As gramáticas latinas como corpora para os estudos da variação e mudança linguística na obra Serafim da Silva Neto

Jorge Viana de MORAES

Resumo

O objetivo deste artigo é demonstrar o quanto e como as gramáticas latinas serviram de objetos textuais de análise para que Serafim da Silva Neto (1917-1960), no conjunto de sua obra, apresentasse subsídios para a configuração de uma teoria sobre a variação e a mudança linguística, entre os anos 40 e 50 do século XX, portanto, 20 anos antes e independentemente dos estudos a que modernamente denominamos Sociolinguística (MORAES, 2015), disciplina autônoma em que se investigam as relações da língua com a sociedade. Com isso, procuramos explorar o horizonte de retrospecção de Silva Neto para, à luz da história, esclarecer como ele construiu conceitos a respeito da variação e mudança linguísticas a partir de sua prática filológica latina, tendo como base os corpora dos quais extraiu importantes dados na construção de seus argumentos sobre a heterogeneidade linguística.