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<journal-title>Revista da Abralin</journal-title>
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<publisher-name>Associação Brasileira de Linguística</publisher-name>
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        <article-title>BYBEE, JOAN. <italic id="italic-1">LANGUAGE, USAGE AND COGNITION</italic>. CAMBRIDGE UNIVERSITY PRESS, 2010.</article-title>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="jul/dez 2009" />
      <volume>8</volume>
      <issue>2</issue>
      <fpage>209</fpage>
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    <p id="_paragraph-3">Joan Bybee, professora emérita do Departamento de Linguística da University of New Mexico, é um nome que dispensa apresentações. Autora de vasta obra que discute os princípios cruciais Linguística Cognitiva e Funcionalista, Bybee acaba de lançar um novo livro: <italic id="italic-3f3edfaeac68eddd608c51088ead05f5">Language, usage and cognition</italic>, publicado em 2010 pela Cambridge University Press. A presente resenha tem como objetivo discutir os principais pontos abordados por Bybee em cada um dos capítulos de seu novo livro.</p>
    <p id="paragraph-5971be5943820f207d81e752a4b80810">No capítulo 1, “<italic id="italic-2">A usage-based perspective on language</italic>”, a autora determina que o objetivo de seu livro é explorar a ideia de que fenômenos linguísticos derivam de processos cognitivos mais gerais e não aplicáveis somente a fatores linguísticos. Nesse mesmo capítulo, também é discutida a questão de que as categorias linguísticas são graduais e não absolutas. Como a linguagem não é uma estrutura mental imutável, os conceitos de regular / irregular, produtivo / improdutivo, etc., representam, na verdade, dois pólos de um mesmo <italic id="italic-3">continuum</italic>. A gramática é definida como a forma através da qual os indivíduos organizam as informações linguísticas a que têm acesso. Enfatizando as ideias de Bybee (2001), a autora afirma que o léxico mental dos falantes é rico em informações detalhadas e redundantes sobre itens lexicais estocados. Como consequência, a gramática dos indivíduos muda a partir da atualização das representações lexicais e, em última instância, a própria língua também muda com base nos processos cognitivos envolvidos na categorização e acesso a informações linguísticas.</p>
    <p id="paragraph-8802a22d45ec1d0f79aa9771eef38e94">O capítulo 2 é intitulado “<italic id="italic-4">Rich memory for language: exemplar representations</italic>”. Aqui, a autora enfatiza novamente que o uso da língua afeta as representações cognitivas e que é importante um modelo de léxico que permita o armazenamento de informações redundantes sobre questões fonéticas, bem como detalhes do contexto sociocomunicativo do discurso. A estocagem de tais informações é imprescindível para que o léxico dos falantes seja atualizado. A fim de que efeitos de frequência sejam registrados na estrutura linguística, é imprescindível que detalhes fonéticos e informações redundantes tenham armazenagem lexical. Se existem variações e mudanças linguísticas condicionadas a fatores como gênero, classe socioeconômica, estilo de fala, etc., é crucial que essas informações sejam estocadas no léxico mental, caso contrário elas não interfeririam em fenômenos linguísticos.</p>
    <p id="paragraph-4cc9317836fa67a9adfac25662b70524">No capítulo 3, “<italic id="italic-5">Chunking and degress of autonomy</italic>”, Bybee analisa a natureza de expressões linguísticas pré-fabricadas (“chunks”) e como os efeitos de frequência atuam sobre tais expressões. Quando duas ou mais palavras são utilizadas juntas frequentemente, uma relação sequencial se forma e essa expressão começa a se comportar de maneira independente, como se fosse uma unidade. Um dos efeitos da repetição dessas expressões é a redução e sobreposição de gestos articulatórios, bem como a redução fonética. Bybee (2010:36) afirma que 55% do material linguístico que utilizamos é composto por expressões pré- fabricadas. Não existe uma medida absoluta para definir o grau de fusão dos “chunks” que as línguas do mundo apresentam. Esse nível varia de acordo com a repetição deles. No caso extremo de “chunks” que têm frequência de ocorrência muito alta, o fenômeno de gramaticalização pode acontecer. Esse processo ocorre quando uma construção adquire outros usos, aumenta sua frequência, sofre redução fonética, mudança semântica e começa a não ser mais analisada considerando suas partes, mas apenas como um todo.</p>
    <p id="paragraph-1e265207186331db0d5e55dcf77b385d">No Capítulo 4, “<italic id="italic-6">Analogy and similarity</italic>”, Bybee (2010:57) define analogia como “the process by which a speaker comes to use a novel item in a construction”. A analogia atua a partir da comparação de um item novo com membros mais antigos, já estocados no dicionário mental do falante. Sendo assim, os itens mais frequentes ou as frases mais convencionalizadas servem como base para a formação analógica. Discutindo o papel da analogia na mudança linguística, Bybee (2010:66- 67) enfatiza a importância da frequência de tipo, ou seja, a repetição de padrões linguísticos. Segundo a autora, essa frequencia gera produtividade e, por isso, sequências recorrentes na língua são a base para que relações analógicas sejam formadas. Finalizando o capítulo, Bybee afirma que, em vez de regras abstratas para formar novas palavras ou sentenças na língua, o que existe, na verdade, é a força da analogia que produz generalizações sobre estruturas linguísticas e, consequentemente, a criação de novos itens.</p>
    <p id="paragraph-bf4e353be938a49d791ff903c17f8bde">No Capítulo 5, “<italic id="italic-7">Categorization </italic><italic id="italic-8">and the distribution of constructions in corpora</italic>”, Bybee insiste no pressuposto de que a gramática pode ser analisada em termos de construções que emergem de generalizações feitas sobre ocorrências estocadas de expressões linguísticas. O Modelo de Exemplares também é discutido neste capítulo, uma vez que, no léxico mental, alguns itens (ou construções) são centrais em uma categoria, ao passo que outros são mais periféricos. A frequência de ocorrência é imprescindível para determinar que membro será o protótipo em uma categoria. Exemplares que são repetidos se tornam mais frequentes no léxico mental e, consequentemente, acabam sendo escolhidos na produção linguística. Assim sendo, certas instâncias se tornam um exemplo para que outras construções possam ser feitas.</p>
    <p id="paragraph-67a175e77aba5c6e685dab6ec39da5c7">Iniciando o Capítulo 6, “<italic id="italic-9">Where do</italic><italic id="italic-10"> </italic><italic id="italic-11">constructions</italic><italic id="italic-12"> </italic><italic id="italic-13">come</italic><italic id="italic-14"> </italic><italic id="italic-15">from?</italic><italic id="italic-16"> </italic><italic id="italic-17">Synchrony and diachrony in a usage-based theory</italic>”, Bybee (2010:105) define “language as a complex adaptive or self-organizing system”. Nesse sentido, sincronia e diacronia devem ser integradas e a mudança linguística “is both a window into cognitive representations and a creator of linguistic patterns.” (Bybee 2010:105). Neste mesmo capítulo, a autora descreve detalhadamente como o processo de gramaticalização ocorre e como ele atua de forma sincrônica e diacrônica. Bybee também questiona o postulado gerativista de que a mudança ocorre na aquisição linguística. Segundo a autora, mudanças linguísticas são graduais e precedidas por longos períodos de variação em que duas ou mais formas competem entre si. A aquisição linguística não é, portanto, o <italic id="italic-18">locus </italic>da mudança.</p>
    <p id="paragraph-d2875b6ebabec8c05bd1baf1b10eb795">No Capítulo 7, “<italic id="italic-19">Reanalysis or the gradual creation of new categories? </italic><italic id="italic-20">The English Auxiliary</italic>”, Bybee faz um estudo diacrônico do desenvolvimento dos verbos auxiliares do inglês. A conclusão dessa análise é que aquilo alguns gramáticos denominam “reanálise” ocorre de forma gradual, com base no uso da língua e a partir de medidas probabilísticas de frequência de tipo e de ocorrência de estruturas disponíveis no léxico.</p>
    <p id="paragraph-0604b58d6d7ff0ca43074fadd899a028">No Capítulo 8, “<italic id="italic-21">Gradient constituency and gradual reanalysis</italic>”, a autora discute o grau de constituência de algumas preposições do inglês. A partir desse exemplo, Bybee afirma que palavras que ocorrem juntas com frequência acabam sendo estocadas como uma unidade autônoma. Além disso, depois de algumas repetições, o cérebro humano cria um “atalho” para o acesso a essa expressão como um todo, não dependendo de suas partes constituintes.</p>
    <p id="paragraph-e281640fd4bc519d3485fc0317cc1a5a">Iniciando o Capítulo 9, “<italic id="italic-22">Conventionalization and the local vs. the general: </italic><italic id="italic-23">Modern English can</italic>”, Bybee analisa a distribuição de “can” and “can’t” no inglês e encontra padrões de uso para cada uma dessas formas verbais. Segundo a autora, esse exemplo demonstra que “chunking” pode ocorrer mesmo com expressões que não dependem uma da outra em termos semânticos. Na verdade, o ponto crucial para a formação de “chunks” é o uso da língua e a repetição de estruturas linguísticas.</p>
    <p id="paragraph-fe0e9a39a7b983252b646d43e11104f8">No Capítulo 10, “<italic id="italic-24">Exemplars and grammatical meaning: the specific and the </italic><italic id="italic-25">general</italic>”, Bybee afirma que o sentido gramatical se desenvolve a partir de estruturas semanticamente significativas. Efeitos de frequência se dão quando duas ou mais palavras ocorrem sempre juntas; se a memória lexical é rica e armazena expressões inteiras, uma consequência natural disso é que determinadas estruturas sejam reinterpretadas e ganhem sentido gramatical. Da mesma forma, informações pragmáticas (relacionadas ao contexto sociocomunicativo do discurso) também são estocadas no léxico mental. Sendo assim, aspectos cognitivos, como inferências, passam a fazer parte da memória lexical da palavra e podem, também, acarretar o desenvolvimento de estruturas gramaticais a partir de formas com cunho semântico.</p>
    <p id="paragraph-c49da193d9f86644f602ea526dcd0076">Finalizando o livro, o Capítulo 11, “<italic id="italic-26">Language as a complex adaptive system: </italic><italic id="italic-27">the interaction of cognition, culture and use</italic>”, enfatiza que fatores culturais e sociais não podem ser ignorados em um modelo linguístico que é baseado no uso da língua em situações comunicativas reais. Mais uma vez, a autora comenta a correlação entre o processamento de informações linguísticas e outras operações cognitivas. A conclusão final da autora é que entender a língua como um sistema complexo e adaptável pode ser de grande valia para a análise das estruturas linguísticas.</p>
    <p id="paragraph-49222ae75bdec4d178ad8425a4266e58">A obra “Language, usage and cognition” é, certamente, uma leitura imprescindível para qualquer linguista que tenha uma orientação teórica Cognitiva ou Funcional, ou simplesmente considere que a língua deve ser entendida como uma estrutura remoldada a cada dia a partir do uso que os falantes fazem dela. Além disso, o estilo único e claro que Bybee adota ao escrever faz com que a leitura de seu livro seja agradável e nos faça analisar exemplos de nossa própria língua, bem como rever a maneira como entendemos as estruturas linguísticas.</p>
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        <bold id="bold-1">Referências<bold id="bold-2"/></bold>
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      <p id="paragraph-3">ByBEE, Joan. <bold id="bold-3">Phonology and Language Use</bold>. Cambridge: Cambridge University Press. 2001.</p>
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