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        <article-title>A COLOCAÇÃO DE CLÍTICOS NAS ORAÇÕES COORDENADAS NO CORPUS HISTÓRICO DO PORTUGUÊS TYCHO BRAHE</article-title>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="jan/jun 2010" />
      <volume>9</volume>
      <issue>1</issue>
      <fpage>89</fpage>
      <lpage>105</lpage>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">
          <italic id="italic-66f7936954df4da87789a2d209096d50">Este artigo trata da sintaxe dos clíticos em coordenadas V1 do Português Europeu Clássico. Em relação à colocação dos clíticos, a posição destes pronomes nas primeiras coordenadas pode determinar a posição dos clíticos nas segundas coordenadas. Assim, a ocorrência do efeito de paralelismo nas sentenças coordenadas provoca uma mudança metodológica nos estudos sobre a sintaxe dos clíticos.</italic>
        </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="_paragraph-2">
          <italic id="italic-1">This paper deals with the syntax of the clitics in </italic>
          <italic id="italic-2">V1 </italic>
          <italic id="italic-3">second coordinates of Classical </italic>
          <italic id="italic-4">European Portuguese. </italic>
          <italic id="italic-5">The placemente of these clitics pronoums in first cordinates can </italic>
          <italic id="italic-6">determine the position of pronouns occurring in second coordinates. Thus, the occurrence of the effect of parallelism in coordinate sentences provokes a methodological change in studies </italic>
          <italic id="italic-7">about the syntax of the clitics.<italic id="italic-8"/></italic>
        </p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-bd9c9c9763765899bcf2cb403e4fa25a">Classical European Portuguese</italic>
        </kwd>
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          <italic id="italic-c747e0df7fdb473eb464fe7e514a0523">Clitics</italic>
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          <italic id="italic-dfa910089fc6e3118be8a7f217b2d4d4">Syntactic parallelism</italic>
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          <italic id="italic-c2ddbe8a5162abf46734337973928b4b">V1 second coordinates</italic>
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    <sec id="heading-ee98b50248fd54706243d34512cfd0af">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-1">Neste artigo apresento os resultados da minha pesquisa de Iniciação Científica, realizada no âmbito do projeto “Padrões Rítmicos, Fixação de Parâmetros e Mudança Linguística”, coordenado pela Profª. Charlotte Galves, do Instituto de Estudos da Linguagem da Universidade Estadual de Campinas.</p>
      <p id="paragraph-2">O objetivo deste trabalho foi descrever a posição dos pronomes clíticos nas segundas coordenadas com verbos em primeira posição (V1), em textos representativos do Português Europeu, do século 16 ao século 19. A preocupação central da pesquisa acompanhou a do projeto temático ao qual estava associado, estando voltada para colocação dos clíticos, nos ambientes sintáticos em que a língua permite variação entre próclise e ênclise. A finalidade do projeto é localizar, através dos textos, quando a ênclise se torna obrigatória nesses mesmos contextos, que antes permitiam a variação próclise/ênclise.</p>
      <p id="paragraph-3">A importância de se estudar a mudança na colocação dos clíticos está na possibilidade de se localizar, através dela, o momento em que se deu a mudança do Português Clássico para o Português Europeu Moderno, o que serviu de base para o Português Brasileiro e alguns dos crioulos de base portuguesa.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-b5e740e5ab112b56b2918295b86dff23">
      <title>1. Importância do século 16 na história da língua portuguesa</title>
      <p id="heading-96f6b954a7965f4f5539ce6429dc7afa"> Tradicionalmente, o século 16 é considerado pela Linguística Histórica como marco inicial do Português Moderno, pois é a partir de 1500 que o Português Medieval vai saindo de cena para a entrada do Português Moderno. No entanto, como as mudanças em uma língua não ocorrem de modo abrupto nos textos, alguns padrões linguísticos do sistema antigo permanecem, por algum tempo, no chamado <italic id="italic-cdf1743b63b29762288f055bc24b5b43">sistema novo</italic>. É por essa razão, que muitos estudiosos reconhecem existir entre o Português Medieval e o Português Moderno um <italic id="italic-c4585e026c9aaaa7ab7e8be9b18185b9">período de transição, tradicionalmente chamado de Período Clássico</italic>. Para alguns gramáticos tradicionais, como Said Ali (1964), esta fase intermediária é considerada como uma <italic id="italic-4032db3ac5908ebbae5835872a880b9b">etapa </italic><italic id="italic-b821c6e80febd500b55dee1084e807cb">inicial </italic>do Português Moderno, para ele consolidada nos anos 1900. A Linguística Moderna reconhece este período intermediário, por volta dos séculos 16 e 18, como uma fase na história do português (Teyssier, 2001.), na qual “<italic id="italic-30d3f80b2f27b999bd933ba21cb6aea9">a linguagem dos textos, embora distinta da linguagem escrita na Idade Média, não é ainda a mesma dos modernos” </italic>(Paixão de Sousa, 2004:6). É também no século 16 que o Português Europeu se desloca, e por assim dizer, atravessa “<italic id="italic-a42c0871bc441d6d2dd77370ae4c84e7">os mares nunca dantes navegados</italic>”. Esse distanciamento espacial do português nos permite hoje identificar, nos termos de Paixão de Sousa (2004), suas variantes africanas (crioulos) e suas duas variantes principais, o Português Europeu (PE) e o Português Brasileiro (PB).</p>
      <p id="paragraph-b4796a868ebd9948cd0e463864c2c175">É nesse sentido que o século 16 é considerado de grande importância para os estudos diacrônicos do português, e nos fornece, através de seus textos, os caminhos traçados pelas diferentes etapas gramaticais até o Português Moderno. Assim, o trabalho de descrição gramatical e análise das estruturas sintáticas em textos representativos desse período, ou seja, do <italic id="italic-da165c2ddee3e6b77233fd580a6e8062">Português Clássico, </italic>pode nos fornecer elementos importantes que auxiliem na complexa tarefa da reconstituição da história do Português. Tarefa complexa devido a diversos fatores, nem sempre de natureza linguística, uma vez que o século 16 foi um período de importantes transformações sociais, econômicas e históricas as quais afetaram enormemente as sociedades da época, e evidentemente, acabaram por se refletirem na linguagem dos textos escritos.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-c00740f1e08a731a6dffe71b1e14976b">
      <title>2. A importância de se estudar a sintaxe dos clíticos</title>
      <p id="paragraph-fb6f40a4731e8dd392048fab528fb0d7">Com o intuito de se reconstruir a trajetória das mudanças gramaticais de uma língua, a Linguística Histórica tem voltado seus olhares para a ordem de palavras superficiais atestadas nos textos antigos - que apesar de serem limitados se comparados com a língua falada, revelam o caminho percorrido pelas mudanças através da linha do tempo.</p>
      <p id="paragraph-39d2bcd6debb4d94c2d46084ab2f632d">A ordem superficial dos termos da oração é considerada pelos estudos da sintaxe – inclusive os de molde gerativista – como um “lugar privilegiado”, porque ela revela as propriedades gramaticais abstratas. A ordem dos constituintes é configurada a partir das regras de funcionamento de cada gramática, ou seja, são as categorias funcionais na sintaxe abstrata e as restrições de cada gramática que irão determinar quais os tipos de constituintes sintáticos que podem se superficializar em cada uma dessas categorias<xref id="xref-8647b0c857560098a70f991c39ce4d05" ref-type="fn" rid="footnote-a017e54bc3be0242cf46523d388d7477">1</xref>. A importância de se estudar os pronomes clíticos dentro desta perspectiva de análise se explica porque os clíticos são elementos sintáticos estruturalmente diferentes, ou seja, estes elementos prendem-se aos núcleos de outros constituintes maiores, por serem fracos fonologicamente e morfologicamente (Paixão de Sousa, 2004). Por este motivo, o estudo da posição dos pronomes clíticos é de extrema importância para os estudos diacrônicos de uma língua. Em especial, no caso da história da Língua Portuguesa, uma vez que, como salientam Galves, Britto, Paixão de Sousa (2005):</p>
      <p id="paragraph-f00e7499491cb443b3afe2cdd389131e">In the history of Portuguese, one of the most salient syntactic features that change along time is clitic placement. As clitic placement can be considered one of the major grammatical indicators, changes in this domain constitutes an important key to the grammatical history of a language.</p>
      <p id="paragraph-d17212fcae0f46c9a10c883f74f6c6d2">Desse modo, a descrição da sintaxe dos pronomes clíticos em textos representativos do século 16 nos fornece dados relevantes para analisar algumas das diferenças gramaticais importantes entre as variantes do Português Europeu.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-782703ce9ab72b139d95ead131ad0d99">
      <title>3. As coordenadas V1 e a Sintaxe dos Clíticos</title>
      <sec id="heading-1f5343f1fd437957a1dfe50f57c27575">
        <title>3.1. Dados: Levantamento</title>
        <p id="heading-be7c869169e33fef4a17c84884fb645b">Os dados deste trabalho foram coletados do Corpus Anotado do Português Histórico Tycho Brahe, que se encontra disponível na internet pelo seguinte endereço: <ext-link id="external-link-1" xlink:href="http://www.tycho.iel.unicamp.br/corpus/">http://www.tycho.iel.unicamp.br/corpus/</ext-link> index.html.</p>
        <p id="paragraph-8e1f8a032f5f9b11def00ca9f062b641">Deste Corpus, foram estudados 17 autores nascidos nos séculos 16, 17 e 18, totalizando de 771 sentenças analisadas, das quais 430 com ênclise e 341 com próclise. Os dados foram classificados e organizados primeiro por autores, tomando-se como critério ano de nascimento, e depois, dentro de cada autor, os dados foram classificados pela posição do pronome clítico nas coordenadas. A tabela abaixo distribui os autores conforme o século em que nasceram:</p>
        <table-wrap id="table-figure-f375f4e9771e01cf0cfc01ea8afd5745">
          <label>Table 1</label>
          <caption>
            <title>Tabela 1</title>
            <p id="paragraph-d3512a51b262c98a49fc029c3aa63e61">Classificação dos autores por ano de nascimento</p>
          </caption>
          <table id="table-6563231b5273f3508ad97a999432baf3">
            <tbody>
              <tr id="table-row-04ac746cab612d3ebbda1701658b9359">
                <td id="table-cell-542830ab2be02d295511a275eb0695de">
                  <bold id="bold-5881fd1fc72d5aff13256ade7256cf9e">Século </bold>
                </td>
                <td id="table-cell-1f90e24fb39c8cba8df57b36b4ab7a57">
                  <bold id="bold-1d13352fd5e2cfed46a80d28bd41ed8b">Autores </bold>
                </td>
                <td id="table-cell-77abf0bef76a9c7e79be636c2bcef584">
                  <bold id="bold-2cb68d9918f6d01e494f020f5a1c9b38">Ano de nascimento dos autores </bold>
                </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-48281c9757fd4dbe65c7d2bb5afd605c">
                <td id="table-cell-bf59e16bd6545c76eaae511ca78b0af6">16</td>
                <td id="table-cell-4516859d85e7068c2a4f0c91f7c360a5"> Diogo do Couto (Cou) </td>
                <td id="table-cell-c700360d516d09fdf9ee48200ee11bed"> 1542 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-b538a01ad321863fbb8ede6ed60bce81">
                <td id="table-cell-f4ae95233cdc95407c20d448d8d1ca45">16</td>
                <td id="table-cell-225e49566ff281ec4e8f39df50c97310"> Luis de Sousa (Sou) </td>
                <td id="table-cell-ae8daa9b2327cb08c6acd41280dc1818"> 1556 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-07b3b3bacaf84a88db38fd2d061eb1d8">
                <td id="table-cell-3d61f1fe855c252acb48a5b39b4c6555">16</td>
                <td id="table-cell-4bdd6e95bafeb654bb7f61e41558e513"> Rodrigues Lobo (Lob) </td>
                <td id="table-cell-70becc2f71f64078577e84323bd95238"> 1579 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-f97f178716ed6ff207724e39c9fd1779">
                <td id="table-cell-e505efb3cedc1394e7f0ca4f5b957032">17</td>
                <td id="table-cell-5b7cca800a3a6911c472670c5e7ecd4e"> Manuel da Costa (Mca) </td>
                <td id="table-cell-bd50797b38b290c78e16cb305bf79f8f"> 1601 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-4f53e988f035431de27f591aa40cc873">
                <td id="table-cell-c569cc96469e1fca349ac83a9cb8eb4c">17</td>
                <td id="table-cell-7748e0392f938b7f2f44e0c76731a79f"> Manuel de Melo (Mel) </td>
                <td id="table-cell-5194f2380135fc6a9764d3224b1061cb"> 1608 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-b02f19ce63ecb387ace7c18f67cf5806">
                <td id="table-cell-cd784a05d687555280162362af550ddd">17</td>
                <td id="table-cell-f7efd462c5b7379642055dabe8ce682c"> Padre Vieira-Cartas (Vic) </td>
                <td id="table-cell-126a07031a36f73d375c223a1d74d27c"> 1608 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-4e34b589f6594a474d74781d967a91f8">
                <td id="table-cell-4c8d787b27f9522c792140fb1e6b091a">17</td>
                <td id="table-cell-9448853ee91f3bf9130c6f3b71779786"> Padre Vieira-Sermões (Vis) </td>
                <td id="table-cell-672d6172a992ba55bdd2174b25c908cf"> 1608 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-15cdc00c9b385d59fd50f4d3fdc87e47">
                <td id="table-cell-297d4c98a1794e1db7d11c1263f3f77e">17</td>
                <td id="table-cell-e2b9a30750984ff9c2b6b4cf5dc83415"> Francisco das Chagas (Cha) </td>
                <td id="table-cell-bb0ec960a53335af3e394dfd083ab6af"> 1631 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-77c52ddba9332849c95594df3f2ad8f4">
                <td id="table-cell-7b16683258ee5d005e14978006ec0ab4">17</td>
                <td id="table-cell-93f3e62d7e9699cd7b1d1c23a003b229"> Cunha Brochado (Bro) </td>
                <td id="table-cell-93c0c6b48a0bb95cf212fc18d42bc1e9"> 1651 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-05f908350dcad577de20a0f3c23c2ae2">
                <td id="table-cell-dc913b3060f2707458aab6a33083abed">17</td>
                <td id="table-cell-e5394555eaac1040261ffecb018bf6d2"> Maria do Céu (Ceu) </td>
                <td id="table-cell-80d6e6f4fb2587873b27ffa7b6ebb705"> 1658 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-82837c11feed33ad0bd10bc1a5ca44a5">
                <td id="table-cell-37a7ae8cc2525fb89b831c50e7479059">17</td>
                <td id="table-cell-caa741d6f97ed1f8347e32a7aa856b53"> André de Barros (Aba) </td>
                <td id="table-cell-12fc6d45c3ab1c5f92d14cef8fb4aa80"> 1675 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-fe8e7603667c764c786046d37e04cb7b">
                <td id="table-cell-1537fcb7cc2a52660acfde7ddb0feba0">17</td>
                <td id="table-cell-5ee1a4a88968ae00081a3400d8df6ba3"> Alexandre Gusmão (Gus) </td>
                <td id="table-cell-d9939aa12f04c84d6dcecc21468bca4a"> 1695 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-2cda708bab27eda9429f9597a117832a">
                <td id="table-cell-b989570a965339a637f206935ca4a997">18</td>
                <td id="table-cell-93bac8ff8cf3c93bac297da073bb4caf"> Matias Aires (Air) </td>
                <td id="table-cell-d2a992e83e4745e3c03852f88a3d263e"> 1705 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-cb3bf955326d3b8722cc606736aef63f">
                <td id="table-cell-695feece316870ac2a60f75304bf8aff">18</td>
                <td id="table-cell-cd9816491368ec0469c36f2c9fb3e40c"> Antonio Verney (Ver) </td>
                <td id="table-cell-7b55c0da735754007c2604815c035bb5"> 1713 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-dcb86744ba468ff0a5c7e50a882aad92">
                <td id="table-cell-3712b95ce908fa58641fc2d83708038e">18</td>
                <td id="table-cell-f508c4d7aa8c9f8111a0818e21976fbf"> Correia Garção (Gar) </td>
                <td id="table-cell-73cc4d9cb365f80eda6b3d1047293aa2"> 1724 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-328113616d0f5a2c39350c4deca1dc92">
                <td id="table-cell-e80e2ad87aac67667b95e27035b93ede">18</td>
                <td id="table-cell-19edf31d5adda1611e91dde34e9eeb2d"> Marquesa de Alorna   (Alo) </td>
                <td id="table-cell-b2833b8b0890ce978efd0dbb77691366"> 1750 </td>
              </tr>
              <tr id="table-row-5df880930cc008602e1bfaa0ba6081c6">
                <td id="table-cell-35ba15b694df70a671d2b31d00ddba9c">18</td>
                <td id="table-cell-15fb0859918873d8523e049d247e79f5"> Almeida Garrett (Gtt) </td>
                <td id="table-cell-85309a87c873308a1b51861acd4762be"> 1799 </td>
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
      </sec>
      <sec id="heading-a209606f6ee83f25219c0956e674b554">
        <title>3.2.  Dados: Classificação e análise</title>
        <p id="paragraph-98e72686465d5b770ba059b30a7832f7">Os pronomes clíticos se distribuem nas coordenadas V1 da seguinte maneira: podemos ter clíticos em ambas as coordenadas e/ou podemos ter clíticos somente em uma das coordenadas. Dessa forma, temos os seguintes tipos de sentenças:</p>
        <p id="paragraph-4feb8287b071ffefca08781be98c1e61">Exemplos dos tipos de sentenças</p>
        <p id="paragraph-11e2aa06836783664e4ea340118db589">(A) Sentenças com clíticos nas duas coordenadas:</p>
        <p id="paragraph-cfafd42cbb5fe8d2032a6e30a3dad3d1">(1) 1ª Coordenada e 2ª Coordenada com ênclise</p>
        <p id="paragraph-e86fa9fb9c1cdc04b2916d132912dce8">
          <bold id="bold-1">–<bold id="bold-2"/></bold>
        </p>
        <p id="paragraph-21b40eb76a7e739a1be0a7a2467b8378">
          <bold id="bold-3">[Vcl] [Conj Vcl]:<bold id="bold-4"/></bold>
        </p>
        <p id="paragraph-bd49055cb65014c9344bf1a31408fa06">(a) <bold id="bold-5"><underline id="underline-1">Soa-me</underline></bold><bold id="bold-6"> </bold>dentro na alma, Padres Reverendíssimos, e <bold id="bold-7"><underline id="underline-2">faz-</underline> </bold><bold id="bold-8"><underline id="underline-3">me</underline></bold><bold id="bold-9"> </bold>retinir ambos os ouvidos aquela voz que se conta foi ouvida do Céu, em tempo de Constantino Magno, quando, com santa liberalidade, começou a enriquecer a Igreja. (Luis de Sousa, 1556)</p>
        <p id="paragraph-ff6ea2619ead7ad411eef10ca15870fe">(2) 1ª Coordenada com próclise e 2ª Coordenada com ênclise</p>
        <p id="paragraph-9a393e4f5f5322ff1aaf1e91ebc2c669">
          <bold id="bold-19a7c48164c884b8a07310cf9e3dbb40">–<bold id="bold-8b9e2b2a54997f61cc782609b5c5f8c1"/></bold>
        </p>
        <p id="paragraph-203918115c7b39e056063bc021727f51">
          <bold id="bold-47849722cdc1b29c4004df92c9dd5cb8">[clV] [Conj Vcl]:<bold id="bold-6de73150a75671744cef0be42f0e6dfc"/></bold>
        </p>
        <p id="paragraph-4">(b) Não só <underline id="underline-594c85182a085d45b5fa130428a4caa4">vos condemnam</underline> os homens pelo que vós nunca imaginastes, <underline id="underline-6bc08592a83028643592bc41c819d0f4">mas condemnam-vos</underline> pelo que nem elles imaginam de vós. (Padre Vieira, 1608)</p>
        <p id="paragraph-81fdd38d278f037266506f85ad4b2f46">(3) 1ª Coordenada com ênclise e 2ª Coordenada com próclise</p>
        <p id="paragraph-8c7a8d5ed4c38fc33e85fef34da305f0">
          <bold id="bold-16d973214baf7a0517dbd3fc5a7be932">–<bold id="bold-d2aaf96415c1ba243761dda7968d92b9"/></bold>
        </p>
        <p id="paragraph-95fea0e475ecee3c3b4d79b58538e8be">
          <bold id="bold-18b38f4a518c5897643f346cf1c684bb">[Vcl] [Conj clV]:<bold id="bold-34066a5c19b72c94804ed685296791eb"/></bold>
        </p>
        <p id="paragraph-33970e18d10a17ea6710a289178bba63">(c) <bold id="bold-149ba2ce467fed1192718ecbf033c64b"><underline id="underline-b9e799dc053f7426ffdb66cfd7b3ec1a">Tenha-me</underline></bold><bold id="bold-050a118c57e1436f555427c6c1a23975"> </bold>Vossa Senhoria sempre na sua graça <bold id="bold-8b2c08e5d206831ea9b724311c1e134a"><underline id="underline-859756420e7405cf157457c2fa926fd2">e me</underline> <underline id="underline-784ba3b98af019a8c49ce40d778f4c7d">dê</underline> </bold>repetidas ocasiões de mostrar no Seu Serviço o meu reconhecimento. (Alexandre de Gusmão, 1695)</p>
        <p id="paragraph-4b91cbbfcef363031c218562af974625">(4) 1ª Coordenada e 2ª Coordenada com próclise.</p>
        <p id="paragraph-f9b4ae2fa184d601f7932800f140b971">
          <bold id="bold-1a06f66d2e66e58b3b29652268c8a2c5">-<bold id="bold-105177611d7485bd35ba284c1191bac2"/></bold>
        </p>
        <p id="paragraph-217a8b7ebc7f6a5b0b12fe9c36c0b728">
          <bold id="bold-6813d0b170f07b326975b102d2219852">[clV] [Conj clV]:<bold id="bold-5633e824b7c18c556ab1d691272f6b93"/></bold>
        </p>
        <p id="paragraph-dd631ccc48d52dd5051f321e13516138">(d) Dizendo isto, por um movimento quase involuntário <bold id="bold-5fb8c6b071df3b74d058e57afa79fb9d"><underline id="underline-5f11a6fd23a68ab6862db90678d77397">lhe tomou</underline> </bold>a mão adormecida e <bold id="bold-eddc1fbf7ff49a6a1f2068d4935140c9"><underline id="underline-975677dd1997eb22b10898ad4ff55887">a levou</underline> </bold>aos lábios. (Almeida Garrett, 1799)</p>
        <p id="paragraph-dfdff2b682645d6cf851d66505bf6d89">(B) Sentenças com clíticos somente na segunda coordenada:</p>
        <p id="paragraph-c13b0210ef528ce9cbad6cd7a0672d39">(5) 2ª Coordenada com ênclise</p>
        <p id="paragraph-5f1a2a1524e804b6d2d8e2b5bde4adf3">
          <bold id="bold-6ec8a88047ec04c162010d7c5bdc2b00">–<bold id="bold-614b60368f20d7222690b77afc0007b6"/></bold>
        </p>
        <p id="paragraph-030d26cbe64efafc6f6efaf2353d78a9">
          <bold id="bold-5a24d94f6cf9fb9c7909af10fc67ccfd">[0] </bold>
          <bold id="bold-cda21b8fb45e09313d37505a9d828d9c">[Conj Vcl]:<bold id="bold-3acf35b7770bb13831feb7b85cc73fb5"/></bold>
        </p>
        <p id="paragraph-5">(e) Vieram <bold id="bold-a4e25667842b2a32a034163403c33cf1"><underline id="underline-3e0c14da020562f2e056f8ef3c399d7e">e levaram-me</underline> </bold>após si aquele pouco repouso, que conservava afim de o perder minha vontade. (Francisco Manuel de Mello, 1608)</p>
        <p id="paragraph-23d5e52476b3251e3acaa5d43f15fc4c">(6) 2ª Coordenada com próclise</p>
        <p id="paragraph-fba60d5b33e9aaed563b9e78230dae22">
          <bold id="bold-1ddeee2e6470e8fedae74c14cd0c9d9f">-<bold id="bold-1ca7f8c6d6d4b100f7687a5a924baab1"/></bold>
        </p>
        <p id="paragraph-14f8055912d8862659a397d2f043aae9">
          <bold id="bold-c532d42ae08e2d171f124d5ffd795194">[0] </bold>
          <bold id="bold-fcf04327f80aad5ebefad7f6716365a4">[Conj clV]:<bold id="bold-47e5986b390f33dbdcbf62fb4f0a7345"/></bold>
        </p>
        <p id="paragraph-5ec4286df834af3476f653a4011b4b08">(f) Dom Jorge foi logo avisado de sua chegada, <bold id="bold-27d053a0b8a28e6883ed72de5636780c"><underline id="underline-ce6e3925e442c00f02e3effb45f97aca">e o mandou<bold id="bold-9717b6e07273425879e63019d52b4193"/></underline></bold></p>
        <p id="paragraph-17c63eac13b3f305be5147f09dde5244">visitar, e pedir-lhe suas Provisões<bold id="bold-375893ae7cf2f61aa685f9afd2e940dc">. </bold>(Couto, 1548)</p>
      </sec>
      <sec id="heading-d32f0d14026e35126fb955667a0903bc">
        <title>3.3. Olhando para as segundas coordenadas</title>
        <p id="heading-6a9f75f3592446a91aee47ffebb32534">Seguindo a nossa metodologia de pesquisa, iniciamos nosso trabalho olhando para o que ocorria com os clíticos somente nas segundas coordenadas. Nesta primeira etapa do trabalho, chegamos a um panorama geral da colocação dos clíticos, como nos mostra o Gráfico 1 abaixo:</p>
        <p id="paragraph-55960e513edb36fcb7a0b153b9d6a320">O Gráfico 1 a seguir nos mostra o que ocorre nos autores representativos dos três séculos analisados quando se observa somente o que ocorre nas segundas coordenadas. Neste momento, não há uma preocupação com a presença ou não de clíticos nas primeiras coordenadas, nem com a sua posição, caso eles ocorram.</p>
        <p id="paragraph-42ceb63aef8eabadaef1642f8d540830">No século 16 há uma maior ocorrência de <bold id="bold-8cccafdedee69b96b1c326781f7e7103"><italic id="italic-87dc3c1c468509f369204fd399c97022">próclise. </italic></bold>Dos três autores analisados, dois apresentam um percentual maior de próclise, enquanto que apenas Luis de Sousa (SOU) apresenta um percentual de 83% de ênclise. Assim podemos afirmar, comparando com outros estudos sobre os clíticos neste mesmo período (séc. 16), que os autores deste século são mais proclíticos nos ambiente sintáticos que permitem variação próclise/ênclise.</p>
        <fig id="figure-panel-31b21f5fe06c5c721771e22e34634fcd">
          <label>Figure 1</label>
          <caption>
            <title>Gráfico 1</title>
            <p id="paragraph-9c38cb0c4d19caaf0710406fcc722ed2">Total de ênclises X total de próclises nas segundas coordenadas classificado por autores.</p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-f2c12be520a9805b844594557e4f3ac2" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="1.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-e23978b5be78d435bf77d603eb65016c">Já o século 17 apresenta uma maior <bold id="bold-6fea96812b019ca0cbd61ba4f46ddcbb"><italic id="italic-af285850542a72cb95ba7e171ad74aaf">variação na posição do clítico</italic></bold>, com certa tendência para a <bold id="bold-c9f088fa36eb24a2afd934a9f4415b5c"><italic id="italic-6398a7230d825f843126b4b60bb6fbb7">próclise</italic></bold><italic id="italic-849d3f7f084581192b93827cb08a79bb">. </italic>Dos nove autores analisados, cinco apresentam um percentual maior no uso de próclise enquanto que apenas três apresentam um percentual acima de 50% para o uso de ênclise. É interessante destacar aqui dois autores que apresentam, neste período, um equilíbrio na colocação dos clíticos no ambiente em questão (50% para cada posição) são eles: Cunha Brochado – n. 1651 (BRO) e Maria do Céu – n. 1658 (CEU).</p>
        <p id="paragraph-b7f45ce62f34575ef6c18dfe7583a3ce">Em relação ao século 18, os dados apresentaram uma ocorrência maior de <bold id="bold-a07fe8d9e13f3635c08fb4bec7699e08"><italic id="italic-36e13b4d70b5a83c0336d04e779c4366">ênclise </italic></bold>nesses ambientes de variação. No início do século, vemos um percentual de ênclise bastante reduzido – 7% - enquanto que este percentual aumenta substancialmente no final do século – 90% na Marquesa d’Alorna e 78% em Almeida Garrett.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-09572f924cb733238c8d525621cfc351">
      <title>4. O Paralelismo na colocação dos clíticos nas coordenadas</title>
      <p id="paragraph-03bce77e624af5a8e7ad6be321f3dd02">Numa análise mais aprofundada sobre a colocação dos clíticos nas segundas coordenadas e os motivos da sua variação, pareceu-nos haver aí a ocorrência de um fenômeno chamado de <bold id="bold-e01c98776abc7deb3e1d51dc174cbdb6"><italic id="italic-e9dd4201f879fdeb43a21bd3e19e3d40">paralelismo</italic></bold><italic id="italic-c6f0cfcbfdb666109ec92a3d0843c5f0">. </italic>Este fenômeno de paralelismo acontece quando em uma dada sentença com duas orações coordenadas a colocação dos clíticos na segunda coordenada acompanha a mesma posição da primeira. Como nos mostram os seguintes exemplos:</p>
      <p id="paragraph-0fc72d8110906c3d8877cbb92ec5bb79">(7) </p>
      <p id="paragraph-ff41ff4ff238b38d43eaa1fbf015ad02">(a) <underline id="underline-d4b023876946c1ff94c4360ca328e27d">Pinte-lhe</underline> com côres bem vivas a extensão do seu sacrifício, <underline id="underline-0bbde0952c6787eddf946ceca459514b">mas faça-o</underline> generosamente e espere com paciência o resultado dêste acto. (Marquesa de Alorna).</p>
      <p id="paragraph-60454225e9200cefa0ffaf2e31eba31a">(b) Sua mulher <underline id="underline-54898bfa0bb114566f1ac7802dd1687c">me mandou</underline> chamar hontem por Dom Alexandre, <underline id="underline-4">e a achei</underline> lastimosíssima (Padre Antônio Vieira- Cartas)</p>
      <p id="paragraph-ffea15b24866d227fb3d5f9e0967ef5a">A partir dessa observação, decidimos verificar se este fenômeno ocorria de fato, e se havia, dentro do período considerado, alguma variação no tempo.</p>
      <p id="paragraph-5e6d7ba78fea30083538dd18dc92029e">Este procedimento nos forçou a olhar também para a posição dos clíticos nas primeiras coordenadas, pois seria a posição do clítico nestas primeiras coordenadas que serviria como base para a confirmação da ocorrência de paralelismo. Dessa forma, observando a posição dos pronomes clíticos no conjunto dos autores temos, agora que considerar, como já explicitado nos exemplos acima, três ambientes, a saber:</p>
      <p id="paragraph-3d75f921229d9d9cbb3974c4309e53f4">(8) Primeira Coordenada sem clíticos:</p>
      <p id="paragraph-826a7f547cbef5d9bb9aa0920cf9772a">(a) Vieram <underline id="underline-be58222742449a126626c952884f8b89">e levaram-me</underline> após si aquele pouco repouso, que conservava afim de o perder minha vontade. (Francisco Manuel de Mello, 1608)</p>
      <p id="paragraph-69b4c159743c746990699c28e8d42119">(b) Dom Jorge foi logo avisado de sua chegada, <underline id="underline-74f44a3698de19811980f2a977a3f258">e o mandou</underline> visitar, e pedir-lhe suas Provisões. (Couto, 1548)</p>
      <p id="paragraph-5a2ae477c6439c825666970f4b212bab">(9) Primeira coordenada com próclise:</p>
      <p id="paragraph-ff9acabbf0535191eee52da4ff86457a">(a) Não só <underline id="underline-6e7f8e9e75b0fd79591885608a070c9d">vos condemnam</underline> os homens pelo que vós nunca imaginastes, <underline id="underline-645c6cbfa057b8641e43274e69718ae0">mas condemnam-vos</underline> pelo que nem elles imaginam de vós. (Padre Vieira, 1608)</p>
      <p id="paragraph-6866535b384cf46edc95dcc5b4ee95ca">(b) Dizendo isto, por um movimento quase involuntário <underline id="underline-5">lhe tomou</underline> a mão adormecida <underline id="underline-6">e a levou</underline> aos lábios. (Almeida Garrett, 1799)</p>
      <p id="paragraph-3b120cdd62c766824099d716c8c656ec">(10) Primeira coordenada com ênclise:</p>
      <p id="paragraph-3b4a9b226a595b4d9b8a4e719d3a94ce">(a) <underline id="underline-7">Soa-me </underline>dentro na alma, Padres Reverendíssimos, <underline id="underline-8">e faz-</underline> <underline id="underline-9">me</underline> retinir ambos os ouvidos aquela voz que se conta foi ouvida do Céu, em tempo de Constantino Magno, quando, com santa liberalidade, começou a enriquecer a Igreja. (Luis de Sousa, 1556)</p>
      <p id="paragraph-683e2f4b5d2040a6691d9d3686455b9a">(b) <underline id="underline-10">Tenha-me</underline> Vossa Senhoria sempre na sua graça <underline id="underline-11">e me</underline> <underline id="underline-12">dê</underline> repetidas ocasiões de mostrar no Seu Serviço o meu reconhecimento. (Alexandre de Gusmão, 1695)</p>
      <sec id="heading-37f79b3594e61ed124abc871772fed98">
        <title>4.1. Olhando para as primeiras e segundas coordenadas</title>
        <p id="heading-5dfea245c7c072b2119c0f3c10a9140f">Partindo dos ambientes acima explicitados, passamos a analisar a posição do clítico nas segundas coordenadas em relação ao que ocorria na primeira coordenada. Percebemos de imediato que, nos contextos cuja primeira coordenada não apresentava clíticos, a sintaxe destes pronomes se apresentava de um modo geral tal qual a nossa primeira análise, quando olhamos somente para as segundas coordenadas. Melhor dizendo, ocorria uma variação próclise/ênclise entre os autores, em todos os períodos analisados, com uma tendência para o uso de <bold id="bold-508df8abc365819ebe8ffd14ab11a05e">próclise </bold>no século 16, certa variação entre os autores do século 17 e uma tendência para a <bold id="bold-fb6612d555a890682ca06dc0b7417ca5">ênclise </bold>no século 18, como nos mostra o Gráfico 2 abaixo:</p>
        <fig id="figure-panel-f70c8cc202b48da877f702ca3d2b6592">
          <label>Figure 2</label>
          <caption>
            <title>Gráfico 2</title>
            <p id="paragraph-ba0b1c8297f0877e5de6374a55f7db65">Percentuais de <underline id="underline-773daa1fb98dbcc59d048b412511307c">ênclises e próclises</underline> nas segundas coordenadas quando <underline id="underline-41543d640103855af772341631987153">não ocorre clítico na primeira</underline> <underline id="underline-2e707847b523596f4d6ddc1d15da9e7b">coordenada</underline> [0] [Conj clV] ou [0] [Conj Vcl]:</p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-041d798284c497dff3b063a6e902728a" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="2.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-5046f3235a23e178dc23e0265e2c6eea">O mais interessante foi perceber o comportamento desses autores quando ocorria próclise ou ênclise nas primeiras coordenadas, pois se o contexto não havia sofrido mudanças, ou seja, continuava sendo um contexto de segundas coordenadas com verbo inicial, não haveria uma razão, imediata, para que a posição dos clíticos variasse.</p>
        <p id="paragraph-9f5747207e1a61b386282f5ca8126a0f">Quando a posição do clítico nas primeiras coordenadas era <bold id="bold-adac0b99631d054e6ec54ff26fee23e4">pré- verbal </bold>percebemos, de um modo geral, que houve um <bold id="bold-598b4af5babab41a9d34d7fc7ec3908b">aumento no percentual de próclises</bold>, em quase todos os autores, independente do período analisado (séculos 16, 17 e 18). Ou seja, os autores que já eram proclíticos tiveram um aumento no seu percentual de próclise, enquanto que os autores que preferiam o uso de ênclise nas segundas coordenadas V1 passaram utilizar próclise neste mesmo contexto, como mostra o Gráfico 3 a seguir:</p>
        <fig id="figure-panel-af608647b5e49419c2b500e3ff91a875">
          <label>Figure 3</label>
          <caption>
            <title>Gráfico 3</title>
            <p id="paragraph-7464c5fd48c5beb138aa6d06ae3c862e">Percentuais de ênclises e próclises nas segundas coordenadas quando ocorre <underline id="underline-3b5962e35adf55e104f6acb9589b96df">próclise</underline> na primeira coordenada [clV] [Conj clV] ou [clV] [Conj Vcl]:</p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-d621c87d432d320fbcca25a58e7fb9c2" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="3.png" />
        </fig>
        <p id="paragraph-3cf1033eb9b0148ea91f1dec90691949">O mesmo ocorreu quando a posição do clítico nas primeiras coordenadas era <bold id="bold-96026a090ed01b11f6bd35ab77ba9726">pós-verbal; </bold>o número de autores que preferiam <bold id="bold-9ceb7b097eb6a3ff7b1f76d6c7923cd7">o uso de ênclise aumentou </bold>em todos os períodos. Os autores que antes, quando havia ausência de pronomes clíticos nas primeiras coordenadas possuíam um percentual de ênclise baixo, tiveram um aumento neste percentual, ou seja, passaram a utilizar ênclise nas segundas coordenadas. Neste contexto ocorreram algumas exceções, tais como Mello (1608), Vieira – Cartas (1608), M. do Céu (1658) Matias Aires (1705). Estes autores continuaram proclíticos mesmo com ênclise na primeira coordenada. No entanto, em todos eles os percentuais de próclise diminuíram, exceto em Maria do Céu, como demonstra o Gráfico 4 a seguir:</p>
        <fig id="figure-panel-5ce8ea6beb3db87f8f29791823165c3f">
          <label>Figure 4</label>
          <caption>
            <title>Gráfico 4</title>
            <p id="paragraph-d9dc43603c3f9dc312064b32c58d35a9">Percentuais de ênclises e próclises nas segundas coordenadas quando ocorre <underline id="underline-15b0c7195ba9d75a019fb85fd8f370ef">ênclise</underline> na primeira coordenada <bold id="bold-393813c64356175eec1c936437be4acb">[Vcl] [Conj clV] ou [Vcl] [Conj Vcl]:</bold></p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-a6db16ca837dffd5103079364141c263" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="4.png" />
        </fig>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-58148f6e3519f404a822f31c8e7db77a">
      <title>Conclusão</title>
      <p id="paragraph-76680d6c578dc3b22e64022e16feaf60">A análise dos dados aqui apresentados nos revela que, de fato, a posição do clítico nas segundas coordenadas pode estar, muitas vezes, associada à posição do clítico na primeira coordenada. Ou seja, pode-se concluir que há um <italic id="italic-d0f4f72fcf466dac320644e3bc694c49">efeito de paralelismo </italic>em todos os autores, bem mais evidente com o uso de <italic id="italic-7e83f4e4ca2313d84e3368cf913976ad">ênclise, </italic>mas também presente com o uso da próclise. Também, pode-se afirmar que esse paralelismo esteve presente ao longo do período analisado, devido às poucas exceções apresentadas.</p>
      <p id="paragraph-4a3794d90c73d36bb941ed1ea1294c8b">Uma das exceções encontradas e de comportamento mais peculiar está nos dados da autora Maria do Céu (1658). Nessa autora vemos uma colocação de clíticos em coordenadas V1 que difere um pouco dos outros autores aqui analisados. Em ambiente <underline id="underline-77c9caf16c867db067b04b3114298fc4">sem clíticos na primeira</underline> <underline id="underline-b8ef3b79f09e7fa36d47468b7f9e6712">coordenada</underline>, ela se mostra um pouco <underline id="underline-fcdc310bf3ac0d912cd3f07e098f8373">mais proclítica</underline> (46% de ênclises para 54% de próclises). Em ambiente <underline id="underline-eb2077424916397fb47d9f9af419c398">com próclise na primeira coordenada</underline>, ela se mostra um pouco <underline id="underline-bb0ec3795e23e8d9a52cab0a835242f8">mais enclítica</underline> (57% de ênclises para 43% de próclises). E finalmente em contextos cuja primeira coordenada tem ênclises, ocorre o contrário, Maria do Céu apresenta 70% de casos com próclises e 30%, com ênclises. Dessa maneira, podemos dizer que Maria do Céu traz um <underline id="underline-da30f5046c4d7aee01c8b4cb3c89c700">padrão oposto</underline>, na colocação de clíticos, em relação ao padrão atestado nos dados dos outros autores que no geral apresentam o seguinte comportamento no que diz respeito à sintaxe dos clíticos:</p>
      <p id="paragraph-66ec38aebe6b351b93c887bb3baf042f">· <underline id="underline-e867ee072aa5b5290da252a5f9d8a49c">Autores mais enclíticos</underline> – em quase todos ocorre o paralelismo – usam mais próclise na segunda coordenada quando há próclise na primeira coordenada. Os que não acompanham essa colocação, diminuem o uso de ênclise na segunda coordenada.</p>
      <p id="paragraph-c6bf812a7ebb9847241649bc42573c93">· <underline id="underline-6bc849fe8d40e503e23e50b21bf5a1a1">Autores mais proclíticos</underline> – nesses também ocorre o paralelismo – o percentual de ênclise na segunda coordenada aumenta quando há ênclise na primeira coordenada. Os que não mudam a posição do clítico diminuem o uso de próclise.</p>
      <p id="paragraph-c03bbb75fac70a519a72363187d67195">· A observação da ocorrência de paralelismo nas sentenças coordenadas encerra uma <italic id="italic-10ae5eeddcdd72f5f444a626e7ec671f">lição metodológica </italic>importante nos estudos sobre a sintaxe dos clíticos em orações coordenadas. O fato de que o ambiente de primeira coordenada pode determinar o que ocorre nas segundas coordenadas, no que diz respeito à colocação de clíticos, nos leva a refletir sobre a possibilidade de que um paralelismo semelhante ocorra com outros fenômenos sintáticos. Assim, não podemos mais analisar as segundas coordenadas sem considerar o que ocorre nas primeiras coordenadas, quer observemos a posição dos clíticos, quer estejamos interessados em qualquer outro aspecto sintático.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-0a59cd24de2aaeaf3eb9a450f0c12fca">
      <title>Referências</title>
      <p id="paragraph-c075e19e2c7cd94af0723df1907bcc06">CAVALCANTE, Sílvia Regina Oliveira. <bold id="bold-f93c33a653fba14977df0d7a45596c2e">O Uso de SE com Infinitivas na História do Português</bold>: Do Português Clássico ao Português Europeu e Brasileiro Modernos. Tese (Doutorado) Linguística - Instituto de Estudos da Linguagem, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2006.</p>
      <p id="paragraph-1370d46cf181d5c284c121d5385e3d02">GALVES, Charlotte. <bold id="bold-288751285a4b7a5b0730a68761f5c469">Ensaios</bold><bold id="bold-fbf6e6e5e3388aa29e32f16b96d2d048"> </bold><bold id="bold-cd4e94e23d26c486b31db2f88ff634bd">sobre</bold><bold id="bold-f59c08c0c0ac503e88a39d45832236c5"> </bold><bold id="bold-45d8a317732aa9b1b5254f53524ce894">as gramáticas do português. <bold id="bold-1ef3e94520e65b99e68292ada26619ce"/></bold>Campinas: Editora da Unicamp, 2001.</p>
      <p id="paragraph-4d879abde42af563fbaf747c9b00a422"><underline id="underline-6c90a2e0e15781753849685c12ccd318"> _______</underline>. <bold id="bold-8c397c4c6a87970cb2a11cc5c33740c0">Padrões rítmicos, fixação de parâmetros e mudança </bold><bold id="bold-dc99e17d30a5e46be7188073939c5be9">linguística </bold>– Projeto de pesquisa - Fase II. UNICAMP CAMPINAS, 2004. Disponível em: &lt;<ext-link id="external-link-d67ef5924d9dcc51903d6196ac42b52b" xlink:href="http://www.tycho.iel.unicamp.br/~tycho/">http://www.tycho.iel.unicamp.br/~tycho/</ext-link> prfpml/fase2/index.html&gt;</p>
      <p id="paragraph-7">GALVES, C.; BRITTO, H. &amp; PAIXÃO DE SOUSA, M.C. <bold id="bold-10">The <bold id="bold-11"/></bold><bold id="bold-12">Change in clitic placement from Classical to Modern European Portuguese</bold>: Results from the Tycho Brahe Corpus. In: Journal of Portuguese Linguistics. Special Issue on variation and change in the Iberian languages: the Peninsula and beyond, v. 4, n.1, p. 39-67, 2005.</p>
      <p id="paragraph-10">GALVES, Charlotte; NAMIUTI, C.; PAIXÃO DE SOUSA, M. C. <bold id="bold-13">Novas perspectivas para antigas questões: A periodização do português revisitada. </bold>In: A. Endruschat, R. Kemmler, B. Schäfer-Prie. (Orgs.). Grammatische Strukturen des Europäischen Portugiesisch: Synchrone und diachrone Untersuchungen zu Tempora, Pronomina, Präpositionen und mehr. Tübingen: Calepinus Verlag, 2006. p. 45-75.</p>
      <p id="paragraph-13">GALVES, C.; PAIXÃO DE SOUSA, M.C. <bold id="bold-14">Clitic placement and the position of subjects in the history of European Portuguese</bold>. In: GEERTS, T.; VAN GINNEKEN I., JACOBS, H. (Orgs.) Romance Languages and Linguistic Theory: selected papers from ‘Going Romance’ 2003<italic id="italic-d3d1b9d27359c30082bed3a067d5d4d6">. </italic>Amsterdam: John Benjamins, 2005. p. 93-107.</p>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-a017e54bc3be0242cf46523d388d7477">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-e1bcb5a2aecc133cae6f5be2813eaa4b">Segundo Paixão de Sousa (2004), “documentam-se alterações superficiais na ordem linear da sentença, medindo variações entre padrões que possam indicar a alteração de um parâmetro gramatical”.</p>
      </fn>
    </fn-group>
  </back>
</article>