3, de terceiro argumento, caso das objetivas indiretas (<italic id="italic-15">X convence Y [de que...]</italic>). Importante dessa definição é a identificação do ambiente sintático em que a oração encaixada ocorre, sempre sustentando uma relação do tipo argumento-predicado (NOONAM, 1985).</p>
        <p id="paragraph-c55ce124d289d0b267d471c93cd8dee5">Em outras palavras, uma oração pode ser considerada argumento de um predicado (verbal, nominal, adjetival) se ela ocorre em posição argumental semelhante à de um termo simples, cuja funcionalidade define também o estatuto sintático das orações encaixadas a ele equivalentes (<italic id="italic-0a505479790e1ff2201409a0ff996862">sujeito</italic>, <italic id="italic-0cfc13169bd84ef2c30e19c34863c922">objeto </italic>e <italic id="italic-3fdf73264b5b81d790264afe7eda78ef">complemento de nome</italic>). Assim, o valor funcional de construções encaixadas é determinado pelas relações funcionais que elas assumem dentro do complexo oracional mais amplo em que ocorrem.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-f7973cfceb3fb13a17032e8aeb02d2ab">
        <title>1.2. Sobre as orações subjetivas</title>
        <p id="heading-7783314e582c2935dd7d6a39d786c0f2">Na literatura funcionalista que trata de articulação de orações, atenção maior tem sido dispensada a orações paratáticas e hipotáticas (HAIMAN e THOMPSON, 1988; NEVES, 2000; entre outros) e às encaixadas em posição de objeto, ou posição A2 (NOONAN, 1985; THOMPSON, 2002; BYBEE, 2001; HOPPER e TRAUGOTT, 2003; LEHMANN, 1988; BRAGA, 1999; entre outros). Raros têm sido trabalhos que tematizam exclusivamente encaixamento de orações em posição A1 (CABEZA PEREIRO, 1997). Na vertente formalista, por sua vez, a atenção se volta mais para complementos oracionais tanto em posição A1 quanto em A2 (MIOTO e KATO, 2000; KATO e MIOTO, 2001; QUÍCOLI, 1976; PERLMUTTER, 1976), e poucos são os trabalhos dedicados a relações hipotáticas. Mais raros ainda, em ambas as vertentes linguísticas, são trabalhos que tratem simultaneamente das relações entre matriz e encaixada (cf. SOUSA, 2007; GONÇALVES et al., 2008; SANTANA, 2010, para um tratamento funcionalista da subordinação); focam mais a natureza ou do predicado matriz ou da oração encaixada do que as diferentes relações que de fato se estabelecem no interior do complexo oracional. Como já mostrei de (01) a (05), é no paralelo da equivalência funcional entre termo simples e oracional que se caracterizam as orações subjetivas: ocorrem na posição A1 dos predicados (verbal, nominal ou adjetival), pospostas à matriz, diferentemente da posição canônica de sujeito em relação ao predicado, fato explicável pela complexidade do constituinte encaixado (DIK, 1989), podendo expressar-se na forma finita ou infinitiva, como mostram os padrões estruturais em (11a,b,c) e suas respectivas exemplificações.</p>
        <fig id="figure-panel-98e39f738169510615f445fa60357d49">
          <label>Figure 3</label>
          <caption>
            <p id="paragraph-13daff9e3d86b11e5613f21de5f616bd" />
          </caption>
          <graphic id="graphic-bbe1be11893b0e3be5af10b211335422" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="Captura de tela 2021-06-01 195349_2.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-fef17e047f99c23ab638e7d2fa9f2bc0">Em termos semânticos, orações subjetivas podem ser construídas como conteúdo proposicional (que, localizado no espaço e no tempo, tem seu estatuto avaliado somente em termos de verdade), como é o caso de (03a), ou como estado-de-coisas (avaliados não em termos de sua verdade, mas de sua realidade), como é o caso de (01a), (02a)<xref id="xref-371eb37394bf73a1891fc866d92e1b73" ref-type="fn" rid="footnote-b7844a1afc10760e5a79f540bf8670c2">2</xref>, (04a) e (05a) (LYONS, 1977; DIK, 1997). Associados a essas funções semânticas, estão valores semântico-pragmáticos da oração matriz, que, provenientes da avaliação subjetiva do falante<xref id="xref-2c70493b0cd8b58f5dcc0832aaf16147" ref-type="fn" rid="footnote-22c9bcdf9cf1f78ef533489b05589609">3</xref>, expressam modalidade epistêmica, como em (03a), ou deôntica, como em (05a). Isso significa dizer que, como alvo de avaliação do falante, o conteúdo de orações subjetivas pode estar relacionado ou ao eixo do conhecimento (valor epistêmico) ou ao eixo da conduta (valor deôntico). Outros valores pragmáticos não ligados estritamente a esses eixos também se manifestam, respondendo por outros tipos de avaliação subjetiva do conteúdo informacional expresso na oração subjetiva, como em (01a), (02a) e (04a)<xref id="xref-703e287aed4ced33951fe5eecb014e33" ref-type="fn" rid="footnote-38c7e5d5a5f45000f67a3dff3ed47f74">4</xref>.</p>
        <p id="paragraph-28acd5ce168a6a44df76d452e5152944">Ocorrem nos corpora investigados, dois outros tipos de predicado matriz, que não envolvem qualificação subjetiva, <italic id="italic-2d04c2db14c14524697e744df9f8b551">predicados de realização/ </italic><italic id="italic-8773b8454ae5ac93e878a27286535361">ocorrência </italic>e <italic id="italic-e6fe09e8e6e646e2ad5e44ef36666cb6">predicados causativos </italic>(GONÇALVES <italic id="italic-c9f4301fc4160afe012d158973864782">et al</italic>., 2008), como mostro em (12) e (13), respectivamente.</p>
        <p id="paragraph-662bf7294a5c612329c57a1ce17bebbc">(12) </p>
        <p id="paragraph-ef49fd2e7c7b305ce15a0a50f066329c">a. nunca <bold id="bold-e51bcefca56b951a3c1e442354e1579e">aconteceu </bold>[de::.. de meu pai pegá(r) minha mãe assim pra batê(r)] (F, BDI, N)</p>
        <p id="paragraph-ac650e3fc148c1eb063af4d03581eeed">b. <bold id="bold-2937fac25610ca4a5f6d0127f2c3a162">acontecia-nos</bold>, a mim, diante de uma catedral [estar vendo projetado na fachada grandiosa o humilde rosto da igrejinha do Sergipe da minha infância] (E, BDL, O)</p>
        <p id="paragraph-d3169d49707a15489f5b0b06f62a1731">(13) </p>
        <p id="paragraph-1419b66290932487a520fe1cce4b36e3">a. o que <bold id="bold-f8e3aa18a6314920419e93b6529d4f0f">dá </bold>o agridoce do/ da coisa é [<italic id="italic-941055f6677956cd7a2c5a48d8c6e84b">você colocá(r) uma colher </italic><italic id="italic-13dc7e316b96daef3125fe70787ba196">de açúcar</italic>]. (F, BDI, P)</p>
        <p id="paragraph-dcf49a60dc99496933666709afc6b865">b. mais pra FREN::te... quando a pessoa ficá(r) mais... crescê(r) MAIS adulto assim acho que <bold id="bold-e0f5bc5eb4c60e598a62e15b43d44c05">va::i vai dá(r) </bold>consequência... [<italic id="italic-97057bf4ab28598e8b94e8e7dc0d3668">bebê::(r) fuMÁ(r) essas coisa</italic>] (F, BDI, A)</p>
        <p id="paragraph-b0d8c852a0d7238b9a9e52208336b3a9"> Cabe indagar, neste ponto, como tais propriedades se cruzam para a definição dos padrões de orações subjetivas prototípicas<xref id="xref-41b6070a8c25b7e37b28a9a77d387abe" ref-type="fn" rid="footnote-c046b040d1ed90e694755b81cc12e7d4">5</xref>. Tentando buscar respostas a essa questão, passo a analisar alguns resultados, valendo-me da frequência como um critério norteador da prototipia.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-9a7f20df4707345e2f42c0cc5bc353d9">
      <title>2. Descrição e análise dos resultados</title>
      <p id="heading-a3fb503c2ecdf6c6ac7a69ec1983cd32">Na tabela 1, a seguir, estão referenciados os padrões de orações subjetivas ocorrentes nos <italic id="italic-464587b7ee1d926d198e45847b06b706">corpora </italic>de fala e de escrita, com destaque para suas variância e invariância, representadas pelos sinais “+” e “-”, indicadores, respectivamente, de presença ou de ausência de determinada combinatória de propriedades definidoras de padrões nas duas modalidades consideradas.</p>
      <fig id="figure-panel-affeaf39cf6656c0007dca9efbdbcbb2">
        <label>Figure 4</label>
        <caption>
          <title>TABELA 1: Orações subjetivas: variância e invariância de padrões na fala e na escrita</title>
          <p id="paragraph-deeece8c6a3350eb8831fa778af6e8a9" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-a8de3327d4fcc3257d2ca303bd580a82" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="Captura de tela 2021-06-01 195452_2.png" />
      </fig>
      <fig id="figure-panel-735334a2f72480fa7d6bd69344d3edda">
        <label>Figure 5</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-7e4ac84fe66e3e157963081fad99ec09" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-e3349ac30720ce8e7dd1cca924ec77f1" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="Captura de tela 2021-06-01 195538_2.png" />
      </fig>
      <fig id="figure-panel-42beb06d6c1194692e101397b8d4759e">
        <label>Figure 6</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-f7083e489b292a043b7ec555263f6c38" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-413c101588357d355f6d5ece9f09227b" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="Captura de tela 2021-06-01 195556_2.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-60ea95970879f84aea3e36da1253579d">A partir dos dados expostos na tabela 1, constata-se, nos <italic id="italic-c7067f4f50738a994eb99a95abac0898">corpora </italic>de análise, a atualização de 18 diferentes padrões de orações subjetivas, variações, ao que tudo indica, são definíveis pela modalidade escrita, que concentra a quase totalidade dos padrões encontrados. Em outras palavras, enquanto a escrita conta com 17 padrões diferentes de orações subjetivas, na fala atualizam-se apenas 9 desses mesmos 17 padrões da escrita. Do total de padrões encontrados, é <bold id="bold-99502f72dcb644bb0ac8d268c8a1d993">exclusivo da modalidade falada </bold>somente o padrão definido por predicados verbais causativos, encaixando orações infinitivas, padrão pouco produtivo e representado pelas duas únicas ocorrências já apresentadas em (13).</p>
      <p id="paragraph-7535431c9df13daf0be2645bf8874b44"><bold id="bold-cae0ca5f981d769c13a991ec591540e0">Exclusivos da modalidade escrita</bold>, ocorrem 8 padrões de orações subjetivas: (i) predicados nominais de valor modal, com os epistêmicos encaixando orações finitas, e os deônticos, orações finitas e infinitivas; (ii) predicados adjetivais de modalidade epistêmica e deôntica, ambos os tipos combinados somente com orações finitas; e, (iii) matrizes verbais expressando valores epistêmicos, avaliativos e acontecimento, combinadas somente com orações finitas.</p>
      <p id="paragraph-619fd5646b8aeae93bbf71a2c34aa451"><bold id="bold-ed7c07f44156d4884457192d8a9d83d4">Comuns às duas modalidades, </bold>ocorrem 9 diferentes padrões: (i) predicados nominais avaliativos, combinados com orações infinitivas; (ii) matrizes adjetivais de valor modal (epistêmico e deôntico), encaixando somente orações infinitivas, e com função avaliativa, encaixando tanto orações finitas quanto infinitivas; (iii) matrizes verbais modais <bold id="bold-6279da404d533f300335adf92f16418b">(</bold>epistêmica e deôntica), de avaliação não-modal e de acontecimentos encaixando somente orações infinitivas.</p>
      <p id="paragraph-dde0522055b2dd77ef4f0e133c32aff1">À primeira vista, os dados expostos na tabela 1 permitiriam apontar que nem a natureza categorial nem a natureza semântica dos predicados matrizes são propriedades que distinguem com clareza fala e escrita, uma vez que, em ambas, ocorrem: (i) predicados matrizes nominais, adjetivais e verbais; (ii) predicados deônticos, epistêmicos, avaliativos e de acontecimento. Entretanto, sob a perspectiva desses dois parâmetros dos predicados matrizes, cabe um aprofundamento da análise dos dados, para aferir os pontos em que, de fato, fala e escrita se diferenciam.</p>
      <p id="paragraph-89a4e04cf79467db989c8f111084705a">Predicados matrizes nominais compõem 04 diferentes padrões de orações subjetivas, quando combinada sua expressão semântica (epistêmico, deôntico e avaliativo) com a variação de formato de oração encaixada, e constituem formas de expressão de modalidade epistêmica e deôntica, que, prototípicas da escrita (10 <italic id="italic-054ea64407d7970b3c1e84e40ebc029e">tokens</italic>/4 <italic id="italic-6b43fecd8e47b7f5dc4f36a903d9cb6d">types</italic>), variam no formato da encaixada apenas no que diz respeito à modalidade deôntica. Quando empregados na expressão de avaliações-modais, de fato, não distinguem fala de escrita, restringindo a formatação da oração encaixada à forma infinitiva. Predicados nominais, embora pouco frequentes, são mais típicos da modalidade escrita, tanto em número de ocorrências (15 <italic id="italic-066231f07bb4bda53451613751a4d94b">tokens</italic>) quanto em número de tipos (9 <italic id="italic-9fff5807cbd146ec739b3998887896cf">types</italic>). Enquanto na fala há apenas 3 ocorrências para 3 tipos (<italic id="italic-b661df988e66e2d006ee3296df1d5364">moda</italic>, <italic id="italic-6e37891fa0c676699f682139acb0de4a">morte </italic>e <italic id="italic-9d4d447763020a4147414dc71accd16b">pena</italic>), expressando avaliação não-modal do falante, na escrita, as ocorrências distribuem-se entre a expressão de modalidade epistêmica (<italic id="italic-104b17e36bf03fb0b2cca741b35a6e01">verdade</italic>), deôntica (<italic id="italic-c4c7cf380d22757add18980bd14a4cf6">desejo</italic>, <italic id="italic-a8cf69d2cbeb12cfdfccff4333dcbed4">obrigação </italic>e <italic id="italic-9b5951085794845544c38c1c621475e9">tarefa</italic>) e outros tipos de avaliação não-modal (<italic id="italic-fa390fc2d4443b338836fe8b10fdbff4">honra, justiça, pecado, privilégio, </italic><italic id="italic-955d122bb306c4dd6e5d1ca1e6b51836">regozijo</italic>).</p>
      <p id="paragraph-3ce7678caf7dc4d4d809e989854d420b">Predicados adjetivais compõem com os nominais uma classe fechada, na medida em que são empregados para a expressão dos mesmos valores semânticos (epistêmico, deôntico e avaliativo). Deve-se observar, entretanto, que na escrita ocorrem com maior frequência qualificações modais epistêmicas e deônticas (53 ocorrências), enquanto na fala prevalecem avaliações não-modais de estado-de-coisas e proposições (68 ocorrências). O aspecto que diferencia essas duas primeiras classes categorias de predicados matrizes é a maior variação que predicados adjetivais experimentam quanto ao formato de oração que encaixam, resultando assim 6 diferentes padrões, dos quais, apenas quatro se atualizam na modalidade falada. A restrição de formato, em favor de orações infinitivas, fica por conta unicamente da modalidade falada, que não atualiza padrões formados por predicados matrizes epistêmicos e deônticos combinados com orações finitas. Abunda para os predicados adjetivais a expressão de avalição não-modal, tanto em termos de <italic id="italic-ab932a96747db6fc55477f73a2a69d81">tokens </italic>quanto de <italic id="italic-a5ee205f77c0c54fce4384dd9aceba5e">types</italic>, mais até na escrita do que na fala (68 <italic id="italic-b23db70296b7978a7ea0e973fb336708">tokens</italic>/24 <italic id="italic-a7c56b85a169726f5931a3ce7790b341">types </italic>e 22 <italic id="italic-6f0fbec2ce77f33a030ecfa291646be7">tokens</italic>/12 <italic id="italic-0292c34eee691db1339f31eb84fb6737">types</italic>, respectivamente).</p>
      <p id="paragraph-76311497ca5c2f7b57e754593f8e7714">Compondo 10 diferentes padrões de orações subjetivas, considerando-se as duas modalidades da língua conjuntamente (5 da fala e 7 da escrita)<xref id="xref-f4a3488ebac43e5b0ee7f45e80f96035" ref-type="fn" rid="footnote-244856102ae576d15f8d102b05b4f35d">6</xref>, predicados verbais apresentam maior variedade semântica, incluindo, além dos valores identificados para predicados matrizes nominais e adjetivais, dois outros tipos: <italic id="italic-1b1ad4180c8d024ac33fe03119d06239">predicados de acontecimento/ </italic><italic id="italic-528bee8b1cbb592174a86252d1ad107c">ocorrência </italic>e <italic id="italic-19f289f5df19ff3ccb5955a78e6ccfe2">predicados causativos</italic>, os quais, em termos de <italic id="italic-5b66152bef2ed1585e12b0ea2f98c8f4">token </italic>e <italic id="italic-b7d7029e80d2183b4a895799c9e6a906">type</italic>, compõem padrões pouco frequentes nos <italic id="italic-96e67c21b070929b529f430f093a41e8">corpora </italic>de fala e de escrita. Para esse tipo categorial de predicado, ocorrem com acentuada frequência <italic id="italic-090972bf72ca2897270c1cdfbc10232e">token/type </italic>predicados atualizados pelo verbo <italic id="italic-d994d4ae5ce67193bf2b11cf3b26ba29">parecer</italic>, ao que tudo indica, forma de expressão preferida de modalidade epistêmica, em ambas as modalidades da língua. Oração infinitiva combinada com predicados verbais é tipo de formato exclusivo da fala, enquanto, na escrita, quando esse mesmo tipo categorial expressa avaliações modais (epistêmica e deôntica) e não modais, ele admite orações finitas e infinitivas.</p>
      <p id="paragraph-68ac85c350d3fa37adb1d63b5bd756fe">De modo geral, em termos de frequência type, independentemente do tipo categorial de predicados e da modalidade da língua, valores não- modais prevalecem sobre os deônticos, que, por sua vez, prevalecem sobre os epistêmicos. Os demais tipos semânticos (predicados de acontecimento e predicados causativos), restritos à expressão por meio de matrizes verbais, compõem padrões marginais de orações subjetivas. Assumindo-se, agora, como perspectiva de análise, o formato da oração encaixada, observa-se que a modalidade escrita apresenta maior variância na composição de padrões do que a falada, esta composta, quase categoricamente, por orações infinitivas, exceção feita ao padrão formado por predicado adjetival avaliativo, que permite encaixar orações finitas e infinitiva, como exposto anteriormente. No tocante à escrita, quase todas as classes sintático-semânticas de predicados variam quanto ao formato da oração encaixada, com exceção de três delas, que admitem ou somente oração finita (nominal epistêmico) ou somente infinitiva (nominal avaliativo e verbal deôntico). A total variabilidade de formato da oração (finita/infinitiva) fica por conta das diferentes classes semânticas de predicados adjetivais, como também já foi apontado. Sobre a relação tempo-modo entre matriz e encaixada, esta é uma propriedade que também não diferencia fala de escrita, como pode ser observado na tabela 02 abaixo<xref id="xref-d613d0b53ce3f058014283c28233b37f" ref-type="fn" rid="footnote-7e90c49eb7886250d59ec318a0b67133">7</xref>.</p>
      <fig id="figure-panel-f63369df6889fc90cd412298814cb5a8">
        <label>Figure 7</label>
        <caption>
          <title>TABELA 2: Orações subjetivas: correlação modo-temporal entre matriz e encaixada na fala e na escrita</title>
          <p id="paragraph-2d8d1ea9e1074a70abb27d25f1cc5ef4" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-30af6f7ab4dc15086fc62492c2e296c6" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="Captura de tela 2021-06-01 195624_3.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-ebcebc3144463a96079b83d5eacaeb55">Como se observa, tanto na fala como na escrita, a variabilidade da correlação modo-temporal fica por conta da expressão de PRES.IND. na matriz, o que permite a combinação com tempos de PRES., PERF., IMPERF. e FUT. na oração encaixada, de ambos os modos (IND. e SUBJ.), com destaque para a frequência mais acentuada de tempos do PRES, um forte indicativo de que a avaliação do usuário sobre o conteúdo informacional da oração encaixada é sempre concomitante com o tempo presente da enunciação, como já apontei em trabalhos anteriores (GONÇALVES, 2003).</p>
      <p id="paragraph-9c4f3fe3fab851ba631369539d731288">Convém observar ainda que os tempos de SUBJ. são mais empregados na escrita do que na fala. Duas razões podem ser apontadas para essa diferença que separa fala de escrita: a primeira se deve à maior presença,</p>
      <fig id="figure-panel-57a293df27144533c47ec75dee47f1c8">
        <label>Figure 8</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-d0cd4ff4e534dcf6d8246521e85b53d3" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-12d8ae38a8d171decbc54ed2dac635d2" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="Captura de tela 2021-06-01 195737_2.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-d74e2c6842af870826e602e5dc4f95ef">na escrita, de predicados adjetivais deônticos, que exigem o modo subjuntivo na encaixada, fato que explica a quase ausência de formas temporais de subjuntivo na fala (na qual prevalecem outras formas de avaliação veiculadas na matriz, que tomam como complemento orações infinitivas ou formas de indicativo). A segunda explicação vem do fato de que, na fala da variedade considerada no presente trabalho, há forte tendência de neutralização das formas de subjuntivo, em lugar das quais vem se empregando alternativamente o indicativo, sem qualquer constatação de estigma social, conforme atesta Silva (2005).</p>
    </sec>
    <sec id="heading-af5fe2382d1118ecf9d851c237bc850d">
      <title>3. Considerações finais</title>
      <p id="paragraph-8b15035bcb6d07a84d585f21232f7e91">Os parâmetros de análise empregados para a descrição da variância e invariância de padrões de orações subjetivas e a metodologia utilizada para a apuração da frequência de uso desses padrões, na fala e na escrita, permitem estabelecer aproximações e distanciamentos entre essas duas modalidades, conforme se pode constatar no quadro 1 a seguir, que sintetiza os resultados provenientes dos dados analisados.</p>
      <table-wrap id="table-figure-d7f73765cad49267aad0c3f3679e57cb">
        <label>Table 2</label>
        <caption>
          <title>Quadro 1</title>
          <p id="paragraph-a4a0d3e7b79e19a4b73f2cdea8306bf5">Caracterização da fala e da escrita quanto aos padrões de orações subjetivas.</p>
        </caption>
        <table id="table-e00c251f070f01728f323ff920d19831">
          <tbody>
            <tr id="table-row-149f153c26e535e584961895b1033283">
              <td id="table-cell-c8e634b932047b4146c92d0502f0f0f9">
                <bold id="bold-bc09be4728ba1d2bcc58f857c63cecc4">Parâmetros </bold>
              </td>
              <td id="table-cell-345a3bf665b61865a3b8f67389c724b6">
                <bold id="bold-9296c92ff18f96c3072dbc7a70934ec2">Fala </bold>
              </td>
              <td id="table-cell-c28edc282bdf63b89fcfe27d93003ce4">
                <bold id="bold-20b7ef01a3d6fbb2f5011077592529c0">Escrita </bold>
              </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-ee00f26b54840e4d36aebc8718646787">
              <td id="table-cell-59f5448c0640bfbc8762d920cd87c0db"> Formato da oração encaixada </td>
              <td id="table-cell-6c4944229c7cc1a935a3a180183f2ca4"> Quase categoricamente infinitivas (exceção a predicados adjetivais avaliativos). </td>
              <td id="table-cell-c37c95e3e42f183bfe7fa6093753a7b6"> Finita e infinitiva para quase todos os padrões. </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-1635731f56e2afff3c63f38e79eeef5c">
              <td id="table-cell-3c44f0891f7eb6be1afe8406cb3cf71c"> Tipo categorial e semântico da matriz </td>
              <td id="table-cell-c428e37853ae0844a18091c4fb6672dc"> Presença de todos os tipos. </td>
              <td id="table-cell-b5029d7c1fdcd70083fc8dc3ab72566d"> Presença de todos os tipos. </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-543692324386d6790f296469cf5840bf">
              <td id="table-cell-aa8df2aaddaa4b5923d485e2ca3f0429"> Correlação modo- temporal </td>
              <td id="table-cell-11b71a414108be8396b632135ba34af3"> Prevalecem tempos do PRES. IND. na matriz + PRES.IND. na encaixada. </td>
              <td id="table-cell-59eecacd3a781cf74e07bb95c6686b1b"> Prevalecem tempos do PRES.IND. na matriz + PRES.SUJ. na encaixada. </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-cb4f496eefea881ee1ab3230368fff7b">
              <td id="table-cell-491524f3b12eecf0a5cb35074d9b8ffc"> Frequência de uso </td>
              <td id="table-cell-901e50317274a94e920167aa445536b4"> (i) predicados nominais raros e semanticamente in-variáveis (todos avaliativos). (ii) predicados adjetivais empregados mais em avalições não-modais. </td>
              <td id="table-cell-ce2342202729a7b2963000f89e57e16f"> (i) predicados   nominais frequentes e semanticamen- te variáveis. (ii) predicados   adjetivais empregados mais em avaliações modais (deônticas e epistêmicas). </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-bade0ec8b03fb3689e03cc884af0360b">
              <td id="table-cell-02fa38a490cea2c5555bd1fc0bde41a7"> Considerados conjuntamente </td>
              <td id="table-cell-a02238551a85195fe478115c69375bb4"> Presença de 10 padrões diferentes, com apenas um padrão específico da modalidade. </td>
              <td id="table-cell-a71e9c92acaa61ab5eb63e44e3058be2"> Presença   de 17 padrões diferentes, com 8 padrões específicos da modalidade. </td>
            </tr>
            <tr id="table-row-ea7c8461f728764a7b3df8d88f2efa1c">
              <td id="table-cell-a3b479f94915284fd96aff9306fa742e" />
              <td id="table-cell-9de088a761ef831f9fc6ceb35e5bc097"> Partilham 9 padrões </td>
              <td id="table-cell-0583bac1eca680e68dbf59c902865c32"> Partilham 9 padrões </td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>
      <p id="paragraph-e9a0dc807d5a07bc192e2168055420df">Desse quadro comparativo, observa-se maior variância de padrões de orações subjetivas na escrita do que na fala. Padrões encontrados na fala superpõem-se aos da modalidade escrita, que pode ser considerada, portanto, reguladora da configuração de padrões para esse tipo específico de oração, porque mais conservadora.</p>
      <p id="paragraph-c40f24ab29ae773dd4887c3ec77442b9">Relativamente aos padrões de orações subjetivas do PB contemporâneo, o único parâmetro que distingue com nítida clareza as duas modalidades diz respeito ao formato das orações encaixadas, com as infinitivas caracterizando prototipicamente a fala. As demais propriedades são distintivas apenas em termos de frequência de uso dos padrões verificados.</p>
      <p id="paragraph-db850c6f1c5487bb89a9f8f4c7444b5c">E para concluir, no que se refere à integração entre matriz e encaixada no complexo oracional em que ocorrem orações subjetivas, os dados analisados de fala e de escrita permitem constatar que a forte presença de orações encaixadas infinitivas tanto na fala quanto na escrita (90 e 89 ocorrências, respectivamente), associada à presença dos casos de subjuntivo na encaixada (22 e 01 ocorrências, respectivamente), revela certa dependência da referência temporal da encaixada em relação à matriz, uma vez que esses dois tipos de orações (infinitiva e subjuntiva) não se sustentam como oração independente (NOONAM, 1985). Retomando os <italic id="italic-165c6a5277515c30e4a302b5096a1d1a">clines </italic>de gramaticalização de orações subordinadas mostrado em (09) e em (10), mais do que as subjuntivas (23 casos), as orações infinitivas (179 casos) representariam casos de maior integração à matriz, porque sua interpretação semântica e pragmática é mais dependente de parâmetros da oração matriz (expressão de sujeito, tempo, modo, voz, aspecto, ilocução etc) e por seu encaixamento ocorrer sem qualquer nexo de integração. Esses resultados confirmam, em termos de frequência dos padrões levantados, tratar-se de um tipo de oração fortemente gramaticalizado, resultante, <underline id="underline-1">talvez</underline>, de um processo de mudança diacrônica, inferência que carece de confirmação empírica.</p>
      <p id="paragraph-3ace4511686f4f4bbca4a231619a5864">Ainda que os resultados apresentados apontem para um maior entrelaçamento entre a matriz e a encaixada, mais na fala do que na escrita, cumpre indagar se apenas a finitude constituiria critério suficiente para uma afirmação sobre o avanço desse tipo de oração na escala de gramaticalização mostrada em (10). Esses resultados, um pouso ainda provisório, requerem a consideração de outros parâmetros de integração, mais típicos da modalidade falada, tais como redução de cópula (claro <italic id="italic-e33f095b7d0390c896899285323ea074">que eu sei</italic>) e ausência de complementizador na oração matriz, e sua consequente adverbialização (claro ... <italic id="italic-25c5761a56ad0677f4d524d97be8f557">eu sei </italic>/ <italic id="italic-139f99c79f19e5a1e91033c95706e168">eu sei </italic>... (é) claro). Além disso, as interpretações que aqui se oferecem requerem certa cautela na sua completa validação, uma vez que os gêneros discursivos considerados em cada um dos <italic id="italic-056851a4db9c914f13c5563d70719df6">corpora </italic>podem ser fatores que também interfira na atualização de determinados padrões presentes em uma modalidade e ausentes na outra.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-902dd3d8b62321819cb90d4a7d06539d">
      <title>Referências</title>
      <p id="paragraph-a7165e7245e29ad063aea70337a8c6b7">BRAGA, M. L. <bold id="bold-c95f684b93e92dbb991e59c8cf30a39a">As orações encaixadas no dialeto carioca</bold>. Relatório de pesquisa apresentado ao CNPq, Campinas, 1999b. Mimeo.</p>
      <p id="paragraph-d73e98ca80af6a1e63d4f7cf6ac58459">BYBEE, J. L. <bold id="bold-92566502bc13ee0a079c04159cd15f13">Main clauses are innovative, subordinate clauses are </bold><bold id="bold-47c612a53327e6aea76ea4cc01910bab">conservative</bold>: consequences for the nature of constructions.</p>
      <p id="paragraph-84173fd402db3975f8fda98b2ff8ab37">________<underline id="underline-888a5ebd29f820e665c05968ab367adc"/>, NOONAN, M. (eds.) <bold id="bold-de29b9229fcfe8a0a5001817aa91c360">Complex sentences in grammar and discourse</bold>: Essays in honor of Sandra A. Thompson<italic id="italic-c571d9efe07bf37f61bf61913093dd38">. </italic>Amsterdam: John Benjamins, 2001. p. 1-17.</p>
      <p id="paragraph-68fa0ea84a86adf29ec20f4d5c8f8c07">________<underline id="underline-2"/>. <bold id="bold-536a8a0574140f91af31e77f0e4a4725">Mechaniscms of change in grammaticalization</bold>: the role of frequency. In: JANDA, R., BRIAN, J. (eds.). <bold id="bold-8f364a030ce712bb6209911cfcfd7b2e">Handbook of historical </bold><bold id="bold-7">linguistics</bold><italic id="italic-7f4a43db2dcaac46c478e097a2cd981c">. </italic>Oxford: Blackwell, 2003. p. 602-623.</p>
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    <fn-group>
      <fn id="footnote-4c350aca5aee79590a0252d02f988f7b">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-aec8d94aab8bc09c8ee5b818d5a0a1d6">Nas ocorrências exemplificativas, entre parêntesis, seguem informações da fonte de onde os dados foram extraídos: Modalidade ((E)scrita, (F)alada)), Banco de dados (BDL-Banco de dados Lexicográfico da UNESP-Araraquara, BDI-Banco de dados Iboruna) e Tipo de texto ((T(écnico), O(ratório) e D(ramático), (N)arrativo, (D)escritivo, (A)rgumentativo, (P)rocedural)). Outras fontes seguem citação convencional.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-b7844a1afc10760e5a79f540bf8670c2">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-184ab15da19ae859f93e968df5c7cf9a">Constituintes encerrados por parênteses são mutuamente exclusivos.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-22c9bcdf9cf1f78ef533489b05589609">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-5336e3cda039ac0514b036e447f02df0">Estou usando <italic id="italic-72d16e79d972119051acd792b37b8f3c">falante </italic>como designação genérica de <italic id="italic-49d9fa77dd753235f746ee199ac7d395">usuário de língua natural</italic>.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-38c7e5d5a5f45000f67a3dff3ed47f74">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-a596cceae96cffc2cc93fbd10c8c4239">Sobre o rótulo “avaliativo” para designar tipos de avaliação não-modal, valho-me da observação de Cervoni (1989), que, após notar a inaptidão de certos predicados na qualificação modal de proposições, admite a possibilidade de se opor-lhes uma barreira, de modo a não incluí-los no domínio da modalidade. Assim, consoante essa sua proposta, predicadores avaliativos, embora índices de subjetividade, estariam fora da categoria de modalidade.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-c046b040d1ed90e694755b81cc12e7d4">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-e749727e7184be19e99504905d7c5628">Prototipicidade de uma construção é aqui entendida como “emparelhamento de uma forma a uma função” (TAYLOR, 1989). Assim, para se alcançar a produtividade de uma construção, além da especificação de uma fórmula sintática, cujos <italic id="italic-162c8fc02855b7a91138757855ac2879">slots </italic>são saturados por itens lexicais, também atributos semânticos e pragmáticos devem ser especificados, de modo a se compor um centro prototípico, em torno do qual se verifica a centralidade/marginalidade de dada ocorrência.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-244856102ae576d15f8d102b05b4f35d">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-2ae0ea6c898a55c31ccdf64172369b0a">Lembre-se de que o total de padrões não representa a simples soma de padrões da fala e da escrita.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-7e90c49eb7886250d59ec318a0b67133">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-c8f44f6df8a4ba6eb2562b3983759bc8">A diferença entre os totais das tabelas 1 e 2 deve-se ao fato de nesta se considerar apenas casos de tempo manifesto na matriz e na encaixada (75 casos). Do total de orações, encaixadas finitas totalizam 83 casos. A diferença de 8 ocorrências se deve à matriz sem marca de tempo. Abaixo segue o resultado geral.</p>
      </fn>
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